segunda-feira, 28 de junho de 2021

Caminhonete Peugeot 504, França



 

Caminhonete Peugeot 504, França
Fotografia


Em 1979, a Peugeot conseguiu finalmente adaptar a plataforma do 504 para converte-la em uma picape robusta. Embora fosse um monobloco, a carroceria suportou bem a introdução de uma suspensão com feixes de molas.
Estas eram presas em alças móveis fixadas no monobloco da Peugeot 504 Pickup, que mantinha o eixo traseiro da Peugeot 504 Break, naturalmente sem as quatro molas e o suporte superior. Os tirantes em “V” foram mantidos.
Nesse esquema de suspensão, tanto a 504 Break quanto a 504 Pickup ganharam versões com tração 4×4. Visualmente, a picape francesa era bem robusta e dava a entender que tinha boa capacidade de carga.
Isso era realmente verdade, sendo que na primeira versão, podia levar 1.100 kg com um motor 1.6 de meros 62 cavalos. O 1.9 diesel entregava apenas 49 cavalos. O tanque de 50 litros ficava atrás da cabine, que levava 3 pessoas.
Logo, eles provaram ser fracos para a Peugeot 504 Pickup, que logo adicionou o 1.8 de 80 cavalos e um diesel 2.3 com 70 cavalos. Este último foi vendido no Brasil com 13,3 kgfm, tendo ainda velocidade máxima de 130 km/h.
Equipada com câmbio manual de quatro ou cinco marchas, chegou a ter 1.300 kg de capacidade de carga. Ela foi vendida com a descrição externa de “1,3 toneladas”, corrigida posteriormente para “1,3 tonelada”. Só teve cabine dupla lá fora.
Com 4,710 m de comprimento, 1,680 m de largura, 1,560 m de altura e 3,000 m de entre eixos, ela era igual ao Peugeot 504 até as colunas B. A partir daí, trazia uma caçamba de aço com relevos e conjugada à uma parte inferior lisa.
A traseira tinha tampa da caçamba pronunciada e com o nome Peugeot em relevo, além de lanternas pequenas na parte lisa, abaixo desta. Ali também ficava a placa e dois batentes. Ela tinha ainda para-barros nas rodas de aço aro 15.


Caminhonete Peugeot 504, França

 





Caminhonete Peugeot 504, França
Fotografia

Nota do blog: Verdadeiro tanque de guerra, aguentava o tranco no trabalho. O design não era grande coisa, parecia camionete dos anos 60 (não só parecia, o projeto original era dos anos 60, muito feia mesmo, por outro lado era ignorada por ladrões, não sendo necessário fazer seguro para furto/roubo, ninguém olhava para ela...rs). Equipada com um econômico motor a diesel, rendia um bom desempenho na estrada e cidade (carregada, sofria nas subidas, não adiantando ficar nervoso, reduzir marchas ou ter pressa, nesses momentos, só restava aceitar a realidade...rs). O modelo de entrada era completamente despojado de luxo, vinha apenas com o básico (se bem que comparando com as configurações atuais dos carros de entrada, pode ser considerada "equivalente", seu maior luxo era um emblema prata da Peugeot no porta-luvas) para funcionar. Mesmo na versão luxo era fraca em equipamentos. Tinha uma caçamba comprida com capacidade de transporte de 1,3 tonelada (seu grande diferencial), informação constante na tampa da caçamba (afirmo, com convicção e experiência própria, que aguentava ainda mais que isso). As unidades vendidas no Brasil foram importadas da Argentina pela Peugeot. Como não poderia deixar de ser com carros da Peugeot, seu principal problema era com a manutenção. Os concessionários Peugeot não eram preparados adequadamente para sua manutenção, as oficinas particulares também seguiam o mesmo caminho, além do suprimento de peças de reposição ser sofrível, demorado e insuficiente (faltavam peças de reposição nos concessionários Peugeot, você tinha que recorrer a importadores, Mercado Livre, etc). Infelizmente tais problemas se multiplicaram com o fim da importação oficial da Peugeot do modelo para o Brasil. Aí virou uma luta manter o veículo, inclusive, muitas vezes, acabávamos tendo que recondicionar ou adaptar peças de outros modelos. E mesmo assim, quando necessitávamos de enviar a manutenção, ficava muito tempo parada. Era complicado encontrar um mecânico que soubesse e, mais importante, quisesse pegar o serviço, a maioria "fugia" dessa caminhonete em virtude das dificuldades já elencadas. Na minha opinião, baseado no estado das raras unidades que encontro pelas ruas, posso afirmar que tirando carros de colecionadores (que raramente saem as ruas), acho impossível encontrar unidades integras e originais, a totalidade que vejo tem partes a arrumar que vão ficando assim por falta de peças e mão-de-obra. Assim, diante dessa situação, acabamos por comprar uma Fiat Strada (moderna, bonita e de fácil manutenção, mas que não aguentava metade da carga que a Peugeot transportava), porém, sendo sincero, se a Peugeot não tivesse encerrado as importações e fosse mais competente no fornecimento de peças de reposição e mão-de-obra, teríamos comprado outra, era um bom carro no que tange a sua proposta de uso.

Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas, 1945, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


 Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas, 1945, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia





Pode-se dizer que a criação do Campus da USP em Ribeirão Preto tem raízes nos tempos dourados do Café e de sua crise. Destaca-se, em particular, a história da contabilidade no mundo, que possui uma relação significativa com a crise de 29, considerada um marco mundial à sua evolução. Data-se que o Campus da USP em Ribeirão Preto, em especial, guarda diversos tesouros históricos, que estão ligados aos 152 anos de fundação desta cidade. Uma cidade que manteve no seu percurso histórico uma tradição na agricultura, primeiramente, cafeeira, que foi considerada o primeiro grande polo de desenvolvimento, tanto foi à aptidão regional, das características destas terras para agricultura, que aqui reside, atualmente, um dos principais, se não o principal centro de produção de açúcar e etanol do planeta.
A primeira parte desta história tem início em 1874, com um fazendeiro que plantava café, também criador de gado e comerciante de escravos, conhecido por João Franco, que adquiriu terras e construiu a Fazenda Monte Alegre, que hoje é o núcleo principal, chamado Campus Universitário. Conta-se que a primeira grande residência erguida, como sede da Fazenda, abriga atualmente o Museu Municipal da Cidade (dentro do Campus, o Museu do Café). Nesse período a prosperidade do café foi tão pujante que a referida Fazenda foi o primeiro local da cidade a ter energia elétrica. Momentos não muitos felizes vieram a assombrar a Fazenda Monte Alegre (problemas de saúde, somados a perdas políticas) e levaram, em 1890, João Franco a vender suas terras e mudar-se de Ribeirão Preto. A propriedade passa a ter um novo gestor, o imigrante alemão, de origem judaica, Francisco Schmidt, que havia chegado ao Brasil em 1858, com apenas 9 anos de idade, vindo da aldeia de Ostoffer. A aquisição da Fazenda não se deu como fruto de seu trabalho em terras brasileiras, mas sim do empréstimo tomado da firma Theodor Wille, de Hamburgo, Alemanha.
O sucesso de Francisco Schmidt nos negócios foi tão vigoroso que aproximadamente em 1913, foi considerado o maior produtor mundial de café, recebendo o título de "Rei do Café". Conta-se também que a riqueza, o status e a sofisticação propiciada pelas plantações deram tanto a Ribeirão Preto e à Fazenda Monte Alegre requinte e conforto desfrutados na Europa, nesse período. O grande desenvolvimento econômico e social da região podia ser notado pela transformação da região, incluindo uma ferrovia particular, que atravessava algumas as fazendas. O poderio econômico era tão pujante, em meados da década de 20 que nesse período havia 14 mil colonos trabalhando em 60 propriedades. Uma área que contemplava 14 milhões de pés de café, com uma produção anual de 700 mil sacas. O coronel Schmidt, como vinha a ser chamado, adquiriu tal poder econômico, que teve uma moeda cunhada em alumínio, com o seu próprio nome, com plena circulação no comércio local.
A segunda parte desta história inicia-se com a com morte de Francisco Schmidt, em 1924, aos 73 anos. Os seus herdeiros liquidam seus débitos com a firma Theodor Wille, usando, para isso, grande parte de seus bens. No entanto, a Fazenda Monte Alegre é preservada pelo seu herdeiro, Jacob, que sofre uma derrocada nos negócios, com a quebra da bolsa de Nova York, pois o café passava a ser uma péssima opção, então. Os efeitos foram tão fortes que a cultura cafeeira, que nos 30 anos seguintes seria substituída pela cultura do algodão. No período ditatorial de Getúlio Vargas, no final da década de 30, surgem toadas de que a Fazenda Monte Alegre, então poderia ser fruto de desapropriação pelo governo, para fins educacionais. Jacob vendeu sua propriedade ao fazendeiro João Marquese, no entanto, o negócio não chega a receber escritura definitiva. De fato a Fazenda Monte Alegre vem a ser desapropriada em 1940, em janeiro de 42 é criada a "Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas" (EPA), que tinha como objetivo desenvolver um campo de formação de técnicos. Esse projeto era considerado uma "etapa da reforma agrária brasileira". Na Escola Prática de Agricultura os alunos moravam em sistema de internato, com todo o conforto. Mas foram raros os que, depois de formados, quiseram abandonar o conforto da cidade para se dedicar ao campo [...].
No final dos anos 40, devido às mudanças políticas e a redemocratização do país, os planos da Era Vargas são esquecidos e, consequentemente, a Escola Prática de Agricultura é desativada. No ano de 1948 é criada a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), cujas atividades iniciariam, de fato, apenas em maio de 1952, considerada como uma unidade solitária, numa área de 270 alqueires do Campus. Em 1960, ocorre a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nos anos 70, instala-se a Escola de Enfermagem e a Faculdade de Farmácia e Odontologia, que mais tarde (1973) seriam desmembradas nas Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto e Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto. Devido à necessidade de uma estrutura que aglutinasse os interesses comuns das unidades, cria-se, então, a Coordenadoria do Campus e, posteriormente, seria a Prefeitura do Campus Administrativo de Ribeirão Preto.
A terceira parte desta história, constitui-se em 1992, com a criação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-RP), que se inicia como uma extensão da Unidade de São Paulo, atendendo a antigas demandas da sociedade. Uma Unidade capaz de gerar e difundir conhecimentos nas áreas de Economia, Administração e Contabilidade. A FEA-RP foi instalada num prédio histórico, atualmente tombado como patrimônio cultural (antiga Biblioteca Central), onde procura, com intensa atuação de seus docentes, alunos e funcionários, manter-se na vanguarda do ensino, da pesquisa e extensão em Economia, Administração e Contabilidade, procurando oferecer, ao mesmo tempo, uma importante contribuição ao aprimoramento e uma maior intensificação da ligação Empresa-Universidade- Comunidade, por meio do aperfeiçoamento da formação humanística de seus estudantes, visando assegurar não só o eficiente desempenho profissional, mas também credenciá-los a enfrentar os desafios que a sociedade moderna, extremamente dinâmica, apresenta a cada momento.

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domingo, 27 de junho de 2021

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Escola Dante Alighieri, Rua Monsenhor de Andrade, Brás, São Paulo, Brasil

 


Escola Dante Alighieri, Rua Monsenhor de Andrade, Brás, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia

O escritor e jornalista inglês George Orwell tinha uma frase célebre e muito realista: “A história é escrita pelos vencedores”. Essa máxima me veio a mente quando deparei com a história de uma escola, hoje quase completamente esquecida pelos paulistanos, cujo nome é associado a outra instituição: Dante Alighieri.
Quando ouvimos esse nome, rapidamente lembramos da famosa instituição que está há mais de um século e é referência de ensino em nossa cidade. Porém, até 1911, este nome era de uma pequena escola do bairro do Brás.
Inaugurada em 1902, a Escola Dante Alighieri foi a primeira instituição de ensino a utilizar o nome do escritor e poeta florentino.
Seu fundador, professor Luigi Basile, foi um imigrante italiano natural de Cosenza, que veio para o Brasil nos derradeiros anos do século 19. Ao chegar aqui escolheu o bairro do Brás para abrir sua escola.
A Escola Dante Alighieri logo conseguiu um lugar de muito destaque na cidade, especialmente entre os imigrantes italianos, que enxergavam na escola do professor Basile o local ideal para que seus filhos estudassem, conciliando o aprendizado do Brasil com as tradições de suas origens italianas.
Localizada na rua Monsenhor Andrade esquina com a rua Assunção, a escola permaneceu neste endereço até 1911. Seria neste mesmo ano que a escola passaria por grandes mudanças.
Já com sua saúde bastante debilitada por conta da idade, Luigi Basile decidiu vender seus direitos sobre o nome Dante Alighieri ao professor Rodolfo Camurri. Naquele mesmo ano, em agosto, surgiria o novo Colégio Dante Alighieri, na área que outrora foi a Chácara Dieberger, na atual Alameda Jaú.
Apesar da venda do nome, a escola fundada pelo professor Basile não encerrou suas atividades. Mudou-se para um endereço menor, na rua do Gasômetro, onde adotou o nome de Instituto Basile. Seu fundador faleceria no ano seguinte, 1912.
Com esta nova denominação, a escola permaneceria na ativa por algumas décadas, apenas mudando de endereço mais uma vez, indo para a rua do Seminário, no centro.
Ao longo dos anos a história da velha Escola Dante Alighieri do professor Luigi Basile cairia em completo esquecimento pelos paulistanos.
Felizmente o imóvel que foi sede da antiga escola foi preservado e está até hoje praticamente intacto. Apenas algumas alterações são notadas, como a mudança das janelas originais por outras menores. Texto de Douglas Nascimento.





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Natureza Morta de Frutas, Incluindo Limões, Uvas, Peras e Cerejas, Junto com Uma Avelã, Tudo Disposto Sobre Uma Mesa Coberta com Uma Toalha Azul (Still Life of Fruit, Including Lemons, Grapes, Pears and Cherries, Together with a Hazelnut, all Arranged on a Table Largely Draped with a Blue Cloth) - Jan Davidszoon de Heem



 

Natureza Morta de Frutas, Incluindo Limões, Uvas, Peras e Cerejas, Junto com Uma Avelã, Tudo Disposto Sobre Uma Mesa Coberta com Uma Toalha Azul (Still Life of Fruit, Including Lemons, Grapes, Pears and Cherries, Together with a Hazelnut, all Arranged on a Table Largely Draped with a Blue Cloth) - Jan Davidszoon de Heem
Coleção privada
OST - 19x23 - 1653


Although he spent much of his career in Antwerp, Jan Davidsz. de Heem is widely regarded as the greatest Dutch still life painter of the 17th century. His still lifes are the culmination of a development of the genre that started with Jan Brueghel the Elder in Antwerp and Ambrosius Bosschaert in Middelburg and Utrecht – De Heem’s home town. No artist was to match the degree of refinement and brilliance of execution that De Heem brought to his still life paintings: it was left to Rachel Ruysch and Jan van Huysum to take the genre into the 18th century and towards a different aesthetic.
Just as talented at painting fruit or flowers, often together and often combined with rich objects and musical instruments in lavish compositions that when on a grandiose scale border on the bombast, De Heem was also equally at home painting much simpler arrangements of fruit on an intimate and much smaller scale. In works such as this beautifully-preserved painting, the viewer can be forgiven for thinking that the artist is deliberately turning his back on his prolix compositions, and exploring the rich vein of very simple, quiet and contemplative still lifes that runs through Netherlandish still life painting throughout the 17th century from some of Bosschaert’s early works in Middelburg circa 1605, via the early works of Haarlem monochrome banketje painters such as Pieter Claesz. and Willem Claesz. Heda, Jan van de Velde and Den Uyl, back to Middelburg at the close of the century and the almost quietist still lifes of Adriaen Coorte.
This jewel-like picture was painted almost exactly half-way through the hundred-year course of this tradition, and is the paradigm of how De Heem, the sometime apostle of more is best also understood so well that less is more.
For reasons unknown, during the first half of the 1650s De Heem seems to have concentrated on small-scale still lifes in which fruit is the predominant motif. A group of these date from 1653 and display distinctive common characteristics: they fill the picture frame, notably so at the top and sides, and they are all signed and dated in the upper left corner, and not on the exposed table-edge. They all share too the intimate character of the present example.

Lírios (Irises) - Vincent van Gogh





Lírios (Irises) - Vincent van Gogh
Museu Van Gogh, Amsterdã, Holanda
OST - 92x73 - 1890


Van Gogh painted this still life in the psychiatric hospital in Saint-Rémy. For him, the painting was mainly a study in colour. He set out to achieve a powerful colour contrast. By placing the purple flowers against a yellow background, he made the decorative forms stand out even more strongly. The irises were originally purple. But as the red pigment has faded, they have turned blue. Van Gogh made two paintings of this bouquet. In the other still life, he contrasted purple and pink with green.