sábado, 25 de julho de 2020

Abertura da Avenida Nove de Julho, 1937, São Paulo, Brasil


Abertura da Avenida Nove de Julho, 1937, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Nesta imagem panorâmica de 1937, não se poderia imaginar que cada centímetro do Vale do Saracura seria totalmente ocupado muito em breve, as ávidas construtoras que o digam. Observa-se o casario remanescente, certamente desapropriado forçosamente. Ao fundo, o Martinelli — construído entre 1924-1929, seria concluído "de verdade" em 1934 e reinaria absoluto até o término do Altino Arantes em 1947. Um pouco à direita, o Edifício Saldanha Marinho, erguido entre 1929-1933 na Rua Líbero Badaró.

Ilha dos Frades, Baía de Todos os Santos, Salvador, Bahia, Brasil


Ilha dos Frades, Baía de Todos os Santos, Salvador, Bahia, Brasil
Salvador - BA
Fotografia - Cartão Postal


A ilha dos Frades localiza-se praticamente no centro da baía de Todos os Santos, pertencendo ao município de Salvador. Tornou-se oficialmente um bairro da cidade de Salvador em 2017.
Com apenas seis quilômetros de comprimento, possui a forma de uma estrela de quinze pontas e apresenta belas paisagens, com praiaslagoscachoeirasmontanhascoqueirais e uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, inclusive o pau-brasil.
De acordo com uma lenda local, a ilha é assim denominada uma vez que, à época do início da colonização, nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar.
Foi, também, um importante entreposto de escravos para o Recôncavo Baiano.
Um dos filhos ilustres da ilha dos Frades, foi o Barão de Loreto (1836-1906), personagem política da época do Império.
A tradição oral nativa conta que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana, que no estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal, decidindo sobre a vida e a morte dos moradores, ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário.
A colonização formou três pequenas povoações que são:
"Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", na qual moram atualmente cerca de quarenta e cinco pessoas. Possui diversas barracas de praia e de artesanato, além de contar com ruínas de um antigo casarão e de uma igreja que remonta ao século XVII que está completamente arruinada.
"Costa de Fora", onde moram cento e cinquenta habitantes. Conta com uma hospedaria (Hospedaria Barracuda) com dez leitos e um único bar. Possui uma igreja antiga escondida na vegetação, algumas quedas d'água escondidas na Mata Atlântica remanescente e o único cemitério da ilha.
"Paramana", a principal povoação de lá, conta com mais de novecentos habitantes. Conta com um posto policial, um posto de saúde que atende semanalmente, além de barracas de praia, alguns restaurantes, um pequeno comércio e uma pousada. Próximo desta povoação fica a mais que centenária "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos reformados.
A ilha constitui-se em uma reserva ecológica municipal desde 1982 e integra a APA (Area de Preservação Ambiental) Estadual Baía de Todos os Santos.
Entre os monumentos históricos, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, totalmente reformada e reinaugurada em 2012, que remonta ao século XVII, a Igreja de Nossa Senhora do Loreto, erguida no século XVIII, a Igreja de Nossa Senhora do Bom Parto, o Farol da ilha dos Frades, no morro atrás da praia de Ponta de Nossa Senhora, as ruínas de um lazareto, as de um entreposto, onde os escravos eram colocados para engordar antes de serem vendidos, as de um armazém, onde os escravos ficavam de quarentena e as de uma casa-de-farinha.
As praias mais importantes são a Praia da Costa, a de Loreto, a de Paramana, a da Ponta de Nossa Senhora, a do Tobar e a da Viração.
Todas apresentam águas límpidas e cristalinas, excelentes para a prática do mergulho, com uma visibilidade de até quinze metros na horizontal e profundidade máxima de onze metros. Nelas podem ser observadas formações de corais e recifes.

Origem da Expressão “Acabou em Pizza”, Brasil - Artigo



Origem da Expressão “Acabou em Pizza”, Brasil - Artigo
Artigo


A chegada da pizza ao Brasil enriqueceu a cozinha nacional e a língua portuguesa. Inspirou, por exemplo, uma divertida expressão popular. O país inteiro diz “acabou em pizza” quando precisa definir um litígio, pendência, escândalo público ou privado, encerrado com acordo ou barganha. Equivale a “acabou em festa” ou “em confraternização”. É originária da cidade de São Paulo.
Seu autor foi o famoso jornalista e cronista esportivo Milton Peruzzi, apelidado de Polenta (1928-2001), do jornal “A Gazeta Esportiva”, “Rádio Gazeta” e “TV Gazeta”, veículos de imprensa paulistanos. Era profissional conceituadíssimo, além de fiel torcedor da equipe de futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras. As cores do time, exibidas no escudo e na bandeira, são o branco e o verde.
No final da década de 1960, os cartolas alviverdes travavam uma das suas intermináveis discussões, encerrados em uma sala do clube. Ninguém lembra qual o motivo, porém se relacionaria com uma disputa eleitoral entre os dirigentes Delfino Facchina, Ferruccio Sandoli, Nicola Raccioppi, Arnaldo Tirone, Pascoal Walter Byron Giuliano, Nelson Duque, Brício Pompeu de Toledo e Francisco Hipólito, entre outros.
O jornalista e cronista esportivo Milton Neves, colega de trabalho e amigo de Peruzzi, acredita que o debate durou catorze horas. Ao cair da noite, com os cigarros terminando os clamores do estômago exigindo, o grupo a saiu para comer na vizinhança. Os cartolas andaram a pé, gritando palavrões na rua e entoando a canção do folclore italiano “Quel Mazzolin di Fiori”, do século XIX.
Dirigiram-se provavelmente à Pizzaria do Mário, na subida da Rua Turiassú. O restaurante não existe mais. Primeiro virou cinema; depois, igreja evangélica. Entretanto, alguns acreditam que o grupo foi à Cantina e Pizzaria Genovese, da Avenida Pompeia. Esse detalhe, por sinal, hoje também divide os palmeirenses.
Segundo Milton Neves, a paz foi selada depois de duas rodadas de chope da Brahma, quinze garrafas de vinho Valpolicella Bolla e dezoito pizzas grandes. Não se sabe igualmente se eles chegaram a um acordo consensual ou cansaram de brigar e gritar. Enfim, a paz foi selada. Milton Peruzzi estava lá e deu o furo (notícia em primeira mão) por telefone.
No dia seguinte, o título de sua lidíssima coluna “O Periscópio”, em “A Gazeta Esportiva”, era este: “Crise do Palmeiras acabou em pizza”. Milton Peruzzi criava uma metonímia – figura de linguagem que designa uma coisa através de palavra com a qual possui relação de causa.
A pizza se prestou ao uso até pela versatilidade. Basta trocar a sua cobertura para se adaptar ao gosto de quem não a aprecia do outro jeito. Daí ser impossível encontrar alguém que não goste de uma redonda – como a chamavam os imigrantes italianos, por uma razão carinhosa, pelo seu formato arredondado e achatado.
Duas curiosidades sobre o autor de “acabou em pizza”. A primeira: Peruzzi era sobrenome artístico. O correto seria “Peruzzo”, como constava em sua carteira de identidade. Quando se lançou na carreira de jornalista radiofônico, fazia sucesso em São Paulo a banda do maestro, arranjador, flautista, trombonista e compositor santista Edmundo Peruzzi (1918-1975). Era músico de grande prestígio. Hoje, tornou-se nome de rua na Vila Nair, Zona Leste paulistana.
Compôs trilhas sonoras para filmes, lançou discos por diferentes gravadoras e, com a “Peruzzi e sua Orquestra”, fundada em 1945, animou bailes de São Paulo e arredores. Tocava choros, valsas, marchas, sambas, boleros e frevos. Um dos seus sucessos foi “Luzinha”, choro de 1958, composição de Airton Amorim e Mirabeau.
Sempre que o até então desconhecido Milton “Peruzzo” se apresentava a alguém, o interlocutor perguntava se, na verdade, ele não seria Peruzzi. Cansado de negar o parentesco e por achar o sobrenome do músico “mais eufônico”, adotou-o profissionalmente.
Segunda curiosidade: o apelido Polenta veio da casa dos pais. A mãe, Dona Pierina, notabilizou-se no bairro do Pari, onde morava, por ser cozinheira de mão cheia. Era admirada pelas massas frescas de sua autoria, especialmente pelo fusilli. Também preparava recchiatella, massa que os ítalo-paulistanos chamam de richitella e na Itália também se denomina orecchiette (orelhinhas). Cozinhava o molho de tomates longamente, tornando-o encorpado e muito saboroso.
Outra receita de repercussão, da lavra de Dona Pierina, era uma polenta mole ou pastosa, cuja receita veio da região do Vêneto, onde ela nasceu. O filho generoso levava os amigos à casa na Rua Carnot, para saborear a delícia. Foi em razão da fama do prato de sua mãe que Milton Peruzzi virou Polenta. À mesa, sempre havia uma garrafa do vinho Chianti Classico Ruffino, o favorito do jornalista e cronista esportivo.
Não faltavam ainda o pão italiano da Padaria Basilicata, no Bexiga, onde Milton Peruzzi ia cedinho, para pegar a primeira fornada, e, naturalmente, muita alegria. O filho de Dona Pierina tomava partido. Os italianos e seus descendentes de primeira, segunda e terceira geração, em São Paulo, dividem-se radicalmente em torno do pão. Uma metade prefere o da Basilicata; a outra escolhe o da São Domingos. Ambas as padarias, por sinal excelentes, localizam- se no bairro do Bexiga.
Milton Peruzzi era homem simpático e comunicativo, que colecionava amigos a rodo e legiões de fãs. Vestia-se impecavelmente, a ponto de trabalhar de terno e gravata nas coberturas esportivas. A família guarda uma fotografia dele, elegante como sempre, com roupa social, no estádio do Palmeiras, ao lado do um dos maiores ídolos da história do clube, que aliás admirava: o lendário atacante Jair Rosa Pinto (1921-2005).
Apesar das canelas finas, o jogador tinha um chute muito potente e sabia armar como poucos. O craque aparece na fotografia a caráter, ou seja, como devia, de chuteiras, meias, calção e camiseta. Coincidentemente, o pai do atual presidente do Brasil, o dentista prático Percy Geraldo Bolsonaro, neto de italianos, era torcedor fervoroso do Palmeiras. Daí colocar no filho o nome de Jair Bolsonaro. Quem diria, o presidente do Brasil, paulista do Glicério, tem um pé no futebol!
É impressionante a paixão que o Palmeiras sempre atiçou no coração dos imigrantes da Itália e dos seus descendentes. Os “Bolzonaro” (assim se grafava o sobrenome) são originários da região do Vêneto, no nordeste daquele país. O bisavô do presidente do Brasil, Vittorio “Bolzonaro”, desembarcado em 1888 no estado de São Paulo, ainda criança, junto com a família, que veio para trabalhar nas lavouras de café, nasceu em Anguillara Veneta, hoje uma comuna com menos de 5000 habitantes, na província de Pádua.
Entre os anos de 1970 a 1980, Milton Peruzzi ainda brilhou no comando do “Futebol é com 11”, da “TV Gazeta”, de São Paulo, programa no estilo mesa-redonda e transmitido nas noites de domingo, após a realização das partidas dos campeonatos profissionais; e em “Disparada no Esporte”, da “Rádio Gazeta”, da mesma cidade. Também se revelou precursor das manifestações na Avenida Paulista, hoje intermitentes e voltadas às causas mais diversas.
Na Copa do Mundo de 1970, disputada no México e conquistada pelo Brasil, a “TV Gazeta” não dispunha de estrutura técnica e humana para filmar as comemorações em São Paulo. Milton Peruzzi mandou baixar um cabo do oitavo andar do prédio da emissora até o chão, obviamente na Avenida Paulista, e filmar as pessoas que passavam empunhando bandeiras, buzinando e gritando, felizes pela vitória da Seleção Canarinho. Depois, pediu através da “Rádio Gazeta” e da “TV Gazeta”, fiel ao seu estilo de narrador vibrante, que as pessoas aparecessem para comemorar. Impossível não atendê-lo. A multidão afluiu em massa à frente do prédio.
Foi uma ideia de tanto sucesso que, em todos os grandes jogos e finais de campeonato, ocorridos a seguir, consagrou-se a tradição de celebrar conquistas esportivas em frente ao número 900 da Avenida Paulista. Apesar de todos esses protagonismos notáveis, porém, Milton Peruzzi passou à história pela metonímia “acabou em pizza”. Nada mais justo.
Nota do blog: Foto de Milton Peruzzi, de terno e gravata, no campo do Palmeiras, com o lendário atacante Jair Rosa Pinto. 

História dos Fliperamas e Jogos Eletrônicos Taito no Brasil - Artigo

























História dos Fliperamas e Jogos Eletrônicos Taito no Brasil - Artigo
Artigo

A passagem da Taito pelo Brasil deixou uma história que mistura pirataria oficializada, um fugitivo russo, um playboy internacional, jeitinho brasileiro e alguns dos melhores jogos de uma década.
O nome Taito é o primeiro a ser lembrado quando brasileiros que eram crianças ou jovens nas décadas de 70 e 80 falam sobre fliperamas, e não é para menos: a marca dominou esse ramo no país até 1985, primeiro importando e depois com fábrica própria em São Paulo, produzindo e distribuindo dezenas de milhares máquinas de vídeo jogo (arcade) e de flíper (pinball).
A Taito japonesa foi fundada por Michael Kogan, um russo cuja família se asilou na China após a revolução comunista de 1917, e que pouco antes da Segunda Guerra Mundial foi para o Japão ganhar a vida, fundando em 1953 a Taito Trading Company (que vendia desde vodka até máquinas de comercializar amendoim).
Nos anos 1960 ela começou a produzir máquinas de pinball, e em 1973, com o lançamento da sua primeira máquina de arcade (a Elepong, um clone do precursor jogo Pong, da Atari), mudou seu nome para Taito Corporation.
Foi com este novo nome que, em 1978, a Taito mudou a história dos jogos eletrônicos ao lançar o Space Invaders, que no Japão fez tanto sucesso a ponto de levar à criação de fliperamas dedicados exclusivamente a este jogo, e por um breve período chegou a criar problemas de disponibilidade de moedas em circulação.
O Space Invaders foi distribuído nos EUA pela Midway, abrindo caminho para o sucesso por lá (e em todo o mundo: é o 2º jogo de fliperama mais vendido na História, perdendo apenas para o Pac-Man) e para, no ano seguinte, ocorrer a fundação da Taito America Corporation, que nasceu com a missão de distribuir os jogos posteriores da Taito (como Speed Race, Elevator Action e Jungle Hunt, entre muitos outros) nos EUA.
A Taito chegou ao Brasil bem antes da criação da filial dos EUA, mas com um propósito inicial bem diferente.
Segundo o relato de João Luís Costa, um dos primeiros funcionários da empresa, a operação da Taito no Brasil começou em 1968, sob os nomes de "Trevo Diversões Eletrônicas" e, logo depois, "Trevo Diversões - Representante da Taito no Brasil".
Já a empresa com o nome Taito do Brasil Indústria e Comércio Ltda. só foi estabelecida em 1972, em uma aparente manobra típica de jeitinho brasileiro: primeiro fundaram a Trevo como empresa nacional, aí esperaram alguns anos e trouxeram oficialmente a Taito para se associar a ela, cumprindo assim o requisito legal da época para a chegada de uma empresa internacional de eletrônica.
Todas essas fases foram dirigidas por Abraham "Abba" Kogan, filho do fundador da Taito japonesa. Vale observar que a Taito (sob seu próprio nome e, antes, como Trevo) chegou ao país bem antes da primeira máquina de video (o Elepong) ser lançada pela matriz japonesa.
A filial brasileira inicialmente importava máquinas de pinball dos EUA e componentes japoneses para montagem delas no Brasil, distribuindo-as ou mesmo operando-as no mercado nacional.
A Taito não foi a primeira a trazer esses jogos ao Brasil: desde a década de 1930 se tem notícia da presença de operação de pinballs no país, primeiro em Poços de Caldas (aproveitando o fluxo dos hoteis de águas termais da região) por iniciativas independentes de Eduardo Marras e de Sérgio Miglioti, e antes da chegada da Taito havia importadores e distribuidores atuando no Paraná e em São Paulo.
Nesses primeiros anos brasileiros da Taito, sua operação própria de fliperama era bastante intensa em São Paulo: além da locação de máquinas, o primeiro fliperama próprio da Taito por aqui foi na Avenida Ipiranga, quase na icônica esquina com a São João; em seguida vieram um em frente ao Largo do Arouche, e o campeão de faturamento na época, em frente à praça da República.
A fase de negócios de importação e operação da Taito do Brasil durou alguns anos, sempre lutando contra a taxação crescente à importação de bens de consumo supérfluos (incluindo as máquinas de jogos) e contra o entendimento governamental de que o pinball era jogo de azar e, portanto, proibido.
Essa fase acabou em julho de 1976, quando a publicação da Resolução n. 1 da Comissão de Coordenação das Atividades de Processamento Eletrônico (CAPRE) trouxe um obstáculo mais difícil: começou a criar uma Reserva de Mercado para computadores no Brasil (que foi sendo ampliada ano após ano, até se consolidar, com uma lei própria, em 1984, que vigorou até 1992), e isso atingiu de forma direta a importação de máquinas de pinball.
Com um mercado cada vez mais interessado nos jogos eletrônicos, mas sem poder continuar a importar máquinas como antes, a Taito do Brasil mudou de estratégia foi fazer o que muitas empresas de tecnologia operando no Brasil fizeram na virada dos anos 70 para os 80: montou uma fábrica em SP, comprou empresas menores (como Liberty, Flipermatic e Mecatronics) que atuavam no mesmo mercado, e começou a criar imitações nacionais de aparelhos do exterior.
Os clones feitos pela Taito do Brasil eram máquinas de pinball com arte adaptada (ou criada, seguindo o tema original, pelo ilustrador J. Pecegueiro), e disposição dos obstáculos e dos alvos copiando máquinas de sucesso do exterior. A lógica dos jogos (regras para pontuação, bônus, bolas extras, etc. - implementadas em hardware e, mais tarde, também software) era criada localmente.
Copiando e adaptando modelos de marcas internacionais, a Taito do Brasil produziu modelos de pinball que quem entrou nos fliperamas da época certamente lembra, como as clássicas Cavaleiro Negro (com seu sintetizador de voz com forte sotaque americano), Oba Oba (homenagem à casa de shows do Sargentelli), Zarza, Rally, Vortex e muitas outras.
A máquina Cavaleiro Negro é uma das mais lembradas, e foi muito mais do que "inspirada" na Black Knight, da Williams. A já mencionada Oba Oba também é uma "homenagem" à máquina Playboy, da Bally. E cada uma das outras, com apenas 2 ou 3 exceções, pode ser diretamente associada a uma máquina internacional "inspiradora", como a detalhada pesquisa do Megaman Zero demonstrou.
A Taito era a única marca internacional atuando nesse negócio por aqui naquele período, mas certamente não era a única empresa a usar a Reserva de Mercado como escudo para copiar impunemente a tecnologia e a jogabilidade dos pinballs do exterior: a LTD, sediada em Campinas, fazia o mesmo, usando as CPUs 6802 e 6803, da Motorola.
Era comum ambas as empresas lançarem versões "nacionais" para uma mesma máquina do exterior. Exemplo: o pinball Xenon, da Bally, deu origem à máquina Zarza, da Taito brasileira, e à Zephy, da LTD.
Curiosamente, as primeiras máquinas de pinball produzidas pela Taito no Brasil, mais ou menos até 1978 (como Criterium e Roman Victory), eram engenhocas eletrônicas digitais (mas sem CPU), copiadas de modelos TTL da espanhola Recel. Elas deram grande prejuízo, sendo assoladas por problemas de usabilidade e dificuldade de manutenção devido à sua complexidade e à qualidade das peças disponíveis.
Logo em seguida a Taito do Brasil deu um salto tecnológico e, para copiar máquinas de pinball mais avançadas das grandes marcas dos EUA e do Japão (como como Bally, Williams, Gottlieb, Stern e Zaccaria), recebeu um investimento considerável da Taito japonesa e passou a usar um sistema adotando um microprocessador como CPU. O sistema foi desenvolvido localmente pelo funcionário Viggo Tristed (aparentemente usando modelos da Gottlieb como benchmark), efetivamente transformando as máquinas de pinball em computadores.
Durante os anos seguintes, as máquinas de pinball da Taito do Brasil passaram a usar o processador 8080, da Intel (lançado em 1974), comum em caixas registradoras, calculadoras e terminais da época. Os obstáculos e alvo continuavam a ser copiados dos sucessos do exterior, e a lógica interna continuou a ser criada por aqui, mas agora com bem mais possibilidade de recursos.
Entre as mais de 30 máquinas de pinball produzidas pela Taito do Brasil nos seus cerca de 10 anos de produção, consta que a de maior sucesso comercial foi a Cosmic, versão nacionalizada da Galaxy, feita pela Stern – ambas lançadas em 1980.
Anos mais tarde, pouco antes de fechar as portas, a Taito do Brasil lançou algumas máquinas de pinball usando o processador Z80, da Zilog – bem mais avançado que o 8080, e usado em boa parte dos computadores pessoais da década de 80, incluindo o MSX, e até no videogame Master System, da Sega.
Por falar na empresa do Sonic, vale uma observação: a Taito do Brasil era a dona da marca Sega no nosso país. Antes de encerrar suas operações, a empresa vendeu a marca para a TecToy, por um valor elevado (mas controverso – uns dizem US$ 200.000, outros dizem US$ 1 milhão).
Os experimentos com o microprocessador Z80 nas máquinas de pinball podem ter relação com a tecnologia que a empresa utilizava no seu outro ramo de atuação: as máquinas de arcade.
Em paralelo à produção dos pinballs, e igualmente tirando proveito da Reserva de Mercado de Informática, a Taito do Brasil se envolvia também na produção e distribuição de arcades (as máquinas de jogos com vídeo), que é a parte que mais me interessa na história toda, e até me inspirou a começar a construir meu próprio arcade.
Na época, era comum cada máquina de arcade ter sua própria placa, que é o conjunto de componentes eletrônicos (essencialmente um computador) que roda o jogo. Mas a Taito do Brasil não podia importar livremente essas placas variadas, nem detinha a tecnologia para criar as suas, então acabou definindo uma terceira via: as chamadas bootlegs.
Bootlegs são adaptações de jogos de arcade para que eles possam rodar em uma placa diferente (mais barata, ou aproveitando o hardware que estiver disponível) daquela para a qual foi feito, geralmente sem apoio, aprovação ou ciência dos criadores originais do jogo e do hardware.
No começo, o que a Taito do Brasil fez foi, basicamente, conseguir um suprimento de placas como as da imagem acima, desenvolvidas originalmente pela Nichibutsu para seu jogo Moon Cresta (1980), e que haviam sido licenciadas para uso pela Taito no Japão.
Essas placas de Moon Cresta se prestaram a muitos bootlegs pelo mundo afora, por uma razão simples: tinham um conjunto de componentes bastante completo e acessível na época, um pouco similares a um versátil computador pessoal MSX (que ainda não existia): CPU Z80, distinguindo RAM e ROM de programa, ROM de caracteres, RAM de sprites, RAM de vídeo, RAM de cenário, etc.
Padronizando em apenas um modelo de placa, ficava mais fácil para o corpo técnico da Taito no Brasil fazer seus próprios bootlegs, "bastando" dominar o processo de adaptar (quando feito para o Z80) ou reimplementar os jogos de sucesso do exterior. Isso quando já não havia um bootleg pronto, feito em outros países por pessoas com objetivos similares...
E foi assim que jogos da Konami (Super Cobra), da Nintendo (Donkey Kong) e de outras concorrentes internacionais da Taito chegaram, com outros nomes, aos fliperamas brasileiros da época.
Um detalhe: várias fontes indicam que a Taito New Zealand (também fundada por Abba Kogan, em 1980), encerrada em 1998, foi a responsável pela reimplementação de vários dos jogos distribuídos pela Taito do Brasil Ltda., e que o envio desses jogos era feito por link internacional de telex.
Você lembra de ter jogado Columbia e Fantastic, duas das máquinas populares da Taito no início dos anos 80? Pois saiba que na verdade você estava jogando Xevious (1982) e Galaga (1981), ambos da Namco, adaptadas e rebatizadas no Brasil.
A mudança de nome evitava um problema para a empresa, porque – apesar de a cópia do software estar relativamente abrigada pela Reserva de Mercado – as marcas registradas dos produtores originais poderiam vigorar no Brasil.
Mas ela acabou criando outro problema, desta vez para os jogadores da época, hoje com seus 35 anos ou mais, que muitas vezes procuram em coleções de emuladores os seus jogos preferidos da infância e não os encontram porque, por exemplo, estão procurando por Columbia e não por Xevious, que é o nome original.
Aqui vai uma lista de parte dos jogos que foram rebatizados no Brasil após adaptá-los diretamente do original ou, às vezes, de algum clone produzido no exterior:
Burger Time (Data East, 1982): Sandwich / X-Salada
Dig Dug (Namco, 1982): Zig Zag (reimplementação, não apenas cópia)
Donkey Kong (Nintendo, 1981): Kong (reimplementado a partir do Crazy Kong, não apenas copiado)
Fly-Boy (Kaneko, 1982): Big Flyer
Frogger (Konami, 1981): Jump
Galaga (Namco, 1981): Fantastic (reimplementação, não apenas cópia)
Galaxian (Namco, 1979): Attack, Galactica (remake)
Grand Chanpion (Taito, 1981): Speed Race (Obrigado, Rigues!)
Gaplus (Namco, 1984): Super Fantastic
Missile Command (Atari, 1980): Missile X
Moon Cresta (Nichibutsu, 1980): Star Crest
New Rally X (Namco, 1981): Stock Car (Obrigado, Rigues e Maçan!)
Phoenix (Amstar, 1980): Condor
Phunky Fish (Sun Electronics, 1981): Piranha
Polaris (Taito, 1980): Polaris II
Scramble (Konami, 1981): Commander
Super Cobra (Konami, 1981): Combate
Time Pilot (Konami, 1982): Time Fighter
Track & Field (Konami, 1983): Olimpíadas
Video Hustler (Konami, 1981): Caçapa
Xevious (Namco, 1982): Columbia
Alguns dos nomes geram situações duplamente confusas. É o caso do Galaxian, que a Taito do Brasil distribuía com o nome de Attack, sendo que Attack, no exterior, era um jogo de tiro militar...da própria Taito.
Tudo ia bem, a Taito produzia, vendia, locava, cobrava um percentual de outros operadores, e até as fichas eram vendidas por ela. Foi aberta até mesmo uma filial em Porto Alegre para montar e manter as máquinas para a região Sul.
Mas entre 1984 e 1985 essa história acabou de repente. Michael Kogan, fundador da Taito japonesa, morreu subitamente durante uma viagem de negócios aos EUA, o que levou a um breve período em que a companhia foi administrada diretamente pelos funcionários, até ser adquirida pela Kyocera, em 1986 (em 2005 a Kyocera a vendeu para a Square Enix, sua atual proprietária).
No mesmo período, a era de ouro dos arcades já estava no fim mundialmente, enquanto – até no Brasil, que tinha o Atari 2600 oficialmente desde 1983 – os videogames domésticos coloridos e computadores pessoais se desenvolviam. Para completar, a chegada de outras empresas interessadas em produzir e distribuir jogos eletrônicos acabou sendo um páreo duro para o estilo de gestão implantado na Taito brazuca.
O fim do interesse do público foi súbito. Segundo o relato de José Batalha Rodrigues, que foi funcionário da Taito do Brasil e, até 2013, foi um dos últimos técnicos da "velha guarda" ainda aptos a restaurar as máquinas dos anos 80 de memória – sem depender da escassa documentação existente e de experimentação/engenharia reversa –, o valor de mercado pulverizou de repente, no momento da popularização dos computadores pessoais e videogames. “De repente, a máquina não valia mais nada. O pessoal jogava fora, fazia fogueira...”, comenta.
Com tudo isso somado, em 1985 acabou sendo tomada a decisão de encerrar as atividades da Taito do Brasil Ltda., que foi extinta por iniciativa dos proprietários, após honrar todos os seus débitos e compromissos – não houve falência, concordata ou similares.
Abba Kogan foi viver sua vida de milionário internacional em Mônaco, não sem antes dar início a duas novas empresas: a Taicorp Comércio e Empreendimentos Ltda., que existiu juridicamente até 2008, e a Playland, na qual a Taito e o Playcenter uniram esforços e capital para operar áreas de diversões em shoppings de todo o Brasil, ainda hoje em atividade.
Quando a Taito do Brasil acabou, em 1985, foi encerrada a produção local e a importação direta dos seus jogos, mas o acervo existente – a empresa produziu cerca de 25.000 máquinas no país – foi espalhado, vendido para grande número de operadores brasileiros que exploraram as máquinas durante boa parte da década seguinte.
A maior parte dessas máquinas hoje está inacessível por ter se deteriorado ou mesmo por estar nas mãos de colecionadores, mas – embora seja cada vez mais raro – ainda é possível encontrar algumas em rodoviárias e botecos de cidades pequenas, seja porque o operador fechou e não foi lá buscar, ou porque foi encontrada em algum depósito e colocada pra funcionar, ou ainda porque alguns poucos operadores da década de 1980 permanecem no ramo. Algumas também estão presentes em clubes e exposições, nas quais o público tem alguma chance de conseguir estar presente.
Quanto às que estão estragadas, restauradores cobram de R$ 8.000 a 20.000 para colocá-las novamente em condições de operação, e várias delas estão preservadas – ao menos como lembrança do seu funcionamento e visual – em emuladores. Texto de Augusto Campos adaptado por mim.
Nota do blog: Era algo mágico, uma novidade fantástica. Existiam estabelecimentos com várias máquinas onde você comprava as fichas e passava a tarde jogando, além de bares (sempre com uma ou duas máquinas) e shoppings. Lembro que os meus pais (e a imensa maioria dos pais) associavam esses estabelecimentos a lugares de malandros, desocupados, drogados, etc. Eles me “proibiam” de ir (embora eu tenha desobedecido algumas vezes...rs) e tal proibição vinha sempre acompanhada com a ameaça da “sanção” surra...rs. De qualquer forma, nunca aconteceu, até porque eu não ia muito nesses estabelecimentos pois ficavam no centro e eram mais caros, eu ia mais nos bares de bairro (mais baratos). Eu adorava, só deixei de ir (e gastar minha parca mesada em fichas) quando ganhei um videogame Atari (mas essa já é história para outro post). Para mim, um tempo que deixou (muita) saudade.

Parque do Anhangabaú, São Paulo, Brasil


Parque do Anhangabaú, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Foto Postal N. 2
Fotografia - Cartão Postal

Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, Brasil


Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotolabor N. 355
Fotografia - Cartão Postal

Rua XV de Novembro, Joinville, Santa Catarina, Brasil





Rua XV de Novembro, Joinville, Santa Catarina, Brasil
Joinville - SC
Fotografia - Cartão Postal

Vista Parcial do Porto, Vitória, Espírito Santo, Brasil


Vista Parcial do Porto, Vitória, Espírito Santo, Brasil
Vitória - ES
Studio Quintas
Fotografia - Cartão Postal

Vista Panorâmica da Cidade Baixa com Mercado Modelo, Salvador, Bahia, Brasil


Vista Panorâmica da Cidade Baixa com Mercado Modelo, Salvador, Bahia, Brasil
Salvador - BA
Edicard
Fotografia - Cartão Postal

Obras na Sociedade Beneficente de Ribeirão Preto, Atual Santa Casa de Misericórdia, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil







Obras na Sociedade Beneficente de Ribeirão Preto, Atual Santa Casa de Misericórdia, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia



A Santa Casa de Misericórdia foi uma ideia trazida de Portugal, com o intuito de que a sociedade criasse um hospital para atender a população carente, sendo instituições sem fins lucrativos que tem como objetivo, prestar serviço de preservação à saúde a toda comunidade, procurando sempre o bem estar do doente hospitalizado.
A Santa Casa está a mais de um século na nossa história, atendendo doentes de todas as classes sociais, salvando vidas e trazendo crianças ao mundo.
Não existem dados concretos que mostrem o dia exato que surgiu a então “Sociedade Beneficente de Ribeirão Preto”. Entretanto, acredita-se que tenha sido por volta de 1896, quando um grupo de pessoas da cidade teve a preocupação de zelar pela saúde alheia, onde os primeiros atendimentos foram realizados num simples casarão onde os pacientes recebiam acomodações.
Com o crescimento da cidade, o casarão tornou-se pequeno para a quantidade de enfermos e já nessa época, eram atendidas pessoas de várias cidades da região.
Sendo assim, a Prefeitura de Ribeirão Preto doou um amplo terreno para dar início aos planos de ampliação da Sociedade Beneficente. O projeto englobaria um local equipado, com capacidade para atender toda a população ribeirãopretana e região, sendo uma área que contasse com diversos aparelhos da medicina moderna e preenchendo todos os requisitos que uma instituição hospitalar precisa ter para salvar vidas.
A modesta construção não foi construída totalmente, e o que se conseguiu edificar, ficou longe do que haviam planejado, o que com o passar de cinco anos o local já se encontrava precário.
Mas foi em 1902 que os problemas começaram a ter soluções. Com a chegada do Padre Euclides Gomes Carneiro veio assumir a Provedoria da Sociedade Beneficente. Sem verbas, tratou de procurar ajuda com quem poderia ajudá-lo. Com 30 contos – uma importância significativa naquele tempo – doados pelo dono da famosa fazenda Monte Alegre, o Rei do Café. Em seguida, trouxe para dirigir a Sociedade as Irmãs Salesianas, que prestaram 39 anos de trabalho, até 1938. Padre Euclides foi o primeiro provedor da Sociedade Beneficente. Estava fundada uma das instituições hospitalares mais importante da região norte do Estado e o primeiro hospital de Ribeirão Preto. Contudo, havia muito o que fazer. Era apenas o início.
A denominação Santa Casa de Misericórdia tornou-se oficial apenas em 1910. Padre Euclides dirigiu a Instituição até 1915, foram 13 anos de trabalho árduo.
Nesse ano, em 1915, haviam mais de 80 sócios colaboradores.
O Coronel Saturnino de Carvalho assumiu inteiramente a Presidência da Sociedade. Apesar do grande número de sócios que eram agremiados à Santa Casa, apenas um grupo exercia atividades beneméritas.
Em 03 de outubro de 1915, foi aclamado para assumir a provedoria o Dr. João Leopoldo da Rocha Fragoso, que ocupava ainda a direção clínica. Em 23 de maio de 1916, Rocha Fragoso idealizava a transformação do prédio, cuja construção estava paralisada, em dependências do hospital, iniciado pelo Padre Euclides, a ser um futuro asilo de inválidos. O prédio construído seria o futuro Pavilhão Pereira Barreto.
Com a mudança do Dr. Rocha Fragoso para São Paulo, em dezembro de 1916 com uma nova eleição, assumi a provedoria o Dr. Afonso de Moraes, que em junho de 1918, através de uma procuração, transfere a provedoria da Santa Casa ao Dr. Antônio Carlos Tinoco Cabral. Moraes foi designado a assumir a Inspeção Sanitária do Estado de São Paulo.
O ano de 1918 foi importante para a evolução da Santa Casa. Deu-se andamento à construção de dois Pavilhões, o primeiro onde iriam residir as Irmãs Salesianas, que foi inaugurado em 13 de junho de 1919 e o outro, o famoso Pavilhão Pereira Barreto, fundado em 15 de novembro de 1923.
Nessa ocasião, em 1918, havia vinte médicos e quatro enfermeiras compondo o Corpo Clínico da Santa Casa.
Em 1935, foi inaugurada a Escola de Enfermagem da Santa Casa idealizada pelo médico Waldemar Rosa dos Santos. Com o passar dos anos a Santa Casa foi assumindo sua importância, aumentando o número de atendimentos, funcionários e médicos.
Foi então que o Corpo Clínico sentiu a necessidade da criação de um órgão que representasse diante de eventualidades que poderiam acontecer. Em 1936 foi criada a Associação Médica – órgão responsável pela representação política dos médicos da Santa Casa.
Com problemas de saúde, Tinoco Cabral deixou de exercer o cargo para assumir a provedoria, em 03 de janeiro de 1938, o Senhor Daniel Kujawski. Nesse mesmo ano, as Irmãs Salesianas foram substituídas pelas Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Tinoco Cabral, só se desligou oficialmente da provedoria em 10 de abril de 1939, através de uma carta de demissão.
Em 15 de maio de 1939, o Dr. José Carlos Senna assumiu a provedoria e veio realizando importantes obras durante sua gestão: além de melhorar os serviços de Roentgenterapia – tratamento terapêutico pelo raio X – concluiu a construção do Pavilhão Tinoco Cabral e o Abrigo Ana Diederichsen doado pelo benemérito Antônio Diederichsen.
Nesta época o hospital era constituído de doze pavilhões com dez enfermeiras, vinte e quatro quartos e dois apartamentos. Durante o período em que sustentou o cargo de provedor, a administração de Senna foi considerada por muitos uma das mais proveitosas da Santa Casa.
Após 12 anos de liderança da administração, Senna mudou-se para o Rio de Janeiro e foi substituído pelo Professor Antônio Rodrigues da Silva em 24 de janeiro de 1951, que naquele tempo era o sócio mais antigo da Santa Casa.
Nessa gestão as doações continuaram. De início, o coronel Francisco Maximiliano Junqueira, doou a primeira Farmácia, dona Claudina Maximiliano Vilela de Andrade, o primeiro raio X, o senhor Múcio Whitaker doou as primeiras máquinas de levar e passar.
Em 1967, foi inaugurado, o Pavilhão Edgardo Cajado, uma das principais realizações da gestão Rodrigues da Silva, obra que transformou o hospital, tanto no ponto de vista arquitetônico, como no que diz respeito ao funcionamento da Instituição.
Com o correr do tempo, surgiram diversos avanços. Em 1952, foi construída a nova capela, novas instalações do serviço de Pediatria, remodelações na lavanderia, necrotério e no velório. A cozinha recebeu modernos fogões e novas geladeiras. Na mesma época, foi instalado um serviço de fabricação de soro que viria trazer uma grande economia para o hospital, também foi instalado um avançado centro de neurocirurgia. Houve a criação do Serviço de Patologia e Citodiagnóstico, na clínica ginecologia, foi criado o Serviço de prevenção ao Câncer Ginecológico. Foi criado um moderno Serviço de Laboratório de Análises Clínica, U.T.I., Fisioterapia, Eletrocardiograma, Urologia, Gastroenterologia, Serviço de Atendimento de Urgência, Vestiário de Enfermagem, Almoxarifado e Costura. Foi ampliado o Serviço de Roentgenterapia com aquisição da bomba de cobalto, aumento do Serviço de Oftalmologia, criação do Banco de Sangue, PABX.
Em 1977, o hospital já oferecia 369 leitos. A Santa Casa contava com 15 sócios beneméritos e um Corpo Clico composto por mais de 90 médicos.
O Professor Antônio Luiz Rodrigues da Silva administrou a provedoria da Santa Casa até 27 de setembro de 1986.
Em seguida o Senhor Ernesto Paulo Veiga, assumiu a provedoria de 1986 à outubro de 1987.
Almir Laguna de outubro de 1987 à janeiro de 1988.
Luiz Albanez Neto de fevereiro de 1988, sendo reeleito permanecendo no cargo até 19 de novembro de 1995 quando foi afastado do cargo.
Em dezembro de 1989, as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus deixam a Santa Casa. Dez freiras que prestavam serviços aos doentes, desligaram-se do hospital atendendo determinação da Irmã Provincial Elvira, que solicitou a remoção das religiosas.
Mas a Santa Casa continuou sua trajetória e os avanços tanto nos equipamentos e qualificações médicas, recebeu no dia 03 de setembro de 1993 da Associação Paulista de Medicina (APM) o Selo de Qualidade. Na época havia no hospital 321 leitos, 895 funcionários e 294 médicos.
Sendo um hospital de referência em Ribeirão Preto e região, a Santa Casa atendia casos de pacientes extremamente delicados.
A Santa Casa com o seu crescimento veio investindo em equipamentos de Radiologia fazendo uma ampla reforma que começou em 1991 e não parou por aí. Era necessário investir também em Recursos Humanos: em novos médicos.
Em 1994, a Santa Casa assinou convênio com as Universidades Federais do Ceará, Paraíba e Pelotas (RS) e ganhou status de hospital-escola.
No dia 20 de novembro de 1995 é eleito por indicação o economista Eduardo Lopes Louzada permanecendo até 2000.
Dr. Dácio Eduardo Leandro Campos, assumiu a provedoria no ano de 2001, estando no cargo até os dias atuais.
Entender a Santa Casa de Ribeirão Preto como uma entidade filantrópica comprometida com o atendimento social, é pouco para que o hospital execute os serviços médicos/hospitalares e garanta a saúde da população da cidade. A condição de beneficente da Santa Casa não a pode colocar no estágio de espera da atuação de terceiros. A parceria com a comunidade política é essencial para a realização de projetos sociais, mas a unilateralidade de propostas enrijece o desenvolvimento do hospital.
Com as metas administrativas claramente traçadas, foi possível ser feito investimentos em tecnologia e a resolução no diagnóstico e nos procedimentos atingiu números significativos, comparados aos dos hospitais dos grandes centros.
Com mais de 100 anos de história a Sociedade Beneficente e Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, atravessa a linha do tradicionalismo e chega ao século XXI preparada para desafios da atualidade. Sua confiança na vitória diária vem da certeza de que todos os que hoje fazem parte da história do hospital estão convictos de que a muito por fazer e, principalmente, todos estão encorajados a fazer tudo o que tiver que ser feito a favor do crescimento e do aprimoramento da Santa Casa.
Com todos os avanços tecnológicos, a Santa Casa vem acompanhando esses avanços. O Centro de Marcapasso e Eletrofisiologia comandado pelo Dr. Antônio Vitor, dispõe de modernos equipamentos, este é o primeiro centro de Ribeirão Preto e Região a fazer o atendimento a pacientes com arritmia e a colocação de marcapasso.
O Serviço de Pediatria da Santa Casa deixa de ser um setor para se tornar “Hospital da Criança” comando pelo Dr. Reginaldo Silva Ferreira Vianna.
Uns dos fatores que muito contribuiu para a ascensão da Santa Casa nos últimos anos, foi sem dúvida, o convênio efetuado com o Centro Universitário Barão de Mauá.
Idealizado pelos mantenedores Nicolau Dinamarco Spinelli e José Fávaro Júnior e pela mesa administrativa do hospital, o convênio já existente para a Biomedicina, Enfermagem e Fisioterapia foi estendido para a Medicina, propiciando de várias reformas, ampliação de serviços e construção do Ambulatório “Alexandre F. P. Fávaro” de referência secundária, com mil metros quadrados para atendimento SUS.
Os acadêmicos de Medicina utilizam-se de hospital e de seus Serviços desde o 4º ano do curso, aproveitando o relacionamento entre os membros do Corpo Clínico da Santa Casa e o Corpo Docente do Centro Universitário Barão de Mauá.
Com isso, a Santa Casa recuperou grande parte das suas instalações, investiu em equipamentos de última geração e voltou a atender em todas referências médicas.
Para completar o que já existia de bom, a Santa Casa no ano de 2004, solicitou o pedido de Credenciamento de Residência Médica em dez Serviços e obteve o parecer favorável, sendo eles: Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Medicina Intensiva, Neurocirurgia, Otorrinolaringologia, Obstetrícia e Ginecologia, Pneumologia e Urologia.
A Santa Casa vem crescendo cada vez mais, prestando serviços e atendimento à população de qualidade e excelência.
Já diziam que andorinhas sozinhas não fazem verão. Esta máxima é uma realidade na história da Santa Casa de Ribeirão Preto. Desde que a administração do hospital resolveu conquistar parceiros, os resultados têm mostrado que quanto mais andorinhas voando juntas, mais agradável é o verão.
Quanto mais a Santa Casa se associa a grupos que compartilham do mesmo interesse, mais benefícios são repassados à comunidade.
O melhor da história de uma parceria é que ao unir pessoas em torno do mesmo objetivo, ela encurta os caminhos e leva mais rapidamente a vitória. Por isso, é sempre oportuno agradecer aqueles que resolveram se somar à Santa Casa e deixarem de ser coadjuvantes para ocupar o papel principal.