Vista Aérea do Grande Hotel Araxá, Araxá, Minas Gerais, Brasil
Araxá - MG
Foto Postal Colombo N. 36
Fotografia - Cartão Postal
Blog destinado a divulgar fotografias, pinturas, propagandas, cartões postais, cartazes, filmes, mapas, história, cultura, textos, opiniões, memórias, monumentos, estátuas, objetos, livros, carros, quadrinhos, humor, etc.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Rua Primeiro de Março, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Rua Primeiro de Março, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Petrópolis - RJ
N. 159
Fotografia - Cartão Postal
Petrópolis - RJ
N. 159
Fotografia - Cartão Postal
Usina Central Moreno de Monte Aprazível, Monte Aprazível, São Paulo, Brasil
Usina Central Moreno de Monte Aprazível, Monte Aprazível, São Paulo, Brasil
Monte Aprazível - SP
Grupo Moreno
Fotografia
Usina Santa Cruz Ometto Pavan, Américo Brasiliense, São Paulo, Brasil
Usina Santa Cruz Ometto Pavan, Américo Brasiliense, São Paulo, Brasil
Américo Brasiliense - SP
Grupo São Martinho
Fotografia
Fernão de Magalhães (Ferdinand Magellan) - Anônimo
Fernão de Magalhães (Ferdinand Magellan) - Anônimo
The Mariner's Museum Collection - Newport News - Estados Unidos
OST
The Mariner's Museum Collection - Newport News - Estados Unidos
OST
Fernão de
Magalhães (Ponte da Barca, Portugal, Primavera de 1480 — Mactan, Cebu, Visayas Centrais, Filipinas, 27 de abril de 1521)
foi um navegador português que se notabilizou por ter organizado e
iniciado a primeira viagem de circum-navegação ao globo
de 1519 até 1522.
Nascido numa
família nobre, em 1505 viajou para as Índias Ocidentais,
participando de várias expedições militares. Em 1512 foi na armada de António
de Abreu à descoberta das Molucas, também conhecidas como as Ilhas das Especiarias, mas
só o navio de Francisco Serrão, tresmalhado, chegaria às Molucas do norte
(Ternate, Tidore, etc...), produtoras do desejado cravo, pois os demais navios
regressariam a Malaca após irem apenas às Molucas do sul ou arquipélago de
Banda (Buru, Ambom, Seram) produtoras de noz-moscada e maçã, o que fez com que
Magalhães não tivesse conhecimento direto das Molucas do cravo, as mais
importantes economicamente à época.
A serviço do
rei de Espanha, planeou e comandou a expedição marítima que efetuou a
primeira viagem de circum-navegação ao
globo. Foi o primeiro a alcançar a Terra do Fogo no extremo sul do continente americano, a atravessar o estreito que hoje leva seu nome e
a cruzar o Oceano Pacífico, que
nomeou. Fernão de Magalhães foi morto em batalha em Cebu,
nas Filipinas durante a expedição, posteriormente chefiada
por Juan Sebastián Elcano até
ao regresso em 1522.
O Pinguim-de-magalhães recebeu
o seu nome como homenagem, já que Magalhães foi o primeiro Europeu a ter visto
um. As aptidões de navegação de Fernão também foram reconhecidas na nomeação
de objetos associados à astronomia, incluindo as Nuvens de Magalhães,
as crateras lunares de Magalhães,
e as crateras marcianas de Magalhães e
sonda espacial da NASA Magellan (versão inglesa do nome).
Fernão de
Magalhães nasceu no norte de Portugal, em 1480. A
freguesia da Sé do Porto, Vila Nova de Gaia e Ponte da Barca reclamam a sua naturalidade. A vila
de Sabrosa outrora
reclamou ser o berço do navegador e assim consta em muitas obras. No
entanto, hoje sabe-se, para além de qualquer dúvida razoável, que essa
presunção se baseou em documentação falsificada por António Luís Alvares
Pereira, descendente de lavradores do lugar da Pereira, em Sabrosa, com o
intuito de se habilitar à herança de Fernão de Magalhães no Arquivo das Índias.
Fernão de Magalhães era filho de Rui (por vezes Rodrigo) de Magalhães, nascido
cerca de 1442, Cavaleiro que
exerceu cargos de governação no Porto, e de sua primeira mulher Alda de
Mesquita, nascida cerca de 1445, e casado pela segunda vez com Inês Vaz
Moutinho, filha de Pedro Vaz Moutinho, cidadão do Porto, cidade onde foi Vereador, e de sua mulher
Inês Gonçalves de Mesquita.
Era irmão de
Duarte de Sousa, Diogo de Sousa, Isabel de Magalhães, Leonor ou Genebra de
Magalhães, casada com João Fernandes Barbosa, com geração, e Aires de
Magalhães, que seguiu uma carreira eclesiástica, recebeu ordens de epístola em
1509 em Braga e, nessa matrícula, seus pais acima nomeados são ditos moradores
na Sé do Porto.
Seu pai, Rui
de Magalhães, foi Cavaleiro Fidalgo da Casa de D. Afonso, 1.º Conde de Faro, 2.º Conde de Odemira jure uxoris, 5.º Senhor de Mortágua jure uxoris, Senhor de Aveiro e Alcaide-Mor do Castelo de Estremoz. Rui
de Magalhães terá sido Alcaide-Mor do Castelo de
Aveiro onde está documentado em 1486. Entre junho de 1472 e
junho de 1488 está documentado no Porto onde exerce os cargos de Juiz Ordinário, Procurador da Câmara e Vereador.
Fernão de
Magalhães tinha cerca de dez anos quando se tornou Pajem da Corte da Rainha D. Leonor, consorte de
D. João II. Casou-se em Sevilha, em Dezembro de 1517 com Beatriz
Barbosa, sua parente, filha de Diogo Barbosa e de sua mulher Maria Caldeira, e
teve dois filhos: Rodrigo, que faleceu muito novo, e Carlos, que faleceu ao
nascer.
Em Março de
1505, com 25 anos, alistou-se na Armada da Índia, na frota
de 22 navios enviada para instalar D. Francisco de Almeida como
primeiro vice-rei da Índia. Embora o seu nome não figure nas
crônicas, sabe-se que ali permaneceu oito anos, e que esteve em Goa, Cochim e Quíloa. Participou em várias batalhas, incluindo a batalha
naval de Cananor em 1506, onde foi ferido, e a decisiva batalha de Diu. Em 1509 partiu com Diogo Lopes de Sequeira na
primeira embaixada a Malaca, onde seguia também Francisco Serrão, seu
grande amigo e possivelmente primo. Chegados a Malaca em setembro, foram
vítimas de uma conspiração e a expedição terminou em fuga, na qual Magalhães
teve um papel crucial avisando Sequeira e salvando Francisco Serrão que havia
desembarcado. Para trás ficaram dezenove prisioneiros. A sua atuação valeu-lhe
honras e uma promoção.
Ao serviço do
novo governador, Afonso de Albuquerque,
participou junto com Serrão na conquista de Malaca em 1511 e só regressou a
Lisboa em 1513. Magalhães, sob o comando de António de Abreu, chegou às ilhas
de Banda, Ambom e Seram (produção de noz-moscada e maça), em 1512, mas não
às Molucas do norte (que eram as Molucas
em sentido restrito), onde quem chegou, a Ternate, foi o seu amigo Francisco
Serrão no seu junco que se separou da armada de Abreu arrastado por uma
tempestade, o qual aí permaneceu e casou com uma mulher de Amboina, tornando-se conselheiro militar do sultão de Ternate. As suas cartas
para Magalhães seriam decisivas, que dele obteve informações quanto à situação
dos lugares produtores de cravo (Molucas do norte). Fernão de Magalhães, após
se ausentar sem permissão, perdeu influência. Em serviço em Azamor (Marrocos),
onde foi ferido em combate, foi depois acusado de comércio ilegal com os
mouros, com várias das acusações comprovadas cessaram as ofertas de emprego a
partir de 15 de maio de 1514 e, novamente em Lisboa, D. Manuel I recusa-lhe
aumento de tença. Mais tarde, em 1515, surgiu uma oferta para membro da
tripulação de um navio de Português, mas Magalhães rejeitou-a. Em Lisboa
dedicou-se a estudar as mais recentes cartas, investigando uma passagem para o
pacífico pelo Atlântico Sul e a possibilidade de as Molucas estarem na zona
espanhola definida pelo Tratado de Tordesilhas, em
parceria com o cosmógrafo Rui Faleiro.
Em 1517 foi
a Sevilha com Rui Faleiro, tendo encontrado no feitor da "Casa de la Contratación"
da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a Espanha a
possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares não reservados aos
portugueses no Tratado de Tordesilhas e,
além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no
hemisfério castelhano.
Com a
influência do bispo de Burgos conseguiram a aprovação do
projecto por parte de Carlos V, e começaram os
morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; o cartógrafo de
origem portuguesa Diogo Ribeiro que começara a
trabalhar para Espanha em 1518, na Casa de Contratación em Sevilha participou
no desenvolvimento dos mapas utilizados na viagem. Depois da
ruptura com Rui Faleiro, Magalhães continuou a aparelhagem dos cinco navios
que, com 256 homens de tripulação, partiram de Sanlúcar de Barrameda em
20 de setembro de 1519. A esquadra tinha cinco navios e uma tripulação total de
234 homens, com cerca de 40 portugueses entre os quais Álvaro de Mesquita,
primo co-irmão de Magalhães, Duarte Barbosa, primo da mulher de Magalhães, João Serrão, primo ou irmão de Francisco Serrão e Estevão Gomes. Seguia também Henrique de Malaca.
Fernão de
Magalhães fez um segundo testamento em Sevilha a 24 de agosto
de 1519, onde institui Morgado de boa parte de seus bens,
que deixa a seu filho Rodrigo de Magalhães e, na falta dele, a seus irmãos
Diogo de Souza de Magalhães e Isabel de Magalhães. Obriga o administrador a
usar o nome de Magalhães e as suas armas («trayga las armas de magallanes segun
e de la manera que yo las traygo que son de magallanes e sosa»).
Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia pago do seu
próprio bolso para viajar com a expedição, escreveu um diário completo de toda
a viagem, possibilitado pelo facto de Pigafetta ter sido um dos 18 homens a
retornar vivo à Europa na nau Victoria. Dessa forma, legou à posteridade
um raro e importante registo de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre
este episódio da história.
A armada fez
escala nas ilhas Canárias e
alcançou a costa da América do Sul, chegando em 13 de dezembro ao Rio de Janeiro.
Prosseguindo para o sul, atingiram Puerto San Julian à entrada do estreito, na extremidade
da atual costa da Argentina, onde o capitão decidiu
hibernar. Irrompeu então uma revolta que ele conseguiu dominar com habilidosa
astúcia. Após cinco meses de espera, período no qual a nau "Santiago"
foi perdida em uma viagem de reconhecimento, tendo os seus tripulantes
conseguido ser resgatados, Magalhães encontrou o estreito que hoje leva seu
nome, aprofundando-se nele. Em outra viagem de reconhecimento, outra nau foi
perdida, mas desta vez por um motim na nau "San Antonio" onde a
tripulação aprisionou o seu capitão Álvaro de Mesquita, primo de Magalhães, e
iniciou uma viagem de volta com o piloto Estêvão Gomes (realmente estes
completaram a viagem, espalhando ofensas contra Fernão de Magalhães na
Espanha).
Apenas em
novembro a esquadra atravessaria o Estreito, penetrando nas
águas do Mar do Sul (assim batizado por Balboa), e batizando o
oceano em que entravam como «Pacífico» por
contraste às dificuldades encontradas no Estreito. Depois de cerca de quatro
meses, a fome, a sede e as doenças (principalmente o escorbuto) começaram a dizimar a tripulação. Foi também
no Pacífico que
encontrou as nebulosas que hoje ostentam o seu nome - as nebulosas de Magalhães.
Em março de
1521, alcançaram a ilha de Ladrões no atual arquipélago de Guam,
chegando à ilha de Cebu nas atuais ilhas Filipinas em 7 de abril. Imediatamente
começaram com os nativos as trocas comerciais; boa parte das grandes
dificuldades da viagem tinham sido vencidas. Dias depois, porém, Fernão de
Magalhães morreu em combate com os nativos na ilha de Mactan, atraído a uma emboscada, sendo morto pelo nativo Lapu-Lapu.
A expedição
prosseguiu sob o comando de João Lopes
Carvalho, deixando Cebu no início de março de 1522. Dois meses
depois, seria comandada por Juan Sebastián Elcano.
Decidiram
incendiar a nau Concepción, visto o pequeno número de homens para
operá-la, e finalmente conseguiram chegar às Molucas, onde obtiveram seu
suprimento de especiarias. Trinidad acabou ali permanecendo para
reparos e a Victoria voltou sozinha para casa, contornando o Índico pelo sul, a fim de não encontrar navios
portugueses. A Trinidad, após os reparos tentou seguir uma rota pelo
Pacífico até a América Central, onde poderia contatar os espanhóis e levar sua
carga, no entanto acabou tendo de retornar às Molucas onde seus tripulantes
foram aprisionados pelos portugueses que haviam chegado. A nau Victoria dobrou
o Cabo da Boa Esperança em
1522, fez escala em Cabo Verde, onde alguns homens foram
detidos pelos portugueses, alcançando finalmente o porto de San Lúcar de Barrameda,
com apenas 18 homens na tripulação.
Uma única nau
tinha completado a circum-navegação do globo ao alcançar Sevilha em 6 de
setembro de 1522. Juan Sebastián Elcano, a restante tripulação da expedição de
Magalhães e o último navio da frota regressaram decorridos três
anos após a partida. A expedição de facto trouxe poucos benefícios financeiros,
não tendo a tripulação chegado a receber o pagamento.
Curiosidade:
Na época não existia a Linha Internacional de Data,
sendo que ao chegarem a Sevilha a tripulação não subtraiu um dos 1081 dias que
permaneceram a bordo da expedição. A precariedade das medições não foi
suficiente para conter a discussão que se seguiu sobre a duração da viagem,
sugerindo que fosse enviada ao Vaticano uma comissão internacional sobre
expedições ao redor da Terra.
Cronologia:
1480 - Data
provável do nascimento de Fernão de Magalhães no norte de Portugal
1505 - Partiu
para a Índia na armada de D. Francisco de Almeida.
1509 -
Participou na desastrosa expedição a Malaca de Diogo Lopes de Sequeira;
fez grande amizade com Francisco Serrão.
1511 -
Participou, sob o comando de Afonso de Albuquerque, na
conquista de Malaca.
1512 -
Integrou a armada de António de Abreu (navegador) que
foi às Molucas do sul no mar de Banda.
1513 -
Regressou a Lisboa.
1514 - Foi
ferido em combate, em Azamor (Marrocos); novamente em Lisboa, D. Manuel recusou-lhe o
aumento na tença.
1517 -
Dirigiu-se a Sevilha para apresentar a Carlos V o
seu plano de alcançar as "Ilhas das Especiarias"
pelo Ocidente.
1519 - Iniciou
a que foi a primeira viagem de circum-navegação; alcançou a baía da Guanabara.
1520 -
Alcançou a foz do Rio da Prata; fez invernada na baía de S.
Julião; dominou um motim; atravessou o Estreito e alcançou o Oceano Pacífico.
1521 -
Descobriu a Ilha dos Ladrões;
descobriu o arquipélago das Filipinas e aí foi morto sacrificando-se para
salvar os seus colegas.
1522 - Juan Sebastián Elcano concluiu
a primeira viagem de circum-navegação.
A 1ª Volta ao Mundo, Os 500 Anos da Viagem de Fernão de Magalhães, da qual só 18 dos 250 Tripulantes Sobreviveram, Artigo
Artigo
No dia 20 de setembro de 1519, cinco navios com 250 homens deixaram o
porto de Sanlúcar de Barrameda, no sul da Espanha, em direção ao Atlântico. No
comando da nau Trinidad estava o capitão português Fernão de Magalhães.
Nem Magalhães ou mesmo seus homens sabiam que a expedição mudaria o
curso da história: eles seriam os primeiros a dar a volta ao mundo, um marco
que celebra seu quinto centenário.
Mas também foi considerado um feito real da resistência humana: a
primeira circunavegação do mundo foi um verdadeiro inferno de doenças, fome e
violência, relata o historiador Jerry Brotton na BBC History Magazine.
De fato, apenas 18 dos 250 tripulantes retornaram a Sanlúcar três anos
depois de deixar o porto.
E embora muitos atribuam a Magalhães o crédito de ser a primeira pessoa
a circunavegar a Terra, o português não está entre esses 18 sobreviventes.
Mas isso não tira o mérito de ser o explorador que idealizou e
empreendeu essa dura e histórica jornada.
O principal objetivo da viagem não era dar a volta ao mundo, mas
alcançar as Ilhas Molucas (ou Ilhas das Especiarias), na Indonésia, e sua
riqueza ao longo da rota oeste, que era o que Cristóvão Colombo pretendia
quando encontrou o continente americano.
Portugal controlava a rota conhecida para o leste através do Cabo da Boa
Esperança, no extremo sul da África.
Depois de examinar mapas e globos, Magalhães chegou a uma conclusão
surpreendente.
Ele acreditava que poderia chegar à região mais rapidamente se viajasse
na direção oposta, contornando a ponta da América do Sul, através do
recém-descoberto Oceano Pacífico, até as ilhas produtoras de especiarias, no
arquipélago indonésio.
Mas Manuel 1º, o rei de Portugal, rejeitou a ideia de Magalhães.
Isso não impediu o explorador português, que passou a oferecer seus
serviços ao arquirrival de Manuel 1º: Carlos 1º, da Espanha, e 5º do Sacro
Império Romano.
"Portugal dominou completamente o caminho para o leste, mas não
estava interessado em montar uma expedição para o oeste, porque já detinha
controle sobre o outro lado. Assim, o projeto de Magalhães fazia pouco sentido.
Mas a Espanha o recebeu muito bem", explica à BBC Mundo Braulio Vázquez,
arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha.
Embora muitos nobres espanhóis suspeitassem de uma expedição sob o
comando de um português, Carlos 1º aceitou a proposta de Magalhães.
Isso consistia em velejar pelo Cabo Hornos, atravessar até as Molucas,
embarcar um carregamento de especiarias e retornar pela mesma rota,
reivindicando as ilhas para a Espanha.
Logo após a descoberta de Colombo, em 1494, Espanha e Portugal, as
potências da época, chegaram a um acordo para dividir as áreas de navegação do
Oceano Atlântico e os territórios do "Novo Mundo", no chamado Tratado
de Tordesilhas.
Magalhães estava convencido de que as Molucas ficavam dentro da esfera
de influência castelhana e, portanto, poderia trazer as especiarias de lá sem
problemas.
Por trás dessa crença, porém, havia um erro de cálculo que traria
consequências terríveis para sua expedição.
A frota partiu de Sanlúcar para as Ilhas Canárias, depois seguiu para as
Ilhas de Cabo Verde, antes de cruzar o Atlântico até a costa sul-americana,
chegando à atual costa do Rio de Janeiro, em dezembro de 1519.
É a partir desse momento, relata o historiador Brotton, que as condições
começam a se deteriorar.
Depois de meses pesquisando a costa leste da América do Sul, Magalhães
não conseguiu encontrar uma passagem para o oeste.
A tripulação enfrentou um inverno brutal – e os marinheiros tiveram que
dormir no convés em condições quase congelantes –, enquanto as rações diminuíam
e a fome aumentava, resultando em tumultos nos navios.
"O clima piorou ainda mais quando um dos navios naufragou devido ao
agravamento do tempo, e a busca do prometido estreito no Pacífico se estendeu
por semanas, depois meses", escreveu o historiador.
Na difícil travessia nessas águas desconhecidas, outro navio desertou e
tomou rumo de volta para a Espanha.
Foi uma perda enorme, explica Vázquez, porque era o San Antonio, a maior
embarcação e a que trazia mais comida.
"Foi uma expedição que, entre motins, rebeliões, fome, sede...
perdeu muitos de seus membros no primeiro semestre", diz o arquivista.
Mas, depois de sobreviver ao inverno e aos muitos meses de buscas
infrutíferas, Magalhães e seus homens finalmente chegaram ao outro lado da
América do Sul.
No dia 28 de novembro de 1520, eles entraram no que Magalhães batizou
como Mare Pacificum (mar do Pacífico).
O navegador português, no entanto, não conhecia a magnitude da ameaça
que ainda o esperava.
Magalhães achava que a parte mais difícil da viagem já havia passado e
restava apenas um pequeno cruzeiro pelas ricas Ilhas das Especiarias.
"Mas a combinação de mapas ruins, cálculos ruins e o fato de ele
ser o primeiro europeu a estar nessas águas transformaram esse 'breve cruzeiro'
em um pesadelo de 100 dias de fome, escorbuto (doença grave causada pela falta
de vitamina C) e mortes".
Assim relatou à BBC Paul Rose, especialista em navegação e comandante da
estação de pesquisa britânica Rothera, na Antártida, por 10 anos.
Magalhães usou mapas e globos que subestimavam a circunferência da
Terra.
Não conseguia nem imaginar a escala do Pacífico, um oceano que tem o
dobro do tamanho do Atlântico e que cobre um terço da superfície da Terra.
"Dessa forma, eles passaram os três meses seguintes atravessando o
Pacífico em busca de terra. As condições eram horríveis e o escorbuto começou a
devastar a tripulação", escreveu Brotton na BBC History Magazine.
Assim também contou Antonio Pigaffeta, um dos tripulantes cujas crônicas
a bordo se tornaram um dos relatos mais conhecidos da viagem:
Durante três meses e vinte dias não conseguimos
comida fresca.
Comemos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira
misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.
Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos
dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio
principal.
Quando Magalhães percebe o tamanho do Pacífico, "fica claro que as
Ilhas das Especiarias não estão na esfera da influência castelhana",
explica Vázquez.
Então ele traça um outro objetivo: as Ilhas Filipinas.
"Quando ele toca o solo nas Filipinas e faz contato com os caciques
e reis locais, ele vê que há recursos, ouro... e decide entrar na política
local dessas ilhas para tentar tirar vantagem", diz o arquivista.
Em uma "péssima decisão", Magalhães inicia uma política de
fazer alianças com reis locais. Mas o rei da ilha de Mactan se opõe.
Os portugueses decidem invadir a ilha junto com outros 40 membros da
tripulação.
"Foi um exagero fatal. O povo de Mactan resistiu violentamente, e
Magalhães e seus marinheiros entraram em choque com centenas de guerreiros
locais", escreveu Brotton.
Magalhães foi morto e seu corpo nunca foi recuperado. Para o navegador
português, a travessia terminou em Mactan, sem concluir a volta ao mundo.
Ele não terminou, desta maneira, a expedição que planejou e empreendeu.
O capitão espanhol Juan Sebastián Elcano se tornou o novo comandante da
expedição, e foi sob suas ordens que eles navegaram para o destino que
Magalhães queria: as Ilhas das Especiarias ou Molucas, aonde chegaram em
novembro de 1521.
Até então, eles imaginavam que aquelas ilhas não estavam na área da
influência castelhana que havia estabelecido o Tratado de Tordesilhas.
Então, eles carregaram as especiarias às pressas nos dois únicos navios
que ainda restavam e decidiram terminar a odisseia e embarcar no caminho de
volta.
O dilema que surgiu então foi qual seria o caminho a seguir. A Trinidad,
que havia sido comandada por Magalhães, tentou retornar pelo Pacífico, mas não
obteve sucesso, e foi capturada por navios portugueses.
O navio Victoria, com Elcano à frente, voltou para a Espanha através do
Oceano Índico e contornando a costa no Cabo da Boa Esperança.
"Foi uma navegação totalmente épica, porque desde a ilha de Timor
até chegar às ilhas de Cabo Verde, no Atlântico, eles não encontraram terra e
enfrentaram novamente os problemas de fome, sede, fadiga... além do navio em
mau estado, depois de quase três anos de navegação", explica Vázquez.
Embora não quisessem atracar em Cabo Verde, sob o domínio português, as
condições os obrigaram.
Então, conta o arquivista, "eles planejaram uma manobra": eles
não podiam dizer que vinham das Ilhas das Especiarias, porque isso implicaria
em sua prisão; por isso, disseram que era um navio vindo da América.
Embora a princípio acreditassem neles, os portugueses acabaram
capturando 13 tripulantes. Apenas 18 conseguiram escapar, no navio Victoria.
Finalmente, em 6 de setembro de 1522, o Victoria atracou no porto de
Sanlúcar, com apenas 18 tripulantes dos 250 que partiram – completando assim a
primeira circunavegação no mundo da qual existem evidências.
Além de Elcano e Pigafetta, os outros marinheiros que retornaram foram:
Juan de Acurio, Juan de Arratia, Juan de Zubileta, Juan de Santander, Diego
Carmena, Vasco Gómez Gallego, Hernando de Bustamante, Miguel de Rodas, Hans,
Antón Hernández Colmenero, Juan Rodríguez, Francisco Rodríguez, Martín de Yudícibus,
Francisco Albo, Nicolás el Griego e Miguel Sánchez.
"Todos chegaram em condições absolutamente penosas", diz o
arquivista do Arquivo Geral das Índias.
Carlos 1º recebeu alguns dos sobreviventes e concedeu a Elcano uma renda
anual e um brasão de armas com um globo e a legenda: Primus circumdedisti me ("O
primeiro que me circunavegou").
Mais tarde, o capitão retornou para outra expedição ao Pacífico, onde
morreu em 1526.
A expedição de Magalhães para chegar às Ilhas das Especiarias por outra
rota mudou o curso da história, mas teve um enorme custo humano: mais de 200
tripulantes morreram, muitos em terríveis circunstâncias.
Para Vázquez, o mundo muda principalmente por dois motivos.
"Primeiro, o tamanho do mundo, isto é, o Pacífico, que a partir de
então tem seu tamanho descoberto, e as viagens seguintes o levarão muito em
consideração."
"E, por outro lado, eles percebem que não existem, como foi dito
nas crônicas medievais, seres monstruosos ou mitológicos. Em todas as partes
encontramos a mesma coisa: todos são seres humanos."
Além disso, a Europa passa a ter ciência "da complexidade e das
diferenças culturais do mundo".
Por outro lado, no nível geopolítico, a viagem de Magalhães exacerbou as
tensões políticas e comerciais entre Espanha e Portugal durante alguns anos.
Mas as consequências da jornada empreendida pelo explorador português
devem ser vistas a longo prazo, avalia Brotton.
E faz uma referência ao "florescimento das rotas comerciais na
segunda metade do século 16, já que os vínculos que Magalhães ajudaram a
estabelecer entre a Europa e o sudeste da Ásia permitiram a circulação de
pessoas e bens pela América do Sul".
"A mentalidade de Magalhães, sua imaginação e sua determinação em
usar globos terrestres, em vez de mapas planos para entender o mundo, abriu uma
profusão de novas oportunidades de negócios", diz ele.
"É possível dizer que sua grande viagem deu o tiro inicial na
corrida à globalização, com todos os riscos e oportunidades que isso nos
apresenta hoje."
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49777017?ocid=socialflow_facebook&fbclid=IwAR2lWx4hQi2n8r9IaJJ7Xyrq-S6cDJSTTW12XjJ7rqu-1egv8IpuVg5nINo
Assinar:
Postagens (Atom)

























