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sábado, 16 de novembro de 2024

Ônibus da Empresa da Família Achê, Praça Carlos Gomes, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


 

Ônibus da Empresa da Família Achê, Praça Carlos Gomes, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia

Imagem de ônibus da empresa de transportes da família Achê que realizava a linha da Vila Tibério. 
Imagem obtida na praça Carlos Gomes.
Nota do blog: Data não obtida / Crédito para Carlos Serafim.

terça-feira, 19 de maio de 2020

A Família Achê e o Transporte Coletivo de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil - Artigo



A Família Achê e o Transporte Coletivo de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil - Artigo
Ribeirão Preto - SP
Fotografia


Os pioneiros descendentes da família Achê deixaram a Síria na região de Hims para o Líbano onde embarcaram no início do século e migraram para Ribeirão Preto por volta de 1910, a convite de amigos, que também haviam deixado o país asiático para fugir da pobreza e tentar uma vida digna na promissora terra do café.
O patriarca Manoel Achê nasceu em 30 de outubro de 1886, na Síria, onde se casou com Martha Miguel Achê.
Lá, tiveram o primeiro de seus onze filhos, Antônio Achê, nascido em 5 de junho de 1905. Ao desembarcar em Ribeirão Preto, a família não tinha muito dinheiro e as poucas economias de Manoel foram empregadas na montagem de um armazém na avenida da Saudade, nos Campos Elíseos.
Em Ribeirão Preto, nasceram os outros filhos do casal: Nicolau, Inácio, João, José, Elias, Alfredo, Rubens, Sérgio, Gioconda e Farid.
Antônio, o filho mais velho, começou a ganhar dinheiro como viajante, comprando e vendendo fumo e carros em Ribeirão Preto e Goiás. João trabalhava em Campinas, em uma fábrica de maquinas de costura, enquanto Inácio era funcionário da Companhia de Força e Luz, em Ribeirão Preto, sendo o responsável pela colocação de postes nas fazendas da cidade e da região. José aprendeu o oficio de farmacêutico e começou a trabalhar em farmácia. Alfredo, chamado pela família de Fué, nome sírio, era bancário. Nicolau era representante comercial de uma grande empresa de cigarros. Os caçulas Rubens e Sergio só começaram a trabalhar quando o irmão Antônio montou a empresa de ônibus.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, Ribeirão Preto estava mal estruturada, com serviços ineficientes de telefonia, distribuição de água e transporte coletivo. Na época, os ônibus da cidade ainda eram movidos a gasogênio. Diante disso, a família resolveu investir pesado em uma frota de ônibus urbanos para a cidade.
Na época, o município possuía apenas veículos velhos e superados. O patriarca Manoel Achê vendeu o armazém e ajudou o filho Antônio, que havia juntado razoável quantia em dinheiro como viajante, a abrir uma empresa de ônibus urbanos. Trabalhando duro, o pai e os filhos investiram nos GM Coach, e, na década de 50, as ruas de Ribeirão Preto já eram servidas por 15 carros, que cobriam várias linhas, e outros cinco carros reservas, para emergências. As linhas serviam a cidade em todas as direções: Alto do Barracão, Bosque, Vila Virgínia, Higienópolis e Vila Tibério. A empresa também inaugurou os horários noturnos, como o de meia-noite e meia para os trabalhadores que ficavam nas empresas até mais tarde.
No início, o negócio era tocado exclusivamente pela família. Os 11 irmãos trabalhavam dia e noite para que os ônibus pudessem circular pelas ruas. Não fossem os problemas e as dificuldades enfrentadas, a empresa de ônibus Antônio Ache & Cia Ltda. poderia estar em funcionamento ainda hoje.
Em 5 de julho de 1949, a empresa firmou um contrato com a Prefeitura para exploração do transporte coletivo de passageiros, por meio de concessão, pelo período de 30 anos. A empresa da família prosperou até meados da década de 50. No entanto, depois desse contrato, os irmãos começaram a enfrentar dificuldades, pois não tinham permissão para aumentar a tarifa. As peças de reposição para os veículos, além de serem caras, tinham que ser importadas.
Cada vez mais pressionados, os Achê não puderam dar continuidade a firma, que na época empregava cerca de 60 funcionários.  Em 24 de maio de 1956, a empresa entrou em colapso e os ônibus foram recolhidos a garagem, onde permaneceram por cerca de três anos, tomando sol e chuva.  Nesta mesma data, a fiscalização da Prefeitura comparecia ao escritório da Antônio Achê & Cia Ltda, localizado na rua General Osório, para comunicar a família que o serviço passaria a ser prestado pela Viação Cometa, cancelando a concessão anterior emitida em favor dos Achê.
Antônio Achê vendeu a frota de ônibus, a garagem localizada na rua Tamandaré, o posto de gasolina situado na esquina das ruas Visconde de Inhaúma e São Sebastião, e a agência de carros importados Dodge ao lado da Catedral. Pegou o dinheiro e construiu um edifício residencial em São Paulo, no bairro Higienópolis, dando-lhe o nome de seu pai.
Pioneiro em Ribeirão Preto no ramo de carros importados, Antônio era considerado uma pessoa solidária e diferenciada, que andava de carro importado e adorava fumar cigarros norte-americanos, luxo só permitido as grandes personalidades da época.  Depois do fechamento da firma, cada um dos irmãos seguiu um rumo diferente.
O patriarca da família faleceu em 10 de junho de 1953, vítima de problemas cardíacos.  Em 30 de abril de 1962, sua esposa também faleceu. O idealizador da empresa, Antônio Achê, resolveu aplicar todo o dinheiro ganho com a venda dos apartamentos na construtora Três Leões de São Paulo, que repassava os juros das aplicações aos irmãos Achê.  Antônio morreu em 11 de outubro de 1962, vitimado por um enfisema pulmonar (o gosto pelo cigarro não perdoa), e foi o único dos irmãos a não deixar descendentes.  Após a venda da empresa de ônibus, Rubens, Alfredo e José passaram a trabalhar como corretores de imóveis. Sergio vendeu carros e Inácio ajudava a amiga Geni a cuidar de uma loja de frutas e vitaminas.
Em homenagem a eles, há duas ruas no Jardim Irajá com os nomes de Manoel Achê e Antônio Achê, e outra no Maria Casa Grande Lopes que leva o nome de Nicolau Achê.  O antigo terminal de ônibus municipal, transformado no atual Centro Popular de Compras, também levava o nome de Antônio Achê.  
Além dos pais quase todos os filhos morreram em decorrência de problemas cardíacos, com exceção de Antônio, vítima de enfisema pulmonar, e Rubens, assassinado.
Os descendentes diretos de Manoel Achê deixaram 29 filhos e nenhum deles resolveu aventurar-se em empresas de ônibus e automóveis.  Apenas Fabricio Achê, bisneto de Manoel e neto de Inácio, seguiu a carreira do tio Antônio e montou uma garagem de automóveis em Sertãozinho. Texto da Revide, revisado e ampliado por mim.
Nota do blog: Sobre os ônibus, apurei em sites especializados da internet que eram GM PD-2903 da frota da Expresso Brasileiro, adquiridos usados, sendo adaptados de rodoviários para urbanos (receberam a segunda porta no meio do carro, a frente do eixo traseiro).
Nota do blog: Data e autoria das imagens não obtidas.