sábado, 23 de maio de 2020

Basílica Giulia, Fórum Romano, Roma, Itália


Basílica Giulia, Fórum Romano, Roma, Itália
Roma - Itália
Fotografia - Cartão Postal

Basílica Giulia era uma basílica civil que ficava no Fórum Romano. Era um grande edifício público utilizado para encontros políticos e outros negócios oficiais durante os primeiros anos do Império Romano e atualmente restam apenas ruínas, principalmente as fundações, o piso, um pequeno canto no fundo com uns poucos arcos que era parte tanto do edifício original quanto das reconstruções posteriores e uma única coluna da primeira fase do edifício.
A Basílica Júlia foi construída no local onde ficava a mais antiga Basílica Semprônia (170 a.C.), ao longo da lateral sul do Fórum, em oposição à Basílica Emília. O edifício foi inaugurado em 46 a.C. por Júlio César, que financiou a obra utilizando o butim amealhado durante as Guerras Gálicas, mas a obra só terminou no reinado de Augusto, que batizou a basílica em homenagem a ele, que era seu pai adotivo.
O edifício foi praticamente destruído logo depois de ter sido inaugurado, mas foi restaurado e reinaugurado em 12 d.C.. Em 283, depois de um outro incêndio, o imperador Diocleciano o restaurou novamente.
A Basílica Júlia abrigava as cortes de direito civil e tabernas (lojas) e provia espaços para assuntos oficiais e para atividades bancárias. No século I, ela também foi utilizada para abrigar as sessões dos centúviros ("Corte dos Cem"), que tratava de assuntos relacionados a heranças. Em suas "Epístolas", Plínio, o Jovem, descreve uma situação na qual ele defendeu uma senhora de status senatorial cujo pai, de mais de oitenta anos, a deserdou dez dias antes de se casar novamente. O edifício era o local de encontro preferido dos romanos e no piso do pórtico estão ainda hoje rasuras de tabuleiros de jogos inscritos no mármore branco. Uma pedra, originária do segundo andar do lado de frente para a Cúria Júlia, está gravada uma grade de oito por oito que servia de tabuleiro para um destes jogos.
O edifício foi parcialmente destruído durante o saque de Roma por Alarico (410) e se arruinou daí em diante. Uma parte da basílica foi transformada numa igreja no século VII ou VIII. Atualmente, o local é pouco mais do que uma área retangular nivelada e elevada cerca de um metro acima do nível da rua, com blocos jogados de rocha no interior. Uma fileira de degraus de mármore segue por toda a lateral da basílica de frente para a Via Sacra e há também um acesso a partir de um lance mais alto de escadas (por causa do nível mais baixo da rua) na extremidade perto do Templo de Castor e Pólux.
O local foi escavado por Pietro Rosa em 1850, que reconstruiu uma única coluna de mármore e seus suportes em travertino. Em 1852, segmentos de concreto da abóbada com o revestimento em estuque foi recuperado, mas acabou destruído em 1872.

Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil


Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia - Cartão Postal

Fotografia de Propaganda da Segunda Guerra, "Lutamos pela Democracia, Honra e Liberdade", 1942, Brasil


Fotografia de Propaganda da Segunda Guerra, "Lutamos pela Democracia, Honra e Liberdade", 1942, Brasil
Propaganda de guerra - Brasil
Fotografia

Nota do blog: Imagens de Roosevelt, Vargas e Churchill.

Vista Geral das Cascatas dell'Aniene, Tivoli, Itália


Vista Geral das Cascatas dell'Aniene, Tivoli, Itália
Tivoli - Itália
N. 347
Fotografia - Cartão Postal

Cascata dell'Aniene is an impressive waterfall near Tivoli in the middle of Italy.
The river Aniene drops down over 160 meter with an average volume of 35m3/sec, which makes this a great waterfall to see. A must to visit. Cascata dell’Aniene is visible from the roadside in Palombarese.
Cascata dell’Aniene is fed by the river Aniene (in Latin Anio, formerly called Teverone) is a 99 kilometer river in the region Lazio. It originates in the mountains at Trevi nel Lazio and flows westward past Subiaco, Vicovaro, and Tivoli into the Tiber. In antiquity, most of the Roman aqueducts had their sources either at the Aniene or the streams flowing into it.
The main attraction near the waterfall is villa Gregoriana. Villa Gregoriana is a park/garden located at the feet of the city’s ancient acropolis was commissioned by Pope Gregory XVI in 1835 to rebuild the bed of the Aniene River, which had been damaged by the flood of 1826. Since ancient times, the river formed a wide curve around the acropolis, after which it fell from a limestone’s spur into the plain below. The river formed originally four falls, now reduced to two. The site had a strategical importance since it commanded the transumanza path from Abruzzo along the path which later become the Via Valeria. The Romans had already built here hydraulic manufacts, 12 of which are known by findings today.
The Aniene valley and Villa Gregoriana in Tivoli is on the world heritage list of Unesco.

Graf Zeppelin Sobrevoando a Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil


Graf Zeppelin Sobrevoando a Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia

Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil


Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia - Cartão Postal

Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil



Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Edicard
Fotografia - Cartão Postal


O Parque Farroupilha, mais conhecido como Parque da Redenção ou simplesmente por Redenção, é o parque mais tradicional e popular da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul.
É um local visitado por muitos porto-alegrenses nas horas de descanso, seja para praticar esportes, tomar sol ou confraternizar tomando chimarrão com a família e amigos. O perímetro do parque é definido pelas ruas Setembrina e Luís Englert e as avenidas Oswaldo Aranha, João Pessoa e José Bonifácio.
O local onde hoje está o parque antigamente era a chamada Várzea do Portão, uma grande planície alagadiça próxima do antigo portão da Vila de Porto Alegre. Em 23 de fevereiro de 1807 a Câmara Municipal solicitou ao então governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, almirante Paulo José da Silva Gama, barão de Bagé, que fizesse a doação da Várzea para ser usada como logradouro público, bem como uma área de concentração para os rebanhos de gado trazidos para abastecimento local. Contudo, sua medição efetiva só seria realizada entre 1820 e 1825.
Em 1826 uma tentativa de loteamento foi impedida pelo imperador dom Pedro I, amparado pela cláusula de doação que exigia autorização expressa do imperador para qualquer alienação. Não obstante, mais tarde a Várzea sofreu várias outras tentativas de parcelamento e alteração de seus objetivos primários, que sempre foram obstadas pelo poder público.
Durante a Revolução Farroupilha a área ficou do lado de fora das fortificações da cidade, e após o conflito uma inspeção da Câmara verificou diversas irregularidades, como cercas avançando seu território e uma chácara construída em seu centro, obras que receberam ordem de demolição imediata. Nos anos seguintes o próprio governo provincial e outros particulares tentaram fracionar o terreno para dar-lhe outros usos, sempre encontrando oposição da vereança. Em 1870 a Várzea recebeu sua primeira denominação oficial, passando a se chamar Campo do Bonfim, em vista da construção da Capela do Bonfim em seu limite norte. Houve ainda posteriores ameaças à integridade da área, geralmente frustradas, mas em 1872 o Presidente da Província autorizou a construção de um quartel militar no seu limite sudeste, a origem do atual Colégio Militar de Porto Alegre. Com o progresso da urbanização no entorno passaram a se tornar importantes considerações de ordem sanitária. Ainda sujeito a alagamentos ocasionais, o local também foi usado como área de secagem de couros, ponto de reunião de carretas e de depósito do lixo urbano até meados de 1890, a despeito de pareceres contrários da Junta de Higiene da Província.
Em 1884 o logradouro teve seu nome alterado para Campos da Redenção, comemorando a precoce abolição da escravatura na cidade. Nesta época o parque já estava rodeado de edificações por todos os lados, e em 1889 o intendente José Montaury teve a ideia de abrir alamedas em seu interior para um melhor ajardinamento, ao mesmo tempo em que tencionava vender áreas excedentes para custear as reformas, o que só veio a se concretizar mais tarde. Entretanto, uma grande parcela do parque foi ajardinada e embelezada por ocasião da grande Exposição Estadual de 1901, que ensejou a construção de um circo de touradas, uma pista de corridas de cavalos e o velódromo da União Velocipédica, estruturas que não sobreviveram por muito tempo. Outra fração fora já cedida em 1900 para a construção da Escola de Engenharia, e em 1911 foram postos a leilão diversos terrenos no lado sul. Um pouco mais tarde uma grande área foi perdida para a construção dos prédios de outras escolas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do antigo Colégio Júlio de Castilhos, concentrados no lado noroeste.
Em 1914 João Moreira Maciel, arquiteto da Intendência, elaborou um Plano de Melhoramentos e Embelezamento da Capital, prevendo para o parque uma divisão em nove quarteirões. Em 1927 iniciou-se o efetivo ajardinamento dos Campos da Redenção, com a implantação do Jardim Paulo Gama ao norte e a proibição da parada de carretas e rebanhos em 1928. Nos preparativos para a Exposição do Centenário da Farroupilha em 1935 toda a parte sul foi drenada, nivelada e urbanizada, seguindo um projeto do urbanista francês Alfred Agache. Neste ano sua denominação foi alterada para Parque Farroupilha, que se mantém até hoje. Ao mesmo tempo, o parque perdeu nova fração com a construção do Instituto de Educação General Flores da Cunha junto à avenida Oswaldo Aranha.
Em 1939 foram construídos o espelho d’água no eixo central e foi dada continuidade ao ajardinamento do parque. Os recantos Jardim Alpino, Jardim Europeu e Jardim Oriental foram implantados em 1941 por Arnaldo Gladosch. Após a grande enchente de 1941 foi criado um recanto que recebeu o antigo chafariz francês de ferro fundido, que estava instalado na Praça Pereira Parobé, e que antes já havia estado na Praça XV de Novembro. Em 1953 foi inaugurado o Monumento ao Expedicionário, obra do escultor Antônio Caringi, e em 1964, o novo Auditório Araújo Viana, projeto de Moacir Moojen Marques e Carlos Maximiliano Fayet.
Desde então o conjunto não cessou de ser ajardinado e urbanizado, mas os jardins perderam outros fragmentos para dar lugar a postos de gasolina e a um parque de diversões, um minizoo e um complexo desportivo. Dos 69 hectares originais do parque, hoje restam 35,7 ha, possuindo 45 monumentos em seu interior. Aos domingos realiza-se no parque o tradicional Brique da Redenção, com inúmeras bancas que vendem artesanato, alimentos e antiguidades. O Parque Farroupilha foi tombado em 3 de janeiro de 1997 pelo município de Porto Alegre. O local é comumente um palco para manifestações populares.

Fonte Francesa / Chafariz Imperial, Parque Farroupilha, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil



Fonte Francesa / Chafariz Imperial, Parque Farroupilha, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia

A Fonte Francesa, também conhecida por Chafariz Imperial, é um chafariz de ferro fundido localizado no Parque Farroupilha, principal parque público da cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil. Criado pelo escultor Carrier-Belleuse e datado de 1866, foi fabricado na França e importado para Porto Alegre juntamente com outros seis chafarizes. Com o desaparecimento sem explicação dos outros chafarizes no final do século XIX, a Fonte Francesa se tornou o único remanescente daquele período que permanece até os dias de hoje. Originalmente se encontrava na Praça da Alfândega, em frente ao antigo prédio da Alfândega, sendo transferido posteriormente para a Praça Paraíso (atual Praça XV de Novembro), permanecendo até 1925, quando novamente viria a mudar de lugar, agora para a Praça Pereira Parobé, uma praça que existia ao lado do Mercado Público de Porto Alegre, onde hoje existe o Terminal de Ônibus Pereira Parobé. Depois da enchente de 1941, foi transferido para seu lugar atual, no Recanto Europeu do Parque Farroupilha.
A fonte constitui um dos dois espaços que formam o Recanto Europeu, lugar que simula de modo singelo um jardim europeu, sendo o outro espaço o Pergolado Romano. Formada por duas bacias principais, a fonte se ergue no mais belo estilo neoclássico francês. De uma pinha ovalada no topo do conjunto, a água sai da boca de quatro pequenas bicas no formato de caras de leão e deságua na bacia superior da fonte, esta arredondada e possuindo oito bicas no formato de pequenas rosas de onde a água cai dando um belo toque às esculturas abaixo. Trata-se de três crianças com traços delicados e poses elegantes. Estão em suave movimento, cada uma com sua própria expressão e bem próximas umas das outras a ponto de não se poder ver a coluna que sustenta a fonte. Suas faces parecem demonstrar calma ou reflexão, até mesmo contemplação. Abaixo delas está a bacia principal da fonte. Esta é grande e possui bicas que são rostos com expressões de raiva adornados com ramos de caniços, entre outras plantas, e pelas suas bocas a água cai finalmente na base da fonte, feita de cimento ornado com rostos. Abaixo desta bacia existem quatro grandes caras de leão ricamente ornadas nos lados por volutas e ramos, por onde a água também sai de suas bocas, passando por duas quedas antes de cair na base da fonte. Pequenas quedas d'água onduladas e um percurso com pontes e escadas circundam toda a fonte, fato que associado a canteiros floridos, plantas topiadas e palmeiras-da-califórnia criam uma clareira no parque, causando grande impacto visual às pessoas que visitam o Recanto. Devido a sua história e beleza, a Fonte Francesa foi um dos muitos motivos que levaram ao tombamento do Parque Farroupilha pelo município em 3 de janeiro de 1997, sob o registo nº 45.

Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, 1970, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil


Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, 1970, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia - Cartão Postal



O Parque Farroupilha já teve vários nomes: Várzea do Portão, Potreiro da Várzea, Campos da Várzea, Campos do Bom Fim, Redenção, e já foi só uma área alagadiça e periférica de Porto Alegre. É a área de lazer mais antiga da cidade e foi constituída previamente a um traçado de parque. Sabe-se que no início do século XIX essa área foi ocupada pelos carreteiros que vinham do interior e ali acampavam aguardando a entrega do gado aos matadouros próximos. Também há notícias de realização de rituais de escravos no local. No final do século XIX, na várzea que originaria o parque, já se instalara um circo de touradas e um velódromo, na época, as maiores diversões da população porto-alegrense.
A área da várzea já teve originalmente 69 hectares, quando era apenas um espaço residual da cidade. Hoje o parque ocupa 37 hectares e continua mantendo o status de uma das mais importantes áreas verdes da capital. Está localizado junto ao centro de Porto Alegre entre os bairros da Cidade Baixa e Bom Fim e a sua topografia praticamente plana, é resultante dos sucessivos aterros realizados para cobrir essa área alagadiça.
Atualmente o Parque Farroupilha possui uma forma trapezoidal definida pela malha urbana, com limites constituídos por grandes ruas e avenidas de intenso tráfego. Cada uma das bordas do parque tem sua característica própria, sendo todas elas mais ou menos permeáveis ao entorno urbano. Ora são bastante largas e desprovidas de arborização, ora apresentam-se estreitas e densamente arborizadas, com vias internas que isolam os usuários da cidade.
A história do parque foi marcada por uma série de circunstâncias favoráveis que concorreram para a sua aparição. A primeira iniciativa importante para definição da área que acabaria gerando o parque remonta ao ano de 1776, através de um alvará de D. Pedro I, que proibia a alienação da área sem sua autorização prévia.
A referência mais antiga de um plano para a área é do viajante Arsène Isabelle, que fala da transformação da planície em um jardim botânico, com um museu.
Quanto ao seu traçado, o parque foi foco de uma série de intervenções e projetos que a cada dia o transformaram mais. O primeiro projeto de ajardinamento parcial da área atual do parque, ocorreu por ocasião da Exposição Estadual de 1901. Posteriormente, no Plano Geral de Melhoramentos para a cidade, em 1914, Moreira Maciel retalhou a área do parque em nove quarteirões prolongando as vias de tráfego no seu interior.
Em 1930, Alfred H. D. Agache definiria a proposta mais relevante para o parque a partir da qual derivariam os traçados posteriores, inclusive o atual. O anteprojeto de Agache, partia de uma estrutura rígida de eixos à qual se contrapunham formas sinuosas periféricas. Esse novo traçado desfazia o retalhamento do campo proposto por Maciel e tomava como diretriz o seu eixo monumental.
Em 1935, o anteprojeto de Agache, foi adaptado e parcialmente implantado pelo arquiteto municipal Christiano de La Paix Gelbert, para dispor os pavilhões da Exposição do Centenário Farroupilha. Essa era a maior exposição que Porto Alegre via em toda a sua história e os acontecimentos que ali se desenrolaram marcaram época, influenciando a arquitetura da cidade. Fora precedida pelas exposições Riograndense (1866), Brasileira-alemã (1881) e Estadual (1901).
Das obras executadas para a Exposição, hoje restam o pequeno belvedere, o embarcadouro e o Instituto de Educação, que foi o pavilhão cultural da exposição. O Pavilhão do Pará permaneceu no parque até 1970, como sede da Divisão de Praças e Jardins, quando um incêndio destruiu uma das suas alas e junto com ela preciosa documentação sobre o parque. Os outros pavilhões, todos em art-déco, e construídos em estuque, foram desmontados quatro meses após o início do evento. Com a desmontagem da exposição, o parque já estava praticamente implantado, só faltando completar o desenho proposto por Agache, que servira de base para o plano da Exposição. Em 1940, ao detalhar o projeto de Agache, o arquiteto Arnaldo Gladosch sobrepôs a ele alguns recantos e jardins, alterando o plano original.
Posteriormente à implantação dos recantos, três obras importantes são realizadas no parque. A primeira delas foi o Arco Duplo (Monumento ao Expedicionário) fruto de um concurso vencido pelo artista plástico Antônio Caringi. Esse arco, inaugurado em 1953, já foi alvo de piada na época. Carneiro comentaria que aquela proposta acadêmica e historicamente equivocada de Caringi transformou-se num arco do triunfo de duas portas! Único no mundo! Arcos de triunfo têm uma só porta ou então três. Inovar aí é o mesmo que fazer “soutiens” com três portas seios!”
A segunda obra foi o Auditório Araújo Vianna, dos arquitetos Moacir Moojen Marques e Carlos Maximiliano Fayet, inaugurado em 1964. Inicialmente planejado para comportar atividades ao ar livre, esse auditório recebeu uma cobertura de lona em 1996. Finalmente, no corrente ano, o parque recebeu o novo Mercado do Bom Fim, reconstruído segundo anteprojeto de Otacílio Rosa Ribeiro que resgatou os seus usos anteriores: bares e floriculturas.
Atualmente dois níveis de organização configuram o traçado do parque: um global e outro particular. O global é definido a partir de uma visão telescópica do espaço, que através de uma contundente estrutura – constituída basicamente de caminhos, vegetação e água – vai se abrindo e ocupando o território. A esse eixo agregam-se pontualmente: um lago e os recantos europeu, oriental, alpino, solar, e o roseiral, configurando o seu nível de organização particular. Pitoresco é uma palavra chave para entender esses recantos. Como num primeiro momento do jardim paisagista inglês, os recantos desse parque são pensados como cenários e integram elementos que surpreendem pela sua raridade e exotismo.
Esses dois níveis de organização da área possibilitaram que o parque fosse transformado pontualmente ao longo dos anos, sem, no entanto, alterá-lo como um todo. Essa dupla entrada também possibilitou o convívio de dois estilos paisagísticos no parque; o do jardim francês e o paisagista inglês (nos seus inícios), ambos preocupados em definir um cenário à imagem e semelhança do homem e da natureza idealizada, respectivamente.
À complexidade do traçado da área agrega-se aquela inerente ao uso e apropriação do parque pela população. Observam-se por exemplo, momentos claramente diferenciados de uso do parque. Em dias de semana ocorre um uso menor e concentrado nas áreas livres e abertas em detrimento das zonas densamente arborizadas, que se transformam em espaços desertos, cegos das suas possibilidades. À noite o parque também tem uma ocupação relevante através dos bares, encontros, prostituição masculina, entre outros. Isso acaba gerando a frequentação e uso ininterrupto da área durante 24 horas diárias.
Nos fins de semana, o parque é ocupado em toda sua extensão ao transformar-se num grande palco de manifestações culturais, sociais e políticas, atingindo seu ponto alto de frequentação. Seu uso de fim de semana também está estreitamente vinculado à Feira Ecológica e ao Brique da Redenção (feira de antiguidades) que se realizam junto a uma das suas bordas (Avenida José Bonifácio). Qual o morador ou turista que não passou aos domingos pelo Brique da Redenção? A imagem desse tradicional evento, já consolidada na memória da cidade e seu vínculo indissociável com o parque nos remetem, guardadas as diferentes especificidades dos parques e praças bem como suas distâncias temporais, aos escritos de Segawa:
“A praça é um espaço ancestral que se confunde com a própria origem do urbano (...) a cultura popular não oficial dispunha na idade média e, ainda durante o renascimento de um território próprio: a praça pública, e de uma data: os dias de festa e de feira.”
Se os jardins públicos, comparados com as praças, normalmente expressaram as ideias das camadas sociais dominantes, pode também, que na sua origem, as distintas intervenções realizadas no Parque Farroupilha, seguindo o lugar comum da história dos jardins, buscassem expressar as ideias das classes sociais dominantes, com a consequente exclusão daquelas camadas sociais de baixa renda. Hoje, no entanto, o parque é frequentado por todas classes sociais.
Além disso, as sobreposições de projetos e o fato de se constituir um fragmento de outra época inserido no tecido urbano de Porto Alegre, são contornados brilhantemente pelos seus usuários, que interagem com esse espaço adaptando-o às suas necessidades. Nesse sentido, os usos e atividades geradas no parque, independentemente das barreiras impostas pelo seu traçado, desenvolvem-se de maneira aleatória e independente, ocasionando atuações inesperadas. Isso reaproxima o parque às suas origens, quando a população realizava atividades espontâneas na várzea. Também informa ao projeto que o homem segue sendo parte fundamental da criação e, principalmente, da apropriação da paisagem. Texto de Luiz Fernando da Luz e Ana Rosa de Oliveira.



Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil


Parque Farroupilha / Parque da Redenção / Redenção, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia

Doado à cidade em 24 de outubro de 1807 pelo governador Paulo José da Silva Gama, o local foi inicialmente chamado de Potreiro da Várzea ou Campos da Várzea do Portão, passando mais tarde a denominar-se Campos do Bom Fim, devido à proximidade da Igreja do Nosso Senhor do Bom Fim (1867) e das festas que ali se realizavam.
Em 9 de setembro de 1884, a Câmara propôs que o parque passasse a ser denominado de Campos de Redenção, em homenagem à libertação dos escravos do terceiro distrito da Capital. O primeiro ajardinamento ocorreu em 1901, quando já existiam na área do parque a Escola Militar (1872) e a Escola de Engenharia (1896).
Com a Exposição Comemorativa do Centenário da Revolução Farroupilha, em 1935, o parque tornou-se Parque Farroupilha, pois o evento transitório efetivou a ocupação total deste espaço. No dia 19 de setembro de 1935, Campos da Redenção recebeu a denominação de Parque Farroupilha, por meio do Decreto Municipal 307/3.
Os recantos Jardim Alpino, Jardim Europeu e Jardim Oriental foram implantados em 1941. Em 1978 foi criado o Brique da Redenção e em 1997 efetuado o tombamento do parque como patrimônio histórico, cultural, natural e paisagístico de Porto Alegre.
No local, existem várias opções de lazer, como o parque de diversões, os passeios de trenzinho e pedalinhos, o Mercado do Bom Fim (onde há lojas de conveniências e lancherias),  a Feira Ecológica (aos sábados pela manhã).
Além de  diversos recantos, como Orquidário, Recanto Alpino, Recanto Oriental,  Recanto Europeu, Solar, Fonte Luminosa, Espelho d’água e Auditório Araújo Viana, o parque conta ainda com 38 monumentos, com destaque para o Monumento ao Expedicionário.
Há cerca de 10.000 árvores, de espécies como chal-chal, pitangueira, paineira, tipuana, cocão, palmeira da califórnia, grinalda de noiva, jacarandá, ipê-roxo e cipreste.