Blog destinado a divulgar fotografias, pinturas, propagandas, cartões postais, cartazes, filmes, mapas, história, cultura, textos, opiniões, memórias, monumentos, estátuas, objetos, livros, carros, quadrinhos, humor, etc.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
Inauguração do Monumento a Luiz Pereira Barreto, Praça XV de Novembro, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Inauguração do Monumento a Luiz Pereira Barreto, Praça XV de Novembro, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia
Nota do blog 1: No centro, à frente do pedestal, um senhor de casaca discursando; do lado direito, Fábio de Sá Barreto. O autor da herma é Humberto Cozzo.
Nota do blog 2: Imagem de 1924 (alguns dizem 1923, mas acredito estar errado, sugiro a leitura de outro post existente no blog com a explicação). Imagem de Aristides Motta.
Igreja de Santa Isabel, São Paulo, Brasil
Igreja de Santa Isabel, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Em uma cidade como São Paulo, cujos números dos mais variados índices são maiores do que de muitos países do mundo, não é de se estranhar que tenhamos também uma grande quantidade de templos religiosos, dos mais diversos credos e ritos. De acordo com reportagem da Folha de 2019, existem 5779 templos religiosos na capital paulista, número este que com certeza deve ter aumentado nos últimos três anos.
Muitos destes templos religiosos são, além de local de fé, importantes atrações turísticas da cidade, como por exemplo a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento e a Mesquita Brasil, esta última a primeira da América Latina. Boa parte dos templos religiosos com viés turístico estão no centro de São Paulo, mas não todos.
Pouco conhecida pelos paulistanos e localizada na zona leste da capital paulista, a Igreja de Santa Isabel é uma verdadeira gigante instalada na vila que leva seu nome, Vila Santa Isabel, na agradável região do Carrão.
Ao passar pela Alameda Rainha Santa, onde está localizada a igreja, a impressão é de que estamos em uma rua da Itália por ser uma via curta e sinuosa. A enorme dimensão da construção faz com que as pessoas que por lá passem se sintam minúsculas, do chão ao topo de sua torre são 93,6 metros de altura. A título de comparação, ela é mais alta que a própria Catedral da Sé, cujas torres alcançam 92 metros de altura.
Histórico:
Tudo começa em 1943, ano em que Marieta Teixeira de Carvalho decide lotear a área para o que viria a ser a vila cujo nome é o mesmo da igreja. Em uma parte do terreno, cumprindo uma promessa feita por sua mãe, ela mandou erguer uma igrejinha, a qual foi chamada de Capela de Santa Isabel.
A capela logo ficou pequena para as necessidades da região e assim foi decidido pela construção de um novo templo, cujas obras se iniciam em 1954, ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A igreja é inaugurada em etapas, sendo a torre – na época a maior da América Latina – em 1959 e a igreja em 1961. A construção do complexo paroquial só terminou no início dos anos 1970. O projeto arquitetônico da igreja é de Benedito Calixto Neto, o mesmo do Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
Na simbologia da igreja podemos contemplar as doze colunas principais de sustentação, que representam os apóstolos de Cristo. Já os vitrais retratam os mais famosos milagres da santa padroeira que foi rainha de Portugal. Os sete arcos ao redor do altar representam os sete dons do Espírito Santo, enquanto a cúpula central – uma das maiores de São Paulo – representa a coroa de Santa Isabel.
O sumiço da cruz:
Originalmente a Igreja de Santa Isabel era ainda mais alta, no topo da torre estava instalada uma magnífica cruz de 10 metros de altura por 6,50 de envergadura. Obra de uma artista anônimo, a cruz era toda revestida de cristais, dando um efeito incrível para quem a observava, com diferentes efeitos de acordo com a hora do dia, sendo que a noite era iluminada por 87 lâmpadas.
Em meados da década de 1980 a cruz foi removida da torre pois havia o temor de que ela um dia pudesse cair, provocando um terrível acidente. Na época foi prometida a instalação de uma réplica, o que acabou não acontecendo. Além disso, como é "Brasil", a cruz original acabou desaparecendo, sendo seu paradeiro até hoje desconhecido.
O mirante da torre:
A Igreja de Santa Isabel também é famosa por seu mirante, com mais de 90 metros de altura, praticante junto ao telhado da torre.
Projetado para ser uma atração turística, o mirante pode ser acessado através de um elevador com capacidade para 15 pessoas ou através de suas escadas, esta última a única opção no momento, tendo em vista que o elevador está parado devido à necessidade de manutenção. Para chegar até o mirante foi preciso/necessário vencer os 407 degraus que separam o térreo da igreja do mirante, uma tarefa que confesso, não foi nada fácil. Não é qualquer um que consegue tal façanha.
Entretanto ir pelas escadas, apesar de cansativo, revelou-se um passeio muito interessante, foi possível conferir que em certos pisos existem inscrições gravadas no chão, como o brasão da Cidade de São Paulo, o símbolo do papado, entre outras referências. Observá-los serviu como desculpa para uma retomada de fôlego.
Degraus vencidos, chega a recompensa: uma vista incomparável do alto da capital paulista que simplesmente nenhum outro mirante paulistano é capaz de reproduzir. A ausência de arranha-céus próximos à igreja permite observar não só São Paulo mas municípios vizinhos, como Guarulhos, São Caetano do Sul e Santo André. Dá para ver também, com facilidade, a Serra da Cantareira e as antenas da Avenida Paulista.
Tudo isso, infelizmente, fechado ao público. Isso ocorre devido a falta de condições financeiras da paróquia para manter funcionando o elevador que dá acesso ao mirante. O custo de manutenção é alto e as doações recebidas são insuficientes.
Para mudar esta situação o Padre Marcelo, responsável pela Paróquia Santa Isabel, faz um apelo aos paulistanos que amam o patrimônio cultural da cidade e aos fiéis católicos que colaborem com doações para que um dia esse importante mirante de São Paulo volte a funcionar. Texto de D. Nascimento.
Vila Holandesa, Santana, São Paulo, Brasil
Vila Holandesa, Santana, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
A cidade de São Paulo é repleta de vilas antigas, a maioria delas conhecidas como "vilas operárias" por sua origem ligada às atividades fabris desenvolvidas na capital, tais como a Vila Maria Zélia e a Economizadora. Por outro lado, também existem outras bem interessantes e não atreladas a fábricas –mas construídas para servir de renda a seus proprietários seja com a locação, seja com a venda.
Nesse texto vamos tratar da história de uma vila localizada na zona norte paulistana, a Vila Holandesa.
Apesar de ser oficialmente batizada como Jardim Dona Rosa, praticamente ninguém a conhece por este nome. Isso se deve ao fato da nomenclatura "extra-oficial" Vila Holandesa ser intimamente ligada às origens históricas e arquitetônicas destas vinte charmosas residências que a compõem.
A vila foi um empreendimento imobiliário cuja iniciativa partiu do holandês Dirk Berkhout que, entre o final dos anos 1940 e durante a década de 1950, atuou como cônsul-geral da Holanda em São Paulo. Berkhout casou-se com a brasileira filha de imigrantes holandeses Selma de Vita, cuja mãe era proprietária de uma chácara em Santana. Com o falecimento da mãe de Selma, Dirk e sua esposa, esta última já com o sobrenome de casada Berkhout, adquirem as partes dos demais herdeiros e decidem construir ali um empreendimento para posterior locação ou venda.
As obras para a nova vila só começam em 1952, sendo concluídas em 1954. Para a construção do novo empreendimento, Dirk Berkhout contrata a recém estabelecida no Brasil "Empresa Construtora Best Ltda", de origem também holandesa como a dele e que veio ao país para construir algumas empresas de capital holandês, como o Banco Holandês Unido (na Rua 15 de Novembro) e a fábrica da Philips (no município de Guarulhos).
A escolha da construtora holandesa para erguer a vila não foi por acaso ou por mero apoio a uma empresa de seu país de origem, mas pelo fato de que Dirk e Selma queriam que o novo empreendimento deles tivesse estilo arquitetônico similar ou idêntico às residências da Holanda e foi exatamente isso que foi feito.
Localizada na Rua Marechal Hermes da Fonseca, em Santana, a charmosa vila construída pelos Berkhout é uma viagem para a Holanda em plena zona norte da capital paulista. Suas vinte casas, todas elas assobradadas, são dispostas na própria via pública e em uma rua particular que que dá acesso às demais casas que ficam escondidas para quem passa pela Hermes da Fonseca.
Adentrar na ruela que dá acesso as demais residências parece ser uma experiência de uma breve viagem para os Países Baixos. Quase tudo ali nos distancia de um vila paulistana e nos remete a um simpático bairro de subúrbio de alguma cidade holandesa. E faz sentido, afinal não foi só a construtora que era de origem holandesa, bem como o projeto das casas, que foi encomendado a uma segunda empresa daquele país. O silêncio da vila é algo incrível, principalmente se lembrarmos que as construções estão cercadas de vias bem movimentadas que ligam diversos pontos de Santana e região.
Todas as casas foram feitas com tijolos aparentes e são estreitas, tal qual são muitas das residências que encontramos em ruas de cidades como Amsterdã, sendo conhecidas como arquitetura funcionalista. A maioria das residências da vila são originalmente compostas em seu piso térreo com um vestíbulo na área de entrada, duas salas, cozinha e lavabo. No andar superior são dois quartos e um banheiro. Esta configuração se altera um pouco nas residências cuja face externa são voltadas para a Rua Marechal Hermes da Fonseca e possuem em seus térreos portas comerciais. É possível que algumas destas configurações originais tenham sido modificadas ao longo das décadas.
Com o passar dos anos, a vila não sofreu degradação ou descaracterização, tendo sido preservada pelos seus moradores ao longo de suas sete décadas de existência. Em 2018 a vila foi agraciada com seu tombamento como patrimônio histórico de São Paulo pelo Conpresp. Texto de D. Nascimento.
terça-feira, 19 de julho de 2022
Avenida Oscar Pereira, 1920-1930, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Avenida Oscar Pereira, 1920-1930, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia - Cartão Postal
Obras de Abertura da Avenida Nove de Julho, São Paulo, Brasil
Obras de Abertura da Avenida Nove de Julho, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Vista da abertura da futura Avenida Nove de Julho — registrada a partir do Belvedere do Trianon entre 1934-1936 pelo fotógrafo alemão Erwin Scheu — se transformaria completamente em poucas décadas. Em 1º plano, as ruas Esther e à sua esquerda a atual Plínio de Figueiredo. Ao fundo, os indefectíveis edifícios Martinelli (concluído de verdade em 1934) e o Saldanha Marinho na rua Líbero Badaró (construido entre 1929-1933). No horizonte, a Serra da Cantareira. À esquerda, encoberto totalmente pelo arvoredo, está o Hospital Sírio-Libanês na Adma Jafet, antiga rua da Fonte.
A Guerra Civil de 1932 / Revolução Constitucionalista - Artigo
A Guerra Civil de 1932 / Revolução Constitucionalista - Artigo
Artigo
A Guerra Civil de 1932, conhecida como Revolução Constitucionalista, é até hoje comemorada em São Paulo, com feriado no dia 9 de julho, data de início do conflito. A justificativa oficial para sua deflagração teria sido a pressão sobre o Governo Provisório de Getúlio Vargas, para que o Brasil voltasse à ordem constitucional, com a convocação de uma assembleia constituinte para a criação da nova Carta Magna do Brasil.
Porém, para além do discurso oficial, há diversos outros motivos que levaram ao maior conflito armado da História do Brasil no século XX. Há trabalhos na historiografia atual que já trabalham com a nomenclatura de “guerra civil”, afinal, houve um embate entre forças militares brasileiras, uma batalha entre compatriotas.
Mas, afinal, quais fatos explicam o início das batalhas entre o estado de São Paulo e as forças lideradas pelo governo federal?
1) Perda de poder: o primeiro ponto é a perda de poder político por parte dos paulistas. Com a Revolução de 1930, o presidente Washington Luís foi deposto – ele era paulista e ex-governador do estado bandeirante. Além disso, Júlio Prestes, o candidato que havia sido eleito e não chegou a assumir, também era ex-governador de São Paulo e, assim como Washington Luís, representava a força da elite cafeicultora paulista.
2) O enfrentamento com os tenentes: a oligarquia paulista entrou em franca oposição aos tenentes, que detinham grande poder no início do governo Vargas. A indicação de João Alberto, do movimento tenentista, ao cargo de governador-interventor de São Paulo é visto como o fator-símbolo para o aumento das tensões e do enfrentamento entre o governo federal e os paulistas.
3) Sentimento de traição: o Partido Democrático, opositor do Partido Republicano Paulista (PRP), havia apoiado a Revolução de 1930 e esperava que o novo presidente indicasse um de seus membros para o governo do estado, o que não ocorreu. Com o tempo, acabou se juntando ao PRP num grande bloco de oposição ao governo federal.
4) Perda de autonomia: com a subida de Vargas no poder, os estados perderam poder com a interferência direta do governo federal, em especial com o governo do país indicando governadores-interventores. Isso recebeu o apelido, na época, de “desfederalização”, pois os paulistas entendiam que Getúlio e seus apoiadores estavam querendo retirar a independência dos estados, mantendo-os cada vez mais vinculados e obedientes à União.
5) Questões econômicas e fiscais: o governo brasileiro, atuando por meio de decretos, passou a implementar medidas de alteração na política econômica nacional. E também a efetivar mudanças fiscais como, por exemplo, a criação de um novo imposto para o porto de Santos e a cobrança de uma taxa de 20% de exportação do café, de modo a dividir com os produtores o prejuízo ao Erário público causado pela política de valorização do café.
A Cronologia até o início do confronto:
A indicação de José M. Whitaker para o Ministério da Fazenda, inicialmente, passou tranquilidade aos paulistas. Porém, a indicação do pernambucano João Alberto Lins de Barros, ligado ao tenentismo, para o governo do estado fez tremer a relação entre São Paulo e o novo governo. Se a oligarquia criticava a nomeação, de outro lado Juarez Távora, representando o pensamento dos tenentes, em março de 1931 reclamou que Vargas estaria dando benefícios à elite paulista. Ou seja, já era perceptível que o “Caso São Paulo” geraria problemas para o governo que acabava de chegar ao poder.
O interventor João Alberto entrou em rota de colisão com diversos nomes de peso locais, entre eles Vicente Ráo, demitido do cargo de chefe de polícia em dezembro de 1930 e preso por duas vezes pelo interventor, que era chamado de “o pernambucano” e “o forasteiro” por uma oligarquia claramente xenófoba. Até que, em julho de 1931, depois de oito meses em confronto com a elite local, ele foi substituído por Laudo de Camargo, que possuía o perfil desejado: civil e paulista.
O final de 1931, mais precisamente em dezembro, é o momento-chave para o início da guinada rumo ao conflito aberto. Whitaker é substituído, assim como, semanas depois, Laudo de Carvalho tem o mesmo destino. O Partido Democrático se retira do governo Vargas, num movimento conhecido como “retirada paulista”. No mês seguinte, em janeiro de 1932, eles se declaram como oposição a Getúlio e, em fevereiro, fecham o acordo da “Frente Única Paulista” ao lado de seus antigos adversários do PRP.
Enquanto isso, em 23 de janeiro o governo federal apresentava o projeto do Código Eleitoral. A lei eleitoral, definida em 24 de fevereiro, desagradou os paulistas. O fim do voto distrital e criação da bancada classista – este, uma defesa dos tenentes – foram os pontos mais atacados pelos políticos do estado, que viam com melhores olhos uma reforma da Constituição de 1891 do que a criação de uma nova. Temiam por seu poder e privilégios, mas, também, viam com grande desconfiança o governo que se mantinha autoritário, governando por decretos e tendo os tenentes como homens-fortes.
Não apenas São Paulo criticava a continuação da ditadura varguista. Parcela significativa do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro também pressionavam por uma rápida constitucionalização do país. Mesmo em outros estados a ideia era defendida. Por isso, ao pegar em armas, os paulistas achavam que teriam o apoio de outras unidades federativas. Por outro lado, nenhum dos demais estados estava tão desconfortável e teve seus privilégios tão atingidos pelo novo governo quanto o estado bandeirante, acostumado a estar, senão à frente, mas com grande poder de decisão sobre a política e a economia do Brasil.
A guerra:
Vargas ainda indicou Pedro de Toledo, paulista e civil de longa carreira política, para a interventoria de São Paulo no lugar de Manoel Rabelo, nome este que não havia sido bem aceito pela elite local. Ao contrário de seu antecessor, Toledo agradou tanto que acabou mantido, mesmo após iniciada a guerra civil, em 9 de julho de 1932. Nem mesmo o decreto 21.402, de 14 de maio de 1932, marcando as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) para 3 de maio do ano seguinte, evitou o início da revolta.
As exigências dos revoltosos eram:
Substituição de Vargas por uma junta governativa e reconhecimento do governo revolucionário paulista. Para tentar dar fim ao conflito, Vargas ofereceu: desarmamento da Força Pública estadual, reconhecimento do Governo Provisório chefiado por Vargas e aceitação do calendário eleitoral que previa a convocação da Constituinte para o ano seguinte.
A guerra civil até hoje é alvo de uma disputa de memória. Os paulistas defendem a imagem que os colocam como mártires de uma luta heroica pela democracia, contra a tirania. Já o governo federal propagou o discurso de que era necessário vencer um estado que estava se voltando contra o Brasil e defendendo seus privilégios. Se no estado de São Paulo a guerra foi financiada pela elite e também por diversas famílias, muitas de classe média, que doaram o que tinham para a causa paulista; de outro lado, o governo federal contou com efetivos do Exército, polícias estaduais (também chamadas de “forças públicas” ou “brigadas militares”) e o alistamento de voluntários.
Cabe destacar que, entre os militares de carreira, apenas os dos estados de São Paulo e Mato Grosso se juntaram à revolta – Bertoldo Klinger, chefe da Circunscrição Militar de Mato Grosso, sublevou-a. No restante do país, 16 estados colocaram suas forças públicas à disposição do governo federal: RS, PR, MG, GO, MT, AL, BA, CE, ES, MA, PA, PB, PE, PI, RN e SE. Além disso, voluntários de 20 das 22 unidades federativas se alistaram para o combate contra os paulistas.
Inicialmente, os chefes militares não queriam voluntários participando da guerra, mas Vargas aprovou a iniciativa por dois motivos: necessidade de aumentar o efetivo de combate e o voluntariado foi visto como um instrumento para mobilizar população contra a revolta e dificultava que a campanha paulista se espalhasse por outros estados.
Grande parte das tropas federais passava por um curto treinamento no Rio de Janeiro antes de ir para o front. Por fim, definiu-se uma “frente sul”, que combateu na fronteira entre São Paulo e o Paraná, liderado pelo general Valdomiro de Lima. E o Destacamento do Exército do Leste, chefiado pelo general Góis Monteiro, que se espalhou pela fronteira do RJ, SP e MG.
A guerra terminou com aproximadamente 2 mil mortos, somando os dois lados. Os números totais de participantes divergem muito, segundo diferentes pesquisadores. A estimativa sobre a quantidade de soldados paulistas varia de 30 mil a 120 mil, segundo distintas fontes. Quanto às forças legalistas do governo federal, todos os estudiosos concordam que estavam em maior número do que o adversário, embora divirjam também sobre quanto exatamente.
São Paulo vira um grande aliado de Vargas, de 1934 ao início de 1937:
Após terminar a guerra civil, Vargas perdoou 50% das dívidas dos cafeicultores e não impôs sanções aos jornais que a estimularam. Houve aceno pela composição com o estado. Com a reconstitucionalização do país, os tenentes perderam poder, abrindo caminho para um maior diálogo entre o governo federal e a elite paulista. Após a criação da nova constituição, em julho de 1934, São Paulo passou para a base aliada do governo. Os paulistas ganharam dois importantes ministérios: Vicente Ráo foi indicado para o Ministério da Justiça e Macedo Soares para o das Relações Exteriores.
O Partido Constitucionalista de São Paulo, criado visando as eleições constituintes, reunia figuras importantes como Cardoso de Melo Neto e Henrique Bayma, ambos aliados ao governo federal. Os poucos deputados paulistas que reclamaram da mudança de postura tiveram uma pronta resposta do jornal O Estado de São Paulo, que afirmou que, se em 1932 o estado tinha razão de se revoltar, em 1934 não mais tinha porque, segundo a reportagem, Vargas estava a favor dos paulistas.
Henrique Bayma foi o relator da Lei de Segurança Nacional (LSN) defendida por Vargas, que queria mais poder para enfrentar greves e outras manifestações populares. A bancada paulista não só votou a favor, como Cardoso de Melo Neto, líder do grupo, fez importante discurso sobre a necessidade do chefe do Executivo concentrar mais poder para, teoricamente, agir contra perturbadores da ordem.
Já Vicente Ráo, como Ministro da Justiça, é apontado pela historiografia como uma das “cabeças” que articulou a LSN. Após as revoltas de novembro de 1935, apelidadas de “Intentona Comunista”, Ráo foi um dos líderes da violenta repressão que se abateu sobre o país até a decretação do Estado Novo, em 1937.
Armando Sales, governador de São Paulo até o final de 1936, deixou o cargo somente quando precisou se licenciar visando às eleições presidenciais previstas para janeiro de 1938. Acreditava que poderia ser o candidato apoiado pelo governo Vargas, diante da forte e leal relação construída desde o início do governo constitucional entre os paulistas e o presidente. O rompimento apenas se deu quando o presidente, inicialmente, indicou José Américo de Almeida como candidato do governo – como sabemos, depois o golpe comprovou que Vargas pretendia mesmo era sua continuidade.
Assim, 1932 é mais um dentre os vários momentos de disputa por poder dentro da história do Brasil e, especificamente, dentro do regime Vargas. Uma guerra civil que, em 9 de julho de 2022, completa 90 anos.
A guerra civil até hoje é alvo de uma disputa de memória. Os paulistas defendem a imagem que os colocam como mártires de uma luta heroica pela democracia, contra a tirania. Já o governo federal propagou o discurso de que era necessário vencer um estado que estava se voltando contra o Brasil e defendendo seus privilégios. Se no estado de São Paulo a guerra foi financiada pela elite e também por diversas famílias, muitas de classe média, que doaram o que tinham para a causa paulista; de outro lado, o governo federal contou com efetivos do Exército, polícias estaduais (também chamadas de “forças públicas” ou “brigadas militares”) e o alistamento de voluntários.
Cabe destacar que, entre os militares de carreira, apenas os dos estados de São Paulo e Mato Grosso se juntaram à revolta – Bertoldo Klinger, chefe da Circunscrição Militar de Mato Grosso, sublevou-a. No restante do país, 16 estados colocaram suas forças públicas à disposição do governo federal: RS, PR, MG, GO, MT, AL, BA, CE, ES, MA, PA, PB, PE, PI, RN e SE. Além disso, voluntários de 20 das 22 unidades federativas se alistaram para o combate contra os paulistas.
Inicialmente, os chefes militares não queriam voluntários participando da guerra, mas Vargas aprovou a iniciativa por dois motivos: necessidade de aumentar o efetivo de combate e o voluntariado foi visto como um instrumento para mobilizar população contra a revolta e dificultava que a campanha paulista se espalhasse por outros estados.
Grande parte das tropas federais passava por um curto treinamento no Rio de Janeiro antes de ir para o front. Por fim, definiu-se uma “frente sul”, que combateu na fronteira entre São Paulo e o Paraná, liderado pelo general Valdomiro de Lima. E o Destacamento do Exército do Leste, chefiado pelo general Góis Monteiro, que se espalhou pela fronteira do RJ, SP e MG.
A guerra terminou com aproximadamente 2 mil mortos, somando os dois lados. Os números totais de participantes divergem muito, segundo diferentes pesquisadores. A estimativa sobre a quantidade de soldados paulistas varia de 30 mil a 120 mil, segundo distintas fontes. Quanto às forças legalistas do governo federal, todos os estudiosos concordam que estavam em maior número do que o adversário, embora divirjam também sobre quanto exatamente.
São Paulo vira um grande aliado de Vargas, de 1934 ao início de 1937:
Após terminar a guerra civil, Vargas perdoou 50% das dívidas dos cafeicultores e não impôs sanções aos jornais que a estimularam. Houve aceno pela composição com o estado. Com a reconstitucionalização do país, os tenentes perderam poder, abrindo caminho para um maior diálogo entre o governo federal e a elite paulista. Após a criação da nova constituição, em julho de 1934, São Paulo passou para a base aliada do governo. Os paulistas ganharam dois importantes ministérios: Vicente Ráo foi indicado para o Ministério da Justiça e Macedo Soares para o das Relações Exteriores.
O Partido Constitucionalista de São Paulo, criado visando as eleições constituintes, reunia figuras importantes como Cardoso de Melo Neto e Henrique Bayma, ambos aliados ao governo federal. Os poucos deputados paulistas que reclamaram da mudança de postura tiveram uma pronta resposta do jornal O Estado de São Paulo, que afirmou que, se em 1932 o estado tinha razão de se revoltar, em 1934 não mais tinha porque, segundo a reportagem, Vargas estava a favor dos paulistas.
Henrique Bayma foi o relator da Lei de Segurança Nacional (LSN) defendida por Vargas, que queria mais poder para enfrentar greves e outras manifestações populares. A bancada paulista não só votou a favor, como Cardoso de Melo Neto, líder do grupo, fez importante discurso sobre a necessidade do chefe do Executivo concentrar mais poder para, teoricamente, agir contra perturbadores da ordem.
Já Vicente Ráo, como Ministro da Justiça, é apontado pela historiografia como uma das “cabeças” que articulou a LSN. Após as revoltas de novembro de 1935, apelidadas de “Intentona Comunista”, Ráo foi um dos líderes da violenta repressão que se abateu sobre o país até a decretação do Estado Novo, em 1937.
Armando Sales, governador de São Paulo até o final de 1936, deixou o cargo somente quando precisou se licenciar visando às eleições presidenciais previstas para janeiro de 1938. Acreditava que poderia ser o candidato apoiado pelo governo Vargas, diante da forte e leal relação construída desde o início do governo constitucional entre os paulistas e o presidente. O rompimento apenas se deu quando o presidente, inicialmente, indicou José Américo de Almeida como candidato do governo – como sabemos, depois o golpe comprovou que Vargas pretendia mesmo era sua continuidade.
Assim, 1932 é mais um dentre os vários momentos de disputa por poder dentro da história do Brasil e, especificamente, dentro do regime Vargas. Uma guerra civil que, em 9 de julho de 2022, completa 90 anos.
Praça Marechal Deodoro, 1935, São Paulo, Brasil
Praça Marechal Deodoro, 1935, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Obras de pavimentação e alargamento da via registradas em 06/09/1935. Na foto superior, à esquerda, vemos o Prédio Tupã — no atual nº 187 — esquina com a Rua São Vicente de Paula. Décadas depois, o imóvel foi ocupado por moradores sem teto. Retomado há pouco tempo, se encontrava emparedado em seu pavimento térreo.
Propaganda "Camomillina, o Grande Remédio da Dentição Infantil", 1937, Camomillina, Brasil
Propaganda "Camomillina, o Grande Remédio da Dentição Infantil", 1937, Camomillina, Brasil
Propaganda
Propaganda "Avallone", Avallone, Brasil
Propaganda "Avallone", Avallone, Brasil
Propaganda
Nota do blog: Verdadeiros "Frankensteins" no quesito beleza, esses veículos são extremamente raros de se encontrar. Segundo informações da época, essas transformações da Avallone eram verdadeiros presentes de grego, viviam voltando a oficina para reparos, especialmente devido a sua baixa resistência.
Assinar:
Comentários (Atom)






































