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sábado, 1 de agosto de 2020
Colégio Naval, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil
Colégio Naval, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil
Angra dos Reis - RJ
Casa Elias
Fotografia - Cartão Postal
Aspecto da Avenida Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil
Aspecto da Avenida Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil
Goiânia - GO
Foto Berto N. 4
Fotografia - Cartão Postal
As Docas Flutuantes Sobre o Rio Amazonas, Manaus, Amazonas, Brasil
As Docas Flutuantes Sobre o Rio Amazonas, Manaus, Amazonas, Brasil
Amazonas - AM
Hélios Fitas e Papéis Carbono
Fotografia - Cartão Postal
sexta-feira, 31 de julho de 2020
Delmiro Gouveia e a Concorrência Desleal da Machine Cotton, Brasil - Artigo
Delmiro Gouveia e a Concorrência Desleal da Machine Cotton, Brasil - Artigo
Artigo
No início do século passado, em meio ao começo do
processo de industrialização do Brasil, o interior do Nordeste sediou um
complexo industrial inovador, com fábricas, estradas e até uma usina
hidrelétrica para fornecer energia à produção. Fundada pelo empresário Delmiro
Gouveia, a unidade, localizada no interior de Alagoas, sediava a fabricante de
linhas de costura Estrela — que chegou a liderar o mercado brasileiro e
exportava para diversos países da América Latina.
O crescimento acelerado da fabricante, no entanto, chamou
a atenção da principal concorrente, a inglesa Machine Cotton, que iniciou um
processo de perseguição à fabricante brasileira e passou a registrar a marca
Estrela nos países vizinhos, dificultando a exportação brasileira — além
de praticar dumping e pressionar comerciantes para que não
comprassem produtos fabricados no Nordeste.
O assassinato de Delmiro Gouveia, em circunstâncias até
hoje misteriosas, abriu caminho para que a Machine Cotton finalmente comprasse
o parque fabril alguns anos depois. Os gestores ingleses, no entanto, optaram
por alterar a fábrica e jogaram o maquinário da Estrela no rio São Francisco. A
iniciativa acabou por implodir a chance de industrialização daquela parte do
Nordeste e, de maneira indireta, preservando a desigualdade social da região, segundo
especialistas. "Esse
episódio, simbolicamente, significa a morte das fábricas no interior do
Nordeste", disse Edvaldo Nascimento, doutor em história da educação pela
UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Considerado um dos principais empreendedores do século 20 no Brasil, Delmiro Gouveia teve uma
infância relativamente pobre. Nascido em 1866, em Sobral, no Ceará, perdeu o
pai na Guerra do Paraguai e sua mãe, desamparada, mudou-se a Pernambuco. Lá,
casou-se novamente, mas faleceu quando Gouveia tinha apenas 15 anos. Para
sobreviver, o jovem perambulou por diversos empregos até começar a intermediar
o comércio de couro, que vinha do sertão nordestino, com comerciantes do
Recife.
Com os negócios indo bem e tendo proximidade à elite
local, Gouveia passou a fechar contratos com o poder público para realizar
obras em Pernambuco. Algumas desavenças acerca de contratos, porém, fizeram com
que o empresário apoiasse a oposição local. Segundo Edvaldo Nascimento, o
empreendedor, então, passou a entrar em confronto com a oligarquia política que
comandava Pernambuco na época, simbolizada pelo senador e então vice-presidente
da República, Francisco de Assis Rosa e Silva.
A fim de resolver as desavenças, Gouveia vai ao Rio de Janeiro procurar Rosa e Silva, mas, após uma discussão, o empresário agride o político. Com receio das consequências, Delmiro Gouveia se muda para Alagoas, onde contava com o apoio de Euclides Malta -- governador alagoano da época e também opositor do grupo de Rosa e Silva.
A fim de resolver as desavenças, Gouveia vai ao Rio de Janeiro procurar Rosa e Silva, mas, após uma discussão, o empresário agride o político. Com receio das consequências, Delmiro Gouveia se muda para Alagoas, onde contava com o apoio de Euclides Malta -- governador alagoano da época e também opositor do grupo de Rosa e Silva.
"Delmiro chega a Alagoas pelas mãos de Euclides
Malta, que o envia ao sertão para ser protegido", conta Edvaldo Nascimento.
Na cidadezinha de Água Branca, no interior de Alagoas,
Gouveia compra terras e volta a comercializar couro. Logo, inicia a construção
de uma fábrica de linhas industriais, de costura e de crochê que levaria o nome
de Estrela.
Para abastecer a nova indústria, Gouveia inicia a
construção da primeira hidrelétrica do Nordeste, finalizada em 1914. Além da
fábrica e da usina de energia elétrica, o industrial também construiu cerca de
520 km de estradas para escoar a produção e uma vila de casas para os cerca de
800 dos 2000 funcionários, com esgoto e luz elétrica. De acordo com o livro
"Pioneiros & Empreendedores", de Jacques Marcovitch, a produção
da Estrela alcançava 216 mil carretéis — além de produzir linhas para costura,
bordado, crochê e malharia. Médicos, dentistas e professores, contratados pela
empresa, davam assistência às famílias dos funcionários na região, comandada a
punho de ferro por Gouveia.
"Havia uma transição tecnológica baseada na chegada
da energia elétrica. Gouveia era um inovador em série, com a atividade
industrial e a preocupação com a produtividade, além de implementar novas
tecnologias de que ele se apropriou das viagens que fez pelo mundo", conta
Marcovitch.
Com a Primeira Guerra Mundial, a inglesa Machine Cotton —
que era líder do mercado até então — perdeu espaço devido às dificuldades
enfrentadas no translado das linhas pelos oceanos. A Estrela começou, então, a
estabelecer escritórios em diversos países. Assim, tomou boa parte do mercado
dos ingleses, principalmente no Brasil e na América Latina como todo.
A ascensão da Estrela, no entanto, incomodou o alto
escalão da Machine Cotton, que começou a combater o crescimento da indústria
brasileira. A companhia inglesa passou a boicotar comerciantes que comprassem
as linhas da Estrela e também derrubou os preços ao limite, afetando a
concorrência, praticando dumping. Além disso, a companhia inglesa também
registrou o nome Estrela em países como Argentina e Uruguai. A medida obrigou
Gouveia a comercializar seus produtos com o nome de Linhas Barrilejo.
Em meio a pressão econômica, os ingleses tentaram, ainda,
comprar a fábrica de Delmiro Gouveia por diversas vezes.
Um certo dia, em uma das visitas dos ingleses, o
brasileiro teria destratado os executivos da concorrente e dito que seria ele
quem compraria a fábrica da Machine Cotton.
Em 1917, com o crescimento da Estrela a todo vapor,
Delmiro Gouveia é assassinado a tiros, aos 54 anos. Três pessoas foram presas
na época — e desavenças pessoais, como a perda do emprego por um dos
assassinos, foram apontados como os motivos do crime. Dos três presos, dois
morreram logo depois, assassinados na prisão. Em 1982, foi pedido a revisão do
processo criminal em que o Tribunal de Justiça diz que dois desses autores
materiais não tiveram participação no crime. Até hoje, no entanto,
historiadores que estudam a vida e obra de Gouveia ainda desconfiam da versão.
"Alguns historiadores defendem a tese que a Machine
Cotton estaria por trás da morte, e isso foi difundido no imaginário popular.
Uns dizem que as motivações foram conjugais, outras falam sobre conspirações
políticas, mas ninguém sabe ao certo", diz Marcovitch.
Após a morte de Gouveia, os filhos passaram a comandar a
indústria. Mas, nos bastidores da política, os ingleses também mexeram suas
peças no tabuleiro. Com a eleição de Washington Luís para a presidência alguns
anos depois, que comandava uma política liberal, o Brasil passa por uma
abertura comercial e acaba cedendo à pressão dos ingleses para abolir tarifas
de linhas importadas.
"Com [o presidente] Washington Luiz, o embaixador da
Inglaterra da época conseguiu pressionar o presidente a revogar especificamente
a taxação sobre linhas importadas. Assim, a Estrela entrou em crise",
conta Nascimento. Os filhos acabam por vender a fábrica para outra empresa que,
logo depois, repassa a companhia para a Machine Cotton. Os gestores ingleses
optam por não produzir mais linhas no interior de Alagoas. O maquinário da
indústria é levado até o cânion de Paulo Afonso e jogado nas águas do rio São
Francisco, a modo de nunca mais ser utilizado pela indústria local.
O maquinário despejado nas águas do rio São Francisco
marca o fim da era de ouro da indústria no sertão nordestino e acaba não só com
os planos de Delmiro Gouveia, mas também afeta sociedade local, aumentando a
desigualdade na região. Segundo Paulo Gala, diretor-geral da Fator
Administração de Recursos e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), com
indústrias, a região poderia ter um desenvolvimento mais acelerado e menos
desigual. "A industrialização promove empregos de melhor qualidade e com
maiores salários", disse.
Para Fernanda Cardoso, professora de ciências econômicas
da UFABC (Universidade Federal do ABC), a industrialização do interior do
Nordeste poderia incrementar a complexidade econômica na região, gerando
emprego e renda. "Levar formas de produção com maior complexidade
associada, maior nível de produtividade e de salário potencial, como na
indústria, faz com que a economia gere uma série de desencadeamentos positivos,
como desenvolver o setor de serviços ou o fornecimento de insumos".
"Se você tem regiões só com atividades de baixíssimo
valor agregado, como agricultura de subsistência, que é o caso de partes do
Nordeste, os efeitos de encadeamento gerados na cadeia produtiva são
praticamente inexistentes", completou.
Para Marcovitch, a morte de Delmiro Gouveia e o fim da
Estrela, no entanto, não são os únicos culpados pela ausência de
desenvolvimento industrial da região. "Quando você tem uma receita
assegurada, o apetite por inovação é menor. Ali, os coronéis viviam de açúcar e
a região se desenvolveu através dessa cultura. Então, a industrialização era
iniciativa de poucos — até porque ela desestabiliza as estruturas de poder,
calcadas na agricultura, e a preservação disso inibiu uma modernização muito
maior."
Teleférico Caminho Aéreo Pão de Açúcar, Rio de Janeiro, Brasil
Teleférico Caminho Aéreo Pão de Açúcar, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia
O Bondinho do Pão de Açúcar é um teleférico localizado no bairro da Urca, no município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Liga a Praia Vermelha ao Morro da Urca e ao Morro do Pão de Açúcar.
É uma das principais atrações turísticas da cidade. Foi inaugurado (o seu primeiro trecho, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca) em 27 de outubro de 1912 e, desde então, já transportou cerca de 37 milhões de pessoas, mantendo uma média atual de 2 500 visitantes por dia.
O seu nome vem da semelhança dos carros do teleférico com os bondes que circulavam no Rio de Janeiro à época de sua inauguração. O Bondinho é privatizado, administrado pela concessionária Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, empresa criada pelo idealizador do projeto, o engenheiro Augusto Ferreira Ramos, desde a sua construção.
A vista da Baía da Guanabara, considerada uma das paisagens mais belas do mundo, era o atrativo que levava curiosos e alpinistas a escalar o Pão de Açúcar, já em fins do século XIX. O desenvolvimento das técnicas de engenharia e a realização da Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, em 1908, no bairro da Urca, motivaram o engenheiro Augusto Ferreira Ramos a idealizar um sistema teleférico que facilitasse o acesso ao cume do monte. Quando o bondinho foi construído, só existiam dois no mundo: o teleférico de Monte Ulia, na Espanha, com uma extensão de 280 metros e que foi construído em 1907; e o teleférico de Wetterhorn, na Suíça, com um extensão de 560 metros, construído em 1908. Ramos teve de recorrer a figuras conhecidas da alta sociedade carioca, como Eduardo Guinle e Raymundo Ottoni de Castro Maya, para promover a ideia do teleférico.
Para construir o teleférico, foram necessários mais de 400 operários-escaladores, cada um subindo com algumas peças para os topos dos morros da Urca e do Pão de Açúcar para que fossem montadas. Um guincho auxiliou na subida dos cabos de aço. Até hoje é possível ver os pinos que foram colocados por estes escaladores na rocha na subida pelo Costão do Pão de Açúcar. Os carrinhos, com capacidade para 22 pessoas, foram importados da Alemanha. À inauguração do bondinho, em 27 de outubro de 1912, o teleférico só subia da Praia Vermelha até o morro da Urca. Três meses depois, em 18 de janeiro de 1913, já ia até o alto do Pão de Açúcar.
Em outubro de 1972, uma segunda linha, paralela, foi inaugurada, e os cabos de aços e os bondinhos foram trocados. As novas cabines importadas da Itália tinham capacidade para 75 passageiros. Com mais espaço e dois bondes em funcionamento, o fluxo aumentou de 115 para 1 360 passageiros por hora. Posteriormente, a capacidade foi reduzida para 65 por questões de conforto.
O bondinho foi cenário do filme 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979, no qual o agente secreto britânico James Bond (interpretado pelo ator Roger Moore) derrota seu inimigo Dentes de Aço, interpretado por Richard Kiel. Ainda em 1979, o equilibrista Steven McPeak caminhou sobre o cabo de aço, no trecho mais alto do percurso do bondinho.
Em 2002, quando completou 90 anos, a data foi comemorada com um grande show do cantor Roberto Carlos, no Aterro do Flamengo. Em 2011, a estação da Urca foi escolhida para o lançamento do filme Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, com direito à presença do ator Tom Felton. Em 2012, ano que completou 100 anos, foi homenageado pelo Google com um doodle.
O bondinho funciona das 8 às 20 horas ao longo de duas rotas: uma ligando a base do morro da Babilônia ao morro da Urca e outra ligando o morro da Urca ao pico do Pão de Açúcar.
A primeira linha (estação inicial - morro da Urca) possui extensão de 600 metros e a velocidade máxima durante a viagem é de 6 metros por segundo (21,6 quilômetros por hora). A segunda linha (morro da Urca - Pão de Açúcar) possui extensão de 850 metros e a velocidade máxima durante a viagem é de 10 metros por segundo (36 km/h).
A capacidade atual é de 65 passageiros por viagem. Como o trajeto de cada linha é realizado em aproximadamente 3 minutos, a capacidade do teleférico é de 1 200 passageiros por hora. Mais de 40 milhões de passageiros já circularam no bondinho.
Pelourinho, Alcântara, Maranhão, Brasil
Pelourinho, Alcântara, Maranhão, Brasil
Alcântara - MA
Fotografia - Cartão Postal
O pelourinho de Alcântara, feito em pedra de lioz artisticamente trabalhada terá vindo de Portugal (pois que em Alcântara não havia essa pedra marmórea) e para felicidade nossa escapou à sanha destruidora dos "símbolos" da escravidão negra que se seguiu após a Abolição e, nomeadamente, após a Proclamação da República, a fim de eliminar o "entulho" da monarquia. Hoje constituem raridade nas cidades brasileiras, mandados retirar – quem sabe? - por autoridades tocadas por súbito sentimento de remorso ou de revolta.
Mais de 350 anos se passaram desde o surgimento da aldeia indígena Tapuitapera à histórica Alcântara. Os costumes da cidade, que se fez afamada pela promessa de visita do Imperador Dom Pedro II, emergiram da mistura de raças. Por um lado, a aristocracia branca instalada em imponentes casarões datados do século XVIII, do outro os serviçais negros, cuja influência é notória na cultura do município (há para mais de 250 comunidades quilombolas), ademais da contribuição pioneira do índio com o surgimento da aldeia, ainda no século XVII. Alcântara é reconhecida nacionalmente como Patrimônio Histórico Nacional, desde a década de 1940. A riqueza arquitetônica e os costumes de sua gente são os atrativos turísticos mais divulgados daquele pedaço continental de solo maranhense. A aproximação com São Luís - apenas uma hora de barco - estimula à prática de um turismo expressivo, mas de curta duração, ou seja, o visitante chega pela manhã, passeia somente pelo centro histórico e se vai à tarde.
Em 1648 surgiu a vila brasileira de Santo Antônio de Alcântara, hoje simplesmente Alcântara. Na praça principal implantou-se o pelourinho, símbolo da autoridade do rei e das prerrogativas do povo. Foi chantado em frente ao Senado da Câmara e da primitiva igreja de São Matias (V. em Fotos neste site).
Em virtude de sua importância exponencial no dia-a-dia das sociedades daquela época, eis que servia como símbolo da autonomia municipal e da justiça, o pelourinho - também referenciado popularescamente como picota - erguia-se soberbamente na praça principal da vila ou cidade – a simbolizar esta condição -, de ordinário à frente dos paços. “Levantar pelourinho” valia dizer receber foral de vila. Legalmente, para que tal ocorresse, fazia-se mister o real consentimento.
O pelourinho consistia, pelo geral, em coluna de pedra ou de madeira, no mais das vezes artisticamente esculpida e ornamentada com os símbolos reais, da colônia e/ou da vila (ou cidade), fincada a prumo, às vezes sobre baixo pedestal estagiado em degraus.
Mas para além da utilização de todos conhecida em que nele se infligia castigo aos que infringiam as leis, o pelourinho tinha outras serventias sociais, como a fixação de éditos reais, decisões das autoridades comunais a pleitos dos cidadãos ou informações de interesse da comunidade, verdadeiro elemento de ligação entre o poder constituído e o povo, por isso que se localizavam sempre em frente ao edifício da câmara ou na praça principal.
Alguns desses monumentos eram de tal forma imponentes, rebuscados de adornos e ornatos brasonados, que ofuscavam os demais prédios da comunidade, ou tamanha era a assiduidade de sua utilização, que acabavam por dar nome ao local: Largo ou Praça do Pelourinho, ou, como em Salvador, na Bahia, tão somente Pelourinho (conquanto ele próprio já lá de há muito não mais esteja), a nomear quadra tão importante do Centro Histórico, que é quase o “ex-líbris” da capital baiana. A imponência e sofisticação do conjunto estavam, quase sempre, ligadas à importância e florescência da sede da comuna. Só para pôr exemplo, o notável arquiteto régio bolonhês Antonio José Landi, que viveu no Grão-Pará entre 1753 e 1792, foi o projetista de alguns desses melancólicos monumentos, como o da vila de Borba, no Amazonas, e o de Belém do Pará (1757), este último magistralmente trabalhado por artesãos indígenas, com soberbos entalhes em peça nobre de pau d’arco e na forma de coluna dórica.
Quando instalou-se a República houve ordem da Junta do Governo Provisório para destruir os vestígios materiais da monarquia. Assim também se fez em Alcântara e o belo marco foi enterrado por ali mesmo. Sandice pura, eis que a história não se deve tentar apagar; ao revés, devemos sim conservá-la e admirá-la, pois representam marcos de uma época, com seus costumes e até poderão servir como modo de dissuasão a que se não repitam. Setenta anos mais tarde, quando se cogitou reergue-lo, foi uma ex-escrava nonagenária, Nhá Calu, quem indicou onde se achava “sepultada” a relíquia. A memória não a traiu. O local onde eram exibidos e castigados os criminosos e os escravos desobedientes é um dos mais importantes atrativos de Alcântara. Lá está ele de novo, o pelourinho, símbolo da continuidade histórica na histórica cidade que se recusa a morrer.
Decorado com as armas do império português no cabeçote que encima mastaréu caprichosamente lavrado é hoje o mais bem conservado do País. Tivemos a oportunidade de vê-lo de perto (e obviamente fotografá-lo) nas duas vezes em que visitamos essa maravilhosa cidade que já foi aldeia indígena e capital da aristocracia maranhense. Oxalá os alcantarenses estejam todos imbuídos do desejo, diríamos melhor, da necessidade de preservação e conservação desse aparentemente singelo, mas monumental resquício da história colonial brasileira.
Vista Aérea da Basílica do Senhor do Bonfim, Salvador, Bahia, Brasil
Vista Aérea da Basílica do Senhor do Bonfim, Salvador, Bahia, Brasil
Salvador -BA
Fotografia - Cartão Postal
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