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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Hotel Guapé / "Pai Jacinto", Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil






Hotel Guapé / "Pai Jacinto", Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia

O imóvel (imagem 1) foi demolido em virtude da péssima condição em que se encontrava. 
Era localizado na rua José Bonifácio com Duque de Caxias.
Atualmente existe um estacionamento no local (imagem 2).
Foi comércio e residência de João Batista Catapani, construído por ele mesmo.
João Batista Catapani tinha o ofício de geômetra. Quando começou a construção, sofria com as constantes enchentes que ocorriam na região. Algumas pessoas o chamavam de louco por construir no local. Ao término da obra, plantou um "pé de banana" na área de serviço do último piso. Quando lhe perguntaram o motivo, disse que era para "dar uma banana" aos que diziam que seu sobrado iria cair...
João Batista Catapani morreu de febre amarela em 1914, em sua chácara Nisti, no Núcleo Colonial Antônio Prado, atual bairro do Ipiranga, no final das ruas Santa Catarina e General Câmara.
No prédio por ele construído houveram/funcionaram diversos tipos de comércio, como hotel, loja de ferragens, pai de santo, etc.
Esse é mais um post com razão sentimental, quando mudei para Ribeirão Preto, com 10 anos de idade, sempre passava nesta esquina e achava curiosa a inscrição "Pai Jacinto" na parte superior do imóvel. 
Eu não entendia a natureza daquele serviço ofertado, não haviam os meios de informação de hoje, internet, etc. Só tinhámos dicionários, livros e a boca para perguntar (e pensávamos antes de perguntar, tínhamos vergonha de parecer "desinformados", para não escrever "burros").
De qualquer forma, certo é que "Pai Jacinto" dava expediente no local e ajudava (ou não) pessoas que para lá se dirigiam em busca de seus serviços de natureza espiritual. Como o tempo e a crise não poupam ninguém, "Pai Jacinto" acabou perdendo sua clientela (ou não), o que o levou a encerrar as atividades (ao menos naquele local), restando apenas a inscrição de seu nome na parede do imóvel como lembrança do serviço que lá era prestado (com a demolição do prédio, a única lembrança que restou é essa foto, ao menos nunca achei outra).
Dito isso, embora nunca o tenha conhecido, muito menos utilizado seus serviços, gosto de pensar que a trajetória do "Pai Jacinto" não se encerrou ali. Torço para que ainda esteja vivo e prestando seus serviços em outro lugar. Certamente alguém, de alguma forma, já foi ou se sentiu ajudado por ele. Penso que é isso que importa: cada um com sua religião ou crença, seguindo aquilo que acredita e que se sente bem, respeitando a opção dos outros, ainda que possa não concordar.
De minha parte, fica a lembrança do local e a curiosidade dos tempos de infância...
Nota do blog: Recentemente tivemos a informação de que em uma das janelas do "Pai Jacinto" havia um manequim com vestido de noiva, que tinha a finalidade de chamar a atenção das mulheres que queriam casar ou dos homens que queriam conquistar a amada (não é possível saber se o manequim era destinado às mulheres ou homens, apenas presumir). Era só subir as escadas, se consultar, que as coisas se encaminhavam. Pena não termos uma foto disso...
Nota do blog: Imagem 1, data e autoria não obtidas / Imagem 2, ano 2024, Google Maps.