Cine Mirela, Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, Brasil
Santa Rita do Passa Quatro - SP
Fotografia
Em nossa adolescência e juventude o cinema era uma das maiores, senão a maior atração de lazer, onde o sonho não era proibido. Quantas produções cinematográficas que marcaram época! O Cine Santa Rita era um templo sagrado da sétima arte, depois veio o Mirela, majestoso, onde na época de ouro de Hollywood, nos encantávamos com grandes clássicos históricos como Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, El Cid, O Álamo, Marcelino Pão e Vinho, Família Trapp, a trilogia Sissi a Imperatriz, etc. Atores como Charlton Heston, Gregory Peck, Kirk Douglas, Rock Hudson, Yul Brynner, Burt Lancaster, John Wayne; as atrizes Rita Hayworth, Deborah Kerr, Kim Novak, Grace Kelly, Ava Gardner, Lana Turner. Sem falar da imensa plateia que Mazzaropi atraia. Serviu também para a grande e histórica semana do Festival do Cinema Nacional em julho de 1966, onde foi exibido em avant première a comédia “O Santo Milagroso”, um dos grandes filmes daqueles tempos. Sem ideologia e sem patrocínio de verbas públicas, falemos agora do Cine Mirela. Mais ou menos no final de 1950, o grande idealista, José Spadon (Zito Spadon), um dos maiores que nossa cidade conheceu, num projeto arrojado, podendo classifica-lo como “louco”, uma vez que numa pequena, bucólica e provinciana cidadezinha, onde já existia um cinema, construiu um grandioso e imponente prédio afim de abrigar o segundo cinema da cidade,de tamanho gigantesco, que concorria folgadamente com os cinemas de metrópoles regionais. E havia mais: a arquitetura arrojada, a decoração interna, a atenção há qualquer um, por mais leigo em arte que fosse. Haviam belos afrescos do pintor italiano, radicado em Ribeirão Preto, Bassano Vaccarini, sendo de um lado os grandes locais históricos da Itália e do outro, paisagens de nossa cidade, além da figura ímpar de Zequinha de Abreu. Foi o Zito Spadon, entendido em arte, que criou a primeira valorização da cultura italiana em nossa terra. Por este motivo fez jus a denominação de seu nome no futuro museu e casa da cultura que está em processo de finalização na antiga cadeia pública. O espetáculo não começava com o filme. Antes da projeção, um gongo soava anunciando o início e em seguida, na penumbra, a cortina quase transparente abrindo ao som da ópera Aida de Verdi. Somente isso já valia o espetáculo. E no final, quando se acendiam as luzes, permanecíamos sentados para ouvir o sufixo, música inesquecível executada pela orquestra do Percy Faith: “Theme from a summer place”, ou Um Lugar de Verão. Procurem a música no Google e relembrem a sensação.
O Mirela foi também palco das grandes e pomposas formaturas do “Instituto de Educação Nelson Fernandes”.
Só quem viveu nessa época onde o romantismo predominava pode dizer o que era a felicidade!
Texto de Argemiro Octaviano revisado por mim.
Nota do blog: Data e autoria da imagem não obtidas.