Aeroporto de Congonhas, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Foto Postal Colombo N. 33
Fotografia - Cartão Postal
Texto 1:
Chegada do avião Sud Aviation Caravelle no Aeroporto de Congonhas, 1957. Muitas pessoas foram a pista para ver a novidade. Eram outros tempos...
Em 23 de junho de 1955 foi lançado o primeiro avião de passageiros a jato com turbinas na fuselagem. O Caravelle podia atingir velocidade de 800 quilômetros por hora e foi usado primordialmente em voos dentro da Europa.
O lançamento do novo avião representou uma verdadeira revolução na história da aeronáutica. Até 1955, a aviação civil conhecia apenas as aeronaves movidas a hélice. A história do Caravelle, como foi chamado o novo avião, começou em 1951, quando o governo francês resolveu incentivar a criação de uma alternativa para o DC-3, da norte-americana McDonnel Douglas.
A solução mais interessante parecia ser a construção de um bimotor a jato, inédito no mundo. Um ano depois, construtores franceses de aviões foram convidados a apresentar um projeto nesse sentido. A tarefa imposta pelo Ministério da Aviação da França era viabilizar uma aeronave que transportasse até 65 passageiros, mais a carga, a uma velocidade de 700 quilômetros por hora.
Venceu o projeto da Société Nationale de Constructions Aéronautiques Sud-Aviation. A empresa havia planejado um avião que poderia ser usado tanto em conexões dentro da Europa como em viagens transatlânticas. Era o SE 210 Caravelle, em alusão aos navios usados na época dos Grandes Descobrimentos.
Em vez de usar motores franceses, foram escolhidos motores britânicos da marca Rolls-Royce. Os dois protótipos iniciados em 1953 foram apresentados ao público durante a Exposição de Aeronáutica de Paris em 23 de junho de 1955. Tratava-se de uma enorme questão de prestígio para a aviação francesa.
Uma semana antes, o piloto francês Pierre Navot havia testado com êxito um dos protótipos. O sensacional para a época era a colocação das turbinas. Para melhorar a aerodinâmica, elas haviam sido presas em gôndolas diretamente na fuselagem, na parte traseira do avião, o que também diminuiu os ruídos para os passageiros.
As principais vantagens aerodinâmicas do novo avião eram sua grande estabilidade, a liberdade da circulação de ar ao longo da fuselagem e o seu eixo longitudinal. Outra sensação era que o Caravelle podia manobrar e decolar apenas com um dos motores.
Outras novidades do avião de 32 metros de comprimento eram as escadas, situadas atrás das asas, as janelas triangulares e a velocidade de até 800 km/h. O modelo fez tanto sucesso que seu conceito foi copiado pelas norte-americanas Boeing e McDonnel Douglas nos respectivos modelos 727 e DC-9.
O último Caravelle deixou o centro de montagem em Toulouse St. Martin, na França, em 1973. No total, foram produzidos 282 aviões do modelo.
Texto 2:
Era o chamado "programa de índio" de muitos paulistanos. Dependendo do ponto de partida e sem as facilidades da avenida 23 de Maio e outras artérias que nos levavam ao aeroporto, o trajeto era cansativo. Mesmo assim iámos, dizendo que era para tomar um cafezinho, quando a real intenção era ver as aeronaves "subindo e descendo". A imagem do post mostra a chegada do "Caravelle", o primeiro avião de passageiros com turbinas na fuselagem.
Texto 3:
Lembro do meu pai ter me levado uma vez, nos anos 80, para ver os aviões no Aeroporto de Congonhas. Na época havia uma cooperativa de rádio-táxi que usava as cores branco e vermelho operando no local, não esqueço dos Chevrolet Opala que utilizavam. Texto do Blog.
Texto 4:
"Hoje em dia tem uns espíritos de porco que teimam em tentar argumentar que São Paulo não combina com bicicleta: porque tem trânsito, porque a cidade não é plana, porque aqui não é Amsterdam, porque a rua só para os carros é um direito sagrado da classe média…
Em 1957 essa cultura intolerante ainda não tinha se desenvolvido tanto, e as bicicletas estavam mais integradas à vida da cidade. Tinha bicicleta até na pista do aeroporto!
A foto é da chegada do Caravelle, o primeiro jato de passageiros com turbinas na fuselagem. As pessoas foram à pista, em Congonhas, para ver a novidade de perto. O avião pousou direitinho e ninguém saiu por aí resmungando que bicicleta atrapalha." Texto de Martin Jayo.
"Permita-me uma pequena explicação sobre a bicicleta no pátio do aeroporto, já que a presença dela não tem nada a ver com a 'integração delas à vida da cidade', como o seu texto tentou associar. Sempre, em todos os aeroportos e bases aéreas do mundo, nos usávamos bicicletas para nos deslocarmos no pátio, entre hangares, até a estação de passageiros, etc. As áreas dos aeroportos são muito grandes, as distâncias são imensas e como o terreno é sempre necessariamente plano, as bicicletas acabaram surgindo naturalmente como veículo de deslocamento interno.
Atualmente, nos grandes aeroportos e por causa do grande número de veículos de pista, a presença delas diminuiu bastante, mas na época dessa foto era assim. A bicicleta que aparece nessa fotografia não é uma bicicleta que veio da rua, é de alguém da oficina que veio ver a novidade, quando na década de 50 o Caravelle fez uma viagem promocional pelas três Américas, daí ele foi para Porto Alegre, depois para Montevidéu e Buenos Aires.
Todas as pessoas que aparecem nessa foto, inclusive o cidadão da bicicleta, é gente do aeroporto e das companhias de aviação que foram conhecer o avião, não é gente que veio da rua, não são pessoas de fora que acessaram o pátio livremente." Texto do Cmte. Wanderley Duck.
"Obrigado pela explicação, Wanderley. Creio que você tem razão em parte: há pessoas na foto que parecem mesmo trabalhar no aeroporto ou em cias. aéreas. É o caso dos vários homens de quepe. Por outro lado, também há gente de fora, inclusive crianças! Veja por exemplo o menino de calças curtas entre as duas bicicletas…" Texto de Martin Jayo.
"Bom dia Martin, correndo o risco de parecer arrogante, sou obrigado a lhe dizer que a minha razão não é em parte, é total. Começo explicando a você o porquê das crianças: nesse dia alguns dos funcionários levaram os seus filhos. Aliás, isso não falha, por mais que a gente avise que não é para trazer, nessas ocasiões sempre aparece alguém trazendo os filhos. Outra hora eu lhe conto o dia em que os Menudos (lembra deles?) chegaram por aquele aeroporto e a quantidade de gente que apareceu com as filhas pré-adolescentes.
Voltando à foto, eu tenho em algum lugar o relato desse dia, porque ele foi histórico para nós da aviação. Na verdade o que eu tenho fala mais sobre essa visita promocional ao Rio de Janeiro e a Porto Alegre, que foi mais importante do que a visita à São Paulo, porque era nessas cidades que ficavam as sedes das companhias que acabaram comprando o avião.
Mas, voltando novamente a falar dessa passagem por São Paulo, a aeronave foi parqueada no pátio do pavilhão das autoridades, não sei se você conhece Congonhas e aonde fica esse pavilhão, e o acesso por ali é de fácil controle, porque tem só uma porta e depois uma grande escadaria. Foi por lá que entraram controladamente os convidados e apenas os convidados. Já os funcionários com os seus “eventuais convidados” vieram pela pista mesmo.
Anos depois, quando chegaram os primeiros Boeing 737 comprados pela VASP, aí foi compra mesmo e não visita promocional, eles também foram parqueados nesse mesmo no pátio do pavilhão das autoridades, mas aí o controle foi maior e poucos funcionários puderam chegar até eles. Um grande abraço." Texto de Cmte. Wanderley Duck.
"Obrigado mais uma vez pelos comentários! No fundo, creio que estamos concordando: a pista está cheia de gente, incluindo funcionários, convidados e curiosos, ainda que estes últimos sejam filhos ou parentes dos funcionários…
Quando às bicicletas, a ironia do post fica reforçada. Na cidade dos anos 50, elas 'ajudavam' os aviões; na cidade atual elas 'atrapalham' até mesmo os carros. Isso simboliza bastante bem a regressão que tivemos na forma como tratamos a bicicleta." Texto de Martin Jayo.
Eu gosto dos textos do Martin, mas fazer apologia ciclística nessa fotografia foi uma bola fora. O Cmte. Wanderley Duck nao deixou dúvidas sobre isso. Texto do Blog.