quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Chevrolet Kadett GS, Brasil







Chevrolet Kadett GS, Brasil
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A década de 80 é sempre lembrada por muitos como a “década perdida”, em razão da estagnação econômica e retração industrial. Com as importações proibidas, o publico de maior poder aquisitivo buscava status e exclusividade nas variações esportivas dos modelos em produção: Ford Escort XR3,VW Gol GTS e Chevrolet Monza S/R, sendo este último a referência na combinação de conforto e desempenho.
Porém, em 1989, os dias do Monza esportivo estavam contados: a GM apresentou o Kadett, primeiro automóvel inteiramente novo em cinco anos. À parte o impacto da novidade em si, todos os olhos se voltaram para sua versão esportiva, a GS. Além de seu aspecto inovador, ele surpreendia pelo desempenho, pela comodidade e segurança.
Dotado do mesmo 2.0 a álcool do Monza, ele chegou a 171,1 km/h no primeiro teste nas páginas da QUATRO RODAS (edição de abril de 1989), ficando atrás apenas dos Opala de seis cilindros (com mais que o dobro da cilindrada) e do Gol GTi (com injeção eletrônica).
No 0 a 100 km/h ele precisou de 11,26 segundos e cumpriu todas as provas de desempenho surpreendendo pela elasticidade do motor e pelo baixíssimo nível de ruído. A estabilidade excelente, sem solavancos, demonstrava que o GS era um esportivo civilizado.
Além do tradicional aerofólio traseiro, mereciam destaque a tampa do porta-malas adesivada preto fosco, as exclusivas rodas de aro 14, as saídas de ar no capô, lanternas traseiras frisadas, a ponteira de escapamento dupla e a charmosa e solitária luz de neblina traseira, que acendia em conjunto com os faróis de neblina.
Por dentro, os confortáveis bancos com regulagem de altura contrastavam com o painel de fundo vermelho, auxiliado por um vacuômetro, um check control e um computador de bordo. O volante de três raios também oferecia regulagem de altura.
Ar-condicionado, direção hidráulica e pintura metálica só eram oferecidos à parte, mas o opcional mais interessante era a suspensão traseira com regulagem pneumática.
Apesar da limitada capacidade de seu porta-malas (269 litros), era possível nivelar a altura da suspensão quando estivesse carregado e pesado, calibrando bolsas de ar que ficavam em torno dos amortecedores.
Sua grande virtude era o coeficiente aerodinâmico de apenas 0,30, o menor entre todos os modelos nacionais. Mérito dos vidros colados rente à carroceria, limpadores de para-brisa com aletas e da ausência de calhas de chuva. Os faróis de neblina eram integrados ao desenho do para-choque, sempre da mesma cor do veículo.
Apesar desses cuidados, eles não conseguiram conter o apetite voraz do GS no consumo de combustível, principalmente na estrada, graças às relações curtas de câmbio e diferencial: a 120 km/h, ele fazia 7,19 km/l. Para piorar, o tanque de 47 litros limitava a autonomia, inferior a 350 km.
O problema só foi solucionado em meados de 1990, com mudanças como a versão movida a gasolina, o alongamento da relação final de transmissão e os pneus de perfil 65, mais altos. Com as alterações, o GS ficou mais lento, mas garantiu uma dose ainda maior de conforto em viagens. E assim ele permaneceu sem maiores alterações até o fim de 1991, quando saiu de linha.
É o caso do exemplar das fotos acima, que pertence ao engenheiro Mário Triches Junior. “O meu é um modelo 1991, ano em que o teto solar foi oferecido pela primeira vez em um GM. Ele se diferencia dos outros esportivos da época pelo conforto, baixo nível de ruído e rodar sólido comum a todos os GM da época”, diz Triches.
O GS depois cedeu lugar ao GSi, que aposentou o carburador em favor da injeção eletrônica. Na época, sua decoração externa mais diferenciada foi adotada por muitos proprietários do GS, o que acabou descaracterizando muitos desses modelos.

Chevrolet Vectra GSI, Brasil








Chevrolet Vectra GSI, Brasil
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Demorou cinco anos para chegar, mas, quando enfim entrou em nossa pista de testes, o primeiro Vectra brasileiro logo se sagrou campeão.
A responsável pela façanha foi a versão esportiva GSi. Ao cravar 207,7 km/h de velocidade máxima e acelerar de 0 a 100 km/h em 9,22 segundos, na edição de dezembro de 1993, ele se tornou o nacional mais veloz e rápido testado por QUATRO RODAS.
O Vectra já existia na Europa desde 1988, mas esses anos de defasagem não se comparavam aos 11 de vida do Monza, que ele substituiria. Ainda que disponível apenas na versão sedã de quatro portas, ele cumpria o papel de carro médio moderno e bem equipado, enquanto o GSi era o mais novo símbolo de status do mercado nacional.
Esportiva, a versão topo de linha rompia o vínculo com o Monza S/R, que tinha carroceria hatch e deixou como herdeiro o Kadett GSi. Ainda que mantivesse sua premissa de desempenho superior, a sigla GSi agora se expandia dentro da linha GM, o que se completaria com o Corsa GSi no ano seguinte.
O sedã esportivo da Chevrolet só encontrava concorrência no pioneiro Fiat Tempra 16V.
Externamente, o GSi se distinguia pelos pneus de perfil baixo, rodas, apêndices aerodinâmicos e um defletor na traseira. A aerodinâmica – o Cx era de apenas 0,29 – e o motor alemão de 16 válvulas e 150 cv justificavam o desempenho.
A potência era 34 cv maior que a do motor com oito válvulas, com um total de 75,1 cv por litro de cilindrada – maior potência específica do Brasil.
A injeção eletrônica sequencial Bosch Motronic M.2.8 misturava o ar ao combustível pela massa de ar admitida, em vez do volume.
Mais precisa, ela permitia que o GSi, mesmo sendo capaz de gerar um desempenho impressionante para a época, ainda conseguisse a marca de 11,91 km/l de consumo médio. As relações de marcha da caixa de câmbio eram mais curtas que as das versões GLS e CD.
Os freios transmitiam segurança, mesmo em emergências. “Voltando de nosso teste, enfrentamos uma delas, quando uma carreta desgovernada atravessou a pista, bloqueando-a”, contava a revista no teste de estreia.
“Mesmo a 100 km/h, o carro foi bruscamente freado, sem desestabilização ou perda de controle da direção.” Comparado ao Tempra 16V na mesma edição, o GSi só perdeu em retomada de 40 a 100 km/h e nível de opcionais.
O carro das fotos pertence ao designer paulista Luiz Fernando Wernz. “Eu meio que aprendi a ler com QUATRO RODAS e me apaixonei pelo carro quando tinha 6 anos de idade, ao ler o teste de lançamento”, diz.
O sonho de infância foi comprado de um colecionador de Opala de Campinas (SP) vários anos depois e hoje praticamente só é usado aos fins de semana.
Wernz acha excelente como o motor acorda depois de 4.000 rpm, quando entra o segundo estágio do corpo de borboleta, característica que não se vê mais no modelo. “Um engenheiro me disse que eu tenho um Vectra de 1994 com tecnologia de 2010”, afirma.
Ainda em 1994, 17.398 leitores e 13 jornalistas votaram na eleição que mais uma vez fez do Vectra GSi um campeão. O Eleito do Ano de QUATRO RODAS venceu em cinco dos oito aspectos avaliados.
Já em 1996 viria a segunda geração do Vectra, dessa vez em sintonia com a Europa, porém sem a versão GSi. Com o fim desse modelo, só em 1999 viria o Fiat Marea Turbo como um representante dos sedãs esportivos nacionais, segmento que nunca mais foi o mesmo depois do Vectra GSi.

FNM JK 2000, Brasil





FNM JK 2000, Brasil
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No feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes, não faltou assunto no almoço de família. Corria o ano de 1960 e, além da inauguração de Brasília, festejava-se o lançamento do JK, o mais moderno carro nacional da época.
Era produzido pela FNM (dizia-se Fenemê, iniciais de Fábrica Nacional de Motores), uma estatal que fabricava caminhões e que havia comprado o ferramental e a licença para produzir o Alfa Romeo 2000.
Seu nome era uma homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, o grande entusiasta da implantação da indústria automobilística brasileira.
A origem do nosso JK está no Alfa 1900, do início dos anos 50. Depois da Segunda Guerra, foi o primeiro projeto da fábrica italiana e vendeu muito.
Pensando mais longe, especificamente no mercado americano, a Alfa apresentou em 1957 o modelo 2000, com frisos, detalhes cromados e até um discreto rabo-de-peixe.
Deu tudo errado: para o povo que estava acostumado com carrões silenciosos e suspensão macia, ele era áspero e ficava devendo em conforto. Até em casa foi rejeitado. Os europeus o acharam muito enfeitado.
Mas para nós, brasileiros, naqueles tempos, ele era bom demais. É certo que não custava nenhuma pechincha.
Eram necessários mais de 150 salários mínimos da época para comprar um carro zerinho. Ou o equivalente a R$ 161.211 em valores de março de 2018.
Mesmo exibindo o enorme cuore sportivo (marca registrada dos Alfa Romeo), com um escudo adaptado da FNM na grade, não chegava a ter o desempenho de um autêntico esportivo.
Mas a tecnologia sobrava: câmbio de cinco marchas (uma novidade até então – e durante um bom tempo – entre os nacionais), duplo comando de válvulas no cabeçote, bloco do motor de alumínio e pneus radiais.
O painel encantava com seu velocímetro sem ponteiro: a velocidade era indicada por uma fita vermelha que corria pelo mostrador.
Ah, e o banco dianteiro inteiriço? Reclinado, praticamente virava uma cama de casal. Bons tempos de namoro a bordo.
Nas pistas, o JK já chegou apavorando e venceu provas de longa duração como as 1000 Milhas e 24 Horas de Interlagos, nas mãos de Chico Landi, Christian Heinz, o Bino, e Piero Gancia.
Foi assim até que houve o golpe militar em 1964. Como Juscelino e outros tantos que tiveram seus direitos políticos cassados, o JK também teve problemas. Precisou mudar de nome e passou a ser o FNM 2000.
Uma versão mais potente, lançada no Salão do Automóvel de 1964, teve o nome “Jango”, em homenagem ao ex-presidente João Goulart, cogitado. Mas saiu como “TIMB”, abreviação de Turismo Internacional Modelo Brasileiro.
O JK é bastante estável. Mais do que pedem os 95 cavalos do motor. Afinal, ao tracionar os 1.360 quilos do carro, não podem fazer milagre.
No teste de QUATRO RODAS (edição de junho de 1968), o JK fez de 0 a 100 km/h em 19 segundos e atingiu a velocidade máxima de 157 km/h.
O modelo que você vê na foto é um FNM 2000 1968, andando que é uma beleza. A direção, mesmo sem assistência hidráulica, não é pesada. É precisa, sem folgas. A embreagem, hidráulica, é leve, e o câmbio tem acionamento na coluna.
Os freios, porém, nunca foram o seu forte. Exigem decisão e vontade.
Sua tecnologia cobrava o preço do pioneirismo por aqui. O duplo comando de válvulas, por exemplo, era uma caixa-preta para a maioria dos mecânicos locais. E a parte elétrica tirava o sono de muitos proprietários.
Reestilizado em 1969, seu motor passou a ter 2.150 cilindradas. Foi produzido até 1973, quando a fábrica foi vendida para a Alfa Romeo.
Fim de um ciclo, começo de um novo: começava a ser produzido aqui o Alfa 2300, com o mesmo espírito: ares esportivos, com luxo e conforto.

Porsche 911E 2.4 Litre Targa 1973, Alemanha

















Porsche 911E 2.4 Litre Targa 1973, Alemanha
Fotografia


1973 Porsche 911E 2.4-Litre Targa
Chassis no. 9113210907
•Professionally restored in the USA 2011/2012
•Engine overhauled by Tobias Nussbaumer of Flat Six Cars, Basel
•Little used since the rebuild
•Registered in Switzerland
Porsche's long-running and much loved 911 sports car first appeared at the 1963 Frankfurt Show as the '901', but shortly after production proper commenced in 1964 had become the '911' following Peugeot's complaints about the use of '0' model numbers. The preceding Type 356's rear-engined layout was retained but the 911 switched to unitary construction for the bodyshell and dropped the 356's VW-based suspension in favour of a more modern McPherson strut and trailing arm arrangement. In its first incarnation, Porsche's single-overhead-camshaft, air-cooled flat six engine displaced 1,991cc and produced 130bhp; progressively enlarged and developed, it would eventually grow to more than 3.0 litres and, in turbo-charged form, put out well over 300 horsepower.
The first of countless upgrades to the perennial 911 came in 1966, two years after production had commenced, with the introduction of the 911S, which featured stylish Fuchs five-spoked alloy wheels and a heavily revised and more powerful engine. Improved handling courtesy of a lengthened wheelbase arrived in 1969 and then in 1970 the 911's air-cooled, flat six engine underwent the first of many enlargements - to 2.2 litres. By this time the models on offer had stabilised at three: the entry-level 911T, middle-ranking 911E and top-of-the-range 911S, all of which were available as either a closed coupé or Targa convertible. With the 2.2-litre engine's arrival, a common type of cylinder head was adopted, the differing power outputs being determined principally by valve timing rather than valve sizes as had been the case hitherto. In 1972 all 911 variants received the 2,341cc (nominally 2.4-litre) unit, which in 'E' specification produced a maximum of 165bhp.
According to the vendor, this delightful Porsche 911E Targa had been comprehensively restored by Harald Brandner of BMC Classics in Florida, USA in 2011/2012. When the car arrived in Europe, the engine was again thoroughly overhauled by renowned specialist Tobias Nussbaumer of Flat Six Cars in Basel. Since then it has seen only sporadic use in good weather only. Finished in grey with grey/black interior, this extensively restored 2.4-litre 911 is offered with Swiss Carte Grise; MFK document; and assorted invoices, correspondence, and photographs relating to its restoration.

Fonte: https://www.bonhams.com/auctions/25819/lot/28/?fbclid=IwAR3YG2V0g_2Y66EOy8lCencAErImJooLTECiOU3DrD997euY3pxDIHgkF0o

Porsche 911 Carrera 2.7 Litre MFI Coupé 1974, Alemanha















Porsche 911 Carrera 2.7 Litre MFI Coupé 1974, Alemanha
Fotografia


1974 Porsche 911 Carrera 2.7-Litre MFI Coupé
Chassis no. 9114600780
Delivered new to Switzerland
Porsche revived the evocative Carrera name for its top-of-the-range 911 in 1972/3. Designated Carrera RS (Rennsport), the newcomer was intended as a limited edition 'homologation special' to enable the factory to enter Group 4 competition in the Special GT class, with a minimum build requirement of 500. However, the resulting demand for this fabulous car proved so great that the production run was progressively extended, eventually ending up at 1,590 units and allowing homologation in Group 3 for standard GT production cars, which it would dominate. The Carrera RSR GT-category racer collected overall wins in the World Sportscar Championship at Daytona and the Targa Florio in 1973, defeating 3-litre prototypes from Ferrari, Matra and Mirage-Ford in the process, an outstanding achievement for a production-based car.
Based on a lightened 911S platform, the Carrera RS featured revised suspension and wider rear wheels (beneath flared wheelarches) for improved handling, while the 2.7-litre, fuel-injected, air-cooled, six-cylinder engine's 210bhp boosted top speed to around 150mph. Not merely styling gimmicks, the Carrera's trademark 'ducktail' spoiler and front air dam made a vital contribution to high-speed stability and represent Porsche's first serious experimentation with aerodynamic devices on a production car. Above all it was the reduction of weight that transformed performance. Lighter body materials and ruthless pruning of non-essentials brought the weight of the Carrera RS down to below 900kg, enabling it to devastate the competition on the racetracks of Europe and the USA.
Private customers wishing to purchase a Carrera RS could choose between two specifications; the Lightweight was intended for competition, whereas those who valued comfort could specify the Touring package (order number '472') which cost an extra DM 2,500 and offered the luxury of the 911S's trimmed and upholstered interior. The majority of cars produced were to Lightweight specification. For 1974, the Carrera retained the 210bhp MFI engine but was only available with full equipment; the ducktail spoiler was an option, though not available in Germany.
One of 1,036 European-specification Porsche 911 Carrera coupés produced for the 1974 model year, the example offered here was delivered new to Switzerland and has had only three owners, the second of whom was the wife of a Porsche dealer in Geneva. Finished in the classic colour combination of white with black interior, the car has covered 76,669 kilometres from new and is described by the private vendor as in good condition throughout, benefiting from partial restoration by Garage Porsche Rossier of Orbe, Switzerland in 2015. The car is offered with its original pouch and manuals (including service manual) and cancelled Swiss Carte Grise, and also comes with copies of Speedster and RS magazines in which it features.

Fonte: https://www.bonhams.com/auctions/25819/lot/34/?fbclid=IwAR2jffRV8Jg5IbF_4SGmH8CdMPX3AVuFkG_osHLci4DE6-bmjioDkcqBL1M

Palácio Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil



Palácio Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia - Cartão Postal


Palácio Duque de Caxias (PDC) é o nome do prédio em que se encontra o Quartel-General do Comando Militar do Leste (CML), que é um dos Comandos Militares de Área do Brasil, responsável pela 1ª Região Militar e a 1ª Divisão de Exército, com sede no Rio de Janeiro (RJ) e pela 4ª Região Militar, sediada em Belo Horizonte (MG). O edifício sediou as atividades do Ministério da Guerra no tempo em que o Rio de Janeiro era a capital do Brasil (até 1960).
O prédio foi erguido na mesma área ocupada pelo antigo Quartel General da Praça da República, construído no século XIX, como sede do antigo Ministério da Guerra. Foi projetado por Christiano Stockler das Neves e José Ferreira Louro, foi inaugurado em 1941, quando foi aberta a Avenida Presidente Vargas, sendo de concreto armado, destacando-se na paisagem do local. Em 1953 foi inaugurado, em frente a este prédio, o Panteão Duque de Caxias, com uma estátua equestre do patrono do Exército.
O prédio é bem do patrimônio cultural tombado pelo INEPAC.

Ilha Fiscal, Rio de Janeiro, Brasil




Ilha Fiscal, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Ilha Fiscal, Rio de Janeiro, Brasil



Ilha Fiscal, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
N. 101
Fotografia - Cartão Postal


A Ilha Fiscal localiza-se no interior da baía de Guanabara, fronteira ao centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. A ilha celebrizou-se por ter abrigado o famoso baile da Ilha Fiscal, a última grande festa do Império antes da Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889. Atualmente abriga um museu histórico-cultural, subordinado à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.
Originalmente denominada pelos europeus como Ilha dos Ratos, o seu atual nome provém do fato de ali ter funcionado o posto da Guarda Fiscal, que atendia o porto da capital do Império, no século XIX.
No século XIX, o Conselheiro José Antônio Saraiva do Ministério da Fazenda, solicitou construir-se um posto alfandegário para o controle das mercadorias a serem importadas e exportadas pelo porto do Rio de Janeiro, então Capital do Império. A posição daquela ilha era bastante cômoda para os inspetores da Alfândega, devido à proximidade dos pontos de fundeio, sendo que o translado de mercadorias poderia ser executado em embarcações miúdas, sem grandes dificuldades.
A decisão da construção, assim como a do seu estilo arquitetônico, foram do Imperador D. Pedro II, tendo em conta não conflitar com a paisagem da Serra do Mar. À época, o Imperador teria afirmado: "A ilha é um delicado estojo, digno de uma brilhante joia".
Optou-se assim por um pequeno "château" em estilo gótico-provençal, inspirado nas concepções do Arquiteto francês Viollet-le-Duc, com projeto de autoria de Adolpho José Del Vecchio - então Engenheiro-Diretor de Obras do Ministério da Fazenda -, onde se destacavam as agulhas e as ameias medievais a adornar a silhueta da edificação.
O projeto de Del Vecchio foi contemplado com a Medalha de Ouro na exposição da Academia Imperial de Belas Artes, tendo apresentado a seguinte argumentação:
«A construção planejada, tendo de ser levantada isoladamente em uma ilha, projetando-se sobre um fundo formado pela caprichosa Serra dos Órgãos, encimada por vasto horizonte, e de frente para a entrada da baía, devia causar impressão agradável aos que penetrassem no porto, suficientemente elevada para que pudesse facilmente ser vista de qualquer ponto entre a mastreação dos navios, e prestar-se ao mesmo tempo à fiscalização do ancoradouro.»
Del Vecchio preocupou-se ainda com a ornamentação paisagística, tendo declarado em reunião no Ministério da Fazenda:
«Arrematei, por pouco tempo, na Praça do Mercado, certa quantidade de cocos da Bahia, já com os brotos, e fí-los transportar para a ilha e plantar em torno; os coqueiros virão dentro de breve prazo e não tardarão a dar frutos.»
Após a decisão do imperador na escolha do projeto para acolher a aduana, os recursos necessários destinados a execução foram liberados em partes e, em 16 de novembro de 1881, foi assente a primeira pedra dando início à sua construção. Após uma série de aterros de modo a aumentar a área de 4 400 m² para 7 000 m², e aplainar as elevações existentes ao preço de 40:5$500 (quarenta contos, cinco mil e quinhentos réis), foi iniciado o castelo.
A 27 de abril de 1889 foi inaugurado o edifício com a presença do Imperador, acompanhado de Gastão de Orleans, Conde d'Eu e brilhante comitiva; o translado do cais Pharoux foi realizado utilizando-se a famosa galeota de D. João VI.
Numa certa manhã, já na República, uma lancha passava em frente à Ilha Fiscal tendo a bordo Rui Barbosa, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva, Del Vecchio e outros personagens do regime republicano. Ao observarem o brasão imperial talhado em gnaisse, com absoluto respeito à heráldica e com os dois dragões a apoiá-lo, um dos passageiros da lancha declarou: "Como? Pois o Brasil republicano ainda conserva em um próprio nacional as armas da monarquia! Que se o derrube!" Nesse momento o Engenheiro Del Vecchio interveio e dirigiu-se aos componentes da comitiva argumentando: "Não, senhores. Por Deus! Se mereço alguma coisa da República à qual pretendo servir com a mesma lealdade e o mesmo espírito de sacrifício com que servi ao Império, peço que não toquem naquele emblema. É uma obra prima de cantaria. Fê-la um velho auxiliar do Conde Santa Marinha, um preto septuagenário que é um verdadeiro artista. Hoje, cego e desamparado, acredito que ele sofreria bastante se soubesse que o seu trabalho de tão penosos dias fora cruelmente destruído. Por isso, meus senhores, por favor, imploro a conservação do escudo." Da ocasião que ocorreu esse fato, data a consagração do edifício da Ilha Fiscal como imperecível obra de arte e patrimônio de uma era, devido a ostentar decoração inspirada na monarquia.
Em 1890 prosseguiram as obras de pavimentação em paralelepípedos, e no extremo leste foi construído outro edifício no estilo do principal a fim de abrigar as máquinas elétricas e os serviços auxiliares. Dois anos depois, estavam totalmente concluídas as obras, ao custo total de 1051:322$584, hum mil e cinquenta e um contos, trezentos e vinte e dois mil, quinhentos e oitenta e quatro réis.
Em 6 de setembro de 1893, irrompeu no Rio de Janeiro a chamada Revolta da Armada, na qual substancial parcela da esquadra brasileira, comandada pelo Almirante Custódio de Mello, rebelou-se contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. Durante mais de seis meses, ficou a Ilha Fiscal em meio ao duelo de artilharia travado entre as Fortalezas leais ao governo, e os navios e fortalezas da Ilha das Cobras e da ilha de Villegagnon na posse dos revoltosos. Múltiplos foram os danos sofridos pela edificação da Ilha Fiscal com as paredes atingidas por projetis, agulhas de ferro derrubadas, avarias sérias nos telhados, fiação, móveis partidos além de estragos nos belíssimos vitrais. Como as despesas de restauração seriam vultosas, esse foi o motivo para que o engenheiro do Ministério da Fazenda Miguel R. Galvão sugerisse a entrega da Ilha Fiscal ao Ministério da Marinha, em troca de algum edifício que melhor se prestasse ao serviço da alfândega. A troca só se efetuaria em 1913, quase vinte anos depois, não por um edifício, mas pelo Vapor Andrada, proposta do Almirante Alexandrino Faria de Alencar, Ministro da Marinha, ao seu colega da Fazenda Dr. Rivadávia Correia. A partir de 1914, a Marinha fez funcionar nesse local, sucessivamente, a Repartição de Faróis, Repartição Hidrográfica, Repartição Central de Meteorologia, Repartição da Carta Marítima, Superintendência de Navegação, Diretoria de Navegação e finalmente a Diretoria de Hidrografia e Navegação.
Em 1930, a Ilha Fiscal foi ligada à das Cobras por meio de um molhe de concreto transformando-as em duas ilhas geminadas ou, geograficamente, em uma só ilha. Em 1983, a DHN foi transferida para a ponta da Armação, em Niterói. A última organização militar que permaneceu na Ilha Fiscal foi o Grupamento de Navios Hidroceanográficos, até março de 1998. A partir dessa data a Marinha adotou como parte da política de valorização da memória naval abrir ao público esse notável conjunto, e simultaneamente mostrar aos visitantes, a contribuição da Marinha do Brasil no desenvolvimento de áreas fundamentais do país como o social, o científico e o tecnológico.
O edifício encontra-se tombado pela Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1990, tendo passado por diversos trabalhos de restauração desde 2001, coordenados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), quando foram restauradas as pinturas do teto, das paredes e do mosaico do piso de parque do torreão.
Em 2006, a Marinha organizou um projeto com o propósito de montar uma iluminação de verão para a Ilha Fiscal, e graças à parceria com a BR Distribuidora, a Marinha presenteou a Cidade do Rio de Janeiro com a beleza da construção do engenheiro Del Vecchio em sofisticada iluminação.
Alguns parâmetros técnicos nortearam o projeto de Del Vecchio: os pontos cardeais O-E posicionavam as alas do prédio, assim como o sentido N-S mostrava ao navegante a direção do canal a ser seguido para quem demandava ou saía barra a fora. O custo da construção civil foi orçado em 145:828$925 (cento e quarenta e cinco contos, oitocentos e vinte e oito mil e novecentos e vinte e cinco réis).
O projeto previa a instalação no torreão de um relógio alemão pela empresa Krussmann e Cia., com as quatro faces iluminadas na parte interna do mostrador para as observações noturnas, e permitia melhor visualização da hora local. A construção ocupou cerca de um terço da ilha medindo sessenta e oito metros de frente, vinte e oito de fundos, e cinquenta e três metros de altura no torreão. Foi considerada uma das mais elegantes construções do Rio de Janeiro, com suas linhas sóbrias e transparecendo no local um ar de catedral medieval. A representação heráldica dos vitrais coloridos a fogo e confeccionados de cristal inglês mostravam o Imperador, ladeado entre os brasões genealógicos da Casa Imperial Brasileira e da Casa de Saxônia, e a Princesa Isabel, ladeada entre os brasões da Casa Imperial Brasileira e a Casa de Orléans. As abóbadas ogivais situadas tanto no primeiro quanto no segundo andar denotavam a filosofia gótica da época. No segundo andar, existe uma sacada com vista para o Sul da baía e com uma bela vista da entrada da barra. Nesse ambiente o imperador apreciava a silhueta da Serra do Mar com o atual Pão de Açúcar e o Corcovado, e deliciava-se abrindo os cocos provenientes da própria ilha para sorver as suas águas.
A sacada é um apêndice à sala destinada ao chefe da aduana, e possui piso em madeiras de lei brasileiras formando um grande mosaico com o desenho da rosa dos ventos. Foi confeccionado com madeira de quatorze diferentes espécies, algumas extintas como: amendoim, pau-cetim, peroba-do-campo, tremida, raiz de imbuia e roxinho; outras em extinção como: jacarandás da Bahia, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Minas Gerais; outras ainda disponíveis como: canela, imbuia, garapa, pau-marfim, peroba-do-campo e sucupira. Esta obra foi executada pela firma Moreira & Carvalho utilizando a técnica de marchetaria.
A construção em cantaria foi notável sob múltiplos aspectos, principalmente pelo excepcional trabalho executado por Antônio Teixeira Rodrigues, Conde de Santa Marinha, e proprietário da pedreira Saudade na Urca. Todos os materiais utilizados na cantaria provêm do mineral feldspático, xistoso e cristalino denominado gnaisse procedente do morro do Pasmado. As paredes do salão destinado ao chefe da aduana foram cuidadosamente desenhadas e posteriormente pintadas a óleo por Frederico Steckel.