segunda-feira, 20 de julho de 2020

Altar da Igreja do Carmo, Alcântara, Maranhão, Brasil


Altar da Igreja do Carmo, Alcântara, Maranhão, Brasil
Alcântara - MA
Edicard
Fotografia - Cartão Postal

Praça Clóvis Bevilácqua, 1975, São Paulo, Brasil


Praça Clóvis Bevilácqua, 1975, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Panorâmica do que foi a saudosa praça, desaparecida para a construção da Estação Sé do Metrô. À esquerda, a Rua Anita Garibaldi e o Palácio da Justiça. À direita, na Rua Santa Teresa, o Prédio R. Monteiro sendo demolido; ao lado, o Edifício Mendes Caldeira que veio abaixo através da implosão ocorrida em 16/11/1975. Atente ao vazio deixado pela demolição do Palacete Santa Helena.

Chevrolet Kadett GS 2.0 1991, Brasil

















Chevrolet Kadett GS 2.0 1991, Brasil
Fotografia

Vista Panorâmica, São Paulo, Brasil


Vista Panorâmica, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


No período de 1940-1960 o fotógrafo alemão Werner Haberkorn registrou uma série de imagens elaboradas para a Fotolabor Ltda. 
Cenas como esta são ideais para se identificar pontos que sobreviveram ao tal do progresso. 
Repare sob o viaduto de Santa Ifigênia a ainda rua Anhangabaú que seria incorporada à avenida Prestes Maia. 
Para efeito de localização veja os lugares:
(A) Rua do Seminário. Na esquina à esquerda, o Condomínio Edifício Paissandu; mais adiante, o Prédio Samuel Rochwerger na esquina da Capitão Salomão.
(B) Rua Antônio de Godói. À direita, os prédios Itaquerê e Itapeva; à esquerda, o terreno onde foi erguido o edifício Wilton Paes de Almeida nos anos 1960.
(C) Largo e Mosteiro de São Bento.
(D) Mercado Municipal na rua da Cantareira.
(E) Avenida São João.

Rua XV de Novembro, 1912-1914, São Paulo, Brasil


Rua XV de Novembro, 1912-1914, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia - Cartão Postal



No século XVII já havia referência à Rua do Paço Manoel Paes de Linhares. Foi renomeada como Rua do Rosário dos Pretos, Rua da Imperatriz (1846) e com a Proclamação da República em 1889, aprovou-se a denominação Rua XV de Novembro. Durante muito tempo foi considerada o ponto mais efervescente e o centro financeiro da cidade.
A cena mostra no plano médio, a esquina da Rua do Tesouro. À direita, no sobrado com largas janelas, esteve instalada a Escola Normal entre 1880/1881. Posteriormente abrigou o Tesouro Provincial, Câmara Municipal (1897) e Fórum. A edificação foi demolida no início da década de 1930. No lado oposto, o prédio com a torre onde esteve instalada a Casa Paiva. Observa-se, bondes vindos do Largo da Sé.

Banco Alemão / Brasilianische Bank für Deutschland, Rua XV de Novembro, São Paulo, Brasil


Banco Alemão / Brasilianische Bank für Deutschland, Rua XV de Novembro, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

O estilo neo-românico descreve o antigo Brasilianische Bank für Deutschland, na época, em moda na Alemanha. A edificação foi construída em 1897 e parte da sua fachada original sobrevive em meios aos acréscimos recebidos nos anos seguintes. A ala voltada para a Rua Três de Dezembro foi construída entre 1910 e 1914 (autoria de Augusto Fried), o terceiro andar foi implementado em 1963.
Segundo Juan Esteves e Antônio Carlos Abdalla, o banco funcionava no térreo e os pavimentos superiores eram ocupados por residência particular (provavelmente, na época, pelo diretor da instituição).
A edificação, idealizada por Guilherme Krug & Filhos, foi uma das primeiras em São Paulo a utilizar blocos de granito lavrado em sua construção. Atualmente, a sua estrutura é feita de concreto e alvenaria de tijolos e o prédio possui quatro pavimentos.
Ao final do século XIX e início do século XX, foram elaborados planos de alinhamento para as ruas da cidade e muitos projetos arquitetônicos ou de reformas não foram autorizadas pela Comissão Técnica de Melhoramentos, pois, as propriedades estavam sujeitas ao recuo, para a ordenação do traçado urbano. No entanto, foram abertas exceções, entre elas, para a ampliação do Banco Alemão (década de 1910), como demonstram os arquivos da "Diretoria de Obras / Obras Particulares", disponíveis, no Arquivo Histórico Municipal Washington Luís:
"A fachada do novo Banco, que tem a altura aproximada da Casa Garraux, vem complementar a curva formada pelos prédios acima mencionados, curva esta que longe de ser prejudicial à perspectiva da rua é um de seus elementos de beleza e de interesse - afastando-se da monotonia e banalidade dos Boulevards traçados a régua e esquadro"
No caso da Rua XV de Novembro, o "projeto" de alinhamento da rua começou em 1901, porém, não seguiu regras tão rígidas, pois, a medida em que novas construções surgiam, foram propostos alinhamentos parciais, alternativos, com o objetivo de reduzir os gastos da prefeitura com as expropriações.
Por exemplo, no caso do Banco Alemão, para "retificar" a Rua XV de Novembro, a remoção de detalhes da fachada, não seriam suficientes para dar o recuo necessário para o alinhamento; aliás, nem mesmo a remodelação das fachadas de seus vizinhos, a Casa Garraux e o Edifício Progredior, alinhariam uniformemente a via pública. Diante desse impasse, a Diretoria de Obras Municipais optou por manter as fachadas e com relação à ampliação do Banco Alemão, a saída foi
"procurar uma solução de canto para o acréscimo a ser erguido pelo banco na esquina das Ruas Quinze e Boa Vista (hoje Três de Dezembro) que disfarçasse o avanço das três construções. A solução de concordância adotada (...) somente se tornou efetiva depois de o Prefeito Antônio Prado (1840-1929) ter ido ao local e verificado pessoalmente que a proposta era de fato a mais conveniente do ponto de vista estético."
Durante a II Guerra Mundial, infelizmente, o edifício foi parcialmente destruído, alvo de vandalismo. Entre os anos de 1939 e 1945, aumentaram os números de bancos nacionais em detrimento dos bancos estrangeiros. Como descreve o próprio Deutsche Bank, em seu site:
"a declaração de guerra representou a paralisação de todos os negócios entre o Brasil e os países que compunham o Eixo, entre eles a Alemanha". Em 1942,"são nomeados interventores para encerrar suas atividades" e somente em 1955, o "Deutsche Ueberseeische Bank volta a operar no Brasil, com um escritório de representação em São Paulo".

Banco Alemão / Brasilianische Bank für Deutschland, Rua XV de Novembro, Circa 1910, São Paulo, Brasil


Banco Alemão / Brasilianische Bank für Deutschland, Rua XV de Novembro, Circa 1910, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Acervo IMS
Fotografia

Largo de São Francisco, 1900, São Paulo, Brasil


Largo de São Francisco, 1900, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Avenida Rio Branco com Rua São José, Dezembro de 1950, Rio de Janeiro, Brasil


Avenida Rio Branco com Rua São José, Dezembro de 1950, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Um Pouco da História do Filme "Casablanca", 1942, Estados Unidos - Artigo




Um Pouco da História do Filme "Casablanca", 1942, Estados Unidos - Artigo
Artigo

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart já eram nomes consolidados no cinema com filmes como O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1941) e Relíquia Macabra (The Maltese Falcon, 1941), mas foi em Casablanca (idem, 1942) que os dois atores se tornaram astros irrefutáveis de Hollywood.
Casablanca (idem, 1942) conta a história de Rick Blaine (Humphrey Bogart), um exilado americano que encontra refúgio em Casablanca, Marrocos e passa a dirigir uma neutra casa noturna - refúgio para nazistas e a oposição. Ainda magoado pela perda de seu grande amor, ele é surpreendido pela volta de sua amada Ilsa (Ingrid Bergman) que precisa da ajuda de Rick e seus contatos para que seu namorado Victor Lazlo (Paul Henreid) e ela possam fugir dos nazistas que querem prendê-lo.
O filme foi indicado a oito Oscars em 1943 e ganhou três deles: o de Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.
A história de Casablanca (idem, 1941) começou em 22 de dezembro de 1941 quando o roteiro de uma peça de teatro intitulada “Everybody Comes To Rick's” escrito por Murray Burnett e Joan Alison chegou à mesa de Hal Wallis, produtor-chefe da Warner Bros, pelas as mãos de sua assistente de roteiro, Irene Lee (seu sobrenome verdadeiro era Levine que ela escondeu por medo da onda anti-semita no mundo todo na época).
Apesar de Hal manter que foi sua ideia desde o começo de comprar a peça não-finalizada, um dos roteiristas de Casablanca (idem, 1942), Julius Epstein discorda. Em entrevista ao livro “Round Up the Usual Suspects: The Making of Casablanca” de Aljean Harmetz, ele afirma que o pontapé inicial teria sido de Irene:
“Mas era Irene Lee que merecia o crédito. Ela era muito mais esperta do que Hal Wallis. Foi ela quem nos designou a escrever o roteiro.”
Mas não foi apenas Hal Wallis e Irene Lee que afirmavam terem o crédito de descobrir Casablanca, o produtor Casey Robinson jurou de pé junto que leu a peça durante uma viagem e rogou para que Wallis o tornassem em um filme.
Seja como for, Casablanca tem uma história de origem confusa assim como o próprio roteiro que passou por tantos esboços dias após dias de produção que muitos duvidavam de seu próprio sucesso. Mas o longa-metragem provou ao que veio e se tornou um dos clássicos mais duradouros do cinema.
A peça que deu origem à Casablanca intitulada “Everybody Comes To Rick's”, apesar do que muitos livros e sites possam afirmar, não variava tanto do produto final que vemos no filme: a peça contém o triângulo amoroso, a busca pela tão valiosa passagem com visto americano (com a protagonista dormindo com Rick para consegui-lo) e a música tema do casal – “As The Time Goes By”. Mas a protagonista na peça era uma "mulher promíscua" e tinha um caso tórrido com Rick - que tinha esposa e filhos.
Em “Everybody Comes To Rick's”, no entanto, a personagem de Ingrid Bergman se chama Lois e não tem tanto foco quanto no filme. Tanto que, na peça disponibilizada online, a despedida entre os dois amantes não é tão romântica assim e nem a decisão da personagem de ir com Lazlo: o trabalho dos roteiristas de Casablanca foi tornar o romance crível e usar o que já era da ideia de Murray Burnett e Joan Alison para torná-lo um filme inesquecível.
A origem da peça não é mistério: Murray teve a ideia de escrever a peça de teatro em 1938 durante uma viagem com sua esposa em Viena para ajudar os judeus a contrabandearem dinheiro para fora do país. Logo depois eles viajaram para o sul da França, onde encontraram um clube chamado Belle Aurore no qual nazistas se relacionavam com refugiados e vice-versa. Foi lá também que Murray descobriu que Casablanca era um importante lugar para os refugiados da II Guerra Mundial.
Com todo esse rico material, ele também adicionou a popular canção “As The Time Goes By” e a figura de Sam, o pianista, como foco central da trama para criar sua tão amada peça. Murray se reuniu com Joan Alison para escrever o roteiro em 1940 para a Broadway - que a recusou pelas insinuações sexuais entre os protagonistas - e assim a mesma foi adquirida pela Warner Bros., sob o jugo de Hal Wallis, pela enorme quantia de US$20 mil, que daria hoje mais de US$300 mil.
O sucesso de Casablanca (idem, 1942) foi tanto que Murray se sentiu lesado por não receber crédito o suficiente pela história e pela readaptação da peça em uma série de TV nos anos 80 - muitos achavam que Casablanca não era uma adaptação, inclusive a própria Ingrid Bergman. Ele processou a Warner Bros. mas não ganhou: quase no final de sua vida, no entanto, lucrou com uma gratificação de US$ 100 mil.
Mas por que um estúdio tão grande quanto a Warner Bros. comprou uma peça de teatro de desconhecidos pela quantia exagerada de US$ 20 mil? A resposta estava na II Guerra Mundial e o fato de a neutralidade dos Estados Unidos estar no passado: eles precisavam naquele momento mostrar que sempre lutaram ao lado dos mocinhos, os Aliados, e Casablanca era o filme propaganda perfeito pois Rick fazia a coisa certa no final ao ajudar a Resistência- e o potencial romance entre os personagens também não era nada mal.
Hal Wallis então recrutou os roteiristas Julius e Philip Epstein, além de Howard Koch para começarem a esboçar um roteiro que retirasse a dualidade do personagem Rick - e torná-lo um aliado dos judeus desde o início lutando até na Guerra Civil Espanhola e exibindo sua decisão de lutar pelo seu país, ao mesmo tempo que sua amada vai embora - um arco de redenção igual aos dos Estados Unidos na II Guerra Mundial.
De acordo com o livro Hal Wallis: Producer to the Stars por Bernard F. Dick, cada escritor conseguiu aprofundar um tema do roteiro: os irmãos Epstein deram maior humor a história, Koch aprofundou a caracterização do personagem Rick mostrando que apesar da aparência da neutralidade ele lutava, escondido, pelo lado certo desde o começo. Por fim, o revisor Casey Robinson teria convencido de que o final correto de Casablanca seria o original - Lois, agora Ilsa, deveria partir com Victor mesmo amando Rick.
Com a adição do estilista Orry-Kelly, que provou um guarda-roupa elegante e sóbrio para os protagonistas, do maquiador Perc Westmore e o restante da equipe de arte e decoração dos cenários, o filme estava quase pronto para começar - pelo menos do ponto de vista técnico.
O título do filme foi mudado oficialmente de “Everybody Comes to Rick's” para “Casablanca”, surfando no sucesso de “Argélia” (Algiers, 1938) no dia 31 de dezembro de 1941.
O produtor Hal Wallis estava certo de escalar Humphrey Bogart para o papel de Rick, apesar de não ter um status de galã consolidado - isto é, assim que Hal soube que o ator era o querido das mulheres no MGM. Mesmo assim, Jack Warner, diretor da Warner Bros., decidiu mandar a sugestão de usar George Raft para o protagonista - papel que ele queria muito!
De acordo com a resposta de Hal Wallis, reproduzida no livro “Casablanca: Behind the Scenes” por Harlan Lebo, eles estavam certos em usar Bogart:
“Bogart é o homem ideal para o filme e o papel foi escrito para ele e eu acho que devíamos esquecer de Raft para este filme.”
Mas ainda com “Argélia” (Algiers, 1938) em mente, Hal estava decidido em escalar Hedy Lamarr para o papel de Lois/Ilsa, porém Louis B. Mayer da MGM não emprestaria os serviços da beldade austríaca para ninguém. Assim, o produtor se voltou para David O. Selznick e a bela e exótica Ingrid Bergman. David aceitou emprestar Bergman quando se mencionou que o filme seria muito como o sucesso de “Argélia” - assim o chefão teria dito: "Vocês terão Ingrid Bergman então!" Se isso não desse certo, Michèle Morgan (que queria a enorme quantia de US$ 55 mil) e Edwige Feuillère eram outras opções na manga de Wallis.
Aliás, bem no começo da produção de “Casablanca” (idem, 1942) os rumores de que Ronald Reagan, Ann Sheridan e Dennis Morgan estrelariam o filme se provaram falsos, apesar de terem sido espalhados pelo The Hollywood Reporter na época, mas Sheridan foi uma das opções da produção que acabou não dando certo.
Apesar do que se replica em vários jornais, revistas e matérias, o final de “Casablanca” nunca variou: assim como na peça e no filme, Ilsa/Lois acabaria com Victor Lazlo e não Rick - mas as circunstâncias para isso acontecer mudavam o tempo todo, além das falas, situações e até outros pormenores.
Ingrid Bergman recebeu o quarto rascunho do roteiro em abril de 1942, quando ela foi emprestada para Warner pela quantia de US$3,125 por semana, mas “Casablanca” (idem, 1942) apenas começou a ser gravado no dia 25 de maio de 1942, quando Michael Curtiz estava disponível - mesmo assim as brigas entre os roteiristas e de Hal com o diretor Curtiz continuavam enquanto o desenvolvimento do roteiro era muito lento.
Por fim, um pouco antes do começo das gravações, o papel de Victor Lazlo, a outra parte importante do triângulo amoroso, foi designado para Paul Henreid - que aceitou o papel apenas ao saber que terminaria com a protagonista pois odiava interpretar papeis secundários. Antes dele, os atores Joseph Cotten e Philip Dorn foram considerados para o papel, mas Hal queria Henreid desde o começo.
Com todos os personagens principais escalados, a filmagem de “Casablanca” havia começado e as desavenças entre os roteiristas, produtores e diretor eram tantas que Ingrid e Humphrey mal sabiam que cenas gravariam em tal dia, tanto o roteiro era reescrito dia após dia - vale lembrar que os atores não leram a peça original e não faziam ideia da história além do que era lhes passado no set de filmagens.
Em sua autobiografia “Ingrid Bergman: My Story”, a atriz recontou sobre a situação de incerteza:
“Era ridículo, simplesmente horrível. Michael Curtiz não sabia o que ele estava fazendo porque ele não sabia qual era a história. Humphrey Bogart estava bravo porque ele não sabia o que estava acontecendo, então ele ficava recluso no seu trailer. E durante todo o tempo eu queria saber por quem eu estava apaixonada - Paul Henreid ou Humphrey Bogart. E Michael me dizia: 'Nós não sabemos ainda, fique no meio'.”
O fato de Hal Wallis mudar de ideia sobre o roteiro a cada momento também não ajudava em nada os atores de “Casablanca” (idem, 1942) a desenvolverem seus personagens, que contava com outros grandes astros como Claude Rains como o policial Louis Renault, Conrad Veidt que era o major nazista Strasser e Dooley Wilson (que não sabia tocar piano e reproduziu a técnica na cena) como o pianista Sam - esta era primeira vez em que o personagem negro tinha um papel central na trama e sua participação não poderia ser cortada do filme sem alterar a história.
Para se ter uma ideia da confusão, em um dos momentos de clímax do filme quando o personagem de Humphrey Bogart permite que os convidados comecem a cantar “La Marseillaise”, hino da França e assim da resistência, para calar os alemães com o seu “Die Wacht Am Rhein”, Bogart não tinha ideia para o que estava acenando. Quando indagou o cansado Michael Curtiz de todas as mudanças no roteiro, o diretor afirmou: "Não faça tantas perguntas, vá lá e acene!".
Muito dos atores que participaram do filme, aliás, foram vítimas dos horrores da II Guerra Mundial como Madeleine LeBeau, que interpretou a namorada de Rick, Yvonne. Ela e seu marido na vida real escaparam, por pouco, da invasão nazista na França. Outros artistas como S. Z. Sakall, Helmut Dantine, Curt Bois e o Conrad Veidt eram refugiados - assim como o próprio diretor Michael Curtiz que tentava ajudar seus parentes judeus. A mensagem do filme era clara: os Estados Unidos fariam o possível e o impossível para que o lado certo ganhasse a guerra.
Mesmo assim, Humphrey Bogart não estava satisfeito com o seu personagem e como ele poderia desistir de Ilsa, interpretada por Bergman. Ele havia afirmado durante a produção:
“Isso não me parece verdadeiro. A sra. Bergman é alguém que homem nenhum deixaria ir embora tão fácil, até mesmo por uma grande filosofia. Mas era essa a história e eu tive que deixá-la ir embora de meus braços.”
Apesar de rumores que Bogart tinha desenvolvido uma queda pela atriz, Bergman reconta que nunca teve muito contato com o ator: "Eu o beijei, mas não o conheci. Ele era muito educado, mas eu sempre senti uma certa distância, como se ele estivesse por trás de uma parede."
A diferença de altura deles, aliás, foi outra questão: resolvia-se com plataformas em cenas em que Ingrid e Humphrey deveriam ficar frente a frente.
Porém nem tudo em “Casablanca” (idem, 1942) foi difícil: a famosa frase “Here's looking at you, kid” foi dita pelo próprio Humphrey Bogart durante a prática de pôquer de Ingrid Bergman no set de filmagens. A adição da frase: "Louis, eu acho que este é o começo de uma grande amizade" foi filmada na reta final de “Casablanca” (idem, 1942) por Hal Wallis e se provou certeira - é uma das frases mais conhecidas do filme.
O filme, aliás. sofreu ainda mais atraso com a chegada de Max Steiner para fazer a composição do filme. Isso porque ele odiava a canção “As Time Goes By” e queria que fosse substituída, tentando até refilmar as cenas com uma nova música, algo que teria sido impossibilitado pelo novo corte de cabelo de Bergman para “Por Quem os Sinos Dobram” (Whom The Bell Tolls, 1940). Isso seria impossível já que o novo filme da atriz começou a ser gravado em apenas em dezembro de 1942, quando “Casablanca” (idem, 1942) já havia sido lançado - o mais provável é que Max Steiner nunca chegou a ter a opção de regravar as cenas.
“Casablanca” (idem, 1942) foi todo gravado no estúdio da Warner Bros. em Burbank, na Califórnia, a não ser pela cena inicial do avião sobrevoando com o vilão nazista, que foi filmado no Van Nuys Airport.
O filme teve sua gravação finalizada em agosto de 1942 - onze dias depois do previsto e US$75 mil acima do orçamento e foi lançado em 25 de novembro de 1942 - para coincidir com a invasão dos Aliados no norte da África - que contemplava Casablanca. O lançamento internacional, no entanto, foi em 23 de janeiro de 1943 com o encontro de Roosevelt, presidente dos EUA na época, e Churchill, ministro da Inglaterra para firmar a união dos países contra a Alemanha.
“Casablanca” (idem, 1942) foi um dos maiores sucessos e em 4 de março de 1943, ganhou o tão cobiçado prêmio de Melhor Filme. Não obstante, mais confusões aconteceram: quando o produtor Hal Wallis subiu para pegar sua estatueta toda a família de Jack Warner, presidente da Warner Bros., bloqueou a subida do produtor.
Sobre isso, em sua autobiografia “Starmaker: The Autobiography of Hal Wallis”, o produtor relembra:
“Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Eu não tinha outra alternativa a não ser me sentar, humilhado e furioso. Eu tentei sair do meu lugar para chegar ao palco, mas fui bloqueado por toda a família Warner, que não se levantou para que eu pudesse passar.”
Apesar das inúmeras atribulações do roteiro, entre o diretor, os produtores e os roteiristas, “Casablanca” (idem, 1942) permanece um favorito dos fãs e dos cinéfilos do mundo todo. Enquanto Ilsa e Rick sempre terão Paris, nós sempre teremos “Casablanca”. Texto do blog Caixa de Sucessos.