segunda-feira, 26 de setembro de 2022

domingo, 25 de setembro de 2022

Mercedes Benz 8/38 Sedan 1927, Alemanha

 



























Mercedes Benz 8/38 Sedan 1927, Alemanha
Fotografia


One of the first post-merger models to wear the Mercedes-Benz name, the 8/38 was developed under the technical direction of Ferdinand Porsche and featured a 2.0-liter, side-valve, inline, six-cylinder engine, three-speed manual transmission, semi-elliptic leaf spring suspension, and four-wheel mechanical brakes. Nearly 17,000 were produced between 1926 and 1933, in later years as the Typ Stuttgart 200.
The 8/38 offered here is said to have once served as a taxi, putting to good use its configuration as a sedan with a division window. A charming black-and-white photograph dated 1960 shows the car in what appears to be still very good overall condition and wearing U.S. Forces in Germany plates, indicating that it likely came Stateside around that time with a returning serviceman. The current owner believes himself to be the fourth American caretaker, with previous owners having included J. Robert Canby, Jr., of Maryland, and Arthur Wentworth of Bellrook, Ohio. Correspondence on file from both former owners with Mercedes-Benz and various marque specialists indicates that the car had indeed remained intact, aside from a few ancillary components.
Under current ownership, a complete restoration was undertaken by Fred Klimo of Medina, Ohio, with the body sheet metal repaired and inner mahogany woodwork replaced as necessary. Restoration work was completed between 2010 and 2012. The car subsequently underwent further minor servicing and cosmetic adjustments by Brian Joseph of Classic and Exotic Service before making its most recent show appearance at the 2013 Concours d’Elegance of America in Plymouth, Michigan. The restoration is well-preserved and shows beautifully inside and out, finished in a rich and appealing combination of red and black with red artillery-style wheels and tan leather and wool cloth interior.
One of very few of its kind in North America, and almost certainly the finest restored example, this is a superior model of a seldom-found Mercedes-Benz.

Sesquicentenário 1822-1972 / O Dinheiro Comemorativo dos 150 Anos da Independência do Brasil - Artigo

 













Sesquicentenário 1822-1972 / O Dinheiro Comemorativo dos 150 Anos da Independência do Brasil - Artigo
Artigo



Em 2022 comemoramos o bicentenário da independência do Brasil. Penso ser uma boa ocasião para voltar no tempo para saber como foram as comemorações alusivas ao sesquicentenário da independência. 
Para que muitos possam compreender nosso artigo de hoje é preciso saber o que significa sesquicentenário. Trata-se de uma medida de tempo que é um período de cento e cinquenta anos, ou seja, corresponde a um tempo de um século mais metade de outro século. Sesqui é um prefixo latino que significa um e meio.
Agora que sabemos o significado da palavra, vamos aos fatos. Oficialmente, a data comemorada para independência do Brasil é 7 de setembro de 1822, ocasião em que ocorreu o evento conhecido como o “Grito do Ipiranga”, às margens do riacho Ipiranga na atual cidade de São Paulo. Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi aclamado D. Pedro I, Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822, e o país passou a ser conhecido como o Império do Brasil.
150 anos se passaram desde o fato até 1972, mas os festejos teriam inicio em outubro de 1971, quando o presidente Emílio Garrastazu Médici instituiu uma comissão nacional para programar e coordenar as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil que se realizariam em 1972. Era o início dos preparativos da maior festa cívica nacional realizada durante o regime militar. Em seguida, em janeiro de 1972, foi criada a Comissão Executiva Central para dirigir e coordenar as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil (CEC) Presidida pelo General Antônio Jorge Corrêa, a CEC integrava membros de ministérios civis e militares, além de importantes instituições da sociedade civil. Assim, desde janeiro de 1972 vivia-se no país sob a expectativa do início das comemorações, mas foi em 21 de abril, aniversário de Brasília, que as festas começaram oficialmente, para somente serem encerradas no dia 7 de setembro. A ideia era iniciar as comemorações com os chamados “Encontros Cívicos Nacionais”, evento que deveria acontecer em todas as cidades do país e que consistia, de acordo com o presidente da CEC, Antônio Jorge Correia, em acontecimento único e inédito no mundo até aquele momento.
O encerramento, no dia 7 de setembro, foi realizado na colina do Ipiranga, em São Paulo, local onde foi proclamada a independência em 1822 e onde ocorreria o sepultamento oficial dos restos mortais de D. Pedro I, ao lado da Imperatriz Leopoldina, após uma peregrinação por todo o país, desde abril daquele ano. Os Encontros Cívicos em abril e a peregrinação dos restos mortais de D. Pedro I, seguida de seu sepultamento no Ipiranga em setembro foram os dois acontecimentos maiores de uma festa que teve como característica mais marcante a multiplicação, país afora, de eventos comemorativos os mais diversos ao longo de todo o ano de 1972.
A história nos reserva inúmeros acontecimentos durante o período das comemorações, mas um acontecimento marcou a numismática, notafilia e a medalhística nacional, quando a Casa da Moeda e o Banco Central do Brasil resolveram homenagear o importante acontecimento em moedas e cédulas do dinheiro brasileiro.
Notafilia: A cédula que comemorou o fato trazia o valor nominal de Cr$500,00 (cruzeiros), com o tema sesquicentenário da independência do Brasil 7 de setembro de 1822 a 7 de setembro de 1972.
500 Cruzeiros:
No Anverso: Figura representativa da formação étnica brasileira, mostrando as diversas raças, por ordem de precedência histórica.
No Reverso: Sequência de cartas geográficas históricas, representando a evolução do espaço físico territorial brasileiro, nas suas diferentes fases – descobrimento, comércio, colonização, independência e integração.
A cédula possui dimensões de 172 x 78mm, e circulou durante o período de 15 de novembro de 1972 a 30 de junho de 1987. 
Não iremos abordar neste artigo as diversas chancelas, estampas e variações desta cédula.
Numismática: A cunhagem de moedas foi o ponto alto da comemoração durante o período, tendo sido cunhadas moedas de 1, 20 e 300 cruzeiros.
1 Cruzeiro:
Moeda comemorativa do Sesquicentenário da independência do Brasil, cunhada em níquel, bordo com inscrição Sesquicentenário da independência, peso de 10,08g, espessura de 1,7mm e diâmetro de 29,0mm, foram cunhadas 19.999.800 peças. A moeda circulou de 8 de novembro de 1972 a 28 de fevereiro de 1986.
No Anverso: Apresenta efígies do Imperador D. Pedro I e do Presidente Emílio Garrastazu Médici, o símbolo oficial do Sesquicentenário (1822-1972) e a legenda Brasil em sentido vertical.
No Reverso: Dístico indicativo do valor e mapa do Brasil representando a integração nacional.
20 Cruzeiros:
Moeda comemorativa do Sesquicentenário da independência do Brasil, cunhada em prata (0,900), bordo com inscrição Sesquicentenário da independência, peso de 18,04g, espessura de 2,1mm e diâmetro de 34,1mm, foram cunhadas 502.000 peças. A moeda ficou disponível de 8 de novembro de 1972 a 1º de setembro de 1987.
No Anverso: Apresenta efígies do Imperador D. Pedro I e do Presidente Emílio Garrastazu Médici, o símbolo oficial do Sesquicentenário (1822-1972) e a legenda Brasil em sentido vertical.
No Reverso: Dístico indicativo do valor e mapa do Brasil representando a integração nacional.
Não iremos abordar neste artigo as variações existentes para esta moeda.
300 Cruzeiros:
Moeda comemorativa do Sesquicentenário da independência do Brasil, cunhada em ouro (0,920), bordo com inscrição Sesquicentenário da independência, peso de 16,65g, espessura de 1,8mm e diâmetro de 27,5mm, foram cunhadas 50.000 peças. A moeda ficou disponível de 8 de novembro de 1972 a 16 de janeiro de 1989.
No Anverso: Apresenta efígies do Imperador D. Pedro I e do Presidente Emílio Garrastazu Médici, o símbolo oficial do Sesquicentenário (1822-1972) e a legenda Brasil em sentido vertical.
No Reverso: Dístico indicativo do valor e mapa do Brasil representando a integração nacional.




Cartaz de Propaganda "Sesquicentenário da Independência, Você Constrói o Brasil 1822-1972", 1972, Governo do Brasil, Brasil


 

Cartaz de Propaganda "Sesquicentenário da Independência, Você Constrói o Brasil 1822-1972", 1972, Governo do Brasil, Brasil
Propaganda


Há 50 anos, a palavra “sesquicentenário” passou a fazer parte do dia a dia dos brasileiros. Ela significa 150º aniversário. A popularização de um termo tão incomum e empolado se deu por força dos 150 anos da Independência do Brasil. Ao longo de 1972, festividades alusivas ao grito do Ipiranga se espalharam pelo país inteiro, organizadas majoritariamente pelo governo e com grande participação popular.
A estrela do sesquicentenário foi D. Pedro I. Encabeçada pelo general Emílio Garrastazu Médici, a ditadura militar conseguiu trazer para o Brasil os ossos do imperador, após negociações diplomáticas com a ditadura de Portugal, onde ele estava sepultado. A bordo de um navio, os restos mortais de D. Pedro I atravessaram o Oceano Atlântico e em 22 de abril (justamente o Dia do Descobrimento) chegaram à Baía de Guanabara, trazidos pelo presidente português, almirante Américo Tomás.
Do Rio de Janeiro, o caixão foi levado para todas as demais capitais brasileiras. Em cada cidade, participou de desfile e ficou exposto em algum prédio público para a visitação das pessoas. As comemorações do sesquicentenário foram encerradas em São Paulo. Em 7 de setembro, o monarca foi sepultado com todas as honras na Cripta Imperial, às margens do riacho onde, exatos 150 anos antes, ele gritou “independência ou morte”.
— É com júbilo, orgulho e incontida emoção que recebemos os restos mortais de D. Pedro I, para que descansem para sempre nas terras brasileiras, que ele tanto amou ao ponto de, no gesto heroico do Ipiranga, proclamá-las independentes — discursou o senador Lourival Baptista (Arena-SE) no Plenário do Senado. — Nenhuma dúvida tenho que o estado de espírito de que ora sou possuído é o mesmo que envolve 90 milhões de brasileiros.
— Portugal nos transfere agora os desejados despojos de nosso primeiro monarca, como nos transladou um dia seu gênio, sua cultura, seu espírito e sua fé, para que esses valores, bafejados de sol tropical, construíssem o nosso mundo — acrescentou o senador Guido Mondin (Arena-RS). — Aqui temos para todo o sempre o galhardo [corajoso] Bragança, mas ficará em Portugal, numa de suas cidades [no Porto], o coração que outrora pulsara por entre mil emoções.
Os dois discursos fazem parte do Arquivo do Senado, em Brasília. Outros documentos do mesmo acervo histórico mostram que a Independência foi um dos temas predominantes no Parlamento em 1972.
Em pronunciamentos sobre a Independência, os senadores da Arena, o partido governista, tentaram demonstrar que o regime militar iniciado em 1964, chamado por eles de “revolução”, era uma continuidade do reinado de D. Pedro I.
— O nosso esforço de modernização do país tem sido impulsionado pelos estadistas da revolução, na continuidade das ações de outros grandes brasileiros da história, como o príncipe que se transformou no imperador e fundou o Estado brasileiro — afirmou o senador José Lindoso (Arena-AM).
— Nos acontecimento históricos, não há nunca uma data apenas. Existem muitas, anteriores e seguintes, que constituem os elos da imensa corrente espiritual do pensamento e do idealismo — discursou o senador Heitor Dias (Arena-BA). — Antes de 1822, houve 1789 [Inconfidência Mineira] e 1792 [enforcamento de Tiradentes]. Depois, houve 1823 [derrota dos portugueses no Piauí e na Bahia], 1888 [Lei Áurea], 1889 [Proclamação da República], 1922 [Revolta dos 18 do Forte], 1924 [Revolta Paulista], 1930 [Revolução de 30] e 1964. Voltando a minha imaginação para o passado e fixando o meu olhar no presente, contemplo desvanecido, como brasileiro, o acervo das realizações que marcam o nosso progresso e testemunham o nosso desenvolvimento.
Os discursos governistas no Senado em 1972 trouxeram com frequência expressões como “patriotismo” e “civismo”.
— O ano do sesquicentenário tem sido até agora uma permanente demonstração de júbilo público. Estão o governo e o povo irmanados numa inequívoca demonstração de patriotismo, mantendo acesa aquela chama cívica que surgiu no Ipiranga ao ecoar o grito varonil de Pedro I — disse o senador Wilson Campos (Arena-PE).
— As cerimônias extrapolaram todas as alçadas burocráticas e se constituíram num sentimento espontâneo de contentamento nacional. Houve a participação vigorosa e unânime do povo brasileiro nas celebrações, não apenas porque as lições da moral e do civismo se arraigaram na alma popular, mas também porque o sesquicentenário, por si só, foi a página mais importante a caracterizar o encontro definitivo do governo com o povo brasileiro — concordou o senador Eurico Rezende (Arena-PE).
Viviam-se os anos de ouro da economia. Era o auge do chamado milagre econômico brasileiro, período em que o país registrou taxas de crescimento extraordinariamente altas e sem precedentes. Num pronunciamento, o senador Virgílio Távora (Arena-CE) lembrou que o crescimento do produto interno bruto (PIB) em 1971 havia ficado na impressionante casa dos 11%:
— Esta é a mais expressiva experiência de crescimento da nossa economia no pós-guerra. Achamos ser um exagero. Isto é apenas fruto de um trabalho racional e uma continuidade administrativa que não se conhecia em decênios passados. Não procedem as críticas quanto ao crescimento do PIB à custa de concentração de riquezas. O Brasil de 1972 é bem diferente daquele do início da década anterior. Nele impera um clima de paz, trabalho construtivo, progresso e confiança no porvir. Nós, seus filhos, dele devemos estar ufanos neste ano do sesquicentenário de sua Independência.
O senador Franco Montoro (MDB-SP), da oposição, fez uma análise diferente:
— A população brasileira está ficando mais pobre. Houve perda do poder aquisitivo. Esse fato é rigorosamente real. A má distribuição de rendas é uma consequência necessária do desenvolvimento econômico? Sim, dizem os porta-vozes da política oficial. Não, respondem autorizados economistas, sociólogos e professores brasileiros.
Ao mesmo tempo, vivia-se o período que os historiadores chamam de “anos de chumbo”. Os militares governavam amparados em instrumentos legais como o Ato Institucional 5 (AI-5), de 1968, que permitia ao presidente fechar o Congresso, cassar mandatos parlamentares, retirar direitos políticos, intervir em estados e municípios e suspender a garantia do habeas-corpus. Nesse momento, segundo a Comissão Nacional da Verdade, as torturas de intensificaram. Mas, na opinião de senadores governistas como Carlos Lindenberg (Arena-ES), o cenário político do país era outro:
— Nestes oito anos, a revolução, com o apoio geral do povo trabalhador deste país, conseguiu colocá-lo entre aqueles que mais se desenvolvem no mundo, além de preservar nossa liberdade, nosso sistema de vida, nossos princípios e religião, nossa soberania e autodeterminação, ameaçados que estavam pela infiltração em marcha acelerada da ideologia comunista, exercida, é verdade, por um pequeno grupo, porém exatamente como tem acontecido a outras nações que eram povos livres.
A situação econômica favorável criou no país um ambiente de otimismo e autoestima nas alturas. Isso se refletiu na grande adesão popular às comemorações oficiais.
— Outros países do mundo estão assinalando os festejos do sesquicentenário. Esses registros da imprensa universal valem como uma afirmação do Brasil perante o mundo — orgulhou-se o senador amazonense José Lindoso.
Apesar de o aniversário da Independência ser um momento propício para um balanço público das grandes questões nacionais, em 1972 não foram discutidas as mazelas sociais que o Brasil não havia conseguido derrotar mesmo completando 150 anos como nação soberana. Lindoso prosseguiu:
— Não somos hoje somente uma nação que se moderniza. Somos uma nação que representa uma nova civilização, a civilização brasileira, com a democracia racial, com um toque de humanização profundo e inspirada nos princípios da justiça social.
O senador gaúcho Guido Mondin contou aos colegas que certa vez um holandês lhe perguntou se o Brasil teria se transformado num país desenvolvido caso os invasores holandeses do Nordeste colonial tivessem permanecido e conquistado o restante do território. Ele respondeu que não e derreteu-se em elogios a portugueses e brasileiros:
— O tempo e a história demonstraram que dificilmente outro povo, outra cultura e outros valores poderiam nos legar tanto quanto o fizeram os portugueses. Invoco aspectos como a docilidade, a cortesia, a hospitalidade, os sentimentos, a ausência de preconceitos raciais, os costumes e a universalidade que integram o caráter brasileiro e que se teriam decomposto ou pelo menos não seriam tão marcantes sob outras influências.
A euforia nacional também fervilhava no mundo esportivo. Fazia apenas dois anos que o Brasil havia se tornado tricampeão nas Copas do Mundo. A ditadura militar soube se associar à vitória no México.
Desejando os mesmos dividendos em 1972, organizou a Taça Independência, com 20 seleções de futebol de todo o mundo. O torneio foi popularmente chamado de “Minicopa”. A final, num Maracanã com 100 mil torcedores, foi disputada justamente pelos protagonistas dos eventos históricos de 1822. O Brasil venceu Portugal por 1 a 0, com gol de Jairzinho.
— Desdobrando-se pelas principais cidades do nosso país, a Taça Independência exigiu extraordinário esforço de organização e disciplina — analisou o senador Antônio Carlos Konder Reis (Arena-SC). — Creio, por isso, digno de registro o empreendimento, ao qual deu o melhor de sua capacidade de trabalho, coragem e dedicação o Sr. João Havelange, presidente da Confederação Brasileira de Desportos. Quero também congratular-me com o presidente do Conselho Nacional de Desportos, brigadeiro Jerônimo Bastos, a quem o Brasil fica a dever mais um grande serviço.
Além do velório de D. Pedro I em todas as capitais e do torneio internacional de futebol, os festejos oficiais incluíram atividades cívicas em escolas, universidades, bibliotecas, clubes esportivos, igrejas, quartéis, tribunais, prefeituras e governos estaduais. No Congresso Nacional, celebrou-se em 7 de setembro uma missa com a presença do presidente Médici.
— Talvez, dentro do espírito do tempo, melhor fosse que tivéssemos efetuado também um culto ecumênico — disse o senador Guido Mondin. — Mas vale o Te Deum [cântico cristão de louvor a Deus] por nós efetivado como um acolhimento de todas as religiões. O Congresso, nessa manifestação pública, fez sentir ao povo brasileiro que aqui dentro não apenas cultuamos o civismo, também o fazemos com a nossa crença em Deus. No binômio Deus e pátria, o Congresso fez, assim, uma afirmação extraordinária.
Grupos da sociedade civil, como o Clube de Engenharia da Guanabara e a Sociedade Brasileira dos Filósofos Católicos, realizaram seus próprios eventos. Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e editoras de livros também entraram no clima do sesquicentenário.
A Bloch Editores, por exemplo, lançou três livros ilustrados sobre a história do Brasil. Os leitores puderam comprá-los em fascículos semanais nas bancas de jornal. Quando cada volume se completava, a cada 16 semanas, vendia-se a respectiva “capa luxuosa” para a encadernação. No Senado, o parlamentar Eurico Rezende parabenizou a editora por “ofertar ao país um dos instrumentos mais úteis, valiosos e cativantes da celebração do sesquicentenário”:
— Não se exalta nessa obra apenas o seu aspecto de didatismo literário, de valor gráfico ou de beleza ilustrativa. O que se deve acentuar também na iniciativa de Adolpho Bloch é o conteúdo cívico da publicação. A empresa Bloch Editores aquiesceu à cruzada empreendida pelo governo federal no sentido de reforçar, de tornar mais vivo, mais palpitante e mais refulgente o civismo, de modo a irrigar um grande sistema de vasos comunicantes por toda a alma nacional.
O senador Mondin, que era pintor, também elogiou a coleção de livros da Bloch e aproveitou para espinafrar outra espécie de publicação vendida em bancas de jornal:
— Detesto as histórias em quadrinhos, embora hoje estejam sendo consagradas. Acho que elas desserviram à instrução, à cultura brasileira, não obstante até o próprio Ministério da Educação esteja a louvá-las. Muito diferentes são essas publicações em fascículos. O seu texto é da melhor qualidade, muito cuidado e mesmo aprofundado, e se faz a simbiose da parte literária com a parte artística. Quero dizer que se está fazendo realmente cultura ao alcance de todos, mas não aquela cultura superficial. Tenho comigo variadas coleções formadas assim, com fascículos semanais. Entusiasmado, já estou hoje a começar uma nova coleção.
Às vésperas do 7 de setembro, entrou em cartaz o filme Independência ou Morte, com o casal Tarcísio Meira e Glória Menezes nos papéis de D. Pedro I e Marquesa de Santos. Quase 3 milhões de pessoas foram vê-lo no cinema. O filme foi uma produção privada, e não do governo militar.
Animado com a participação da iniciativa privada nas celebrações, o senador pernambucano Wilson Campos usou um de seus discursos no Senado para solicitar à empresa portuguesa de aviação, na época estatal, que também desse sua gentil contribuição:
— Aproxima-se o mês de setembro, quando os festejos chegarão ao clímax. Seria o momento de convidar a essa comunhão cívica figuras representativas de Portugal, os intelectuais, os estudantes, os trabalhadores. Endereçamos um apelo à Transportes Aéreos Portugueses [TAP] no sentido de patrocinarem a viagem de uma delegação das classes representativas da gente lusitana ao nosso país. Tenho certeza de que o engenheiro Vaz Pinto, presidente da TAP, com o desprendimento cívico e a estima que vota ao Brasil , encontrará meios para essa rápida mobilização.
Os adversários da ditadura militar no Congresso Nacional, embora acuados desde a assinatura do AI-5, não ficaram calados. Os senadores do MDB, o partido oposicionista, aproveitaram o sesquicentenário para criticar o autoritarismo dos generais no poder.
O senador paulista Franco Montoro afirmou que o 150º aniversário da Independência era o momento perfeito para a ditadura sair de cena:
— Estamos num momento de exceção. A exceção, por definição, é transitória O Brasil, no ano do sesquicentenário, poderá, talvez, ter a grande glória de ver normalizada a sua vida pública. Não com a volta ao passado, com a restauração de processos superados, mas por meio de fórmulas jurídicas e políticas. Para combater os inimigos da democracia, não precisamos eliminar a nossa vida democrática. A democracia não é um luxo. A Constituição brasileira diz: “Todo poder emana do povo”. Não se trata de uma fórmula vaga. Trata-se do reconhecimento de que é preciso que o povo participe da vida pública.
O senador Danton Jobim (MDB-RJ) disse que José Bonifácio de Andrada e Silva, conselheiro e ministro de D. Pedro I na época da Independência, poderia ser considerado um dos pais da democracia brasileira, por ter proposto a “solução monárquico-constitucional” de 1822. E, citando o Brasil dos generais, continuou:
— Um caule brotou da semente de 1964. A planta só se tornará árvore e deitará raízes no coração de todos os brasileiros quando emergir do subterrâneo da exceção para o ar puro da normalidade democrática, onde possa aquecer-se ao sol das liberdades políticas sonhadas e conquistadas pelos heróis da nossa Independência.
O desejo dos senadores da oposição só se realizaria 13 anos mais tarde.
A historiadora Janaina Martins Cordeiro, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora do livro Ditadura em Tempos de Milagre – comemorações, orgulho e consentimento (Editora FGV), diz que o governo militar explorou ao máximo no sesquicentenário a figura de D. Pedro I por uma razão:
— Para celebrar a pátria, a ditadura militar escolheu uma representação específica de D. Pedro: a do governante que tinha pulso firme e transpirava autoridade e autoritarismo. Essa era, não por acaso, a síntese da própria ditadura. Ao mesmo tempo, difundiu a ideia de que, enquanto 1822 fora a conquista da independência política, 1972 seria a conquista da independência econômica, em razão do milagre econômico brasileiro. Isso tudo transmitia à sociedade a imagem da ditadura como um desdobramento quase natural do grito do Ipiranga, um capítulo histórico tão revolucionário e necessário quanto a Independência.
A imprensa chegou a publicar críticas ao ufanismo do sesquicentenário, mas não foram muitas. Da tribuna do Senado, parlamentares da Arena atacaram o pensador Alceu Amoroso Lima, que, “divorciado do sentimento nacional”, fez em sua coluna no Jornal do Brasil “restrições àquelas admiráveis celebrações”. A historiadora diz que críticas como as dele não tiveram eco:
— O fato é que aquele momento era de euforia generalizada, seja porque a economia ia de vento em popa, seja porque se vivia aquele nacionalismo do "Brasil grande". Parecia que o futuro que tanto se desejava havia finalmente chegado. A maior parte das pessoas não estava interessada em protestar ou encarar o presente e o passado de forma crítica. O que se queria era festejar, e a ditadura aproveitou o momento para incentivar o clima de comemoração.
Os documentos históricos do Arquivo do Senado mostram que alguns senadores acreditavam que, de tão magníficas e mobilizadoras, as celebrações do sesquicentenário certamente entrariam nos livros de história. O senador Eurico Rezende, por exemplo, descreveu os eventos de 1972 como “uma página que dificilmente desertará da memória agradecida e desvanecida do povo brasileiro”.
Não foi o que ocorreu. O 150º aniversário da Independência acabou se transformando numa página virada e esquecida da história brasileira, e a palavra “sesquicentenário” saiu do domínio público. De acordo com a historiadora Janaina Cordeiro, as festividades de 1972 começaram a se apagar da memória nacional em meados da década de 1980, na transição para a democracia:
— Como acontece em qualquer país que sai de ditadura, a transição exige a construção de novos consensos sociais para que a democracia se firme. No caso do Brasil, um consenso que se construiu foi o de que a ditadura fora imposta exclusivamente de cima para baixo. Isso não é verdade. Houve comportamentos da sociedade, desde a indiferença até o apoio explícito, que permitiram o golpe e a manutenção da ditadura. Como esse fato foi apagado na transição, hoje é difícil e desconfortável lembrar e aceitar que houve pessoas na rua celebrando com a ditadura por livre e espontânea vontade, que em certos momentos os militares desfrutaram de expressiva popularidade, que parte da sociedade dialogou, consentiu e conviveu harmoniosamente com o regime.

"Oito Centímetros Impediram Sepultamento de D. Pedro I", Brasil - Artigo

 


"Oito Centímetros Impediram Sepultamento de D. Pedro I", Brasil - Artigo
Artigo





Caixão vindo de Portugal era maior do que o sarcófago; sepultamento definitivo ocorreu 4 anos depois.
O governo militar sob a chefia do general Emílio Garrastazu Médici não poupou esforços para transformar as comemorações dos 150 anos da Independência numa enorme celebração nacional. Seu ponto alto? A vinda de Portugal dos restos mortais de nosso primeiro imperador, Dom Pedro I. Uma relíquia de inestimável valor histórico, que hoje, pela primeira vez em quase 180 anos, foram exumados para uma pesquisa pioneira conduzida pela USP (O Estado de S. Paulo - 02/09/1972).
Mas, quase como uma anedota, daquelas que fazem parte da tradição luso-brasileira, o caixão feito em Portugal não coube no lugar onde deveria ser colocado na Capela Imperial, no Ipiranga. "O conjunto formado por um caixão de chumbo com as armas de Portugal colocado dentro de outro caixão esse de madeira, era oito centímetros maior do que o sarcófago que deveria contê-lo, e como as autoridades portuguesas não autorizaram sua redução foi preciso desmontar o sarcófago da cripta e aumentá-lo" (O Estado de S. Paulo - 05/09/1976).
Apenas quatro anos depois do Sesquicentenário da Independência, em 1976, o sarcófago de D.Pedro I foi devidamente disposto no Mausoléu para ele construído (O Estado de S.Paulo - 05/09/1976).
Os despojos. A busca por obter os despojos de D. Pedro de Portugal já havia sido empreendida sem sucesso em outras ocasiões. As primeiras negociações para trazê-los foi em 1908, quando a República brasileira já estava consolidada e o governo pronto para estreitar relações com a antiga metrópole. Os despojos viriam com o rei de Portugal, D. Carlos, que programava uma visita ao Brasil, mas o rei foi assassinado antes da viagem. O projeto foi, então, retomado em 1922, para o centenário da Independência, mas também não obteve sucesso (O Estado de S. Paulo - 07/09/1972).
Monumento. A inauguração do Monumento à Independência em 7 de setembro de 1922 foi o marco da celebração do centenário da Independência.
Em 1951, surgiu a ideia de construir um local reservado a abrigar os despojos dos antigos soberanos. Quando foi lembrado que dentro da enorme construção de granito e bronze existia um compartimento totalmente revestido de granito verde, vindo de Ubatuba, um Cenotáfio, concluiu-se que o interior do monumento seria o lugar mais apropriado. Então, em 7 de setembro de 1952, há poucos metros do Museu Paulista, dentro do enorme monumento, perto do Riacho do Ipiranga foi inaugurada no Cenotáfio, uma cripta reservada ao descanso de nossos monarcas.
Foi para lá que, em 12 de outubro de 1954, foram encaminhados os despojos de D. Maria Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil, que estavam no Convento Santo Antônio, no Rio. O Cenotáfio, foi convertido em Capela Imperial por decreto expedido pelo então prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, em 19 de outubro de 1959 (O Estado de S.Paulo - 07/09/1952).
Em 1971, com a proximidade do aniversário de 150 anos da proclamação de Independência, o Instituto Histórico Geográfico de São Paulo, o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e o Itamaraty retomaram os diálogo junto aos institutos de preservação de memória e ao governo português para promover a concessão dos despojos de D. Pedro I (O Estado de S.Paulo - 19/05/1971).
Figura de suma importância histórica para ambos os países, regente tanto do Brasil como de Portugal - D. Pedro I, imperador do Brasil, e rei D.Pedro IV, de Portugal - estava sepultado ao lado dos demais membros da família real de Bragança, governantes de Portugal de 1641 a 1910, no Panteão da Dinastia de Bragança situado no Mosteiro de São Vicente de Fora na cidade de Lisboa. Sua remoção seria uma perda significativa para o patrimônio nacional português. O Brasil, por sua vez, argumentava que diferente dos demais povos americanos, que têm nos seus panteões seus respectivos libertadores e patriarcas, o país possuía uma túmulo vazio na base do Monumento do Ipiranga.
Em 13/8/1971 o Estado publicou a boa notícia, o presidente de Portugal, almirante Américo Thomaz, concordara em transladar e presentear o Brasil com os restos mortais do imperador. Aos portugueses falou sobre o sacrifício em pró de enriquecer e fortalecer os laços entre a comunidade luso-brasileira. “Assim repartidos entre Portugal e o Brasil os despojos de D.Pedro serão bem o símbolo de uma raça que, divida entre duas Pátrias, permanece, todavia, fiel à alma que lhe dá caráter no mundo e inspira pelos tempos afora os destinos lusíadas”, disse Américo Thomaz, deixando claro, que o coração não viria. Permaneceria na cidade do Porto, já que o próprio D.Pedro deixou-o, em testamento, à cidade.
No dia anterior, o presidente Médici expressara, em rede nacional de TV e rádio sua emoção; “brasileiros, não posso esconder minha emoção. Fala por si mesmo este fato que nenhuma eloquência poderia superar:no ano em que celebramos o sesquicentenário da nossa Independência, regressará ao Brasil o corpo daquele que, em sete de setembro, às margens do Ipiranga, com a bravura, o arroubo e a paixão que eram a marca de sua personalidade, proclamou livres estas terras" (O Estado de S.Paulo - 13/08/1971).
Com a concordância do governo português, vieram os preparativos para o translado. O Estado de 19 de março de 1972 publicou informações sobre a força-tarefa da Marinha brasileira designada para escoltar o translado dos restos mortais do primeiro imperador do Brasil. Cerca de 800 homens, sob a chefia do almirante Carlos Auto Andrade, formavam as tripulações dos contratorpedeiros Santa Catarina, Paraná e Pernambuco, encarregados de assegurar a viagem do transatlântico português Funchal, que transportava o esquife real , o presidente português Américo Tomaz e sua comitiva de 50 pessoas. Para a cobertura jornalística da viagem a Marinha incluiu alguns jornalistas, Eduardo Barbosa, do Estado de S. Paulo, estava entre os poucos civis que viajavam com a força-tarefa (O Estado de S.Paulo - 19/03/1972).
Seguindo um cronograma carregado de simbologias e pensado para exaltar o nacionalismo brasileiro, o regime militar organizou um itinerário onde os pontos altos eram duas grandes datas nacionais. Após seguir o longo trajeto de 4.500 milhas percorrido por Cabral, em 22 de abril de 1972 , o Funchal chegou à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. A urna contendo os despojos de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal foi desembarcada no ancoradouro do Morro da Viúva e conduzida em cortejo num carro de combate do Exército até o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. No aterro do Flamengo, foi entregue ao presidente Garrastazu Médici pelo presidente Américo Thomaz, de Portugal, em uma cerimônia acompanhada por cerca de 10 mil pessoas e televisionada a cores para todo o País (O Estado de S.Paulo - 23/04/1972).
Depois de três dias expostos à visitação na sua antiga residência na Quinta da Boa Vista, os despojos deixaram o Rio e seguiram em peregrinação por todas as capitais brasileiras. Até que em 7 de setembro de 1972, vindo de Pindamonhangaba e seguindo o mesmo caminho feito por D. Pedro quando proclamou a independência, seu esquife chegou à sua última morada, a Capela Imperial no Monumento à Independência (O Estado de S.Paulo - 08/07/1972).
Em 1982, chegaram ao Brasil os restos mortais da segunda esposa de D.Pedro I, nossa segunda imperatriz, D. Amélia (O Estado de S.Paulo - 08/04/1982).

Ficha de Censura do Filme “A Chinesa” / "La Chinoise", 1968, Brasil


 

Ficha de Censura do Filme “A Chinesa” / "La Chinoise", 1967, Brasil
Fotografia


Em 13 de setembro de 2022 morreu o cineasta e teórico do cinema franco-suíço Jean-Luc Godard. Famoso por ser um dos principais expoentes da “Nouvelle Vague”, movimento renovador do cinema francês dos anos 1960, Godard deixa extensa obra marcada pela experimentação e contestação política. No Brasil, sua produção polêmica encontrou forte resistência institucional, em especial durante o período do governo militar. Exemplo disso é a referência a muitos de seus filmes no acervo da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), atualmente sob a guarda do Arquivo Nacional. São 22 processos no total, entre eles alguns de seus mais aclamados trabalhos como “O demônio das onze horas”, “Eu te saúdo, Maria”, “A chinesa”, “Weekend à francesa” e “Acossado”.
A imagem que acompanha esta postagem é o processo de censura do filme “A Chinesa” (La Chinoise), de 1967, representante da chamada fase maoísta do cineasta. A técnica de Godard foi considerada pelo próprio censor “das mais perfeitas”. Porém, a película foi inicialmente censurada por ser “uma verdadeira aula de comunismo” e veículo de “propaganda do regime comunista” chinês. Um ano depois, a obra foi liberada para maiores de 18 anos.

Vendedor de Frutas, Legumes e Verduras, Rio de Janeiro, Brasil


Vendedor de Frutas, Legumes e Verduras, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia


O registro que você vê neste post mostra um vendedor de frutas, legumes e verduras trabalhando no Rio de Janeiro no final do século XIX. Levando seus produtos de porta em porta, esse trabalhador era uma figura típica no Brasil desde os tempos coloniais, quando pessoas escravizadas realizavam essa atividade. 

"Esperando o Trem Passar", Anos 60, Rio de Janeiro, Brasil

 


"Esperando o Trem Passar", Anos 60, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia


Houve um tempo em que era comum que trens de carga cruzassem a Avenida Francisco Bicalho, importante via de acesso ao centro do Rio de Janeiro. Quando isso ocorria, o trânsito no local ficava parado por vários minutos. Era preciso ter paciência para esperar que os vários vagões atravessassem uma das avenidas mais movimentadas da cidade.
A passagem de nível ficava ao lado da Estação Barão de Mauá e ligava os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina ao pátio da Praia Formosa e à área portuária do Rio. Esse tráfego foi realizado até os anos 2000, mas ainda hoje quem passa pelo local consegue ver vestígios dos trilhos.

Empresa de Força e Luz de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil



Empresa de Força e Luz de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia


Nota do blog: O prédio era na rua Mariana Junqueira, entre as ruas Tibiriçá e Álvares Cabral. Demolido.

Rótulo "Mocotó", 1957, Frigosul, Brasil


 

Rótulo "Mocotó", 1957, Frigosul, Brasil
Rótulo


A partir da década de 1950, cresceu a oferta de refeições prontas no mercado de alimentos brasileiro. Esse acréscimo expressa uma correlação com o aumento da presença feminina no mercado de trabalho nacional, além da associação com a crescente urbanização da população brasileira. A vida urbana é caracterizada pela velocidade dos acontecimentos cotidianos, demandando, assim, praticidade nas atividades diárias, principalmente no ato de cozinhar.
A praticidade de tais refeições está expressa no rótulo que apresentamos neste post. Vemos na imagem que o consumo deste prato é proporcionado em 15 minutos, enquanto o tempo de preparo do “mocotó” varia de duas horas e meia a três horas.
No contexto do Brasil, as empresas alimentícias passaram a fornecer refeições prontas de comidas tipicamente brasileiras, como o mocotó e a feijoada. O objetivo era fazer com que a população do nosso país se sentisse atraída por esse tipo de produto.