quinta-feira, 28 de maio de 2020

Ford GT Heritage 2006, Estados Unidos


























































Ford GT Heritage 2006, Estados Unidos
Fotografia


As part of the Ford Motor Company centennial celebration, the company debuted the retro-styled GT. A modern homage to Ford’s racing heritage, the GT celebrated the highly successful GT40 program of the 1960s, which won Le Mans an impressive four consecutive years from 1966 to 1969. Exceedingly popular since its debut, the GT went into production for the 2005 and 2006 model years, during which time only 4,033 examples were built.
In addition to the stunning design, the Ford GT featured impressive performance, the likes of which had not been seen from a production car built in Detroit. Powered by a 5.4-liter DOHC V-8 engine and equipped with a Lysholm twin-screw supercharger, the GT is rated at 550 hp and 500 foot-pounds of torque. The engine is paired to Ricardo six-speed manual transmission featuring a helical limited-slip differential. This driveline allows the Ford GT to achieve a 205-mph top speed and 0–60 sprint of 3.3 seconds. These extraordinary performance figures put the car in competition with other supercars of the time, such as the Porsche Carrera GT and the Mercedes-McLaren SLR. For the final model year, 2006, Ford introduced a limited production Heritage edition. Finished in Heritage Blue with Epic Orange stripes, the cars featured four white roundels to which the owner could add a number of their liking. The rare livery was inspired by the double-Le Mans–winning GT40 of 1968 and 1969 which famously featured Gulf Oil sponsorship.
This 2006 Ford GT holds the unique title of being the final Heritage example built. While there are later chassis numbers listed in the SAAC registry, those cars were built in August, while this car was completed on 11 September 2006, making it the final such Heritage GT. It was sold new through Courtesy Ford Lincoln of London, Ontario, Canada. Finished in the iconic Heritage Blue with Epic Orange stripes with the blank roundels having since been emblazoned with the number three. Outfitted with three options, the car features forged alloy BBS wheels, grey-painted brake calipers, and, of course, the Heritage livery. While the Ebony leather interior originally featured the standard radio it has since been upgraded with a modern Clarion unit with Bluetooth capabilities.
A two-owner example, this GT has covered 5,400 miles from new. In 2008, the car’s front bumper cover was repainted due to minor a scuff, for which the invoice is included on file. From 2011 to 2020 the GT was maintained by Brown Bros. Ford Lincoln in Vancouver, British Columbia, with the most recent service highlighted by the installation of new tires in March 2020. Included with the car is the window sticker, owner’s manuals, select service records, air compressor, car cover, and Ford GT duffel bag. Additionally, the car retains select delivery stickers and tags from new.
The Ford GT is an exceptional example of Ford’s “pace car for an entire company.” A rare car to begin with, 2,011 GTs were produced for 2006; of those, only 343 were delivered in the Heritage livery. This three-option Heritage edition is a stunning example, one made a bit more special by the fact that it holds the unique distinction of being the final Heritage GT built for 2006.

Ainda é Necessário "Amaciar o Motor" de um Carro Novo? - Artigo


Ainda é Necessário "Amaciar o Motor" de um Carro Novo? - Artigo
Artigo


No passado, era bastante comum falar em "amaciar" o motor de um carro adquirido zero-quilômetro.
As montadoras, inclusive, recomendavam não abusar nas acelerações durante os primeiros 5.000 km, em média, com o objetivo de evitar danos a componentes internos.
Hoje, muitos proprietários de veículos novos simplesmente desconhecem a prática ou pensam que é coisa do passado.
Porém, o "amaciamento" ainda é essencial para prolongar a vida útil do motor - e também para que ele atinja o desempenho e o consumo de óleo lubrificante e combustível para o qual foi projetado.
A diferença é que, por conta da tecnologia mais avançada e precisa adotada na construção de motores, a quilometragem necessária para o "amaciamento" ficou bem menor: 1.500 km, aproximadamente.
As orientações para "amaciar" o motor, inclusive, podem ser verificadas no manual do proprietário, como antigamente.
O manual do Renault Sandero 2020, por exemplo, diz: "Até atingir os primeiros 1.000 km, não ultrapasse 130 km/h na troca de marcha mais elevada ou 3.000 a 3.500 rpm". O mesmo manual informa que somente após cerca de 3.000 km rodados o veículo vai "proporcionar todo seu desempenho".
A Volkswagen dá orientação semelhante no manual do Up 2020 e até usa o termo "amaciamento".
"Um motor novo deve ser 'amaciado' durante os primeiros 1.500 quilômetros. O atrito interno das primeiras horas de uso é maior do que o atrito posterior, quando todas as peças móveis já estiverem ajustadas umas às outras", informa o documento.
A VW recomenda, até os primeiros 1.000 km, "não acelerar ao máximo" e "não submeter o motor a uma rotação maior do que 2/3 da rotação máxima". Entre 1.000 km e 1.500 km, a montadora diz que "pode-se elevar gradualmente a velocidade e a rotação do motor".
De acordo com Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação da SAE Brasil, apesar dos avanços tecnológicos, os projetos atuais de motores a combustão interna ainda levam em conta o período de "amaciamento" e nada indica que isso vá mudar em um futuro próximo.
"A superfície de componentes metálicos internos de um motor novo apresenta rugosidade, ou seja, variações no relevo que não são as ideais. Isso vale para todo o trem de força, incluindo engrenagens, eixos e mancais, que precisam de quilometragem para atingirem esse assentamento natural", explica o especialista.
Como as peças de um motor pouco rodado estão mais justas, explica, os atritos de metal contra metal são maiores nos quilômetros iniciais. Por essa razão, o consumo de óleo e combustível é maior durante o período de "amaciamento".
É também por conta dessa necessidade de "ajuste" dos componentes de atrito que existe a recomendação de não subir demais as rotações nessa fase inicial, pontua o engenheiro.
"A pior condição durante o período de 'amaciamento' é a máxima rotação do motor. O toque de metal contra metal pode ser tão violento a ponto de soltar fagulhas dentro do motor, que podem arranhar as superfícies com as quais tiverem contato", alerta.
Franieck destaca que a importância de "amaciar" já foi maior no passado, mas não deve ser ignorada nos tempos atuais.
"É melhor não judiar muito do motor nos primeiros 1.000 km. Evite dar carga total no acelerador. Até atingir essa quilometragem, dá até para pegar uma estrada, porém a velocidades mais baixas, sem passar dos 120 km/h nem 'esticar' as marchas".
A recomendação vale também para a fase "fria" do motor, independentemente da quilometragem: melhor é atingir a temperatura ideal de funcionamento antes de pisar fundo.

Praça Pedro Sanches, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil


Praça Pedro Sanches, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil
Poços de Caldas - MG
Fotografia - Cartão Postal

Cais Pharoux, Rio de Janeiro, Brasil



Cais Pharoux, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia - Cartão Postal

Grande Hotel, Araxá, Minas Gerais, Brasil


Grande Hotel, Araxá, Minas Gerais, Brasil
Araxá - MG
Foto Postal Colombo N. 1
Fotografia - Cartão Postal

Praça Dom Pedro II / Estátua de Dom Pedro II, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil


Praça Dom Pedro II / Estátua de Dom Pedro II, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Petrópolis - RJ
Fotografia



As denominações anteriores foram: Praça do Imperador, durante o período Imperial e Praça São Pedro de Alcântara, com o advento da República. Foi o Ato nº 26, de 14 de agosto de 1920, que denominou a praça central da cidade com o nome do 2º Imperador do Brasil e uma das, se não a mais importante figura da fundação de Petrópolis.
A planta de Köeler, de 1846, denomina Praça do Imperador à área situada à margem direita do rio Quitandinha, logo depois deste receber o tributário Palatinato, pela margem esquerda, na região chamada “Bacia”. Estava incluída no hexágono denominado “Villa”, formando um de seus ângulos. Os colonos e outros moradores a chamavam de “Largo do Palácio” e “Largo da Bacia” ou ainda, pelos que não dominavam nosso idioma, “Kaiserplatz”. Era um pouco maior que hoje, pois englobava as atuais ruas em torno, com exceção da Rua da Imperatriz, como também, os terrenos onde estão os prédios da Casa D’Angelo, Edifício Arcádia e Caixa Econômica Federal. Até 1860 não passava de um grande capinzal, nessa época incorpora-se à praça, com o erguimento do gradil da Quinta Imperial, a área na margem esquerda do Quitandinha, margem direita do Palatinato antes de sua junção ao anterior, que extra-oficialmente será chamada mais tarde de Praça dos Expedicionários. Também esta era originalmente maior, abrangendo as áreas onde hoje estão o Teatro Municipal e um conjunto comercial. Portanto, Praça Dom Pedro II são as duas áreas cortadas pelo rio Quitandinha e pelas pistas da Rua da Imperatriz.
Da mesma forma, até 1860, são erguidos apenas dois prédios à margem da praça, do lado onde se ergue a estátua do Imperador: na esquina com a Rua do Imperador, uma construção térrea, mandada erguer pelo Sr. Christobal Shaeffer, em 1845, onde estabeleceu-se sob a firma Andréas Flaenschen & Shaeffer, com bazar (secos e molhados, tecidos e miudezas em geral), ao lado manda construir, em 1855, um sobrado para sua moradia, que recebeu o nº 1, da Praça. Christobal Shaeffer era natural da Prússia Oriental, marceneiro, chegou ao Brasil em 1828, tendo-se instalado por cerca de 22 anos em Blumenau (Santa Catarina). Depois de ter servido ao Exército Imperial veio para a então Corte, Rio de Janeiro, onde se estabeleceu com negócio de marcenaria. Por sua profissão e competência, foi contratado pela família Freitag, que estava edificando residência e casa de negócios na Vila Tereza (Alto da Serra), aqui chegou ao tempo da fundação da Imperial Colônia de Petrópolis. Após este trabalho, resolveu por aqui ficar aforando prazo à Fazenda Imperial, onde construiu os prédios acima descritos.
Flaenschen & Shaeffer funciona no prédio da esquina até a dissolução da firma, em 1862; abre então Shaeffer uma loja de tintas e vidraçaria no térreo de seu sobrado e, Flaeschen, com secos e molhados, para o nº 55 da Rua do Imperador. Permanece a casa da esquina fechada por algum tempo. Ao lado da residência e loja de Shaeffer, o Sr Peter Cohens ergueu outra construção térrea e instala uma padaria nos primeiros anos da Colônia, estabelecimento este que, a partir da década de 1850, passa ao Sr. Firmino Carneiro da Silva, que fornecia à Casa Imperial. Também construído ao final dos anos 60 do século XIX, o prédio que recebe os nº 7 e 9, por ocupar todo o espaço, digamos, dos fundos da praça, onde foram proprietários e residiram alguns tenentes-coronéis e ex-presidentes da Câmara Municipal, é mandada demolir em 1920, pelo então prefeito municipal Dr. Paula Buarque, que no lugar constrói belo sobrado para sua residência, hoje ocupado por uma agência bancária.
Foi na administração de Paulino Affonso, 1873 a 1878 que a praça, de ambos os lados, foi capinada, ajardinada e cercada com grades de madeira que, em 1875, foram trocadas por ferro fundido e pintadas de zarcão, o vermelho que ficou conhecido nas pontes e gradis da cidade. Ambos os lados assim gradeados e com portões, fechados, pontualmente, às 18 horas e reabertos às sete horas, pelas manhãs. Nos anos finais do século XIX e os de início do século XX, por mais de trinta anos, é incumbido desse trabalho, como dos jardins um cidadão português de nome Casimiro, de estatura baixa e longas barbas, qual um “duende” a proteger seu pequeno paraíso. Poucos compreendiam seu forte sotaque, mas ao dizer da época, todos notavam a sua presença, por um certo odor que exalava, produto, por certo, de certos hábitos de pouca higiene. O presidente Paulino Affonso pagou do próprio bolso este primeiro ajardinamento da Praça, então do Imperador, de ambos os lados, porém, o fronteiro a sua residência, trata e usa, como se fosse o jardim de sua residência, o que causa alguns comentários na imprensa da época.
Na praça, do lado direito do rio Quitandinha, a que se convencionou chamar erroneamente de, “dos Expedicionários”, havia um lago e existiu um pequeno morteiro, fixado sobre uma coluna de granito, esta peça, carregada diariamente com pólvora, disparava ao meio-dia, marcando assim a hora oficial da cidade. Ambos, lago e morteiro, existiram desde 1873 até 1906. No centro do lago havia uma ilha ligada às margens por duas pequenas pontes curvas de madeira, pintadas, claro, de zarcão. Nos dois jardins foram mandados plantar Palmeiras Imperiais em 1875, mudas vindas do Imperial Jardim Botânico do Rio de Janeiro e alguns arbustos exóticos. Destes ainda existe um único: defronte ao Teatro Municipal há uma soqueira de bananeira-da-china, reminiscência do primeiro ajardinamento. Para este primeiro ajardinamento derrubaram-se frondosos chorões e ipês.
Na praça da margem esquerda do Quitandinha, a da estátua hoje, no local onde temos um largo, usado entre outras coisas para manifestações públicas, havia um coreto, ali desde 1880, fazia retretas a Banda da Casa Imperial, constituída por homens de cor (sic) libertos. Após a República, todas as bandas da cidade ali se apresentavam com frequência. O coreto foi demolido na década de 1960.
As duas praças eram ligadas por uma ponte de pedestres conhecida como “Ponte dos Suspiros”. Localizava-se aproximadamente onde se encontra hoje um tanque de água e havia um banheiro público. Tinha-se acesso a esta ponte, de ambos os lados, por três degraus de pedra. Ao longo dos corrimões existiam assentos de madeira, muito procurados pelos namorados e os espectadores das retretas. Esta ponte, construída por volta de 1870, foi demolida em 1905, quando da inauguração da antiga ponte metálica da “Bacia”, que uniu os dois trechos da Rua do Imperador.
Nesta época, durante a administração do presidente Dr. Arthur de Sá Earp, de 1905 a 1907, as praças foram remodeladas, retirando-se os gradis que as circundavam. Em 1906 foi instalada a iluminação pública elétrica, utilizando-se os antigos postes de ferro dos lampiões e foi restaurado o coreto. Remodelação foi inaugurada a 1º de dezembro de 1908, com pompa e circunstância, como se a praça estivesse sendo inaugurada, verdadeiramente. No ano seguinte, a 20 de dezembro de 1909, foi lançada a pedra fundamental do monumento a Dom Pedro II, o qual foi festivamente inaugurado, em 5 de fevereiro de 1911, na presença, entre outras autoridades, do presidente da República, marechal Hermes da Fonseca.
A casa térrea da esquina da praça, do lado esquerdo do rio Quitandinha, com a antiga Avenida XV de Novembro, em 1904 passa a propriedade do cidadão português Valentin Aguiar, que nela estabeleceu-se com o ramo de confeitaria. Sem herdeiros em 1914, passou o ponto aos irmãos D’Angelo, ex-funcionários seus, que reinauguraram o estabelecimento com a denominação de Confeitaria D’Angelo, em 24 de dezembro de 1914. O antigo prédio foi demolido em 1938 e, em seu lugar erguido o atual prédio assobradado. Instalou-se no segundo piso o “Cassino Atlântico” e, no térreo, a Confeitaria D’Angelo remodelada. Em 1948, o sobrado foi ocupado pelo estúdio e auditório da PRD - 3, Petrópolis Rádio Difusora, emissora que durante várias décadas informou e alegrou os lares petropolitanos, encerrando suas atividades em 1974. O antigo sobrado da família Shaeffer tornou-se, além de loja de pisos e ladrilhos, em atacadista de cereais e perdurou até 1949, quando foi demolido e erguido o atual Edifício Arcádia, de 1950.
A praça, do outro lado, começou a mudar em torno de 1926. Com o loteamento e arruamento de parte da ex-Quinta Imperial, prolonga-se a então Rua 2 de Dezembro, data que marcava o natalício de D. Pedro II, rua que mais tarde, 1928, tornar-se-ia Dr. Nilo Peçanha, até a Rua da 7 de Setembro (Imperatriz). Em 2 de janeiro de 1933 inaugura-se o Theatro D. Pedro II, atual Teatro Municipal Paulo Gracindo, construído ao lado do edifício D’Angelo com 17 apartamentos que, pouco depois, se transformaria no Hotel D. Pedro (1947). O Teatro tem capacidade para mil espectadores, com 17 camarotes e a boca de palco medindo 10 metros de largura e 8 de altura. Tudo iniciativa do empresário Sr. João D’Angelo.
Ao inaugurar-se o Theatro D. Pedro, apresentou na tela: Universal-Jornal e Manzelle, filme opereta com Raimu e Jeane Marezza, artistas da Comédie Française. No palco: “Plaquete”, passatempo de Henrique Pongetti, pelo Conjunto Novíssima, do qual participavam “Almirante”, famoso cantor de sambas, com seu grupo; Loraide Aranha, a comediante de cinco anos de idade, Pelópidas (Paulo) Gracindo, Lílian Paes Leal, Orgarita Del Mico e Luiz Barbosa. Ao mesmo tempo, o então prefeito Yedo Fiúza remodelava a praça (as duas), calçando-as com pedras ditas portuguesas e, curiosamente, ambos os lados eram cercados por prédios pertencentes à família D’Angelo.
A Praça D. Pedro II sempre foi e continua sendo palco das grandes manifestações e concentrações públicas da cidade. Durante o período Imperial, as maiores concentrações se davam durante as retretas da Banda da Casa Imperial e a partir da República, além de retretas de Bandas Civis (Euterpe, Comercial, 1º de Setembro), as manifestações políticas são frequentes, usando-se o coreto como palanque para oradores, por vezes inflamados. Uma das maiores manifestações ocorreu a 9 de junho de 1935. O mundo político encontra-se divido entre extremos, os ânimos estão exaltados, no coreto-palanque estão os Drs. Evaristo de Moraes, João Mangabeira e Nicanor do Nascimento e o tenente-coronel Cabañas, figuras nacionais de primeira linha da Aliança Nacional Libertadora, de tendência socialista, que se contrapunha à Ação Integralista Brasileira, de tendência Fascista. Não se possui informações exatas, sobre o número de presentes a este comício, porém, à vista dos acontecimentos que a ele se sucederam, descritos nas histórias das ruas do Imperador e Dr. Nélson de Sá Earp, pode-se presumir que mais de uma centena de pessoas estavam presentes.
As paixões políticas e a loucura dos homens levam o mundo à guerra e, na Praça D. Pedro II se realiza outro grande comício: Cerca das 18 horas do dia 18 de agosto de 1942, inicia-se a concentração popular às 20 horas; quando se iniciam os discursos já há grande massa presente que ocupa toda a praça. Ouvem-se vários oradores, todos condenando, veementemente, o torpedeamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães. Discursaram: o prefeito municipal, Dr. Márcio Alves, o Prof. Plínio Leite, o capitão Ferreira Franco, o Dr. Romão Júnior, os jornalistas Carlos Cavaco, João Alberto Júnior, Aldo Gabiroboertz, César Borralho, Rodolpho Pires, Affonso Campos Filho e Raul Veiga. Todos incitam o povo com discursos inflamados e, alguns, clamando por vingança, o que levou à ocorrência de fatos lastimáveis, que são descritos em outros capítulos deste livro. A Banda de Música 1º de Setembro dividiu com os oradores o coreto, executando dobrados e várias vezes o Hino Nacional, cantado com entusiasmo pelos presentes.
Pouco depois, demolia-se o prédio construído por Pedro Cohen, onde esteve a padaria de Firmino Carneiro da Silva, para que se abra a Rua do Centenário, em 1943, atual Rua 16 de Março, a partir de 1946.
26 de março de 1945, à noite, a Praça D. Pedro torna-se um grande lago, de ambos os lados; a estátua de D. Pedro II quase submersa e o Theatro Dom Pedro alagado, o mais alto nível de água de todos os tempos na praça. Além dos prejuízos dos comerciantes, os jardins foram arrasados. A 6 de maio de 1945, nova concentração na praça, desta feita pela paz, ao fim da Segunda Guerra Mundial.
No lado da praça vizinha aos jardins do Museu Imperial é inaugurado, a 1º de janeiro de 1947, no ex-Edifício D’Angelo, o Hotel Dom Pedro, com um restaurante no térreo. Dizia a “Tribuna” neste dia: “Será inaugurado hoje, às 20 horas, o Hotel D. Pedro, novo estabelecimento destinado a corresponder às necessidades hoteleiras da cidade, que já se ressentia da falta de um hotel como o que será inaugurado hoje”. Do mesmo lado inaugura-se, a 16 de março do mesmo ano, o Monumento aos Expedicionários Petropolitanos, no justo local onde houve o lago e sua ilha, já há algum tempo assoreado e abandonado. Este lado da praça tornou-se conhecido desde então como “Praça dos Expedicionários”, denominação jamais oficializada.
Com a construção do Edifício Arcádia e sua galeria, as praças têm então os contornos definidos até hoje. O lado onde se encontra a estátua de D. Pedro II torna-se bem mais movimentado. À Casa D’Angelo, que se popularizou como o passar dos tempos, juntam-se os bares do Arcádia, como os já finados Bolero Bar e Rosa Vermelha. Outros houve, de menor tradição e vida fugaz, redutos da boemia petropolitana desde a década de 1950 até ao alvorecer do século XXI.
O Edifício Arcádia teve vida agitada desde sua inauguração, alguns fatos são mais relevantes, como o ocorrido em 27 de julho de 1955, que ficou conhecido com: “o crime do Arcádia”. Em torno das 23 horas deste dia, O Sr. Antônio Bondean discute com seu irmão, Fernando, a respeito de acidente com um caminhão. Em dado momento Antônio, furioso, saca de uma arma, alvejando Fernando com quatro tiros, fulminantes, na entrada da galeria, entre o “Bolero” e o “Rosa Vermelha”. A 10 de agosto de 1957, a Srª Sarah Edinaff, de 72 anos, atirou-se da janela do apartamento 1.203, às 19 horas, caindo sobre o automóvel placa 2.73.92; o motivo aparente do suicídio seria a convocação de um neto da Srª Edinaff pelo Exército, para servir no contingente da ONU em Suez: as lembranças da Guerra na Europa, que havia vivido intensamente, lhe foram fatais.
Entre as lendas do Edifício Arcádia estão os boatos - ou fatos não comprovados - de mini-cassinos e o “Clube da Chave”, situações que línguas maledicentes, talvez pela novidade de um prédio, arranha-céu para esta época, no imaginário petropolitano. Outros fatos, brigas e confusões, tornam-se frequentes na galeria do edifício, até que por esses motivos, na década de 1970 a região passa a ser conhecida por “A Lama”.
Na década de 1960 a praça serve, novamente, de palco de disputas e manifestações políticas, até que a revolução de 31 de março de 1964 as aboliu, isto é, as que são de oposição, pois a favor são permitidas. Quando as tropas mineiras, que haviam tomado o antigo Estado da Guanabara regressavam a Minas Gerais, em 7 de abril de 1964, o general Antônio Murici e alguma tropa, passam pelo centro de Petrópolis, detendo-se na Praça D. Pedro II, onde foram homenageadas. Grande número de estudantes secundaristas, que havia sido liberado das aulas, compareceu, “voluntariamente”; também presentes as senhoras que haviam liderado na cidade caravanas para a “Marcha da Família Com Deus Pela Democracia”, no Rio de Janeiro, realizada a 2 do mesmo mês. Discursou, desde o coreto de tantas lutas, em nome de todas a Srª Ana Maria Dirickson, que também ofereceu ao general um Pavilhão Nacional, ricamente bordado por elas. Alguns dias depois, estudantes universitários faziam manifestação de apoio ao governo revolucionário, na praça, quando vem caminhando pela então Avenida 7 de Setembro o popular “Papa-Ovo”, trajando sua indefectível capa de chuva e chapéu de abas largas. De repente, alguém grita sua alcunha, e ele, possesso, reage atirando pedras, pondo a correr todos os manifestantes: não foi preso ou acusado de subversivo.
Na galeria do Arcádia, em 1988, poucos dias depois da catástrofe climática de 5 de fevereiro, frei Leonardo Boff O. F. M., sobe sobre o teto da banca de jornais, ali existente e discursa, violentamente, contra a administração municipal, que vem ajudando muito mal aos desabrigados. Corre o boato de que os manifestantes, liderados pelo frei, invadiriam o prédio do Centro de Cultura, na Praça Visconde de Mauá, onde se estocavam as doações para os desabrigados pela tragédia. Grande aparato policial foi deslocado para a proteção do prédio, porém os manifestantes saem em ordem, caminhando pela Rua da Imperatriz, acenando aos policiais, bem ao estilo Ghandi.
No outro lado, na outra praça, o Theatro D. Pedro tornou-se Municipal e o Hotel e Restaurante homônimo, um conjunto comercial. Neste lado funciona, desde 1946, a 1982, a Secretaria Municipal de Turismo, em prédio pré-fabricado de madeira. Demolido, deu lugar a um jardim florido contíguo à grade do Museu Imperial. O Projeto Urbanístico “Pró-Centro”, no final do século XX, remodela a praça deste lado. O lado da estátua do Imperador permanece na virada do milênio e, como da última reforma de 1984, espera-se o reaparecimento do “Coreto”, que desaparece, durante os últimos anos da década de 1960, talvez fruto de regime que se instalara no país e na cidade, que não permita a existência de um local com tantas histórias de manifestações populares. Texto de Álvaro Zanatta.

Praça Dom Pedro II / Estátua de Dom Pedro II, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil


Praça Dom Pedro II / Estátua de Dom Pedro II, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Petrópolis - RJ
Stefan
Fotografia - Cartão Postal


A primeira estátua construída no Brasil em homenagem a Dom Pedro II, foi inaugurada em 1911. É estruturada a partir de granito e bronze. Retrata o Imperador em pose pensativa, trabalho do escultor francês Jean Magrou. Localiza-se na Praça Dom Pedro II, no centro da cidade.