Curitiba - PR
Fotografia
Texto 1:
Localizada na antiga Estrada da Graciosa, atualmente avenida Pref. Erasto Gaertner, foi construída lá pelos anos 1860. Foi armazém, pousada para viajantes e, mais tarde, um prostíbulo conhecido como "Casa das Francesas".
Foi onstruída em um único pavimento, com técnica mista, alvenaria de tijolos nas paredes externas e estuque nas paredes internas. Possui uma varanda nas fachadas frontal e lateral, com piso de tijolos. Marcante é a cobertura do imóvel, não só pelas suas dimensões mas também pela sua linha de caimento que se projeta sobre as varandas.
É tombada pelo Patrimônio Cultural do Paraná, além de ser uma Unidade de Interesse de Preservação. No presente momento, encontra-se sem qualquer utilização.
No Bacacheri as pessoas contam diversas histórias relacionadas a esta casa. Uma delas diz que D. Pedro II pernoitou na casa. Outra diz que ele parou para fazer xixi lá. Uma terceira diz que ele teria ficado hospedado nas proximidades, e durante a noite teria feito uma visita à casa (que era um prostíbulo). Todas parecem ser lendas urbanas, salvo algum dia aparecer alguma documentação.
Mas uma coisa parece não deixar dúvidas: D. Pedro II deve ter passado pela frente da casa, três ou quatro vezes.
Quando D. Pedro II chegou em Curitiba no dia 21 de maio de 1880, vindo de Paranaguá pela estrada da Graciosa, foi recepcionado por cavaleiros que o acompanharam até a cidade.
Podemos imaginar que nesse momento deve ter passado pela frente da “Casa do Burro Brabo” pela primeira vez. Ele escreveu no seu diário: “Depois do Canguiri principiaram os planos acidentados mais vastos, com montanhas ao longe. São lindíssimos. Perto de Curitiba encontrei os alemães a cavalo com fitas a tiracolo, nas cores brasileiras e alemãs e muitas outras pessoas. Começaram os prazos das colônias suburbanas onde vi muitas crianças lindíssimas. Grande entusiasmo sempre e sobretudo na cidade, aonde cheguei à bela casa que habito às 3 h”.
A casa onde ele ficou hospedado era do comendador Antônio Martins Franco, localizada no antigo Paço Imperial (A casa ficava na atual praça Tiradentes, bem em frente à Catedral, na esquina com a rua Monsenhor Celso. Atualmente no local tem uma loja das Casas Pernambucanas). Enquanto esteve em Curitiba, pernoitou sempre naquela casa.
No dia 23 de maio D. Pedro II acordou às 6 horas, tomou café, e saiu. Visitou a cadeia (que ficava praticamente ao lado da casa, na atual praça José Borges de Macedo, mais ou menos onde hoje existe um mercado de flores. Visitou também o Mercado Municipal (que achou pequeno e com pouco movimento), que ficava nos fundos da cadeia, onde hoje há o prédio do Paço Municipal, na atual praça Generoso Marques. Visitou também o Quartel de Polícia, o depósito de artigos bélicos e a Câmara Municipal, onde conversou sobre as necessidades da cidade, abastecimento de água, arborização das ruas principais e gramação das margens do Rio Ivo. Reclamou da conservação dos padrões métricos.
Almoçou às 9:30 horas e saiu uma hora e meia depois para visitar a Colônia Santa Cândida.
Não fez qualquer referência ao caminho que tomou. Pode ter sido pela estrada da Graciosa e, dessa maneira, teria passado pela frente da casa outra vez. Parece que na época existia um outro caminho, pelos lados do atual Ahú.
Na Santa Cândida assistiu "missa em pequena capela decente". Escreveu também: "Os colonos polacos alemães cantavam. Visitei diversos prazos. Plantam cereais da terra e centeio. Não tem moinho e tem de trazer o centeio à cidade em distância de mais de légua."
E continuou escrevendo: "No fim da Colônia Santa Cândida, ao lado da cidade e antes dos argelinos estive nos prazos de dois suíços de Valois que cultivam também a vinha e fazem já vinho. O de Jean Nicolas pareceu-me menos vinagre. Ele com a filha mais velha ensinam os outros filhos. Agradou-me essa domesticidade. Ambos estes colonos são muito trabalhadores."
Dalí partiu em direção ao Bacacheri, parando na casa de Philippe Todd e Frederico Fowler, onde conversou com o pessoal e escreveu no seu diário: "Tem máquinas para picar palha e debulhar grãos. Tudo muito bem arranjado."
E continuou escrevendo: "No fim da Colônia Santa Cândida, ao lado da cidade e antes dos argelinos estive nos prazos de dois suíços de Valois que cultivam também a vinha e fazem já vinho. O de Jean Nicolas pareceu-me menos vinagre. Ele com a filha mais velha ensinam os outros filhos. Agradou-me essa domesticidade. Ambos estes colonos são muito trabalhadores."
Dalí partiu em direção ao Bacacheri, parando na casa de Philippe Todd e Frederico Fowler, onde conversou com o pessoal e escreveu no seu diário: "Tem máquinas para picar palha e debulhar grãos. Tudo muito bem arranjado."
Deve, portanto, ter passado mais uma vez pela frente da Casa do “Burro Brabo”, pois a propriedade onde parou ficava no que hoje seriam umas duas quadras adiante, no outro lado da rua. A propriedade era grande, indo mais ou menos onde hoje está o Conjunto Solar até a avenida México, compreendendo toda a área onde hoje temos os quartéis, indo da estrada da Graciosa (atual avenida Prefeito Erasto Gaertner) até mais ou menos na atual Linha Verde. Mais tarde parte da propriedade ficou conhecida como “Parque Inglês”. Até recentemente ainda restava a casa no número 1698 da Erasto Gaertner, mas acabou demolida, no local sendo construído um edifício de três ou quatro andares.
Saindo da casa do Sr. Todd, foi visitar a "Colônia Argelina" e escreveu: "Visitei três prazos, entre os quais o de Chatagner que, parece, vai dando alguma cousa ao dono."
Depois disso ainda esteve na "Colônia Senador Dantas", e voltou para a casa onde estava hospedado. Jantou, leu requerimentos e participou de recepção de "diversas deputações e das meninas das aulas e colégio." As nove horas foi a um "concerto em que o pai do Dr. Itiberê (Dr. João Manuel da Cunha) cantou, tocando ao mesmo tempo rabeca na orquestra, cantando também sua filha e neto. Esteve muito ruim o chamado concerto. Seguiu-se baile onde houve menos animação que no de Paranaguá. Tudo foi no salão do Museu em que arranjaram um coreto para a banda do Corpo Policial, que é boa. Antes tocasse ela só no concerto em que alemães cantaram coros muito parecidos com cantochão fúnebre. À meia noite voltei para casa."
Depois de visitar Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Castro e Lapa, D. Pedro II retornou para Curitiba no dia 3 de junho de 1880. No dia seguinte partiu da cidade em direção a Morretes. Não disse qual caminho tomou, mas podemos imaginar que foi pela estrada da Graciosa, passando mais uma vez pela "Casa do Burro Brabo".
Com base nisso, podemos concluir:
a) D. Pedro não pernoitou na casa;
b) Não deu nenhuma “fugidinha” durante a noite para visitar as moças da "casa" (estava acompanhado da imperatriz, não dormiu nas proximidades e a casa só viraria um prostíbulo no século seguinte).
c) Se parou na "Casa do Burro Brabo", nunca saberemos.
Depois disso ainda esteve na "Colônia Senador Dantas", e voltou para a casa onde estava hospedado. Jantou, leu requerimentos e participou de recepção de "diversas deputações e das meninas das aulas e colégio." As nove horas foi a um "concerto em que o pai do Dr. Itiberê (Dr. João Manuel da Cunha) cantou, tocando ao mesmo tempo rabeca na orquestra, cantando também sua filha e neto. Esteve muito ruim o chamado concerto. Seguiu-se baile onde houve menos animação que no de Paranaguá. Tudo foi no salão do Museu em que arranjaram um coreto para a banda do Corpo Policial, que é boa. Antes tocasse ela só no concerto em que alemães cantaram coros muito parecidos com cantochão fúnebre. À meia noite voltei para casa."
Depois de visitar Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Castro e Lapa, D. Pedro II retornou para Curitiba no dia 3 de junho de 1880. No dia seguinte partiu da cidade em direção a Morretes. Não disse qual caminho tomou, mas podemos imaginar que foi pela estrada da Graciosa, passando mais uma vez pela "Casa do Burro Brabo".
Com base nisso, podemos concluir:
a) D. Pedro não pernoitou na casa;
b) Não deu nenhuma “fugidinha” durante a noite para visitar as moças da "casa" (estava acompanhado da imperatriz, não dormiu nas proximidades e a casa só viraria um prostíbulo no século seguinte).
c) Se parou na "Casa do Burro Brabo", nunca saberemos.
Texto Nelso Toigo adaptado para o blog por mim.
Texto 2:
O "Burro Brabo" não se trata de um animal, mas de uma residência que em 1992 foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Paraná. Era para ser restaurada logo em seguida, quando ainda tinha as paredes, mas o reconhecimento histórico criou desentendimentos porque os proprietários do local não queriam restaurá-la. Uma ação civil pública (que durou 11 anos), movida pelo Ministério Público do Paraná, garantiu que a madeira e o barro do pau a pique não virassem pó. Posteriormente uma vistoria comprovou que o antigo casarão, um dos últimos exemplares da arquitetura rural de Curitiba, está novamente dando ares de sua graça na Rua Erasto Gaertner, n.º 2.035 (chegou a virar ruínas no final da década de 1990 em diante, aém de mocó para drogados).
Texto 2:
O "Burro Brabo" não se trata de um animal, mas de uma residência que em 1992 foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Paraná. Era para ser restaurada logo em seguida, quando ainda tinha as paredes, mas o reconhecimento histórico criou desentendimentos porque os proprietários do local não queriam restaurá-la. Uma ação civil pública (que durou 11 anos), movida pelo Ministério Público do Paraná, garantiu que a madeira e o barro do pau a pique não virassem pó. Posteriormente uma vistoria comprovou que o antigo casarão, um dos últimos exemplares da arquitetura rural de Curitiba, está novamente dando ares de sua graça na Rua Erasto Gaertner, n.º 2.035 (chegou a virar ruínas no final da década de 1990 em diante, aém de mocó para drogados).
Há muitas dúvidas sobre a história do casarão de cerca de dez cômodos e uma varanda de dar inveja. Acredita-se que foi construída por volta de 1860, no tempo em que o bairro Bacacheri era mais conhecido como Colônia Argelina, local de 118 imigrantes de 39 famílias francesas.
Na lenda popular, o nome "Burro Brabo" pegou quando ali ficavam os burros que andavam pela antiga Estrada da Graciosa, a qual margeava a casa e era destino de viajantes tropeiros da cidade ao litoral. Os animais que paravam aos montes na frente do imóvel, porque ali era pousada e armazém, eram tão ariscos que ninguém conseguia chegar perto. Não deu outra: a casa levou o apelido. Há quem diga ainda que dom Pedro II, durante suas andanças por aqui, chegou a pernoitar no local.
De Burro Brabo, anos depois, o imóvel recebeu outro nome mais sofisticado, "Casa das Francesas", porque de secos e molhados passou a ser lugar de damas de companhia dos homens, e entre elas estavam algumas francesas. A casa é tida ainda como o primeiro bordel de Curitiba, onde homens levavam discretamente suas companheiras para um drinque e um pouco de amor. O jornalista Aramis Millarch escreveu, em 1989, que no interior da residência existiam salas individuais onde os casais ficavam em completa tranquilidade. "O garçom, de elegante smoking, só incomodava se os amantes quisessem mais alguma bebida. Não havia propriamente camas nas pequenas salas, mas poltronas que ofereciam um certo conforto."
De Burro Brabo, anos depois, o imóvel recebeu outro nome mais sofisticado, "Casa das Francesas", porque de secos e molhados passou a ser lugar de damas de companhia dos homens, e entre elas estavam algumas francesas. A casa é tida ainda como o primeiro bordel de Curitiba, onde homens levavam discretamente suas companheiras para um drinque e um pouco de amor. O jornalista Aramis Millarch escreveu, em 1989, que no interior da residência existiam salas individuais onde os casais ficavam em completa tranquilidade. "O garçom, de elegante smoking, só incomodava se os amantes quisessem mais alguma bebida. Não havia propriamente camas nas pequenas salas, mas poltronas que ofereciam um certo conforto."
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