domingo, 21 de novembro de 2021

Honda Civic Type R, Japão - Jeremy Clarkson

 









Honda Civic Type R, Japão - Jeremy Clarkson
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Imaginem a necessidade de mudar radicalmente a maneira antiga de construir casas com o objetivo de neutralizar a emissão de carbono. Acho que todos ficaríamos tristes, pois eu, pelo menos, adoro paredes de pedra e tetos inclinados de concreto.
E ficaríamos mal se tivéssemos, daqui para frente, de morar em cubos feitos de alumínio e palha colados com excrementos de animais. É como me sinto sobre o movimento para banir carros com motores de combustão interna. Sei que na recente crise da gasolina, que paralisou aquelas regiões do país onde se lê o Daily Mail, muitos pensaram em passar para a propulsão Musk. Só que não consigo ver como isso possa fazer sentido.
Políticos, que geralmente não são engenheiros, adotaram baterias recarregáveis como solução para todos os males, mas elas não são. Nem a longo prazo. Pois elas envolvem escravidão infantil, um enorme buraco negro na arrecadação de impostos, uma necessidade de energia elétrica que não temos, uma mudança completa na maneira como viajamos, uma enorme despesa extra para o consumidor e, mais importante, o abandono de uma tecnologia que funciona. Combustão interna.
Houve um tempo em que você comprava um Volvo quando queria segurança. Um BMW como a última palavra em dirigir. E um Volkswagen quando queria algo confiável. Mas não mais. Porque hoje quase todos os carros são duráveis, seguros e rápidos.
Em 1987 fui convidado por um fabricante chamado Daihatsu para ir ao Japão experimentar o novo hatchback rápido de nome Charade GTti. O motor dele era um 1 litro que produzia 100 cv, e me lembro de cair para trás, pois motor que desenvolvia naquela época 100 cv por litro era coisa do romancista Lewis Carroll. Fantástico.
Depois de voar metade do mundo para experimentar o pequeno carro, estava um pouco zonzo, e por isso, depois de dar meia volta na pista de provas da empresa, bati feio, praticamente partindo o carro em dois. Saí completamente ileso e quando me desculpei com meu anfitrião por acabar com o carro, ele disse: “Não tem importância. Fazemos um a cada 23 segundos".
Veja só. Eles eram como coelhos, produzindo um carro pequeno que custava bem pouco, pareciam espectadores aplaudindo por eu não ter me machucado mesmo numa batida de grandes proporções, e isso foi em 1987.
Hoje estamos bem melhores. Quando eu estava crescendo, aceitávamos que carros enguiçassem de vez em quando e que não pegariam numa manhã fria e úmida. Ele era feito de milhares de peças e inevitavelmente uma delas falhariam ocasionalmente.
Aceitávamos também que, se sofrêssemos um acidente, iríamos nos ferir. Muitas vezes papai chegava em casa com alguma gaze devido a alguma batida ao estacionar seu Ford Cortina. Aceitávamos furos de pneus e que aquecimento era item opcional. E que vidros embaçavam em dias chuvosos.
Mas agora, depois de 100 anos e trilhões de dólares gastos na incessante busca da perfeição, temos carros que limpam o ar enquanto dirigimos e nos quais é quase impossível morrermos. Carros em que pneus quase nunca furam, nunca enguiçam e podem viajar em velocidades respeitáveis.
E agora estamos condenados a jogar tudo isso no lixo porque um político, levado pelas mídias sociais e ensinamentos de uma adolescente sueca, decidiu que devemos seguir os passos de um mau Bond sul-africano com um filhote impronunciável e senhor das desilusões do universo. É de chorar.
Pensei nisso tudo enquanto dirigia o Honda Civic Type R semana passada. Tem bom preço, é prático e muito, muito rápido. Mas a despeito disso tudo, é o último capítulo. Não apenas o último carro a ser produzido na agora defunta fábrica de Swindon (Inglaterra), mas também o último da espécie.
O Civic Type R sempre foi um grande favorito da geração PlayStation de corrida e nos últimos anos a Honda explorou o fato, fazendo cada nova encarnação mais atraente e desejada. Mas no mais recente exemplar eles passaram completamente do ponto, colocando tomadas de ar falsas e três saídas de escapamento na traseira e um absurdo aerofólio traseiro e pneus que pareciam um isolamento de teto. Um carro sem sentido.
Por isso resolveram dar uma mexida e criaram o que chamam de Sport Line. Ótimo. Exceto que isso fez piorar o carro de alguma forma, porque, graças ao aerofólio traseiro mais discreto, nada se vê pelo espelho retrovisor. E as menores rodas de 19 polegadas estão perdidas nos arcos dos para-lamas. Parece um carro que algum jovem desenhou sem ter o orçamento adequado.
Todavia, se você não levar em conta os problemas estéticos — o que é difícil — é um carro sensacional. Na melhor tradição dos melhores hatches rápidos, ele tem um grande porta-malas, bancos traseiros escamoteáveis, muito espaço para uma família de cinco e velocidade máxima de 272 km/h. Num Honda Civic.
Ficou melhor por ser um desempenho usável. Muitos dos atuais carros velozes — e incluo Teslas e Porsches elétricos nessa lista — são tão rápidos que você não ousa acelerá-los para valer por qualquer período mais prolongado, especialmente com piso molhado.
Mas saí com o Type R numa tempestade. Folhas sendo arrancadas das árvores e espalhadas pela pista e o vento vinha em séries doidas de fortes lufadas. E mesmo assim eu conseguia usar toda a potência, mesmo em segunda, sem ficar nem remotamente assustado. É um carro bem nascido e tem realmente o melhor câmbio manual de toda a História do automóvel.
E mais, graças àquelas rodas pequenas com pneus de perfil mais alto e complacentes, ele é capaz de alisar as irregularidades da superfície da estrada, mesmo que você utilize o modo de condução ativo em “+R”.
Adorei guiar este carro. E adorei ainda mais a aceleração automática nas reduções de marchas. Você não pode fazer isso num carro elétrico porque ele não tem câmbio. Não no sentido que se conhece.
Gostei até de conduzi-lo. Sim, o comando e a tela de controle parecem ter sido desenhados por alguém de oito anos de idade, mas depois de apena duas horas peguei o jeito de usá-los. Gostei especialmente do sistema de carregar meu telefone sem precisar conectá-lo em lugar nenhum. Ainda não consigo entender com isso funciona. Será que fizeram a eletricidade pular, como um gafanhoto? Não é possível…
Tenho certeza, claro, de que os carros do futuro terão este sistema com todo tipo de coisas que ainda nem começamos a imaginar.
Mas os dias em que você entrava no carro e saía dirigindo sempre que desse vontade, e que podia reabastecer em questão de instantes e sofrer um acidente sabendo que o incêndio resultante não ficaria recomeçando durante meses ou anos depois?
Eles, receio, não existirão mais. Uma baita pena.

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Bentley Continental GT Mulliner, Inglaterra - Jeremy Clarkson

 


















Bentley Continental GT Mulliner, Inglaterra - Jeremy Clarkson
Fotografia


Como a maioria das pessoas de juízo, resolvi não pensar em férias no exterior este ano porque achei que seriam canceladas no último minuto pelas novas restrições à Covid. Com isso, eu perderia todo meu dinheiro e teria que entrar num desses programas de rádio em que ouvintes podem denunciar qualquer coisa e reclamar, com sotaque regional, do agente de viagem e do Boris Johnson, e me faria parecer um idiota.
Pensei até no fato de que não precisava de férias. Elas não são um direito concedido por Deus. As pessoas não tinham férias no século 14 e não as têm hoje em lugares como a Etiópia.
E, além disso, tenho hoje tantos compromissos que, de qualquer maneira, não teria tempo para sair.
Todavia, na semana passada ganhei inesperadamente três dias de folga — a colheita na minha fazenda foi suspensa devido à chuva — e assim decidi reviver minha infância e ir ao litoral britânico para me banhar nos piscinões de maré nas pedras.
Mas, onde ir? Gente normal diria que, como nasci em Yorkshire eu deveria ir a Whitby ou Scarborough, mas há quem diga que a vida começa de fato na concepção. E fui concebido em Cornwall — no Hotel Bedruthan e, caso lhe interesse saber, no apartamento 7.
Além de passarmos todas as férias da família lá e me lembrar delas com carinho. Sentando em cafés em Padstow, tomando chá amargo em canecas grossas, enquanto minha mãe espiava pelo buraco na condensação que ela fazia nas janelas riscadas pela chuva para avisar que “estava clareando”. Mas nunca estava.
Íamos atrás de quartzo e ametistas na chuva, procurávamos caranguejos na chuva, eu brincava com meu iate de madeira no mar, na chuva, e nos sentávamos no barracão alugado, jogando Banco Monopólio e ouvindo a chuva bater no teto de zinco. Eram tempos felizes, por isso fizemos reserva no Hotel Idle Rocks em St. Mawes, e lá fomos nós. Na chuva.
Cornwall mudou desde que eu tinha oito anos. Mesmo que ainda chova lá o tempo todo, é muito mais agitada hoje. O motivo principal é todas as equipes de filmagens estarem lá fazendo programas nos quais os locais sentam-se em suas lanchas de pesca Hatteras de teca e mogno achando ruim que seus pequenos bangalôs valem 17 milhões de libras e de como seu lugar é fotografado todo dia pelos desgraçados londrinos que gostam de pagar 40 libras por uma sardinha.
Os hotéis mudaram também. Devo confessar que amigos meus são donos do Idle Rocks. O mais rápido check-in da história, apartamentos bem arrumados e parecendo terem sido ocupados por pessoas que já estiveram num hotel. E vinho libanês, que me subiu à cabeça mais que eu esperava.
Comida? Bem, quando eu passava as férias em Cornwall eles colocavam legumes no forno quando você fazia sua reserva para que ficassem cozidos quando você os pedisse.
Mas isso acabou. Fui a Porlhleven almoçar no Bar e Restaurante Kota Kai e comi um prato de frutos do mar malaio de origem chinesa que me deixou vesgo e me fez entender, pela primeira vez, o que o diretor de filmes Michael Winner quis dizer quando ele descreveu a comida como “histórica”.
Mais tarde demos uma volta a pé pela cidade, na chuva, e moradores locais me ofereceram fotos de ondas por 1.400 libras e joias de vidro marinho. Crianças vestindo trajes secos pedindo à mãe para pular no mar do muro do porto, e eu não consegui entender por que ela estava tão hesitante, já estava mais seco no mar do que em terra.
Adorei Cornwall. Adorei como ficou e se tornou interessante e lugar de moda, cheio de praticantes de prancha a remo e barcos a vela, e cantinas servindo excelente comida para pessoas inteligentes. Mas não vou ter pressa em voltar porque uma coisa não mudou: ninguém tem pressa para nada.
Num certo momento eu seguia um Mini One numa descida forte chegando em St. Austell e mesmo que a rampa fosse quase vertical, o motorista não passava de 25 km/h. E já que não estava freando, só poderia estar em primeira e o motor girando a 4 milhões de rpm.
Depois encontrei um Renault Scénic dirigido num trecho largo da estrada a menos de 30 km/h. Às vezes, sem nenhum motivo que eu pudesse ver, ele reduzia para menos de 15 km/h. E não tinha como ultrapassar, pois o outro lado da estrada estava repleto de londrinos desgraçados com maleiros de teto nos seus Volvos de volta para suas primeiras casas em Notting Hill.
A velocidade era tão baixa que comecei a saber como a Sra. Benz deve ter-se sentido quando passou a mão no triciclo motorizado de seu marido para dar uma volta. Era possível ver uma placa informando que o destino estava a 25 quilômetros e se podia estimar estar lá em 20 minutos. Mas percorrer 25 km em Cornwall leva dias.
O que foi bom, pois eu estava dirigindo o novo Bentley Continental edição Mulliner. Lisa, minha cara-metade, disse que foi má escolha, já que as faixas de rolamento em Cornwall são estreitas e perderíamos tempo dando ré.
Mas não dei a mínima para esse argumento, porque não importa se você está ao volante de um microcarro elétrico indiano como o REVAi ou do caminhão que a Nasa usava para transportar os foguetes Saturn V: não dá para ultrapassar ninguém.
Nem acho que carros grandes sejam um problema em velhas vilas de pescadores, pois quando se trata de estacionar com criatividade sou medalhista olímpico de ouro. Tenho noção de que poderia estacionar em Downing Street de tal maneira que o policial de plantão forçosamente aceitaria não ser uma infração.
Desse modo, estou convencido de que o Continental é o carro ideal para se usar em Cornwall, porque seu tamanho é irrelevante e um lugar adorável, silencioso e confortável para ficar sentado enquanto as pessoas com maleiro no teto e os glaciais locais ficam no seu caminho.
Isso é especialmente verdadeiro no Mulliner, porque este é um carro onde você, o dono, pode satisfazer qualquer capricho que desejar. Qualquer madeira. Qualquer couro. Qualquer cor. Pode-se ter centros de cubos de rodas autonivelantes, um relógio Breitling e 400.000 pontos de costura no estofamento. Você pode contá-los. Há tempo para isso em Cornwall.
Meu carro recebeu acabamento por alguém que aplicou sua veia Cheshire. Seu interior é marrom e dourado. E tão vulgar quanto uma gravata pornográfica francesa. Mas os cidadãos em Cornwall parecem ter gostado. Um se aproximou com sua face cheia de rugas vestindo uma bata e perguntou quando custou. Ele ficou um tanto espantando quando expliquei custar um pouco mais de 200.000 libras .”Você quase pode comprar uma casa por esse preço”, disse.
O que eu escolheria? O Bentley ou uma segunda casa em Cornwall? Acho que o carro. Ele se molha menos quando chove.

sábado, 20 de novembro de 2021

Edifício Regina, Avenida Paulista com Avenida Brigadeiro Luís Antônio, São Paulo, Brasil









Edifício Regina, Avenida Paulista com Avenida Brigadeiro Luís Antônio, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
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Ele foi construído para ser um prédio residencial, com um apartamento por andar.
Em anúncio do jornal "O Estado de S. Paulo", de 07/05/1950 era divulgado como “exclusivamente para residências finas, no melhor ponto da Avenida Paulista”.
Na época, o texto do anúncio da imobiliária Itaoca ressaltava o potencial do endereço e do lançamento: “Constitui ponto de referência, já pelo imponente de sua massa arquitetônica, já pela beleza de suas modernas linhas. Em situação tão excepcional, os apartamentos do edifício Regina – um por andar – são superconfortáveis, recebendo luz direta em todas as suas dependências e descortinando maravilhosa vista da cidade. Faça uma visita ao edifício Regina e verifique o seguinte: seus apartamentos nada deixam a desejar em grandiosidade e conforto! ”
Informava ainda que o apartamento era constituído por um vestíbulo, living, 4 dormitórios, dois banheiros, copa e cozinha, sala de jantar, 2 quartos e banheiro para empregada, e terraços e garagem no subsolo, comunicando diretamente com o elevador principal.
Já em reportagem de 2013, o mesmo jornal afirma que “o jardim do edifício Regina, planejado por paisagistas franceses, foi substituído por calçadas, disputadas por ambulantes e pedestres. As varandas, fechadas com vidros por causa do intenso barulho do trânsito, mostram que o prédio mudou bastante desde o lançamento, há 60 anos”.
Mas isso não foi a maior mudança. A maior mudança foi a alteração de edifício residencial para comercial.
E como isso foi possível?
Simples: Interesse financeiro.
Descobrimos essas informações em anúncio de leilão de um dos andares realizado em setembro de 2016: "O 6º andar possui 302,68m² de área construída, 1 vaga de garagem. Trata-se de um conjunto comercial com recepção, auditório, 3 salas, 4 sanitários, sala de arquivo, copa e depósito”.
O lance inicial do leilão foi de R$4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais).
Importante ressaltar que embora conste na documentação que o imóvel possui uso residencial, a convenção do condomínio, de abril de 1999, registra a alteração da destinação do edifício para fins comerciais.
Assim, atualmente abriga escritórios de advogados, escritórios comerciais, financeiras, empresas de RH, etc.
No nível térreo existe uma grande loja da Hering.
Nota do blog: A quarta imagem mostra o atual estado do edifício.

Interior do Cine Santa Terezinha, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


 

Interior do Cine Santa Terezinha, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
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Propaganda "O Salva-Vidas", Faróis Bi-Iôdo Cibié, Cibié, Brasil


 

Propaganda "O Salva-Vidas", Faróis Bi-Iôdo Cibié, Cibié, Brasil
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Propaganda "Lacta é Muito Mais", Chocolates Lacta, Brasil


 

Propaganda "Lacta é Muito Mais", Chocolates Lacta, Brasil
Propaganda

Nota do blog: A propaganda visava demonstrar que os chocolates Lacta tinham espessura maior que os concorrentes. E que isso gerava mais prazer em cada mordida. 
Bem diferente do cenário atual, onde a mesma empresa (hoje multinacional) e suas concorrentes vendem chocolates com a espessura de um "CD/DVD". Uma barra de chocolate que antigamente continha 200 gramas, hoje tem apenas 90. Aliás, se continuar por esse caminho, logo vão vender apenas as embalagens vazias...