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domingo, 29 de setembro de 2019
História do Leite Condensado e do Leite Moça Nestlé - Artigo
Artigo
O leite condensado surgiu quando o americano Gail Borden, tentando desidratar o leite comum, descobriu que, antes de transformar-se em leite em pó, o produto virava leite condensado. A invenção dele, patenteada em 1856, só foi valorizada quando estourou a Guerra Civil Americana, quatro anos depois. Transportando leite em pó e leite condensado para as tropas – e depois colocando esses produtos no mercado, ele ficou rico. Mas foi somente alguns anos mais trade, em 1867, que surgiu a primeira indústria criada especialmente para a produção comercial do leite condensado. Foi quando o americano George H. Page, proprietário da empresa Anglo Swiss Condensed Milk iniciou na cidade suíça de Cham a fabricação de leite condensado, utilizando o leite abundante e de boa qualidade produzido no país. Rapidamente o produto fez sucesso na Europa, principalmente entre as mulheres, que reforçavam a alimentação de seus filhos dando-lhes o energético e açucarado leite condensado.
A Sociedade Nestlé, por sua vez, iniciou a fabricação de leite condensado logo a seguir. Essa concorrência entre as duas empresas terminaria em 1905 numa fusão que deu origem a Nestlé & Anglo Swiss Condensed Milk Co. A jovem com trajes típicos que aparecia nos rótulos das embalagens do produto era uma camponesa suíça do século XIX. Naquela época, o leite condensado mais popular da Suíça tinha a marca "La Laitiére", que significa “vendedora de leite”.
Quando esse leite foi exportado para outros países, procurou-se um nome equivalente na língua de cada região para onde o produto foi levado, nome este sempre associado à figura da camponesa típica com seus baldes de leite. Em espanhol, por exemplo, foi adotada a marca "La Lechera", e na língua inglesa "Milkmaid".
Os primeiros carregamentos de leite condensado chegaram ao Brasil em 1890 como uma alternativa ao leite fresco, cujo abastecimento era problemático. O produto era vendido nas drogarias e, inicialmente, comercializado com o nome de "Milkmaid" (chamado assim pela falta de uma palavra equivalente em português). Mas os brasileiros tinham dificuldade para pronunciar esse nome inglês e passaram a chamar o produto de o “leite da moça”, referindo-se à ilustração da camponesa em seu rótulo. A princípio utilizado como bebida (reconstituído com água obtinha-se o leite já adoçado), o leite condensado podia ser armazenado por muito tempo, o que era importante em períodos de escassez.
Quando a Nestlé abriu sua primeira fábrica no país, em 1921, na cidade de Araras, em São Paulo, e começou a produzir o produto, optou pela solução lógica de utilizar uma designação criada espontaneamente pelos consumidores: "Leite Moça".
Somente durante a Segunda Guerra Mundial o leite condensado chegou à cozinha para valer, sendo utilizado pelas donas de casa como ingrediente para o preparo de doces e sobremesas. O fator decisivo para a popularidade da marca foi a paixão nacional pelos doces, herdada dos portugueses, associada ao gosto pelas compotas e frutas, herança africana. Um exemplo disso foi o Brigadeiro, que se tornou um marco importante na história da marca. Conta-se que em 1945, as eleitoras do Brigadeiro da Aeronáutica Eduardo Gomes, candidato a Presidência da República, criaram o doce misturando Leite Moça com chocolate em pó, a fim de arrecadar fundos para sua campanha. O Brigadeiro perdeu a eleição para o General Eurico Gaspar Dutra, mas o outro Brigadeiro foi se tornando, com os anos, um dos docinhos preferidos de crianças e adultos, presença constante em festas de aniversários.
Mas já desde a década de 1930 que o Leite Moça era o ingrediente principal de um dos mais antigos livros de receitas lançados no país. Indicava-se o produto na preparação de diversos pratos como tortas, bolos, pudins, cremes, sorvetes, e duas décadas depois, com o lançamento do Nescafé, o rótulo das latas trazia receitas que o indicavam na mistura com o novo produto: “Para bolos, tortas, cremes, balas, biscoitos, recheios, etc., etc. Para tomar com café, chá ou chocolate, pode ser empregado sem diluir. Com o Leite Condensado Moça e com o café puro concentrado Nescafé, prepara-se um delicioso café com leite: é a combinação perfeita”.
O Leite Moça é um dos produtos mais conhecidos e tradicionais no Brasil, e sua linha se diversificou com novas versões como o desnatado; novos sabores como morango e chocolate; sobremesas geladas; o doce de leite cremoso; a linha de cereais; chocolates, sorvetes e etc., mas o produto original continua forte, tendo sua embalagem sofrido poucas alterações ao longo do tempo.
Propaganda "Leite Condensado Moça", 1917, Nestlé, Brasil
Propaganda
Quando o Leite Moça era um produto importado, sua propaganda o promovia como
suplemento ao leite materno: "Senhora: Não se aflija com a sua falta
de leite. Há um bom substituto, único substituto, no qual deve ter toda a
confiança".
Anúncio publicado na Revista Fon Fon.
Nota do blog: Data 11/1917 / Autoria desconhecida.
Leite Moça, Primeira Propaganda do Produto Quando Passou a ser Fabricado no Brasil, Nestlé, 1922, Brasil
Leite Moça, Primeira Propaganda do Produto Quando Passou a ser Fabricado no Brasil, Nestlé, 1922, Brasil
Propaganda
Essa é considerada a primeira propaganda do Leite Moça quando passou a ser fabricado no Brasil.
Propaganda
Essa é considerada a primeira propaganda do Leite Moça quando passou a ser fabricado no Brasil.
sábado, 28 de setembro de 2019
Ford Del Rey Scala, Brasil
Ford Del Rey Scala, Brasil
Fotografia
A filial
brasileira da Ford buscou inspiração em Detroit para desenvolver a refinada Del
Rey Scala, em 1983 – os americanos sempre gostaram de peruas luxuosas, donos de
vistosas Chrysler Town & Country, Oldsmobile Vista Cruiser e Mercury Colony
Park.
Baseada na
Belina II (de 1978), era definida por ângulos retos, uma solução que requentava
um projeto dos anos 60. Mas era versátil, robusta e econômica, tão prática a
ponto de minimizar algumas limitações, como o entre-eixos curto e a estranha
suspensão dianteira, que trabalhava apoiada no batente inferior.
A Belina II
era indiscutivelmente a rainha das peruas nacionais: mais racional que a VW
Variant II (com seu ultrapassado motor traseiro) e mais econômica que a
Chevrolet Caravan (com motores de baixa potência específica). A coroa, porém,
ficou em risco com a recém-chegada Parati, menor e mais ágil.
Para se manter
no trono, a Ford recorreu ao luxuoso sedã Del Rey. Apresentado em 1981,
introduziu equipamentos inéditos à categoria, como travas e vidros elétricos,
console de teto com relógio digital, luzes de leitura e um painel que trazia
até manômetro de pressão do óleo. O ar-condicionado era opcional, mas o
acabamento superior estava um degrau acima do conhecido Corcel.
Inicialmente
exportada para o mercado venezuelano, a Scala representou uma importante
estratégia para a Ford: deu sobrevida à Belina II, enquanto a perua Escort não
chegava ao mercado – a expectativa era de que a familiar chegasse ainda na
década de 80, mas a Autolatina (formada em 1986) encerrou esses planos.
Seus atributos
eram suficientemente bons para enfrentar estrelas iminentes, como a Caravan (na
versão Diplomata) e a Quantum, que chegariam dois anos depois.
O resultado
era um veículo familiar com a pompa do Del Rey Ouro (top de linha). A Scala
estava equipada com grade de frisos verticais, lanternas brancas e repetidores
dos piscas sobre os para-lamas. As lanternas traseiras cresciam sobre a tampa
do porta-malas (768 litros até o teto), que ganhava carpete e uma cobertura
para esconder as malas. Via-se também um bagageiro no teto.
As belas rodas
de 13 polegadas em liga leve utilizava apenas três parafusos e recebiam largos
pneus radiais na medida 185/70. Era preciso fazer força nas manobras de
estacionamento, pois a Scala não oferecia o conforto da direção hidráulica. Sua
estabilidade era apenas razoável: evoluída, a suspensão já não apresentava as
oscilações da Belina II, mas continuava macia demais.
O melhor era
apreciá-la com calma, pois o motor de quatro cilindros e 1,6 litro rendia
parcos 69 cv. Uma das principais novidades do modelo 1984 foi a adoção do motor
CHT que impulsionava o Escort: com câmaras de combustão retrabalhadas, a
potência saltava para 73 cv. A Scala também ficava mais segura – tinha freios a
discos ventilados.
Mais
aerodinâmico, o modelo 1985 surgiu com nova grade horizontal, faróis e piscas
redesenhados e faróis de neblina embutidos. O interior ganhava teto pré-moldado
e o banco traseiro recebeu encostos de cabeça e descansa-braço. Até então
disponível na versão única Ouro, a Scala passou a oferecer as versões GLX e
Ghia, a última com rodas de aro 14 e pneus de perfil baixo.
A tão desejada
direção hidráulica veio apenas no modelo 1986, acompanhada de uma suspensão
recalibrada e do motor CHT E-Max, com pistões e virabrequim mais leves e novos
anéis para redução do atrito interno. Mas foi o último ano de fabricação da
Scala. Com o encerramento da produção do Corcel, voltou a ser chamada de Belina
a partir de 1987.
Volkswagen Fusca 1500, Brasil
Volkswagen Fusca 1500, Brasil
Fotografia
Desde
1962, o Fusca liderava o mercado, com seu modesto motor 1200 refrigerado a
ar. De 1967 em diante, ele já era mais potente, usando o motor 1300. Ao mesmo
tempo, com as opções mais fortes rodando em Kombi, Karmann Ghia e “Zé do
Caixão”, era natural que o Fusca ganhasse mais fôlego.
Enfim o Sedan
1500 foi lançado, em agosto de 1970. Basicamente, era uma junção de peças da
prateleira da própria VW. O motor vinha da Kombi. As rodas de quatro furos
e calotas achatadas eram as do “Zé”, TL e Variant, assim como a medida da
bitola, mais larga. Para frear, disco na frente era opcional. Além da bitola,
colaborava para diminuir a tendência a sair de traseira a barra compensadora.
Em seu
primeiro teste pela QUATRO RODAS, publicado na edição 123, de outubro de 1970,
era alvo de elogios seu comportamento mais neutro. Porém, em parte devido à
suspensão dianteira mais alta e reforçada, a tendência passava a ser de sair de
frente, dificultando o contorno de curvas mais rápidas.
O maior torque
também fazia uma sonora diferença. Para a cidade, mostrava-se mais animado que
o 1300, ainda que, na realidade, o desempenho geral não fosse assim tão
além.
Esteticamente,
também se aproximava do equivalente alemão, que aposentava o motor 1500
naquele mesmo ano. Era a vez do pára-choque de lâmina única e novas lanternas,
logo chamadas de “canoa”. Internamente, contava com bancos semelhantes aos da
Variant, mais anatômicos e de menor espessura.
Ainda que
tivesse batismo oficial, o que pegou foi o apelido: Fuscão, assim chamado
já pelo pessoal do chão de fábrica e nome que a publicidade adotaria mais
tarde. Mais bem-acabado e potente, a diferença de preço era mínima: 13.186
cruzeiros, ante os 12.671 cruzeiros do 1300, em 1970.
Isso valeu o
boato de que o fim do Fusca menos dotado estaria próximo. Fazia sentido.
Respaldados pelo melhor custo-benefício, 4.444 carros foram produzidos já no
mês de estréia. Em 1971, foram vendidos 3,7 VW 1500 para cada 1300.
Para mantê-lo
competitivo, a linha 1973 estreava novo desenho de pára-lama dianteiro, mais
tampa traseira com 28 aberturas – 18 a mais. Também surgia uma versão básica,
com a mesma estética do 1300, mas que vendeu pouco. As mudanças não evitaram
que o Fuscão sentisse os efeitos de uma concorrência mais moderna, que
estreava Chevette e Dodge 1800, além de, dentro da própria casa, haver a
Brasilia.
Ainda assim,
em 1974, com leves alterações, seguia à frente dos rivais mais avançados, mas
perdia em vendas para o 1300. A crise do petróleo não explica esse declínio,
pois a Brasilia manteve vendas estáveis, apesar do preço maior que o do 1600S
(Superfuscão) lançado naquele ano.
Como reflexo
disso, em 1975 o Fuscão entrava em seu último ano de vida. Um 1600 básico foi
lançado como opção ao 1500. Consumo e desempenho melhoravam com o motor de dois
carburadores. Com freios a disco de série e rodas aro 14 de seis furos, ele
substituiu o Fuscão e o 1600S.
Mesmo fora de
linha e sem qualquer status de colecionável, o VW 1500 faria história pela
voz de Almir Rogério. Em 1981, a música Fuscão Preto era uma das responsáveis
por mais de 1,5 milhão de discos vendidos. A rara cor de Fuscão também renderia
um filme no ano seguinte e, em 1994, a canção, já cult, seria traduzida para o
inglês macarrônico de Falcão e renomeada Black People Car.
Depois de
419.433 unidades produzidas, o Fuscão volta a ser valorizado e os raros
carros em perfeito estado passam a ter vaga garantida em exposições. É o caso
do modelo 1973 verde hippie mostrado acima, há seis meses em posse do taxista
aposentado Francisco Pereira da Silva e que tem hoje apenas 50.000 quilômetros
originais.
Fiat Marea Turbo, Brasil
Fiat Marea Turbo, Brasil
Fotografia
Primeira
cartada da Fiat no segmento dos sedãs médios, o Tempra tornou-se a referência
nacional em desempenho nos anos 90, com as opções de motor multiválvulas e
turbo. Aclamadas pela crítica e pelo mercado, suas versões de alto desempenho
mudaram a imagem da casa de Turim e foram sucedidas em 1999 por outro ícone
ítalo-brasileiro: o Marea Turbo.
Ítalo-brasileiro
porque a adição do turbo era exclusividade da filial de Betim. Disponível nas
duas configurações de carroceria (sedã e a perua Weekend), a versão esportiva
acrescentava um sopro de selvageria ao ótimo motor de cinco cilindros em linha
e 20 válvulas, célebre pela suavidade de funcionamento e pelo ronco encorpado e
singular.
Pacato em
baixas rotações, o assobio da turbina Garrett T28 mostrava-se presente já a 2
000 rpm, soprando vigorosamente a partir de 3 000 rpm. Em linha reta, nenhum
automóvel nacional era capaz de superar o Marea Turbo em aceleração e
velocidade final. No teste da edição de março de 2000, chegou aos 100 km/h em
apenas 8,12 segundos e alcançou os 219 km/h de velocidade máxima.
Além do turbo,
o motor recebia coletor de admissão próprio, bielas e pistões redimensionados e
válvulas de escape refrigeradas a sódio. Havia também radiador de óleo e
intercooler, este último de suma importância para os altos números de torque e
potência: 27 mkgf a 2750 rpm e 182 cv a 6000 rpm.
Sem controle
de tração e estabilidade, era preciso habilidade para conter tanto desempenho:
a suspensão mais firme apresentava equilíbrio acima da média, resultado de uma
revisão na carga de molas e amortecedores. De eletrônica, só ABS com
distribuição de frenagem entre os eixos, atuando em freios a disco nas quatro
rodas, também redimensionados.
Externamente,
o Marea Turbo era sóbrio e discreto: apenas grade, logotipos, saídas de ar no
capo e rodas de desenho exclusivo (meia polegada mais largas) denunciavam a
versão. Até os pneus 195/60 R15 eram os mesmos dos Marea comuns, mas com código
W, capazes de alcançar 270 km/h com segurança. Em 2002, a traseira do sedã foi
reestilizada, com forte inspiração no Lancia Lybra.
Seu desempenho
não deixava a desejar em relação aos importados. Só dois nacionais rivalizavam
com ele: os primos VW Golf GTI e Audi A3, ambos turbo. Os três viraram os
queridinhos das oficinas de preparação, que buscavam extrair sempre o máximo de
seus motores sobrealimentados. No caso do Marea, isso ficava ainda mais fácil:
na configuração original, o motor turbo de cinco cilindros rendia 220 cv, pois
havia sido idealizado para o Fiat Coupé italiano. A engenharia amansou o motor
para evitar alterações ainda mais profundas na suspensão e nos freios, que
fatalmente comprometeriam sua proposta familiar. Mas muitos proprietários
buscavam apenas o desempenho puro e simples, motivo pelo qual é muito difícil
encontrar um Marea Turbo em seu estado original nos dias de hoje.
Não é o caso
do carro das fotos, que pertence ao delegado André Luiz Tewfiq. Adquirido novo
em 2002, rodou só 70000 km desde então. “Passei a usar mais o Marea depois que
precisei realizar viagens constantes: é nas estradas que ele encontra seu
habitat natural”, diz. “A reserva de potência do motor garante ultrapassagens
sempre seguras, fora o prazer que proporciona a quem gosta de dirigir.”
Mais potente
veículo de sua época, o Marea Turbo não deixou sucessor: a proposta do
recém-finado Linea T-JET é a do downsizing e não da esportividade, já que o
desempenho de seu motor turbo corresponde ao de um bom motor 2.0 aspirado. Ao
todo, apenas 2 690 unidades foram comercializadas: 1 643 sedãs e 1 047 peruas
até janeiro de 2007, para tristeza dos fãs da Fiat e dos turbinados de alto
desempenho.
Ford 1941, Estados Unidos
Ford 1941, Estados Unidos
Fotografia
Último modelo
apresentado por Henry Ford, o Ford 1941 foi reformulado para resgatar a
hegemonia do fabricante de Dearborn.
Notório pela
genialidade e teimosia, o industrial não escondia duas insatisfações: a
liderança do mercado nas mãos da Chevrolet e o crescimento da Plymouth,
respectivamente divisões de entrada da General Motors e Chrysler Corporation.
A queda nas
vendas era sintoma do conflito entre Henry e o presidente da empresa, seu filho
Edsel. A concorrência ousava com novas tecnologias, mas as incertezas da
Segunda Guerra fizeram Henry manter-se fiel à concepção do Ford 1932, com eixo
dianteiro rígido, molas transversais, transmissão por tubo de torque e o
lendário motor V8 “cabeça chata”.
Mas a última
palavra no estilo era de Edsel e do designer Bob Gregorie. Maior e mais pesado,
o Ford 1941 adotou o rígido chassi do Mercury Eight 1939 em seis configurações:
picape, sedã de duas ou quatro portas, cupê, conversível e a perua com portas e
laterais de madeira.
Mais larga, a
carroceria quase eliminou os estribos laterais e a área envidraçada estava 22%
maior. A grande novidade foi o motor de seis cilindros em linha e 3,7 litros,
com a mesma potência do V8 (90 cv) e torque superior quando comparado ao seis
cilindros Chevrolet.
Era o único
motor disponível para a versão de entrada, Special, e foi uma concessão
técnica, que gerou uma enorme discórdia entre Edsel e seu pai.
O favorito de
Henry era o V8 de 3,6 litros, de série na De Luxe e Super De Luxe. O Ford 1941
era o carro mais espaçoso e confortável já feito pelo clã, com molas e
amortecedores recalibrados e barra estabilizadora traseira. O baixo nível de
ruído e vibrações indicavam o capricho no isolamento e na qualidade de
construção.
Simplificada,
a versão Special trazia uma única lanterna traseira e limpador de para-brisa só
para o motorista. O sedã ou cupê vinham sempre na cor cinza, mas o verde, o
marrom, o preto e o azul eram cobrados à parte. A perua de quatro portas era
oferecida a partir da versão intermediária, De Luxe, que tinha a grade cromada.
A carroceria
conversível era exclusiva da versão mais cara, Super De Luxe, que recebia boa
dose de frisos e cromados, além de equipamentos como relógio, quebra-ventos
acionados por manivelas e revestimentos de melhor qualidade para o estofamento.
A capota do conversível era dotada de acionamento elétrico.
As vendas
cresceram, mas foram 691.455 Fords contra 1.008.976 Chevrolets em 1941.
Reestilizado, o Ford 1942 recebeu suspensão mais baixa e macia, mas teve sua
produção interrompida em fevereiro em função da Segunda Guerra. O racionamento
de matérias-primas eliminou cromados e até pistões de alumínio nas poucas
unidades produzidas.
Vitimado por
um câncer, Edsel Ford morreu em 1943, fazendo a Ford Motor Company retornar ao
comando do quase octogenário Henry. Transtornadas pela morte precoce de Edsel e
preocupadas com o futuro da empresa, Clara (esposa de Henry) e Eleanor (sua
nora) pressionam Henry Ford, que renuncia em favor de seu neto Henry II em
1945.
Sob nova
direção, a empresa inicia uma ampla reforma administrativa e apresenta o novo Ford
1946, caracterizado pela larga grade horizontal e o V8 de 3,9 litros e 100 cv,
até então exclusivo dos modelos da divisão intermediária Mercury. A versão
Special deixa de existir e a nova estrela é o conversível Sportsman, penúltimo
trabalho de Bob Gregorie para a Ford.
O Sportsman
foi uma ideia atribuída ao jovem Henry Ford II, um veículo recreacional com
portas e laterais de madeira e bancos de couro para ser usufruído em suas
poucas horas de lazer no litoral de Long Island. Construído de maneira artesanal,
a produção na fábrica de Iron Mountain ficou abaixo de 3.500 unidades.
Com
modificações discretas, o modelo 1947 foi apresentado em fevereiro do mesmo
ano, pouco antes da morte de Henry Ford. O último dessa geração foi o modelo
1948, como este cupê Super De Luxe, sob os cuidados da De Gennaro Classics.
A salvação da
empresa ficou a cargo de seu sucessor, responsável por reconquistar, enfim, a
liderança do mercado em 1949.
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