Igreja de São Gonçalo, Praça João Mendes, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Revista Life - Estados Unidos
Fotografia
Quem chega à Praça João Mendes, vindo da Praça da Sé tendo à esquerda a Catedral, por onde era antigamente a Rua do Imperador, enxerga logo em frente uma Igreja amarela na direita de uma fileira de sobrados.
Tanto a igreja, como os sobrados parecem um tanto deslocados
junto a edifícios de aparência tão séria.
Mas esta pequena igreja foi o marco inicial desta parte da
cidade. Por muito tempo foi uma região isolada da pequena cidade de São Paulo,
que ocupava vagarosamente os arredores do Pátio do Colégio. Esta região só
começou a ser urbanizada a partir de 1757, quando uma pequena capela de pardos
foi construída onde está a pequena igreja amarela.
Trata-se da igreja de São Gonçalo. São Gonçalo Garcia para
esclarecer, já que existem dois santos de nome Gonçalo, este de quem estamos
tratando e São Gonçalo do Amarante, este tão casamenteiro quanto Santo Antônio.
São Gonçalo Garcia era pardo e nasceu na Índia, filho de pai
português e mãe indiana. Foi franciscano e morreu crucificado em Nagasaki,
Japão em 1579, juntamente com mais 22 missionários. Foi beatificado por Urbano
VIII em 1627 e canonizado por Pio IX em 1852.
Em 1724 foi formada na igreja de Santo Antônio a comunidade de
Nossa Senhora da Conceição e São Gonçalo Garcia, que recebeu em 1756 a provisão
do frei Antônio da Madre de Deus Galvão para a construção da capela a que nos
referimos.
Foi dedicada à Nossa Senhora da Conceição pois Gonçalo Garcia
ainda não havia sido canonizado. Com o tempo foi se deteriorando e por volta de
1840 foi construída esta igreja. Seu construtor foi Nicolau Alves da Fonseca,
conhecido como Carranca. Existem registros mostrando uma disputa judicial com a
Câmara, pois Carranca avançou em terreno os limites concedidos à irmandade.
Esta disputa deve ter durado um bom tempo, pois o caso deixa de ser citado
somente a partir de 1863.
A igreja passou por algumas reformas durante a segunda metade
do século XIX e o frontispício que vemos hoje foi feito em 1881.
Em 1893, João Mendes de Almeida, que dá seu nome à praça, e
morava ao lado, onde hoje é a Padaria Santa Tereza, reuniu recursos para uma
última reforma na igreja, que neste mesmo ano passou a ser uma das poucas
igrejas sob a guarda dos jesuítas.
Quando desabou o telhado da antiga Igreja do Pátio do Colégio,
a Igreja de São Gonçalo recebeu o relógio e várias outras peças, inclusive a
pedra que fica acima da porta de entrada. Tem uma certa lógica, pois o antigo
Colégio foi fundado pelos jesuítas.
Em 15 de abril de 1966, D. Agnelo Rossi, cardeal-arcebispo de
São Paulo, criou a Paróquia Pessoal de São Gonçalo especialmente para os
japoneses e a confiou aos jesuítas. A igreja passou então a ser a Matriz da
Paróquia. Todos os domingos às 8:00 h as missas são rezadas em japonês para a
comunidade nipônica. O nome oficial hoje é Matriz Paroquial Pessoal
Nipo-Brasileira São Gonçalo.
Sua companheira, a Igreja dos Remédios que ficava à esquerda,
fechando a praça à altura da Avenida Liberdade já foi demolida no final da
década de 1940, Mas S. Gonçalo continua firme no seu lugar oferecendo o pão que
alimenta o espírito dos católicos. Como estes não são de ferro, podem
aproveitar e dar uma passadinha ao lado, na Padaria Santa Tereza para um bom
pão que alimenta o corpo e, de quebra, um cafezinho. Texto de Edison Loureiro.

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