segunda-feira, 22 de junho de 2020

Cadillac Eldorado 1976, Estados Unidos




















Cadillac Eldorado 1976, Estados Unidos
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Nota do blog: Bonito até na neve...

Morris Minor 1000 Traveller 1960, Inglaterra

















Morris Minor 1000 Traveller 1960, Inglaterra
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Oldsmobile 98 Futuramic Sedanette 1949, Estados Unidos















Oldsmobile 98 Futuramic Sedanette 1949, Estados Unidos
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A Criação do Imposto de Renda no Brasil - Artigo


A Criação do Imposto de Renda no Brasil - Artigo
Artigo


O Imposto de Renda surgiu em 1922 com a Lei 4.625, que o instituiu para o ano seguinte:
"Art.31: Fica instituído o imposto geral sobre a renda, que será devido, anualmente, por toda a pessoa física ou jurídica, residente no território do país, e incidirá, em cada caso, sobre o conjunto líquido dos rendimentos de qualquer origem".
Antes da lei, havia tributação pontual sobre a renda, mas sem repartição própria ou funcionários com dedicação exclusiva ao tributo. Era o “Imposto sobre Vencimentos”, criado em 1843, pela Lei 317, direcionado para quem os recebesse dos cofres públicos; uma espécie de tributação exclusiva na fonte.
O primeiro regulamento do Imposto de Renda foi em 1924, ano em que o brasileiro foi obrigado a declarar, e previu entre outras determinações uma prática até a pouco tempo recorrente na prestação de contas do contribuinte com o leão: o adiamento do prazo de entrega da declaração.
No ano de 1991, 67 anos depois da criação do primeiro formulário de papel, a Receita cria o primeiro programa de entrega da declaração do imposto por meio magnético. O contribuinte preenchia os campos com os dados e entregava um disquete nas agências da Receita. A popularização dos computadores era incipiente e apenas 3% dos contribuintes entregaram as declarações neste formato. A adesão aumentou a cada ano, quando o contribuinte percebeu as vantagens da entrega por meio eletrônico, entre elas a rapidez no preenchimento; transporte automático de valores e a apuração eletrônica do cálculo do imposto e dos limites legais. Em 1997, mais da metade dos contribuintes já preenchia a declaração anual de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física por meio eletrônico. Nesse mesmo ano teve início a entrega via internet. Com o programa Receitanet o contribuinte já podia preencher e entregar a declaração sem sair de casa, bastando "baixar" da internet os programas para preenchimento e envio.
Em 2008, ano-calendário de 2007, ainda eram duas as formas de preenchimento da declaração: computador, com quase 99% de adesão, e o formulário. Em 2011, no exercício do ano calendário 2010, chegou ao fim o formulário de papel. O contribuinte tinha como opção a internet ou o disquete, entregue no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal.  A partir de 2013, a declaração do Imposto de Renda passa a ter a entrega exclusivamente pela internet.

Construção da Cia. Antarctica, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


Construção da Cia. Antarctica, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
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A fábrica da Antarctica foi fundada em Ribeirão Preto no dia 15 de agosto de 1911 pelo alemão João Carlos Antônio Frederico Zerrenner e o dinamarquês Adam Ditrik von Bülow, proprietários da exportadora e corretora de café Zerrenner, Bülow e Cia.
A Antarctica localizava-se na avenida Jerônimo Gonçalves, curiosamente acabando por ficar em frente à concorrente Cia. Cervejaria Paulista, que seria fundada em 25 de abril de 1913. No ano de 1973, a Antarctica comprou a Cia. Cervejaria Paulista, formando a Cia. Antarctica Niger S/A. Em março de 2000, a Antarctica e a Brahma se fundiram, dando origem à Ambev. Com isso, a fábrica da Antarctica em Ribeirão Preto foi vendida para a cervejaria canadense Molson e, pouco tempo depois, desativada.

Escola Estadual Guimarães Júnior, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


Escola Estadual Guimarães Júnior, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
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O Grupo Escolar Dr. José Guimarães Jr. foi inaugurado em 1 º de julho de 1901 por decreto de 1895. Funcionou primeiramente em dois prédios, devidamente adaptados, um na rua Duque de Caxias e outro na rua do Comércio.
Posteriormente, foi transferido para edifício construído a partir de um conjunto de projetos do engenheiro-arquiteto belga José Van Humbeeck, implantado em 5 municípios. Todavia, depois, em Ribeirão Preto, foram realizadas obras de ampliação com grande intervenção no projeto inicial, o que torna difícil a identificação de sua planta original.
É uma das integrantes de conjunto de 126 escolas públicas construídas pelo Governo do Estado de São Paulo entre 1890 e 1930 que compartilham significados cultural, histórico e arquitetônico. Essas edificações expressam o caráter inovador e modelar das políticas públicas educacionais que, durante a Primeira República, reconheceram como inerente ao papel do Estado a promoção do ensino básico, dito primário, e a formação de professores bem preparados para tal função. Quanto às políticas de construção de obras públicas, são representativas pela estruturação racional de se instalar edificações adequadas ao programa pedagógico por todo o interior e capital do Estado.
Destaca-se a qualidade do conjunto caracterizado pela técnica construtiva simples, consolidando o uso de alvenaria de tijolos e por uma linguagem estilística que simplificou os atributos da tradição clássica acadêmica. A organização espacial era concebida incorporando preceitos e recomendações de higiene, insolação e ventilação previstos na cultura arquitetônica que vinha se firmando desde o século XIX. O programa pedagógico distribuía essencialmente salas de aulas ao longo de eixos de circulação em plantas simétricas. Aos poucos se firmaram em projetos arquitetônicos padronizados que se repetiam com pouca ou nenhuma variação em mais de um município.

Comercial Gaúcha, Ex-Concessionária Volkswagen Mantém Fusca 0 KM e Outras Raridades, Estrela, Rio Grande do Sul, Brasil





Comercial Gaúcha, Ex-Concessionária Volkswagen Mantém Fusca 0 KM e Outras Raridades, Estrela, Rio Grande do Sul, Brasil
Estrela - RS
Artigo

Em Estrela, pequena cidade com pouco mais de 30 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, uma concessionária da Volkswagen que fechou as portas em 2001 permanece até hoje com veículos nunca rodados expostos no showroom.
O espaço, embora desativado, mantém modelos como um Fusca 1986 última série 0 KM, além de um SP2 1975 nunca vendido. Também contava com uma Quantum que ainda trazia os plásticos nos bancos e não tinha sido emplacada, uma Kombi com caçamba e outros dois Fuscas zero-quilômetro.
O guardião dessas preciosidades já não frequenta o local: Otmar Walter Essig, sócio da loja, hoje com cerca de 85 anos, está doente e permanece quase todo o tempo em casa, na cidade vizinha de Arroio do Meio – segundo um parente.
"Ele ia até a concessionária todos os dias, inclusive chegava dirigindo. Mas há cerca de dois anos ficou doente e deixou de aparecer. Um dos filhos dele vai lá de vez em quando para dar uma olhada", contou a funcionária de uma oficina mecânica localizada em frente à Comercial Gaúcha.
Segundo ela, o local é uma atração turística de Estrela e até hoje recebe a visita de curiosos.
Segundo relato de Essig na época, a loja fechou em 2004 porque a Volkswagen decidiu encerrar o contrato com concessionárias que vendiam menos de 60 veículos por mês - eles tinham uma média de 25 vendas mensais.
Mesmo fechado, Essig continuou a visitar o antigo local de trabalho, que mantinha limpo e organizado, inclusive com ferramentas nas paredes e estoque de peças originais de reposição - que, eventualmente, vendia.
Tentamos contato com dois filhos de Essig, para saber quais são os planos da família para o espaço e os carros, mas eles não responderam até o momento. Texto do Uol.


Ribeirão Preto e Padre Euclides, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil - Artigo


Ribeirão Preto e Padre Euclides, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Artigo


Hoje vamos contar a trajetória de vida de um dos maiores beneméritos da história de Ribeirão Preto. Ele era tão querido pela população que mo­tivou um episódio insólito – e que nunca mais se repetiu. Cen­tenas de moradores fretaram um trem e foram até a vizinha São José do Rio Pardo para pro­mover uma manifestação de de­sagravo – a favor do benemérito e contra o bispo dom Alberto José Gonçalves, que o removeu a contragosto.
Ribeirão Preto teve, em seus mais de 160 anos de história, inú­meros sacerdotes católicos que aqui desempenharam suas fun­ções e deixaram um legado de realizações e saudade. Entre mui­tos, porém, padre Euclides Gomes Carneiro (1879-1945) merece destaque. Nos quase 15 anos (de 1902 a 1915) em que morou na ci­dade, padre Euclides ganhou no­toriedade como um incansável protetor dos pobres e desvalidos. No rol de suas obras aparece a reestruturação da Santa Casa de Misericórdia, a construção da Catedral Metropolitana de São Sebastião, a fundação da Legião Brasileira e do “Asylo dos Invá­lidos” (hoje Lar Padre Euclides) e muitas outras ações. Mais que reverenciado, era genuinamente adorado pelos moradores.
Por isso, caiu como uma bomba a notícia de sua trans­ferência para São José do Rio Pardo, tornada pública em 1º de junho de 1915 pela imprensa local – no “português” da época: “É com grande magua que hoje communicamos aos nossos lei­tores a remoção do padre Eucli­des Carneiro, cura da Cathedral, para a parochia de S. José do Rio Pardo, onde vae exercer as func­ções de vigario”. A medida toma­da pelo bispo Dom Alberto José Gonçalves surpreendeu a todos a tal ponto que essa primeira no­tícia dava a transferência como provisória: “Felizmente que a sua remoção desta cidade tem carac­ter provisorio (…).”
Não tinha caráter provisório. Oficialmente, na condição de sacerdote, nunca mais padre Eu­clides retornou a Ribeirão Preto. Mas ele driblou a burocracia da Igreja Católica e permaneceu vivo e presente no coração da comunidade que o venerava – continuou visitando a cidade frequentemente e comandou, de longe, a fundação do sonhado “asylo da mendicidade”.
Comunidade se mobiliza – A informação de sua transferên­cia de Ribeirão Preto foi publica­da em 1º de junho de 1915, uma terça-feira. Na noite da quinta­-feira, dia 3, foi realizada uma reunião extraordinária na sede da Sociedade Legião Brasileira, que padre Euclides tinha funda­do e presidia. Em meio de calo­rosos debates sobre as razões da remoção, o grande orador João Pedro da Veiga Miranda (que posteriormente seria ministro da Marinha – o primeiro e único civil a ocupar o posto até hoje) encaminhou uma indicação, aprovando-se “uma manifesta­ção do grande apreço que Ribei­rão Preto ao mesmo tributa”.
No texto dessa indicação, a remoção foi explicada como “por motivos de moléstia”. A co­missão montada para organizar a manifestação incluia Veiga Mi­randa (nascido em Campanha/MG em 1881 e falecido em Ri­beirão Preto em 1936) e o pre­feito Macedo Bittencourt, além dos coronéis Gabriel Junqueira e Saturnino de Carvalho.
Uma semana depois, tudo estava encaminhado. Em 10 de junho, a imprensa noticiou o fretamento de um trem especial para levar centenas de moradores até São José do Rio Pardo, no do­mingo, 13 de junho. O texto tra­zia também outras informações, como a de que a “Sociedade José do Patrocínio”, dos “homens de cor”, havia aderido à iniciativa, e a de que estava à disposição de to­dos, na sede da Legião Brasileira, para ser assinada, a “mensagem que vae ser dirigida ao beneme­rito sacerdote em signal de reco­nhecimento pelos beneficios que praticou nesta cidade”.
A movimentação era tanta que na sexta-feira, 11 de junho, a imprensa avisou: “(…) só será permittido ingresso no trem às pessoas que se apresentarem mu­nidas dos respectivos convites, os quaes são pessoais e intrans­feriveis”. Na edição de sábado, 12 de junho, véspera da viagem, a imprensa informava que o trem especial “parte impreterivelmen­te amanhã as 6 horas em ponto”, que “o almoço será em S. José do Rio Pardo, estando estabelecidos preços módicos pelos hoteis, de­vendo cada excursionista pagar as suas despezas”, e que “hoje fi­cará em exposição na vitrine da Casa Andrade Baptista a luxuo­sa pasta de marroquim, na qual será acondicionada a mensagem (escrita em pergaminho ani­mal). A pasta, de severo gosto, é encrustada de ouro, contendo a um dos cantos as iniciais E. C.”.
No domingo, foi veiculada a notícia de que “o maestro José Delfino (da banda Filhos de Eu­terpe) compoz uma linda mar­cha que denominou Padre Eucli­des, a qual será hoje executada em S. José do Rio Pardo pela primeira vez” e que “a banda Filhos de Eu­terpe compõe-se de 36 figuras e trajará o fardamento de gala”.
Na terça-feira, 15 de junho, a imprensa publicou o relato sobre a emocionante viagem – quan­do a multidão chegou na casa de padre Euclides, ele caiu no choro e não conseguiu discursar em agradecimento. Menos de um mês depois, em 14 de agos­to, data do aniversário de nasci­mento do sacerdote, um jornal local dedicou toda a primeira página a um único assunto, re­produzindo parte dos mais de 150 telegramas que o venera­do sacerdote receberia naquela data de admiradores de Ribeirão Preto (incluindo um do Com­mercial Foot Ball Club) e uma mensagem para padre Euclides, redigida e lida por Veiga Miran­da por ocasião da viagem a São José do Rio Pardo.
Nunca ficou claro o porquê da remoção de padre Euclides de Ri­beirão Preto para São José do Rio Pardo. Em uma tese de mestrado sobre o Lar Padre Euclides – “A Assistência ao Idoso no Lar Padre Euclides de Ribeirão Preto (SP) nas décadas de 1910 a 1950, De­partamento de Psicologia e Edu­cação da Faculdade de Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), ligada à Universidade de São Pau­lo (USP), porém, a autora Gabriela Burali, sem pretender esclarecer de vez o caso, dá algumas pistas.
“Uma carta de Dom Alberto (José Gonçalves, bispo de Ribei­rão Preto) destinada ao arcebis­po de São Paulo e escrita em 8 de junho de 1915 relata possí­veis problemas que padre Eu­clides estaria vivenciando com membros da própria família, que teriam ido ‘ás casas de famílias da cidade com o fim exclusivo de desmoralizá-lo’”, registra a tese. A autora aborda ainda outras possíveis versões para as segui­das remoções de padre Euclides por parte de dom Alberto – afi­nal, anos depois de ter sido reti­rado de Ribeirão Preto (1915), o sacerdote seria transferido, no­vamente a contragosto, de São José do Rio Pardo (1919), onde a população também se mobili­zou para reverter, sem sucesso, a decisão do bispo:
“As constantes remoções de Padre Euclides por D. Alberto José Gonçalves foram motivo de gran­des polêmicas entre as popula­ções das cidades onde ele viveu. Sem ter totalmente esclarecidos os motivos de tais transferências, que variavam comportamentos inadequados do padre e conflitos familiares, conforme D. Alber­to, até inveja deste em relação a padre Euclides, conforme ponto de vista da população, o povo se manifestava, reclamando a per­manência do padre, sem êxito (…)”, explica Gabriela Burali.
Trecho de relato de participante da excursão a São José do Rio Pardo em junho de 1950 (mantida a grafia da época): “Excedeu a toda a espec­tativa a manifestação de apreço que a população agradecida de Ribei-rão Preto rendeu ante hontem em S. José do Rio Pardo ao rev. Padre Euclides Carneiro, ora vigario daquella parochia. O trem especial que daqui partiu as 6 horas conduziu cerca de 300 pessoas de representação social, entre as quaes figuravam magistrados, membros da Camara Municipal, diversas autoridades, advogados, medicos, engenheiros, professores, comercian­tes, lavradores, industriaes, jornalistas, funccionarios publicos e delegações de sociedades, que para alli se dirigiram, animadas por um nobilissimo sen­timento de gratidão, a testemunhar ao abnegado sacerdote todo o seu im­menso reconhecimento pelos benefícios que prodigamente semeou nesta terra que se ufana em o ter acolhido por muitos annos”.
Euclides Gomes Carneiro, fi­lho do coronel José Gomes Vieira e Silva e dona Cândida Santiago Carneiro e Silva, nasceu em 14 de agosto de 1879, em Itajubá (MG). Iniciou os estudos em Lorena e frequentou o Seminário Episcopal de Mariana, sendo ordenado pa­dre aos 22 anos, em abril de 1901. Designado coadjutor de Monse­nhor Antônio de Siqueira para a paróquia de Ribeirão Preto, aqui chegou em dezembro de 1902.
De imediato assumiu a direção da Santa Casa (fundada em 1896), então um “conjunto precário de en­fermarias abandonadas”. Em 3 de maio de 1903 fundou a Associação dos Catequistas Voluntários, que no ano seguinte passou a ser denomi­nada Sociedade Legião Brasileira de Civismo e Cultura. A sede da entida­de, um prédio de dois pavimentos, foi construída entre 1905 e 1917 na esquina das ruas São Sebastião e Visconde de Inhaúma (anos mais tarde, essa sede foi demolida e no mesmo local erguido o atual Edifício Padre Euclides).
Em fevereiro de 1904, passou a atuar na comissão de obras da Ca­tedral Metropolitana de São Sebas­tião. Em 1912, fundou uma escola profissionalizante denominada Es­cola de Artes e Ofícios e depois Cen­tro Operário São Benedito. A partir de 1909, começou a lutar para via­bilizar a fundação de um “asylo de mendicidade” – a primeira ideia, de instalá-lo no desativado Hospital de Isolamento, foi descartada devido a focos de mosquito transmissor da malária naquelas imediações (atual Alto do Ipiranga). Mesmo removido de Ribeirão Preto em 1915, padre Euclides continuou a trabalhar pelo asilo (inaugurado em 1920).
Em junho de 1915, aos 36 anos, padre Euclides foi transferido para São José do Rio Pardo. Lá, em me­nos de cinco anos, fundou um asilo para mendigos (hoje Lar Padre Eu­clides), reformou a catedral local e inaugurou a Gruta de Nossa Senho­ra de Lourdes. Em junho de 1919, foi removido por dom Alberto de São José do Rio Pardo. No ano seguinte, 1920, foi mandado para Botucatu, onde em 1922 fundou o “asylo de mendicidade”. Em 1925 foi transfe­rido para Piraju (SP). Em 1932, pa­dre Euclides estava morando no Rio de Janeiro em 1939, era capelão das Carmelitas em Todos os Santos (RJ). No início dos anos 1940, padre Euclides permaneceu internado no sanatório de São José dos Campos para tratamento de tuberculose.
Morreu em 26 de fevereiro de 1945, aos 65 anos, no Convento das Carmelitas. Em 27 de fevereiro de 1946, em comemoração ao pri­meiro aniversário de falecimento, um monumento criado por Alberto Crosera foi inaugurado no canteiro central da avenida da Saudade, nos Campos Elíseos, defronte ao asilo. Anos depois, quando a avenida foi reformada e o canteiro central reti­rado, o monumento foi transferido para a praça Santo Antônio, onde fi­cou por pouco tempo, sendo insta­lado, de forma definitiva, no jardim do Asilo Padre Euclides, junto à Ca­pela de Nossa Senhora Aparecida.
Em 30 de abril de 1950, os res­tos mortais de padre Euclides, que estavam em um cemitério no Rio de Janeiro, foram transladados para a Capela de Nossa Senhora Apare­cida, no asilo que tem o nome de seu fundador. Uma placa de bron­ze, junto à urna mortuária, traz os seguintes dizeres: “Aqui jazem os restos mortais do Padre Eucli­des Gomes Carneiro, benemérito fundador deste Asilo. Amou ao próximo mais do que a si mesmo, propagou a fé católica, realizou obra ampla de caridade e assistência. Tornou-se credor da veneração do povo. Orai por ele”. Texto de Nicola Tornatore.

Manuel Au­reliano de Gusmão, o Prefeito que a Cidade Esqueceu, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil - Artigo


Manuel Au­reliano de Gusmão, o Prefeito que a Cidade Esqueceu, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil - Artigo
Ribeirão Preto - SP
Artigo



Ele foi uma das mais im­portantes personalidades dos primórdios de Ribeirão Preto. Vereador, vice-presidente da Câmara, prefeito, deputado es­tadual, senador estadual, pro­fessor da Faculdade de Direito de São Paulo, jurista frequen­temente citado em processos até os dias de hoje… Apesar do alentado currículo, Manuel Au­reliano de Gusmão (1857-1922) praticamente desapareceu da memória de Ribeirão Preto.
Sua importância, nas duas primeiras décadas do século pas­sado, foi tal que mereceu uma homenagem que se pretendia eterna – uma das principais pra­ças da região central da cidade recebeu seu nome. Mas, 50 anos depois, o Legislativo aprovou lei mudando o nome do local para Sete de Setembro, em homena­gem à Independência do Brasil.
Manuel Aureliano de Gus­mão nasceu em Alagoas e mi­grou para São Paulo, onde se formou na Faculdade de Direi­to. Em 1875 casou-se com Olí­via Castelo Branco. Ingressou na magistratura e foi nomeado o primeiro titular da comarca de Ribeirão Preto, instalada em 10 de outubro de 1892 com abrangência regional – Cravi­nhos, Serrana, Sertãozinho, Pontal e Dumont.
Aureliano de Gusmão foi o primeiro juiz de Direito da histó­ria de Ribeirão Preto. Permane­ceu no cargo até 1897, quando foi sucedido por Eliseu Guilherme. Chegou a assumir o posto em Descalvado, no mesmo ano de 1897, mas decidiu deixar a ma­gistratura e retornou a Ribeirão Preto, onde atuou como advoga­do e ingressou na política.
Em 1899 foi eleito vereador na 9ª Legislatura da Câmara Mu­nicipal de Ribeirão Preto (1899- 1902), pelo Partido Republicano Paulista (PRP). No dia 26 de ju­lho daquele ano foi uma das au­toridades presentes na cerimônia de inauguração da iluminação pública elétrica. “A solenidade foi encerrada pelo doutor Gusmão, que deu um viva ao povo de Ri­beirão Preto”.
Em 1901 foi reeleito vereador, sendo o segundo mais votado (737 votos). Já como vice-pre­sidente da Câmara, no dia 5 de julho de 1902 foi eleito por seus pares “intendente”, denominação da época para o responsável pela chefia do Executivo. Em 22 de novembro do mesmo ano, por indicação do próprio Aureliano de Gusmão, a Câmara substituiu a denominação intendente por prefeito – ele foi, assim, o primei­ro de Ribeirão Preto, segundo a nova nomenclatura, e o 20° cida­dão a exercer o cargo.
Santos Dumont – Na sessão de 31 de outubro de 1903, Au­reliano de Gusmão apresentou uma proposta de doação de um conto de réis para o aeronauta Alberto Santos Dumont. O di­nheiro serviria “para auxiliar a continuação de suas experiên­cias sobre o aproveitamento da dirigibilidade dos balões como meio de transporte”. A Câmara aprovou a indicação por unani­midade (lei n° 100). Em 1904, indicado pelo coronel Joaquim da Cunha Diniz Junqueira, saiu candidato a deputado estadual pelo PRP e foi eleito.
Na Assembleia Legislativa, trabalhou pela aprovação de um Ginásio do Estado para Ribeirão Preto (só havia o Grupo Escolar, atual Guimarães Junior, inaugu­rado em 1895) e dois anos depois, em 1907, integrou a comitiva do presidente do Estado (governa­dor) Jorge Tibiriçá, que em 1° de abril acompanhou a inauguração do sonhado “Gymnasio” (atual Escola Estadual “Otoniel Mota”).
Foi reeleito deputado estadu­al até 1914, quando prestou con­curso para professor (lente) na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (hoje, USP), onde havia se formado. Foi aprovado, assumiu o posto e em pouco tempo já era professor catedráti­co. Autor de inúmeros trabalhos sobre Direito, ainda hoje é citado em processos.
Faleceu em 1922, quando exercia o mandato de senador es­tadual. Antes de morrer, em São Paulo, transladou para a capital paulista os restos mortais de sua filha Laura, falecida aos 18 anos, em 9 de setembro de 1893, e se­pultada no Cemitério da Sauda­de, em Ribeirão Preto.
Apesar da profí­cua carreira como político e juris­ta e dos melhoramentos obtidos para Ribeirão Preto, de Manuel Aureliano de Gusmão não res­tam lembranças. Após sua morte, em agradecimento pelos relevan­tes serviços prestados à cidade, a praça delimitada pelas ruas Sete de Setembro, Lafaiete, Floriano Peixoto e Florêncio de Abreu foi batizada com seu nome.
Mas, em 4 de janeiro de 1972, a mesma Câmara Municipal onde ele despontou para a polí­tica aprovou uma lei alterando o nome da praça Manuel Aurelia­no de Gusmão para praça Sete de Setembro – o costume da popu­lação, de chamá-la de Praça Sete, foi mais forte que o passado.
Nosso último intendente, nosso primeiro juiz de Direito e primeiro prefeito (com essa no­menclatura), o cidadão que con­venceu seus pares a doar recursos para o pai da aviação Santos Du­mont, desapareceu da memória de Ribeirão Preto.
Em janeiro de 2007, o pre­feito Welson Gasparini (PSDB) sancionou uma lei de autoria do então vereador Wandeir Sil­va (PMDB) – aprovada em de­zembro de 2006 – que autoriza o chefe do Executivo a deno­minar de Manuel Aureliano de Gusmão “logradouro público ou próprio municipal”. Só fal­ta alguém tomar a iniciativa e devolver à cidade um pouco da história do “pioneiro”.
Uma possível explicação para o fato de não ter havido reação à decisão da Câmara de alterar o nome da praça, de Aureliano de Gusmão para Sete de Setembro, está na ausência de descendentes do homenageado, residentes em Ribeirão Preto ou região. O sobrenome Gusmão não é incomum, mas o ramo mais conhecido na região – os Gusmão de Cravinhos, no qual desponta o ex-ministro Roberto Gusmão – não tem parentesco direto com o pri­meiro prefeito de Ribeirão Preto.
Manuel Aureliano de Gusmão nasceu em 19 de outubro de 1857, em São Luís do Quitunde, Alagoas. Antes de chegar em Ribeirão Preto, foi promotor de São João da Barra, no Rio de Janeiro. Ocupou esse cargo em 1881 e 1882, quando foi nomeado juiz de Pindamo­nhangaba (SP), onde permaneceu até o fim de 1888. Foi para o Recife (PE), onde se casou. Em março de 1889, veio para São Simão, no auge da produção de café.
Foi lá que se entregou às lutas políticas ao lado do chefe republicano Manuel Dias do Prado. Em setembro de 1892, foi nomeado juiz em Ri­beirão Preto. Em 1897, deixou o cargo, passando a exercer a advocacia. Eleito vereador, chegou a presidente da Câmara e prefeito. Em dezembro de 1903, foi eleito deputado estadual, sendo sempre reeleito até 1916, quando foi para o Senado.
Entre os anos de 1884 e 1900, o local hoje ocupado pela praça Francisco Schmidt, ao lado da avenida Jerônimo Gonçalves, no início da Vila Tibé­rio, era conhecido como Largo da Estação ou Praça da Estação, por causa da “gare” (plataforma) da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
Em 3 de novembro de 1900, o vereador Ma­nuel Aureliano de Gusmão propôs a compra do terreno da praça da Estação, pertencente à Com­panhia Mogiana, e dos terrenos entre a praça e a avenida Jerônimo Gonçalves e as ruas São Sebas­tião, General Osório e Duque de Caxias. Segundo Gusmão, a área da Mogiana e os demais terrenos, pertencentes a Manoel Francisco de Carvalho e Dona Verediana Prado e Filhos, deveriam ser ad­quiridos para construção de uma praça em home­nagem ao coronel Francisco Schmidt, que na época desfrutava do título de “Rei do Café”. A indicação foi aprovada pela Câmara de Vereadores.
A praça acabou ficando ainda maior do que o pre­visto no projeto inicial – os vereadores optaram pelo alargamento da praça por meio da aquisição dos ter­renos entre as ruas Duque de Caxias e São Sebastião. O aterro da praça e construção dos parapeitos ao lado do ribeirão Preto foram realizados pela Cia. Mogiana, através de um convênio com a Câmara.
A lei nº 2.590, que alterou o nome da praça Aureliano de Gusmão para Sete de Setembro, foi apresentada em 4 de janeiro de1972, na primei­ra administração Antônio Duarte Nogueira, pai do atual chefe do Executivo, Duarte Nogueira Júnior (PSDB), mas só foi sancionada, pelo próprio No­gueira pai, em 19 de janeiro de 1979, já em sua segunda administração.
O parágrafo único do artigo 1 diz o seguinte: “O topônimo Aureliano de Gusmão fica reser­vado para servir de denominação a uma praça pública existente e sem nomenclatura ou a ser construída futuramente neste município”. A pro­messa, porém, ficou no papel, e nenhuma nova praça recebeu o nome de nosso primeiro prefei­to e juiz de Direito.
Em janeiro de 2007, o prefeito Welson Gaspa­rini (PSDB) sancionou uma lei de autoria do então vereador Wandeir Silva (PMDB) – aprovada em de­zembro de 2006 – que autoriza o chefe do Execu­tivo a denominar de Manuel Aureliano de Gusmão “logradouro público ou próprio municipal”.
A Praça Sete de Setembro já foi chamada de Aureliano de Gusmão, mas a Câmara
mudou o nome do local na gestão do prefeito Antônio Duarte Nogueira, o pai. Texto de Nicola Tornatore.

O Horizonte (L'Horizon) - René Magritte


O Horizonte (L'Horizon) - René Magritte
Coleção privada
Guache sobre papel - 49x37 - 1938


L’Horizon is an enchanting image executed with exquisite detail. Magritte has depicted a towering plank of driftwood, rendered in faux-bois, stranded in otherwise empty seaside view. Illustrating his approach to artistic consciousness, it is a fine example of the artist’s Surrealist imagination, particularly his use of trompe-l'œil.The image of men in bowler hats is central to Magritte’s work. It has recently been suggested that he first affected this most conservative item of clothing when he visited England in 1938 to open an exhibition of his work at E. L. T. Mesens' London Gallery, where he was photographed wearing a bowler hat. The depiction of a man wearing a bowler hat first featured in the artist’s œuvre in the 1920s and remained one of his most frequently used and important motifs employed to portray a sense of the anxiety of the Everyman.
According to the catalogue raisonné entry for this work, L’Horizon is the first rendition of this composition, which Magritte would later revisit in an oil painting of 1950. Alongside oil paint, gouache was Magritte’s favoured medium and particularly important compositions were executed in both media. The artist’s use of gouache facilitated his intricate style of representation but also introduced a brighter tone to his work. Siegfried Gohr, discussing the importance of the artist’s gouaches, wrote that ‘the coloured works on paper reveal the brilliant talent of Magritte the painter. Even though he repeatedly denied his ‘artistry’, belittling the traditional habitus of the virtuoso artist genius and emphasizing instead the artist’s intellectual work, his gouaches in particular reveal how masterfully he was able to apply his extraordinary gift of visualising his pictorial ideas’ (S. Gohr, Magritte: Attempting the Impossible, New York, 2009, pp. 77-78). In comparison to his oil paintings which often utilised the material’s natural inclination to depth and atmospheric effects, gouache depicts its subject in light-filled hues and crystalline clarity.