terça-feira, 26 de maio de 2020

Obras do Viaduto Santa Ifigênia, 1910, São Paulo, Brasil - Aurélio Becherini


Obras do Viaduto Santa Ifigênia, 1910, São Paulo, Brasil - Aurélio Becherini
São Paulo - SP
Fotografia


Em primeiro plano, o início das obras do Viaduto Santa Ifigênia — a partir do Largo São Bento —, construído e montado entre 1910 e 1913 e inaugurado em 26/7/1913. À esquerda, o casario no vale do Anhangabaú. Ao fundo no centro, a construção da nova Igreja de Santa Ifigênia entre 1904 e 1913, entregue inacabada em 1910 e posteriormente concluída. À esquerda, a Igreja Evangélica Luterana na Avenida Rio Branco.

Dia do Gari, 16 de Maio, Brasil - Artigo


Dia do Gari, 16 de Maio, Brasil - Artigo
Artigo

O lixo sempre foi um problema sério nos grandes centros urbanos. Entretanto, o tratamento sistemático dos dejetos das cidades pelo poder público é uma prática que não chega a 200 anos. No Brasil, o primeiro passo concreto foi dado ainda no Império.
Em 1830, um decreto imperial estipulava o “desempachamento” das ruas da cidade. Na prática, a lei obrigava a retirada do lixo e determinava que as ruas fossem livradas dos mendigos, loucos, desempregados e até dos animais ferozes. Predominava, à época, a “teoria miasmática”, na qual gases e vapores – os miasmas – exalados pelo ambiente eram os responsáveis pelo adoecimento das pessoas. Higienizar o terreno era, portanto, uma necessidade de saúde pública. Estabelecer locais específicos para a prática de certas atividades, ditas poluentes – como a localização de curtumes, matadouros e cemitérios –, também. Essas posturas do poder público eram, basicamente, normativas, apenas definindo proibições e estabelecendo sanções quanto ao despejo de lixo nas vias públicas.
No Segundo Reinado, a prática da limpeza ganhou um caráter sistemático. Uma notinha discreta, no centro da primeira página do periódico Gazeta de Notícias (RJ), de 11 de outubro de 1876, anunciou a contratação dos serviços do francês Aleixo Gary para a limpeza das ruas da capital. Coube à sua empresa o transporte do lixo produzido no Rio de Janeiro para a ilha de Sapucaia, na Baía da Guanabara. Surgiu, então, a primeira empresa de coleta de lixo da cidade. Seu contrato durou até 1891 e no ano seguinte – já na República – instituiu-se a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade.
Na mesma época, em 1884, Eugène Poubelle, então prefeito da cidade de Paris, decretou que os donos de prédios fornecessem latas de lixo aos seus inquilinos. A novidade pegou os parisienses de surpresa, que logo começaram a chamar essas latas de “boîtes Poubelle” (latas Poubelle). Mas não foram só os moradores dessa cidade que aderiram à ideia. Por aqui, Aleixo Gary já havia feito história na limpeza urbana da cidade e seu sobrenome se tornou uma marca registrada e indistinguível para todos os funcionários da coleta de lixo. Em uma compreensível corruptela, o nome do empresário deu origem ao termo “gari”.
Um século depois do início da empreitada de Aleixo Gary, com a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara – em 1975 – a então CELURB (Companhia Estadual de Limpeza Urbana) deu lugar a COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), atualmente a principal responsável pelo tratamento de lixo no Rio de Janeiro.
A profissão de gari é serviço fundamental para as cidades e para a saúde pública. A limpeza eficiente dos logradouros públicos, o controle de pragas, manutenção de rios, canais e praias, bem como das galerias de esgotos, são práticas que ajudam a conter doenças e epidemias. Toda vez que esses profissionais se veem na necessidade de fazer uma greve, percebe-se o quanto esse trabalho é essencial quando, após dias sem limpeza, as cidades viram um caos. Nem sempre devidamente valorizados, os garis se queixam com frequência de certa “invisibilidade” diante da população.
Essa imagem vem mudando gradualmente e os garis tem ganhado mais visibilidade. Muito se deve à sua participação eficaz nos grandes eventos das cidades, como ocorre no réveillon e no carnaval no Rio de Janeiro. Foi após um desfile das escolas de samba no Rio que um desses profissionais galgou o estrelato. Com a passagem da tropa de garis ao final do espetáculo, Renato Luiz Feliciano Lourenço liderou seu time de varredores e, com muito carisma e ginga, sambou majestosamente com a vassoura na mão para o deleite da plateia que ainda se encontrava nas arquibancadas. Sempre sorridente – o que lhe rendeu o justo apelido de “Renato Sorriso” –, ele conta que, inicialmente, levou uma reprimenda de seu supervisor. Apesar disso, o sucesso foi tanto que, ano após ano, repete a performance. Seu feito não se limitou ao Rio de Janeiro. Renato foi convidado a participar – uniformizado, claro – da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres em 2012.
Parabéns a todos aqueles que, faça chuva ou faça sol, cuidam para que as cidades fiquem ainda mais bonitas, limpas e salubres! Texto da Biblioteca Nacional.




Lança-Perfume Marca "Pierrot", Anos 20/30, Elekeiroz, São Paulo, Brasil







Lança-Perfume Marca "Pierrot", Anos 20/30, Elekeiroz, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Nota do blog: Uma preciosidade da época que chegou até nós. Atualmente tem seu uso proibido por ser "perigoso" à saúde dos foliões, se bem que se formos analisar os que esses mesmos foliões consomem atualmente, isso é quase água...rs.

Biblioteca Pública Municipal, Rua Sete de Abril, 1926, São Paulo, Brasil



Biblioteca Pública Municipal, Rua Sete de Abril, 1926, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

A Biblioteca Pública Municipal, recém inaugurada, na rua Sete de Abril. Em 1941 foi transferida para a rua da Consolação.

Viaduto Alcântara Machado com Rua Piratininga, 1967, São Paulo, Brasil


Viaduto Alcântara Machado com Rua Piratininga, 1967, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Nota do blog: Autoria não obtida.

Pedágio do “Caminho do Mar”, Rua Bom Pastor, Ipiranga, São Paulo, Brasil



Pedágio do “Caminho do Mar”, Rua Bom Pastor, Ipiranga, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

Na década de 30, no final da Rua Bom Pastor, Ipiranga, no sentido do bairro do Moinho Velho, foi erguido um arco de alvenaria no início do então chamado "Caminho do Mar" para cobrança de pedágio. A arrecadação financiou parte da construção da atual Rodovia Anchieta e o arco acabou demolido nos anos 40.




segunda-feira, 25 de maio de 2020

Trecho da Rua Augusta, São Paulo, Brasil


Trecho da Rua Augusta, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
N. 72
Fotografia - Cartão Postal



As primeiras referências encontradas sobre esta rua, datam de 1875. Naquela época, ela era apenas uma trilha de terra batida, que começava na entrada da "Chácara do Capão" (altura da Rua D. Antônia de Queiroz) e seguia até o topo do "Morro do Caaguaçu", local onde hoje se desenvolve a Av. Paulista. Alguns pesquisadores, apontam para ela, a primitiva denominação de "Rua Maria Augusta". Porém, nada de oficial existe a respeito. A sua representação mais antiga encontra-se no mapa da cidade de 1897, onde ela já aparece com a denominação de "Rua Augusta". O grande responsável pela urbanização da antiga trilha e a sua consequente transformação em uma rua, foi o português Mariano Antônio Vieira, proprietário da "Chácara do Capão", cuja área ele comprou aos 05/04/1880. No interior dessa propriedade, Mariano abriria o bairro da Bela Cintra e diversas outras ruas como a Frei Caneca e a "Rua da Real Grandeza", atual Av. Paulista. Como que para complementar as obras ali realizadas, Mariano A. Vieira decidiu urbanizar a velha trilha pois, dessa maneira, o novo bairro teria uma via de acesso rápido até o centro da cidade. Segundo depoimentos da época, ele teria dito: "Agora vou abrir a rua por onde os bondes elétricos deverão subir até a Avenida (Paulista) porque as ruas existentes têm trechos muitos íngremes, de todo impróprios para transitarem veículos, mesmos que sejam bondes elétricos." O fato teria ocorrido entre 1890 e 1891, período este em que os bondes paulistanos ainda eram "puxados" por burros e a eletricidade ainda era quase um sonho (o primeiro bonde elétrico de São Paulo somente seria inaugurado em 1900). O fato é que em 1891 ela já estava aberta no trecho entre a Rua Caio Prado e a Av. Paulista. Entre 1910 e 1912 ela foi estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942, a Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta, ocasião em que foi desmembrada. Do lado oposto, em direção aos Jardins, o seu prolongamento até a Rua Estados Unidos foi oficializado em 1914.
O nome "Augusta": até o presente, os dados coletados não são suficientes para explicar a origem desta denominação. Podemos apenas indicar um possível caminho pois, tudo leva a crer que o responsável pela abertura da rua, o português Mariano Vieira, não quis homenagear uma pessoa e sim aplicar algo como um título de nobreza (ou adjetivo) ao chamá-la de "Rua Augusta". Colabora para esta versão o fato de que o mesmo Mariano, ao abrir uma "picada" no alto do morro do Caaguaçu, chamou o logradouro de "Rua da Real Grandeza".


Volkswagen Fusca 1500 1973, Brasil













Volkswagen Fusca 1500 1973, Brasil
Fotografia

O Que D. Pedro Viu em São Paulo, Além das Curvas da Domitila? - Paulo Rezzutti



O Que D. Pedro Viu em São Paulo, Além das Curvas da Domitila? - Paulo Rezzutti
Artigo


Dom Pedro e a sua comitiva, depois de passarem pela a colina da Penha avistaram uma outra, ao longe que ostentava as torres de oito igrejas, dois conventos e três mosteiros. Passando pela Várzea do Carmo, um verdadeiro pântano onde hoje encontra-se o Parque D. Pedro II, Pedro I subiu pela atual Rangel Pestana em direção ao então núcleo urbano da cidade, desenvolvido ao redor do Colégio dos Jesuítas e confinado entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí.
Uma das primeiras coisas que D. Pedro deve ter notado foi a taipa paulista. Diferente dos nossos atuais arranha-céus, a morada paulista da época era feita de barro, socado com o pilão ou espalmado em treliças de madeira. As casas eram pintadas com uma espécie de cal, tirado da região da ladeira da Tabatinguera, o “Barro Branco” que dava o nome indígena ao local. Raras eram as casas de pedra ou tijolos. As construções eram, geralmente, de dois andares, dotadas de balcões onde os paulistas “tomavam a fresca”, de manhã e de noite e assistiam às passagens das procissões, que não eram poucas. Aliás, o povo paulista era bastante devoto: a cidade inteira parava para rezar o terço à hora da Ave-Maria. Em 1822 existiam três oratórios públicos, um deles nos famosos “Quatro Cantos”, a antiga encruzilhada formada pela Rua Direita e a de São Bento. A multidão tomava toda a calçada e parte da largura da rua, onde rezavam por 25 minutos. Atropelamentos não existiam, afinal, só havia um coche na cidade inteira em 1822, o do Bispo de São Paulo. Os outros meios de transporte eram as cadeirinhas, onde escravos faziam o papel de motor, e os milenares carros de boi com seu gemer característico.
O povo paulista abastecia-se das água das fontes, geralmente próximas das igrejas, que, pela época da vinda de D. Pedro I, deviam estar, como aconteceria por mais cinquenta anos até a implantação da Companhia Cantareira, secas.
Quando os paulistas não estavam rezando ou procurando água, poderiam ser encontrados matando tempo jogando em família a bisca, a douradinha e o “vive l´amour”; exercitando suas primeiras tacadas no bilhar do Antônio José Pereira dos Santos, na rua do Comércio; trocando dedos de prosa na Botica do Lúcio ou na do Mota, tio do futuro poeta Álvares de Azevedo, que tão bem deixou ilustrado em “Macário” o hábito paulista de comer couves cozidas, além das famosas compotas de figos paulistas. Falando em comida, não podia faltar na mesa do paulista a excelente mostarda que vinha da fazenda dos padres beneditinos em São Bernardo. Também o doce de figo, um dos maiores quitutes da cozinha paulista, estava sempre presente.
Jornal só existiria no próximo ano, em 1823. Escrito a mão, servia cinco assinantes. Era confeccionado pelo “Mestrinho”, apelido do genial Antônio Mariano de Azevedo Marques, que, aos onze anos, lecionava latim na Sé.
Além das prosas, o paulista também tinha diversões noturnas, como os bailes, sendo os mais concorridos o do Palácio do Governo, então localizado no Pátio do Colégio após a desapropriação dos bens dos jesuítas. A vinte passos da sede do governo ficava o teatro em que D. Pedro, com a sociedade paulista, comemorou na noite de 7 de setembro de 1822 o “Grito” que deu no Ipiranga, sendo aclamado pelo padre Idelfonso Xavier o “Primeiro Rei do Brasil”. Na época, a sociedade teatral começava a se organizar. Os escravos e prostitutas colocados no palco anteriormente, já davam lugar a artistas mais experientes. Sim, eu falei em prostitutas; se é a mais antiga das profissões, não podia deixar de falar sobre as que a praticavam na São Paulo de Piratininga.
As prostitutas paulistas do começo dos 1800 só apareciam à noite atrás de tropeiros. Cobertas por amplos capotes de lã, deixavam somente parte do rosto à mostra. Vindas, geralmente, de muito longe, davam um toque oriental à noite paulista mal iluminada. O viajante francês Saint-Hilaire afirmava que elas passeavam lentamente pelos caminhos ermos da cidade, jamais abordando ninguém. Não conversavam nem entre elas, e Saint-Hilaire atestava que nada tinham do cinismo e descaramento das suas colegas de profissão francesas.
A peça que foi apresentada à D. Pedro na noite de 7 de setembro de 1822 no teatro, e que ele não ficou até o fim para assistir, chamava-se “O Cavaleiro de Pedra”, uma história a respeito do célebre amante Don Juan. A peça foi imortalizada por Mozart na ópera “Dom Giovani”, na qual Leporello, empregado de Giovanni, conta que seu mestre tinha, só na Espanha, “Mille e Tre” amantes. D. Pedro, que ficaria famoso pelas suas, sendo a mais famosa a nossa Titília, tinha bem mais o que fazer naquela noite além de ouvir sobre o caso amoroso dos outros. Segundo alguns relatos, tinha pressa em ver Domitila, com quem já tinha “ficado” em 29 de agosto, dias depois de ter entrado na cidade.
Do Palácio, no Pátio do Colégio, ele governou São Paulo por 15 dias, apaziguou os ânimos políticos dos bernardistas x andradistas, convocou novas eleições. Mas o que levou mesmo daqui foi a lembrança de um grande amor que duraria sete longos e escandalosos anos. Como não assistiu à peça até o final, não aprendeu o mais importante segredo de Don Juan: nunca se apaixonar por suas amantes.
Nota do blog: As duas fotos do artigo (detalhe e principal) são do quadro “Panorama da Cidade de São Paulo”, de Arnaud Julien Pallière, Coleção Brasiliana Itaú, OST - 36x96 – 1821. É uma das obras mais importantes da iconografia paulistana do século XIX. É o primeiro panorama completo da cidade e uma das poucas representações de São Paulo anteriores à criação da fotografia. 



O Fim do Parque Dom Pedro II / Implementação do Complexo Viário Parque Dom Pedro II, 1969-1970, São Paulo, Brasil – Ivo Justino









O Fim do Parque Dom Pedro II / Implementação do Complexo Viário Parque Dom Pedro II, 1969-1970, São Paulo, Brasil – Ivo Justino
São Paulo - SP
Fotografia