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terça-feira, 18 de agosto de 2020
Antigo Viaduto do Chá e Futura Praça do Patriarca, Anos 20, São Paulo, Brasil
Antigo Viaduto do Chá e Futura Praça do Patriarca, Anos 20, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Atriz Dulcina de Moraes no Theatro Carlos Gomes, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Atriz Dulcina de Moraes no Theatro Carlos Gomes, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia
Caixa de Sopa Campbell's - Chicken Rice (Campbell's Soup Box - Chicken Rice) - Andy Warhol
Caixa de Sopa Campbell's - Chicken Rice (Campbell's Soup Box - Chicken Rice) - Andy Warhol
Coleção privada
Tinta acrílica e serigrafia sobre tela - 50x50 - 1986
Fábrica da Karmann Ghia, Anos 70, São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil
Fábrica da Karmann Ghia, Anos 70, São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil
São Bernardo do Campo - SP
Fotografia
A Karmann Ghia, responsável pela produção de alguns
dos carros mais desejados na história da indústria automotiva brasileira,
teve sua falência decretada em Novembro de 2016.
O pedido de falência foi feito pelo Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC, motivados pelo abandono da fábrica pelos atuais
proprietários, que deixaram cerca de 300 funcionários sem salários e outros 300
que haviam sido demitidos sem os direitos da rescisão de contrato. Para
impedir a retirada do maquinário por credores da Karmann Ghia, um grupo de
trabalhadores ficou acampado nos portões da fábrica na Via Anchieta.
A Karmann-Ghia vinha passando por dificuldades
financeiras desde 2008, quando a família Karmann deixou o negócio. Desde então
a fábrica foi vendida outras quatro vezes e se encontrava em uma disputa
judicial entre o proprietário anterior e o atual. Nos últimos anos a principal
cliente da Karmann Ghia era a Fiat, que comprava entre 60% e 70% dos
componentes ali produzidos. Contudo, com a crise e a queda na produção de
veículos, os pedidos foram reduzidos e a fábrica paulista não conseguiu
manter seu funcionamento.
Fundada em 1960 em São Bernardo do Campo, a Karmann Ghia
produziu entre 1961 e 1974 as duas gerações do esportivo da Volkswagen que
levava seu nome, o Karmann Ghia e o Karmann Ghia TC. Após o encerramento da
produção dos Volkswagen, a Karmann Ghia continuou fabricando componentes para
outras fábricas e montadoras.
Nos anos 1980 e 1990 ela fabricou o Escort XR3
Conversível em uma operação conjunta com a Ford, da mesma forma que fizera com
o VW Karmann Ghia. Além do Escort a Karmann Ghia também produzia trailers e
motorhomes, entre eles a famosa Kombi Safari. Após o encerramento da produção
do XR3, a Karmann passou a produzir o Land Rover Defender entre 1998 e 2005.
Desde então a fabricante se mantinha apenas com a
produção de peças e componentes. Em 2013 a fabricante passou a ser controlada
pelo grupo ILP Industrial, que planejava produzir uma versão retrô do Karmann Ghia.
Para escolher o visual do novo esportivo foi feito um concurso de design entre
universitários, que premiou o vencedor com R$ 100.000.
A fabricante tentou encontrar parceiros
para produzir o esportivo e até chegou a comprar novas prensas para
fabricar sua carroceria, mas o projeto não foi adiante.
Com a falência decretada e a fábrica abandonada pelos
proprietários, a massa falida será gerenciada por um administrador nomeado pela
Justiça, que terá como prioridade o pagamento dos créditos trabalhistas.
Enquanto isso, o prédio será lacrado pela justiça e, em breve, o belo logotipo
que decora a fachada do imponente prédio às margens da rodovia Anchieta deverá
ser removido, marcando o fim da Karmann Ghia.
Linha de Montagem dos Volkswagen Karmann Ghia, Fábrica da Karmann Ghia, São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil
Linha de Montagem dos Volkswagen Karmann Ghia, Fábrica da Karmann Ghia, São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil
São Bernardo do Campo - SP
Fotografia
Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, Portugal
Vila Viçosa - Portugal
Fotografia
O Paço Ducal de Vila Viçosa é um importante
monumento situado no Terreiro do Paço da vila alentejana do distrito de Évora.
Foi durante séculos a sede da sereníssima Casa de Bragança, uma importante família nobre
fundada no século XV, que se tornou na casa reinante
em Portugal,
quando em 1 de Dezembro de 1640 o 8º Duque de Bragança foi aclamado Rei de
Portugal (D. João IV) e, mais tarde, daria origem à Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.
Vila Viçosa tornou-se sede do importante
ducado de Bragança quando D. Fernando (1403-1461) sucedeu a seu pai,
tornando-se o 2º Duque de Bragança, em 1461. Na verdade, o 2º Duque de Bragança
recebera de seu avô, o Condestável do
Reino, D. Nuno Álvares Pereira, o título de Conde de Arraiolos, pelo que quando chegou a
Duque, não quis trocar as planuras alentejanas pelo Paço Ducal de Guimarães.
Assim se estabeleceram os Bragança em Vila Viçosa, no primitivo Paço do Castelo. Porém, o seu filho,
também D. Fernando (3º Duque de Bragança),
veio a ser executado em 1483, por ordem de D. João II, acusado de traição, tendo a família
sido exilada para Castela, de onde só regressaram em 1496, após a
morte do Rei. Uma vez reabilitado o Ducado, o 4º Duque, D. Jaime, não quis habitar o Paço do
Castelo, por estar ligado à memória do seu pai, mandando construir um palácio
novo, no sítio chamado do Reguengo, assim começou a ser erguido o que é hoje o
magnífico Palácio Ducal de Vila Viçosa.
As obras, comandadas por D.Jaime, iniciaram-se em 1501, sendo dessa época o
claustro e a zona da capela, bem como as atuais salas da Armaria. Porém nova
tragédia atingiria a ilustre família, quando D.Jaime, suspeitando
(injustamente) da fidelidade de sua jovem mulher, a Duquesa D. Leonor de Gusmão, a mandou degolar. Entretanto
a Casa de Bragança crescia em poder e em riqueza, fruto dos laços de parentesco
com a Casa Real e com os feitos do Duque D.
Jaime, que em 1513 comandou
a vitoriosa expedição a Azamor.
O 5º Duque, D. Teodósio I, nomeado Condestável do
Reino, em 1535,
conseguiu negociar o casamento da sua irmã D. Isabel com o Infante D. Duarte (irmão do Rei D. João III). Aproveitando a necessidade
de ampliar o Palácio para as faustosas festas do matrimônio real, em 1537, o Duque mandou
construir a imponente fachada do palácio, revestida a mármore, ao gosto
italiano, que hoje podemos admirar.
O Palácio conheceu ainda várias obras e melhoramentos
até 1640,
data em que o Duque de Bragança foi feito Rei, levando grande parte
do seu notável recheio para o Palácio da Ribeira, em Lisboa.
Doravante, o Palácio de Vila Viçosa seria apenas uma residência de caça e
recreio para a família dos seus proprietários, agora senhores do trono de
Portugal. D. João IV manteve porém a independência da Casa de Bragança
relativamente à Coroa, destinando-a para morgadio do herdeiro do trono.
No século XVIII, D. João V fez ainda alguns melhoramentos
(capela, cozinha e pavilhão dos quartos novos), na sequência das suas visitas a
Vila Viçosa, nomeadamente para a chamada troca das princesas (casamento do
príncipe D.José com uma Infanta de Espanha e do Príncipe das Astúrias com a
Infanta D.Maria Bárbara), ocorrida na fronteira
do Caia,
em 1729.
Também D. Maria I fez ainda alguns melhoramentos,
acrescentando o corpo das Salas de Jantar e dos Vidros. Finalmente, no final
do século XIX, o velho Paço seria ainda objecto de
algumas obras, fruto da predilecção que os Reis D. Carlos e D. Amélia tinham por ele. D.Carlos
apreciava muito o Palácio calipolense, aqui passando largas temporadas, quando
promovia com os seus amigos (raramente trouxe convidados oficiais a Vila
Viçosa) grandes caçadas na extensa Tapada Ducal.
Com efeito, foi neste palácio que o Rei D.Carlos dormiu a
sua última noite antes de ser assassinado, em 1 de
Fevereiro de 1908 (conservando-se intactos desde então os seus
aposentos). No último reinado, o paço de Vila Viçosa acolheu ainda a visita do
Rei Afonso XIII de Espanha a D. Manuel II, em Fevereiro de 1909.
Após a proclamação da república,
em 1910,
o Palácio de Vila Viçosa, bem como todos os bens da Casa de Bragança,
permaneceram na posse do Rei D.Manuel II, por serem bens familiares do Rei e
não do Estado. Em 1933,
na sequência das disposições testamentárias de D. Manuel II (falecido em 1932), o Palácio integrou
a Fundação da Casa de Bragança, que abriu as
suas portas ao público, como museu. Nessa época o Paço recebeu ainda grande
parte dos bens móveis, obras de arte e a preciosa biblioteca do rei exilado
(provenientes da residência de Londres).
O Palácio apresenta uma grande colecção de obras de arte
(pintura, mobiliário, escultura, etc..), sendo particularmente nobres as salas
do primeiro piso, de que são exemplos as Salas da Medusa, dos Duques (com
retratos de todos os duques até ao século XVIII, no teto) e de Hércules, muitas
delas enobrecidas com belíssimos fogões de sala de mármore esculpido.
Permanecem particularmente vivas no palácio as memórias dos dois últimos
reinados (fruto da especial predileção que por ele tiveram os soberanos), como
se pode observar nos aposentos régios e nos inúmeros exemplares da obra
artística do rei D.Carlos (aquarelas e pastel). A cozinha apresenta uma das
maiores colecções de baterias de cozinha, em cobre. São ainda de realçar a
Biblioteca (com exemplares bastante preciosos) e a armaria. Nas antigas
cocheiras está instalada uma secção do Museu Nacional dos Coches, onde entre
outras carruagens, se pode admirar o landau que transportava a Família Real no
dia do regicídio.
Bem no interior de Portugal, numa cidadezinha alentejana
chamada Vila Viçosa, que tem menos de 10 mil habitantes, fica um palácio tão
rico e luxuoso para nem Versalhes colocar defeito. O Paço Ducal de Vila Viçosa
é um edifício que começou a ser construído em 1501 pelos Duques de Bragança.
Anos mais tarde, essa família assumiu a coroa portuguesa, instaurando assim a
Dinastia de Bragança. E foi a responsável, inclusive, pelos reinados no Brasil,
com Dom Pedro I e Dom Pedro II.
Hoje é possível ficar impressionado com a fachada de 110
metros coberta de mármore, circular pelos salões do palácio, suas pinturas,
peças de tapeçaria, esculturas, móveis e objetos de decoração. O palácio
pertence à Fundação da Casa de Bragança, criada pelo último rei de Portugal, D.
Manuel II, que deixou em testamento a iniciativa da fundação para gerir seus
bens familiares que não pertenciam ao estado português, transformando em museu
o paço em Vila Viçosa.
Porém, é preciso voltar muitos anos para entender o
porquê dessa pequena cidade, que fica a cerca de 190 km de Lisboa, abrigar um
palácio tão magnífico. E senta que lá vem história, porque é dessas narrativas
medievais cheias de reviravoltas e busca pelo poder.
D. João I, também conhecido com Mestre de Avis, era filho
ilegítimo de D. Pedro I, o de Portugal, não do Brasil. Quando seu irmão, filho
legítimo, D. Fernando I, morreu, rolou uma crise sucessória. A única filha
legítima que restava era casada com o Rei de Castela, o que ameaçava a
independência de Portugal. E a rainha não era também nem um pouco querida pela
corte, porque assumiu publicamente um affair com um nobre galego. Além do
Mestre de Avis, competia pela sucessão outro irmão, que também se chamava João,
mas era filho de D. Pedro I com a D. Inês de Castro, a rainha morta.
Com o apoio da nobreza, entre eles um jovem chamado Nuno
Álvares Pereira (guarde esse nome), o mestre de Avis foi até o Paço Real, em
1383, e assassinou o amante da rainha. Como seu irmão legitimo foi capturado e
preso em Salamanca pelo Rei de Castela, o caminho estava aberto para o Mestre
assumir o poder. Só que obviamente isso não aconteceria sem uma boa briga: o
Rei de Castela, por conta do casamento, se declarou rei de Portugal, e de 1383
a 1385 uma guerra civil se desenrolou no país, com cada vila e casa nobre
apoiando um lado.
O tal nobre antes mencionado, D. Nuno Álvares Pereira,
provou-se um grande general e estrategista a favor do Mestre de Avis e,
futuramente, ganhou o título de Condestável de Portugal. Ele foi o responsável
pelas inúmeras vitórias que garantiram que em 1385 D. João I fosse
declarado rei pelas cortes portuguesas. Isso não quer dizer que a guerra com
Castela acabou, porém. Os conflitos se arrastaram até 1400, com a assinatura,
no ano seguinte, de um tratado de paz e reconhecimento da independência de
Portugal.
O Condestável de Portugal, que também era filho bastardo,
passou a ser muito amado por conta de seu papel fundamental na independência
contra Castela. Com isso, lhe foram doadas pelo rei diversas terras, tornando-o
principal senhor do reino. E aí entra a sua capacidade estrategista, para além
da área militar. D. Nuno tinha uma única filha, D. Beatriz, e dada sua posição
na corte, somente um casamento real estaria a sua altura. Porém, caso D.
Nuno aceitasse isso, seu nome se misturaria com o da casa real e não faria juz
ao seu legado. Resolveu então casar D. Beatriz com o filho ilegítimo do rei, D.
Afonso. Com isso, em 1401, o Rei cria o Ducado de Bragança e doa uma série
de terras ao casal – e D. Nuno faz o mesmo, tornando a Casa de Bragança a mais
rica de Portugal.
As estratégias de consolidação familiar de D. Nuno não
param por aí. Em 1415, quando decide largar a vida militar e se dedicar à
caridade e a religião, ele distribui toda a herança igualmente aos
três netos. Isso não era comum para época: normalmente, a herança seria
concentrada para sua filha ou, muito raramente, ao neto primogênito. Porém, ao
fazer isso, garantiu poder, dinheiro e uma capacidade para alianças
matrimoniais que normalmente segundos filhos nunca teriam. Isso tudo sem
atrapalhar em nada o ramo principal da Casa, que já era riquíssimo.
D. Nuno seguiu sua vida religiosa e foi canonizado santo
em 2009. Sua família, com essa estratégia, cresceu forte, com ramificações
poderosas, casamentos dignos de reis, sobrevivendo aos reveses históricos sem
perder a importância. Passou a ser conhecida como a sereníssima Casa de
Bragança. Em 1501, D. Jaime, no cargo de Duque, começou a construir o Paço
Ducal de Vila Viçosa.
Em 1580, quando o rei D. Sebastião desapareceu
(provavelmente morreu, mas não se tem certeza) numa batalha no Marrocos,
iniciou-se uma nova crise sucessória. O resultado, porém, foi menos favorável à
independência Portuguesa, porque foi o rei Filipe II da Espanha quem assumiu o
trono. E então, durante 60 anos, Portugal foi governado por monarcas espanhóis.
Ao mesmo tempo, o palácio em Vila Viçosa funcionava como uma corte
paralela, não só militar mas também com vida cultural única no país.
Os reis espanhóis, atentos ao perigo que a casa de
Bragança representava, lhes vetaram casamentos para controlar aumento de terras
e ainda mais proximidade com casas reais. Não foi suficiente, porém, para impedir
que, em 1640, os nobres portugueses se revoltassem contra a dinastia filipina e
fizessem a revolução de Restauração da Independência. Tal revolução estava
centrada na ascensão de D. João, Duque de Bragança, ao título de D. João IV. E
a casa de sua família iniciou a Dinastia de Bragança, que governou o Brasil até
1889 e Portugal até 1910. Literalmente, indo de bastardos a imperadores em
algumas centenas de anos.
Com a ascensão do Duque de Bragança à rei, o paço ducal
perdeu um pouco de prestígio, pois passou de residência principal à apenas mais
uma das propriedades da coroa. Mesmo assim, algumas mudanças ao longo dos
reinados foram feitas, principalmente no século 19, nos reinados de D. Luís e
D. Carlos, que passaram a frequentar o Paço anualmente no verão. Inclusive, o
rei D. Carlos dormiu no palácio sua última noite antes de ser assassinado, em
1908 – e seus aposentos foram conservados intactos e fazem parte da visita. Em
1910, a república foi proclamada, o Paço foi fechado e somente foi reaberto 40
anos depois, com a criação da Fundação da Casa de Bragança.
Atualmente é aberto à visitação, através de visita guiada,
e funciona o ano todo. A entrada custa 7 euros e o passeio dura cerca de
uma hora. Também é possível visitar, por um valor adicional, a Armaria, a
Coleção de Porcelanas Chinesas e o Museu de Carruagens. Não é permitido tirar
fotos dentro do palácio.
Túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, Alcobaça, Portugal
Túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, Alcobaça, Portugal
Alcobaça - Portugal
Fotografia
Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de
Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça. São duas verdadeiras
obras-primas da escultura gótica em Portugal,
cuja construção se situa entre 1358 e 1367 e de autoria desconhecida.
Em 1340, D. Pedro I de Portugal casa-se com a
princesa castelhana D. Constança Manuel. Uma das aias que
acompanhava D. Constança era Inês de
Castro, por quem D. Pedro se apaixonou. Em 1348-1349, D. Constança
morre e então D. Pedro assume mais abertamente o relacionamento com Inês de
Castro em terras de Coimbra.
O rei D. Afonso IV (pai
de D. Pedro), temia o poderio da família de Inês de
Castro e da sua influência na sucessão do infante D. Fernando,
filho primogénito e herdeiro de D. Pedro.
No dia 7 de Janeiro de 1355, Inês de
Castro, encontrando-se nos Paços de Santa Clara em Coimbra (embora
a lenda diga que ela estava à beira da Fonte dos Amores, na Quinta das Lágrimas), foi assassinada por Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, a mando da coroa
Portuguesa, sendo sepultada em Coimbra.
D. Pedro sobe ao trono em 1357 e uma das suas primeiras
medidas foi mandar coroar Inês de Castro sua rainha (post mortem) e construir
um túmulo majestoso. Em 1360, acabado o túmulo, D. Pedro I ordenou que o colocassem no
braço sul do transepto do Mosteiro de Alcobaça e em seguida que
trasladassem para lá o corpo de D. Inês.. D. Pedro I mandou construir um túmulo
semelhante para si próprio, sendo colocado lado a lado esquerdo do de D. Inês.
O rei morre em 1367 indo
repousar, nessa altura, ao lado da sua amada.
Os túmulos são de estilo gótico e
feitos em calcário da região de Coimbra.
A localização primitiva dos túmulos era
lado a lado (estando o de D. Inês do lado direito de D. Pedro, o que deveria
acontecer entre marido e mulher) no transepto sul da Igreja do Mosteiro de Alcobaça. Daqui passaram para
a Sala dos Túmulos. No século XX voltaram
a ser colocados no transepto da Igreja, onde se encontram atualmente: frente a
frente, estando o túmulo de D. Inês no braço norte do transepto e o túmulo de
D. Pedro I no braço sul, de tal modo a que quando ressuscitarem se levantem e
vejam um ao outro.
Nos jacentes ambas as figuras estão coroadas, de expressão
tranquila e rodeadas por seis anjos que lhes ajeitam as roupagens e lhes
levantam a cabeça (como que a elevá-los para o Céu). As faces dos sarcófagos estão
decorados com temática heráldica (representações de brasões das respectivas
famílias), bíblica, vegetalista e geométrica. Em termos escultóricos, o túmulo
de D. Pedro I é considerado uma melhor obra, chegando os altos-relevos a
atingir 15 cm de profundidade, enquanto no túmulo de D. Inês atingem os
10 cm.
Túmulo de Inês de Castro: Inês de Castro está
representada com a expressão tranquila, rodeada por anjos e coroada de rainha.
A mão direita toca na ponta do colar que lhe cai do peito e a mão esquerda,
enluvada, segura a outra luva.
Os temas representados no túmulo são: nos frontais, a
Infância de Cristo e a Paixão de Cristo e, nos faciais, o Calvário e o Juízo
Final.
Neste túmulo salienta-se um dos faciais, que representa o
Juízo Final. Pensa-se que D. Pedro, com a representação desta cena dramática da
religião cristã, quis mostrar a todos (inclusive a seu pai e aos assassinos)
que ele e Inês tinham um lugar no Paraíso e que quem os fizera sofrer tanto
podia ter a certeza que iria entrar pela bocarra de Levitão representada no
canto inferior direito do facial. Podemos observar também a figura de Cristo
entronizado, e a Virgem e os Apóstolos que à sua direita rezam. Em baixo estão
representados os mortos que se levantam das suas sepulturas para serem
julgados.
Túmulo de D. Pedro I: D. Pedro I está representado também
com a expressão tranquila, coroado e rodeado por anjos. Segura o punho da
espada na mão direita, enquanto com a esquerda agarra a bainha.
Nas faces do túmulo estão representadas: nos frontais, a
Infância de S. Bartolomeu e o Martírio de S. Bartolomeu e, nos faciais, a Roda
da Vida e a Roda da Fortuna e ainda a Boa Morte de D. Pedro.
Neste túmulo destaca-se o facial da cabeceira onde está
representada a Roda da Vida e a Roda da Fortuna. Image: A Roda da Vida possui
12 edículas com os momentos da vida amorosa e trágica de D. Pedro e de D. Inês.
A autoria dos túmulos continua desconhecida, embora
surjam em geral duas propostas: uma atribuindo-os a artistas estrangeiros
(nomeadamente franceses), outra sugerindo que resultam da evolução da escultura
tumular portuguesa.
Uma história de amor dramática. E para Shakespeare nenhum
botar defeito. Eu me lembro de ter ouvido sobre Pedro e Inês de Castro pela
primeira vez quando estava na escola. A expressão “Agora Inês é morta” é
bastante conhecida. Mas foi morando em Portugal e viajando pelo país que
aprendi detalhes e, o melhor, vi de perto alguns dos cenários que fizeram parte
da trama medieval.
O Infante Pedro era o futuro rei de Portugal, filho
de D. Afonso IV, o rei. Como é de praxe nas famílias reais, casamento é questão
política, não romântica. Logo, ele foi obrigado a se casar com Constança
Emanuel, uma nobre castelhana. Tamanha era a vontade de Pedro se casar que a
primeira cerimônia de casamento dos dois foi feita por procuração, no Convento
de São Francisco, em Évora. Isso, claro, gerou um conflito e três anos depois
os noivos celebraram o casamento em Lisboa.
Os problemas, porém, só estavam começando. Entre as damas
de companhia de Constança estava Inês de
Castro, uma mulher lindíssima, filha de um poderoso fidalgo galego.
O príncipe se apaixonou pela aia e ela correspondeu o sentimento. Assim, os
dois iniciaram um romance nada discreto que chocou toda a corte. Se hoje em dia adultério é motivo de
escândalo, imagina em 1339. Para piorar a situação e a opinião pública
contrária, o Rei, D. Afonso IV, não estava nada satisfeito com a proximidade e
influência dos dois irmãos galegos de Inês sob o futuro rei de Portugal, que
atrapalhava muito as relações diplomáticas.
Para tentar acabar com o romance, quando Constança
teve seu primeiro filho, D. Luís de Portugal, convidou Inês de Castro para
ser madrinha. “Mas como assim?”, você deve estar pensando. Ela não tinha sangue
de barata, não. Essa foi uma manobra religiosa, digamos assim. É que na época,
a relação entre madrinhas e padrinhos com os pais da criança criava um
parentesco moral, ou seja, seria praticamente um incesto o relacionamento do
príncipe com a aia.
Só que o D. Luís morreu em uma semana, o que aumentou
ainda mais a central da boataria portuguesa medieval e permitiu que o romance
adúltero continuasse. Por fim, o Rei cansou do falatório e, em 1344, exilou
Inês de Castro em Albuquerque, na fronteira da Espanha. Ele achou que
finalmente teria paz na vida.
Por reviravolta do destino ou desgosto, como diria o
povo, Constança Emanuel morreu um ano depois, ao dar à luz ao segundo filho, D.
Fernando de Portugal. O infante Pedro nem esperou a mulher esfriar no caixão e
já mandou trazer Inês de Castro de volta, para a revolta do Rei. E onde os dois
foram morar? Em Coimbra, num palácio perto do Mosteiro de Santa Clara – hoje,
Santa Clara, a Velha -, em frente ao Rio Mondego, construído pela avó de Pedro,
a Santa Rainha Isabel (ela era santa mesmo, não estou exagerando).
O romance ia muito bem, obrigado, enquanto Portugal e o
resto da Europa conviviam com problemas tipo a peste negra. De 1346 a 1354,
Inês teve quatro filhos de Pedro, que se recusava a se casar com outra nobre,
sob o pretexto de que ainda sofria com a morte da esposa, Constança.
O filhos ilegítimos de Inês eram claramente uma ameaça ao
herdeiro legítimo ao trono, D. Fernando. Corria na boca pequena o boato de que
a família Castro conspirava para assassiná-lo. Mas não foi ele quem terminou
morto. Em 1355, o Rei D. Afonso IV, cedeu à pressão dos fidalgos portugueses e
mandou matar Inês de Castro.
No dia 7 de janeiro de 1355, aproveitando que Pedro
estava viajando numa caçada, três homens – Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves
e Diogo Lopes Pacheco – emboscaram Inês nos jardins onde ela e Pedro
costumavam se encontrar, a Quinta dos Amores, e assassinaram a mulher
friamente.
As lágrimas derramadas por ela teriam criado uma fonte,
a Quinta das Lágrimas, e o sangue que escorreu ficou marcado ali
até hoje, em algas vermelhas. Seu corpo foi enterrado na Igreja de Santa Clara.
Quando Pedro voltou da caça e descobriu o que seu pai
fez, a coisa ficou feia. Pai e filho entraram num conflito armado que durou
meses, até que a intervenção da Rainha selou a paz entre os dois. Dois anos
depois, D. Afonso IV morreu e D. Pedro I foi coroado como o oitavo rei de
Portugal. Lembram da paz? Pois é, acabou a paz, chegou a hora da vingança.
D. Pedro I mandou caçar os três homens que mataram sua
amada. Encontrou dois deles e os assassinou, mandando que arrancassem o coração
de um pelo peito e o de outro pelas costas, enquanto assistia e banqueteava.
Mas essa nem foi a principal parte de sua vingança. O rei também afirmou que
havia se casado secretamente com Inês de Castro, num dia que não lembrava. A
palavra do capelão e o do criado selaram a legalidade do casamento, o que
significava que D. Inês era uma rainha póstuma e deveria ser tratada como tal.
O novo Rei mandou construir túmulos magníficos no
Convento de Alcobaça, com as sepulturas uma de frente para outra, de forma que,
quando despertassem para o dia do juízo final, pudessem se olhar frente a
frente. Mas não foi só isso, pelo menos é o que reza a lenda. Antes de colocar
o corpo de D. Inês no novo túmulo, D. Pedro I teria colocado o cadáver da amada
no trono e obrigado a nobreza portuguesa (sob pena de morte) a realizar a
cerimônia de beija mão a Rainha morta.
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