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quarta-feira, 26 de março de 2025

Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil















Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia


A escola não está ruim, porém as instalações precisam de manutenção em vários pontos.
Localizado na rua Domingos Padovan, 790.
Nota do blog: Data 2025 / Crédito para Jaf.

 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil











Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia


Embora não seja, nem de longe, um dos meus locais preferidos ou de boa recordação na cidade, fez parte de minha história. Assim, fiz o registro externo de suas instalações.
Localizado na rua Domingos Padovan, 790.
Nota do blog: Imagens de 2022.

 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil











Escola Estadual Miguel Jorge, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia


Antes de tudo, gostaria de deixar claro que embora não pareça, o post tem a finalidade de ajudar a escola (torço para que algum político leia, tenha um resquício de decência e ajude a escola, o que acabará ajudando seus alunos por consequência).
O Miguel Jorge foi a primeira escola que estudei (e aqui uso a palavra "estudei" como eufemismo) em Ribeirão Preto, quando de nossa mudança de São Paulo, capital. 
Em São Paulo, eu estudava em uma escola particular, bem cuidada, com bons professores, organizada. Em Ribeirão Preto, infelizmente, fui matriculado em uma escola pública precária, com baixíssima condição de ensino (até hoje acho que meus pais não tinham a menor noção de onde me colocaram, apenas dei o azar de ser de graça e perto de casa). 
Foi um péssimo começo na minha querida Ribeirão Preto (que, felizmente, durou apenas um ano).
O ensino era fraquíssimo (o que ensinavam na 4º série, eu já tinha aprendido na 2º e 3º séries em São Paulo), logo percebi que não era necessário me esforçar para tirar boas notas. Simplesmente bastava frequentar as aulas para ser promovido (e, mesmo com essas baixas exigências, muitos conseguiam a "façanha" de serem reprovados). 
Além disso, nossa professora já não se importava muito em ensinar, estava cansada e em vias de se aposentar, apenas aguardando o tempo necessário para também sair dali (hoje, mais experiente, entendo e não a culpo, ser designado professor no Miguel Jorge era tipo uma "punição", ou algo pelo qual você tinha que passar para conseguir uma colocação em escolas melhores, como por exemplo o João Rodrigues Guião, o Otoniel Mota, o Cid de Oliveira Leite, o Guimarães Júnior, o Fábio Barreto, o Dom Luís do Amaral Mousinho, etc).
De qualquer forma, isso não era o pior. O desinteresse e o cansaço da professora poderiam, certamente, ser superados com esforço e dedicação dos alunos.
O problema era que a maioria dos alunos estavam lá por outras razões, razões essas bem diversas do estudar e aprender (que era, no máximo, a quarta prioridade).
A primeira prioridade dos alunos era a merenda (que não era grande coisa, tinha problemas de limpeza e qualidade, mas representava uma benção para os que tinham fome). Saber que vivemos em um país no qual crianças frequentam escolas públicas para serem alimentadas, não deixa a menor dúvida de nosso fracasso como sociedade. Falhamos no objetivo básico, que consiste em prover alimentos a nossa população. Ninguém consegue estudar, aprender, se desenvolver, estando com fome. 
A segunda prioridade dos alunos era ter um lugar para ficar enquanto seus pais trabalhavam. Muitos eram deixados na escola por seus pais por este motivo. Um verdadeiro depósito de crianças.
E, infelizmente, tenho que citar uma terceira prioridade dos alunos: a própria segurança. Haviam brigas frequentes na entrada, no intervalo e na saída dos alunos, inclusive com pessoas de fora da escola esperando alunos saírem para brigar, um verdadeiro inferno. Os funcionários e direção pouco faziam para coibir ou mudar essas situações, inclusive, sensação que eu tinha na época, torciam para que tais fatos acontecessem do lado de fora da escola, evitando assim problemas com a diretoria de ensino.
Como alguém pode aprender algo de bom vivenciando essas situações? Não tem jeito, só resta torcer para que a realidade atual seja diferente (e diferente para melhor, contrariando o padrão brasileiro, que, na maioria das vezes, é diferente para pior.).
Continuando, gostaria de mostrar o grau de cuidado que o poder público tem com o Miguel Jorge: não consegui encontrar na internet nenhuma referência a história da escola, menção a sua data de fundação, ao seu patrono, nem uma mera foto decente de sua fachada na internet. Há apenas a publicação de algumas fotos em redes sociais, alusivas a pequenos eventos realizados na escola, dentro de sala de aula. Nem o site do governo estadual tem fotos do Miguel Jorge, o campo para elas se encontra vazio.
As fotos que ilustram esse post foram obtidas através do Google Maps. São as melhores, as principais e as únicas imagens da escola na internet. E, num grande paradoxo, divulgadas por mim, um cara que não gosta nem de lembrar que passou por lá.
Dito isto, gostaria de citar que as fotos acima não correspondem a situação que encontrei quando da minha passagem. Por mais incrível que possa parecer (e as imagens parecem negar tal fato), melhorou muito. Agora a quadra está coberta, há asfalto em todas as ruas laterais da escola (antigamente só havia asfalto na rua do portão de entrada principal), existem bebedores de água (antigamente existiam apenas torneiras comuns para os alunos beberem água vinda diretamente da rua, sem nenhum tipo de filtragem), foi construída uma nova ala (diferente do padrão bloco de cimento das outras alas), os muros foram melhorados para evitar invasões e furtos. 
Inclusive, diante de tais melhoramentos, suponho (e torço para que tal suposição seja verdade) que tenham melhorado também a biblioteca (que tinha acervo pequeno), os banheiros (eram ruins) e instalado (pelo menos) ventiladores nas salas de aula. 
Prosseguindo, e para não dizerem que não sou justo, tive o cuidado de fazer algumas pesquisas na internet no intuito de ver as colocações obtidas pelos alunos do Miguel Jorge nos recentes exames do Enem e, cumpre-me dizer, que não ficou tão atrás quando comparado com outras escolas públicas de nível semelhante. Confesso que isso foi uma surpresa, embora eu não tenha como afirmar que isso signifique uma melhora no padrão de ensino do Miguel Jorge. Também há de se considerar a possibilidade de queda de padrão das outras escolas públicas concorrentes, o que acabou, por meios tortos, beneficiando o Miguel Jorge.
É triste dizer isso, mas por mais que eu tente (e estou fazendo isso enquanto escrevo), não consigo pensar em uma boa lembrança do local. Meu desgosto com a escola foi grande (quando mudei de bairro, mudei até meu título de eleitor, eu não queria voltar lá de jeito nenhum). Assim, sendo sincero, minha melhor lembrança foi o dia que tive a certeza de que iria sair de lá.
As vezes acho que exagerei na bronca com a escola, que entendi errado, que foi o impacto da mudança de cidade, ou ainda outra causa que, por ser criança, não conseguia compreender naquele momento. Admito tal possibilidade, não é algo impossível, absurdo.
De qualquer forma, graças a minha mãe, no ano seguinte consegui uma vaga e mudei para a escola João Rodrigues Guião, também pública, na avenida Treze de Maio. 
Minha vida escolar deu um salto de qualidade, passei a viver em um ambiente sadio, limpo, organizado, com condição de ensino infinitamente superior, professores melhores, parecia uma volta a civilização. Até hoje não sei como minha mãe conseguiu aquela vaga (não morávamos perto). Ela deve ter chorado, implorado, atormentado a vida das funcionárias do João Rodrigues Guião. Sou eternamente grato por ela ter conseguido me tirar do Miguel Jorge. Tenho certeza que sair de lá, sem dúvida, fez grande diferença na minha vida escolar. E, por consequência, ajudou no meu futuro.
Finalizando, agradeço a todos que tiveram paciência e leram essas memórias ruins. E antes que perguntem qual o sentido de criar um post para relembrar fatos que desejo esquecer, gostaria de dizer que a vida não é feita apenas de bons momentos, há que se recordar dos ruins também. Até para que não aconteçam novamente.