sábado, 30 de julho de 2022

Grupo Escolar Santos Dumont / Atual Escola Estadual Santos Dumont, Penha de França, São Paulo, Brasil
















Grupo Escolar Santos Dumont / Atual Escola Estadual Santos Dumont, Penha de França, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia



Quando se pensa em escola notamos o quão grandioso são os números do ensino nas instituições escolares públicas de São Paulo. De acordo com os dados do Censo Escolar do Governo Paulista, 3.5 milhões de alunos frequentam as mais de cinco mil escolas estaduais. São muitas crianças e adolescentes com pleno acesso à educação, entretanto nem sempre foi assim.
No início do século 20 não havia tantas escolas públicas e o ensino era muito deficiente. Para se ter uma ideia, a taxa de analfabetismo no Brasil em 1910 era de 76,1% da população. E foi nesta década de 1910 que começou aqui em São Paulo uma expansão do ensino, com a construção de inúmeras novas escolas, visando diminuir o triste índice de analfabetismo da época.
Corria o ano de 1913, durante o mandato do então governador Rodrigues Alves (1912-1916), quando se decidiu por instalar a primeira escola pública do tradicional bairro paulistano de Penha de França.
A capital não parava de crescer e seus bairros estavam cada vez mais populosos. Mesmo uma região distante do centro como a Penha, nos então chamados arrabaldes, recebia uma leva muito grande de imigrantes, principalmente pelo fato de na região ainda haver muita terra para plantio e pasto. Se hoje é rápido chegar ao bairro com Metrô ou ônibus e através de largas avenidas como a Radial Leste, naqueles tempos tinhámos apenas o bonde, carroças ou trem a vapor.
Assim se fazia necessário a construção de uma escola pública na região para comportar o volume de alunos novos que por ali estavam chegando e para a já existente população do bairro, carente de um ensino decente.
E foi em 24 de setembro de 1913 que se inaugurou o Grupo Escolar Santos Dumont, cuja existência perdura até os dias atuais. Projetado por Hércules Beccari, arquiteto de várias escolas estaduais, o grupo escolar foi uma verdadeira revolução para a pacata Penha de França, bairro que até hoje tem ares de uma cidade à parte, como um retrato do interior paulista dentro da capital.
O local escolhido para erguer a nova escola não poderia ter sido melhor: o coração do bairro, na então Praça Bernardino de Campos, posteriormente, em 1915, rebatizada para Praça 8 de Setembro em homenagem à padroeira do bairro Nossa Senhora da Penha.
Construída em estilo clássico, tem em seu frontão altas e luminosas janelas que dão vista para a referida praça e para a lateral da escola, tem um pé direito muito alto, característico das construções da época, o que combinado com as amplas janelas permite uma farta iluminação natural, algo fundamental naquela época em que a eletricidade ainda não era tão eficiente longe da região central.
Toda sua construção foi feita em alvenaria de tijolos e o prédio tem uma linguagem arquitetônica própria, pois foi erguido em um período em que as escolas não eram padronizadas, tempo que encontravam escolas estaduais bem diferenciadas uma das outras em estilo. Na lateral da escola, hoje ocupada por um estacionamento de veículos, existia um grande jardim e uma horta mantidos por estudantes e professores. Ao fundo existiam oficinas dedicadas à marcenaria e alvenaria. Outro destaque construtivo da escola são os portões e gradis em estilo art déco.
Falando do ensino, a escola – cujo primeiro diretor foi o normalista Galdino Lopes Chaves – seguia o padrão da época onde mesmo recebendo educação básica iguais, meninos e meninas estudavam em turmas separadas, sem classes mistas e com alguns cursos diferentes entre os gêneros, como carpintaria, alvenaria e horticultura para os meninos, e corte e costura, jardinagem e culinária e para as meninas.
Com capacidade à época para 585 alunos, o Grupo Escolar Santos Dumont operava em dois períodos e com 13 classes.
O prédio por sua relevância arquitetônica na história das escolas paulistas foi tombado como patrimônio histórico em 2010. No alto de seus 109 anos de trajetória a escola permanece funcionando e está muito bem preservada. Seu nome atual é Escola Estadual Santos Dumont e oferece ensino fundamental (da 1ª a 4ª série) e ensino especial.
A relação dos penhenses com o bairro, proporciona um fato que é raro em outras regiões da cidade: são três, quatro gerações da mesma família tendo a oportunidade de estudar na mesma escola, ainda no mesmo prédio de mais de um século. São bisavós, avós, filhos e netos utilizando-se da mesma estrutura educacional. Texto de D. Nascimento.
Nota do blog: O prédio, extremamente bem cuidado conforme as imagens, é uma bela e rara exceção do padrão atual, péssimo estado e degrado, das escolas públicas de São Paulo.

Capela de Santa Cruz de Pirituba, São Paulo, Brasil

 



Capela de Santa Cruz de Pirituba, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia


Em todas as regiões desta imensidão que é a cidade de São Paulo podemos encontrar alguma capela, além das tradicionais igrejas de bairro. São pequenas construções geralmente erguidas por populares em regiões outrora carentes de paróquias próximas ou mesmo construídas por pessoas que se consideraram atendidas por alguma graça ou milagre. Hoje apresento aqui uma dessas tantas capelinhas paulistanas.
Localizada na zona norte da capital paulista, na região de Pirituba, a Capela Santa Cruz de Pirituba é uma pequena construção católica construída no século 19 e que mesmo sem muitas atividades, resiste até os dias atuais. Sua localização exata é num vale da região, em uma travessa sem nome da Rua Stéfano Mauser, exatamente em um caminho que liga esta via até a Fundação Casa de Pirituba.
A área pertenceu no passado a grande Fazenda do Anastácio, imensa propriedade rural paulistana que inicialmente pertenceu a Anastácio de Freitas Troncozo, que posteriormente vendeu estas terras em 1856 a Rafael Tobias de Aguiar e sua esposa Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos.
A origem da capela não é registrada oficialmente, mas conta-se que teria sido construída em 1894 por imigrantes portugueses que viviam naquela região e que não tinham por perto nenhuma edificação religiosa, já que a área não era ainda muito habitada. Pequena, a capela comporta cerca de vinte pessoas e sempre teve atividades mais secundárias, destinadas a pessoas em viagem pela região ou moradores próximos. A região era muito afastada da área urbana da capital e distante até mesmo da Freguesia do Ó, onde estava a igreja mais próxima. O local só passou a aparecer em mapas da cidade em meados da década de 1940.
Algumas histórias contadas por moradores dos arredores dizem que a real motivação para a construção daquela capela foi em virtude de vários casos relatados de afogamento naquela região nas últimas décadas do século 19, nas lagoas que ali existiam e que já foram aterradas. No passado era bastante comum que se erguesse capelas ou cruzeiros em locais próximos de mortes que ficaram popularmente conhecidas, como atropelamentos, afogamentos ou abalroamento por trens.
A capela recebeu uma reforma em 1922, ocasião que ficou com o desenho arquitetônico que se mantém presente até os dias atuais.
No final do século 20 e primeiros anos do século 21 a capela estava muito degradada e foi alvo de uma excelente iniciativa envolvendo a Fundação Casa de Pirituba – localizada à distância de 200 metros dali – e a Escola Paulista de Restauro.
Em 2009 a entidade convidou internos da Fundação Casa a voluntariamente se candidatarem para trabalhar no restauro da capela, que funcionou como uma espécie de curso prático para que os interessados conhecessem as técnicas usadas na restauração de bens históricos. A iniciativa durou dois anos e foi concluída em 2011, onde os internos receberam certificados de conclusão do trabalho.
Pouco mais de dez anos depois da entrega do restauro em parceria com os internos da Fundação Casa a edificação sofre novamente com o abandono e esquecimento. A iniciativa que poderia ter sido mantida ao longo dos anos para manter a capela sempre conservada e formar novos restauradores entre os internos infelizmente não foi adiante, e hoje o local sofre não só com a deterioração da capela mas também com a degradação do entorno.
Não é raro ver grande acúmulo de lixo ao redor da capela, oferendas com restos de animais apodrecendo e servindo de alimentos para urubus e até mesmo excrementos humanos. O mato, pelo menos, vem sendo cortado com frequência. Pedestres evitam andar por ali, especialmente à noite.
O abandono da região afugenta fiéis e também curiosos em conhecer mais de perto a pequena capela, uma vez que aquela parte da Rua Stéfano Mauser é um tanto quanto deserta. A capela pertence à Paróquia Nossa Senhora da Expectação (Freguesia do Ó) e são raros os eventos realizados nela.
Será que veremos a Capela de Santa Cruz de Pirituba novamente em atividade e restaurada ? Texto de D. Nascimento.

Praça Otávio Rocha, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil


 



Praça Otávio Rocha, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia - Cartão Postal


Praça Otávio Rocha, Circa 1917-1932. 
A Praça Otávio Rocha está localizada em área de especial interesse cultural, conforme o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, e integra os bens inventariados da cidade.
Foi constituída da sobra de desapropriações feitas para abertura e alargamento da Avenida Otávio Rocha (antigo Beco 24 de Maio) e Avenida Alberto Bins (antiga São Rafael), que resultaram em um largo de forma triangular no encontro entre as duas avenidas. Recebeu o atual nome em homenagem a Otávio Rocha, através do decreto 256 de 1932, na administração de Alberto Bins.
No local existe, um monumento constituído por um busto em bronze do homenageado, esculpido por André Arjonas. O monumento foi inaugurado em 28 de fevereiro de 1939.
A praça possui estilo eclético, com passeios pavimentados em pedra portuguesa trabalhada, tendo seu alinhamento definido por balaustrada de alvenaria, típica da urbanização do final do século XIX e início do século XX. Seu entorno é composto por algumas edificações que datam da época de sua urbanização; o restante se consolidou na década de 1950.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Cantareira, São Paulo, Brasil


 

Cantareira, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Edição H. Hosenhain
Fotografia - Cartão Postal

Cantareira, São Paulo, Brasil


 

Cantareira, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Edição H. Hosenhain
Fotografia - Cartão Postal

Propaganda "Chevrolet, Sempre o Primeiro", 1980, Chevrolet Pick-Ups, Chevrolet, Brasil



Propaganda "Chevrolet, Sempre o Primeiro", 1980, Chevrolet Pick-Ups, Chevrolet, Brasil
Propaganda

Propaganda "Que Bom Que É!", 1957, Suco de Tomate Peixe, Indústrias Alimentícias Carlos de Britto S/A, Brasil


 

Propaganda "Que Bom Que É!", 1957, Suco de Tomate Peixe, Indústrias Alimentícias Carlos de Britto S/A, Brasil
Propaganda

Praça Dom Pedro II, 1939, Teresina, Piauí, Brasil


 

Praça Dom Pedro II, 1939, Teresina, Piauí, Brasil
Teresina - PI
Fotografia


Destaque para o Quartel da Força Pública do Piauí, atual sede da Escola Estadual de Dança Lenir Argento, Centro de Teresina.

Trecho da Rua São Sebastião, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil


 

Trecho da Rua São Sebastião, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Ribeirão Preto - SP
Foto Postal Colombo N. 19
Fotografia - Cartão Postal

Bugatti Type 57S Atalante 1936, França

 






















Bugatti Type 57S Atalante 1936, França
Fotografia




From the featherweight Grand Prix Type 35 through to the indomitable Royale and devastatingly powerful Chiron, no manufacturer in history has so consistently pushed the boundaries of engineering and design as Bugatti. Nor has any marque been so inextricably linked with a reputation for both scintillating performance and timeless style. Built with the precision to rival the finest Swiss watch and the style to match the leading couture design houses of Paris, few cars in Bugatti’s back catalogue exemplify these qualities quite so effortlessly as the sublime Type 57S.
Introduced at the Paris Auto Salon in 1936, just a year after the jaw-dropping Aérolithe stunned showgoers in the French capital, the Type 57S built on the success of Jean Bugatti’s first solo project. Featuring a completely reengineered Surbaissé chassis that was both more compact and lower than that of the Type 57, the rakish machine featured a front axle that articulated in two halves and a rear axle that passed through—rather than over—the chassis frame. Power, meanwhile, came via an improved version of the Type 57’s 3.3-litre dual overhead cam straight-eight engine, with a revised dry-sump lubrication system influenced by the racing Type 59.
Echoing the ground-breaking styling of the Aérolithe and the handful of impossibly pretty Atlantics that followed, the Atalante represented one of the most desirable expressions of Jean Bugatti’s vision, with an aerodynamic design that used similar radiuses through the body shape to create an unforgettable silhouette that is unmistakably Bugatti. In total, just 17 examples of these hugely collectible coupés were produced, making surviving examples some of the most sought-after automobiles ever created.
Chassis 57384 is one of the most significant of these special cars, being the first of the small cohort to leave the Molsheim factory and fitted with the first "S" specification engine. Ordered by Marcel-Louis Bertrand on 29 December 1935 to replace a Type 57 in which he had crashed, the third Atalante in sequence leapfrogged two early cars to become the first Type 57S to leave the works after it was completed on 27 August 1936. The white and blue Bugatti joined its first owner in Toulon, France two days later, after being delivered via Marseille concessionaire Gaston Descollas. Originally specified with a roll-back sliding roof, it is thought to have soon been fitted with a smoked plastic transparent roof.
Just six months after leaving the factory, chassis 57384 was loaned to Claire Descollas—wife of Gaston—to participate in the 9th Concours International de Tourisme Automobile Fémenin Paris-Vichy-St Raphaël held from 17-21 March 1937; as the only international rally for female participants it was widely reported in the French press and this 57S was featured in Le Figaro. Descollas was a pre-rally favourite and ran a solid 4th overall in the speed tests before retiring from the rally not far from Orange. The talented racer would later go on to capture 10 world speed and endurance records aboard a Ford flathead V-8-powered Matford as part of an all-female crew that included Hellé Nice. It is notable that the original “shell” headlamps had, even at this early stage, been replaced by the more attractive Scintilla “bowl” headlamps that would grace Type 57Ss after the October 1936 Motor Show, and it is thought that, not long after, the colour was changed to a more appealing two-tone black and red, along with fitment of tubular-style bumpers to echo those of 57373S.
Following its brief dalliance with competition, the Type 57S was sent into hiding at the outbreak of war in Europe, spending the conflict buried beneath piles of wood in a barn belonging to the owner’s uncle. Undiscovered during that time, it is reported that the Bugatti started easily with a fresh battery once hostilities ceased and it was reunited with its first owner.
After more than a decade of dedicated stewardship, chassis 57384 was offered for sale via Parisian agent Dominique Lamberjack, before being bought by Antoine Tripier in August 1947. The serial Bugatti owner soon exhibited the car, taking first prize at the 1947 Beaune Concours d’Elegance, and proceeded to use the Type 57S as his everyday transport. But, faced with persistent problems with the starter and a lack of suitable mechanics in his native Côte d'Or, he decided to sell.
In 1951, the streamlined sports car crossed the Atlantic to its next owner, Dr Samuel Scher, following a sale facilitated by Lamberjack. Little is known of the Bugatti’s time in North America save for an appearance in the August 1954 edition of Road & Track, where it was advertised by Bill Frick Motors for the sum of $4,500. The car eventually returned to Europe before being offered for sale by Belgian car dealer Johnny Thuysbaert, after which it was bought in 1971 by Michel Poberejsky, a successful sports car racer better known to timekeepers as Mike Sparken.
Partially dismantled and sitting in the English workshop of Paul Ridgefield, chassis 57384 is reported to have been in sound condition but in need of restoration, with its well-preserved bodywork finished in primer, its engine disassembled—though missing its sump—and the dashboard suffering the effects of a minor fire. Ridgefield was commissioned to carry out the restoration, during which the small, embedded headlamps were replaced with more attractive wing-mounted units, in keeping with how it left the factory.
The mechanical restoration required several parts contributed by the former Montlhéry record-setting Galibier saloon, chassis 57421, which Poberejsky acquired from a seller in the United States in 1971. In addition to the front axle with hydraulic brakes, the starter, and dynamo, the car’s 58C engine block was appropriated and modified to accept the 57S’s cooling fan and 14 mm spark plugs before being mated to the original 1S upper case. Five new lower crankcases were then cast using an original from chassis 57542, one of which is fitted and the other four sold, while the donor car’s gearbox was also used. Crucially, the saloon’s Roots-type supercharger allowed for the upgrade to the highly desirable 200 horsepower “SC” specification that the Type 57S retains today.
Following completion of the restoration in late 1972, Poberejsky drove the Bugatti with enthusiasm, the lithe black and red tourer becoming a regular sight flashing along the roads of Cap Ferrat until 1990, when it was sold to a Swiss national living in Monaco; for facilitating the sale, Henri Lalanne was given the original 1S gearbox. The car would find another new home just three years later, this time with the consignor, a long-time Bugatti enthusiast whose father had, by chance, owned sister car—chassis 57383—in 1948. Dutch marque specialist Simon Klopper was then commissioned to carry out a restoration, which included straightening of the chassis and an overhaul of the mechanical components, while retaining the original carpet and leather upholstery. The roll-back sliding roof, meanwhile, is believed to be the only of its type still in operation.
Owned for almost three decades, chassis 57384 has been regularly shared with the public at the world’s leading concours events. In 2003, the Atalante was part of an historic gathering of Molsheim greats at the Pebble Beach Concours d’Elegance, where the car was recognised with the Prix du Design trophy. It would also collect silverware at the Louis-Vuitton Classic a year later. In addition to attending the Festival Bugatti in Molsheim in 2009 and 2014, in 2016, the consignor had the honour of delivering a wreath to the Bugatti family grave, prior to chassis 57384 being awarded the Safran prize.
A hugely significant model in the history of the one of the world’s greatest marques, the Type 57S Atalante is for many the embodiment of the Bugatti legend. Chassis 57384 presents an exceptionally rare opportunity to join the ranks of a select group of owners, united through the decades by their appreciation of the model’s enduring engineering genius and timeless fashion.