Palacete Ferrante, Brás, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
A movimentada Rua do Gasômetro, bem como muitas de suas travessas, possuem um grande número de construções antigas – algumas tombadas e outras não – sendo boa parte delas em bom estado de conservação. Por ali onde imperam as lojas de madeiras e ferragens, há muito o que se observar pelos amantes da arquitetura paulistana antiga como, por exemplo, a primeira Escola Dante Alighieri.
E é bem na esquina das Ruas Gasômetro e Vasco da Gama que encontra-se um belo edifício do final da década de 1920 que estava há muitos anos necessitando de uma reforma que, finalmente, chegou. Trata-se do Palacete Ferrante.
Mas antes de continuar mostrando o resultado da grande reforma, vamos contar um pouco da história desta esquina que já teve teatro, cinema e até fábrica de sapatos antes de dar lugar a este palacete.
Localizado à época no então número 110/114, o mais antigo “habitante” desta esquina vem do final do Século XIX, precisamente de 1897. Nesta época havia ali uma outra construção que abrigava uma sociedade de entretenimento chamada Boule Club. Anos mais tarde, em 1903, inaugura-se ali o Theatro Popular, dirigido pelo imigrante italiano Enrico Cuneo. A peça inaugural foi "Othelo", de William Shakespeare.
Anos mais tarde, precisamente em 1907, o antigo teatro seria arrendado por Alberto Botelho para transformar o local em um cinema – na verdade um cinematógrafo – chamado Eden-Theatre. Entretanto pouco tempo após abrir o cinematógrafo, Botelho sente-se mais à vontade como cineasta do que exibidor, deixando o estabelecimento de lado para seguir sua carreira artística. É neste período que o edifício passa a ser locado por um pequeno industrial que transforma o local em uma fábrica de calçados infantis.
A velha construção permanece de pé até o ano de 1922 quando é demolida para dar lugar ao que viria a ser o Palacete Ferrante, inaugurado alguns anos depois ainda na mesma década.
Seu proprietário, Nicolau Vítor Ferrante, era um médico de origem italiana bastante conhecido à época e que fez do palacete não só sua residência, como também seu consultório médico.
Antigamente era bastante comum que médicos tivessem seus consultórios próximos ou no mesmo endereço de suas residências, e com Nicolau Ferrante não foi diferente. Havia na porta do número 110-A uma placa informando que ali era um consultório médico. A placa foi preservada e está até hoje com seus descendentes (vide foto no post).
Com o falecimento de Nicolau Ferrante, em outubro de 1938, o consultório sai de cena e com o passar das décadas é desocupado pelos próprios herdeiros que passam a residir em outros lugares sem, no entanto, vender a propriedade que passa a ter outros moradores e estabelecimentos comerciais. Nos anos 60 a região da Rua do Gasômetro passa por uma grande mudança de perfil, passando a ser conhecida como centro de comércio de madeiras e ferragens, permanecendo assim até os dias de hoje.
Ao longo dos anos o Palacete Ferrante sofre um pouco com o peso da idade e com reformas cada vez mais espaçadas, mas nunca deixa de perder a elegância típica de uma edificação da década de 1920. Em 2014 já estava precisando de melhorias urgentes.
E no início de 2020 as tão desejadas obras de recuperação se iniciam e o Palacete Ferrante vai aos poucos retomando a velha forma. Como é possível ver nas fotos do post, cada pedaço do edifício tinha uma cor diferente, haviam infiltrações, ferrugem nos gradis e muitas janelas de madeira faltando partes ou com algum dano visível.
Posteriormente, já em junho de 2020, é possível ver parte da obra de reforma em andamento e com bons resultados logo de início.
No final do mesmo ano a obra já esta concluída e o resultado é bastante satisfatório, dando novos ares a uma construção já prestes a se tornar centenária.
Como o imóvel não é tombado poderia ter sido feito qualquer tipo de reforma, tanto uma que a preservasse – como foi o caso – quanto uma obra que a descaracterizasse por completo, como é comum vermos por toda a nossa cidade. Felizmente o bom senso e o bom gosto dos descendentes de Nicolau Ferrante prevaleceu e o resultado foi ótimo.
A Rua do Gasômetro é um ótimo exemplo de como a preservação arquitetônica pode conviver com atividades modernas, diferentes daquelas as quais os imóveis foram projetados, sem que se perca beleza e sem necessidade de ocorrer descaracterizações. Por toda a extensão da rua vemos edificações antigas, muitas delas já mais que centenárias, preservadas e abrigando lojas. O Palacete Ferrante junta-se a este notável grupo. Texto de Douglas Nascimento.
São Paulo - SP
Fotografia
A movimentada Rua do Gasômetro, bem como muitas de suas travessas, possuem um grande número de construções antigas – algumas tombadas e outras não – sendo boa parte delas em bom estado de conservação. Por ali onde imperam as lojas de madeiras e ferragens, há muito o que se observar pelos amantes da arquitetura paulistana antiga como, por exemplo, a primeira Escola Dante Alighieri.
E é bem na esquina das Ruas Gasômetro e Vasco da Gama que encontra-se um belo edifício do final da década de 1920 que estava há muitos anos necessitando de uma reforma que, finalmente, chegou. Trata-se do Palacete Ferrante.
Mas antes de continuar mostrando o resultado da grande reforma, vamos contar um pouco da história desta esquina que já teve teatro, cinema e até fábrica de sapatos antes de dar lugar a este palacete.
Localizado à época no então número 110/114, o mais antigo “habitante” desta esquina vem do final do Século XIX, precisamente de 1897. Nesta época havia ali uma outra construção que abrigava uma sociedade de entretenimento chamada Boule Club. Anos mais tarde, em 1903, inaugura-se ali o Theatro Popular, dirigido pelo imigrante italiano Enrico Cuneo. A peça inaugural foi "Othelo", de William Shakespeare.
Anos mais tarde, precisamente em 1907, o antigo teatro seria arrendado por Alberto Botelho para transformar o local em um cinema – na verdade um cinematógrafo – chamado Eden-Theatre. Entretanto pouco tempo após abrir o cinematógrafo, Botelho sente-se mais à vontade como cineasta do que exibidor, deixando o estabelecimento de lado para seguir sua carreira artística. É neste período que o edifício passa a ser locado por um pequeno industrial que transforma o local em uma fábrica de calçados infantis.
A velha construção permanece de pé até o ano de 1922 quando é demolida para dar lugar ao que viria a ser o Palacete Ferrante, inaugurado alguns anos depois ainda na mesma década.
Seu proprietário, Nicolau Vítor Ferrante, era um médico de origem italiana bastante conhecido à época e que fez do palacete não só sua residência, como também seu consultório médico.
Antigamente era bastante comum que médicos tivessem seus consultórios próximos ou no mesmo endereço de suas residências, e com Nicolau Ferrante não foi diferente. Havia na porta do número 110-A uma placa informando que ali era um consultório médico. A placa foi preservada e está até hoje com seus descendentes (vide foto no post).
Com o falecimento de Nicolau Ferrante, em outubro de 1938, o consultório sai de cena e com o passar das décadas é desocupado pelos próprios herdeiros que passam a residir em outros lugares sem, no entanto, vender a propriedade que passa a ter outros moradores e estabelecimentos comerciais. Nos anos 60 a região da Rua do Gasômetro passa por uma grande mudança de perfil, passando a ser conhecida como centro de comércio de madeiras e ferragens, permanecendo assim até os dias de hoje.
Ao longo dos anos o Palacete Ferrante sofre um pouco com o peso da idade e com reformas cada vez mais espaçadas, mas nunca deixa de perder a elegância típica de uma edificação da década de 1920. Em 2014 já estava precisando de melhorias urgentes.
E no início de 2020 as tão desejadas obras de recuperação se iniciam e o Palacete Ferrante vai aos poucos retomando a velha forma. Como é possível ver nas fotos do post, cada pedaço do edifício tinha uma cor diferente, haviam infiltrações, ferrugem nos gradis e muitas janelas de madeira faltando partes ou com algum dano visível.
Posteriormente, já em junho de 2020, é possível ver parte da obra de reforma em andamento e com bons resultados logo de início.
No final do mesmo ano a obra já esta concluída e o resultado é bastante satisfatório, dando novos ares a uma construção já prestes a se tornar centenária.
Como o imóvel não é tombado poderia ter sido feito qualquer tipo de reforma, tanto uma que a preservasse – como foi o caso – quanto uma obra que a descaracterizasse por completo, como é comum vermos por toda a nossa cidade. Felizmente o bom senso e o bom gosto dos descendentes de Nicolau Ferrante prevaleceu e o resultado foi ótimo.
A Rua do Gasômetro é um ótimo exemplo de como a preservação arquitetônica pode conviver com atividades modernas, diferentes daquelas as quais os imóveis foram projetados, sem que se perca beleza e sem necessidade de ocorrer descaracterizações. Por toda a extensão da rua vemos edificações antigas, muitas delas já mais que centenárias, preservadas e abrigando lojas. O Palacete Ferrante junta-se a este notável grupo. Texto de Douglas Nascimento.








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