Dodge Dart, Brasil
Fotografia
Menor e mais barato modelo da divisão Dodge, o Dart foi
apresentado nos EUA em 1960 e logo assumiu o posto de mais vendido da marca.
Seu sucesso atravessou a década e chegou ao Brasil em 1969,
mercado em que o compacto americano se tornou um de nossos maiores e mais
sofisticados automóveis.
A história do nosso Dart começa nos anos
50, quando a Chrysler Corporation decidiu reforçar sua participação no mercado
europeu.
A expansão do grupo consolidou-se em 1963,
ao assumir o controle da francesa Simca, em São Bernardo do Campo (SP) desde
1958. Por uma obra do destino, a filial brasileira da Simca originou a Chrysler
do Brasil S.A. em 1967.
Com quatro portas e quase 5 metros de
comprimento, a quarta geração do Dart era bem atual frente ao irmão americano,
lançado só três anos antes nos EUA.
Oferecido em versão única, ocupou a lacuna
entre o Chevrolet Opala e o Ford Galaxie e destacou-se pela harmonia de estilo
e pelo charme do vidro traseiro côncavo.
Igualmente atual era o V8 de 5,2 litros, o
maior já feito no Brasil. Era o mesmo usado nos caminhões Dodge, com câmaras de
combustão em formato de cunha e válvulas acionadas por tuchos hidráulicos.
Tinha torque e potência de sobra para os
1.480 kg do Dart: 41,5 mkgf a 2.400 rpm e 198 cv a 4.400 rpm. O primeiro teste oficial
confirmou as impressões que o jornalista Expedito Marazzi teve ao avaliar uma
unidade pré-série.
O Dart era o carro brasileiro mais veloz:
precisou só de 33 segundos para percorrer 1.000 metros, chegou a 173 km/h e foi
de 0 a 100 km/h em 12 segundos. Era rapidez suficiente para agradar até o tricampeão
de F-1 Jackie Stewart.
Apesar de ser o rei da estrada, o V8 era notório pelo consumo:
os 6,6 km/l a 100 km/h constantes eram acentuados pelo tanque de apenas 62
litros, resultando em autonomia pouco superior a 400 km.
O comportamento dinâmico era prejudicado apenas pelo pesado
eixo traseiro, um problema em pisos irregulares. Os freios a tambor nas quatro
rodas não contavam com assistência a vácuo.
O primeiro contra-ataque ao Dart veio da Ford. A principal
novidade para 1970 foi uma versão mais simples e barata do Galaxie, equipada
com o motor de 4,8 litros e 190 cv.
A Chrysler se valeu da mesma fórmula e respondeu com a versão
“super-standard” com grade dianteira sem pintura, estofamento simplificado e
supressão de frisos e calotas integrais.
A partir da oferta do “super-standard”, o Dart comum assumiu a
denominação De Luxo: mais de 10.000 unidades foram produzidas em 1970. A
carroceria cupê foi a maior novidade da Chrysler para a linha 1971 de tal forma
que o sedã passou a representar só 30% da produção do Dart.
Teto revestido de vinil e direção hidráulica entraram para a
lista de opcionais, seguidos pelo câmbio automático Chrysler A-727 de três
marchas, ar-condicionado e freios dianteiros a disco.
Recém-lançado, o Dart Gran Sedan fez o
Dart Sedan De Luxo sair do catálogo Dodge em 1973: poucas unidades foram
produzidas, quase sempre destinadas a frotas de empresas e agências
governamentais.
A situação só foi revertida no modelo
1975: a ignição eletrônica como item de série foi a única alteração significativa
até 1978. As modificações mais extensas vieram na linha Dodge 1979: a
reestilização baseada no Dart americano de 1974 deixou o nacional 18 cm maior.
Além da nova grande dianteira, o
tradicional par de lanternas verticais deu lugar a quatro horizontais. O tanque
de combustível passou a comportar 107 litros e o câmbio manual de quatro
marchas com alavanca no assoalho entrou para a lista de opcionais.
Mas o fim estava próximo: a venda da
Chrysler Europe ao Grupo PSA, em 1978, era um indício de que o mesmo poderia
ocorrer com a filial brasileira.
Os rumores se concretizaram e, em julho de
1979, a Chrysler do Brasil foi adquirida pela Volkswagen: as últimas unidades
do Dodge Sedan De Luxo deixaram a fábrica de São Bernardo do Campo em 1981.
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