sábado, 16 de maio de 2020

Fórum do Brás, Antiga Escola Profissional Masculina, São Paulo, Brasil






Fórum do Brás, Antiga Escola Profissional Masculina, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Localizado no número 105 da Rua Piratininga, esta construção de 1916 abriga o Fórum Brás das varas especiais da infância e juventude e passa a impressão de que o poder judiciário sempre esteve ali abrigado.
Entretanto a origem do prédio tem a ver com a educação e com uma série de acontecimentos interessantes que fazem do lugar algo a ser não só contemplado, mas divulgado e visitado.
Inaugurado em 1917 o imóvel originalmente abrigou a Escola Profissional Masculina, importantíssima instituição de ensino profissionalizante da Cidade de São Paulo. Entretanto a entidade não começou nem neste ano e nem neste lugar e para isso vamos contar a história desde seu primeiro edifício, não muito longe deste aqui.
A Escola Profissional Masculina tem início em novembro de 1911, em uma construção bem mais modesta na Rua Miller, do outro lado das porteiras do Brás, junto ao conhecido Largo da Concórdia.
Na instituição eram ministrados cursos profissionalizantes de mecânica, funilaria, fundição, eletricidade, marcenaria, serralheria e até construção de estruturas tumulares.
Seu primeiro grande diretor e que ficou no cargo por longos anos foi o admirável professor Aprígio Gonzaga, cujo nome foi dado a uma importante ETEC do bairro paulistano da Penha.
Já em seu primeiro ano de funcionamento a instituição teve suas vagas preenchidas por completo, o que rapidamente demonstrou a necessidade da ampliação das estruturas – ou de um novo local – para um futuro próximo.
Foi no ano de 1913 durante uma visita de autoridades paulistas e federais que se identificou a necessidade de ampliação da escola, mas ao invés de se reformar o local atual e ter que interromper as aulas, decidiu-se pela construção de um novo prédio no mesmo bairro. O local escolhido foi uma área na Rua Piratininga.
As obras para a construção da nova escola se deram bem no início de 1916, durante o último ano do então Presidente do Estado, Rodrigues Alves (PRP). Os trabalhos em ritmo acelerado seguiriam por cerca de 18 meses sendo que a nova escola estaria pronta no ano seguinte, já na gestão de seu sucessor.
A inauguração deu-se na tarde de 1 de dezembro de 1917, em uma cerimônia que contou com diversas autoridades paulistas como o Presidente do Estado Altino Arantes, o deputado Freitas Valle, o diretor da instituição Aprígio Gonzaga entre tantos outros. A festividade também contou com premiação dos melhores alunos do ano letivo que se encerrava.
As aulas no novo espaço se iniciaram já no começo do ano letivo seguinte, em 1918, com uma breve interrupção em outubro durante a epidemia de gripe espanhola que abateu a capital paulista.
Em nova sede a Escola Profissional Masculina rapidamente se destacou no cenário paulistano com feitos dignos das melhores escolas do mundo. A reputação da escola também levou a prefeitos de outros municípios paulistas a solicitarem a construção de escolas similares em suas respectivas cidades.
Não era raro, também, a visita de presidentes de outros estados para conhecer o sistema educacional desenvolvido pelos paulistas.
A escola receberia ao longo dos anos figuras conhecidas do Brasil, como Alfredo Volpi, Francisco Rebolo Gonsales e até o grande jogador de futebol Arthur Friedenreich.
Por diversas vezes o nome da escola foi mudado no decorrer de sua trajetória, sendo que o nome o qual é mais conhecido Escola Técnica Getúlio Vargas viria no ano de 1941, logo após a segunda visita do então Presidente da República à instituição, como forma de homenageá-lo.
Outras mudanças de nome prosseguiriam ao longo dos anos até chegar a seu nome atual ETEC Getúlio Vargas, em 2007, após decreto do então Governador de São Paulo José Serra (PSDB).
Apesar da estrutura do prédio ser excelente para abrigar uma instituição de ensino até os dias de hoje o prédio deixou de ter esta função em 1982 quando a entidade é transferida para o bairro do Ipiranga, na Rua Moreira e Costa.
A partir deste momento a edificação da Rua Piratininga passa a ter um lento processo de deterioração e a ter diferentes finalidades antes de abrigar o fórum que lá está atualmente.
A mais conhecida delas foi ser durante longos anos uma unidade da FEBEM. O local chegou a ser apelidado de “mini Carandiru” pelas condições pouco dignas que os jovens infratores tinham no espaço. A unidade prevista para comportar 600 adolescentes chegou a abrigar 1600.
Antes mesmo da restauração o prédio já passou a abrigar ali o Fórum Brás (varas especiais de infância e juventude). Atualmente o prédio está restaurado em excelente estado de conservação.
O único ponto negativo, diga-se, é a ausência da antiga mureta e seu gradil que existia junto à calçada que é muito parecida com as muretas de outras escolas antigas aqui de São Paulo. Texto de Douglas Nascimento.

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