segunda-feira, 19 de abril de 2021

Ford Corcel GT 1973, Brasil

 
























Ford Corcel GT 1973, Brasil
Fotografia

Sobrado na Avenida Angélica N. 1-A e sua História, São Paulo, Brasil

 


Sobrado na Avenida Angélica N. 1-A e sua História, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia



"Meu amigo Marcos César da Silva me fez viajar em lembranças, ontem, quando postou no Facebook esta foto de uma casa na Avenida Angélica. Em geral não falo muito de mim aqui, afinal o blog é sobre memórias de São Paulo, e não sobre as minhas, mas hoje não vai dar pra separar.
A foto não está datada, mas os vestidos e chapéus das duas mulheres sugerem que seja da década de 1920. A casa não pode ter sido construída muito antes, então gosto de pensar que as pessoas no portão são seus primeiros moradores, posando orgulhosos ao lado da casa nova. O endereço anotado à mão, Avenida Angélica número 1-A, permaneceria assim até a década de 1930, quando São Paulo adotou o sistema métrico vigente até hoje. Como a casa ficava a 55 metros do início da avenida, o endereço dela passou a ser Avenida Angélica 55.
Nos anos 80, quando eu conheci a casa, esse pessoal da foto já não andava mais por lá. Quem ocupava a casa era um casal já meio idoso, de quem guardo afetuosas lembranças.
Ele se chamava Marc e era francês. Ela chamava-se Miriam (mas todo mundo a conhecia por Dona Mary) e era de algum país da Europa Oriental, não lembro mais qual. Ambos judeus, chegados ao Brasil já casados, na década de 40, fugindo do horror nazista. Eles não moravam na casa. Eram meus vizinhos num prédio não muito longe dali, eles num apartamento no primeiro andar, eu no terceiro. Na casa da Angélica eles tinham uma editora de livros, a Nova Época Editorial. Eu nunca perguntei, mas sempre imaginei a razão desse nome: é um nome bonito para o negócio de alguém que deixou tudo pra trás e teve de recomeçar a vida.
Eu tinha uns 12 ou 13 anos quando comecei a visitar a editora, a convite deles, e sempre saía de lá com uns livros de presente. Foi assim que conheci a casa por dentro. Continuei ganhando livros até meus 16 ou 17 anos, e vários deles conservo até hoje.
O que eu achava estranho, na época, é que embora meus vizinhos fossem um casal muito culto, sofisticados até, o catálogo deles não primava em absoluto pela qualidade. Os livros eram baratos (pelo menos é a memória que tenho), mas nenhum se salvava: eram todos muito ruins.
Lembro, por exemplo, de uns dicionários curiosos. Tinha um Dicionário de Siglas e Abreviaturas, que o próprio dono da editora assinava como autor. E um Dicionário Multilíngue, que servia para traduzir palavras de qualquer idioma para qualquer outro. Curiosamente era um volume fino, que condensava essas línguas todas em umas cento e poucas, talvez duzentas páginas. Muitos títulos da Nova Época ainda podem ser achados em sebos. Numa busca rápida pelo nome da editora no site Estante Virtual, encontrei alguns: “Cavalos de Raça e Mulheres de Classe”, de David Niven; “Xaviera Supersex”, de Xaviera Hollander; “Shampoo”, de Robert Alley; “Como se entender melhor com seu filho”, de Shirley Camper Soman.
Também tinha uma biografia do Santos Dumont pelo jornalista Fernando Jorge, talvez o único livro melhorzinho. Esse também é o único que continua sendo reeditado, atualmente no catálogo de outra editora.
Mas eu quero falar mesmo é dos livros do Franz Kafka. Naquela época a obra do Kafka ainda não estava em domínio público, e a editora do casal Mary e Marc detinha os direitos de publicação no Brasil. E eles a publicavam em edições muito mal feitas, toscas mesmo. Nem sequer traduziam do original alemão. As traduções do Kafka eram feitas a partir de edições já traduzidas ao inglês!
Mas o fato é que eram esses os livros que eu ganhava e faziam a minha alegria. E foi desse jeito que, ainda adolescente, fui incentivado a ler A Metamorfose e O Processo. Felizmente, alguns anos depois a obra do Kafka passou a ser publicada pela Brasiliense, e eu pude ler tudo de novo em traduções decentes.
Quando Marc morreu, no final dos anos 80, Dona Mary fechou a editora. Continuou morando no meu prédio um bom tempo, mas depois se mudou e eu perdi o contato. Fiquei sabendo que ela morreu quase centenária, em 2016.
A casa também ficou em pé por muitos anos, com outros usos. Foi demolida em 2015 e até hoje não construíram nada no lugar, como se vê nas fotos do Google que reproduzo no final do post.
Passados tantos anos da minha convivência com eles, eu me lembro com carinho do casal de editores e lhes agradeço por terem publicado tantos livros ruins. Devia ser o que vendia, e o que dava pra fazer. E muita gente, como eu, deve ter tomado gosto pela leitura lendo os livros rústicos e baratos que eles faziam. Hoje tem bem menos livros sendo feitos, e os que tem são bem menos acessíveis. Assim como aconteceu com a casa, ninguém construiu nada melhor no lugar." Texto do blog Quando a cidade era mais gentil.
Nota do blog: Esse texto mostra como uma foto pode ser valiosa, escondendo histórias saborosíssimas. 




Avenida Carlos de Campos, 1928, Atual Avenida Paulista, São Paulo, Brasil


 

Avenida Carlos de Campos, 1928, Atual Avenida Paulista, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia 

Nota do blog: Por um curto período, 20/05/1927 a 13/11/1930, a Avenida Paulista chamou-se Avenida Carlos de Campos.

Antiga Praça Fernando Lessa, Anos 50, São Paulo, Brasil

 


Antiga Praça Fernando Lessa, Anos 50, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Antiga Praça Fernando Lessa, a esquerda, que ficava ao lado do Prédio dos Correios, no Anhangabaú e Rua Capitão Salomão, próximo do Viaduto Santa Ifigênia, nos anos 50.

Mercado Distrital da Penha, Rua Gabriela Mistral, 1971, São Paulo, Brasil

 


Mercado Distrital da Penha, Rua Gabriela Mistral, 1971, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Nesta imagem panorâmica, vemos em destaque, o Mercado Distrital da Penha na Rua Gabriela Mistral nº160. À esquerda, a Avenida Penha de França — observando-se também as Ruas Cangaíba e Uraí.

Vista Parcial do Centro, Circa 1945-1950, São Paulo, Brasil


 

Vista Parcial do Centro, Circa 1945-1950, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Esta imagem foi registrada a partir do Edifício Altemira de Barros — na esquina da Avenida da Liberdade entre 1945-1950. Há publicações afirmando que ao se demolir a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, o espaço foi ocupado pelo Fórum João Mendes e não é verdade. Todo o casario visto em 2º plano veio abaixo para a remodelação da então acanhada Praça João Mendes. O fórum citado está mais à direita e não aparece.

Largo 13 de Maio, Circa 1936-1937, Santo Amaro, São Paulo, Brasil

 







Largo 13 de Maio, Circa 1936-1937, Santo Amaro, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Em 1833, a antiquíssima região de Santo Amaro foi elevada à categoria de município se desmembrando de São Paulo. No entanto, por força do Decreto Estadual 6983 de 22/2/1935, foi extinto o município que retornou então à condição de distrito paulistano. Nestas imagens vemos o Largo 13 de Maio entre desapropriações e demolições. Observamos à esquerda de algumas, uma bomba de gasolina na calçada.

Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro, Brasil




Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro, Brasil - J. Gutierrez
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Cartão Postal "I Campioni del Torino, Caduti a Superga", 04/05/1949, Turim, Itália


 

Cartão Postal "I Campioni del Torino, Caduti a Superga", 04/05/1949, Turim, Itália
Turim - Itália
Fotografia - Cartão Postal

Há 70 anos o mundo se despedia de uma das maiores equipes de futebol até então. O Grande Torino, como era conhecido o esquadrão vinho de Turim, desapareceu em um trágico acidente de avião quando voltava de um amistoso contra o Benfica em Portugal. A Tragédia de Superga jamais foi superada pelos italianos. E, como em uma cicatriz de um machucado, intensificou ainda mais a relação de uma cidade com um clube.
Com a visibilidade do piloto debilitada por conta de um forte nevoeiro, o avião, que decolara de Lisboa, com escala em Barcelona, quando se aproximava de Turim se chocou contra uma parede da Basílica de Superga, no alto de uma colina na cidade: 31 pessoas que estavam no aparelho perderam suas vidas. Mas as consequências do acidente foram muito mais profundas do que isso. Destruiu famílias, acabou com uma seleção, marcou um clube e mudou para sempre o futebol italiano.
Destruída pela Segunda Guerra Mundial, a Itália viu no futebol o grande refúgio para suas frustrações. Mais do que isso. Era este o grande motivo da alegria de milhares de pessoas que se viam à beira da devastação causada pela fome e a falta de perspectiva com o futuro.
É neste contexto que, comandado por Valentino Mazzolla, o Torino encantava o país. Diferentemente do futebol jogado na Itália, os touros tinham preferência pelo jogo ofensivo e por isso atraíram a atenção do público. Estratégia marcada por esse estilo de jogo era o chamado "os 15 minutos do (estádio) Filadélfia", quando o time atacava o adversário por 15 minutos de maneira avassaladora. Com muita velocidade, a equipe imprimia um ritmo insano que encantava seus torcedores.
Tamanho domínio pode ser visto nas conquistas do Torino nesta época. O clube foi pentacampeão italiano, sendo quatro vezes seguidas (de 1945/46 a 1948/49), o último título dado pela Federação Italiana em homenagem aos falecidos no acidente. Em 1943, o clube se tornou o primeiro time a ganhar o campeonato e a copa em uma mesma temporada.
Quem se aproveitou do sucesso da esquadra de Turim foi a seleção italiana. Em 1947, em uma partida contra a Hungria, dez dos 11 titulares da Azzurra eram do Torino. A seleção, que tinha como base o clube grená, acabou enfraquecida na Copa do Mundo de 1950 após o acidente aéreo, quando perdeu seu principais jogadores. Na Itália, muitos falam que apenas o céu conseguiu parar esse time que nenhuma equipe italiana foi capaz de segurar.
No dia do funeral, os jogadores foram saudados por quase um milhão de pessoas que saíram às ruas para se despedirem dos heróis italianos. Mais do que jogadores, os atletas eram conhecidos na sociedade, donos de comércios locais e presentes em suas comunidades.
Desde então, o clube nunca conseguiu deixar para trás seu passado. O acidente aéreo passou a ser uma marca profunda no torcedor do Torino e na cultura local. As marcas esportivas, no entanto, são bastante visíveis. O clube só voltou a ser campeão em 1968, da Copa da Itália. O jejum na Série A terminou 27 anos depois da tragédia, na temporada 1975/76. Após isso, só voltou a comemorar título em 1993, de novo da Copa, enquanto viu o rival da cidade, a Juventus, crescer e dominar o futebol no país.
A tragédia de Superga foi uma metáfora dos tempos vividos na Itália à época. Da frustração com a guerra, a equipe do Torino deu alegria a um povo sofrido com a destruição e a desesperança. Mas foi vítima do tempo. Neste caso, da maneira mais trágica possível.
Em memória de: Aldo Ballarin, Danilo Martelli, Dino Ballarin, Eusebio Castigliano, Ezio Loik, Franco Ossola, Giuseppe Grezar, Guglielmo Gabetto, Julius Schubert, Mario Rigamonti, Milo Bongiorni, Piero Operto, Romeo Menti, Rubens Fadini, Ruggero Grava, Virgilio Maroso, Valerio Bacigalupo, Valentino Mazzola.


Nota do blog: Acima foto do time do Torino que disputou a partida contra o Benfica de Portugal, antes do acidente.



Piazza del Colosseo, Circa 1865, Roma, Itália


 

Piazza del Colosseo, Circa 1865, Roma, Itália
Roma - Itália
Fotografia