Fórum do Brás, Antiga Escola Profissional Masculina, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Localizado no número 105 da Rua Piratininga, esta construção de
1916 abriga o Fórum Brás das varas especiais da infância e juventude e passa a
impressão de que o poder judiciário sempre esteve ali abrigado.
Entretanto a origem do prédio tem a ver com a educação e com
uma série de acontecimentos interessantes que fazem do lugar algo a ser não só
contemplado, mas divulgado e visitado.
Inaugurado em 1917 o imóvel originalmente abrigou a Escola
Profissional Masculina, importantíssima instituição de ensino
profissionalizante da Cidade de São Paulo. Entretanto a entidade não começou
nem neste ano e nem neste lugar e para isso vamos contar a história desde seu
primeiro edifício, não muito longe deste aqui.
A Escola Profissional Masculina tem início em novembro de 1911,
em uma construção bem mais modesta na Rua Miller, do outro lado das porteiras do
Brás, junto ao conhecido Largo da Concórdia.
Na instituição eram ministrados cursos profissionalizantes de
mecânica, funilaria, fundição, eletricidade, marcenaria, serralheria e até
construção de estruturas tumulares.
Seu primeiro grande diretor e que ficou no cargo por longos
anos foi o admirável professor Aprígio Gonzaga, cujo nome foi dado a uma
importante ETEC do bairro paulistano da Penha.
Já em seu primeiro ano de funcionamento a instituição teve suas
vagas preenchidas por completo, o que rapidamente demonstrou a necessidade da
ampliação das estruturas – ou de um novo local – para um futuro próximo.
Foi no ano de 1913 durante uma visita de autoridades paulistas
e federais que se identificou a necessidade de ampliação da escola, mas ao
invés de se reformar o local atual e ter que interromper as aulas, decidiu-se
pela construção de um novo prédio no mesmo bairro. O local escolhido foi uma
área na Rua Piratininga.
As obras para a construção da nova escola se deram bem no
início de 1916, durante o último ano do então Presidente do Estado, Rodrigues
Alves (PRP). Os trabalhos em ritmo acelerado seguiriam
por cerca de 18 meses sendo que a nova escola estaria pronta no ano seguinte,
já na gestão de seu sucessor.
A inauguração deu-se na tarde de 1 de dezembro de 1917, em uma
cerimônia que contou com diversas autoridades paulistas como o Presidente do
Estado Altino Arantes, o deputado Freitas Valle, o diretor da instituição
Aprígio Gonzaga entre tantos outros. A festividade também contou com premiação
dos melhores alunos do ano letivo que se encerrava.
As aulas no novo espaço se iniciaram já no começo do ano letivo
seguinte, em 1918, com uma breve interrupção em outubro durante a
epidemia de gripe espanhola que abateu a capital paulista.
Em nova sede a Escola Profissional Masculina rapidamente se
destacou no cenário paulistano com feitos dignos das melhores escolas do mundo.
A reputação da escola também levou a prefeitos de outros municípios paulistas a
solicitarem a construção de escolas similares em suas respectivas cidades.
Não era raro, também, a visita de presidentes de outros estados
para conhecer o sistema educacional desenvolvido pelos paulistas.
A escola receberia ao longo dos anos figuras conhecidas do
Brasil, como Alfredo Volpi, Francisco Rebolo Gonsales e até o grande jogador de
futebol Arthur Friedenreich.
Por diversas vezes o nome da escola foi mudado no
decorrer de sua trajetória, sendo que o nome o qual é mais conhecido Escola
Técnica Getúlio Vargas viria no ano de 1941, logo após a segunda visita do
então Presidente da República à instituição, como forma de homenageá-lo.
Outras mudanças de nome prosseguiriam ao longo dos anos até
chegar a seu nome atual ETEC Getúlio Vargas, em 2007, após decreto do então
Governador de São Paulo José Serra (PSDB).
Apesar da estrutura do prédio ser excelente para abrigar uma
instituição de ensino até os dias de hoje o prédio deixou de ter esta função em
1982 quando a entidade é transferida para o bairro do Ipiranga, na Rua Moreira
e Costa.
A partir deste momento a edificação da Rua Piratininga passa a
ter um lento processo de deterioração e a ter diferentes finalidades antes de
abrigar o fórum que lá está atualmente.
A mais conhecida delas foi ser durante longos anos uma unidade
da FEBEM. O local chegou a ser apelidado de “mini Carandiru” pelas condições pouco
dignas que os jovens infratores tinham no espaço. A unidade prevista para
comportar 600 adolescentes chegou a abrigar 1600.
Antes mesmo da restauração o prédio já passou a abrigar ali o
Fórum Brás (varas especiais de infância e juventude).
Atualmente o prédio está restaurado em excelente estado de conservação.
O único ponto negativo, diga-se, é a ausência da antiga mureta
e seu gradil que existia junto à calçada que é muito parecida com
as muretas de outras escolas antigas aqui de São Paulo. Texto de Douglas
Nascimento.
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