domingo, 21 de agosto de 2022

Círculo de Estudos Bandeirantes, Curitiba, Paraná, Brasil

 


Fachada atual (2022).


Interior do edifício.


Edifício-sede em construção, circa 1945.


Diretores do Círculo de Estudos Bandeirantes.


Imagem do edifício.


Brasão do Círculo de Estudos Bandeirantes.




Círculo de Estudos Bandeirantes, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia


O Círculo de Estudos Bandeirantes é uma instituição cultural de Curitiba fundada em 1929. Desde 1945, está localizada nesta sede da Rua XV de Novembro, em um prédio construído pelo italiano João de Mio, também responsável por outros edifícios de Curitiba, como a Igreja de São Pedro, no Umbará, e a Capela Santa Maria.
Ao longo de sua história, seus fundadores e sócios, todos intelectuais, promoveram cursos, debates e até a publicação de um periódico, a Revista do Círculo de Estudos Bandeirantes. O CEB, como é chamado, também foi preponderante para a gênese da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Paraná, e para a criação da própria Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a PUCPR. Da década de 1950 em diante, as atividades do CEB enfraqueceram; a solução encontrada foi torná-lo um órgão cultural da PUCPR, que desde 1987 mantém o CEB e o seu imenso acervo documental e bibliográfico, além de organizar eventos culturais na histórica sede da XV.
A integração do Círculo à PUCPR, como entidade cultural agregada, redirecionou o Estatuto, abrindo as portas para além dos associados, devolvendo-o à comunidade acadêmica. As reformas arquitetônicas, construção do auditório e revitalização da biblioteca reativaram o CEB para as atividades culturais paranaenses.
Contexto de criação do CEB:
Na década de 1910, época de criação da CEB, acontecia em Curitiba um fenômeno até estranho para os padrões dessa cidade conservadora: difundia-se, entre a classe intelectual mas também entre setores da classe trabalhadora, ideias anticlericais, isto é, de crítica à atuação e poder da Igreja Católica; ideias liberais e maçônicas, ancoradas no iluminismo francês; e até mesmo ideias anarquistas e bolcheviques, uma vez demonstrada a então popularidade e influência da União Soviética após a Revolução Russa.
Foi então que um grupo de intelectuais católicos e conservadores decidiu criar um instituto cultural para, de acordo com a historiadora Solei Fressato, frear o avanço das ideias laicas, anticlericais e socialistas em Curitiba. Esse grupo era formado por Antonio Rodrigues de Paula, Benedito Nicolau dos Santos, Bento Munhoz da Rocha Netto (futuro governador do Paraná), Carlos Augusto de Brito Pereira, José Farani Mansur Guérios, Padre Luis Gonzaga Miele, José Loureiro Fernandes, José de Sá Nunes, Pedro Ribeiro Macedo da Costa, Liguarú Espírito Santo, Frederico Costa Allende e Valdomiro Augusto Teixeira de Freitas. Os últimos três nomes viriam a ser membros da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista tupiniquim, ultraconservador e autoritário, que tinha inspirações nazistas.
A relação de parte da intelectualidade curitibana com o movimento integralista foi muito estreita. Isso fica mais claro em um discurso proferido por Liguarú, noticiado pelo jornal integralista A Razão:
Liguarú fez inicialmente a defesa e a exposição da doutrina integralista: apresentou os motivos porque o catholico não pode e nem deve ficar indifferente diante do movimento do Sigma que vem auxiliar grandemente a Igreja, no combate das doutrinas subversivas que se apresentam com summa gravidade, citando em abono de sua these, a autoridade do Papa (A Razão, n. 10, 05/07/1935, p. 3).
A escolha do nome “Círculo de Estudos Bandeirantes” diz muito sobre o objetivo e a ideologia desses intelectuais. Fressato explica a origem do nome:
Os verde-amarelos transformaram a figura do bandeirante paulista em verdadeiro herói nacional, corajoso, desbravador e formador do território do país. Em concordância com essas idéias, esses pensadores católicos nomearam a sua instituição de Círculo de Estudos ‘Bandeirantes’ e se autodenominaram ‘bandeirantes’, introjetando a heroicidade dos paulistas. Desse modo, a fundação da instituição também foi considerada uma corajosa ‘bandeira’, no meio anticlerical da cidade de Curitiba.
Não deixa de ser interessante notar que a palavra “bandeirante” era comum entre os integralistas do Paraná. Em trecho do jornal O Integralista, publicado no Paraná na década de 1930 e citado pelo historiador Rafael Athaides em sua tese de doutorado, observa-se essa semelhança de discurso:
Paranaenses! Attentae bem: os integralistas são os bandeirantes despertos, com o mesmo sentido heroico, que estiveram no Ivahy, no Pequery, em Guayra, vos integraram no Brasil (O Integralista, nº 1, 16/08/1934, p. 1).
Anos iniciais do CEB:
O grupo que formou o CEB começou a organizar cursos, debates, publicação do periódico Revista do Círculo de Estudos Bandeirantes, e também a ministrar aulas em escolas de Curitiba, como o Gymnasium Paranaense (atual CEP), para que suas ideias se popularizassem. Como princípio filosófico, o grupo defendia o neotomismo (relativo a São Tomás de Aquino), pensamento que se caracterizava, sobretudo, pela tentativa de conciliar o aristotelismo, ou seja, a razão, com o cristianismo, a fé.
Inicialmente, o CEB se reunia na casa de José Loureiro Fernandes, que ficava na Rua José Loureiro, nº 20. O local era chamado pelos seus membros de "catacumbas", nome alusivo à dificuldade cristã em prosperar. Entre 1938 e 1945 mudou várias vezes de sede, sempre alugada, até estabelecer-se definitivamente à Rua XV de Novembro n.1050. A construção de sua nova sede, inaugurada em 12 de setembro de 1945, se deve, sobretudo, à contribuição dos sócios, de instituições católicas e de empresas públicas e privadas: Leão Júnior & Cia. Ltda, Mueller Irmãos Ltda, Emilio Romani & Cia, José Lupion & Cia, Banco do Brasil, S.A Hermes Macedo & Cia e Banco do Estado do Paraná.
João de Mio:
A construtora escolhida para a construção da nova sede foi a de João de Mio, imigrante italiano nascido no Vêneto, que também foi responsável pelas obras da Igreja de São Pedro, no Umbará, do interior da Igreja do Mercês, Igreja do Barigui, do Palácio Garibaldi, do Colégio Champagnat, da Capela Santa Maria, dentre outras. Foi construtor em obras de Ernesto Guaita, Eduardo Fernando Chaves e Benjamim Mourão, este que fez o projeto da sede do CEB. De Mio projetou a fachada do CEB, promoveu radicais alterações no projeto anterior e construiu o edifício. Em vida, foi homenageado como sócio-honorário do CEB, recusou a naturalização em troca do título de engenheiro Honoris Causa, recebeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba e ficou conhecido como “o construtor de igrejas”. Era amante da natureza e ferrenho crítico do desmatamento. Faleceu em 1971, aos 92 anos de idade, e desde então tem sido homenageado dentro e fora do CEB. Em 2016, ele foi homenageado por meio da exposição “João de Mio: um poeta cosntrutor", inaugurada no aniversário de 87 anos do CEB.
O edifício do CEB segue o padrão das demais obras de João de Mio, que prezava pelo estilo neoclássico: colunas e arcos e demais detalhes de ornamentação romanos dispostos em vários pavimentos, sendo amplas a fachada, a entrada (com degraus) e as janelas — Mio era profundo conhecedor da cultura romana. Atualmente, por conta de sua história e de sua arquitetura, a sede do CEB é uma UIP (Unidade de interesse e preservação).
Ações do CEB:
Ao longo dos anos, imensas foram as contribuições do CEB para o desenvolvimento da ciência no Paraná. Várias de suas iniciativas e atividades acadêmicas foram preponderantes, inclusive, para a formação de universidades. No Círculo foi ministrado um curso de quatro anos de filosofia pelo Pe. Jesus Bailarín. Quando da federalização da Universidade Federal do Paraná, havia a necessidade de um curso de filosofia, e foi justamente o curso do CEB o escolhido para tal — tornando-se, assim, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná, em curso desde 1946.
Pouco tempo depois, quando os os Irmãos Maristas fundaram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Curitiba (atual Pontifícia Universidade Católica do Paraná, criada em 1959), novamente o CEB aparece como colaborador. Nos primeiros anos da PUCPR, o CEB chegou a funcionar como reitoria da instituição.
Boa parte dos professores dessas instituições, naquele período, era formada no CEB.
Legado e recuperação do CEB:
Nas décadas de 1960 e 70, o Círculo e outras instituições culturais independentes enfraqueceram em decorrência do fortalecimento das universidades e, por outro lado, da crise econômica que se alastrava pelo país. Para a manutenção e preservação do imenso acervo do CEB, em 1987 se decidiu pela incorporação dele à PUCPR, que desde então o administra. Conforme Fressato, “Nessa nova fase é resgatado um de seus objetivos iniciais: a contribuição para o crescimento intelectual e cultural do estado, incentivando a realização de conferências e palestras em sua sede, sendo divulgadas na revista da instituição, que volta a ser publicada”.
A Revista do Círculo de Estudos Bandeirantes foi publicada até 2013. O seu acervo, entretanto, continua aberto para pesquisas acadêmicas. Após restauros internos e externos, incluindo da biblioteca, o CEB reabriu as portas para atividades culturais, de forma a preservar não só o patrimônio da instituição, mas o seu fundamental legado científico e cultural.

Vista Aérea, 2022, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

 


Vista Aérea, 2022, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Fotografia

sábado, 20 de agosto de 2022

Torcedor Entende de Futebol? - Artigo

 


Torcedor Entende de Futebol? - Artigo
Artigo






A pergunta provocativa surge a propósito do antagonismo, aparentemente cada vez mais crescente, entre as expectativas de torcedores dos mais variados times e os diagnósticos de treinadores e do jornalismo esportivo. Não é incomum que vaias ou críticas nos estádios e nas redes sociais sejam apontadas por jornalistas esportivos como fruto do “imediatismo do torcedor” e sejam seguidas de conclamações, como a de que é “preciso dar tempo para o treinador mostrar os frutos do seu trabalho”.
Embora o resultado dessa tensão pareça soar um tanto esquizofrênica – se só um time pode ser campeão e, se para um time vencer, o outro tem de perder, a conta não tem como fechar – é possível, no entanto, admitir que determinadas reclamações dos torcedores são críveis e portadoras de alguma consistência. Apesar de, teoricamente, um trabalho de médio e longo prazo ter mais chances de mostrar resultados, essa não é uma tese que independa da qualidade do treinador contratado.
Afinal, como ensina um antigo ditado do mercado publicitário, a melhor forma de destruir um produto ruim é expô-lo ao máximo. Ou seja, o torcedor não precisa esperar ver o seu time sofrer por cinco rodadas para ter a convicção – com grande margem de acerto – de que um determinado técnico não tem condições de produzir resultados. Um exemplo emblemático foi a apresentação de Waldemar Oliveira como treinador do Flamengo, em outubro de 2003.
Uma rápida busca no Google por “O novo técnico do Flamengo é o senhor Waldemar”, pronunciada pelo então diretor de futebol do clube, Eduardo Moraes, confirma que a reação da torcida rubro-negra ao anúncio virou um dos memes mais longevos do futebol. No entanto, para além do folclore, o tempo confirmou que os torcedores tinham razão para recusarem a contratação. Waldemar foi demitido, em dezembro daquele mesmo ano, após dirigir o time por apenas 11 partidas. O breve desfecho mostrou que os torcedores não precisavam esperar dois meses para formar seu juízo sobre a inconveniência da contratação, contrariando os tradicionais pedidos do jornalismo esportivo por mais tempo para os treinadores desenvolverem seu trabalho.
O mesmo feeling torcedor vale para determinadas contratações apresentadas como reforços que “precisam de tempo para mostrarem seu futebol”. Com poucas exceções que servem para reforçar a regra, muitos desses “reforços” costumam ser recebidos com desconfiança que, não raro, se confirma. Obviamente, todas as torcidas erram, e muito, como confirma a perseguição de torcedores do São Paulo ao então jovem Kaká, cujo desempenho oscilava enquanto maturava o desenvolvimento do talento que viria a exibir na Europa, onde chegou até receber o prêmio de melhor jogador da temporada, que o forte marketing europeu promoveu a “melhor jogador do mundo”.
No entanto, embora possa errar e, eventualmente, não entender de meandros da técnica, o torcedor tem uma espécie de sentimento de que as coisas não vão dar certo, seja numa partida ou numa competição. Tal sentimento parece vir da experiência empírica forjada no acompanhamento do mesmo clube temporada após temporada, jornada que, não rara, começa na infância e vai sendo maturada, mas não desidratada com o passar dos anos.
Além disso, ele tem vantagens comparativas simbólicas e concretas sobre o jornalismo esportivo e, eventualmente, até sobre o treinador do momento: conhece a história do clube e segue de perto seus jogadores. O técnico, embora por obrigação profissional deva estudar o maior número de times, seja por ser um adversário, seja por ser um potencial futuro empregador, nem sempre tem a mesma compreensão do ethos do clube, não raro, tão ou mais decisivo para o desenvolvimento do trabalho do que seus méritos táticos, como comprovam declarações vistas como depreciativas pelos torcedores, principalmente quando envolvem comparações com os rivais que estes julgam desfavoráveis.
Já o jornalismo esportivo se limita a acompanhar um número reduzido de clubes, basicamente os três grandes da capital de São Paulo e o Flamengo, no Rio, com acréscimos residuais de intrusos que se apresentem numa fase excepcional, situação que não afeta o espaço destinado aos quatro eleitos.
Tais escolhas podem ser conferidas, tanto nos espaços extremamente assimétricos destinados nas mesas redondas ao quarteto num Campeonato Brasileiro com 20 clubes, dos quais, ao menos 12 tradicionais nacionalmente, quanto em comentários aleatórios nas transmissões de partidas de times fora do quarteto citado. 
As percepções, cada vez mais divorciadas, entre jornalismo esportivo e torcedores são alimentadas, ainda, pelo fato de as ponderações para que os segundos reduzam suas expectativas de curto prazo sofram modulações diferentes quando a mesma questão apresenta-se em relação a outros times, em geral superestimados, tanto por seus torcedores, quanto por jornalistas.
A interseção do clubismo entre pontas que, oficialmente, se apresentam de lugares de fala diferentes, porém, está cada vez mais exposta na era da polifonia palavrosa e prolixa das mídias digitais. E também ajuda a explicar, ao menos parcialmente, o processo de erosão da credibilidade do jornalismo esportivo, que, durante muito tempo, foi reconhecido como autoridade sênior na matéria. Embora, por tratar-se de universo catártico como o futebol, tal poder sempre tenha sido passível de questionamentos, parece indiscutível que gozava de reconhecimento bem superior ao do que, ainda, lhe resta na era das mídias sociais.
O crescimento dos questionamentos à isenção dos profissionais desse campo contribui para o aumento das fricções quando se trata de analisar a expectativa dos torcedores em relação à performance dos seus times. Tem-se o choque entre torcidas (quase) permanentemente insatisfeitas com suas equipes e os pedidos de “moderação” e “paciência” de jornalistas esportivos, que, no entanto, não estendem tais conclamações aos torcedores de determinados clubes, percebidos pelos demais como favorecidos pela cobertura da imprensa.
É preciso, ainda, reconhecer que, enquanto tenha aparecido aqui como sujeito único, o torcedor ou a torcida deve ser visto como ente plural que engloba uma polissemia de fatores constitutivos do futebol, como idiossincrasias em relação a determinados jogadores, análise do nível dos adversários, maior ou menor tolerância a críticas ao seu time. No entanto, mesmo com a ressalva de que não deve ser considerado um ser monolítico nem muito menos infalível, o torcedor também tem as suas razões e, por vezes, mostra um número de acertos nas suas críticas superior ao dos movimentos prospectivos do jornalismo esportivo, principalmente quando este acompanha aquele clube apenas de forma panorâmica e/ou bissexta.
Nota do blog: Qualquer torcedor que acompanhe seu time, seja no estádio, na TV, no rádio, na internet, etc, entende dele muito mais do que qualquer comentarista ou jornalista esportivo. O torcedor, seja ele fanático ou realista, no fundo, sempre sabe a verdade sobre seu time. A única diferença é que, mesmo sabendo, alguns não reconhecem a realidade (por paixão, pirraça, teimosia, etc). 

Usina Hidrelétrica de Rasgão, Pirapora, São Paulo, Brasil


 

Usina Hidrelétrica de Rasgão, Pirapora, São Paulo, Brasil
Pirapora - SP
Fotografia


A Usina Hidrelétrica Rasgão, do tipo fio d'água, localiza-se no rio Tietê, município de Pirapora do Bom Jesus, estado de São Paulo. Em 1924 e 1925, a São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltd. enfrentou grave crise de desabastecimento de energia, agravada por prolongada seca. Neste período, registrou-se uma das mais sérias estiagens da história de São Paulo, reduzindo em cerca de 40% a vazão do rio Tietê e do rio Sorocaba, utilizados na produção de energia elétrica para a capital paulista e áreas próximas. A restrição à oferta de energia levou o governo municipal, a pedido da empresa, a decretar o racionamento do consumo a partir de fevereiro de 1925. Para superar esta deficiência no suprimento de energia, a empresa, além de ampliar ao limite máximo a capacidade das unidades geradoras já existentes, deu início à construção de novas usinas hidrelétricas. A primeira nova usina construída pela São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltd., na década de 1920, foi a Usina Hidrelétrica Rasgão, em desnível existente no rio Tietê, já apontado como ideal para instalação de aproveitamento hidrelétrico desde 1911, a partir de estudo coordenado por Walter Charnley. O local escolhido, conhecido por Rasgão, era assim denominado porque ali, em meados do século XVIII, o Cap. Fernão Paes de Barros, proprietário daquelas terras, onde o rio Tietê formava corredeira, havia construído desvio para a água do leito original do rio, possibilitando a garimpagem de ouro de aluvião. O projeto não teve sucesso e estas terras acabaram sendo adquiridas pela São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltd. em 1904. Supervisionadas pelo Eng. Asa Billings, as obras da usina tiveram início em outubro de 1924 e foram concluídas em setembro de 1925, em prazo recorde de onze meses. Foram transportadas, ao longo do processo de montagem da usina, segundo o Eng. J. M. Bell, 5.000 toneladas de material. O projeto da casa de máquinas e a aquisição de materiais para a construção da usina foram feitos pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo. O Eng. M. J. Martinez veio de Barcelona, Espanha, trazendo rascunhos com o dimensionamento da usina, para que o Escritório Técnico Ramos de Azevedo pudesse desenvolver o projeto adequadamente. Em 6 de setembro de 1925, a primeira unidade da usina começou a operar em caráter experimental. Nesta ocasião, grave acidente envolvendo operário e engenheiro atrasou o início do funcionamento da segunda unidade, que só entrou em operação em 6 de novembro de 1925. A usina passou a operar com dois grupos geradores, compostos de turbinas S. Morgan Smith, tipo Francis, eixo vertical, e geradores General Electric com 7.200 kW de potência cada, totalizando capacidade instalada de 14.400 kW, com fornecimento de energia elétrica ao município de São Paulo. Em 1958, relatórios técnicos apontaram sinais de infiltrações no canal adutor, provenientes da concretagem incompleta realizada na época da inauguração. O funcionamento da usina ficou, então, definitivamente comprometido e, em 1961, ela foi desativada. Em 1981, foi incorporada ao acervo da Eletropaulo - Eletricidade de São Paulo S.A. (Eletropaulo), nova razão social do Grupo Light no estado de São Paulo. Em 1989, foi implementada grande reforma na usina, que incluiu mudança nos edifícios de apoio e na casa de máquinas e recuperação dos equipamentos eletromecânicos e do canal adutor, reintegrando a usina ao seu sistema gerador, com potência de 22.000 kW. Em dezembro de 1997, passou ao controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (Emae), empresa resultante da cisão da concessionária anterior.

Usina Hidrelétrica de Rasgão, Pirapora, São Paulo, Brasil

 


Usina Hidrelétrica de Rasgão, Pirapora, São Paulo, Brasil
Pirapora - SP
Fotografia


Enquanto não chega o aniversário da Usina de Rasgão, que completa 95 anos no dia 6 de setembro, a gente conta para você um pouco mais sobre ela. Rasgão foi a primeira hidrelétrica construída pela antiga Light durante a grande crise energética ocorrida em São Paulo, entre os anos de 1924 e 1925, que reduziu consideravelmente a vazão do rio Tietê. Na época, esse problema chegou a provocar uma drástica redução na oferta de energia elétrica, levando a prefeitura a determinar o seu racionamento.

Propaganda "Quando a Volkswagen Faz um Carro, Ele Vai Longe", 1983, Volkswagen Passat, Volkswagen, Brasil


 

Propaganda "Quando a Volkswagen Faz um Carro, Ele Vai Longe", 1983, Volkswagen Passat, Volkswagen, Brasil
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Nota do blog: Na imagem o famoso "Passat Iraque", exportado para o referido país naquela época.

Casa das Válvulas, Usina Hidrelétrica Henry Borden, Década de 20, Cubatão, São Paulo, Brasil


 

Casa das Válvulas, Usina Hidrelétrica Henry Borden, Década de 20, Cubatão, São Paulo, Brasil
Cubatão - SP
Fotografia

Rótulo “Salsicha Cocktail Urú”, 1952, Fritz Lorenz S/A, Timbó, Santa Catarina, Brasil

 





Rótulo “Salsicha Cocktail Urú”, 1952, Fritz Lorenz S/A, Timbó, Santa Catarina, Brasil
Rótulo


O que é o DIPOA?
O Departamento de Inspeção de Produtos Animais, como o nome sugere, é o órgão ao qual compete a fiscalização de produtos animais para o consumo e é subordinado ao Ministério da Agricultura. Com a ascensão dos frigoríficos no país em meados do século XX, foi aprovado o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), de 1952, que legislava o trabalho do DIPOA.
Desde então, o órgão tem trabalhado com várias formas de fiscalização, com critérios técnicos e sanitários para garantir a qualidade dos produtos. Isto inclui a fiscalização de instalações, adequação de embalagens e as normas para rótulos.
Na documentação do DIPOA depositada na Coordenação Regional do Arquivo Nacional em Brasília (que abrange o período entre 1939 e 1972) é possível perceber que todas as informações dos produtos eram verificadas a fim de evitar fraudes. Os documentos para registro eram burocráticos e precisavam conter todas as informações sobre a forma de elaboração do produto.
Em muitos processos, o órgão fazia correções das informações contidas nos rótulos, como no rótulo das “Salsichas Cocktail”, em que foi preciso fazer algumas adequações na rotulagem do item. O inspetor determinou o uso de caracteres uniformes no nome do produto, tanto no tamanho como no uso da cor. A versão final do rótulo que foi aprovada pelo órgão atendeu todas as modificações indicadas.
Nota do blog: Diferente do passado, hoje o padrão é enganar o consumidor, especialmente no que tange a diminuição da quantidade do produto sem avisar na embalagem, ou quando avisam, o fazem com letras pequenas e em locais que ninguém vê.

Rua Voluntários da Pátria, Circa 1890-1899, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

 


Rua Voluntários da Pátria, Circa 1890-1899, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia


A abertura de uma nova via de acesso à Vila de Porto Alegre, fora do esquema viário primitivo, começou em 1806. Esse caminho marginal ao rio Guaíba recebeu o nome de Caminho Novo. Dom Diogo de Souza, primeiro capitão-general da capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, deu prosseguimento às obras, numa extensão de quase quatro quilômetros, até a Várzea do Gravataí, construindo um solar para residência dos governadores quase na extremidade do percurso, usado para este fim até 1824.
Joaquim José de Azevedo logo instalou um estaleiro junto ao rio, nas imediações da atual Praça Rui Barbosa, que foi o prenúncio do destino comercial e industrial que estava reservado ao novo caminho.
O desenvolvimento urbano do Caminho Novo permaneceu estagnado durante vários anos, como o de toda Porto Alegre, devido à Revolução Farroupilha. Em razão do prolongado sítio imposto pelos rebeldes, entre 1836 e 1840, o valo que protegia a cidade, com baluartes artilhados, cortava o Caminho Novo na altura da atual Rua Pinto Bandeira, onde existia um portão, com ponte levadiça, que controlava o acesso à praça. Durante o cerco, os equipamentos públicos essenciais foram instalados dentro da área do entrincheiramento. Por essa razão, o matadouro de gado foi transferido para a então chamada Praça do Estaleiro (atual Praça Rui Barbosa - Centro Popular de Compras), onde aportavam as embarcações que traziam gado ou carne.
A Municipalidade de Porto Alegre travou uma luta histórica por conservar, como domínio público, para que toda a população pudesse usufruir, o lado da rua que dava fundos para o litoral. Todavia, o município não resistiu à constante pressão dos particulares que pleiteavam para si o aforamento daqueles terrenos, considerados da Marinha e, por isso, confiados ao domínio direto do Governo Imperial. A Câmara conseguiu apenas garantir a doação, para logradouro público, da área situada entre as embocaduras das atuais ruas Vigário José Inácio e Barros Cassal, formalizada em 1861 pelo Conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão, presidente da província. Todo o restante da margem do rio, a contar da embocadura da Rua Barros Cassal, foi concedido pelo governo central, a partir de 1869, em aforamento perpétuo, aos proprietários de outra face da rua, na proporção de suas respectivas testadas.
Em 1870, o Caminho Novo recebeu o nome oficial de Rua dos Voluntários da Pátria. No mesmo ano, a Câmara providenciou o início do calçamento da primeira quadra, até a Rua do Rosário.
A rua sofreu expressiva alteração com a implantação da ferrovia para São Leopoldo, ao longo de toda sua extensão, cuja estação foi edificada em 1874, sob protestos dos moradores e da Câmara Municipal, na esquina da Rua da Conceição. A presença da ferrovia, e a utilização da margem do rio para o estabelecimento de trapiches, depósitos, estaleiros e oficinas, traçaram definitivamente o destino do Caminho Novo, transformando-o, de um passeio bucólico, numa rua suja, repleta de armazéns de atacado e indústrias. A prosperidade das empresas, contudo, refletia-se, na solidez e ornatos dos sobrados neoclássicos.
A partir de 1881, começaram os esforços para retirar os carreteiros que freqüentavam a Praça Rui Barbosa (chamada de Praça das Carretas). Esse processo foi lento, pois os comerciantes da rua eram contrários à retirada dos carreteiros. Só em 1894, quando a intendência municipal fixou o Campo da Redenção como paradeiro oficial das carretas, estas deixaram definitivamente a Voluntários da Pátria. A rua continuou sendo, todavia, por muitos anos, o paraíso das carroças puxadas a cavalo ou burro. Tais carroças, até serem substituídas totalmente pelos caminhões, na década de 1940, povoavam toda a rua.
A construção do novo cais do porto, nas décadas de 1950 e 1960, que aterrou uma larga faixa de terrenos, isolou a Rua Voluntários da Pátria do Guaíba, acarretando uma degradação que acabou afastando dali as sedes de inúmeras empresas e de diversos clubes náuticos.

Propaganda "Melhor Imagem, Melhor Som, Melhor Qualidade...É Telefunken", 1963, Televisor Telefunken, Telefunken, Brasil


 

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Nota do blog: Tônia Carrero.