quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rua Quirino de Andrade, 1969, São Paulo, Brasil


Rua Quirino de Andrade, 1969, São Paulo, Brasil 
São Paulo - SP
Fotografia


Texto 1:
Em 1908, atendendo ao pedido de “cinquenta e tantos moradores”, o vereador Álvaro Gomes da Rocha Azevedo apresentou na Câmara Municipal o projeto de lei 12/1908, alterando a denominação da Ladeira do Piques (ao lado do obelisco) para Rua Quirino de Andrade em homenagem a um coronel que residiu muito tempo nas imediações.
Em 13/4/1908, o PL foi aprovado se tornando a lei 1081 que determinou a definitiva mudança.
À direita, no alto e não visível, está a conhecida (desde 1822) como a Rua do Paredão — através da lei 397 de 20/5/1899 foi renomeada como Coronel Xavier de Toledo.
A imagem não deixa dúvidas quanto ao motivo da sua antiga denominação. Na verdade, o que existe também é um paredão de prédios em direção à Rua da Consolação.
Texto 2:
A Rua do Paredão, atual Coronel Xavier de Toledo — a rua está à direita no alto e não é visível. Nesta imagem vemos a Quirino de Andrade, antiga Ladeira do Piques em direção à Rua da Consolação. À esquerda, o famoso paredão — na verdade um muro de arrimo. Atentar aos tradicionais postes de iluminação da Light: tipo 14 ao lado do paredão e tipo 16 na Xavier de Toledo.

Construção do Theatro Municipal, 15/03/1905, São Paulo, Brasil




Construção do Theatro Municipal, 15/03/1905, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Em 1895, abriram-se na Câmara Municipal as discussões para a construção de um teatro dirigido às apresentações de ópera. Em 24 de janeiro de 1898 é aprovada a Lei nº 336 que estabelecia vantajosas condições para que teatros pudessem ser erguidos pela iniciativa privada. Por exemplo: isenção fiscal por 50 anos e desapropriação do terreno escolhido para a construção do teatro. Em 15 de fevereiro do mesmo ano é lançado o edital de concorrência pública para o empreendimento.
O arquiteto italiano Cláudio Rossi (também decorador e cenógrafo) era empresário e arrendatário do Theatro São José. Amigo pessoal do conselheiro Antônio da Silva Prado — o primeiro prefeito da cidade de São Paulo —, apresentou sua proposta, seguido por Francisco de Paula Ramos de Azevedo. Ficou acordado que o projeto e seu detalhamento estariam a cargo de Cláudio Rossi e do também italiano Domiziano Rossi. Ambos eram colaboradores frequentes de Ramos de Azevedo e não tinham nenhum parentesco. A execução da obra ficou sob a responsabilidade do Escritório Técnico Ramos de Azevedo.
O lugar escolhido para a construção foi o terreno no Morro do Chá, onde estava instalada a serraria do empresário alemão Gustavo Sydow. Por volta de 1902, o local é desapropriado e com a Lei nº 627 de 7 de Fevereiro de 1903 o prefeito recebe permissão para negociar com o estado a transferência do terreno para a municipalidade. Dois meses depois, a Câmara Municipal autoriza a construção do Theatro Municipal através da Lei nº 643 de 25 de Abril de 1903. As obras começaram em 26 de junho; em agosto, Cláudio Rossi viajou à Europa levando plantas do projeto e demais documentos relativos à construção para potenciais fornecedores dos itens de decoração, equipamentos e maquinários necessários. A histórica imagem, sem autoria e data definida, nos revela que utilizando os limitados recursos técnicos e materiais da época, a cidade inaugurou na noite de 12 de setembro de 1911, seu teatro definitivo, inspirado no Ópera de Paris.

Casa das Caldeiras, Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Barra Funda, São Paulo, Brasil



Casa das Caldeiras, Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Barra Funda, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Vamos recordar sobre como a cidade de São Paulo se desenvolveu a partir do ciclo do café, com a chegada dos barões do café, com a construção da estrada de ferro - que levava a produção ao porto de Santos e através da Sorocabana, distribuía produtos vindos da Europa pelo interior do Estado. Este contexto foi essencial para promover seu crescimento e o início da industrialização: recursos financeiros disponíveis na cidade e mão-de-obra preparada e técnica com a imigração italiana.
Com a imigração italiana chegou Francesco Matarazzo em 1881, aos 27 anos. Francesco se estabeleceu em Sorocaba, onde se dedicou ao comércio de banha de porco. Em 1890, muda-se para São Paulo onde cria a Matarazzo e Irmãos na Rua 25 de Março, com seus irmãos Giuseppe, Luigi e Andrea para comercializar banha, trigo da Europa e até mesmo arroz da China. Com os negócios prosperando, constituiu-se a Companhia Matarazzo S.A. com 43 acionistas. Entre 1899-1900, com o financiamento do London Bank (hum mil e quinhentos réis) e com os equipamentos e máquinas da Henri Simon & Co de Manchester, Francesco constrói e monta a sua primeira fábrica, no bairro do Brás, próxima a linha de trem São Paulo Railway - o Moinho Matarazzo.
Com a participação do empresário Francesco Matarazzo alguns bairros se desenvolveram:
O bairro do Brás recebeu a Fiação e Tecelagem Mariangela em 1904 e a Fábrica de óleo Sol Levante em 1907.
Entre 1900 e 1911, Francesco Matarazzo investiu em atividades bancárias/financeiras, para então em 1911 cessá-las para constituir as IRFM (sociedade anônima).
Em 1913 as IRFM se expande para o bairro do Belenzinho com a Tecelagem Belenzinho.
Em 1915, Francesco se firma como líder da colônia italiana ao doar um pavilhão ao Hospital
Humberto I.
O bairro da Moóca recebeu as fábricas de fósforo, o moinho de sal e a refinação de açúcar.
Como o forte do grupo Matarazzo sempre foi a produção de produtos de consumo básicos e essenciais, isto garantiu a sua prosperidade mesmo com a chegada da Primeira Guerra Mundial. Para a Tecelagem a matéria-prima era nacional, e no caso do trigo que vinha da Europa, Matarazzo passou a importar da Argentina. Matarazzo também montou em 1919 a Sociedade Paulista de Navegação Matarazzo Ltda com uma frota de 5 navios entre 6500 e 4500 toneladas e iates de 280 toneladas para conquistar autonomia para distribuir seus produtos pelo país.
Com o crescimento do parque industrial paulista, substituição das importações (consequência da Guerra na Europa), concentração da população urbana e pesadas condições de trabalho, Matarazzo enfrentou movimentos sociais reivindicatórios dos operários que culminaram com a grande greve geral de 1917. E logo depois houve a revolução de 1924, que causou danos às instalações na Moóca com incêndios provocados pelo fogo cruzado.
Em 1917, Francesco Matarazzo recebe do rei da Itália o título de conde.
Os primeiros a ocuparem o bairro foram os italianos, logo após seu loteamento, com serrarias e oficinas mecânicas que atendiam a população do bairro vizinho e de elite, o bairro dos Campos Elísios.
Em 1902, o primeiro bonde elétrico da cidade ligou a Barra Funda ao Largo São Bento.
Em 1918 foi inaugurado o Teatro São Pedro na Barra Funda e em 1921 o Palestra Itália de São Paulo comprou um terreno aonde construiu o Estádio Palestra Itália, que em 1942 passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. A Barra Funda viveu uma época de grandes manifestações culturais na década de 1920, o escritor Mario de Andrade viveu no bairro.
O bairro da Água Branca era inicialmente uma área rural dos arredores da cidade que recebeu este nome por causa de um córrego de águas límpidas. A Água Branca foi mudando e se desenvolvendo com a construção da ferrovia que ligava Jundiaí a Santos (São Paulo Railway em 1892) e com a inauguração da Estação de Trem Barra Funda e da Estrada de Ferro Sorocabana (1875).
A partir de 1920, o ambiente urbano torna-se mais complexo e parcialmente independente da cultura agrária. Surgem movimentos políticos e artísticos novos, afirmando a transformação da sociedade urbana.
O bairro Água Branca se industrializou com a vinda das instalações do primeiro Parque Industrial IRFM (Industrias Reunidas Francisco Matarazzo) em 1920, transformando a paisa- gem rural em um ambiente fabril e operário. O parque industrial trazia consigo a verticaliza- ção da produção, reunindo diversas fábricas. A presença de um ramal ferroviário colado ao terreno foi determinante para a escolha do terreno.
Ainda na Água Branca, criou-se o Parque Dr. Fernando Costa ou Parque Água Branca (1929) para servir de local para exposições e provas zootécnicas.
O ano de 1929 foi um ano de crise, onde muitas indústrias tiveram que fechar. O Bairro da Barra Funda viu a elite se deslocar e seus casarões se transformarem em cortiço. Restou basicamente a indústria artesanal, de pequeno porte.
[Em suas andanças pela Cidade de São Paulo, o Conde Matarazzo descobriu um espaço que lhe pareceu ideal: o terreno onde funcionava uma antiga fabrica de licores da companhia Antártica de Bebidas, compreendendo 101.000 m2, próximo ao córrego Água Branca e ladeado pelos trilhos de duas estradas de ferro: a Sorocabana e a Inglesa...”
... A ocupação foi feita sem demora. Já em 1920 foi transferido o conjunto de São Caetano, constituído pelas fábricas de sabão, velas, estearina, oleína, glicerina e pregos. Logo em seguida transferiu-se a refinação de açúcar da Moóca e a fábrica de óleo de caroço de algodão...
...o advento do núcleo da Água Branca marcou o auge da expansão das IRFM em concentração vertical. Pouco tempo depois, foram instaladas ali a serraria, a caixotaria, a carpintaria, a marcenaria, a fábrica de carrocerias e a sessão de transportes, compondo a infra-estrutura necessária ao funcionamento do conjunto industrial.
Rapidamente, novas unidades foram acrescidas, formando, em pouco mais de dois anos, o que começava a ser chamado popularmente o “Parque Industrial Água Branca”. Nesse mesmo período inicial foram ainda implantadas as fábricas de giz, soda cáustica e graxa, e a destilaria de álcool.
A localização do conjunto da Água Branca, ao lado dos trilhos de duas ferrovias, não foi, evidentemente, apenas providencial, pois, na escolha do terreno, esse fator foi determinante. O Oeste paulista, de ocupação relativamente recente, já não era um sertão apenas povoado. As frentes pioneiras do café haviam criado um sem-número de núcleos urbanos que se desenvolviam a olhos vistos. O abastecimento desse novíssimo mercado dependia irrestritamente do transporte ferroviário. A operacionalização perfeita da distribuição do volumoso fluxo de mercadorias produzidas na Água Branca completou-se com a instalação da ferrovia interna das IRFM. Em 1923 foram compradas as duas primeiras locomotivas que, manobrando nos trilhos inter- nos, permitiam que os vagões fossem carregados diretamente nos pátios das fábricas.] - Matarazzo 100 anos
A concentração vertical das fábricas e da produção reunindo e ampliando os setores para o aproveitamento racional dos subprodutos. Porém, Matarazzo não se limitou a isso e avançou geograficamente para além do Estado de São Paulo.
No imaginário popular, Matarazzo podia quase tudo - Para Luigi Luzatti, economista italiano, Francesco agia dominado pela febre industrial, fazendo a cada ano surgir uma indústria diferente. Gostava de criar, não simplesmente de acumular riquezas, e sim gerar recursos para aprimorar suas indústrias, competir, gostava de empreender, do jogo, do risco calcula- do.
Em 1922, Matarazzo cria a sessão de cinema nas IRFM e passa a distribuir filmes norte-americanos pelo país até 1932.
A sessão de transporte também na Água Branca constituiu o elo importante na cadeia de fabricação, juntamente com a fábrica de carroceria e caixotaria.
As IRFM empregaram boa parte da população da região e até mesmo dos demais bairros da cidade. Nos anos 1950, as IRFM contavam com 30 mil empregados em quase 100 empresas nos setores metalúrgico, químico, têxtil, de alimentos, limpeza, embalagens, materiais da construção.
Num terreno de 113.721 m2 com uma área construída que passava de 96.000 m2 o parque industrial produziu sabonetes (seção de perfumaria) e sacarias, óleos industriais para seu próprio uso, possuía mecânica e fundição, tudo isso sob a filosofia de aproveitar ao máximo a infraestrutura existente e alcançar autonomia.
O “Império Matarazzo” cresceu, se expandiu pelo país, para então nos últimos anos enfraquecer e se extinguir em meados da década de 1980. Matarazzo morreu em 1937 com 82 anos e, seu sucessor e filho, Francisco Matarazzo Jr. assume a missão de dar continuidade ao seu legado, implantando uma reforma administrativa com um novo sistema de gestão de negócios.
Em 1986, o CONDEPHAAT decidiu tombar as edificações remanescentes por seu valor simbólico, como marco referencial do que foi o complexo IRFM, uma vez que todos os outros edifícios tinham sido demolidos.
Poucos anos antes, diz-se que no final da década de 1970, os proprietários ordenaram a demolição de quase todas as construções existentes, no intuito de dar um novo rumo ao terreno, para que recebesse outras atividades. Os planos não tiveram êxito e a falência das IRFM foi declarada.
A solidez do grupo Matarazzo chegou a ser comparada a do Império Britânico. No auge de sua riqueza, a Enciclopédia Britânica catalogou o império dos Matarazzo como um dos cinco principais conglomerados familiares do mundo. Seu patrimônio só perdia para o PIB da União e do Estado de São Paulo.
A Casa das Caldeiras e a Casa do Eletricista, como são hoje reconhecidas, faziam parte desta história, como construções remanescentes de um tempo.
A Casa das Caldeiras faz parte da memória coletiva da Cidade de São Paulo, preserva em seu conjunto arquitetônico, a história de um período áureo, entre as décadas de 1920 e 1950. Uma cidade que crescia em ritmo acelerado, influenciada pela a industrialização e pelo tecnicismo Europeu, que refletiram os padrões urbanos e arquitetônicos da cidade e têm ligação direta com a vida econômica, social e cultural.
Exemplar típico da arquitetura fabril de caráter utilitário recebeu grandes janelas, pé-direito altíssimo, três chaminés monumentais que parecem ganhar os céus, túneis-galerias que remetem a passagens subterrâneas, fornalhas que eram alimentadas por carvão.
O edifício das Caldeiras é formado por um conjunto de três caldeiras abrigadas numa grande nave, distribuindo em dois pavimentos a circulação, as dependências para atividades subsidiárias, além dos túneis e as comportas associados ao sistema de circulação de ar.
A caldeira é constituída pela caldeira propriamente dita - estrutura metálica preenchida de alvenaria de tijolos, com várias câmaras por onde passa os sistemas de serpentinas, o reservatório, a fornalha - e por um sistema de túneis e dispositivos de controle de ventilação interligados a chaminé.
Observam-se três fases importantes de construção e ampliação durante o levantamento histórico da Casa das Caldeiras:
A primeira fase chega ao nosso conhecimento através da planta encaminhada em 1923 à Prefeitura Municipal, onde se desenhava um bloco único de alvenaria de tijolos. Possivelmente já se tratava de ampliação: uma provável construção anterior teria sido prolongada e seu alinhamento alterado. Desta fase persiste a estrutura principal, portante de alvenaria, embora desfigurada pela abertura de novos vãos e outros fechamentos.
Em 1936, uma nova planta foi encaminhada para aprovação com ampliações e reformas, sem mudanças significativas na estrutura primitiva, tendo sido construídos novos fornos e caldeira, que exigiam uma outra chaminé edificada na extremidade oposta daquela já existente.
A ampliação de maior envergadura é executada em 1953, conforme plantas submetidas a aprovação da Prefeitura Municipal. Foi construído um corpo anexo para servir como reservatório de água para as caldeiras e, em continuidade, uma plataforma coberta por laje de concreto armado permitiu o aproveitamento do pavimento superior como depósito de resíduos. Novas caldeiras foram instaladas, substituindo as antigas, e por se tratarem de caldeiras de maiores dimensões a cobertura foi alteada, elementos vazados preencheram a diferença de altura nas paredes.
Uma nova cobertura de telhas de fibrocimento foi instalada sobre estrutura metálica formada por tesouras. O lanternim e os elementos vazados foram recursos para proporcionar maior iluminação e exaustão do calor. Uma nova escadaria de acesso ao piso principal foi construí- da. Ainda nesta fase, o sistema de exaustão das chaminés precisou ser refeito, com a construção de uma galeria interligada de estrutura independente a laje e a alvenaria portante.
As sucessivas transformações pelas quais o edifício passou apontam para a dinâmica peculiar deste tipo de construção: uma plataforma de produção de energia para o parque industrial. Após sua desativação no final da década de 70, o espaço foi entregue ao abandono e esquecimento até que em 1998 participa da exposição “A Cidade e suas Histórias”, projeto concebido pelo Arte-Cidade, que questionava a relação da cidade com seus espaços urbanos degradados e abandonados.
[Enquanto a área das antigas Indústrias Matarazzo é um campo repleto de indícios de história... As chaminés são outro emblema de Arte-Cidade. A chaminé é uma catedral do mundo fabril: comunica o céu com a terra. por ela os raios de sol penetram como através de vitrais. Na antiga instalação industrial, caldeiras e fornalhas são máquinas de transformar materiais...
... Os artistas contemporâneos, conscientes da dinâmica da devastação industrial, também são movidos pela convicção de que o passado é remoto e que imperativo redimí-lo para o presente...
...A arquitetura do conjunto retrata os padrões da arquitetura industrial inglesa, profundamente marcada pela fachada de alvenaria aparente de tijolos de barro e as esquadrias metálicas de pouca largura e altas, que tinham a função de iluminar o ambiente sem permitir a visão do exterior para a rua.]
- Intervenções Urbanas Arte- Cidade de Nelson Brisac – Arte Cidade.
Em 1985 o CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo) pediu o tombamento desse imóvel, na época já desativado, visando preservá-lo como documento arquitetônico da história da industrialização paulistana. No fim desse processo _ 1986, com revisões datadas de 1993 _ decidiu-se preservar um dos galpões da fábrica, a casa do Eletricista, o prédio de caldeiras e as três chaminés de alvenaria refratária, cujas alturas variam de 46 a 54 m e os diâmetros externos de 2,60 a 4,40 m, que complementavam a central de vapor.
A partir da compra do terreno, pela empresa Ricci e Associados, em 1992, iniciou-se o planejamento de revitalização de todo o terreno (aproximadamente 100.000 m2) e o estudo de viabilidade. O projeto de desenvolvimento urbano do terreno contou com a intervenção da Operação Urbana conseguindo agregar uma série de melhorias e valores para a área, concretizando o projeto de reciclagem e restauro dos imóveis tombados Casa das Caldeiras e Casa do Eletricista através dos arquitetos Marcos Carrilho e Victor Hugo Mori.
Em 1998, após receber e apoiar a terceira edição do projeto ARTE-CIDADE, a Casa das Caldeiras recebeu obras emergenciais onde o telhado foi refeito, as janelas restauradas e vidros colocados, as chaminés foram lavadas, cintadas e suas bocas foram completadas. Em 1999, as obras de restauro e reciclagem do espaço que possibilitaram dar ao edifício um novo uso, foram concluídas. As características do edifício foram mantidas e as obras mais profundas de restauração limitaram-se, na maior parte dos casos, à recomposição de elementos alterados.
As sucessivas sobreposições e acréscimos sofridos pelo edifício foram conservados. A intervenção proposta buscou em síntese preservar a historicidade do objeto, os aspectos fundamentais foram mantidos como documento do processo evolutivo da atividade industrial.
Sob o aspecto simbólico, as chaminés são os elementos mais expressivos. A sua presença é a marca simbólica da presença da fábrica e atua como referência evocativa da intensa atividade fabril do lugar.
Das três caldeiras remanescentes, apenas uma apresentava-se com todos os seus componentes. O critério de restauração adotado foi o de conservar uma das caldeiras, a que se encontrava mais integra, em seu estado original, com os reparos pertinentes, e uma outra caldeira seria mantida à mostra com todo o sistema de circulação de fluidos revelados, possibilitando assim o entendimento de seu funcionamento. A última caldeira apenas foi mantida e reparada com os poucos elementos estruturais restantes.
Com a eletrificação da Sorocabana em 1940 e sua finalização no após guerra, percebendo o ônus do serviço de manobras executados pela EFS e SJ e que suas duas locomotivas a vapor compradas da Henschell em 1923 já estavam no limite de sua capacidade.
As IRFM se beneficiou de sua facilidade de crédito para adquirir, entre os anos de 1945 e 1949, mais de 12 locomotivas da marca DAVENPORT com motor Caterpillar - diesel mecânicas do tipo 30TDM6 e 5T DM4 com transmissão mecânica de bitolas diferentes. Pelo menos 4 delas foram usadas na cidade de São Paulo, e uma se encontra junto a Casa das Caldeiras restaurada e pintada, seguido o padrão verde escuro com faixa branca e recebeu o nome de Filomena. Em homenagem a esposa do conde Matarazzo.
Maria Pia Matarazzo, neta do Conde Francisco Matarazzo assim escreve no livro que preparou para comemoração dos 100 anos das IRFM: [...Nos 100 anos que ficam registrados neste livro está a memória de nosso passado, que estimamos importante para a toda a sociedade a cujo desenvolvimento estivemos sempre inteiramente ligados.
O pioneirismo não tem apenas vantagens, causa também ônus. Foi em decorrência dele que Matarazzo se tornou um nome ligado a quase todas as áreas de produção, comercialização e serviços. Mas novos são os tempos e é chegada a hora de mudar...]

Casa das Caldeiras, Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Barra Funda, São Paulo, Brasil

Casa das Caldeiras, Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Barra Funda, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

A história de consolidação da Barra Funda passa, impreterivelmente, pelas fases de crescimento e desenvolvimento que São Paulo sofreu no século XIX. Durante o fim desse período, era comum a ocupação das várzeas dos rios na cidade para o surgimento de novos bairros.
Na região que hoje compreende a Barra Funda era a Chácara do Carvalho, divisão do antigo sítio que era do Barão de Iguape e que, além da região citada, ainda abrangia a Casa Verde e a Freguesia do Ó.
O ano de 1875 é um marco para a região. Com a inauguração da estação Barra Funda da Estrada de Ferro Sorocabana, diversos armazéns e depósitos começaram a surgir ao redor da estação, como acontecia em todas as paradas dos trens paulistas.
Os primeiros habitantes da região foram os imigrantes de origem italiana. Além de trabalhar com tudo que a ferrovia podia oferecer, eles estabeleceram em suas casas serrarias e oficinas mecânicas que atendiam à população dos Campos Elíseos. Contudo, o que entrou para a história do bairro é a construção civil e as características ímpares e simples da arquitetura de suas casas.
Até hoje, se observado com atenção, é possível notar que as construções são parecidas em alguns pontos: casas geminadas que possuem entrada lateral, fileira de cômodos, uma cozinha, um quintal e um porão.  Esse tipo de construção é chamado de “ponta de chuva” por serem as casas idealizadas pelos capomastri (mestre de obras) italianos que, com a ponta de seus enormes guarda chuvas, desenhavam as casas na terra para o começo da construção.
No começo do século 20, entretanto, o bairro começou a mudar sua configuração. A população antes predominante branca passou a receber os primeiros negros da região, fato que se intensificaria nos anos seguintes. O sistema de transporte da região foi agraciado, no ano de 1902, com o primeiro bonde elétrico de São Paulo que fazia o trajeto Barra Funda – São Bento.
Seguindo o bonde, diversas ruas, como Barra Funda, Brigadeiro Galvão e Anhanguera, tiveram um grande boom comercial, oferecendo diversos serviços aos passageiros que usufruíam dessa linha. O desenvolvimento desse polo comercial, assim como a proximidade com os bairros de Higienópolis e Campos Elíseos, atraiu alguns representantes da chamada classe média cafeeira e alguns industriais que começaram a morar por lá, enquanto trabalhavam na chamada “Barra Funda de Baixo”.
A divisão do bairro em “setores” aconteceu graças à construção das linhas de trem que separam as regiões da linha de trem e a marginal Tietê (Barra Funda de Baixo) e a localizada entre a linha de trem e os Campos Elíseos (Barra Funda de Cima). Durante muitos anos, as duas foram ligadas por porteiras, uma na Rua Anhanguera e a outra na rua Assis. Até hoje, graças a essa separação, a parte de cima possui uma maior infraestrutura e poder aquisitivo do que a região “de baixo”.
Diante do grande potencial de mão-de-obra que a região possuía, as primeiras décadas do século XX foram extremamente favoráveis para a ocupação industrial da Barra Funda. Além das diversas indústrias instaladas na Água Branca, um histórico parque industrial foi erguido na década de 20: as Indústrias Matarazzo.
Com uma área de 100 mil metros quadrados, reuniam diversas atividades industriais e empregavam um grande número de moradores do bairro. Até uma estação de trem da São Paulo Railway foi construída nas mediações do parque industrial para o escoamento do que ali era produzido.
Contudo, o desenvolvimento econômico da região foi abalado pela grave crise de 1929. Os casarões da antiga classe cafeeira foram abandonados e com o tempo acabaram virando os terríveis cortiços. As indústrias, por sua vez, começaram a fechar ou transferir suas atividades para outros lugares. Ao bairro restaram as oficinas mecânicas, serrarias, marcenarias e indústrias alimentícias ou têxteis de pequeno porte.
Na área cultural, o período da década de 20 entraria para a história da música paulistana e, até mesmo, da música nacional. A região da Barra Funda é considerada por muitos um dos berços do nosso samba. O Largo da Banana era o ponto de encontro para os sambas de rodas, rodas de tiririca (capoeira) e serestas. A região conhecida pelo comércio de banana é lembrada em sambas conhecidos, como os que eram versados por Geraldo Filme.
Além disso, na Barra Funda, foi fundado por Dionísio Barbosa o primeiro cordão carnavalesco paulista: o Grupo Carnavalesco Barra Funda. Formado por membros da população que se sentia excluído da Festa do Momo, o grupo teve que paralisar suas festividades nos anos 40 por problemas políticos.
Reorganizado como Camisa Verde por Inocêncio Tobias, foi perseguido pela polícia política de Vargas confundido como simpatizante do Partido Integralista até a alteração do nome para Camisa Verde e Branco. O primeiro desfile do grupo data de 1954, na comemoração do IV Centenário de São Paulo.
O começo dos anos 70 marca a chegada dos nordestinos à região. Contudo, a época não era favorável e as indústrias começaram a sofrer um processo de decadência, o que propiciou uma ocupação residencial do bairro. No início dos anos 80, o setor industrial se apresentava quase reduzido a zero na região. Porém, a partir de 1989 as coisas começariam a mudar.
É nessa época que foi inaugurado o terminal Barra Funda, que reúne todas as modalidades do transporte coletivo (metrô, trens de passageiros das antigas linhas Sorocabana e Santos-Jundiaí sob a administração da CPTM, transporte rodoviário, ônibus municipais e intermunicipais).

No mesmo ano, no antigo Largo da Banana, é erguido o Memorial da América Latina projetado por ninguém menos do que Oscar Niemeyer. Estas transformações trouxeram nova vida ao bairro. Muitas casas deram lugar a estabelecimentos comerciais, prédios de negócios se instalaram, imóveis antigos foram revitalizados. Em 1995, a Rede Record ali se estabeleceu e em suas proximidades o Parque Industrial Thomas Edison e o Centro Empresarial Água Branca, inaugurado em 2001.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Fonte Luminosa, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil




Fonte Luminosa, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Foto Alfredo N. 44
Fotografia - Cartão Postal

Rio Ganges, Índia (Rio Ganges) - Cândido Oliveira

Rio Ganges, Índia (Rio Ganges) - Cândido Oliveira
Índia
Coleção privada
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Rio de Janeiro, Brasil (Rio de Janeiro) - Cândido Oliveira

Rio de Janeiro, Brasil (Rio de Janeiro) - Cândido Oliveira
Rio de Janeiro - RJ
Coleção privada
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Viaduto e Theatro Municipal, 1907, São Paulo, Brasil

Viaduto e Theatro Municipal, 1907, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia - Cartão Postal

Largo da Sé, São Paulo, Brasil


Largo da Sé, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia - Cartão Postal


Praça da Sé em postal da segunda metade da década de 1920.
Vista tomada a partir da escadaria da Catedral da Sé, que na época estava em fase de construção.
Do lado esquerdo, um trecho da fachada do Palacete São Paulo, localizado na esquina com a Rua Benjamin Constant e o edifício Conde de Lara, localizado na esquina com a Rua Barão de Paranapiacaba em fase de construção.
À direita (em segundo plano), o Palacete Germaine, localizado na esquina com a Rua Wenceslau Brás. Esse edifício foi projetado em 1907 pelo arquiteto Carlos Eckman e foi demolido na 2ª metade da década de 30 para a construção do edifício da Caixa Econômica Federal.
No canto direito, a esquina com a Rua Santa Teresa e um trecho da fachada do edifício que foi demolido para a construção do edifício Mendes Caldeira, que por sua vez, foi implodido em 16/11/1975.

Paisagem com Figura (Paisagem com Figura) - Cândido Oliveira

Paisagem com Figura (Paisagem com Figura) - Cândido Oliveira
Coleção privada
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