terça-feira, 28 de abril de 2020

A Caixa D'Água "Francesa" Fabricada na "Escócia", Praça da Caridade, Atual Praça Piratinino de Almeida, 1922, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil - Artigo


A Caixa D'Água "Francesa" Fabricada na "Escócia", Praça da Caridade, Atual Praça Piratinino de Almeida, 1922, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil - Artigo
Pelotas - RS
Fotografia



A Caixa d’Água “Francesa” fabricada na “Escócia”:
A primeira cláusula do contrato da Companhia Hydráulica Pelotense com o
Governo da Província previa a colocação de “um ou mais reservatórios” no centro da cidade. O relatório da Companhia Hydráulica Pelotense, de 1872 informou que as plantas e os detalhes para a execução das obras foram contratadas com os Srs. R. B. Bell & D. Miller, engenheiros da municipalidade de Glasgow, Escócia. A canalização também era proveniente de Glasgow, do estabelecimento Phoenix Foundry de Thomas Edington & Filhos, empresa de fundição que funcionou entre os anos de 1804 e 1920.
Mas com relação ao reservatório em ferro que foi colocado na Praça da
Caridade (atual Piratinino de Almeida), não existem informações que digam quando foi efetivamente encomendado, mas considerando que as plantas e detalhes do sistema de abastecimento e os encanamentos vieram de Glasgow, deduzimos que o projeto incluía também o reservatório.
Na Caixa d’Água de Pelotas não existe nenhuma inscrição que identifique
sua origem, mas o reservatório de Rio Grande preserva uma placa (foto no final do artigo) que revela sua procedência. Como o reservatório de Rio Grande é igual ao de Pelotas, pois Hygino Correa Durão também foi responsável, na mesma época, pela implantação do sistema de abastecimento da cidade de Rio Grande, podemos concluir que a caixa d’água de Pelotas foi fabricada pela mesma firma.
Na placa está registrado o nome da empresa que fabricou os reservatórios,
Hanna Donald & Wilson, Makers, Abbey Works, Paisley, 1875. A empresa de
engenharia Reid & Hanna, foi estabelecida em 1816, na cidade de Paisley, na
Escócia. Em 1851, foi criada uma nova sociedade e o nome da firma passou a ser Hanna Donnald e em 1870, com a inclusão de mais um sócio, a companhia se tornou Hanna Donnald & Wilson. A empresa construía embarcações navais, pontes, caldeiras, estações em ferro e sistemas de água e gás. A Hanna Donnald & Wilson também realizou projetos de engenharia e mecânica que se espalharam pela Europa, Oriente, Canadá e Austrália. A companhia foi arrematada em 1910 e vendida em 1920.
A empresa Hanna Donnald & Wilson ficava na cidade de Paisley, município
este que é vizinho da cidade de Glasgow, local de onde veio o projeto do sistema de abastecimento de água de Pelotas, encomendado pela Companhia Hydráulica Pelotense. Naturalmente, os engenheiros de Glasgow conheciam os produtos da companhia Hanna Donald & Wilson e como parte integrante do projeto incluíram o reservatório.
No mapa da Escócia percebe-se que a cidade de Glasgow é vizinha de Paisley.
Inicialmente, a intenção da Companhia Hydráulica Pelotense era instalar o
reservatório na Praça Pedro II (atual Coronel Pedro Osório), mas a Câmara
Municipal não concordou com e expediu um ofício ao Governo da Província:
O Sr. Dr. Anibal fez a seguinte proposta: - Proponho que a Câmara
Municipal desta cidade proteste desde já contra a collocação da Caixa d’Água
geral da Companhia Hydráulica Pelotense na Praça Pedro 2º e que se officie
ao Exmo Sr. Presidente da Província mostrando a inconveniência de tal
collocação não só nesta praça como em qualquer outra pertencente a esta
câmara. - Ficou o Dr. Anibal encarregado da redação do offício a presidência.
(Ata da Câmara Municipal de Pelotas, 3 de junho de 1872.)
O Governo da Província concordou com a reclamação da Câmara Municipal
e aprovou sua determinação:
Responde (o Governo da Província) a câmara que aprovou sua deliberação de não consentir na collocação da Caixa d’Água que pretendia a Companhia Hydráulica Pelotense estabellecer na Praça Pedro 2º, por isso concorda com as providências de que a mesma Companhia por seu contrato deve adquirir terreno para aquele fim. (Ata da Câmara Municipal, 8 de julho
de 1872.)
Não existem informações de como a Praça da Caridade (atual Piratinino de
Almeida) foi escolhida para a colocação do reservatório. Mas em 1875, os jornais anunciam a chegada de parte do material para a montagem da caixa d’água e de que o local seria em frente a Santa Casa de Misericórdia. A procedência do material, informada pela imprensa, era a cidade de Glasgow, Escócia:
No dinamarquez Ellida, chegado ante-hontem ao Rio Grande,
procedente de Glasgow, veio a maior parte do material destinado ao
reservatorio d’água que deve ser collocado em frente a Santa Casa de
Misericórdia, nesta cidade. O resto do material vem em viagem, no navio
Prince Alfred, que há mais de um mez sahiu de Glasgow. (Correio Mercantil,
24 de janeiro de 1875.)
O material foi enviado para Pelotas em um lanchão dias depois:
A bordo do lanchão Dous Irmãos, procedente do Rio Grande, chegou
hontem a esta cidade uma parte do material destinado ao reservatório d’água
que deve ser collocado em frente ao novo edifício da Santa Casa de
Misericórdia. (Correio Mercantil, 12 de fevereiro de 1875.)
Junto com o material veio também o engenheiro responsável por coordenar
os trabalhos de montagem. Para conduzir as peças até a praça, a Companhia Ferro Carril, estendeu trilhos de ferro:
Acha-se no porto da cidade todo o material necessário ao
levantamento da torre que deve servir para o reservatório principal da agua
na cidade. Também já chegou o engenheiro encarregado de realizar esse
trabalho, que deve começar mui brevemente. A conducção desse importante
material, para o lugar destinado, esta contractada com a Companhia Ferro
Carril, que para isso precisa estender trilhos até a praça da Caridade Nova.
Agora podemos exclamar, cheios de satisfação: Graças ... a Deus! (Correio
Mercantil, 22 de abril de 1875.)
Em 28 de abril de 1875, o material começou a ser conduzido para a Praça
da Caridade:
Começou hontem a conducção do material, destinado ao depósito
d’água da cidade, para o lugar onde há de ser collocado. Esse trabalho estara
prompto nesta semana e no principio da outra deve principiar a organisação
daquelle deposito, para o que já ahi se acha o pessoal competente. (Correio
Mercantil, 29 de abril de 1875.)
Os trabalhos de levantamento do reservatório começaram em maio de 1875:
Começaram já os trabalhos para o levantamento do reservatorio d’água
da cidade, no Largo da Caridade Nova. Ahi se acham depositados quasi
todos os materiaes precisos, e, a julgar pela regular quantidade de gente
empregada, muito breve se espera a terminação de semelhante trabalho. Já
não é sem tempo. (Correio Mercantil, 8 de maio de 1875.)
Em 13 de julho de 1875, o jornalista Antônio Joaquim Dias tece elogios ao
empreendimento da Companhia Hydráulica Pelotense:
No largo da Santa Casa de Misericórdia, ergue-se altivo e magestoso o
edifício de ferro destinado a reservatório d’água da Companhia Hydráulica
Pelotense. É uma obra imponente, um monumento de arte e de subido valor,
que veio restabelecer completamente a reputação, até agora um tanto
enfraquecida, do contratador dos trabalhos Sr. H. Correa Durão.
Não está de todo concluída essa magnífica obra, porque faltam ainda
algumas chapas, que se esperam brevemente, mas pode-se desde já avaliar
da sua incontestável e grande importância.
Nunca ninguém se persuadiu que o emprezario da Hydráulica Pelotense
cumprisse tão satisfactoriamente a condição do seu contrato que se referia à
construção do depósito d’água, nem tampouco jamais passou pela idéia de
alguém que fizesse uma obra tão gigantesca e admirável.
Hoje, ante os factos, é de rigorosa justiça restituir-lhe os créditos que se
haviam posto em duvida e um dever imprescindivel encarecer o seu
procedimento. Nós, que fomos sempre os primeiros a censural-o quando de
censura o consideravamos merecedor, queremos tambem ser os primeiros,
por desencargo de consciência e por amor a verdade, a tecer-lhe os louvores
de que se tornou digno pela maneira honrosa e mesmo superior a toda a
espectativa por que desempenhou aquella parte do seu contracto. Fazemos justiça.
O texto ainda continua descrevendo a grandeza do monumento:
Como dissemos, o depósito é todo de ferro; ocupa mais ou menos uma
circumferência de 150 metros; 45 elegantes columnas, de ordem jonica,
assentes sobre pilares de pedra, e formando dous angulos, sustentam a caixa
d’água, que se eleva a 25 pés da superfície térrea e contém capacidade para
1,500 metros cúbicos. A caixa d’água é toda coberta de chapas de ferro, e no
centro superior, em espécie de cupula, destaca-se um magnífico torreão,
rodeado de columnatas, destinado a passeio. Entre columnas principais
interiores estão os canos que devem conduzir a água ao reservatório e em
torno delles deve ser collocada uma escada de caracol para conduzir ao
torreão. Faltam-nos outros dados para completar a descripção desse
grandioso monumento, que só com a vista pode ser convenientemente
apreciado.
Para nós, como público, devemos confessal-o francamente, o Sr. Durão
restabeleceu em todos os sentidos os seus créditos como emprezario dos
trabalhos da Hydraulica e fez jus ao respeito e estima da população
pelotense. (Correio Mercantil, Antônio Joaquim Dias, 13 de julho de 1875.)
Os últimos materiais para completar o reservatório chegaram no final de julho
de 1875, em uma escuna dinamarquesa, chegada de Glasgow, Escócia:
Na escuna dinamarquesa Anna, chegada de Glasgow, veio o resto do
material que completará o depósito d’água, mandado levantar à praça da
Caridade pela Hydráulica Pelotense. (Jornal do Comércio, 21 de julho de
1875.)
No mês de agosto a obra estava quase concluída, faltava apenas a
colocação da escada:
Vão muito adiantados os trabalhos do deposito de água da cidade. O
reservatorio esta concluído e agora trata-se da colocação da escada central,
que já esta a mais de metro. A julgar pela atividade que se observa, pelo
considerável número dos operarios empregados é de esperar que os
trabalhos fiquem concluidos mui brevemente. (Correio Mercantil, 26 de agosto
de 1875.)
No mês seguinte foram feitos os primeiros testes para verificar o
funcionamento do reservatório:
O Sr. Gerente da Companhia Hydráulica Pelotense faz-nos a
seguinte comunicação, para qual chamamos a attenção dos interessados:
“Fechar-se-á hoje o encanamento desde às 6 horas da tarde até às 8 da
noute, fechando-se novamente às 10 horas da mesma noute até às 10 horas
da manhã seguinte, afim de fazer-se experiência na torre e alguns trabalhos
na canalisação”. (Jornal do Comércio, 2 de setembro de 1875.)
Finalmente, em setembro de 1875, as obras do reservatório estavam
concluídas, faltando apenas a pintura:
Está completamente armado o importante edifício de ferro destinado
a reservatorio d’água da cidade. Falta apenas pintal-o interior e
exteriormente, trabalho que ainda consome o espaço de tres mezes. Não
obstante, já se pode admirar como um verdadeiro monumento d’arte que se
constitue um padrão de glória para o empreiteiro das obras. (Correio
Mercantil, 5 de setembro de 1875.)
Concluiu-se em setembro (1875) último a torre que constitue o
reservatório d’água na cidade. Relatório da Província de São Pedro. (Porto
Alegre: 1876, pg. 47.)
O Album de Pelotas, de 1922, apresenta uma foto (Foto principal do post) da caixa d’água.
O equívoco de Henrique Carlos de Morais:
Em 1892, com o aumento das torneiras nas casas começou a haver escassez no abastecimento de água, que passou a ser feito somente durante alguns períodos do dia. Para sanar esse problema, a Companhia Hydráulica Pelotense, construiu uma casa de bombas a vapor para bombear água até um reservatório, elevado a 34 metros acima do nível da represa. Os motores, a caldeira, as bombas e o reservatório de ferro foram encomendados da firma dos Srs. Fould Fréres & Cia, de Paris, sob a supervisão do engenheiro Sr. L. Cassan, a um preço de 5500 libras.
Na foto (no final da matéria) vemos o reservatório que veio de Paris para a
Represa Moreira, em 1892.
Com base nestas informações, o diretor do Museu Histórico da Biblioteca
Pública Pelotense, Henrique Carlos de Morais, passou a redigir artigos afirmando que a caixa d’água da Praça Piratinino de Almeida tinha vindo de Paris, França.
Esses artigos começaram a ser divulgados e publicados em diversos estudos e
pesquisas disseminando uma informação equivocada. A caixa d’água em ferro que veio de Paris é a que foi instalada na Estação de Tratamento de Água do Moreira, em 1892.
A caixa d’água da Praça Piratinino de Almeida veio da cidade de Paisley,
vizinha da cidade de Glasgow, Escócia, de onde foi encomendado todo o projeto e os materiais do sistema de abastecimento de água implantado pela Companhia Hydráulica Pelotense. Para percebermos o engano basta compararmos os textos do Relatório da Companhia Hydráulica Pelotense, de 1892, referentes a caixa d’água da Estação de Água do Moreira e o de Henrique Carlos de Morais, em 1965:
Resolveu mandar vir de conta da Companhia por intermédio dos Srs.
Fould Fréres & Cia, de Paris, fazendo seguir o engenheiro Sr. L. Cassan
com o fim de fiscalisar a construção do referido material. Aos referidos Srs.
Fould Fréres & Cia... tem até esta data sacado a favor dos mesmos a quantia
de 5500 libras a taxa de 14. Tendo seguido em principios do mez de
Dezembro (1892) para Paris o engenheiro Sr. L. Cassan a fim de
desempenhar a comissão para a qual foi nomeado, é hoje agradável a esta
directoria comunicar-vos que aquelle Sr. já telegraphou ao Sr. Gerente,
dizendo ter comprado com economia os motores, caldeiras, bombas e a
torre de ferro. (Relatório da Companhia Hydráulica Pelotense, 1892.)
Reza a crônica que foi León Cassan o engenheiro fiscal da antiga
Companhia Hidráulica Pelotense, que mandou vir de Paris, comprado da
firma Fouila Fréres & Cia, todo o material necessário ao reservatório d’água.
O custo total acompanhado da bomba motor, caldeira, e a torre ... foi de
5500 libras inglesas, câmbio 14. MORAIS, Henrique Carlos de. Caixa
d’água. (Biblioteca Pública Pelotense, CDOV A, pasta HCM 4, agosto 1965.)
Nenhum documento ou jornal da época em que a caixa d’água da Praça
Piratinino de Almeida foi instalada, afirma que ela seria de origem francesa, pelo contrário, sempre registram que os materiais vieram de Glasgow, Escócia, local de onde vieram os projetos do primeiro sistema de abastecimento de água de Pelotas.
Portanto, desfeito o equívoco, podemos afirmar com certeza de que a caixa
d’água da Praça Piratinino de Almeida é de origem escocesa.
Elementos estéticos e arquitetônicos:
A caixa d’água da Praça Piratinino de Almeida é sem duvida um dos mais belos monumentos da arquitetura do ferro no Brasil, pelas suas qualidades formais e a sua grande importância para história da arquitetura. O projeto revela perfeita integração da forma arquitetônica e técnica construtiva e, sob o ponto de vista formal, expressa a intenção de monumentalidade, através da sua volumetria, do porte dos seus elementos estruturais e do trato dos ornamentos.
Construída com a técnica da pré-fabricação em peças basicamente de ferro
fundido revela um elevado nível de precisão dimensional dos elementos modulados.
Sua planta é em coroa circular, de forma cilíndrica, com capacidade de armazenar 1500 m³ de água e com a caixa elevada sobre quarenta e cinco colunas em ferro fundido, dispostas em três anéis, externo, interno e no centro.
As paredes internas e externas são feitas em painéis modulados de ferro fundido, no topo existe um mirante, composto de colunas e cúpula de ferro fundido apoiado na estrutura central da caixa. A cobertura era originalmente em telhas de zinco, atualmente é de telha de cimento amianto 6mm. A escada de acesso ao interior da caixa e do mirante foi feita em ferro fundido, de forma helicoidal e implantada no centro. A caixa d’água é ornada com consoles, grades, molduras e arcos em ferro fundido.
As colunas de seção circular têm forma cônica, executadas em ferro fundido, com a base e o capitel liso sem detalhes ornamentais. Entre as colunas existem molduras em grades de ferro.
As paredes internas e externas são painéis curvos horizontalmente. Na borda externa do painel superior existe uma pequena platibanda vazada.
O mirante implantado acima do nível da cobertura, como coroamento da proposta monumental da caixa d’água, é constituído de colunas e cúpula em forma de decágono com consoles e pináculos em ferro fundido. Do lado externo os painéis da cúpula têm moldura saliente com mesmo desenho dos painéis das paredes externas. O patamar do mirante recebe a escadaria de acesso e se apoiam em um tubo central.
No núcleo central está implantada a escada helicoidal com degraus, espelhos decorados e corrimão de ferro fundido, que dá acesso ao mirante e ao interior da caixa.
Circundando o cordão, foram implantados postes de ferro fundido para iluminação, fabricados no Rio de Janeiro. Texto de Janaina Silva Xavier.


Placa de identificação da Caixa D'Água da cidade de Rio Grande/RS



Reservatório em ferro do Moreira vindo de Paris em 1892


Estado atual da Caixa D'Água de Pelotas/RS


Filosofia de Internet - Humor



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Humor

Nota do blog: O Coronavírus e as dificuldades para se obter o auxílio emergencial...

Conjunto de Cartões Postais de Propaganda Turística, "Rio de Janeiro", 1934, Departamento de Turismo do Rio de Janeiro, Brasil - Manuel Móra









Conjunto de Cartões Postais de Propaganda Turística, "Rio de Janeiro", 1934, Departamento de Turismo do Rio de Janeiro, Brasil - Manuel Móra
Rio de Janeiro - RJ
Desenho - Cartão Postal


O lugar que ocupa Manuel Móra na cartofilia brasileira é, sem dúvida, de singular importância no contexto geral dos temas que a compõem. Em 1934, Móra, que já havia realizado alguns desenhos para cartões postais, concebeu uma série de 8 cartões coloridos para o Departamento de Turismo da Municipalidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, que o tornaria nosso único grande ilustrador de postais. O conjunto de bandeiras e figuras femininas, laureando os turistas, homenageando os laços do Brasil com a Argentina, os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Itália, a Inglaterra, a Espanha e Portugal, são hoje apreciados e cobiçados por todos os colecionadores, e documentam para sempre o estilo notável do artista. Manuel Móra nasceu em Portugal à 19 de março de 1884. Pintor ativo no Rio e naturalizado brasileiro desde o início dos anos 20, fez ilustrações para várias revistas nacionais como a “Para Todos”, “Cinearte” e “O Cruzeiro”. Para o “Parc Royal” dedicou grande parte de sua vida e muitas de suas belas criações, até o incêndio do Magazine em 1943 - fato que talvez justifique o desaparecimento dos originais da maioria de suas ilustrações. Durante o período do Estado Novo implantado por Getúlio Vargas em 1937, Móra colaborou com o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Seus desenhos foram, também, admirados nos convites dos famosos bailes de Carnaval do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Vítima de tuberculose pulmonar, faleceu no Rio, em 1° de abril de 1956. Texto de Marcelo Del Cima revisado por mim.

Cartão Postal Publicitário “Os Dez Mandamentos do Bebê”, 1923, Glaxo, Brasil


Cartão Postal Publicitário “Os Dez Mandamentos do Bebê”, 1923, Glaxo, Brasil
Propaganda - Cartão Postal

Nota do blog: A empresa farmacêutica Glaxo criou esse cartão postal para fazer propaganda do seu alimento infantil. 

Cartão Postal "Uirapuru Verdadeiro", Sociedade Geográfica Brasileira, Brasil


Cartão Postal "Uirapuru Verdadeiro", Sociedade Geográfica Brasileira, Brasil
Desenho - Cartão Postal

Selo Comemorativo "1.000's Gol de Pelé", Edson Arantes do Nascimento, 1969, Brasil


Selo Comemorativo "1.000's Gol de Pelé", Edson Arantes do Nascimento, 1969, Brasil
Selo

Caixa D'Água Francesa, Praça Piratinino de Almeida, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil







Caixa D'Água Francesa, Praça Piratinino de Almeida, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil
Pelotas - RS
Fotografia




Em 1871, um decreto imperial autorizou a implantação da Companhia Hydráulica Pelotense em Pelotas, sob a direção de Hygino Corrêa Durão. A primeira cláusula do contrato da Companhia previa a colocação de um reservatório de água no centro da cidade. Assim, a caixa d’água foi comprada da empresa Hanna Donald & Wilson, Makers, Abbey Works, localizada na cidade de Paisley, Escócia, no ano de 1875. O reservatório veio de navio em peças para ser montado, juntamente com o engenheiro responsável por coordenar os trabalhos de montagem. Para conduzir o material, a Companhia Ferro Carril, estendeu trilhos até a praça. Em maio de 1875, começou a ser erguido no Largo da Caridade, hoje Praça Piratinino de Almeida, e as obras foram concluídas em setembro do mesmo ano. O Reservatório R1, é um monumento de ferro construído com a técnica da pré fabricação em peças. Sua planta é em coroa circular, de forma cilíndrica, com a caixa elevada sobre quarenta e cinco elegantes colunas. Tem capacidade para 1500 m³ de água. No centro superior destaca-se uma cúpula, rodeada de colunas, que destinava-se ao passeio público da época, com acesso através de um escada helicoidal, sob vigilância de um guarda. A caixa d’água é ornada com consoles, grades, molduras e arcos em ferro fundido. A Praça da Caixa d'Água, como também é conhecida, passou por reformas de restauração em 2011, onde inclusive foi modificada a cor, apresentando atualmente uma coloração avermelhada.
A caixa d’água é um dos quatro bens tombados de Pelotas no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura. O reservatório está registrado no livro de Belas Artes, sob a inscrição nº 561, processo 1064-T-82, com data de 19 de julho de 1984.
Sobre a "caixa d'água francesa", ser, na realidade, "escocesa": Um deslize nos relatos da história do saneamento de Pelotas foi o que descobriu a pesquisadora Janaína Xavier. Formada no curso de especialização em “Artes, Patrimônio Cultural e Conservação de Artefatos” pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ela defende em sua monografia que a caixa d’água situada na praça Piratinino de Almeida foi construída em 1875 na Escócia e não França como se supunha. “Essa dúvida é antiga. Em 1987 Geraldo Gomes da Silva já levantava a polêmica em seu livro Arquitetura do ferro no Brasil, mas até hoje ninguém havia pesquisado a fundo o assunto”, diz Janaína.
Em um artigo publicado pelo Diário Popular em fevereiro de 2004 o historiador Mario Osorio Magalhães também havia falado sobre a hipótese de a caixa d’água não ser francesa, com base em notícias publicadas no Correio Mercantil que relatam a obra. Faltava ainda reunir outras evidências que comprovassem a teoria.
De tanto ouvir boatos, Janaína, que é funcionária do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), disse ter resolvido incluir a discussão em sua pesquisa, que também aborda a história dos chafarizes de Pelotas, esses sim de origem francesa. “Os elementos do primeiro sistema de abastecimento de água implantado pela então Companhia Hydráulica Pelotense foram importados, em sua maioria, da Europa. É uma mistura. As antigas bombas da represa do Moreira, por exemplo, vieram da Inglaterra, já o relógio da casa de máquinas é francês, assim como os chafarizes”, afirma. “Apenas pela análise estética é difícil afirmar a procedência dessas peças. Esse reservatório central, por exemplo, tem elementos arquitetônicos muito limpos, com poucos adornos, o que é típico da produção industrial europeia da época, mas não se pode dizer que são característicos de algum país específico”, comenta.
O ponto de partida da pesquisa foi a caixa d’água de Rio Grande, que é idêntica à de Pelotas. As duas foram encomendadas por Hygino Correa Durão, que na época era diretor das companhias hidráulicas de ambas as cidades. Na caixa d’água de Rio Grande há uma placa da empresa fabricante, ao contrário do reservatório de Pelotas, que não possui identificação. A partir daí começou a busca pela localização da fábrica e descobriu-se que a empresa Hanna Donald & Wilson, que fabricou os reservatórios, tinha sede na cidade de Paisley, na Escócia, e construía embarcações navais, pontes, caldeiras, estações de ferro e sistemas de água e gás.
Notícias publicadas em jornais da época ajudam a sustentar a tese de que o reservatório é escocês. Em 24 de janeiro de 1875, o jornal Correio Mercantil anuncia a chegada de um navio contendo a maior parte do material destinado à construção do reservatório (as peças vinham em partes e eram compradas por catálogo). A origem da embarcação, conforme a imprensa, é Glasgow, cidade escocesa vizinha a Paisley (onde ficava situada a fábrica) e também cidade de origem dos engenheiros responsáveis pelo projeto de construção, conforme relatórios da Companhia Hydráulica Pelotense. “Paris, onde geralmente eram construídas as peças importadas da França, não aparece em nenhum documento referente à caixa d’água da praça Piratinino de Almeida”, ressalta Janaína.

Praça Piratinino de Almeida e a Caixa D'Água Francesa, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil


Praça Piratinino de Almeida e a Caixa D'Água Francesa, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil
Pelotas - RS
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Avenida Nova Anhangabaú, Atual Avenida Prestes Maia, 1956, São Paulo, Brasil


Avenida Nova Anhangabaú, Atual Avenida Prestes Maia, 1956, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
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Bosque Rodrigues Alves, Belém, Pará, Brasil






Bosque Rodrigues Alves, Belém, Pará, Brasil
Belém - PA
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