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A segunda geração brasileira da VW Variant, intitulada Variant II, nasceu em 1977 como linha 1978, aproveitando parte da carroceria do VW Brasília (e ganhando o apelido de "Brasilhão"), mas com uma considerável evolução técnica.
Sua missão era se manter forte na concorrência contra Chevrolet Caravan e Ford Belina II, e para isso não foram poupados investimentos.
Com um sistema de suspensão baseado no do VW 1303 de 1971, a dianteira utilizava o sistema McPherson, similar ao do VW Passat, substituindo o tradicional corpo de eixo duplo com feixes de lâmina de torção e braços arrastados superpostos, adotado em toda a linha VW a ar.
Na suspensão traseira mantiveram-se as barras de torção, mas a geometria mudou totalmente, saindo o envelhecido semieixo oscilante para dar lugar ao mais eficiente braço semiarrastado. O "facão" continuou apenas como elemento de ligação de cada braço à sua barra de torção.
A direção passava a ser tipo pinhão e cremalheira, embora ainda mecânica, muito mais confiável e sem folgas típicas dos antigos VW. Isso melhorava e muito a dirigibilidade do carro.
As rodas vinham do VW Golf MK1 e eram de aro 14, com furação 4x100 e pneus radiais. Tais rodas foram utilizadas por anos a fio como acessório esportivo pelos donos de VW Passat, Gol, Voyage, Parati e Saveiro.
O motor plano com 1600 cilindradas fornecia 67 cv de potência SAE (+/- 56cv ABNT) a 4.600 rpm e 12 kgfm de torque a 3.200 rpm, e era alimentado por dois carburadores simples Solex 32 PDS IT.
Seu câmbio de quatro marchas tinha relações longas, antes utilizadas pelo VW SP2, capaz de levar a “perua” de 0 a 100 km/h em 22,72 segundos e fazer 138,996 km/h de velocidade máxima. Como média geral, fazia 11,53 km/l de gasolina (média cidade/estrada). Os números de desempenho e de consumo eram aceitáveis para aquela época.
Como trunfo, trazia duplo porta-malas, com 467 litros de capacidade, além de muito espaço interno. Seus bancos eram reclináveis, e poderia ter limpador e desembaçador traseiro como opcionais. Seu painel era bastante moderno (antecipando as linhas do painel do Gol), e poderiam ser adicionados, também como opcionais, relógio e conta-giros.
Sua relativa economia de combustível para um motor boxer e as evoluções técnicas chegaram tarde demais para competir com as recém-lançadas Belina II e Caravan.
A Belina dava banho de tecnologia, conforto, silêncio a bordo, economia de combustível e design diante da também recém-lançada Caravan, que apesar de antiquada, tinha opcionalmente motor de 6 cilindros e mais espaço interno.
A evolução técnica era indiscutível, se comparada ao primeiro modelo, mas seu preço alto e mecânica ultrapassada fizeram dela um mico, com poucas vendas e pouca representatividade no mercado.
A perua da VW conseguiu arrastar-se até 1981, quando saiu de produção. Ela deu espaço para VW Parati, que chegou no ano seguinte, arrasando com a concorrência e perdurando por anos como líder de vendas no segmento.
As Variant II encalharam nas lojas, sendo faturadas até 1984 para poucos clientes fãs da mecânica boxer.
Por anos foi renegada pelo mercado de usados, tendo baixo valor de revenda e hoje por existirem poucas unidades em ótimo estado, atingem altos valores no mercado de coleção.
Quem dirigiu o VW Variant II lamenta o baixo sucesso, além do fato de não ter chegado ao mercado ao menos 5 anos antes, pois se assim fosse, sua história poderia ter sido outra. Texto de Leonardo França.