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segunda-feira, 30 de março de 2020
Escultura "Laocoonte e Seus Filhos", 1953, São Paulo, Brasil - Gabriel Zellaui
Escultura "Laocoonte e Seus Filhos", 1953, São Paulo, Brasil - Gabriel Zellaui
São Paulo - SP
Fotografia
Escultura em bronze executada pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo —, intitulada "Laocoonte e seus filhos". Atualmente esta no Parque do Ibirapuera.
Escultura "Laocoonte e Seus Filhos", São Paulo, Brasil
Escultura "Laocoonte e Seus Filhos", São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
O grupo escultórico “Laocoonte e seus filhos”, realizado
pelo Liceu de Artes e Ofícios e colocado originariamente na Avenida Nove de
Julho, foi transferido para o Ibirapuera no ano da sua inauguração, 1954. Ele
fica nas proximidades do Portão A9, situado no começo da Av. República do
Líbano. Trata-se de uma cópia em bronze de um grupo escultórico romano, em
mármore, pertencente aos Museus Vaticanos, cuja datação é incerta, entre os
séculos II a.C. e I d.C.
As fontes do mito de Laocoonte são várias e contraditórias. Ele
foi tema de uma tragédia, infelizmente perdida, de Sófocles e está citado
na Biblioteca de Apolodoro. Mas o relato mais famoso a ele dedicado é
o do autor latino Virgílio, no Livro II da Eneida, poema épico escrito no
século I a.C.
Na versão de Virgílio, em uma das passagens mais dramáticas da
legendária Guerra de Tróia, Laocoonte, um sacerdote troiano de Netuno
(equivalente latino de Posseidon, o deus dos mares dos gregos), tenta alertar
os seus concidadãos sobre o perigo do Cavalo de Tróia, um gigantesco cavalo de
madeira que os soldados gregos estavam oferecendo aos troianos no momento em
que a guerra parecia ter acabado a favor destes últimos. De fato, o cavalo era
oco e estava cheio de guerreiros gregos. Pensando que se tratasse de um objeto
sacro, os troianos não acreditam no sacerdote, que, então, arremessa uma lança
contra o cavalo. O som produzido revela que é oco. Porém, nesse mesmo instante,
Minerva (Atena para os gregos, deusa guerreira, da razão e aliada dos gregos),
envia duas serpentes enormes, que matam Laocoonte e seus dois filhos. Os
troianos interpretam esse acontecimento como a punição de Laocoonte por ter
desrespeitado um objeto sagrado e deixam o cavalo entrar na cidade.
Infelizmente para eles, Laocoonte tinha razão. Os guerreiros gregos saem do
cavalo e colocam Tróia sob ferro e fogo. A astúcia se revela. A origem da
expressão “presente de grego”, ou seja, um presente traiçoeiro, que se revela
prejudicial para quem o recebe, encontra-se exatamente nesse episódio da
mitologia grega.
A escultura dos Museus Vaticanos foi descoberta em Roma em 1506
e teve um grande impacto nos artistas da época. Segundo o escritor latino
Plínio o Velho (23-79 d.C.), ela é, por sua vez, uma cópia de uma obra original
grega em bronze. Como quer que seja, em pleno Renascimento, impressionou pela
sua potência plástica, pelo sentido de movimento e pela sua dramaticidade.
Entre 1520 e 1524, um escultor de Florença, Baccio Bandinelli, realizou uma
cópia em mármore do exemplar romano e a escultura se tornou, assim, um modelo
não só para os artistas da época como também para as gerações futuras de
escultores e pintores.
Até tempos bem recentes – e ainda hoje – as cópias em gesso de
esculturas greco-romanas e renascentistas eram usadas nas escolas como modelos
imprescindíveis para a formação de artistas e para a educação ao “bom gosto”.
Isso também ocorria em instituições profissionalizantes como o Liceu de Artes e
Ofícios de São Paulo, fundado em 1873, cujo acervo de cópias e pinturas foi
lamentavelmente comprometido por um incêndio ocorrido no ano passado, incluindo
uma versão em gesso do próprio Laocoonte. A cópia do Ibirapuera está, assim,
vinculada à ideia de “modelo” com o qual confrontar-se, do qual extrair
ensinamentos para a própria criação, típica de um momento histórico que
antecede o Modernismo. Mas a força inspiradora do Laocoonte desafia
os tempos e mesmo um artista pop como Roy Lichtenstein, ainda que com o seu
estilo gráfico e o uso das cores fundamentais e dos reticulados típicos das
histórias em quadrinhos, transfere para uma tela de grandes dimensões os
contornos da escultura antiga.
O Laocoonte e seus filhos do Ibirapuera nos remete,
portanto, seja à assombrosa lenda da mitologia grega, seja a um conceito de
arte propagada no mundo ocidental a partir do Renascimento italiano, que
sobreviveu muito forte até os primórdios do século XX. É, sem dúvida, uma
oportunidade para se refletir sobre a literatura e a arte, sobre a história de
como elas não conhecem fronteiras geográficas e temporais. E, acima de tudo,
sobre a capacidade de sobrevivência de uma ideia, nascida mais de 2.000 anos
atrás!Escultura "A Caçadora", São Paulo, Brasil - Lélio Coluccini
Escultura "A Caçadora", São Paulo, Brasil - Lélio Coluccini
São Paulo - SP
Fotografia
“A Caçadora”, de Lélio Coluccini fica entre o Jardim de
Esculturas do MAM e o Pavilhão da Bienal. Trata-se de uma figura feminina
consideravelmente estilizada, que descansa sobre o dorso de um animal – um
cervo –, também delineado nas suas formas geométricas essenciais.
Realizada em 1944 a pedido do então prefeito de São Paulo,
Francisco Prestes Maia, a escultura foi colocada, originariamente, no Largo Ana
Rosa, ao longo da Rua Vergueiro, no bairro de Vila Mariana. Quando, nos anos 70,
o Metrô de São Paulo foi construído – e, com ele, a Estação Ana Rosa, que
transformou completamente a fisionomia do antigo largo – a escultura foi
transferida para o Parque Ibirapuera.
A escultura em granito, que, sem o pedestal, mede 1,50 m de
altura, por 2,50 m de comprimento e 0.60 m de largura, se refere à deusa grega
Artêmis (Diana para os latinos), irmã gêmea de Apolo. Na epopeia Ilíada,
Homero a descreve como “Artêmis do mundo silvestre, senhora dos animais”. Assim
como Atena, Artêmis tinha decidido permanecer virgem, o que lhe daria juventude
eterna. Era, porém, uma deusa vingativa e, como nos conta Ovídio no seu
livro Metamorfoses, era capaz de atos extremamente cruéis. Um deles ocorreu
em detrimento do caçador e herói Acteão, o qual, involuntariamente, a
surpreendeu nuda enquanto se banhava em uma fonte em companhia das suas ninfas.
Furiosa, Artêmide, jogando água no rosto do infeliz, provocou a sua
transformação em um cervo. Assim, os cães de Acteão não o reconhecem mais e o
atacam e provocam a sua morte.
Escultura "A Caçadora", 1953, São Paulo, Brasil - Lélio Coluccini
Escultura "A Caçadora", 1953, São Paulo, Brasil - Lélio Coluccini
São Paulo - SP
Fotografia
Vemos acima, no Largo Dona Ana Rosa, a escultura confeccionada em
granito conhecida como "A Caçadora", instalada em 1944, de autoria
de Lélio Coluccini. Atualmente a mesma se encontra no Parque do Ibirapuera.
Trabalhos de Retificação do Rio Tamanduateí, Década de 1900, São Paulo, Brasil
Trabalhos de Retificação do Rio Tamanduateí, Década de 1900, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Trabalhos
de retificação do rio Tamanduateí, na primeira metade da década de 1900. Ao
fundo, à esquerda, o Gasômetro; à direita, a ponte do Gasômetro. A Ponte do
Mercado, sobre o rio Tamanduateí, existiu até 1903, quando o rio foi canalizado
e uma nova ponte foi construída no Aterrado do Brás. Sob a antiga ponte, iam as
lavadeiras da cidade trabalhar, aproveitando as águas do Tamanduateí...
Rua Florêncio de Abreu, 1902, São Paulo, Brasil - Guilherme Gaensly
Rua Florêncio de Abreu, 1902, São Paulo, Brasil - Guilherme Gaensly
São Paulo - SP
Fotografia
Como era bela uma das primitivas ruas paulistanas, anteriormente denominada Miguel Carlos e Rua da Constituição. Atualmente se encontra quase irreconhecível — a não ser por alguns casarões remanescentes que foram reformados e descaracterizados para serem ocupados principalmente por lojas de ferramentas, máquinas e ferragens. Este visto à direita com 5 portas e 5 janelas por exemplo.
Palácio das Indústrias, 1928, São Paulo, Brasil
Palácio das Indústrias, 1928, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Preising N. 27
Fotografia - Cartão Postal
Vista da Avenida Nove de Julho, 1950, São Paulo, Brasil - Alice Brill
Vista da Avenida Nove de Julho, 1950, São Paulo, Brasil - Alice Brill
São Paulo - SP
Fotografia
Vista da Avenida 9 de Julho em direção ao Viaduto do Chá. À
esquerda, o recém-inaugurado Hotel Claridge que ao mudar de proprietário foi
rebatizado como Cambridge; após um período de glórias, encerrou suas atividades
em 2004. Desde então, o bar no térreo promove eventos e comemorações. Quanto ao
restante do edifício, atualmente está ocupado por movimentos dos sem-teto. No
outro lado, o Prédio 9 de Julho, inaugurado bem
antes — ambos na esquina da Rua João Adolfo. A seguir, na esquina da Rua
Quirino de Andrade (com o logotipo da Gulf no alto), o Edifício Brasilar de
1949. Os imóveis vistos à direita foram demolidos para a construção do Edifício
Joelma entre os anos de 1969 e 1971.
Palácio dos Cedros, Residência do Casal Jafet, 1928, São Paulo, Brasil
Palácio dos Cedros, Residência do Casal Jafet, 1928, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Obra do engenheiro arquiteto Heribaldo Siciliano, situada na
esquina das ruas Bom Pastor e dos Patriotas, bairro do Ipiranga. Residiu nesta mansão
de 43 cômodos, entre 1923-1957, o casal Basílio e Adma Jafet com suas filhas
Violeta e Ângela. Conhecido como Palácio dos Cedros, atualmente funciona como
um espaço de eventos sociais, como festas de casamento, de debutantes,
comemorações corporativas, filmagens diversas,
sessões fotográficas, etc.
Nesta imagem observamos a fonte onde do lado direito
foi erguido em 1934 o Palácio Violeta, que teria sido um presente de casamento do
pai Basílio para a filha. Esta, Violeta Jafet, matriarca e presidente honorária
do Hospital Sírio-Libanês (idealizado por sua mãe Adma e outras mulheres da
comunidade árabe), faleceu em 26/12/2016 aos 108 anos. De autoria desconhecida,
a foto é de 1928.
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