terça-feira, 29 de agosto de 2017

Basílica de São Pedro, 1855, Cidade do Vaticano, Vaticano - James Anderson

                                     

Basílica de São Pedro, 1855, Cidade do Vaticano, Vaticano - James Anderson
Cidade do Vaticano - Vaticano
Fotografia

Estrada das Pacas, João Monlevade, Minas Gerais, Brasil (Estrada das Pacas) - José Ricardo

                                       
Estrada das Pacas, João Monlevade, Minas Gerais, Brasil (Estrada das Pacas) - José Ricardo
João Monlevade - MG
Coleção privada
OST 40x50

Assim Era a Atlântida 1975 - Assim Era a Atlântida






                                         
Assim Era a Atlântida 1975 - Assim Era a Atlântida
Brasil - 105 minutos
Poster do filme

Batalha do Avaí, Arroio Avaí, Paraguai (Batalha do Avaí) - Pedro Américo

                                                   
Batalha do Avaí, Arroio Avaí, Paraguai (Batalha do Avaí) - Pedro Américo
Arroio Avaí - Paraguai
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil
OST - 600x1100 - 1872-1877

Batalha do Avaí é uma pintura a óleo realizada por Pedro Américo de Figueiredo e Melo, em Florença, na Itália. A obra foi pintada entre os anos de 1874 e 1877, quando Américo tinha apenas 34 anos, e retrata a Guerra do Paraguai, travada entre brasileiros, argentinos e uruguaios, os quais lutavam lado a lado contra o exército paraguaio. O artista buscou trazer para a tela o drama vivenciado pelos brasileiros que perderam familiares e amigos ou que lutaram na Guerra. Logo após ser finalizado, em Florença, o quadro desembarcou no Rio de Janeiro, em junho de 1877.
A obra retrata a Batalha de Avaí, travada durante a Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança. A batalha foi travada na fase do conflito chamada de Dezembrada, entre as quais também encontram-se as batalhas de Itoró, Lomas Valentinas e Angostura. O episódio ocorreu em 11 de dezembro de 1868, quando as tropas brasileiras aniquilaram o exército paraguaio às margens do Rio Avahy, no Paraguai. A obra em si aponta um momento de suma importância para a conclusão da batalha, representando, ao mesmo tempo, o auge e o declínio do Império Brasileiro.
A Guerra do Paraguai (1864-1870) representou o maior conflito militar da história brasileira, contrapondo a Tríplice Aliança - composta por Brasil, Argentina e Uruguai - ao Paraguai. Os envolvidos não acreditavam que o embate fosse durar por tanto tempo e as estruturas internas dos quatro países saíram abaladas da Guerra. O início foi marcado, em dezembro de 1864, pela invasão do Paraguai ao território brasileiro, por decorrência de questões envolvendo comércio exterior e fronteiras, encerrando-se cerca de cinco anos depois, em março de 1870, com a morte do chefe do Estado paraguaio: Solano López.
Antes da Guerra o Paraguai buscava desenvolver-se economicamente de maneira independente, fechando seu mercado ao exterior e não havendo nenhuma dívida decorrente de empréstimos internacionais. Já os países da Tríplice adentraram o conflito com dívidas externas decorrentes de empréstimos externos. No entanto, em 1871, por consequência da Guerra, os quatro países encontraram-se endividados e o Paraguai foi obrigado a abrir seu mercado para conseguir sobreviver.
Como resultado final da Guerra, o Paraguai foi quase destruído por completo, sendo obrigado a abrir seu mercado, beneficiando principalmente os britânicos, que conseguiram não apenas entrar nesse mercado, mas também controlar economicamente os vitoriosos do conflito - a Tríplice Aliança. Além disso, Brasil e Argentina ficaram com grande parte do território paraguaio. Já o Uruguai, deixou o conflito sem ganhar nada. Além disso, o Império Brasileiro entrou em declínio por consequência da elevada dívida externa e do grande número de mortos resultantes da Guerra. Ao mesmo tempo, o Partido Republicano foi fundado.
Ao fim, o Paraguai perdeu grande parte de suas indústrias e de seu território - 140 mil quilômetros quadrados - além de parte da sua população - 200 mil pessoas. Com essas perdas o Brasil beneficiou-se, incorporando boa parte desse território e garantindo sua liderança na região platina, principalmente devido às relações fluviais estabelecidas com o sul do Estado do Mato Grosso. No entanto, a guerra trouxe muitas consequências: segundo fontes oficiais 23 917 pessoas morreram, no entanto, outras pesquisas apontam que esse número chega a 100 mil pessoas na realidade. O Brasil terminou o conflito com uma alta dívida externa com os ingleses, uma vez que realizou diversos empréstimos com o banco britânico, por consequência a inflação do país cresceu muito.
A Pintura de Pedro Américo cumpre a função ilustrativa de uma das batalhas ocorridas durante a guerra: A Batalha do Avaí.
A obra foi uma encomenda do Estado monárquico brasileiro, que buscava enaltecer seus feitos e construir uma identidade nacional, de início, ao pintor foi encomendada uma tela que retratasse a Batalha dos Guararapes, conflito que ocorreu em Pernambuco, entre 1648 e 1649, entre o exército da Holandês e os apoiadores do Império Português no Morro dos Guararapes. No entanto, Pedro Américo preferiu representar um tema mais contemporâneo, escolhendo retratar a Batalha do Avaí, sendo a Batalha dos Guararapes pintada por Victor Meirelles.
Ao aceitar realizar “A batalha do Avaí”, o pintor definiu que o valor da obra só seria estipulado depois que essa estivesse concluída para que fosse avaliada por especialistas. Ao fim da pintura os professores da Academia de Belas Artes de Florença a avaliaram em 115 mil contos de réis, no entanto Américo recebeu apenas 53 mil contos de réis do Império. Durante a exibição da obra em Florença, o pintor pediu a D. Pedro II que lhe concedesse uma parte do dinheiro da tela para que pudesse realizar uma exposição em Paris, no entanto o Imperador respondeu que quando estava viajando não era um monarca e nada podia fazer. Pedro Américo recebeu o dinheiro com dois anos de atraso, com pagamento efetuado através de cinco parcelas.
As dimensões da tela são monumentais e Pedro Américo não economizou tintas e projeção ao executar a obra “Batalha do Avaí”, buscando atender às expectativas do Estado monárquico brasileiro. Sua arte foi feita para impressionar e impactar com a semelhança do real.
A guerra do Paraguai foi o ápice e o início do declínio do Império, fato pelo qual muitos pintores da época sumiram após esse período. No entanto, Pedro Américo continuou sendo um pintor republicano,o que faz com que “Batalha do Avaí” possa ser entendida como republicana também, sendo ambivalente; uma vez que o quadro foi apenas pintado e exposto sete anos após o fim da guerra, quando o conflito já era questionado em relação as suas vantagens e desvantagens para o Brasil.
A obra foi produzida em uma época na qual a pintura histórica auxiliava a construção de uma identidade nacional, por isso é realista e impactante, pretende contar uma história de fato. Suas pinceladas acentuadas e exageradas nos movimentos, com detalhes realistas, podem ser influência das fotos de Muybridge, um fotógrafo inglês pioneiro nos estudos de movimentos e projeções. Ao realizar a obra em Florença, teve acesso às informações escritas e fotos estáticas de Muybridge, auxiliando-o e inspirando-o na composição dos movimentos hiper-realistas em “Batalha do Avaí”.
O fato de a tela ter sido feito sob encomenda fica evidente em diversas cenas. O exército brasileiro é sempre retratado como a imagem da civilização ocidental, por outro lado, o exército paraguaio é uma clara representação da barbárie. Os brasileiros se vestem com fardas militares, enquanto os paraguaios encontram-se descalços e com os torsos nus, sendo que em telas paraguaias, seus soldados nunca aparecem seminus.
Ainda assim, Américo apresenta cenas com as quais o Estado não estaria de acordo, demonstrando seu próprio lado republicano na pintura. A forte presença dos negros é o ponto onde o pintor coloca com mais clareza sua oposição ao Estado, uma vez que o Império buscava esconder qualquer aspecto que os associasse à escravidão. Tal presença na obra apresenta um caráter igualitário em relação aos brancos, sendo possível ver o próprio Pedro Américo representado na obra, lutando lado a lado com os soldados negros.
No ponto mais elevado da obra encontra-se o Estado brasileiro, de onde é possível enxergar a batalha com clareza. Nesse local, as luzes da tela incidem com maior força, dando destaque a esse espaço. À frente do Estado, apontando o braço para o centro do conflito, encontra-se o Duque de Caxias montado em seu cavalo branco. Sua farda está desabotoada, fato que causou muitas críticas negativas ao pintor, o próprio Duque, ao ver a obra, o Duque irritou-se, indagando: "Desejava saber onde o pintor me viu de farda desabotoada; nem no meu quarto!”. Américo afirmou que seu objetivo era evidenciar que em meio à guerra não existe decoro.
A bandeira do Brasil aparece rasgada, expondo os desgastes causados pela batalha. Os cavalos são o único sinal de ordem da cena, aparecendo organizados em fila por cor. Os outros elementos da tela apresentam o oposto de ordem, inclusive o céu, que aparenta ser um redemoinho. A cena é escura, representando o caos e os horrores da guerra. No primeiro plano os personagens estão em uma escala quase real, definidos pela cor cinza, já ao fundo ficam cada vez menores, até que se tornam apenas pinceladas da cor creme.
Ao contrário de muitos pintores que realizaram pinturas das batalhas da Guerra do Paraguai, Américo não foi até o local onde ocorreu o conflito, a obra foi realizada e desenvolvida inteiramente em Florença, na Itália, o que só foi possível com o auxílio do Duque de Caxias. O pintor manteve-se em contato com o Duque por correio, o qual enviava cartas com seus relatos da guerra e documentos, além de uniformes militares para ajudar na construção fiel da obra. Apesar do realismo contido na obra, alguns aspectos da Batalha não são verossímeis, como o fato de o exército brasileiro estar intacto e seco, sendo que chovia torrencialmente.
Todas as técnicas que o pintor aprendeu na Academia de Belas Artes encontram-se na obra, principalmente no que diz respeito à concepção de figuras. A composição dos cavalos demonstra seus conhecimentos de perspectiva e desenho, já a maneira como os homens estão representados demonstra seus estudos da anatomia.
“Batalha do Avaí” foi considerada uma obra de mau gosto acadêmico pela crítica durante todo o século XX. Alegavam que Pedro Américo era conservador e seguia demais as regras ultrapassadas da academia, apenas por não seguir a corrente da época, quando na verdade estava à frente de seu tempo.
O pintor também chegou a ser acusado de plágio por causa do cavalo do Duque de Caxias. Críticos afirmavam que era uma cópia do animal encontrado no quadro “Napoleão em Arcole”, do pintor italiano Andrea Appiani. Se a obra foi de fato copiada, isso nunca foi provado. Apesar de existirem aspectos semelhantes, todos os artistas acadêmicos da época seguiam um certo padrão e modelo. O caso atraiu muita atenção da imprensa na época, gerando a "Questão artística de 1879", levando Pedro Américo a escrever o "Discurso Sobre o Plágio", no qual afirmou que inventar novas formas não era o mais importante na arte, mas sim continuar aperfeiçoando as técnicas já existentes.
Ao ser exposta pela primeira vez, no Salão de 1879, a obra “Batalha do Avaí” destacou-se, ao lado de “Batalha dos Guararapes”, de Victor Meirelles. Estando lado a lado as comparações entre elas eram inevitáveis. Ambas foram muito polêmicas, sendo acusadas de não representar fielmente a história ou de idealizar os acontecimentos, uma vez que no meio acadêmico a precisão histórica passara a ser exigida com rigor.
A obra de Pedro Américo enfrentou resistência por sua “falta de unidade”, enquanto a de Meirelles era criticada por não possuir o tom necessário de uma batalha. No entanto, as críticas a Américo não eram apenas negativas, como aponta o texto publicado na Revista Illustrada, em 5 de abril de 1879: “Continua aberta a exposição de belas artes, sendo as “Batalhas do Avaí” e “Guararapes” os dois quadros para os quais se voltam todas as atenções. Ao lado, quase sempre, um do outro, (...) formam um verdadeiro contraste. Enquanto o quadro do Sr. Victor impressiona pela falta de ação, pela paralisia de quase todos os personagens, na “Batalha do Avaí” tudo se move, tudo tem vida, todos se batem.”
O espectador, ao olhar para as duas pinturas, sentia-se transportado para os eventos os quais representavam. Além de se tratar de obras grandes quanto às suas dimensões, abordavam os temas com expressividade e agressividade, retratando momentos marcantes da história militar brasileira.
No entanto, ao contrário da maior parte das críticas que Américo recebeu no Brasil, na Europa a obra foi vista como uma inovação dentro de um gênero já considerado antigo.
Pedro Américo Figueiredo e Melo (Areia - Paraíba, 29 de abril de 1843 — Florença, 7 de outubro de 1905) foi um poeta, romancista, filósofo, político, professor e pintor brasileiro. Era um dos seis filhos de Daniel Eduardo de Figueiredo e Feliciana Crime.
O marco de sua vida artística ocorreu em 1852, quando Pedro Américo conheceu Louis Jacques Brunet, um naturalista francês que foi a Areia para estudar o solo da Paraíba. Encantado com o menino, levou-o como desenhista em sua expedição, por dois anos, passando pela Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Preocupado com o desenvolvimento de seu talento e sua educação, o francês enviou dois desenhos feitos por Américo ao Presidente da Província, junto a uma carta que pedia que o Governo ficasse encarregado de sua educação. O Presidente da Província interessou-se pela causa, encaminhando o menino para a Corte. Com apenas 11 anos de idade, em 1853, mudou-se da Paraíba para o Rio de Janeiro, onde foi matriculado no Colégio Pedro II. Em uma visita do Imperador ao seu colégio, Américo fez um desenho desse sentado na escada e lendo um livro, tal desenho foi levado ao próprio Imperador, o qual matriculou o jovem na Academia Imperial Belas Artes em 1856, esse concluiu o curso em apenas dois anos.
Aos 15 anos de idade, em 1858, pediu ao Imperador que o concedesse uma bolsa de estudos na Europa, buscando aperfeiçoar sua pintura. Na época disse: "agora tenho os conhecimentos que para a Pintura poderia receber da dita Academia, para prosseguir na minha carreira indispensável é uma viagem á Europa, e como a Academia não me pode facultar os meios necessários para esta viagem, por ter ela preenchido o número de pensionistas, venho confiado na extrema bondade de Vossa Majestade Imperial solicitar a graça de me mandar particularmente acabar meus estudos na Europa, impondo-me qualquer condição que será por mim aceita". Com a bolsa concedida pelo Imperador, partiu em direção a Paris para estudar na École National Superiéure des Beaux-Art (Escola Nacional Superior de Belas Artes)., estudando com Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780 - 1867), Hippolyte Flandrin (1809 - 1864) e Carle-Horace Vernet (1789 - 1863).
Durante sua formação na França realizou diversas obras, recebendo um prêmio por seu estudo da figura humana. Ao fim do curso, em 1864, realizou A Carioca, quadro pelo qual recebeu a medalha de ouro na Exposição Geral de 1866. Ao fim de seus estudos retorna ao Brasil para ocupar a Cadeira de Desenho Figurado na Academia Imperial Belas Artes. Ocupou esse cargo no período de 1865 a 1890, pedindo transferência para a Cadeira de História da Arte, Estética e Arqueologia. Por pedir inúmeras licenças da Academia, afastou-se definitivamente no ano de 1890. Ao se aposentar da Academia, em 1890, mudou-se para Florença, local onde já havia realizado a exposição da Batalha do Avaí, encomendada pelo Ministério do Exército, em 1877. A obra foi exposta novamente na Exposição Geral de Belas Artes, em 1879, ao lado de Batalha dos Guararapes, de Victor Meirelles.

Primeira Missa no Brasil, Santa Cruz Cabrália, Bahia, Brasil (Primeira Missa no Brasil) - Victor Meirelles

                                           

Primeira Missa no Brasil, Santa Cruz Cabrália, Bahia, Brasil (Primeira Missa no Brasil) - Victor Meirelles
Santa Cruz Cabrália - BA
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil
OST - 268x356 - 1860





Primeira Missa no Brasil, óleo sobre tela do gênero de pintura histórica, é considerada a primeira grande obra do pintor brasileiro Victor Meirelles. A tela foi feita entre 1859 e 1861, em Paris, durante o período em que o artista viveu na Europa graças a uma bolsa de estudos concedida pela Academia Imperial de Belas Artes. Com 9 m2, Primeira Missa no Brasil foi inspirada na carta escrita por Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal descrevendo a primeira missa feita no país. O estilo de pintura adotado por Meirelles é influenciado por padrões estéticos europeus que buscam a criação de figuras heroicas e exaltação da natureza. A natureza estética da obra se relaciona com o momento de afirmação do Estado Nacional e da construção de identidade brasileira também nas artes visuais.
O quadro se tornou uma das telas mais populares e reconhecidas do país e, exposta no Salão Oficial de Paris em 1861, foi a primeira tela brasileira a participar em uma mostra internacional de relevância. A obra também conferiu a Meirelles o grau de cavaleiro Imperial da Ordem da Rosa e o cargo de professor honorário da Academia de Belas Artes.
A grande dimensão da tela, 2,70 por 3,57 metros, é característica comum às pinturas históricas, gênero em que Primeira Missa no Brasil está inserida. O quadro representa a primeira missa celebrada no Brasil a partir dos relatos de viagem feitos por Pero Vaz de Caminha. Nele, o momento é representado em uma organização circular em torno da figura principal, o Frei Henrique de Coimbra, que ocupa também o centro físico da tela em um gesto de erguer o cálice. Os grupos que Meirelles representa, índios e portugueses, estão diferenciados tanto por suas características físicas quanto por sua atitude diante da missa. Enquanto os portugueses se ajoelham e mantém uma postura séria diante do altar, os índios se dispõe entre as árvores e o chão, conversam e esboçam estranhamento causado pelo acontecimento. Apesar das diferenças entre os grupos, todos assistem à missa harmoniosamente e evidenciam respeito e concentração durante a cerimônia.
O núcleo central da obra, em que se encontra o altar que sustenta a cruz de madeira, foi inspirado na obra de Horace Vernet, a Primeira Missa em Kabylie. O artista francês se tornou uma das grandes referências de Meirelles para a construção da obra, mas o pintor brasileiro de distância de Vernet ao optar por retratar a cena com mais leveza. A iluminação principal também incide no núcleo central, deixando o primeiro plano, composto pelos índios, em uma área de sombra. Já a paisagem, que compõe principalmente o fundo da tela, também chega ao primeiro plano, em que faz parte da cena envolvendo as figuras que participam do ritual. A natureza retratada é própria do nordeste brasileiro e os índios, apesar de estamparem pinturas corporais, são representados de forma idealizada e sem indicações de uma etnia específica.
Primeira Missa no Brasil foi executado em um momento em que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1838, junto à Academia Imperial de Belas Artes, buscava estabelecer mitos fundadores da história do país. Baseado em experiências jesuíticas, o conceito de nação que se buscava narrar caminhava com a ideia de um processo civilizador como forma de assegurar o controle do Estado sobre populações indígenas. Meirelles foi influenciado por esse sistema de criação de referências visuais, em especial na pintura histórica, a partir de pesquisas de documentos históricos e da construção de personagens heroicos e de fundos de tela com elementos que exaltam a natureza.
A obra foi realizada no período em que Victor Meirelles viveu na Europa graças a uma bolsa de estudos concedida para aprimorar seus conhecimentos acadêmicos. Manuel Araújo Porto Alegre, então diretor da Academia Imperial de Belas Artes, sugeriu o tema do mito fundador do Brasil com o interesse de obter apoio governamental para promover o desenvolvimento das Belas-Artes no país. O pintor, então, utilizou como grande referência a Carta de Pêro Vaz de Caminha, documento que relata suas impressões sobre o Brasil e que descreve a primeira missa realizada no país.
Primeira Missa no Brasil é considerado por alguns teóricos o precursor das pinturas de caráter histórico no Brasil. Uma das características desse gênero é a verossimilhança, ou seja, tem-se a pretensão de reproduzir uma cena tal qual ela aconteceu. Mas além das características das pinturas históricas, Meirelles foi influenciado pelo quadro Primeira Missa em Kabylie, de Horace Vernet. A análise minuciosa do quadro francês, apresentado no Salão de Paris em 1955, foi motivada por ser uma referência em que o artista foi testemunha ocular da cena: Vernet assistiu à missa que celebrava a colonização francesa na África do Norte. A obra francesa carregava uma legitimidade nos parâmetros da pintura histórica que inspirou o pintor brasileiro.
O quadro, considerado a primeira grande obra de Meirelles, se tornou uma das telas mais populares do Brasil e aparece recorrentemente em materiais didáticos de História. A importância que Primeira missa no Brasil tem foi reconhecida no ano seguinte em que foi concluída, quando, em 1861, foi exposta no Salão Oficial de Paris. Foi a primeira vez que um artista brasileiro participou de uma mostra internacional com a relevância que o Salão possui, marcando não só a carreira de Meirelles, mas também a da Academia Imperial.
Junto a outras obras de Pedro Américo, como o Grito do Ipiranga e Batalha do Avaí, e a outras do próprio Meirelles, como Batalha dos Guararapes, A Primeira Missa no Brasil faz parte de um grupo de representações românticas da história nacional. O tema 'Primeira Missa' possui uma iconografia extensa no continente americano e foi retomado no período da República no Brasil como um marco fundador da criação de cidades. Era uma maneira de enfatizar histórias regionais. A obra de Meirelles tinha o objetivo de ser um marco fundador não somente de uma região do país, mas do Brasil em si, e a grande circulação de sua obra a coloca como elemento importante do imaginário coletivo da história nacional.
Como representação plástica de um acontecimento, os elementos que constituem a nacionalidade na obra foi objeto de investigação acadêmico. Primeira Missa no Brasil, em um primeiro momento, sugere que a nação é fundada no momento em que os portugueses instituem o catolicismo no país, característica que contribui para a ideia de um surgimento da nação a partir de uma ação civilizatória. A harmonia entre os representados na tela também sugere uma ideia de igualdade e contribui para a criação de outro aspecto da identidade nacional: que a construção de seus símbolos são uma ferramenta de contenção de revoltas.
Depois de sua primeira exposição em 1861 no Salão de Paris, em maio de 1876 a obra volta a ser exposta no exterior. Enviada junto a outras duas obras de Meirelles, Passagem de Humaitá e Combate Naval de Riachuelo, Primeira Missa no Brasil ficou exposta na seção de Belas Artes da Exposição da Filadélfia, nos Estados Unidos. Além da recepção em exposições internacionais, a obra conferiu a Victor Meirelles o grau de cavaleiro Imperial da Ordem da Rosa e o cargo de professor honorário da Academia de Belas Artes.
Em 2013, o quadro fez parte da exposição de longa duração Quando o Brasil Amanhecia, do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, na Galeria de Arte Brasileira do Século XIX.
A primeira missa no Brasil foi celebrada por Henrique de Coimbra, frade e bispo português, no dia 26 de abril de 1500 (6 de maio, no calendário atual), um domingo, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia.
Foi um marco para o início da História do Brasil e descrita por Pero Vaz de Caminha em Carta a El-Rei D. Manuel, que enviou ao rei de Portugal, D. Manuel I (1469-1521), dando conta da chegada ao Brasil, então Ilha de Vera Cruz, pela armada de Pedro Álvares Cabral que se dirigia à Índia.
Participaram da missa os portugueses que faziam parte da expedição, cuja maioria era composta por marinheiros. Cabral e Caminha também estavam presentes. Pero Vaz de Caminha fez este relato interessante:
“Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.
Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.
Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.
Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço.”
Aparentemente alguns indígenas acompanharam pacificamente a missa católica, parecendo copiar os movimentos feitos pelos portugueses, como o de se sentar. Este fato, fez com que Caminha concluísse que a futura conversão dos nativos ao catolicismo seria uma missão fácil e tranquila.
Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.
“Quem sabe desses infantis visitantes guardarão tão profunda impressão do que ali observaram, que ainda um dia virão por ele atraídos fazer parte de nossa comunhão nacional?”
O dia é ainda marcado como feriado, em Portugal, no município de Belmonte, terra natal de Cabral.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

St. James's Park, Londres, Inglaterra - Daniela Fernandes


                                           
St. James's Park, Londres, Inglaterra - Daniela Fernandes
Londres - Inglaterra
Fotografia 

Nota do blog: Imagem de 2017

As Duas Irmãs (Les Deux Soeurs) - Pierre Auguste Renoir

                                               
As Duas Irmãs (Les Deux Soeurs) - Pierre Auguste Renoir
The Art Institute of Chicago Estados Unidos
OST - 100x81 - 1881


As Duas irmãs ou O Terraço (francês: Les Deux Sœurs ou Sur la terrasse) é uma pintura a óleo sobre tela do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir datada de 1881. A designação Les Deux Sœurs foi atribuída por Renoir, e a Sur la terrasse pelo seu primeiro proprietário, Paul Durand-Ruel.
Renoir trabalhou na pintura no terraço da Maison Fournaise, um restaurante localizado numa ilha no rio Sena, em Chatou, um subúrbio ocidental de Paris. A obra mostra uma rapariga e a sua irmã mais nova, sentadas no exterior, com um pequeno cesto que contém rolos de lã. Sobre os corrimãos do terraço, pode observar-se arbustos e folhagens com o rio Sena por trás deles.
Jeanne Darlot (1863—1914), uma futura atriz com 18 anos na altura, era a "irmã mais velha". Não se sabe quem posava como "irmã mais nova", mas pensa-se que as duas meninas não tinham qualquer laço familiar entre si.
Renoir começou a pintar este trabalho em Abril de 1881 e, em 7 de Julho de 1881, foi comprado pelo negociante de arte Paul Durand-Ruel, por 1500 francos franceses. A pintura foi exibida pela primeira vez ao público na 7.ª Exibição Impressionista na Primavera de 1882. Em 1883, sabe-se que estava na coleção de Charles Ephrussi, um negociador de arte e editor, mas em 1892 a pintura foi devolvida à coleção da família Durand-Ruel.
Em 1925, o quadro foi vendido a Annie S. Coburn de Chicago por 100 000 USD. Após a sua morte em 1932, a pintura foi legada ao Art Institute of Chicago, onde se encontra desde 1933.
No quadro, é possível verificar uma característica marcante das obras de Renoir: a criação harmoniosa utilizando a natureza. Exposta na 7ª Exibição Impressionista na Primavera de 1882, mostrou a junção do impressionismo do autor com efeitos de luz por meio de suas pinceladas.
“He loves everything that is joyous, brilliant, and consoling in life,” an anonymous interviewer once wrote about Pierre-Auguste Renoir. This may explain why Two Sisters (On the Terrace) is one of the most popular paintings in the Art Institute. Here Renoir depicted the radiance of lovely young women on a warm and beautiful day. The older girl, wearing the female boater’s blue flannel, is posed in the center of the evocative landscape backdrop of Chatou, a suburban town where the artist spent much of the spring of 1881. She gazes absently beyond her younger companion, who seems, in a charming visual conceit, to have just dashed into the picture. Technically, the painting is a tour de force: Renoir juxtaposed solid, almost life-size figures against a landscape that—like a stage set—seems a realm of pure vision and fantasy. The sewing basket in the left foreground evokes a palette, holding the bright, pure pigments that the artist mixed, diluted, and altered to create the rest of the painting. Although the girls were not actually sisters, Renoir’s dealer showed the work with this title, along with Acrobats at the Cirque Fernando and others, at the seventh Impressionist exhibition, in 1882.

Claude Monet Pintando no seu Jardim em Argenteuil, França (Claude Monet Peignant dans son Jardin à Argenteuil) - Pierre Auguste Renoir

                       
Claude Monet Pintando no seu Jardim em Argenteuil, França (Claude Monet Peignant dans son Jardin à Argenteuil) - Pierre Auguste Renoir
Argenteuil - França
Wadsworth Atheneum Hartford Estados Unidos
OST - 46x59 - 1873

Costa Amalfitana, Itália (Costa Amalfitana) - Cândido Oliveira


Costa Amalfitana (Costa Amalfitana), Itália - Cândido Oliveira
Costa Amalfitana - Itália
Coleção privada
OST - 50x70

Campo de Flores (Campo de Flores) - Cândido Oliveira

                                                   
Campo de Flores (Campo de Flores) - Cândido Oliveira
Coleção privada
OST - 120x160