terça-feira, 22 de outubro de 2019

Palácio Rio Negro, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil

Palácio Rio Negro, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Petrópolis - RJ
Fotografia


O Palácio Rio Negro localiza-se na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
Em 1889, menos de três meses anteriores a Proclamação da República , o senhor Manoel Gomes de Carvalho, Barão do Rio Negro, comprou dos herdeiros da família Klippel o terreno onde ergueu o seu palácio de verão.
Já em fevereiro de 1896, o Palácio e a casa ao lado, pertencentes a um dos filhos do Barão, foram comprados por Joaquim Maurício de Abreu ao governo Estado do Rio de Janeiro para servir de sede e residência oficial do governante durante o período em que a cidade de Petrópolis tornou-se capital do Estado do Rio de Janeiro, quando em 1903 a capital retornou a Niterói.
Em 1903, o Palácio foi incorporado ao Governo Federal e passou a ser residência oficial de verão dos presidentes da República. Desde então, por ali passaram Rodrigues AlvesAfonso PenaNilo PeçanhaHermes da FonsecaWenceslau BrásEpitácio PessoaArtur BernardesWashington LuizGetúlio VargasGaspar DutraCafé FilhoJuscelino KubitschekJoão Goulart e Costa e Silva. No verão de 1996/1997, quando o Palácio estava completando 100 anos na função de residência oficial do governo, a tradição foi reinventada. Através de um gesto ritual, a presidência da República voltou a se instalar no Palácio Rio Negro.
Foi no entanto, no Governo de Hermes da Fonseca, que o Palácio viveu talvez o seu momento mais brilhante, com a realização do casamento do Marechal Hermes com Nair de Teffé, então célebre não só por sua beleza como por sua inteligência, pois notabilizou-se por suas mordazes charges, que publicava na imprensa sob o pseudônimo de Rian. O seu mais assíduo frequentador foi o Presidente Getúlio Vargas, que nos 18 anos que esteve à frente do País, não deixou de passar um só verão em Petrópolis.
O palácio era usado mais frequentemente quando a cidade do Rio de Janeiro era a capital do Brasil. Desde a transferência da sede do governo para a capital do país, Brasília, a vinda de presidentes para o Palácio Rio Negro diminuiu drasticamente. O palácio não foi usado nas décadas de 1970 e 1980. O Presidente Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990, retomou o uso do palácio para férias breves. Hoje, Palácio Rio Negro é raramente usado.
O mais recente hóspede foi o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, na época no exercício da presidência.

Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, Brasil


Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Foto Lucarelli
Fotografia - Cartão Postal

Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil

Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia - Cartão Postal

Lavagem de Café, Estado de São Paulo, Brasil

Lavagem de Café, Estado de São Paulo, Brasil
Estado de São Paulo - SP
Fotografia - Cartão Postal

Selfridges, Selfridge & Co, Oxford Street, Londres, Inglaterra


Selfridges, Selfridge & Co, Oxford Street, Londres, Inglaterra
Londres - Inglaterra
Fotografia - Cartão Postal

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Pigmalião 1938 - Pygmalion













Pigmalião 1938 - Pygmalion 
Inglaterra - 96 minutos
Poster do filme

Henry Higgins é um professor de fonética que, junto com o seu amigo, o Coronel Pickering, resolvem transformar Eliza Doolitle, uma florista de rua inculta e sem o mínimo de educação exigido pela sociedade, numa grande dama, no espaço de três meses. No entanto, eles descobrem o que é envolverem-se com um ser humano com ideias próprias.
Dirigido por Anthony Asquith, e interpretado por Leslie Howard, esta versão cinematográfica da peça de George Bernard Shaw, que mais tarde foi transformado num filme mais conhecido e vencedor de um Óscar de Melhor Filme chamado "My Fair Lady" (com Rex Harrison e Audrey Hepburn) apresenta Howard no papel do muito confiante Henry Higgins, e Wendy Hiller no papel de vendedora de flores da rua. W.P. Lipscomb, Cecil Lewis e Ian Dalrymple e Shaw estiveram entre os nomes que contribuíram para os que escreveram o argumento e os diálogos, com o qual ganhariam o único Óscar do filme. Tanto Howard como Hiller receberam nomeações nas suas categorias de actor e actriz.
"Pigmalião" tinha sido produzido pela primeira vez para os palcos de Londres em 1914. Shaw tinha visto Hiller em palco em duas peças suas e recomendou-a para esta adapatação cinematográfica. Viria a ser a primeira tentativa do produtor húngaro Gabriel Pascal em colocar Shaw no grande ecrã. Voltaria a repetí-lo em 1941, com "Major Barbara", em 1945 com "César e Cleopatra" e 1952 com "Andrócles e o Leão". George Bernard Shaw nunca foi muito relutante em adapatar as suas peças para o grande ecrã, mas Pascal acabava sempre por convence-lo graças ao seu charme.
Tal como todas as adaptações que tinha tido para o teatro, a versão cinematográfica também foi um êxito monstruoso. Uma curiosidade, David Lean foi o autor da montagem, então com apenas 30 anos de idade.

Pigmalião 1938 - Pygmalion










Pigmalião 1938 - Pygmalion
Inglaterra - 96 minutos
Poster do filme - Lobby Card

Nota do blog: Conjunto de lobby cards originais do filme. Pode ser que hajam mais (normalmente são 8), porém, até o presente momento, não os encontrei. Caso os encontre, atualizo o post.

Rua Itaboca, Atual Rua Professor Cesare Lombroso, Bairro do Bom Retiro, Década de 1950, São Paulo, Brasil


Rua Itaboca, Atual Rua Professor Cesare Lombroso, Bairro do Bom Retiro, Década de 1950, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia



O Bom Retiro foi eleito pela revista britânica Time Out como o bairro mais “cool” do Brasil e o 25º do mundo. Concorde-se ou não com os critérios utilizados pela revista, o Bom Retiro tem lugares agradáveis para visitar, como a Pinacoteca, Sala São Paulo, a Estação da Luz, além de restaurantes variados com comida judaica, coreana, grega, e um comércio atacadista de moda vibrante.
Quem passa hoje pelas ruas José Paulino, Prof. Cesare Lombroso, Aimorés e imediações não pode deixar de notar as lojas chiques, a maioria com nomes chamativos e grifes elegantes. Os manequins nas vitrines exibem as últimas tendências da moda, principalmente a feminina. Calcula-se que 55% da moda feminina do Brasil saia do Bom Retiro. A presença de imigrantes coreanos é preponderante neste comércio.
O Bom Retiro sempre foi um bairro de imigrantes. A própria Hospedaria de Imigrantes, hoje Museu da Imigração, funcionou inicialmente no bairro de 1882 a 1887. Hoje os imigrantes são os coreanos e bolivianos, mas inicialmente a maioria era de italianos e na década de 1930 foi o bairro judeu por excelência.
Mas com certeza, se a tal revista britânica fizesse a pesquisa na década de 1940, passaria longe do Bom Retiro.
As vitrines que se viam nas ruas Aimorés e Prof. Cesare Lombroso seriam bem diferentes. Esta última então nem tinha este nome, chamava-se Itaboca. E só a menção a este nome, naquela década já faria os mais pudicos corarem de vergonha.
Acontece que após 1937, apesar do golpe do Estado Novo e instauração da ditadura getulista que impôs repressão e controle severo sobre os costumes, a prostituição alastrava-se pelo centro da cidade.
Na verdade, não havia muitos protestos nos jornais contra os bordeis mais elegantes, as chamadas pensões chics nem os cabarés, pois estes eram frequentadas inclusive pelos altos escalões. A preocupação era com o baixo meretrício, a exposição e convites feitos das janelas pelas moças, às vezes em trajes menores, e mesmo o trottoir.
A prostituição, que no início do século XX se concentrava nas estreitas Rua Líbero Badaró e São João, espalhou-se lentamente com o alargamento dessas vias e, em 1930, concentrava-se na Rua Amador Bueno (atual Rua do Boticário), Rua Ipiranga (ainda não tinha sido alargada) e Timbiras.
Na Av. S. João começava a se formar a Cinelândia Paulistana que se tornava importante local de lazer familiar com cafés, confeitarias, salões de dança, etc. Havia também planos de reurbanização de toda a área. O famoso Plano de Avenidas de Prestes Maia, o que realmente acabou acontecendo.
No final de 1939 o interventor federal Adhemar de Barros tomou a decisão de confinar todas as prostitutas do chamado baixo meretrício em uma zona restrita e escolheu para recebê-las justamente as ruas Aimorés e Itaboca. Essas ruas formam uma ferradura e o paredão das ferrovias Sorocabana e Santos-Jundiaí limitavam a entrada das ruas e favorecia o controle de quem entrava ou saía.
Conforme alguns historiadores uma das alegações de Adhemar de Barros foi: “É produto vosso, fica para vocês”. Por que “produto vosso”?
Acontece que o Bom Retiro, na década de 1930 ficou também com a fama de bairro das polacas. Desde o final do século XIX e até o começo da década de 1930 chegaram a grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Nova Iorque prostitutas de origem judaica. Eram trazidas em sua maioria por uma máfia internacional formada por judeus poloneses e russos conhecida como Zwi Migdal. Os agenciadores percorriam regiões empobrecidas do Leste Europeu, casavam-se no religioso com as moças e as traziam para as cidades citadas com promessa de uma vida melhor. Somente na chegada é que iriam conhecer o triste destino que as aguardava. Em meados da década de 1920 os cafetões responsáveis por essa rede de tráfico no Rio de Janeiro e São Paulo foram identificados e presos ou deportados. Mas, como a prostituição não era crime, as prostitutas ficaram por aqui. Algumas tornaram-se cafetinas e donas de pensão. Como eram rejeitadas pela comunidade judaica por motivos religiosos, formaram sua própria comunidade de ajuda mútua, a Sociedade Feminina Religiosa e Beneficente Israelita. Tinham sua própria sinagoga na Rua Ribeiro da Silva e chegaram a ter também seu cemitério exclusivo em Santana, O Chora Menino.
Historiadores explicam também a escolha de Adhemar pelo bairro judeu por uma questão que era importante para Getúlio Vargas: a necessidade de controle e vigilância sobre o que consideravam um gueto étnico com uma “perigosa concentração de judeus”. Lembrando sempre que o Brasil vivia sob uma ditadura, às vésperas da II Guerra e o antissemitismo era disseminado. O próprio instrumento político para o golpe de 1937 que instaurou o Estado Novo foi o famigerado Plano Cohen, uma suposta conspiração judaico-comunista que depois se provou uma fraude.
Mas se a expansão da prostituição para os lados da Rua Timbiras foi lenta, a ocupação das duas ruas do bom Retiro foi de supetão, forçada e violenta.
É difícil encontrar registros oficiais destes fatos, jornais da época não publicaram uma palavra a respeito devido à forte censura do Estado Novo. O jornal O Estado de S. Paulo ficou sob intervenção de 1940 a 1945. Assim, para tentar reconstituir os fatos só nos resta recorrer às memórias deixadas por algumas testemunhas da época, apesar das falhas nas lembranças.
Um desses relatos é feito através da carta de um leitor do jornal O Estado de S. Paulo publicada em 30 de maio de 1997 na qual nos relata que a cena “… foi vista por mim, na ocasião um adolescente, estudante a caminho do colégio que, ao descer do bonde na Rua José Paulino, se deparou com inusitada movimentação de caminhões de mudanças e gente por todos os lados nas mencionadas Ruas Aimorés e Itaboca, até então habitadas somente por famílias judias. Mulheres sumariamente vestidas, muitas apenas de calcinha e sutiã, facilmente identificáveis como prostitutas, inclusive algumas polacas, carregavam móveis para o interior das casas ou jogavam utensílios dos até então moradores pelas janelas e portas. Homens, mulheres e crianças saíam das casas com seus bens ou os apanhavam nas calçadas, levando-os do jeito que podiam para a casa de parentes e conhecidos, em busca de abrigo provisório. Contrastando com os gritos e a algazarra das mulheres que chegavam, o silêncio das pessoas que abandonavam suas casas, não por acaso judeus, carregando camas, colchões, móveis, roupas, panelas. Enquanto isso, policiais em pequenos grupos a tudo assistiam, desencorajando qualquer resistência das pessoas que estavam sendo despejadas. Passei o resto da tarde assistindo à instalação da zona do meretrício no bairro judeu, entre curioso e surpreso, lembrando os noticiários cinematográficos que mostravam prisões e desocupações de casas de judeus na Alemanha e países ocupados pelas forças nazistas”.
O Anhanguera Futebol Clube, um time de várzea, resolveu uma noite comemorar a vitória do campeonato na Rua Itaboca e conta seu memorialista, da surpresa que tiveram quando, no meio da farra e fogos de artifício, já madrugada, chegaram os camburões com mulheres e as despejaram pelas ruas. Talvez mais de cinquenta, “o auge da noite se deu com nossos atletas valsando no meio da rua com cabrochas nuas”.
Os camburões da polícia simplesmente invadiam as pensões declaradas “irregulares” e, sem aviso prévio, embarcavam todos para a zona confinada. Clientes e outros moradores que escapassem como pudessem.
Nahum Mandel, morador do bairro na sua infância, conta que “voltando para casa do Grupo Escolar deparou-se com um reboliço de mulheres nuas, e soldados e civis abraçando-as e rindo. Um Carnaval surrealista! As lojas estavam cerradas e tive que entrar em casa pelo quintal”.
A zona do meretrício do Bom Retiro, a única instalada por decreto do governo em São Paulo, funcionou por 13 anos.
Mas o que parecia ser uma solução logo se mostrou um problema maior. Já em dezembro de 1940 o jornal A Platéia reclamava que os encarregados de policiar a zona não sabiam como resolver “o escândalo que se vem verificando, especialmente, aos sábados e quando a extraordinária multidão que desfila por essas ruas da boemia na falta total de mictórios despeja as urinas pelas ruas”. Com o passar do tempo a região tornou-se um ponto de concentração de todo tipo de marginais. Durante o dia, principalmente nas manhãs, era uma rua tranquila, “frequentada por leiteiros, padei­ros, verdureiros, catadores de papel e vendedores dos mais variados que davam uma feição bastante diversa da movimentação noturna. Ao entardecer, no entanto, as mulheres iam se postando junto às portas e janelas como em ‘mostruários’ à espera do desfile de homens que aumentava com a chegada da noite. Os convites e os gestos aos passantes eram os mais depravados possíveis. Frases “abomináveis” e “termos repelentes de gíria” eram proferidos mostrando bem até que grau de degradação humana havia chegado o mulherio”, como nos conta Nuto Santana em seu livro “Rua Aimorés”.
Paulinho Perna Torta, personagem de crônica homônima de João Antônio, acrescenta: “… era um formigueiro na rua Itaboca e dos Aimo­rés. Até gente morria. Tiro, facada, navalhada, ferrada e todo o resto de acompanhamento. Mas era um bra­seiro isolado e não bulia com ninguém fora dali”. É verdade, o noticiário policial da década de 1940 e do começo da de 1950 pipocava com informações de todo tipo de crime e algazarras na zona, muitas com envolvimento de soldados do Exército e da Força Pública. Isso tudo acontecia principalmente na Rua Itaboca, pois existia uma espécie de hierarquia entra as duas. Enquanto na Itaboca atuavam as “nacionais”, compostas por mulatas e caboclas pobres, sem instrução e que moravam no local e viviam as agruras do jugo das cafetinas e cafetões, na Aimorés concentravam-se as mais bonitas e bem cuidadas que normalmente moravam longe dali.
Um levantamento realizado em 1943 visando o controle de sífilis contou 1.084 meretrizes morando na zona confinada, mas o autor do estudo, José Martins de Barros, estimou em 1.500 mulheres trabalhando no local, visto que muitas moravam em outros bairros. Além disso, a prostituição começou a espalhar-se por outras ruas como a Carmo Cintra e a Ribeiro de Lima.
Assim permaneceu a situação até 1953, quando, após intensa campanha, o prefeito Jânio Quadros suspende, por decreto, todos os alvarás dos bares das ruas Itaboca, Aimorés, Ribeiro de Lima e José Paulino. O governador Lucas Nogueira Garcez, já havia mandado assistentes sociais para a região para o trabalho de convencimento das mulheres para deixar a “profissão” ou encontrar outro abrigo.
A desocupação final foi feita tal qual a ocupação. No dia 30 de dezembro o governador Nogueira Garcez anuncia a ordem para a extinção da zona de meretrício. No dia seguinte a Força Pública e a Polícia de Costumes cerca o local. Cordões de isolamento deixam claro que homem não entra. Ainda havia 161 prostíbulos e 650 mulheres no local.
Logo as mulheres começam a sair á rua e protestar, algumas gritando e rasgando as roupas. Outras atiram móveis e utensílios pelas janelas. Na confusão generalizada uma prostituta chamada Antônia, moradora da Rua Aimorés tem um colapso e morre no local. A notícia se espalha causando mais revolta. Algumas conseguem furar o cerco e vão para a Rua José Paulino, Arlinda Guiomar e Alice invadem um comércio e são repelidas pelo proprietário que se armou com uma barra de ferro e as duas primeiras são feridas gravemente e encaminhadas ao Hospital das Clínicas. Por fim a chegada do Batalhão de Choque e do Corpo de Bombeiros acaba com a confusão com jatos d’água e cassetetes.
Alguns dias depois o diretor do Serviço Social do Estado de São Paulo diria numa entrevista que “… dentro de poucos dias já ninguém se lembrará da antiga zona do baixo meretrício do Bom Retiro e as infelizes que lá morriam aos poucos terão vida longa e melhor, que é o que elas merecem”.
Ele acertou em parte, pois poucos se lembram do passado triste do Bom Retiro, mas o baixo meretrício mudou-se para a Boca do Lixo e logo se espalhou por toda a cidade.

A Parábola do Mordomo Infiel (Die Parabel vom Untreuen Verwalter) - Marinus van Reymerswaele


A Parábola do Mordomo Infiel (Die Parabel vom Untreuen Verwalter) - Marinus van Reymerswaele
Museu Kunsthistorisches Viena Áustria
Óleo sobre madeira - 77x96 - 1540



A Parábola do Mordomo Infiel (também chamada de Parábola do Mordomo Injusto ou Parábola do Administrador Infiel) é uma parábola de Jesus que aparece em apenas um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 16:1-13, um mordomo que está prestes a ser demitido negocia favores com devedores do seu senhor, perdoando algumas de suas dívidas.
«Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como esbanjador dos seus bens. Chamou-o e perguntou-lhe: Que é isto que ouço dizer de ti? Dá conta da tua administração; pois já não podes mais ser meu administrador. Disse o administrador consigo: Que hei de fazer, já que o meu amo me tira a administração? Não tenho forças para cavar, de mendigar tenho vergonha. Eu sei o que hei de fazer para que, quando for despedido do meu emprego, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu amo, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu amo? Respondeu ele: Cem cados de azeite. Disse-lhe, então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta. Depois perguntou a outro: E tu quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. O amo louvou ao administrador iníquo por haver procedido sabiamente; porque os filhos deste mundo são mais sábios para com a sua geração do que os filhos da luz. Eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito. Se, pois, não fostes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? Se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é nosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas.» (Lucas 16:1-13)
A Parábola do Mordomo Infiel, ou Administrador Infiel, fala sobre a necessidade da prudência que deve caracterizar os seguidores de Cristo. O significado dessa parábola de Jesus expressa uma advertência sobre a forma diligente com que a vida cristã deve ser vivida. A Parábola do Mordomo Infiel está registrada no Evangelho de Lucas 16:1-9.
Jesus contou a Parábola do Mordomo infiel aos seus discípulos. Esses discípulos provavelmente não resumiam ao grupo dos doze apóstolos, mas ao grupo maior de pessoas que o seguiam. Apesar de ter sido pronunciada aos discípulos, os fariseus também a ouviram. Jesus pronunciou essa parábola logo após ter contado a Parábola do Filho Pródigo.
Na Parábola do Mordomo Infiel Jesus falou sobre um homem rico que empregava um administrador. Esse administrador, ou mordomo, foi acusado diante dele de esbanjar seus bens, praticando uma péssima gestão. Então o homem rico chamou o mordomo para que ele lhe prestasse contas de sua administração. O patrão lhe avisou que ele não poderia mais continuar na administração de seus bens (Lucas 16:1,2).
Diante daquele impasse, o mordomo argumentou consigo mesmo: “O que vou fazer, já que meu senhor tirou de mim a posição de administrador? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha” (Lucas 16:3). Então ele teve uma ideia do que fazer para não ficar desamparado quando estivesse desempregado.
Antes de entregar suas contas, o mordomo chamou cada um dos devedores de seu patrão. Então ele perguntou a cada um deles o valor de sua divida para com o seu senhor. Conforme cada devedor ia falando o valor de sua divida, o mordomo infiel lhe oferecia um grande desconto.
Por exemplo: um homem que devia ao homem rico cem medidas de trigo, recebeu do mordomo infiel vinte por cento de desconto. Assim sua divida foi atualizada para oitenta medidas (Lucas 16:4-7). Ao fazer isso o mordomo infiel estava construindo bons relacionamentos que lhe ajudariam no porvir.
Muito provavelmente os devedores não perceberam que estavam participando de uma fraude, mas pensavam que o desconto era legitimo e tinha a aprovação do credor. Conforme a narrativa de Jesus, tudo indica que os devedores não sabiam que o administrador estava sendo infiel.
Depois dessa trama, o mordomo infiel entregou as contas “em ordem” ao seu patrão. Ao perceber o que o mordomo infiel havia feito, ele reconheceu sua astúcia. Ele elogiou o mordomo infiel por ter agido com sagacidade e ter sido esperto ao garantir suas provisões futuras para o tempo em que estivesse desempregado (Lucas 16:8). O homem rico sabia que não poderia mais reverter os descontos concedidos por seu administrador em seu nome.
O significado da Parábola do Mordomo Infiel tem sido muito discutido. As pessoas encontram alguma dificuldade em interpretá-la. Essa dificuldade, porém, geralmente ocorre ao tentar atribuir significados desnecessários a detalhes sem importância.
Na verdade o significado desta parábola pode ser percebido em sua conclusão. Jesus Cristo diz: “Porque as pessoas deste mundo, ao tratarem com seus iguais, são mais astutas do que as pessoas que têm luz. Façam amigos para si por meio do mamom da injustiça; para que, quando eles se forem, recebam vocês nas habitações eternas” (Lucas 16:9).
Algumas pessoas pensam que Jesus elogia a desonestidade do mordomo infiel nessa parábola. Mas isto não é verdade. Na parábola Jesus não aprova ou elogia o comportamento fraudulento. Muito menos Ele incentiva seus seguidores a agir de forma desonesta. Isto fica claro na sequência de seu discurso. Jesus repreende o comportamento que gera desconfiança e exorta acerca do mau uso das riquezas (Lucas 16:10-13).
A mensagem da parábola enfoca a astúcia do mordomo infiel em fazer provisão para seu futuro. Assim, seu significado indica que muitas vezes as pessoas iníquas se mostram mais precavidas do que os crentes. É exatamente sobre isto que Jesus adverte em suas palavras que concluem a parábola.
Se até mesmo os filhos das trevas conseguem ser previdentes, mesmo usando de forma desonesta e egoísta as oportunidades e recursos materiais que lhes são apresentados para atingir propósitos terrenos, os cristãos não devem fazer menos que isso. Em outras palavras, muitas vezes os ímpios tratam com mais sagacidade e diligência seus assuntos terrenos, do que os cristãos tratam suas questões que envolvem sua salvação eterna.
O cristão não pode agir de maneira egoísta e soberba. Ele não pode cair na armadilha da avareza. Ao invés disso, o cristão deve construir bons relacionamentos que terão implicações eternas “por meio do mamom da injustiça”. Isso significa que a piedade e a generosidade devem caracterizar a vida cristã, de modo que o principal objetivo do crente é conduzir as pessoas a Cristo através do anuncio do Evangelho.
Como administradores fiéis, os cristãos devem usar todos os recursos que lhes foram confiados por Deus não com propósitos egoístas, mas em prol da causa do reino de Deus e das verdadeiras riquezas espirituais. Aqueles que forem alcançados pela pregação do Evangelho impulsionada pela boa mordomia cristã, poderão se tornar amigos que darão as boas-vindas aos cristãos generosos no lar celestial.

O Cambista e sua Esposa (The Moneychanger and his Wife) - Marinus van Reymerswaele



O Cambista e sua Esposa (The Moneychanger and his Wife) - Marinus van Reymerswaele
Alte Pinakothek Munique Alemanha
Óleo sobre madeira - 67x103 - 1538