terça-feira, 17 de setembro de 2019

Caça AMX Completa 30 Anos em Operação na Itália

Caça AMX Completa 30 Anos em Operação na Itália
Artigo




Um dos raros aviões de ataque leve atuais que foi projetado originalmente para essa função, o ítalo-brasileiro AMX completará 30 anos da primeira entrega de uma unidade de produção para a Força Aérea da Itália em outubro.
O marco foi motivo de um evento de comemoração da Aeronautica Militare no dia 13 de setembro na base aérea de Istrana, no nordeste do país e que contou com a presença de representantes da Força Aérea Brasileira, a outra operadora do jato – que na Itália é chamado de “Ghibli” (um vento que sopra no norte da Líbia).
Quatro aeronaves pertecentes ao 132º Gruppo (esquadrão) receberam pinturas alusivas à data e participaram do evento que também contou com a esquadrilha Frecce Tricolori.
O AMX surgiu no início dos anos 70 como um avião de ataque e reconhecimento capaz de substituir os Fiat G.91Y e F-104 da Força Aérea Italiana então em uso. A intenção era estimular a indústria aeronáutica do país para reduzir a dependência de importações e por isso coube às fabricantes locais Aeritalia e Aermacchi participarem da concorrência.
A boa aceitação do G.91Y, que foi exportado para a Alemanha e Portugal motivou a Aeritalia e Aermacchi, então sócias no projeto, a aceitar a participação da brasileira Embraer, que havia montado o treinador MB.326 (Xavante) sob licença e desejava fornecer um avião similar para a Força Aérea Brasileira.
O AMX tornou-se um avião de projeto bastante ortodoxo, com asas altas e cauda convencional, além de motor turbofan Rolls Royce Spey e velocidade subsônica. O jato mostrou boa capacidade de armamentos, mas nasceu especifíco para missões de ataque e função secundária de reconhecimento, ao contrário de outras aeronaves da época, mais versáteis e supersônicas.
A vantagem estava na sua simplicidade de manutenção e robustez e a meta de exportá-lo para outros países era parte importante do programa. Porém, o jato acabou sendo encomendado apenas pela Itália (136 unidades, sendo 26 de dois assentos) e o Brasil, que encomendou 79 jatos, mas reduziu o pedido para 56 aeronaves.
Atualmente, a Força Aérea Italiana possui 35 AMX monopostos 5 modelos de dois lugares e que foram modernizados em 2012 pela Leonardo com a instalação um sistema de navegação por GPS bem como armamento guiado por esse sistema e novos displays multifunção. A carreira do Ghibli na Itália incluiu missões na Sérvia, Afeganistão e Líbia, mas o jato deverá ser aposentado nos próximos anos, substituído pelo F-35.
Já no Brasil, o AMX, que teve a primeira unidade entregue em 1990, opera atualmente em dois esquadrões baseados em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, desde 2016. Segundo o censo da revista Flight Global, restam 47 unidades ativas, das 56 recebidas. Uma unidades de dois assentos, A-1B, foi perdida em um acidente em abril deste ano.
Assim como os italianos, a FAB também iniciou um processo de modernização da aeronave para o padrão A-1M contratado junto à Embraer. As principais alterações tecnológicas da aeronave foram os novos sensores de busca por infla-vermelho e o radar “multi-modo”, que pode atuar em busca de aviões ou mapeando o terreno por onde voa. Esses equipamentos permitem ao A-1M “enxergar” até 80 km à frente e disparar suas armas com precisão.
No entanto, apenas três aeronaves foram modernizadas para esse padrão, a primeira entregue em 2013. Três anos depois, por contenção de custos, o governo federal cortou os recursos destinados ao programa. Apesar disso, o A-1 deve permanecer operacional por mais tempo no Brasil, comprovando sua resistência e boa folha de serviços.

Praça do Patriarca, São Paulo, Brasil





Praça do Patriarca, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
N. 17
Fotografia - Cartão Postal

À esquerda, o Palacete Lutetia e a Casa Fretin, ambos localizados na esquina com a Rua São Bento. Ao fundo, a Rua da Quitanda.
No centro da imagem, a segunda casa do Barão de Iguape, que entre 1919 e 1939 sediou a Mappin Stores. Foi demolida em 1956 para a construção do edifício Barão de Iguape, antiga sede administrativa do Unibanco, inaugurada em 1959.
À direita, a loja “A Capital”, localizada na esquina da Rua Direita com a Rua São Bento.
Data da foto entre o final da década de 20 e o início da década de 30.

Edifício Martinelli e o Monumento a Verdi, 1930, São Paulo, Brasil


Edifício Martinelli e o Monumento a Verdi, 1930, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Prugner N. 100
Fotografia - Cartão Postal


Edifício Martinelli fotografado da Praça Giuseppe Verdi, ainda podemos ver o Monumento a Verdi, Maio de 1930.
A remoção do monumento e a destruição da Praça Giuseppe Verdi deu-se em razão de em 1947 iniciarem as obras da construção da Avenida que iria conectar a avenida Tiradentes ao Vale do Anhangabaú, com a inclusão do famoso “Buraco do Adhemar”.
Hoje o Monumento está no Vale do Anhangabaú na direção do Teatro Municipal.

Austin-Healey 3000 MKIII Convertible 1964, Inglaterra















Austin-Healey 3000 MKIII Convertible 1964, Inglaterra
Fotografia


1964 Austin-Healey 3000 MkIII Convertible
Registration no. not UK registered
Chassis no. HBJ8L-25899
*Imported from the USA in 2015
*Previously resident in California
*Body off restoration between October 2016 and December 2017
*Matching numbers
"Competition? The 3000 spoils for it. It's the only British sports car ever to have won the Liège-Rome-Liège Rally, which is probably the most destructive test of them all. It's also the only British sports car ever to have won it twice!" – Austin Motor Co Ltd.
Launched at the New York Motor Show in March 1959, the Austin-Healey 3000 retained the muscular good looks of its 100/6 predecessor while providing a useful increase in performance thanks to a larger-capacity version of the long-established C-Series engine. Over-bored to 2,912cc, the latter produced 124bhp, good enough for a top speed of 114mph with the optional hardtop in place. Otherwise, the car was much as before, though Girling front disc brakes were a welcome improvement. Introduced in 1961, the MkII in Convertible form brought improved practicality courtesy of a fixed foldaway top and winding windows. From now until the end of production the only 3000 model available would be the 2+2, the less popular two-seat version having been dropped.
The 3000 MkIII with 148bhp engine appeared early in 1964, to be followed later in the year by the Phase II version with revised rear suspension. Top speed was now 121mph and the 0-60mph time dipped below 10 seconds. Despite the antiquity of the basic design, the Big Healey remained as popular as ever, though increasingly stringent safety and emissions legislation meant that its days were numbered. Today the Big Healey family enjoys an enthusiastic following and is catered for by a worldwide industry of spare parts and service providers.
This left-hand drive MkIII 'Phase I' was imported from the USA in March 2015 and acquired from a German dealer by the present owner in November of that year. Related import documentation and a bill of sale are on file together with a State of California Certificate of Title issued in 1970. Following its importation the Healey was treated to a comprehensive 'body off' restoration, commencing in October 2016 and finishing in December 2017, and comes with numerous restoration photographs on a USB stick. Sold only because the current owner is thinning out his collection, this beautiful Big Healey is ready for the next fortunate owner to enjoy.
Fonte: https://www.bonhams.com/auctions/25454/lot/206/?fbclid=IwAR3COUSyPUKos9KUgLTZKAhq8VqMJSO9nDiLkmVx7b-emc1kn03JD1lupzY

Bugatti Type 23 "Brescia" Open Tourer 1924, França

















Bugatti Type 23 "Brescia" Open Tourer 1924, França
Fotografia


1924 Bugatti Type 23 'Brescia' Open Tourer
Registration no. not UK registered
Chassis no. 2064
* Delivered new to Australia
* Complete known ownership history from new
* Restored in the 1970s
* Present ownership since 1985
* Enthusiastically used and well maintained
Arnold H Wootton was a prominent figure in the motor sports community in Australia's south eastern state of Victoria when he took delivery of this car, one of the first batch to come to Australia via Bugatti's London agent, Colonel W L Sorel, having been delivered from the factory on 5th May 1924. Shortly after its arrival the Bugatti took part in a hill climb at Malpas Hill, Mount Ridley on Saturday 4th October 1924. The Brescia was second fastest to Cooper's ex-Goux French Grand Prix Ballot 2LS in the owner/driver event and was just beaten by Whitehead's similar Brescia in the open event.
In 1926, second owner Marjory Honeybone was given the car as an eighteenth birthday present by her husband, Ken. The Bugatti then had three further owners – John L Mundy, Keith R McConachy, and Henry B Thomas, in that order – before being taken to and registered in Victoria in 1943 by Bryan Butler. A prominent New South Wales Bugatti owner and partner in Nolan & Butler, motor trim suppliers with a branch in Melbourne, Bryan Butler used the car regularly in VSCC competition in New South Wales immediately after WW2 alongside '2566', the two cars being shared with his brother, John.
'2064' was returned to Victoria in the early 1950s and next owned by Bon Batchelor followed by Graeme Steinfort. Complete but in poor condition, it was beautifully restored in Victoria in the 1970s by John Porter. Since 1985 the Bugatti has been owned and regularly used by the current owner, noted marque authority Peter McGann, author of Brescia Bugatti and co-author with Bob King of Bugattis in Australia and New Zealand 1920-2012.
A much loved car equally at home on the highway or on its way to the local coffee shop, '2064' has benefited from considerable restoration works since its acquisition some 34 years ago. Not the least of these was the removal of the 'bridge' behind the front seats, which restricted legroom for both driver and passenger. This was done circa 2000 when further changes were made to the body frame to increase the internal width of the passenger compartment. At the same time new bucket seats were installed; the body re-skinned with fresh fabric; the interior re-trimmed; and the car re-sprayed.
In 2015 the engine (number '481') was completely dismantled, with any worn or defective parts replaced prior to re-assembly. Prior to 2015 a new camshaft of slightly higher performance than standard had been fitted; the valve gear overhauled; new 'banana' tappets fitted; a new oil pump installed; and both magnetos rewound (original components with car). The running gear too has benefited from regular maintenance over the years. Components renewed include the crown wheel and pinion; rear brake back plates; wheel bearings; brake drums and linings; clutch plate set and thrust bearing; wheel bearings; and tyres (a fully detailed list of all works is available).
Included with the car are two packages. One contains many of the original parts that have been replaced over the years, while the other contains the following books: a copy of the original chassis handbook as issued by the factory; a copy of the Brescia spare parts book; a copy of Brescia Bugatti, a copy of Bugattis in Australia and New Zealand 1920 to 2012; and a copy of Bugatti Passion (the history of the Bugatti Club in Australia).
Fonte: https://www.bonhams.com/auctions/25454/lot/208/?fbclid=IwAR0j0iLMnYExbQAZBp-4FXB_lcdTcHFpjf4GyZ9x_ZL2ttPpMJt7KuDKyT4

Cadillac Series 61 Convertible Sedan 1941, Estados Unidos

















Cadillac Series 61 Convertible Sedan 1941, Estados Unidos
Motor: 346/150HP
Exterior: Cinza
Interior: Vinho
Fotografia


HIGHLIGHTS
1 of 400 produced
Final year for Cadillac 4-door convertible production
Comprehensive restoration completed in 2007
346/150 HP L-head V-8 engine
Optional Hydra-Matic transmission
Gray with Burgundy leather interior
Art Moderne instrument panel
Flying Goddess mascot
Sealed beam headlamps
Fender skirts
Full size wheel covers
Wide Whitewall tires
LaSalle faded into the annals of history, as did the famed and fabled Cadillac V-16, as a production streamlining exercise took place at the Wreath and Crest in the latter part of the 1930s and the early 1940s. The 1941 model year would be the last for Model 62290, the esteemed four-door convertible—a mere 400 examples would be sold that year. Interestingly, in spite of the low number of convertible sedans sold, it would be a record-setting year for Cadillac with more than 65,000 cars sold in total. The convertible sedans were hand built using modified body panels from the sedan, lending the car a “semi-custom” quality, almost akin to coachbuilt cars from years prior. This one, a 1941 Cadillac Series 61 Convertible Sedan, benefits from a comprehensive restoration completed in 2007. Propelled by the 346/150 HP L-head V-8 engine and optional Hydra-Matic transmission, the Cadillac is cloaked in gray paint that offers a degree of subtle elegance and provides some restraint against the brightwork, including the famous Flying Goddess hood mascot. Bold yet elegant, this generation offered imposing styling that set it apart from many other cars of the era and set design trends that would span for generations to come, such as the egg-crate grille. The rear fenders are adorned with rubber stone guards, fender skirts and chrome design stripes while full-size wheel covers cap all four wheels, which are wrapped with wide whitewall tires. Sealed-beam headlights light the way and alert others to the massive car’s position on the highway while occupants enjoy being coddled in an environment of burgundy leather upholstery, overstuffed seats and amenities aplenty, such as would be expected by a Cadillac. While it was an era of final moments, it was also an era of new beginnings. Discovering such a rare Cadillac as this with the unique color combination and extensive restoration is indeed a treat.
Fonte: https://www.mecum.com/lots/CA0819-380888/1941-cadillac-series-61-convertible-sedan/?fbclid=IwAR1Ch0M3kFMiHTa1YoD9tz84_LV3_heMwF5qZDJFmUO9f0-X039mPyEEQ3k

O Cambista e sua Mulher (The Moneylender and his Wife) - Quentin Matsys


O Cambista e sua Mulher (The Moneylender and his Wife) - Quentin Matsys
Museu do Louvre Paris
Óleo sobre madeira - 70x67 - 1514

O Cambista e sua Mulher é uma pintura a óleo sobre madeira de 1514 pelo mestre flamengo da Renascença Quentin Matsys (1466-1530), medindo 71 cms de altura e 68 cms de largura e que se encontra atualmente no Museu do Louvre, em Paris.
Sendo talvez a obra mais conhecida de Quentin Massys, O cambista e a sua mulher é também uma das primeiras cenas de quotidiano da história da arte. Está representado um cambista na sua loja, ou oficina, a pesar moedas, tendo ao seu lado a esposa que parece mais interessada no dinheiro do que no livro de oração que está a folhear.
A pintura parece querer representar subtilmente o conflito entre avareza e oração, correspondendo à introdução na obra de Massys de uma nova nota satírica. O estilo é uma reminiscência dos primitivos flamengos, embora a figura humana tenha ganho monumentalidade. Quentin Metsys parece ter voltado ao tema seis anos mais tarde com um quadro com personagens grotescas intitulado Os Usurários.
A interpretação linear de que se trataria de um duplo retrato parece de rejeitar. Mesmo que a comparação com O Casal Arnolfini, pintado por Jan van Eyck cerca de um século antes, seja tentadora, e sendo certo que o género do retrato privado se difundiu a partir do século XV na Europa, a falta de identificação precisa das duas figuras representadas, bem como o tipo arcaico para a época das suas roupas deve levar a refutar essa primeira hipótese de ter sido uma encomenda privada de um burguês.
O quadro poderia, por outro lado, evocar uma cena do quotidiano, representando uma atividade da vida diária num ambiente realista, ou seja, uma operação de câmbio no escritório de um cambista de uma cidade comercial da Flandres do Renascimento, como sugere o título aceite pelo Louvre. Os numerosos detalhes realistas reminiscentes de um universo familiar ao pintor flamengo, mestre na guilda de pintores de Antuérpia desde 1491, poderia conduzir nessa direção.
Os inúmeros objetos compõem uma autêntica natureza-morta, como o livro de iluminurasjarrasouro e joias, além do espelho que está em primeiro plano. O reflexo deste permite ver algo que está fora da imagem visível diretamente no quadro. Este detalhe, que exibe o virtuosismo do pintor, apareceu noutras pinturas flamengas anteriores, como O Casal Arnolfini (1434) de Jan van Eyck, o Díptico da Virgem com Maarten van Nieuwenhove (1487) de Hans Memling, e Um ourives na sua loja (1449) de Petrus Christus.
Se o quadro representa uma cena de interior, o espelho convexo colocado sobre a mesa e voltado para a esquerda do espectador, reflete uma janela dividida em cruz que se abre para o exterior. Os dois vitrais superiores têm no centro duas cruzes de quatro lóbulos, uma vermelha e a outra azul. No painel esquerdo inferior, há, elevando-se acima das árvores, a torre gótica de uma Torre sineiraelemento arquitetônico típico da Bélgica e do norte da França. A forma esbelta deste último evoca também o campanário da Catedral de Antuérpia, mas sem se reportar a ela exclusivamente.
A Flandres, e especialmente as cidades de Antuérpia e de Bruges, eram no início do século XV importantes centros económicos, cruzamento comercial entre o Norte e o Sul, onde se encontravam mercadores e banqueiros vindos de toda a Europa. Esta atividade frenética de comércio levou ao desenvolvimento da atividade de banqueiro e do câmbio das moedas de diferentes países.
À frente do homem, no canto inferior esquerdo da pintura, encontram-se vários objetos representativos da sua atividade. Notamos um taça facetada de cristal com embutidos de metal, uma bolsa de pano preto aberta revelando pérolas, bem como um rolo de papel em que estão enfiados quatro anéis com pedras preciosas, alternadamente vermelhas e verdes. Estes objetos colocados sobre a mesa, ao lado de uma pilha de moedas de ouro de diferentes proveniências sugerem a conversão deles em dinheiro vivo.
Em frente do homem está um amontoado de moedas de vários países e épocas. Podem ser identificados, graças à perfeição realista do pintor, o anverso de um Escudo de ouro do Reino da França, moeda reconhecível pelo escudo enquadrando três lírios e encimado por uma coroa e o anverso de um Augusto de Frederico II, imperador alemão do século XIII.
Numa época em que a moeda fiduciária ainda não estava difundida, e num contexto de comércio internacional, o valor das moedas e o seu câmbio dependia do peso dos metais preciosos nelas contido, principalmente de ouro. Assim, a sua circulação não dependia nem do local de emissão, nem da época em que tinham sido cunhadas.
É ambígua natureza exata da operação representada na pintura, o que levou à hesitação na atribuição do título à obra, não permitindo a decisão a favor de uma outra atividade. O espelho convexo, mostra claramente um cliente postado em frente da mesa, e cujo braço descansa na borda da janela. Mas o que espera este precisamente? Veio trocar valores (vaso, pérolas, anéis) por moedas que o comprador pesaria uma a uma, a que está na balança, a que segura na mão e as duas sobre a mesa, uma sobre a outra que estão mais perto do cliente? Ou, pelo contrário, é uma transação e um movimento inversos, em que o cliente vem com as suas moedas, que colocou sobre a mesa, e que o vendedor verifica uma por uma, antes de juntá-las à sua pilha? Ainda assim, o centro de interesse do quadro, o que atrai os olhos dos três personagens, é o ouro, fazendo quase esquecer que se trata apenas de um sexto da superfície da obra.
A hipótese mais geralmente aceite sobre o significado desta pintura é que se trata de uma obra alegórica e moralista sobre o tema da vanitas dos bens terrenos que se opõem aos valores cristãos intemporais, e uma denúncia da avareza enquanto pecado capital.
A pintura joga com os efeitos de eco e oposição entre o prestamista e sua esposa. Do ponto de vista da composição, a pintura apresenta uma clara simetria entre o lado direito e o esquerdo, inclinando o par os seus bustos um em relação ao outro de ambos os lados de um eixo central vertical. Do ponto de vista da cor, o azul-cinzento do casaco do homem, e o verde do boné, opõe-se ao vermelho do vestido da mulher. O mesmo contraste de cores encontra-se, invertidos e em miniatura, nos motivos centrais dos vitrais superiores da janela que se vê refletida no espelho em cima da mesa. Mas o homem e a mulher condizem na riqueza das suas roupas e joias: gola e mangas de pele de ambos, alfinete de ouro adornando o meio da coifa da mulher, na sua testa, anéis, no indicador direito do homem, no mínimo direito da mulher. As mãos também realizam gestos semelhantes: apertar os dedos da mão esquerda, no ar, para segurar a balança no homem, e a página de um livro de horas pela mulher; a mão direita descansando sobre a mesa, com uma moeda entre o polegar e o indicador no homem, segurando o livro de Horas na mulher. No entanto, a simetria é distorcida pelo fato de as mãos da mulher estarem cruzadas, e não as do marido. Partindo das duas mãos esquerdas, há correspondência de dois movimentos de rotação: o dos braços da balança em torno do seu eixo, e o da página do livro sagrado, mantida no ar no momento da cena.
Os dois objetos que eles manipulam estão de novo em oposição: de um lado a balança consubstancia o mundo material, o do dinheiro e da avareza e, do outro, o Livro de Horas que tem uma iluminura da Virgem com o Menino (a Virgem com um manto vermelho que faz eco do da mulher), e que evoca o mundo espiritual e cristão. Na página esquerda do livro das horas, há um texto cuja imagem inicial é a de um cordeiro, símbolo crístico do Apocalipse. Mas a mulher afasta o olhar do livro sagrado, e deixa-se cativar pela balança, atraída pelo ouro, como o seu marido, totalmente focado na sua pesagem. As riquezas materiais desviam o sentido do mundo espiritual, e a balança toma um valor alegórico, encarnando a pesagem das almas, antes do aceso ao Paraíso. A moldura da pintura teve também, em latim, a seguinte citação bíblica, acrescentada a posteriori e atualmente apagada: Statura justa et aequa sint pondere ("Que a balança seja justa e os pesos iguais").
Em fundo, na parede da sala, duas prateleiras tratados como natureza morta estão repletas de objetos cujo significado vai além do caráter casuístico e realista revestindo um simbolismo cristão, codificado segundo a iconografia muito utilizada pelos primitivos flamengos, particularmente após Jan van Eyck. Mais uma vez, o contraste entre os valores profanos e sagrados, temporais e intemporais, entre o bem e o mal, parece prevalecer.
Na prateleira de baixo e na extremidade da esquerda, vemos uma caixa fechada, símbolo da divindade oculta e, na extremidade oposta, uma vela apagada, símbolo da vaidade e da morte.
Na prateleira de cima, há, da esquerda para a direita, uma garrafa de vidro transparente cheia de água, símbolo tradicional da Imaculada Conceição (a luz que passa pela garrafa e pela água sem se corromper), e depois, dependurados em dois pregos no bordo da prateleira, um rosário de seis esferas de vidro, símbolo da Virgem Maria, e uma segunda balança evocando talvez o Juízo Final. À direita um rolo de pergaminho e uma pequena placa de metal gravada por trás de uma maçã, esta uma alusão tradicional do pecado original. Depois maços de papéis e livros, num dos quais, coberto por rolo de pergaminho, o artista colocou discretamente a sua assinatura.
Por fim, a pintura, embora representando uma cena de interior, sugere várias fugas para o exterior, de acordo com um método comum entre os pintores flamengos. No canto superior esquerdo, a luz ao passar através da garrafa, é ao mesmo tempo refletida, como um espelho convexo, para a janela de onde entrou. No canto superior direito, uma porta entreaberta abre-se para a rua onde decorre uma pequena cena familiar, em que um homem aponta a um outro o dedo indicador para o alto, como que a preveni-lo do perigo de entrar naquele lugar. Por fim, o espelho convexo colocado no meio da mesa reflete a área em frente e à esquerda da cena, ou seja, o cliente do prestamista, cujo braço repousa casualmente no parapeito da janela, precisamente na base de uma cruz que pode sugerir uma cruz cristã, mas que pode ser também o espectador, ele próprio cliente em potencial e ameaçado pelos valores mundanos e a avareza.
No capítulo intitulado "Os herdeiros dos fundadores" do seu livro Os Flamengos Primitivos, Erwin Panofsky considera “O Cambista e sua Mulher” uma "reconstituição" de uma obra perdida de Jan van Eyck, uma pintura com figuras a meio corpo, representando um comerciante a fazer as contas com o seu empregado, que Marcantonio Michiel afirma ter visto na Casa Lampagnano de Milão. A justificação, além da proximidade óbvia do tema de O Cambista e a esposa e a descrição da obra perdida de van Eyck, são a roupa arcaica dos personagens bem como a técnica utilizada por Metsys em 1514.
Para apoiar a sua hipótese, Panofsky compara esta pintura de Metsys com outras pinturas de van Eyck. De facto, o interior faz lembrar o de São Jerônimo no seu estudo (c. 1435, Detroit Institute of Arts, Detroit) de van Eyck, com as prateleiras tratadas como natureza-morta, cheias de livros e de objetos com características alegóricas (entre elas, um rosário de vidro, um vaso cilíndrico cheio de água, uma maçã); a mesa sobre a qual S. Jeónimo se apoia está coberta com um pano verde e também está repleta de objetos. Além disso, Panofsky aproxima a coifa da mulher do prestamista da que está no Retrato de Margaret Van Eyck (1439, Museu Groeninge, Bruges), para justificar o carácter antiquado das roupas no quadro de Metsys.
Por fim, Panofsky considera o espelho convexo virado para a janela como uma reformulação, não do Casal Arnolfini de van Eyck, mas o de um retrato de um dos alunos deste, Petrus Christus, cujo tema é realmente muito próximo, Ourives na sua oficina, talvez St. Eloi (1449, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
O quadro de Metsys é mostrado em primeiro plano no canto inferior direito da pintura Apelles pintando Campaspede de Willem van Haecht representando a galeria de Cornelis van der Geest, na década de 1630, cerca de um século depois da obra de Metsys. Van der Geest era um grande apreciador de Quentin Metsys e possuía várias das suas pinturas, incluindo esta.
O quadro de Metsys foi por seu lado objeto de uma série de cópias. Nas adaptações mais evidentes contam-se muitas versões de Marinus van Reymerswaele, com o mesmo título, variantes e réplicas que se encontram, entre outros, no Museu das Belas-Artes de Valenciennes, no Museu de Belas Artes de Nantes, no Museu do Prado em Madrid, e na Antiga Pinacoteca de Munique, etc..
O tema da pesagem de ouro numa balança teve um grande acolhimento entre os pintores flamengos dos séculos XVI e XVII, em alegorias denunciando a ganância, a avareza e a vanitas das riquezas terrestres, por exemplo O Homem a pesar o ouro (1515–1520, Metropolitan Museum, New York ) de Adriaen Isenbrandt (1515-1520, Museu Metropolitano, New York), O peso do ouro (1654, Museu Boijmans Van Beuningen, Rotterdam, Pays-Bas) de Solomon Koninck, O peso do ouro (1664, Museu du Louvre, Paris) de Gerrit Dou, etc. Muito mais original é o quadro Mulher segurando uma balança (c. 1665, Galeria Nacional de Arte, Washington, EUA) de Johannes Vermeer, onde a pesagem pela mulher, visivelmente grávida, parece sugerir a avaliação da alma do bebé que vai nascer.



Olympia (Olympia) - Edouard Manet


Olympia (Olympia) - Edouard Manet
Museu d'Orsay Paris
OST - 130x190 - 1863





Olympia é uma pintura realista de Édouard Manet. Foi pintada em 1863, mede 130,5 por 190 centímetros e está no Museu d'Orsay em Paris. Foi selecionada para o Salon de Paris em 1865 e lá exibida.
O quadro mostra uma mulher nua ("Olympia") deitada em uma cama, enquanto uma serva lhe traz flores. Foram modelos Victorine Meurent e Laure. O olhar direto de Olympia causou choque e espanto quando a pintura foi exibida pela primeira vez, porque um certo número de detalhes na pintura a identificavam como uma prostituta. O governo francês adquiriu a pintura em 1890 após uma subscrição pública organizada por Claude Monet.
O que chocou o público contemporâneo não foi a nudez de Olympia, nem a presença de sua empregada totalmente vestida, mas o seu olhar de confrontação e uma série de detalhes identificando-a como uma semi-mundana ou prostituta. Estes incluem a orquídea em seus cabelos, sua pulseira, brincos de pérola e o xaile oriental em que ela repousa, símbolos de riqueza e sensualidade. A fita preta em volta do pescoço, em contraste com sua carne pálida, e seu chinelo solto sublinham a atmosfera voluptuosa. "Olympia" era um nome associado a prostitutas na década de 1860 em Paris.
A pintura foi inspirada na Vênus de Urbino de Ticiano, que por sua vez tem referência na obra Vênus Adormecida de Giorgione. Também há a referência, embora menos evidente, da obra de GoyaA Maja Nua.
Há também precedentes pictóricos para uma mulher nua, atendida por um servo negro, como Odalisca com um Escravo, de Ingres, Esther com Odalisca de Léon Benouville e Odalisque de Charles Jalabert. Também se compara com o quadro de Ingres 'Grande Odalisque". Mas ao contrário de outros artistas, Manet não descreveu uma deusa ou uma odalisca, mas uma prostituta de classe alta à espera de um cliente.
Embora Almoço sobre a Relva de Manet tenha provocado controvérsia em 1863, sua Olympia gerou protestos ainda maiores quando foi exibida no 'Salon de Paris' em 1865. Os conservadores rechaçaram a obra classificando-a como "imoral" e "vulgar". O jornalista Antonin Proust comentou posteriormente que "o quadro de Olympia só não foi destruído devido às precauções tomadas pela curadoria". Contudo, a obra tinha seus defensores. Émile Zola logo proclamou-a a "obra-prima" de Manet, e acrescentou, "Quando outros artistas corrigem a natureza pintando Vênus eles mentem. Manet perguntou a si mesmo porque deveria mentir. Por que não dizer a verdade?"



Natureza Morta com Chifre de Beber da Guilda dos Arqueiros de São Sebastião, Lagosta e Copos (Still Life with the Drinking-Horn of the Saint Sebastian Archers' Guild, Lobster and Glasses) - Willem Kalf

Natureza Morta com Chifre de Beber da Guilda dos Arqueiros de São Sebastião, Lagosta e Copos (Still Life with the Drinking-Horn of the Saint Sebastian Archers' Guild, Lobster and Glasses) - Willem Kalf
National Gallery Londres
OST - 86x102 - 1653


The drinking-horn in this still life was made of a single buffalo horn set into a silver mount which features Saint Sebastian, patron saint of archers, who was bound to a tree as a target for two Roman soldiers. It dates from 1565 and is kept today in the Amsterdam Historisch Museum. The horn suggests that the painting was probably commissioned by a member of the Amsterdam archers' guild.
The artist has chosen the objects shown for their magnificent colour and texture. The sparkle of the lobster, the gleam of the lemon, the subtle texture of the carpet, all demonstrate the play of light over different surfaces. A contemporary viewer would have recognised the objects as expensive luxury items that only the wealthy would have been able to afford.

This still-life painting – one of the most popular genres in seventeenth-century Holland – celebrates the challenges of depicting the play of light on different surfaces and textures. Look at the subtle highlights on the weave of the Turkish carpet, the sheen and lustre on silver and glass, the moist flesh of the lemon and waxy texture of its peel.
The objects chosen also evoke a sumptuous lifestyle. Lobster was a luxury dish and lemons were rare and expensive, as were the fine glass, the oriental rug and silver tableware. It was probably commissioned by a member, or members, of the Saint Sebastian Archers' Guild in Amsterdam. The base of the silver mount which holds the drinking horn depicts Saint Sebastian’s martyrdom – he was tied up and shot with arrows – while the support underneath the table has been carved into a figure of the Roman god Cupid, famous for his arrows of love.