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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Hotel Central, Circa 1922, Avenida Beira Mar, Rio de Janeiro, Brasil



Hotel Central, Circa 1922, Avenida Beira Mar, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
N. 55
Fotografia - Cartão Postal


"Localizado na Avenida Beira Mar, bem no ponto em que a Rua Paissandu encontra a Barão do Flamengo, situava-se em frente ao único espaço da Praia do Flamengo que dispunha de areia. Construído em 1915, substituindo outro balneário, o High Life, oferecia boas instalações, entre as quais uma área para ginástica e terraços com bela vista para a Baía de Guanabara.
O Hotel oferecia quartos para hospedagem, vestiários para os banhistas se trocarem e pacotes que incluíam as refeições, sem a necessidade de hospedagem.
As mudanças no local, o deslocamento do eixo preferido de banhos para Copacabana e Ipanema, a poluição da Baía de Guanabara e a distensão dos costumes (já não eram mais necessários balneários, já que se tornou aceitável as pessoas se apresentarem nas ruas em trajes de praia) levou à demolição do Hotel Central, em 1951. No mesmo espaço foi construído o Edifício Conde de Nassau." Texto do Cidade Esportiva.
Nota do blog: Fotografia de Augusto Malta.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Praça da Harmonia, 24/03/1908, Rio de Janeiro, Brasil










 

Praça da Harmonia, 24/03/1908, Rio de Janeiro, Brasil 
Ribeirão Preto - SP
Fotografia

Nota do blog 1: Ao fundo vê-se o prédio onde foi fundado o clube de futebol Vasco da Gama (imagem nº 2 com asterisco vermelho). A imagem nº 3 mostra o mesmo local em 2023 (asterisco vermelho).
Nota do blog 2: Na atual rua Sacadura Cabral nº 345 (antiga rua da Saúde nº 293), próximo de casas de café por atacado, serralherias a vapor e do Moinho Fluminense, um grupo de comerciários e comerciantes portugueses, além das pessoas do bairro da Saúde, fundaram o clube.
Nota do blog 3: Fotografia de Augusto Malta. 
Nota do blog 4: A legenda da foto é "Na praça da Harmonia às 4 horas da tarde de 24-3-08". Ela foi tirada durante a hora de descanso dos trabalhadores.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Praça Marechal Floriano, Rio de Janeiro, Brasil


 


Praça Marechal Floriano, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia - Cartão Postal

Vista do Theatro Municipal, Escola Nacional de Belas Artes (atual Museu Nacional de Belas Artes), trecho da avenida Rio Branco e parte da praça Marechal Floriano. 
Nota do blog: Data não obtida / Fotografia de Augusto Malta.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Viaduto Rei Alberto / Gruta da Imprensa, Avenida Niemeyer, Rio de Janeiro, Brasil


 

Viaduto Rei Alberto / Gruta da Imprensa, Avenida Niemeyer, Rio de Janeiro, Brasil 
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Após o triste desabamento de uma parte da ciclovia Tim Maia, em São Conrado, muita gente comparou a desastrosa obra da atual prefeitura com o viaduto que passa ao lado, o Viaduto Rei Alberto da Bélgica, que há muitas décadas resiste às ondas do mar, de ressaca ou não. De fato bem mais antigo, sólido e seguro que a ciclovia, o Viaduto tem algumas memórias que valem ser lembradas.
Em 1920, durante o mandato do prefeito Milcíades Mário de Sá Freire, o Viaduto ficou pronto. A obra fez parte de uma reforma geral realizada na Avenida Niemayer para receber o Rei Alberto, da Bélgica, que visitou o Brasil naquele ano. Algumas pistas da Avenida foram alargadas e asfaltadas e o elevado foi finalizado. A homenagem ao monarca, batizando o Viaduto com seu nome, foi feita no mesmo ano de 1920.
A chegada de Rei Alberto ao Brasil fez com que as autoridades realizassem muitas obras. A presença de um famoso monarca europeu no país era a chance que o governo brasileiro queria para promover nosso país no exterior.
Rei Alberto era conhecido como Rei-Herói, ou Rei-Soldado, fama conquistada durante a Primeira Guerra Mundial. O Rei chegou ao Brasil com sua esposa, a Rainha Elizabeth e os dois viram uma cidade um pouco melhor que a que os cariocas costumavam ver e viver, pois além das reformas na Niemayer, outras obras de infraestrutura foram feitas por boa parte do Rio de Janeiro. As famosas mudanças para inglês (no caso belga) ver.
Entretanto, o Rei gostou mesmo foi da natureza. Visitou o Pão de Açúcar mais de uma vez e tomou muitos banhos de mar em Copacabana: “Os banhos do rei eram demorados exercícios de natação. Alberto furava as ondas, dava braçadas vigorosas, nadava centenas de metros e de vez em quando ultrapassava os limites demarcados pelo serviço de salvamento. Certa vez, quando se afastou da costa, foi seguido por duas jovens nadadoras copacabanenses. Ao adverti-las de que era perigoso irem tão longe, teve como resposta que nada temiam, pois eram conhecedoras da praia desde pequenas. E ainda foi desafiado para uma competição – da qual saiu vencedor, é claro. Alberto, além de rei-soldado, era um rei sportman. Representava, junto com essas banhistas, um modo esportivo de ir ao banho, baseado na prática da natação, que concorria com o antigo hábito, justificado no discurso médico”, escreveu o historiador Paulo Francisco Donadio Baptista na Revista de História, em 2008.
Em 1933, um ano antes da morte de Rei Alberto, o Viaduto voltou a ter um destaque peculiar. Nesse ano, as corridas do Grande Prêmio de Automobilismo do Rio de Janeiro aconteciam a todo vapor na Avenida Niemayer e a área ao lado do elevado, na mureta de concreto que delimitava o espaço da pista, ficou conhecida como “Gruta da Imprensa”, porque os jornalistas que cobriam esses eventos automobilísticos se posicionavam, estrategicamente, por lá.
Possibilitando uma vista muito bonita do mar, não é incomum que pessoas encostem os carros nos canteiros do Viaduto para tirar algumas fotos ou para simplesmente admirar a beleza do mar. Alguns também para pescar, e em 1972 o viaduto teve sua primeira vítima famosa, o zagueiro Ari Ercílio, do Fluminense (com passagens por Internacional, Grêmio e Corinthians, além da Seleção), pescava nas pedras da Gruta da Imprensa quando caiu no mar e morreu afogado. Cinco anos depois, em 1977, foi encontrado o corpo de Claudia Lessin Rodrigues após ser brutalmente assassinada em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas.
As décadas, os carros e as ondas passaram e o Viaduto Rei Alberto se manteve e se mantém firme. O desejo de todo carioca é que a cidade tenham mais obras como a do Rei Alberto e menos como a da Ciclovia Tim Maia.
Nota do blog: Data não obtida / Crédito para Augusto Malta.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Santuário do Cristo Redentor / Atual Oratório do Morro da Providência, Início do Século XX, Rio de Janeiro, Brasil - Augusto Malta


 

Santuário do Cristo Redentor / Atual Oratório do Morro da Providência, Início do Século XX, Rio de Janeiro, Brasil - Augusto Malta
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia


Nota do blog: Por um milagre dos milagres milagrosos, essa construção histórica ainda existe, ainda que reformada completamente fora dos padrões originais. Porém, atualmente, é uma região inacessível para locais e turistas, estando em um território dominado pelo tráfico de drogas do Morro da Providência. Nem com "proteção divina" dá para ir no local. A chance de morte é mais que real. Abaixo fotos do estado atual da construção e do entorno, além de uma perspectiva feita pela Prefeitura do Rio de Janeiro de como ficará o local após futura revitalização. Notar que é uma perspectiva de computador criada à época da revitalização da cidade para as Olimpíadas Rio 2016, revitalização essa que, claro, não aconteceu. Faltou combinar e pedir "autorização" para os criminosos do local...






Abaixo um pouco de história e "mistérios" envolvendo o local, que é uma das coisas que esse blog mais gosta...rs. É impressionante como uma simples foto antiga tem assunto para mais de metro, uma verdadeira pena que o Brasil não preserva e conserva suas construções históricas.
Primeira parte: “Os mitos”:
O Oratório do Morro da Providência e o próprio morro estão envoltos em mitos. São eles:
1) A “lenda urbana” de que o oratório foi erguido pelos soldados retornados de Canudos em memória das almas dos colegas que tombaram no conflito. Daí também ser conhecido como Capela das Almas. Na cartilha do teleférico lemos que “a capela foi erguida em homenagem aos combatentes que não resistiram à Guerra de Canudos, na Bahia”. Não é verdade.
2) O mito de que os soldados retornados de Canudos iniciaram a ocupação do Morro, antes desabitado. Tampouco é verdade.
3) A mentira deslavada de que o morro recebeu esse nome porque os soldados, ante o descumprimento da promessa de receberem residências como prêmio pela vitória, tomaram a providência de ocupar o morro.
Segunda parte: “Os fatos”:
1) Quando fotografado por Augusto Malta no início do século XX (foto acima), o “Oratório do Morro da Providência” — situado na parte sudoeste do morro, tombado pela Prefeitura em 1986 e também conhecido por “Capela das Almas” — denominava-se Santuário do Cristo Redentor e em seu frontispício lia-se “A Jesus Christo” (a inscrição e a cruz superior se perderam). Depois da construção da estátua do Cristo no alto do Corcovado, o santuário ao pé dessa estátua recebeu esse mesmo nome. Uma placa no interior do Oratório indica que foi construído em 1900-1901.
O Oratório foi inaugurado no dia 1 de janeiro de 1901, o primeiro dia do século XX (uma explicação: assim como o século I foi do ano 1 ao 100, o século XIX foi de 1801 a 1900, o século XX começando em 1901; a comemoração do início do século XXI em 2000 foi um grande equívoco). Foi erguido com o objetivo explícito de comemorar a passagem do século, como mostram a foto abaixo da Revista da Semana de 6 de janeiro de 1901 e as notícias na imprensa da época.
Por exemplo, na pág. 2 da edição de 15 de dezembro de 1900 do semanário católico O Apóstolo, lemos (texto adaptado à ortografia atual): "Está quase concluído o monumento, a grandiosa Cruz que no Morro da Providência será erigida para comemorar a passagem do século e o amor deste povo a Jesus Cristo Redentor. Será bento e inaugurado a 31 do corrente pelo Ex. Rvm. Sr. Arcebispo. Nossos louvores a seus promotores." Já na pág. 2 da edição de 22 de dezembro do mesmo ano lemos: "A inauguração da Cruz, que como monumento em honra a Jesus Cristo se erguerá no Morro da Providência, se realizará no dia 1 de Janeiro, às 5 horas da tarde, sendo benta pelo Ex. Sr. Arcebispo D. Joaquim Arcoverde." Portanto, sobre a data da construção do Oratório não paira dúvida.
Está derrubado o mito de que o Oratório teria sido erigido em homenagem aos soldados tombados em Canudos. Na verdade, homenageou a mudança do século e a devoção a Jesus Cristo.
2) Outro mito que costumamos ouvir é que a ocupação do morro começou pelos soldados retornados de Canudos (1897). O mito cai por terra quando lemos em jornais e outras publicações anteriores menções a moradores e casas do Morro da Providência. Já existiam moradores lá havia tempos. Segundo Milton Teixeira, desde a época colonial.
O que os soldados criaram foi a favela. Aliás, os soldados mudaram o nome para Morro da Favela em alusão a um morro existente em Canudos, que aliás tinha esse nome devido a um arbusto, denominado "favela" ou "faveleiro", existente na região, como vemos em Os Sertões (ver Anexos ao final da postagem). Mais tarde o morro retomaria o nome original.
Na imprensa do século XIX encontramos fartas indicações de que o morro já era habitado bem antes da chegada dos soldados de Canudos e de que a denominação "Morro da Providência" é bem anterior à chegada desses soldados, derrubando assim também o terceiro mito.
O Diário do Rio de Janeiro de 30 de agosto de 1838 menciona a cobrança da décima urbana (espécie de IPTU) aos proprietários e inquilinos em vários logradouros, entre eles o Morro da Providência.
O Diário do Rio de Janeiro de 2 de abril de 1846 publicou esta nota:
Não se sabendo actualmente a residencia do Sr Antonio Luiz Machado que morou no morro da Providencia n 21 A, roga-se lhe que a declare porque uma pessoa lhe deseja fallar para negocio commum.
No Correio Mercantil de 30 de abril de 1848 encontramos esse retrato nada lisonjeiro do morro:
Tendo-se virado a atenção publica para o museu da rua da Providencia, ninguem se lembra de olhar para o morro da Providencia, ou antes da formiga [nome que tinha na época a vertente sul do morro], porque ali não há providencia de qualidade alguma, nem mesmo de luz, porque a illuminação é coisa que inda lá não chegou, patrulhas até ignorão a existência do morro, pedestres inda menos; entretanto em relação á pouca extensão já ha muito povoado, e os mal feitores e facinorosos tem ali um excellente asylo para se livrarem das pesquisas da polícia.
Na primeira página do Correio Mercantil de 21 de junho de 1856 lemos esta queixa:
Pedem-nos que chamemos a attenção da autoridade para a falta de asseio que ha na rua do Silva Manoel [atual André Cavalcanti] e para o morro da Providencia, onde mora muita gente, e onde não ha nem illuminação, nem agua, nem asseio, nem policia.
Em 19 de julho do ano seguinte o Correio Mercantil noticia a chegada da iluminação pública no Morro: O morro da Providencia não tinha lampeões, e pelo desvelo das autoridades competentes forão ultimamente alli postos para conforto e segurança de seus moradores.
Em 20 de março de 1860 esse mesmo jornal informa que "o morro da Providencia continua, em maior escala do que dantes, a servir de deposito de immundicias".
O Boletim do Ministério do Império de maio de 1861 cita um ofício ao inspetor geral das obras públicas solicitando um “parecer sobre a necessidade de abastecer de água potável o morro da Providência; propondo ao mesmo tempo os meios convenientes para levar-se a efeito semelhante medida”.
O Boletim da Câmara Municipal da Corte de 1863 cita à pág. 10 um requerimento para a construção de uma escada da rua do Sacco [Rua do Saco do Alferes, atual Rua da América] ao Morro da Providência:
O Sr. Dr. Monteiro dos Santos apresentou os seguintes pareceres:
"Sobre a informação do engenheiro ácerca do requerimento de alguns moradores e proprietarios do Morro da Providencia, pedindo permissão para fazerem gratuitamente no dito morro uma escada ou rampa para á rua do Sacco, sendo a obra inspeccionada pela directoria das obras municipaes: conformo-me com informação do engenheiro. Rio, 15 de maio de 1863. – Dr. Monteiro dos Santos."
– Foi approvado.
Notícia publicada na primeira página do Jornal do Brasil de terça-feira, 5 de setembro de 1873:
Baile a’ Navalha
Francisco Miguel do Nascimento dansava hontem alegremente num baile, no morro da Providencia.
Como nessas occasiões o sangue se esquenta e “o sangue é que faz mal ao corpo” o cunhado de Nascimento, de nome Josué José Gomes agrediu-o, dando-lhe tres navalhadas.
E o pobre homem passou do baile para a Misericordia.
Também em O Paiz encontramos indícios de ocupação pré-Canudos, por exemplo, na edição de 12 de setembro de 1885, na seção Annuncios, consta: "Aluga-se a casa do Morro da Providencia n. 23: está limpa; para tratar na rua do General Camara n. 365." E na pág. 2 da edição de 22 de novembro de 1885 lemos: "Juvencia Maria Rosa da Conceição, moradora em um casebre no morro da Providencia, estando ante-ontem, ás 5 horas da tarde, junto ao fogão, fazendo o jantar, foi presa pelas chammas, resultando ficar bastante queimada." E na edição de 22 de abril de 1886 de O Paiz, lemos:
O governo imperial, que tão solicito se tem mostrado em favorecer a construcção de casas e alojamentos para as classes operarias, concedendo ás emprezas que a isso se propõem os favores marcados em lei, não póde deixar de attender á reclamação que lhe fazem por este meio os moradores do morro da Providencia.
Reside neste logar grande numero de operarios e pessoas que trabalham por soldadas, não só pelo menor aluguel que ali pagam, como pela elevação do solo, que lhes dá presumpção de salubridade, mais do que lhes promettem os bairros baixos da cidade. Essas condições, infelizmente, são destruidas pela má distribuição da agua.
Estas notas & notícias da imprensa daquela época mostram que o morro já era habitado antes da vinda dos soldados de Canudos no final do séc. XIX.
3) O terceiro mito, de que o nome do morro se deve à providência tomada pelos soldados, as notícias da imprensa que acabamos de ver o desmentem. A menção mais antiga que achei ao Morro da Providência é a de 1938 supracitada. A análise de mapas antigos mostra que, até meados do século XIX, o que viria a ser o Morro da Providência era mostrado como fazendo parte do Morro do Livramento. Geograficamente falando, a Providência não é um morro separado, e sim um "cocoruto" no lado sudoeste do Livramento, tanto é que a Ladeira do Barroso que sobe o Morro do Livramento depois prossegue, por uma escadaria, Morro da Providência acima.
Terceira parte: “O mistério”:
A foto da Estação Marítima, de 1881, abaixo dá a impressão de que o Oratório já existia naquela época. Encontra-se na pág. 30 de Vistas Photographicas da Estrada de Ferro D. Pedro.
 

A impressão é tão forte que no Inventário de 2015 dos Monumentos do Rio de Janeiro publicado pela Prefeitura lemos que o oratório "já aparece tal qual numa fotografia de 1881, dezesseis anos antes daquela guerra fratricida [Guerra dos Canudos]." Só que vimos farta documentação comprovatória de que o oratório foi inaugurado na virada para o século XX. Como é possível um oratório construído em 1900 constar de uma foto de 1881?
Aumentando ainda mais o mistério, duas gravuras antigas, uma de Martinet de 1847 e a outra de Sisson de data desconhecida aparentemente também mostram o oratório!!!



O historiador amador G. J. Sá Barros tem uma teoria interessante para tentar dirimir esse mistério. Depois que o corsário francês Duguay-Trouin, comandando uma poderosa esquadra, aproveitando a névoa em 12 de setembro de 1711, penetrou na Baía da Guanabara, sem ser interceptado pelas duas fortalezas guarnecendo os dois lados da entrada da barra (Santa Cruz e São João, existentes até hoje), tratou de tomar de assalto a Ilha das Cobras (13/9) e depois desembarcou na Praia de São Diogo, aos pés do morro de mesmo nome, onde fica hoje o Viaduto dos Marinheiros, ocupando os morros da atual Zona Portuária. Neste detalhe de um mapa francês de 1711 sobre a captura do Rio de Janeiro vemos que o primeiro acampamento (Premier Campement) dos invasores foi nos morros de São Diogo, do Pinto (na época chamado de Morro de Paulo Caieiro, ou Cairô/Cairu), e o Morro do Livramento/Providência. O segundo acampamento (Second Camp) foi no Morro da Conceição.


A tese de G. J. Sá Barros é que o oratório erguido em 1900 mas que misteriosamente "já aparece em fotografias e gravuras anteriores" na verdade não foi construído do nada, mas aproveitou uma velha atalaia abandonada, remanescente dessa ocupação francesa dos morros ou construída logo depois na onda de fortificação da cidade em que se tentou "correr atrás do prejuízo" (da qual resultou a Fortaleza da Conceição). Diz Sá Barros: "Imagina aquele morro da Providência que é uma pedra inteira, ardendo no sol de primavera de um Rio de Janeiro com 40 graus? Ficaram dois meses os franceses aqui? Ali vigiando tudo sem um telhado no alto do morro ardente expostos ao sol (insolação) e pegando vento e chuvas? Ali surgiu uma atalaia?" O detalhe de um mapa de 1850 abaixo mostra o local da atalaia, futuro oratório, marcado com um quadradinho (sob a seta no meio do mapa).
A tese de G. J. é reforçada por esta informação do engenheiro militar Augusto Fausto de Sousa no artigo "Fortificações no Brasil", na página 11 do tomo 48, Parte II, da revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: "vê-se que existia uma multidão de baterias e fortins em todo o contorno desde a Gamboa até a Praia do Arpoador." É possível fazer download da revista no site do Instituto. 


Quarta parte: “Apêndice”:
Trecho de Brasil Gerson, História das ruas do Rio, quinta edição, p. 183
Ao regressarem das expedições contra Antônio Conselheiro, no fim do século passado [XIX], receberam os soldados do Coronel Moreira Cesar e do General Artur Oscar, alguns recursos para instalar-se em casa própria no Rio, e foi ali, nas abas da Providência, que eles o fizeram, e logo disseram que ela era a sua “favela” carioca, numa alusão ao morro do sertão baiano de onde a artilharia legalista bombardeava o reduto daqueles jagunços místicos... E o nome, popularizando-se, ficou sendo também dos nossos demais conglomerados humanos semelhantes para, afinal, figurar depois no dicionário como um novo brasileirismo, bem típico dos tempos modernos, nas nossas atravancadas metrópoles.
Trechos de Euclides da Cunha, Os Sertões, Editora Nova Cultural, págs. 23-4, 31, 37
Todas traçam, afinal, elíptica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de Canudos[.]
Galgava o topo da Favela. Volvia em volta o olhar, para abranger de um lance o conjunto da terra.
Do topo da Favela, se a prumo dardejava o Sol e a atmosfera estagnada imobilizava a natureza em torno, atentando-se para os descampados, ao longe, não se distinguia o solo.
As favelas, anônimas ainda na ciência — ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus — talvez um futuro gênero cauterium das leguminosas, têm, nas folhas de células alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação, absorção e defesa.
Texto do blog “Literatura, Rio de Janeiro & São Paulo”, adaptado por mim. Mantida a grafia da época em várias passagens do texto.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O Desmonte do Morro do Castelo, Rio de Janeiro, Brasil - Artigo


O Desmonte do Morro do Castelo, Rio de Janeiro, Brasil - Artigo
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Em 2020, completam-se 100 anos do início da reforma urbana, implementada pelo prefeito Carlos Sampaio (1920-1922), responsável pelo desmonte total do Morro do Castelo. Ao assumir a prefeitura do Distrito Federal, em 1920, Carlos Sampaio deu continuidade à reforma iniciada por Pereira Passos, alguns anos antes, e, sob a égide da modernidade, assinou o decreto que deliberou o arrasamento do morro. A cidade preparava-se para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922, e no espaço antes ocupado pelo Morro do Castelo ficariam instalados os pavilhões e os palácios da exposição, representando a busca pelo ideal moderno em contraposição ao que era considerado o atraso.
Desde meados do século XIX, o Rio de Janeiro enfrentava vários problemas urbanos, como a precariedade de habitações, problemas de abastecimento de água e saneamento, além das epidemias que assolavam a população. A reforma urbana do então prefeito Pereira Passos (1902-1906), nomeado pelo presidente Rodrigues Alves (1902-1906), pretendia modernizar e embelezar a capital, modificando a imagem que se tinha do país no exterior. Imbuída de uma visão higienista, a reforma ampliaria as ruas para uma maior circulação dos ventos e poria fim às habitações populares, consideradas insalubres, como medidas de saneamento e de prevenção de doenças, dentre outras medidas. A remodelação urbana era inspirada na reforma realizada pelo barão Georges-Eugène Haussmann, em Paris, no século XIX, com a construção de largas avenidas, e mudaria completamente a fisionomia da cidade. Um dos símbolos da reforma foi a inauguração da avenida Central (atual Rio Branco), em 1905. Um ano antes, ocorria a primeira demolição de parte do Morro do Castelo, passando a ter como limites os fundos da Biblioteca Nacional e a Escola de Belas Artes. Um dado curioso, na ocasião das obras de abertura da avenida Central, foi a descoberta de uma galeria, pela qual se chegaria a túneis subterrâneos, onde os jesuítas teriam escondido suas riquezas, ao serem expulsos por Marques de Pombal, em 1759, ajudando a alimentar uma crença, que existia há séculos, no imaginário dos habitantes da cidade. Por conta desses rumores, inclusive, causava certo temor à população a possibilidade de demolição do morro, minando a esperança de encontrar algumas dessas riquezas.
Representando o passado colonial do Rio de Janeiro, o Morro do Castelo faz parte da história de fundação da cidade. Foi onde se estabeleceram seus primeiros habitantes e governadores. Era onde estava a sede de sua primeira catedral, São Sebastião e a sepultura de Estácio de Sá. Entretanto, a partir do século XVIII, criou-se a ideia de que o Morro do Castelo era um empecilho para o crescimento urbano e o combate às epidemias, já que se acreditava que o morro dificultaria a circulação de ar e manteria os miasmas – emanações a que se atribuía a contaminação de doenças infecciosas e epidêmicas. No século XIX, havia outros planos de arrasamento do Morro do Castelo. Porém, foi somente no início do século XX que o desmonte seria concretizado. A segunda e definitiva demolição se iniciou em 1921 e se estendeu até 1922, tendo sido amplamente debatida por políticos e intelectuais da época.
Havia muitas controvérsias sobre o desmonte do Morro do Castelo, alguns se valiam dos argumentos da falta de higiene e do atraso que representava, e que devia acabar porque desfigurava a cidade carioca. Para outros, significava a destruição da própria memória da cidade. Um dos críticos de seu desmonte foi o escritor Lima Barreto, que escreveu um artigo, na revista Careta, de 28 de agosto de 1920, intitulado Megalomania, no qual chamava atenção para o descaso com a precariedade das habitações da população mais pobre, considerando que, por consequência, deixaria milhões de desabrigados. Havia ainda aqueles que questionavam o contrato firmado com a empresa para a execução do desmonte, que atendia a interesses particulares. A ânsia pela modernidade calou as vozes dissonantes e o morro foi por água abaixo literalmente, destruído por um sistema moderno, à época: os jatos d’água, restando apenas os registros de fotógrafos que testemunharam o arrasamento do morro, sobretudo Augusto Malta, fotógrafo oficial da prefeitura da cidade entre 1903 e 1936, que, por meio de suas lentes, capturou as mudanças do espaço urbano da capital, no início do século XX. Texto da Biblioteca Nacional.
Nota do blog 1: A imagem do post é de Augusto Malta, denominada "vista tomada do p. de festas".
Nota do blog 2: Data 15/04/1922 / Autoria de Augusto Malta.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Avenida Atlântica, 1926, Rio de Janeiro, Brasil



Avenida Atlântica, 1926, Rio de Janeiro, Brasil 
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Ao fundo, vemos o Copacabana Palace.
Nota do blog: Data 1926 / Fotografia de Augusto Malta.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019