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segunda-feira, 22 de agosto de 2022
Palácio Avenida, Curitiba, Paraná, Brasil
Palácio Avenida, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia
O Palácio Avenida é um edifício histórico de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná. Está localizado no centro da cidade, na confluência da Avenida Luiz Xavier com a travessa Oliveira Bello.
A edificação, construída a partir de 1927 e inaugurada em 1929, foi erguida pelo imigrante e empresário sírio-libanês Feres Merhy, com projeto arquitetônico original de Valentim Freitas, Bernardino Assumpção Oliveira e Bortolo Bergonse.
Ao longo de sua história, o imponente complexo de cerca de 18 mil metros quadrados, abrigou escritórios, lojas, cafés (como o folclórico Café Guairacá) e o Cine Avenida, uma das primeiras salas de exibição da capital paranaense.
Em 1968, o prédio foi adquirido pela banco Bamerindus e desde esse momento, o local foi sendo desocupado parcialmente ao longo de anos, até que no final da década de 1980 estava abandonado e atingiu seu ponto de maior degradação estrutural, com apenas sua fachada relativamente intacta. É neste período que o banco iniciou sua reforma, reconstruindo a parte interna e restaurando toda sua fachada original. Em 5 de março de 1991, foi reinaugurado para ser a sede do banco.
Com a extinção do Bamerindus, toda sua estrutura, inclusive o prédio, foi vendida para o Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC), e desta maneira, tornou-se a sede nacional do HSBC Bank Brasil.
Em 2016, o HSBC vendeu sua subsidiária para o Bradesco, tornando-se o edifício, sede regional da instituição.
O andar térreo é uma agência bancária, enquanto próximo ao terraço esta instalado o "Teatro Avenida", que tem capacidade para 250 espectadores.
Desde 1991, é realizado nas janelas do edifício o espetáculo "Natal do Palácio Avenida", com apresentações de um coral de crianças que cantam músicas tradicionais do Natal e alguns sucessos da MPB, acompanhadas de uma performance teatral ou musical de uma celebridade convidada como mestre de cerimônia. O evento tornou-se bastante representativo das festividades de fim-de-ano na cidade e é conhecido em todo o Brasil, recebendo intenso afluxo de turistas.
Obras de Construção do Palácio Avenida, Década de 20, Curitiba, Paraná, Brasil
Obras de Construção do Palácio Avenida, Década de 20, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia
Obras de Restauro do Palácio Avenida, Curitiba, Paraná, Brasil
Obras de Restauro do Palácio Avenida, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia
Cartão-postal do Natal de Curitiba, o Palácio Avenida já era famoso muito antes das apresentações do coral infantil que encantam curitibanos e turistas há quase 30 anos. Construído no início do século 20, o prédio foi um dos primeiros edifícios de porte da cidade e acolheu comércios e espaços culturais que marcaram época na cidade.
Para conhecer toda esta história é preciso voltar ao ano de 1927, quando o comerciante libanês radicado em Curitiba Feres Merhy idealizou e deu início à construção do prédio. Concluído dois anos depois, a imponente edificação, com cerca de 90 metros de fachada e 18 de altura, contemplava diferentes usos. Nele estavam instalados o Cine Theatro Avenida, o Restaurante Bar Guairacá, lojas e escritórios, além de apartamentos residenciais.
Seus tempos de glória se estenderam por algumas décadas, mas culminaram no abandono do prédio, que permaneceu fechado durante anos até ser adquirido, em 1974, pelo extinto Bamerindus. A intenção de Avelino A. Vieira, fundador e então presidente do banco, era de fazer do prédio a sede da organização. Empecilhos de diferentes ordens, no entanto, só permitiram que isto se tornasse possível no início dos anos 1980, quando José Eduardo de Andrade Vieira assumiu a presidência do Bamerindus com a meta de restaurar o Palácio Avenida.
O desafio de dar nova vida e uso ao prédio ficou a cargo dos arquitetos Rubens Meister e Elias Lipatin Furman. “A diretoria do Bamerindus nos procurou para elaborar o projeto de restauração e adequação do espaço interior desta agência, que seria a mais importante do Brasil”, lembra Furman.
Como o prédio já integrava a paisagem urbana da Rua XV de Novembro, tombada em 1974 pelo governo do estado, foi necessário que o projeto seguisse parâmetros específicos relacionados à sua volumetria e altura, por exemplo.
“Quando chegou até nós [Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC)], o projeto mantinha a fachada, mas trazia um prédio de cerca de 15 andares grudado a ela. Explicamos que este prédio não poderia [ser erguido] desta forma, e nossa sorte foi que o Elias tem uma ótima formação e que, no Uruguai [seu país de origem], a preservação do patrimônio sempre esteve presente”, conta a arquiteta Rosina Parchen, ex-chefe da CPC.
Assim, o escritório Rubens Meister elaborou um projeto que seguiu os parâmetros estabelecidos pelo patrimônio estadual e preservou a fachada e o antigo teatro do edifício, mas modernizou suas instalações internas.
“Este foi um dos grandes desafios do projeto: preservar a linguagem arquitetônica do exterior [em estilo eclético], mas desenhar um interior racional e com uma linguagem do século 21”, destaca Furman.
Nele, vãos livres de 10 metros, sustentados por lajes protendidas, e instalações de iluminação e ar-condicionado aparentes destacam a modernidade e se contrapõem à fachada histórica do prédio de nove andares: dois subsolos, dois de agência, três de setores administrativos e dois superiores, destinados à diretoria. “Estes dois andares superiores são recuados e aproveitam a inclinação das vigas [do telhado]. Assim, eles [não são avistados da XV de Novembro] e não alteram o visual do conjunto”, explica o arquiteto.
Após dois anos e meio de obras e um investimento de 15 milhões de dólares (cerca de R$ 50 milhões, em valores atualizados), o Palácio Avenida foi reaberto em 5 de março de 1991, mesmo ano em que foi realizada a primeira apresentação do coral de Natal, atualmente sob organização do Bradesco.
Passados mais de 90 anos de sua construção, o edifício mantém sua importância histórica e segue como ícone da paisagem urbana de Curitiba, como destaca Rosina. “Esta é uma obra feita não apenas para o cliente, mas interessante para a cidade. Vou ao Palácio Avenida e sinto uma emoção muito grande, pois o tenho como meu”, finaliza Furman.
Propaganda "Gol Furgão, a Melhor Opção Para 420 KG de Entregas Rápidas", 1981, Volkswagen Gol Furgão, Volkswagen, Brasil
Propaganda "Gol Furgão, a Melhor Opção Para 420 KG de Entregas Rápidas", 1981, Volkswagen Gol Furgão, Volkswagen, Brasil
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Praça do Patriarca, São Paulo, Brasil
Praça do Patriarca, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Nota do blog: Para quem não conhece a Praça do Patriarca, informo que o fotógrafo fez milagre ao tirar a foto. Conseguiu esconder a sujeira, os drogados, o comércio irregular, os ladrões, os moradores de rua, etc, enfim toda situação de degrado e abandono do local pelo poder público. Não se enganem, todo cuidado é pouco ao passar por lá.
Propaganda "Brasília", 1980, Volkswagen Brasília, Volkswagen, México
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Históricamente, México y Brasil han tenido una estrecha relación a través de lo años. Es cierto, tal vez, ha sido el futbol, el apartado que más nos ha unido y en que de forma irónica, ha formado una rivalidad en este ámbito. Pero también podemos tocar intercambios culturales, económicos, políticos, e incluso, de espectáculo. Sólo falta recordar, que allá nuestro querido Chavo del 8, y los demás personajes creados por Chespirito, son poco menos que una religión.
En lo que concierne al mundo motor, Brasil, es conocido por dos cosas: Ayrton Senna, así como su curiosa, e incluso, exótica, industria automotriz. Y es que, el sólo hecho de ser la mayor economía en América Latina, así como ser el sexto país más poblado de todo el mundo, dan como resultado uno de los mercados más importantes a nivel mundial. Mismo que se ha desarrollado con sus propias particularidades.
De hecho, no resulta raro que muchos fabricantes hayan adaptado su oferta de productos a los gustos locales. Al mismo tiempo, es uno de los mayores exportadores de vehículos a diversos países de América Latina, y eso incluye a México.
Por eso, en esta ocasión, en El Retrovisor de Autocosmos, recordaremos al primer automóvil de origen brasileño que llegó a México, por supuesto que nos referimos al Volkswagen Brasilia. Y sí, en este artículo aprovecharemos para tratar de resolver la controversia de si es un hatchback o una vagoneta. Tal y como en su momento, trató de hacerlo el propio Chavo del 8.
Al igual que en México, el Volkswagen Sedán era altamente popular en Brasil, donde recibía el apodo de Fusca, que, en español, es traducido como escarabajo. Sin embargo, tal y como en el resto del mundo, a principios de los setenta, este automóvil comenzaba a quedar desfasado por lo que la marca se dio a la tarea de buscar reemplazos y en su caso complementos a la gama.
Mientras en el viejo continente, ya se cocinaba el desarrollo del Golf MK1, en Volkswagen do Brasil, las cosas eran poco diferentes, ya que la consigna era desarrollar un automóvil que aprovechara la mayor cantidad de piezas disponibles con el objetivo de que su precio fuera contenido. Obviamente, el Fusca era el punto de partida natural.
En 1972 los ingenieros brasileños ya habían adquirido la experiencia necesaria al crear el Volkswagen SP2, un deportivo biplaza, que llegó para sustituir al Karmann Ghia TC. De hecho, para el diseño del nuevo proyecto también corrió a cargo del diseñador Marcio Piancastelli.
Curiosamente, Volkswagen do Brasil, tomó una decisión un poco extraña y es que las vagonetas de trabajo tenían beneficios fiscales en aquel mercado, así que decidieron que su nuevo producto tenía que homologarse como tal. Por ello, Piancastelli, no sólo terminó inspirándose en el SP2, sino que tomó muchos rasgos del 412 Variant.
El producto final, que hizo su debut internacional en 1973 adquirió el nombre de Brasilia (nomenclatura interna era Tipo 321), y sí, se trataba de un homenaje a la entonces novísima ciudad capital homónima, cuya inauguración apenas se había realizado 13 años atrás. Cabe destacar que la ciudad de Brasilia, destacaba por ser una urbe de planificación moderna, algo que de alguna manera trataba de transmitir el nuevo modelo de Volkswagen.
En realidad, más que una vagoneta, se trataba de un hatchback, que retomaba parte de lo aprendido en el Golf. Las líneas cuadradas, le conferían un espacio interior muy superior al del Sedán. Sin embargo, debido a que Volkswagen lo homologó como “camioneta” y no propiamente como un auto, esto provocó que existiera una gran confusión a su alrededor. Pese a ello, la (o él) Brasilia, se convirtió en todo un éxito.
Mecánicamente, la plataforma, motor y prácticamente todo el conjunto mecánico provenía del Vocho. Por ello, encontramos algunos elementos icónicos como el motor bóxer de 1.6 L, enfriado por aire y montado en la parte trasera. Este propulsor, al inicio no tenía ninguna variación con respecto usado en el Fusca, sin embargo, en 1976, recibe algunas mejoras, como la adopción de dos carburadores, por lo que aumentó su potencia hasta los 65 caballos de fuerza.
La última gran novedad que recibió este modelo llegó en 1980 con la introducción de un motor de 1.3 L capaz de funcionar con alcohol, cuya potencia era de 49 caballos de fuerza.
En Brasil, este automóvil dejó de fabricarse en 1982. Además de la icónica carrocería de tres puertas, también estuvo disponible en formatos de cinco puertas, así como una versión Variant que curiosamente se basaba en el modelo de entrada.
Además de Brasil, este modelo también se exportó a varios mercados latinoamericanos como como Colombia, Chile, Uruguay, El Salvador, Filipinas, Paraguay, Bolivia, Honduras y en Europa en Portugal y España. Cabe mencionar, que, en Venezuela y Nigeria, se ensambló a partir de kits CKD. En el país africano recibió el nombre de Igala.
No obstante, el Brasilia encontró en México su segundo hogar, ya que nuestro país fue el único lugar fuera del gigante sudamericano que lo fabricó y adoptó. Su éxito fue tal, que ni siquiera el Señor Barriga, de la vecindad del Chavo del 8 logró resistirse a adquirir uno.
Al ritmo de las canciones de su compatriota, Roberto Carlos, el Volkswagen Brasilia comenzó su andar comercial en México en 1974, pero curiosamente, no puede decirse que fue una calca del modelo brasileño, ya que contó con algunas particularidades propias del entonces vigente decreto automotriz que obligaba a los fabricantes a producir la mayoría de los elementos vitales de un automóvil en territorio nacional.
Para empezar, sólo estuvo disponible con carrocería de tres puertas. Y en segunda, si bien, en su producción en la planta de Puebla se utilizaron varias piezas brasileñas, como los lienzos de la carrocería, prácticamente el resto era mexicano. Algo lógico, porque se aprovechaba la mayoría de elementos del Vocho, como el motor de un carburador sencillo. La potencia era de 44 Hp y la transmisión era una manual de cuatro velocidades.
En la alineación de la marca en México, se posicionó ligeramente por arriba del Vocho. Algunos elementos destacados eran los frenos de disco delanteros, barras estabilizadoras en ambos ejes, así los asientos con cabeceras, mientras que los traseros eran abatibles. Curiosamente, uno de sus principales argumentos de ventas, era el enorme espacio interior y la gran visibilidad. Aunque también habría que destacar los faros dobles y las calaveras, que, al agrupar la luz de freno, direccional y de reversa, eran toda una novedad en la época. Resultó un éxito comercial. Ya que entre 1974 a 1982, se comercializaron 72,377 unidades. Se puede decir, que, dependiendo del año, sus competidores hubieran sido el Renault R5 y el VAM Gremlin.
Su momento, de mayor popularidad, la alcanzó al ser el automóvil oficial del Señor Barriga en el programa televisivo El Chavo del 8. Apareció en un par de capítulos. El primero, fue en donde el Chavo se ofreció a lavar este automóvil y el segundo fue cuando toda la vecindad partió de viaje en este automóvil con rumbo a Acapulco, demostrando su gran espacio.
Incluso en versiones modernas como la serie animada o el juego para smartphones El Chavo Kart, el auto usado por el dueño de la vecindad aparece. Es cierto, por cuestiones de marca, no verás el logo de Volkswagen, pero la silueta básica y hasta el color son los mismos que aparecieron en televisión a mediados de los setenta.
En este momento te estarás cuestionando sobre el porqué no se ven muchos Brasilia circulando hoy día, si se supone que fueron populares. La respuesta es simple, con el paso del tiempo el Brasilia, manifestó serios problemas de corrosión en la carrocería (que no era galvanizada), algo que ni siquiera Dusty Rust-Eze, Patrocinador del Rayo McQueen, podría haberlo ayudado. Curiosamente, en la publicidad de la época, Volkswagen se vitoreaba al presumir que este automóvil contaba con cuatro capas de pintura, una de ellas anticorrosiva.
Al igual que en Brasil, el Volkswagen Brasilia se despide del mercado mexicano en 1982. Aunque convivió varios años con el Caribe (que llegó en 1977), se puede decir, que este resultó ser su reemplazo indirecto. Si bien, también era un hatchback, era infinitamente más moderno. Aunque curiosamente, los mexicanos también terminarían refiriéndose a este modelo como una camionetita.
Sin embargo, su verdadero sucesor, es la primera generación del Gol, que no conocimos en México, pero que ya sobresalía por el motor y tracción delantera, así como los motores enfriados por agua. Aunque a partir de la segunda generación, cuando llegó como Pointer, comenzó su andar en nuestro país. Y sí, el actual modelo que se vende en nuestro mercado, es heredero directo de uno de los primeros Volkswagen diseñados fuera de Alemania, al mismo tiempo que fue pionero en el desarrollo en su país natal, al ser el segundo automóvil concebido en Brasil.
Nota do blog: Para quem não sabe, o Volkswagen Brasília também foi produzido no México.
domingo, 21 de agosto de 2022
A Degradação, a Retirada e o Desaparecimento da Passarela da Rua Visconde de Parnaíba, Brás, São Paulo, Brasil
A Degradação, a Retirada e o Desaparecimento da Passarela da Rua Visconde de Parnaíba, Brás, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Nota do blog: As imagens iniciais do post mostram a passarela em avançado estado de degradação, sua retirada em 2017 para restauro (passarela no chão), e a imagem atual (2022), ainda sem passarela. Assim, decorridos 5 anos de sua retirada, não restam grandes esperanças de que um dia ela retorne a sua antiga função. É mais uma das frequentes pás de cal no patrimônio histórico da cidade. Particularmente sinto imensa tristeza em ver essa situação, tenho algumas fotos de quando era criança nessa passarela. A perda de algo assim não afeta só a cidade, afeta a memória afetiva, o amor que as pessoas sentem pela cidade.
Ray Kroc e a História de Traição por Trás do McDonald’s - Artigo
Ray Kroc e a História de Traição por Trás do McDonald’s - Artigo
Artigo
Dois irmãos, uma barraca de fast food e um sonho. Richard e Maurice McDonald revolucionaram a pequena cidade de Arcadia (Califórnia) quando abriram uma lanchonete que vendia hambúrgueres por 10 centavos cada, servidos de minuto a minuto, embrulhados em papel e sem necessidade de garçons: o cliente fazia o pedido diretamente ao cozinheiro. Três anos depois, em 1940, os irmãos McDonald transformaram a barraca de comida rápida em um restaurante com cimento, ladeado por um M amarelo de 7,5 metros de altura que não podia ser visto do espaço, mas com certeza a partir de qualquer ponto da cidade.
Atualmente existem cerca de 40.000 unidades do McDonald’s que alimentam 68 milhões de pessoas todos os dias em 118 países. Em 1999, a revista Time homenageou as 100 pessoas mais importantes do século. Albert Einstein, Mahatma Ghandi, Bart Simpson e, claro, o fundador do McDonald’s: Ray Kroc. Um momento, quem é Ray Kroc? Não estávamos falando sobre os irmãos McDonald? Esta história de traição retratada no filme "Fome de Poder" (The Founder), dirigido por John Lee Hancock.
Ray Kroc é um self-made man (alguém que conseguiu o sucesso sozinho), mas com “pedaços” de outros. O sonho americano embrulhado para levar e servido em tempo recorde. Kroc vendia máquinas de milk-shake (sem muito sucesso), quando os irmãos McDonald fizeram uma encomenda de seis liquidificadores. Kroc sentiu que havia ganhado na loteria, mas não tinha ideia do valor. Logo viu o potencial do inovador sistema de comida vertiginosa do restaurante McDonald’s: o custo era minúsculo, e os clientes, infinitos.
Por isso, se ofereceu para trabalhar como representante comercial da marca. Em 1955, começou a vender licenças. Em 1961, Kroc ambicionava a expansão nacional. Os irmãos McDonald não tinham essa ambição (o sonho deles era chegar a um milhão de dólares antes dos 50 anos), de modo que lhe venderam a empresa por 2,7 milhões de dólares (8,6 milhões de reais) e 0,5% de participação nos lucros. Kroc pechinchou até o último dólar, e posteriormente os definiu em um livro como “obtusos, abertamente indiferentes ao fato de que eu estava gastando cada centavo que tinha em seu projeto”.
Segundo Kroc, os irmãos McDonald exigiram esses 2,7 milhões de dólares em dinheiro para boicotar seus planos de expansão, um “truque podre” que, no entanto, Richard e Maurice justificaram por ter passado 30 anos trabalhando sete dias por semana. “Muito comovedor”, escreveu Kroc, “mas, por alguma razão, não fui capaz de derramar lágrimas de pena”. Relutantemente, Kroc concordou em comprar a empresa pelos 2,7 milhões, enquanto, sem dúvida, já planejava sua vingança. Cinquenta e seis anos depois, o McDonald’s vale 17 bilhões de dólares.
O acordo entre Kroc e os McDonald foi selado com um aperto de mãos. Nada de contratos. A desculpa foi que nenhum dos três estava interessado em declarar os 0,5% de participação nos lucros à Receita. Assim, Richard e Maurice McDonald, que um dia tiveram a melhor ideia da história do setor de restaurantes, agora são lembrados pela pior ideia da história do mundo dos negócios. Nunca receberam aquela porcentagem.
Kroc expandiu a rede de restaurantes por todo o país e reciclou o conceito de fast food com um consumo ainda mais rápido. De que maneira? Para que os clientes não ficassem muito tempo nos restaurantes, desligava o sistema de aquecimento; instalou assentos de encosto reto, de modo que os clientes se inclinavam sobre a mesa e, assim, comiam mais rápido; colocou mesas maiores para que os clientes não pudessem conversar à vontade; e as bebidas eram servidas em cones de papel, impossível de apoiar: se o cliente tivesse que segurar a bebida, comeria mais rápido. Os consumidores engoliram esse formato de restaurante, por pura coerência. A experiência acabava saindo tão barata quanto a comida.
Depois de transformar o McDonald’s em uma meca de peregrinação da cultura popular norte-americana, Kroc fez questão de comprar o restaurante original. Os irmãos McDonald se recusaram veementemente em vendê-lo, porque sua intenção era deixá-lo para os funcionários que o haviam inaugurado, em 1940.
Paradoxalmente, este restaurante original teve que ser rebatizado como The Big M, porque o nome “McDonald’s” era uma marca registrada comprada por Kroc. A reação de Kroc foi abrir um McDonald’s do outro lado da rua. Depois de alguns anos, o The Big M fechou as portas, incapaz de competir com o McDonald’s da frente.
Kroc fez questão de entrar para a história como o fundador do McDonald’s. Em sua autobiografia, datou a origem da empresa em 1955, com a abertura do primeiro restaurante supervisionado por ele em Des Plaines, no Estado de Illionis. O sobrinho dos irmãos McDonald, Ronald (sim, tem o mesmo nome do palhaço-propaganda da marca), condena o ego desenfreado de Kroc: “Por que outra razão não colocaria um busto de seu rosto em cada restaurante? Por que colocou seu nome nas toalhas de mesa? Não existe outra empresa nos Estados Unidos na qual um empregado se tornou seu fundador”. Richard McDonald queixou-se de que Kroc esperou para comprar sua empresa para começar a forjar seu legado como o fundador oficial. “Ninguém se referia a ele como o fundador antes de vendermos a empresa. Se eu soubesse, teria ficado vendendo máquinas de milk-shakes.”
Em 1990, a empresa comprou o posto móvel de hambúrgueres com o qual tudo começou. Foi reformado, pintado com as cores corporativas de vermelho e amarelo e instalado em um museu sobre a história do McDonald’s. Os mitos são reescritos rápido assim, quase tão rápido quanto o tempo que se leva para preparar um Big Mac. E a história é sempre escrita pelos vencedores. Maurice McDonald morreu de um ataque cardíaco em 1971, vencido pelo estresse e pela raiva de ter sido enganado e roubado em primeiro lugar, e eliminado da história depois. Richard encarou tudo mais tranquilamente e viveu até os 89 anos.
“Tenho dinheiro suficiente, não vale a pena morrer por isso”, disse ao sobrinho Ronald. E acrescentou: “Vi como meu irmão Maurice sofreu a ponto de morrer, e não quero que aconteça o mesmo comigo”. Mas Richard McDonald reconhecia que morria de raiva sempre que recebia em casa um exemplar anual da revista do McDonald’s comemorando o “Dia do Fundador”: uma homenagem a Ray Kroc que nem sequer mencionava os irmãos McDonald. No entanto, Richard sempre afirmou que não se arrependia de sua decisão de vender a empresa e garantir uma vida tranquila. “Caso contrário, teria terminado em um arranha-céu com quatro úlceras e oito promotores tentando resolver minha declaração de imposto de renda”, refletia em 1991.
Quando morreu, em 1998, Richard McDonald morava em uma casa de três quartos em sua terra natal, New Hampshire. Deixou uma herança de 5,7 milhões de reais. Ray Kroc, por sua vez, morreu em 1984, com uma fortuna estimada em 1,6 bilhão de reais, e depois de ter comprado sua própria equipe de beisebol. Hoje, o site do McDonald’s lembra com orgulho da história de sua dominação mundial dos carboidratos. A primeira parada neste passeio ao longo da história do McDonald’s é em 1955, com a chegada de Ray Kroc.
Agora estreia Fome de Poder, uma comédia na qual Michael Keaton interpreta Ray Kroc, e os irmãos McDonald aparecem como divertidos coadjuvantes. Um dos slogans do filme: “[Ray Kroc] Roubou uma ideia e o mundo a comeu”.
Devorados pela ambição de seu sócio, Richard e Maurice ficaram para a posteridade como dois sujeitos com uma grande ideia, mas com um sonho muito pequeno. Em 1989, uma campanha promocional resumia o legado da empresa: “Tudo começou com uma centelha de Dick [Richard] e Mac [Maurice] McDonald. E, graças à mão condutora de Ray Kroc, se transformou em uma chama. Hoje, os arcos dourados brilham em toda esta nação”.
E, de fato, esse M gigante brilha tanto que acabou deixando seus criadores na sombra. Porque, no negócio que inventou o conceito de fast food, importante não é quem prepara o hambúrguer, e sim a velocidade com que é servido. E Ray Kroc foi o sujeito mais rápido desta história.
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