quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Praça da Saudade / Praça 5 de Setembro, Manaus, Amazonas, Brasil


Praça da Saudade / Praça 5 de Setembro, Manaus, Amazonas, Brasil
Manaus - AM
Fotografia - Cartão Postal


A Praça 5 de Setembro, conhecida como Praça da Saudade, é um espaço público localizado no Centro Histórico do município de Manaus, no Brasil. É considerada uma das praças mais antigas da cidade.
A praça possui aproximadamente 12,6 mil metros quadrados. Limita-se com a avenida Epaminondas e ruas Ramos Ferreira, Ferreira Pena e Simão Bolívar, localizando-se em pleno Centro Histórico da capital amazonense.
A Praça da Saudade, antigo Largo da Saudade, Praça Washington Luís e Praça 5 de Setembro. Inaugurada em 1865 e em abril de 1928, através da Lei nº 1.477, passou a denominar-se de Praça Washington Luís. Apesar do nome oficial de Praça Washington Luís, em 1937, o intendente Sérgio Rodrigues Pessoa apresentou um Projeto de Lei mudando a denominação para Praça 5 de Setembro. Porém com a Lei de número 343/1996, manteve a denominação de Praça da Saudade. O nome da Praça 5 de Setembro foi dado em homenagem a elevação do Amazonas à categoria de Província e uma homenagem a Tenreiro Aranha que tanto lutou pela emancipação do Grão-Pará, mas a praça continua conhecida como Praça da Saudade.
Outro fato ligado a praça diz respeito à construção do monumento em homenagem a Tenreiro Aranha. A construção do monumento foi proposta pelo vereador Silvério Nery, em 11 de maio de 1883, sendo presidente da província, José Lustosa da Cunha Paranaguá. O nome oficial da Praça 5 de Setembro, foi constituído em homenagem a data da Elevação do Amazonas à categoria de Província, uma homenagem também a Tenreiro Aranha que lutou pela emancipação do Grão-Pará.
Inicialmente chamado de Largo da Saudade, a Praça 5 de Setembro ou Praça da Saudade, foi inaugurada em 1865 na cidade de Manaus.
Em 1897 foram construídos os jardins e passeios, mas somente em 1932 passou à denominação de praça.
Em 1938 os canteiros renovados com a colocação de vegetação exótica, mas as estátuas de bronze que representam os homens primitivo e moderno foram colocadas em 1963, época em que foram retiradas as pérgolas laterais.
A praça possui aproximadamente 12,6 mil metros quadrados. Limita-se com as ruas Epaminondas, Ramos Ferreira, Ferreira Pena e Simão Bolívar, localizando-se em plena área central da capital.
Conforme a Carta Cadastral de Manaus a área ocupada pela praça era bem mais ampla, à época do governo Eduardo Ribeiro, pois iniciava no antigo cemitério velho chamado de São José ( nome também do primeiro bairro de Manaus) – localizado onde atualmente é a sede do Atlético Rio Negro Clube até o Instituto de Educação do Amazonas ( local onde seria construído o Palácio do Governo).
Um dado curioso sobre a Praça, é que não existe nenhum documento que comprove se foi ou não aprovado o nome, mas o que se sabe, é que o povo acabou consagrando o local com Praça da Saudade.
Outro fato ligado a Praça diz respeito à construção do monumento em homenagem a Tenreiro Aranha. A construção do monumento foi proposta pelo vereador Silvério Nery, em 11 de maio de 1883, sendo presidente da província, José Lustosa da Cunha Paranaguá.
De acordo com registros documentais, a praça adquiriu forma em 1932, na gestão de Emmanuel Morais com a construção de jardins. O cemitério nesta época já havia sido fechado. Após a demolição, os restos mortais que haviam no local foram transferidos para o Cemitério São João Batista.
Um projeto para a obra seria a construção do horto municipal com exemplares de todas as palmeiras do vale amazônico, o que acabou não acontecendo.
O nome de Largo ou Praça da Saudade foi dado por populares por estar localizada em frente ao cemitério de São José, que também emprestava nome ao bairro.
Porém, o nome da praça pode ter origem na presença de um espanhol de sobrenome: Saudade ou de um negro que viveu por volta de 1837, morador da área vizinha à praça, de nome José Pedro Saudade. O negro seria um escravo de forro, devido aos bens que possuía, segundo pesquisas o historiador Mário Ypiranga.
O nome oficial da Praça 5 de Setembro, foi constituído em homenagem a data da Elevação do Amazonas à categoria de Província, e também a Tenreiro Aranha que lutou pela emancipação do Grão-Pará. O nome oficial, nunca se tornou popular. O certo é que mesmo o nome oficial estando inscrito na placa da estátua de Tenreiro Aranha, os manauaras a conhecem apenas por “Praça da Saudade”.
Em 2006, criou-se um movimento em relação ao resgate da Praça da Saudade. Naquele ano, o Senador Jefferson Péres já vinha lutando para que o prédio que havia sido construído na praça em frente ao Rio Negro Clube fosse demolido. Este assunto acabou virando processo administrativo no Ministério Público, que envolveu Prefeitura de Manaus e Governo do Estado, chegando-se a conclusão de que não bastava a demolição do prédio, havia toda a necessidade de realizar o resgate histórico da praça.
Desta forma, formou-se uma equipe de técnicos envolvendo profissionais do Instituto Municipal de Planejamento Urbano – IMPLURB, da Prefeitura de Manaus, e da Secretaria Estadual de Cultura – SEC, do Governo do Estado do Amazonas.
Esta equipe técnica possui o grande mérito de ter elaborado um projeto de revitalização da praça que buscava o resgate histórico do espaço urbano, que foi aprovado pelo Prefeito na época, Serafim Correa, pelo Senador Jefferson Péres e submetido à discussão em audiência pública, sendo aprovado enfim por todos os envolvidos no processo.
Após conclusão dos projetos arquitetônicos e urbanísticos, o passo seguinte foi a demolição do prédio, que ocorreu sem grandes polêmicas. Mediante convênio com a SUFRAMA, a verba necessária para a revitalização da praça foi destacada, com a devida contrapartida da Prefeitura. Por fim, inicia-se a obra em que mais de 99% de sua área seria demolida, uma vez que apenas o monumento de Tenreiro Aranha seria preservado.
Em 30 de abril de 2010, a Praça da Saudade foi entregue para a população pelo então prefeito Amazonino Mendes, revitalizada, revigorada, resgatada, regenerada, retratando o desenho que ela possuía na época em que foi concebida, em 1932.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Filosofia de Internet - Humor


Filosofia de Internet - Humor
Humor

Caninha 51 / Cachaça 51 / Pirassununga 51, Brasil


Caninha 51 / Cachaça 51 / Pirassununga 51, Brasil
Bebida

Água que passarinho não bebe, marvada, caninha, pinga são apenas alguns dos inúmeros apelidos de uma das mais tradicionais bebidas brasileiras: a cachaça. No Brasil, essa aguardente de cana de açúcar é servida muitas vezes em doses puras, mas foi a caipirinha que deu a ela transcendência mundial e lugar cativo na carta de bebidas de qualquer restaurante. Hoje o Brasil produz cerca de 800 milhões de litros por ano. São cerca de 12.000 produtores no país, mas existem estimativas de associações regionais que elevam esse número para quase 15.000. No entanto, devidamente registrados no Ministério de Agricultura e Receita Federal são menos de 2.000 estabelecimentos, com 4.000 marcas.
Um das mais bem sucedidas é, sem dúvida, a Companhia Müller de Bebidas, dona da conhecida Cachaça 51. Sediada na região de Pirassununga, no interior de São Paulo, a companhia é hoje a maior produtora do segmento. Lidera as vendas no Brasil e também reina no mercado internacional em países como Espanha, Portugal e Itália, surfando no sucesso da caipirinha.
No ano passado, as exportações da Cachaça 51 cresceram em volume 13,8%, quase o dobro da média nacional das suas concorrentes brasileiras, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). No mercado espanhol, por exemplo, a marca representou mais de 40% de toda a cachaça brasileira consumida pelos espanhóis. Em Portugal, metade da cachaça vendida no país foi da marca. Na versão exportação, a bebida tem graduação alcoólica de 40% vol (no Brasil é 39%), não é adoçada e é 100% destilaria própria. A companhia já exporta para mais de 50 países e os planos são de continuar investindo em novos mercados.
No Brasil o consumo também é grande. A cada hora são servidas 374.000 doses de Cachaça 51 em algum ponto do país. A companhia possui uma rede de distribuição que abastece mais de um milhão de pontos de vendas, como bares, restaurantes, barracas de praia e padarias.
O êxito da marca se deve em grande parte ao seu fundador Guilherme Müller Filho. Brasileiro de origem alemã, ele fundou a empresa em 1959 e nunca tirou os olhos do seu produto. Enquanto o sócio cuidava da área financeira, era ele quem, no seu fiel caminhão Ford F8, transportava em tanques de madeira a cachaça produzida para os consumidores e empresas. A fórmula deu certo e o negócio prosperou. A origem do nome numérico "51" sempre foi alvo de lendas entre os apreciadores da "marvada" deixando a marca mais atraente.
Uma das versões diz que o 51 viria do número do tonel de armazenamento da melhor safra da cachaça. Outra lenda garante: 51 era a quantidade de doses que um mendigo de Pirassununga conseguiu tomar num único dia. A verdade é que a história do nome se perdeu com o passo do tempo e hoje nem a própria empresa sabe qual é.
No final da década de 70, a empresa lançou o slogan publicitário "51, uma boa ideia", que caiu no gosto do povo e aumentou ainda mais a lista dos apelidos da cachaça na hora de pedir uma dose no bar.
A empresa que hoje é propriedade dos filhos de Müller, Luiz Augusto e Benedito - que travam disputas na Justiça pela herança herdada –, espera conquistar um marco inédito neste ano. A Cia Müller deve atingir a maior safra da sua história, já que estima processar 630.000 toneladas de cana de açúcar em seus canaviais. A super safra vai permitir que a destilaria envase, pela primeira vez, 100% da cachaça com cana totalmente própria. "Com isso, a Cia Müller mantém o controle de qualidade em todas as etapas de produção da cachaça", explica Rodrigo Carvalho, diretor comercial de marketing, que calcula um faturamento de 766 milhões de reais da companhia em 2017. Com a autonomia, a expectativa também é que a média de produção de 200.000 litros de cachaça por ano seja mantida.
A conquista, no entanto, acontece em um momento no qual o mercado de cachaça vem padecendo uma pequena queda no Brasil. "A crise econômica tem prejudicado de forma generalizada todas as categorias. Nos últimos anos, o mercado de cachaça sofreu um declínio de volume de 3,5% ao ano. Mas, ao mesmo tempo, se observa um crescimento de consumo das chamadas cachaça premium, que são produtos mais sofisticados com maior valor agregado", ressalta Carvalho. Visando esse segmento em ascensão, a empresa desenvolveu, há oito anos, a linha Reserva 51, envelhecida de quatro a cinco anos em barris de carvalho e finalizada em barris de vinho.
Apesar da sofisticação atual de algumas cachaças, a bebida sempre foi popular e acessível. Criada há cerca de 500 anos, no início da colonização portuguesa, a cachaça é a segunda bebida mais consumida no país tropical, ficando atrás apenas da cerveja. São várias as versões existentes sobre a origem da bebida. Uma delas é que ela foi descoberta, por acaso, pelos escravos que trabalhavam na moagem da cana para produzir açúcar. Eles teriam deixado armazenar o caldo que se formava durante a primeira fervedura da cana e resolveram experimentar o líquido. Os escravos teriam sido os primeiros a se apaixonarem pela bebida que agradou também aos portugueses que começaram a levar a aguardente para Portugal.

O Palmeiras Tem Mundial?


O Palmeiras Tem Mundial?
Artigo

Com o reconhecimento da Fifa aos títulos mundiais de clubes a partir de 1960, voltou a discussão sobre o status de campeonato mundial atribuído pelo Palmeiras ao seu título da Taça Cidade do Rio de Janeiro conquistada em 1951. Um mês antes do início dos jogos, o Estadão escreveu:
"Talvez haja êxito econômico, apesar dos pesares. Mas, com ele ou sem ele, é aconselhável, além de honesto, que se mude a denominação do certame, mesmo porque, pelo simples exame da relação dos concorrentes, verifica-se que ele não é dos Campeões e muito menos Mundial..."
No mesmo artigo, o jornal também questionava o fato do Palmeiras e Vasco terem participado na condição de campeões estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro, ao invés de ter sido feito um campeonato nacional de clubes campeões estaduais para indicar um único representante nacional no campeonato.
Fonte: https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,palmeiras-tem-mundial-o-que-o-jornal-dizia-em-1951,12985,0.htm

Castelo do Barão de Itaipava, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil


Castelo do Barão de Itaipava, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Petrópolis - RJ
R. Haack
Fotografia - Cartão Postal

Foi construído na primeira metade do século XX, por volta de 1922-24, por um aristocrata anglo-brasileiroRodolfo Smith de Vasconcellos, o segundo Barão de Vasconcellos, no bairro de Itaipava, na cidade de Petrópolis. É uma reprodução de um castelo europeu. Foi projetado pelo arquiteto Fernando Valentim (Lúcio Costa creditava a responsabilidade pelo projeto totalmente ao seu antigo sócio).
A construção foi realizada por vinte famílias trazidas da Europa, com material totalmente europeu: de Portugal, vieram os blocos de pedras que foram talhadas por artesãos portugueses; da França, o telhado de ardósia; da Itália, o mármore de Carrara, que compõe o piso de vários salões, inclusive o do famoso Salão do Zodíaco. As portas e janelas são de jacarandá, com ferragens inglesas; os vitrais são austríacos e, finalizando os principais detalhes, cada porta dos quartos de seus filhos tinha seus nomes gravados em ouro.
Esta construção levou em torno de cinco anos. São 42 cômodos distribuídos em dezenove quartos, sete banheiros, diversos salões, bibliotecas, sala de música, halls, duas torres, diversos terraços, dependências para hóspedes, ala dos serviçais e galerias que abrigam interessantes histórias que permeiam a vida dos Smith de Vasconcellos no Brasil. O hall com as escadarias e o teto de jacarandá é finamente trabalhado. Há vitrais com as armas da família, biblioteca com estantes esculpidas em relevo, livros raros e um vasto parque cercando a mansão.
Jaime Smith de Vasconcellos, o terceiro barão de Vasconcellos, na primeira metade do século XX, encomendou à fábrica inglesa Rolls Royce uma limusine com onze lugares onde passou a acomodar seus sete filhos, a baronesa Anna Teresa Siciliano (filha do conde Alessandro Siciliano, a babá e o motorista. Esse automóvel tão especial também tinha, em suas portas, gravado em ouro, o brasão de armas da família. O castelo mantém, ainda, uma torre onde está uma cópia do batistério da Catedral de São Pedro.
Personalidades como Adhemar de BarrosGetúlio VargasAmaral Peixoto e várias pessoas das sociedades carioca e paulista frequentavam o local.

Ponte São João, Estrada de Ferro do Paraná, Morretes, Paraná, Brasil


Ponte São João, Estrada de Ferro do Paraná, Morretes, Paraná, Brasil
Morretes - PR
Fotografia - Cartão Postal


Obra de arte da engenharia brasileira do Século XIX integra o conjunto de viadutos da ferrovia Paranaguá-Curitiba. A ponte foi projetada no Brasil e construída na Bélgica, sendo transportada em pedaços e montada no local pelos trabalhadores da obra.
Possui 112 metros de extensão, divididos em 4 vão, o maior com 70 m, sendo a ponte mais longa da ferrovia e também a mais alta pois seu vão central está a 55 metros de altura em relação ao fundo da grota do Rio São João, o equivalente a um edifício de 24 andares. É a ponte mais longa e também a mais alta da ferrovia.
O livro "Uma viagem de 100 anos: Ferrovia Paranaguá-Curitiba, 1885 – 2 de fevereiro – 1985", contém nas páginas 139-140 a explicação seguinte do engenheiro Teixeira Soares: “Os três vãos pequenos são vencidos com vigas de alma cheia. Só o vão central é de treliça. Assenta sobre pilares de ferro batido, apoiados em base de alvenaria de pedra. A estrutura metálica é fabricada na Bélgica. Fornecemos os perfis do terreno natural e do greide. Eles projetam cada ponte ou viaduto de acordo com o trem de carga especificado. Aqui fazemos a montagem, que não é fácil. Para muita gente pode parecer desperdício pilares metálicos, se estamos rodeados de granito e de gnaisse em abundância. Acontece que a experiência europeia concluiu que, a partir de 30 metros, o ferro torna-se mais econômico do que a alvenaria de pedra. O alojamento e a manutenção do numeroso pessoal necessário à execução de importantes maciços de alvenaria acarretam dificuldades. Embora isso, os pilares metálicos devem ser embutidos em bases de alvenaria, com certa altura. Não só impedem que a unidade provoque a corrosão do metal, como evitam que suba até a estrutura metálica. Para vãos inferiores a 15 metros, os europeus recomendam vigas de alma cheia. Mais afoitos, os americanos as empregam até vãos de 35 metros. Seu inconveniente é a rebitagem. Trabalho insano. Como estamos sujeitos ao mercado europeu, acima de 15 metros usamos vigas em treliça, a exemplo do vão central. As treliças simples são três. Em “V”, conhecidas por vigas ‘Warren’, do nome do engenheiro inglês que primeiro as usou no seu país. Em “N”, ou Monier, nome do engenheiro belga que as patenteou em 1858, na Alemanha. Finalmente as Neville, nome tirado do engenheiro americano que as inventou, mas que não passam de um tipo misto das anteriores. Aqui, dada a extensão do vão, os belgas projetaram uma treliça múltipla dupla. Nesta ponte foram consumidos 3.242 metros cúbicos de alvenaria de pedra e 442 toneladas de ferro."
A ponte foi o último desafio da ferrovia, pois intensas chuvas paralisavam as obras. Começou a ser construída no início de 1882, foi inaugurada em 26 de junho de 1884. Em 1944 ela recebeu um cavalete de reforço no maior dos vãos.
O Paraná da segunda metade do século 19 encarava dois desafios: garantir que a economia mantivesse o ritmo crescente e assegurar uma comunicação eficiente com o interior da província. A erva-mate foi a força motriz que contribuiu para que o Paraná conquistasse sua emancipação em 1853. Na época, um dos grandes desafios foi assegurar o escoamento adequado do produto para os portos do litoral. A solução apareceu com a ferrovia.
A linha de Paranaguá a Curitiba da Estrada de Ferro do Paraná, no Brasil, foi construída entre 1880 e 1884. A obra foi dividida em três partes: de Paranaguá a Morretes, de Morretes a Roça Nova, e de Roça Nova a Curitiba. A equipe de construção foi chefiada pelo engenheiro João Teixeira Soares. A construção foi um marco na engenharia brasileira, pois envolvia cruzar a Serra do Mar. Em 1917 um escritor britânico descreveu essa linha: “O ponto mais alto chega a 3.122 pés (952 metros), após uma subida de 40 quilômetros. Com bitola de 1 metro, o trilho serpenteia engenhosamente uma série de contrafortes e espigões laterais, terminando num arriscado espetáculo ao longo dos penhascos da parte superior da Serra sobre viadutos que se destacam sobre precipícios de 1.000 pés (305 metros). São raros os trechos com 50 metros de trilhos sem uma curva, e as vistas para o mar são particularmente magníficas”.
Em 1870, o Império recebeu um pedido de concessão para a construção de uma ferrovia que ligasse o Litoral ao planalto curitibano. Francisco Monteiro Tourinho, Antônio Pereira Rebouças Filho e Maurício Schwartz, que tinham construído a Estrada da Graciosa, eram os responsáveis pela solicitação da concessão. A ideia era que a linha partisse de Antonina rumo à capital da província. O decreto de 10 de janeiro de 1871 deferiu o pedido de concessão. Mas, a decisão acirrou os ânimos de outra importante cidade litorânea. Paranaguá não aceitava a decisão. O Visconde de Nacar e a família Correia, influentes politicamente, desejavam que o quilômetro zero estivesse em terras parnanguaras. A pressão política não tardaria a surtir efeito. Os embates e disputas entre as cidades, a província e a Corte se arrastaram por quase quatro anos, até que um decreto imperial de 1.º de maio de 1875 pôs fim à discussão: o trem partiria de Paranaguá. O argumento utilizado para renegar Antonina foi a profundidade de sua baía, que não comportaria navios de grande porte. Quando tudo parecia pronto para que as obras finalmente andassem, o recurso financeiro pesou contra. Vale destacar que o orçamento do governo imperial estava comprometido devido à participação do Brasil na Guerra do Paraguai. A conclusão do Império foi que os capitais nacionais seriam insuficientes. A Corte solicitou uma nova análise do traçado, que havia sido feita por Antônio Rebouças. A ideia era verificar outra opção que fosse mais negociável com empresas estrangeiras. Em 1877 foi aprovado um novo traçado baseado nos originais de Rebouças e com adaptações dos engenheiros Rodolpho Alexandre Helh e Luiz da Rocha Dias. Em 12 de agosto de 1879 foi autorizada a transferência da concessão para a Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens, de capital francês. Por não ser da área de engenharia, ela contratou uma empresa especializada, a belga Societé Anonyme des Travaux Dyle et Bacalan.
Em 5 de junho de 1880, Dom Pedro II lançou, em Paranaguá, a pedra fundamental da construção, mas as obras estavam em andamento desde 20 de janeiro. Diversos desafios tiveram de ser superados, principalmente os sete quilômetros entre os rios Itupava e Ipiranga, que costeavam os paredões íngremes dos conjuntos Marumbi e Cadeado. Ao longo do trecho da Serra do Mar, ao menos três obras merecem destaque: o Túnel de Roça Nova, o Viaduto do Carvalho e a Ponte São João. O último grande desafio foi a ponte, inaugurada em 26 de junho de 1884. Com a estrutura concluída, foi possível levar de trem o resto do material para terminar o restante da ferrovia.
Nessa época, as obras estavam atrasadas e o governo imperial prorrogou a data de conclusão por mais um ano: 30 de junho de 1885. A companhia francesa conseguiu terminar a ferrovia antes da nova data limite, possibilitando a inauguração da estrada de ferro em 2 de fevereiro de 1885.
Inaugurada há mais de 130 anos, a ferrovia Paranaguá-Curitiba deve sua existência às manobras políticas do governo imperial, que driblou interesses divergentes e a falta de recursos para destravar a ligação definitiva entre a capital e o Litoral da então província do Paraná. Foram quinze anos de espera até que as primeiras marias-fumaças dessem o ar da graça. A hoje centenária estrada de ferro continua sendo uma referência por sua engenharia ousada, importância econômica e pela beleza de suas estruturas, que rasgam a Serra do Mar por meio de túneis abertos no coração da rocha, pontes que parecem flutuar no vazio e curvas sobre penhascos que desafiam os espíritos mais corajosos.

Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil


Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Foto Lucarelli
Fotografia - Cartão Postal

Monumento do IV Centenário da Fundação de São Vicente, São Vicente, São Paulo, Brasil






Monumento do IV Centenário da Fundação de São Vicente, São Vicente, São Paulo, Brasil
São Vicente - SP
Fotografia - Cartão Postal


São Vicente, Cellula Mater da Nacionalidade, comemorou 450 anos de fundação oficial em 1982 (hoje, 2024, tem 492 anos). 
Nas pesquisas que fizemos, não encontramos qualquer documento que nos revelasse como teriam sido as festividades de 22 de janeiro de 1832. Todavia, farta e copiosa documentação possuímos, em nosso arquivo particular, referente às solenidades por ocasião do IV Centenário da Fundação de São Vicente. Foi nesse ano de 1932 que se lançou a pedra fundamental do monumento (Coluna-Padrão), erguido sobre um ilhéu chamado Pedras do Mato, porque outrora estava ligado ao sopé do Morro dos Barbosas, mas as águas das marés o separaram, avançando pela terra dentro e formando afloramentos rochosos naquele recanto de praia de São Vicente.
Esse montículo de rochedos constituía baliza interna de pilotagem ou desembarque, enfrentando a barra em linha abrigada ao nascente pela Ilha do Mudo (atual Ilha Porchat) e no poente pelos morros do Paranapoãn ou Paranapuan - linha reta Noroeste-Sudeste que tangenciando a ponta da Ilha Porchat, poderia ter sido a divisória interior da donataria de Pero Lopes, encravada nas 100 léguas de Martim Afonso de Souza.
O 22 de janeiro de 1932 - Seria por demais extenso relatar as solenidades desse dia memorável. Contudo, deve-se ressaltar que a alvorada desse dia anunciou-se com alertadora salva de vinte e um tiros. Toda a população, vicentina e santista, despertou bem cedo e acorreu à Biquinha de Anchieta. Defronte à praça 22 de Janeiro e à direita da tradicional Biquinha, erguiam-se majestosos painéis alusivos ao desembarque de Martim Afonso de Souza em 1532, ladeando o altar pousado no sopé do Morro dos Barbosas.
Às dez horas chegou o bispo de Santos, dom José Maria Parreira Lara. Vinha pontificar a missa campal que se celebrou, ouvindo-se, nessa ocasião, o coro de Santa Cecília, da capital paulista. Depois, a comitiva dos governos estadual e federal, as autoridades locais, os representantes consulares, clericais, associativos e jornalísticos entraram no recinto da Exposição-Feira, que ocupava meia quadra de frente para a Praça 22 de Janeiro. Nela estavam armadas várias barracas de diversões e restaurantes, em volta do Pavilhão do Centenário, onde foram reunidas relíquias históricas e ricos mostruários de industriais e comerciantes.
A cerimônia nesse recinto iniciou-se com o lançamento simbólico da pedra fundamental da Coluna-Padrão, com que a colônia portuguesa de Santos prestava homenagem aos vicentinos pela comemoração do quadricentenário da fundação jurídica do primeiro povoado no Brasil. A pedra em forma de paralelepípedo foi destampada, mostrando a cavidade quadrilátera, onde colocaram depois a ata, moedas e jornais, selando-a, e amarrando-a com larga fita verde-amarela.
Então, o notável escritor e historiador dr. Ricardo Severo proferiu admirável oração. Em nome dos portugueses ofertava o padrão comemorativo da fundação da primigênia cidade de São Vicente. O monumento a ser erigido na ilhota, tão conhecido hoje pelos nossos cartões postais, deveria igualar-se aos modestos padrões quinhentistas que os colonizadores e navegantes plantaram nas terras descobertas.
Mais de um ano se passara do lançamento simbólico da pedra fundamental do monumento. Finalmente, na manhã de 19 de março de 1933, após a missa campal celebrada no Largo da Biquinha, foi inaugurada a placa de bronze com a inscrição: "1553 - Biquinha de Anchieta - 1578. Retive neste recanto, como luzeiro de suas tradições, Joseph de Anchieta, reitor do Colégio de São Vicente (1569-1576), Evangelizador da capitania de Martim Afonso, herói da fé e taumaturgo do Brasil".
Essa placa foi oferecida pelo Sr. Antônio Zuffo e descerrada pela sua própria filha. O padre Genésio Nogueira Lopes, vigário geral da Diocese e celebrante da missa no altar debaixo da pérgula ao lado da Biquinha, em nome do bispo de Santos, Dom Lara, agradeceu a homenagem póstuma a José de Anchieta, no dia de seu onomástico.
O povo ocupava todo o largo; e, à frente, viam-se as autoridades, os prefeitos municipais de Santos (Aristides Bastos Machado) e de São Vicente (José Monteiro), o escritor Carlos Malheiro Dias, o historiador Afonso de Taunay, o engenheiro Ricardo Severo e os membros da comissão portuguesa do quarto centenário vicentino.
Na Câmara Municipal, para onde todos se dirigiram, depois da missa, realizou-se a entrega da Coluna-Padrão erigida nas Pedras do Mato, pela Comissão, ao prefeito. Em seguida ao agradecimento do Dr. José Monteiro, leu o capitão Luiz Antônio Pimenta longo discurso sobre o significado da cerimônia da oferta do monumento pelos portugueses de Santos e São Vicente, como prova de amizade dos dois povos irmãos e como reminiscência da fulgurante colonização lusa no Brasil.
Em seguida, todos voltaram à Biquinha, em cujas proximidades ficam as Pedras do Mato, rentes à praia. No princípio da estrada que circunda o Morro dos Barbosas e leva à Ponte Pênsil (atual avenida Getúlio Vargas), armaram uma ponte (passarela) de madeira até a ilhota chamada "Pedras do Mato", onde se erguia o monumento, coberto com a bandeira do Brasil. Os convidados atravessaram a ponte, acercaram-se do padrão comemorativo, do qual descerraram a bandeira, sob revoada de palmas e ao som do Hino Nacional Brasileiro. Todos, como que extasiados, ficaram admirando a bela e alta coluna de pedra.
Com a inauguração dessa obra de arte, ideada pelo engenheiro e ilustre historiador Ricardo Severo, a Comissão Portuguesa do IV Centenário de São Vicente ofereceu a convidados e jornalistas, às autoridades e aos eminentes intelectuais, substancioso almoço no Restaurante da Ilha Porchat.
"A singela coluna de granito, ereta nas escarpas Pedras do Mato, assumirá monumentais proporções como símbolo", disse o eminente escritor Carlos Malheiro Dias, aduzindo: "Estas ilhas, estas praias, o remanso destas águas, se converterão em um santuário cívico, em um lugar de peregrinação". Lembrou ainda que o Brasil tem a suprema felicidade de saber que "aqui se iniciou a construção da Pátria, que aqui se improvisaram os rendimentos da sua organização social e política".
As pedras do singelo monumento compõem um alto fuste completamente liso, de forma cilíndrica, com seção circular que é símbolo da imortalidade, sem princípio nem fim; com geratrizes retas, paralelas, que sobem verticalmente para as alturas siderais, na estrada infinita do pensamento.
Tem por capitel um prisma quadrilátero, com os quatro escudos:
do Portugal quinhentista, como o trouxeram os navegantes d'além-mar;
de Martim Afonso de Souza, que foi o primeiro capitão-mor, donatário e fundador de São Vicente;
da Ordem de Cristo, signo augusto que marcou os feitos heróicos dos primeiros cruzados e os arquejantes seios das primeiras caravelas;
da atual Pátria brasileira, que estabelece triunfantemente a data atual e o epílogo glorioso de todo aquele passado, que não se fecha no ciclo quadricentenário destas datas, mas se prolonga na trajetória milenária de um povo que marcou na história da humanidade a mais brilhante das suas eras e das suas epopeias.
A cada um destes escudos correspondem verticalmente, no soco do primeiro pedestal, os seguintes lemas:
"Pola ley y pola grey";
"S. Vicente - 1532-1932";
"Talant de bien faire";
"Brasiliae cellula-mater".
Suporta esta coluna uma grande esfera armilar, que foi real e áurea divisa manoelina, figurando nas bandeiras desses primeiros navegadores, donde passou como distintivo heráldico para o Brasil-Colônia, depois para o Reino Unido, e por fim para os Estados Unidos do Brasil.
Encima-a a cruz de Cristo, que foi o espírito, o verbo, a visão, a estrela-guia daqueles heróicos cavaleiros do mar, e assenta nessa imagem geocêntrica do mundo solar, como símbolo sacrossanto do divino crucificado, no espaço celestial das ressurreições, com a sua auréola infinita de firmamentos, dominando o universo terrestre, como o vasto calvário da sublime doutrina cristã, e o reino temporal do Espírito onipotente criador de todos os universos.
Que os vicentinos de hoje olhem para aquele monumento das Pedras do Mato - e aquela arvorezinha (Guapé, da família das Pontederiáceas), que já estava ali antes da inauguração - com todo respeito e carinho, procurando, de todas as formas, preservá-lo do vandalismo. Enfim, foi um presente que ganhamos. Texto de Jaime Mesquita Caldas.
Nota do blog: Data e autoria não obtidas.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária, Rio de Janeiro, Brasil


Igreja de Nossa Senhora da Candelária, Rio de Janeiro, Brasil
Rio de Janeiro - RJ
Fotografia - Cartão Postal

A Igreja de Nossa Senhora da Candelária é um templo católico localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É um dos principais monumentos religiosos da cidade, palco tradicional de casamentos da sociedade carioca.

Praça João Pessoa, São José dos Campos, São Paulo, Brasil


Praça João Pessoa, São José dos Campos, São Paulo, Brasil
São José dos Campos - SP
Foto Postal Colombo N. 15
Fotografia - Cartão Postal