Alfa Romeo Montreal 1973, Itália
Fotografia
A Itália é conhecida pela tradição de seus
superesportivos. Marcas como Ferrari, Lamborghini, Maserati e Pagani estão
entre as mais desejadas do mundo, mas todas seguiram os passos da Alfa Romeo,
cuja história começou nas pistas.
A reputação da casa de Milão foi firmada na década de 1920 com
o modelo de corrida 6C e resgatada para as ruas através do icônico cupê
Montreal.
Sua carreira remonta à Exposição Universal de 1967, realizada
na cidade canadense de Montreal. Dona de grande prestígio na América do Norte,
a Alfa Romeo foi escolhida pelos organizadores da mostra para apresentar um
carro-conceito que se tornaria símbolo do evento, capaz de demonstrar o ápice
da ciência e da tecnologia aplicadas em um automóvel.
A tarefa foi confiada a duas lendas da engenharia da Alfa:
Orazio Satta Puliga e Giuseppe Busso. A estrutura do Giulia Sprint GT de 1963
recebeu o avançado quatro cilindros de alumínio com duplo comando de válvulas
usado desde 1954, mas ampliado para 1,6 litro. O motor V8 do modelo Tipo 33
Stradale também foi uma opção considerada.
O desenho do cupê ficou a cargo da casa de estilo Bertone.
Alguns elementos de estilo já vistos no Lamborghini Miura denunciavam que o
autor das belas linhas era o jovem designer Marcello Gandini, ainda no início
da carreira.
Não havia nenhuma pretensão de produzi-lo em série: ao término
da feira, os protótipos exibidos seriam recolhidos ao acervo histórico da
empresa.
A grande aceitação do público não diminuiu nos meses seguintes
ao evento. A repercussão do modelo foi tamanha que o presidente Giuseppe
Luraghi deu início aos estudos de viabilidade comercial do projeto. Sob o
código Tipo 105.64, o modelo final foi apresentado no Salão de Genebra de 1970,
ostentando oficialmente a denominação Montreal.
Para felicidade dos entusiastas, o carro de produção trouxe
poucas mudanças no estilo e muitas sob o capô: o V8 do Tipo 33 Stradale manteve
seus 230 cv, mas teve a cilindrada aumentada de 2 para 2,6 litros, a fim de
favorecer as respostas em baixas rotações.
Trabalhava a 7.000 rpm sem esforço aparente, alimentado por
injeção mecânica de combustível Spica. Mesmo pesando 1.365 kg, era mais rápido
que o irmão Giulia 2000 GT Veloce.
Ia de 0 a 96 km/h em 7,6 segundos e chegava aos 225 km/h na
quinta marcha do câmbio alemão ZF, colocando-o ao lado do Jaguar E Type V12 e
Citroën SM. E não se intimidava frente ao triunvirato alemão formado por Porsche
911E, BMW 3.0 CSi e Mercedes-Benz 350 SLC.
As suspensões eram similares às do Giulia, com a dianteira
independente por braços sobrepostos. Mesmo usando um arcaico eixo rígido, a
suspensão traseira era um pequeno tratado de engenharia, com carcaça do diferencial
de alumínio, braços arrastados, cintas limitadoras de distensão, barra
estabilizadora e braço de controle lateral.
As quatro rodas de 14 polegadas contavam com pneus radiais
195/70 e freios a disco ventilado Girling.
Com personalidade própria, a dianteira trazia quatro faróis
parcialmente cobertos por uma persiana retrátil. A leveza do conjunto era
reforçada por para-choques minimalistas e pela falsa entrada de ar aeronáutica
no capô, empregada para suavizar o indispensável ressalto central, adotado para
acomodar o V8 e sua injeção.
As primeiras 674 unidades só foram entregues em 1972. O cupê
era bem mais caro que os concorrentes devido ao método de produção, com o
monobloco armado pela Alfa Romeo em Arese e finalizado na fábrica Bertone em
Caselle.
A unidade Bertone de Grugliasco terminava a pintura e a
montagem do interior e só então o Montreal retornava para a instalação da
mecânica, em Arese.
Entre os opcionais, havia vidros elétricos e ar-condicionado.
Sua vocação estradeira foi reforçada no filme inglês The Marseille Contract, no
qual o ator Michael Caine duelava contra um Porsche 911 S Targa. Bem menos
civilizadas, as versões de pista chegaram aos 3 litros de cilindrada e 340 cv
de potência.
Seu sucesso foi comprometido pela crise energética de 1973, ano
de produção deste Montreal do colecionador paulista Wanderley Natali. O alto
custo de produção também colaborou para que apenas 3.925 exemplares deixassem a
fábrica de Arese até 1977.
Os entusiastas da casa de Milão só seriam presenteados com outro
cupê V8 em 2007, com a chegada do 8C Competizione.







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