domingo, 28 de agosto de 2022

Paço Municipal / Paço da Liberdade, 1916, Curitiba, Paraná, Brasil





Paço Municipal / Paço da Liberdade, 1916, Curitiba, Paraná, Brasil 
Curitiba - PR
Fotografia

Andar pela Praça Generoso Marques, em Curitiba, é estar diante de construções centenárias que ali floresceram no final do século XIX e até hoje são preservadas. De 1870 em diante, ao redor da praça foram edificados os mais modernos casarios e palacetes, que pertenciam a grandes proprietários de Curitiba. Eles seguiam os padrões da arquitetura neoclássica e, principalmente, da Art Noveau francesa, que foi incorporada pelos arquitetos brasileiros e aplicada nos desenhos das propriedades públicas e das privadas pertencentes à elite.
O estilo da Art Noveau é bem conhecido. Sua arquitetura é de alvenaria, com traços curvos nas estruturas que combinam ferro, vidro e muito concreto. As janelas são grandes; o telhado é ondular; as colunas são proeminentes e o espaço interno é reconhecido não só pela luxuosidade, mas pelos amplos e bem aproveitados ambientes.
Foi esta escola artística, por exemplo, que moldou boa parte do projeto do Paço Municipal de Porto Alegre e outros grandiosos edifícios oficiais, principalmente no início da Primeira República. O motivo da escolha de tal tendência é que nela estavam presentes os ideais de civilização, progresso, industrialização e crescimento, base que fundamentou o regime republicano em seus primeiros anos e representou, principalmente, o modernismo.
A construção do Paço Municipal de Curitiba:
Um outro exemplo de Art Noveau no Brasil foi o edifício que abrigou a prefeitura de Curitiba a partir de 1916: o Paço Municipal. Até essa época, tanto o prefeito como a Câmara de vereadores eram itinerantes pois, apesar de ter algumas sedes, nunca se havia definido um espaço específico para as atividades executivas e legislativas da cidade. A mudança ocorreu após a eleição do governador Carlos Cavalcanti de Albuquerque, que, em 1912, decidiu pela construção definitiva de um Paço para a capital, obra iniciada somente em 1914 e inaugurada 2 anos depois.
Mas o que significa Paço?
Se hoje se utilizam as palavras "Prefeitura" e "Câmara Municipal" ou de Vereadores para fazer referência ao espaço político de um município, naquela época esses âmbitos eram agrupados em um mesmo local, cujo prédio era chamado de Paço Municipal ou simplesmente Paço. Pode-se dizer que Paço era sinônimo de prefeitura, isso pelo menos até a Revolução de 1930.
Entretanto, vale dizer que a palavra Paço não simboliza qualquer prédio de prefeitura. Isso porque Paço vem do latim palatius e significa palácio. Isso evidencia, portanto, que para ser considerado como tal, um Paço deve representar uma construção luxuosa e destacada. É por isso que todos os Paços do Brasil, como o de Porto Alegre, o Imperial, o de Feira de Santana e o de Niterói, seguem esse mesmo estilo de grandiosidade arquitetônica. Com o Paço Municipal de Curitiba, é claro, isso não foi diferente.
E o que havia antes da construção do Paço?
O Paço Municipal foi construído exatamente no mesmo local do antigo Mercado Municipal de Curitiba, que ali permaneceu de 1874 até 1912, quando foi transferido para um barracão de madeira na Praça 19 de Dezembro (então chamada de largo da Nogueira). Da arquitetura original, somente foi mantida a fachada do Mercado, que serviu de tapume até a finalização da obra do Paço, sendo demolida logo na sequência.
Na época, a construção do Mercado foi fundamental para o crescimento de Curitiba. Foi ele que permitiu a essa área, então um descampado considero como um fundo de cadeia (pois logo atrás ficava a Cadeia Pública), atrair comércios e moradores, fato que explica os casarios e palacetes ali existentes desde a década de 1870.
Depois da inauguração desse que foi o maior espaço comercial na época, em sua frente foi mantido um espaço aberto, que servia ao trânsito e sociabilização. Para ele, deu-se o nome de “Praça do Mercado”. Com o tempo, essa região assumiu destaque no cenário curitibano, aspecto que influenciou na mudança do nome para “Praça Municipal”.
O projeto e inauguração do Paço:
Os jornais de época, como o Diário da Tarde, atribuem o projeto arquitetônico do Paço ao então prefeito de Curitiba Cândido de Abreu, escolhido pelo governador Carlos Cavalcanti. Porém, os pesquisadores tendem a concordar que dificilmente ele fez tudo sozinho.
Para a arquiteta Suzelle Rizzi, por exemplo, a obra teve como engenheiro-chefe Adriano Goulin e provavelmente foi construída por Angelo Bottecchia e André Pitrelli. Discute-se, ainda, uma possível influência do arquiteto Roberto Lacombe, bem como de João Guelfi e João Ortolani na confecção das pinturas e ornamentações internas. Seja como for, fato é que o conjunto todo foi assinado por Cândido de Abreu.
Além dessas incertezas quanto à autoria do projeto, a realização dele em si foi muito discutida. Isso porque uma lei de 1912 instituía o terreno na esquina da Rua João Negrão com a Rua Senador Laurindo, ao lado da Praça Santos Andrade, como o local para a futura Prefeitura Municipal. Cândido de Abreu, contudo, ignorou-a e escolheu o centro da Praça Municipal, tendo em vista que a região era mais desenvolvida e reconhecida. Muitos dos jornais da época, então, mostraram-se totalmente contra a construção naquele espaço, pois isso representaria a demolição do Mercado Municipal, ação que logo em seguida se consumou.
Nomeação da Praça e do Paço da Liberdade:
Conforme você, leitor, pode notar, a Praça em que estavam tanto o Mercado Municipal quanto a Paço Municipal ainda não era chamada de Praça Generoso Marques à época. Na verdade, o local só foi receber esse nome em 1928, quando o senador paranaense Generoso Marques faleceu. Antes disso, o espaço era chamado de Praça Municipal (entre 1890 e 1928), Praça do Mercado (1874-1890) e Largo da Cadeia (pelo menos desde o início do século XIX). A escolha desse nome, portanto, foi uma homenagem ao político local, que também havia sido governador e um dos principais jornalistas do estado.
Além dessa mudança, outra significativa ocorreu em 1948. Até então, o Paço era reconhecido como Paço Municipal, justamente por ser a prefeitura. Nessa data, porém, o vereador Roberto Barrozo apresentou um projeto à Câmara que culminou na mudança do nome para Paço da Liberdade, que até hoje é mantido como o oficial.
Uma história que continua:
O ano de 1969 foi o último ano do então Paço da Liberdade como sede da prefeitura de Curitiba. Então, mesmo que tenha servido, em 1970, a políticas educacionais do governo federal, o prédio permaneceu abandonado até 1974, quando foi reformado e escolhido para sediar o Museu Paranaense. Dez anos depois, ele se tornou o primeiro e único edifício história do Paraná a ser tombado em nível nacional, estadual e, daí em diante, nacional, por meio do reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Depois de mais um pequeno restauro em 1994, o Paço da Liberdade deixou de ser sede do Museu Paranaense em 2002, quando este se transferiu para o Palácio São Francisco. Novamente, o prédio ficou abandonado por 4 anos, até ser totalmente reformado entre 2006 e 2009, em parceria com a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio/SESC) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). No meio do restauro, inclusive, foram encontrados resquícios do antigo piso do Mercado Municipal de Curitiba, descoberta fundamental para a arqueologia e para a história do Paraná.
Desde então, o Paço da Liberdade se tornou um centro cultural público, que abriga bibliotecas, livraria, café cultural e musical, além de sala de cinema, de música e de exposições. Por isso, embora transformado no tempo e experimentado diferentes circunstâncias, o prédio centenário de Curitiba mantém viva a chama cultural e história que o preserva e nos faz recordar do desenvolvimento história da capital paranaense. Porque ali existiu de tudo um pouco: o efervescente mercado municipal, as tensões políticas, a preservação de memória e, nos dias atuais, o trânsito de pessoas que veem nele uma possibilidade de descobertas.
Nota do blog: Imagem de Arthur Wischral.

Inauguração da Estátua do Barão do Rio Branco, 19/12/1914, Praça Generoso Marques, Curitiba, Paraná, Brasil


 
Inauguração da Estátua do Barão do Rio Branco, 19/12/1914, Praça Generoso Marques, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia

Cerimônia de inauguração da estátua do Barão do Rio Branco, em 19/12/1914, na Praça Generoso Marques, Curitiba. Atrás do palanque cerimonial, vê-se a edificação do prédio da Prefeitura, dentro do espaço do antigo Mercado Municipal.

Cerimônia de Inauguração da Estátua do Barão do Rio Branco, 19/12/1914, Praça Generoso Marques, Curitiba, Paraná, Brasil

 









Cerimônia de Inauguração da Estátua do Barão do Rio Branco, 19/12/1914, Praça Generoso Marques, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
Fotografia


Em 19/12/1914, a população de Curitiba reunia-se na Praça Generoso Marques para celebrar a inauguração da estátua do Barão do Rio Branco, elaborada em bronze. Esteve presente ao evento o presidente Carlos Cavalcanti e teve como orador Dario Vellozo. A estátua foi projetada e esculpida por Rodolpho Bernardelli e sua execução foi feita pela Fundição Indígena, no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, o "Paço da Liberdade", ainda estava em construção e ficou pronto apenas dois anos depois.
A arrecadação de doações para sua construção foi iniciada em 1912, sendo a primeira feita no Brasil em sua homenagem, e teve participação de toda a coletividade à época. Em 20/06/1914, o jornal "Diário da Tarde" noticiava que a estátua ficara pronta e estava em exposição em um salão da "Fundição Indígena". Conforme a nota, sua altura é de 3,20 metros, pesando somente a figura do ilustre homenageado 1.800 quilos. No total, com pedestal e adereços, seu peso chega a 3 toneladas.
A estátua foi instalada sobre um alto pedestal, voltada para a Rua Barão do Rio Branco e a Estação Ferroviária, para dar boas-vindas aos que chegavam à cidade por ela.
A festa de inauguração, contou com a presença maciça da população e de diversas autoridades. Após a cerimônia, um desfile de carruagens e automóveis rumou pelas ruas do centro em direção ao Palácio da Associação Comercial, na rua XV de Novembro, onde a diretoria ofereceu um "five o'clock tea" à fina flor da sociedade curitibana.

Como é o Passeio de Trem de Curitiba a Morretes - Artigo


O Viaduto do Carvalho é um dos pontos altos da viagem de trem; ali os passageiros tem a sensação de estar voando sobre trilhos.


O passeio é operado pela Serra Verde Express desde 1997.


Depois que passamos pelo Túnel 13, todas as decepções ficam para trás e a Mata Atlântica torna-se a rainha do passeio.


O Cânion do Ipiranga e a Garganta do Diabo são duas vistas muito esperadas ao longo do passeio.


Para construir a Ponte São João, a logística foi complexa; era preciso distribuir em Morretes o aço na ordem inversa de montagem e levar para o local em pequenas quantidades, já que não havia espaço para estocagem.


O Barreado é acompanhado por farinha de mandioca e banana, além de outras opções de comida, como arroz, salada e frutos do mar; no pacote de passeio da Serra Verde Express as bebidas devem ser pagas à parte.


O passeio em Morretes consiste em caminhar pelo centro histórico e relaxar entre as lojinhas e barracas de artesanato.


Na categoria Turística, as poltronas são para duas pessoas; as grandes janelas podem ser abertas e, se o trem estiver parado, é possível tirar ótimas fotos para fora do vagão.


A Litorina Curitiba conta com uma decoração moderna, com símbolos que fazem referência à capital paranaense; aqui as janelas são menores pois há ar condicionado.


Já a Litorina Copacabana possui uma decoração neoclássica que resgata elementos do Rio de Janeiro dos anos 1930.


O vagão Camarote conta com cabines exclusivas para até 4 pessoas e uma decoração clássica.


O Guardiões do Marumbi é o vagão mais novo da Serra Verde Express; Inaugurado em dezembro de 2021, esse carro possui uma varanda central, referências do montanhismo na Serra do Mar.


O Bove é o vagão pet friendly; os cães podem ficar aconchegados em sofás e caminhas, além de circular por uma varanda central entre os lounges.


Também inspirado nos anos 1930, o vagão Imperial é um dos vagões de luxo da Serra Verde Express.


O vagão Barão do Serro Azul possui uma varanda aberta na cauda; no interior, ele é mobiliado com mesas para até quatro pessoas.


A categoria econômica não é para quem está fazendo o passeio pela Serra do Mar, mas sim para os apaixonados por trilhas, que estão indo rumo ao Pico do Marumbi.


Como é o Passeio de Trem de Curitiba a Morretes - Artigo
Artigo


Há umas três décadas, meu pai dirigiu seu Fusca até Curitiba levando toda a família para um passeio que seria inesquecível. Desde então, a capital paranaense se tornou uma parada quase obrigatória nos roteiros das nossas road trips para o sul do país, seja para dar uma passadinha no Jardim Botânico ou só fazer uma parada para comer. Na minha família, nós temos até um bordão: “se sair de casa às seis da manhã, estará comendo em Santa Felicidade na hora do almoço”. E vamos combinar, quem não gostaria de encher o bucho com um rodízio de massas do Madalosso em uma segunda-feira qualquer?
Eis que escolhemos Curitiba como destino para nossa primeira viagem depois do isolamento pandêmico. Eu queria rever os pontos turísticos que tinha conhecido quando criança, mas também fazer um roteiro diferente, com coisas que meus pais ainda não estivessem enjoados de ver. A solução foi convencê-los a fazer o passeio de trem pela Serra do Mar Paranaense, entre Curitiba e Morretes.
Os vagões, as passagens e os pacotes:
Responsável por operar o trajeto de trem há 25 anos, a Serra Verde Express atingiu a marca de 4 milhões de passageiros transportados em abril de 2022. A empresa possui várias classes de vagões. A econômica é a única que não foi feita pensando no passeio, mas sim nos montanhistas que usam o trem como meio de transporte até as trilhas do Parque Estadual do Pico do Marumbi. Por isso, nessa categoria os assentos são de plástico e não há guia ou serviço de bordo. Já na classe Turística, com maior número de vagões (20 no total), as janelas são grandes e as poltronas, duplas e estofadas. As classes Boutique e Litorina, por fim, são as mais sofisticadas, com decorações temáticas e características específicas em cada vagão. O Bove, por exemplo, permite a entrada de pets. Além disso, essas duas categorias possuem ar condicionado, acompanhamento de guias bilíngues e serviço de bordo com mais opções de lanches e bebidas.
Embarcamos na classe Turística, decisão da qual não me arrependo em nada. Na falta de ar condicionado, as amplas janelas podem ser abertas, o que também permitiu que eu me inclinasse para ver as atrações que ficam um pouco fora da linha de visão do trem, como o Santuário Nossa Senhora do Cadeado, que fica em cima de um paredão. Nosso vagão foi acompanhado pela guia Angelita, que indicava e contava a história de cada um dos pontos de interesse pelo caminho. Além disso, logo no começo do passeio ela criou uma “política de boa vizinhança” para que as pessoas compartilhassem seus assentos e janelas. Assim, o pessoal sentado do lado direito pôde apreciar a vista do lado esquerdo e vice-versa. Quanto ao serviço de bordo, o preço da passagem inclui uma bebida, que pode ser uma lata de refrigerante ou água, e um lanche, que é uma caixinha com biscoitos doces e salgados.
Agências de viagem locais vendem pacotes que incluem não só o trajeto de trem entre Curitiba e Morretes como também o traslado até a estação, passeios pelas cidades litorâneas de Morretes e Antonina e o transporte de ônibus na volta para Curitiba. Algumas pesquisas na internet mostraram que não compensaria tentar fazer todo esse passeio por conta própria: ficou claro que as agências cobram preços justos pelos pacotes e incluem paradas em lugares que nós nem sabíamos da existência. Fechamos o programa com a própria Serra Verde Express, que cobra R$ 339 por pessoa para esse tipo de pacote. Há descontos para crianças, idosos e estudantes como eu, que apresentei a carteirinha digital presencialmente no balcão da Serra Verde, na rodoferroviária de Curitiba, e paguei R$ 283,20.
As decepções e as alegrias do percurso sobre trilhos
Como estávamos hospedados no Hotel Lancaster, no centro da cidade, pudemos usar o serviço de transfer incluído no pacote (hotéis situados a mais de 7 quilômetros da rodoferroviária não são atendidos pela Serra Verde Express). Arcanjo, nosso motorista, estacionou a van em frente ao hotel lá pelas 7h20 da manhã. Ao chegar na estação ferroviária, conhecemos o Batata, guia que acompanhou nosso grupo de dez pessoas em todos os passeios fora do trem. Ainda não eram nem 8h da manhã e, como o embarque só começa às 8h15, tivemos que esperar um bom tempo, em pé, em meio a uma pequena multidão ansiosa.
Os assentos e vagões são marcados durante a compra dos bilhetes. Por isso, mesmo com muita gente na plataforma, nosso embarque no Vagão Turístico 16 aconteceu sem grandes complicações. A guia do vagão auxilia na acomodação dos passageiros e, antes mesmo do trem começar a rodar, se apresenta para dar as instruções de segurança da viagem.
Quando começamos a sair do lugar, os trancos e a lentidão me fizeram pensar que o trem não conseguiria chegar em Morretes em quatro horas. A velocidade máxima atingida nos trilhos é de 40km/h, mas nesse começo o trem mal chega aos 20km/h. Para piorar, esse primeiro trecho do percurso é pela área urbana de Curitiba e os cenários são compostos pelos fundos das casas, com varais lotados de calcinhas e cuecas.
A guia até tentava animar o trajeto, avisando que estávamos passando por trás do Jardim Botânico e de outros cartões-postais. Mas a verdade é que não dá para ver nem um centímetro das primeiras atrações descritas no mapinha que todos recebemos no embarque. Deixando a capital para trás, as cidades de Pinhais e Piraquara misturam esse padrão de casas e quintais com propriedades rurais. É aí que você começa a apontar para as araucárias, falando “olha, que legal!”, como se as árvores fossem um alívio para os olhos.
Tudo muda depois do Túnel 13. Assim que os 452 metros de escuridão dessa passagem dão lugar à luz do dia, a Mata Atlântica cerca o trem com suas bromélias, orquídeas, ipês e manacás. A partir desse ponto também começam a surgir outras atrações, incluindo a construção histórica da Estação do Banhado e as ruínas da Roda d’Água e da Casa do Ipiranga. Como a natureza é exuberante e fechada ao redor dos trilhos, havia uma certa ansiedade em encontrar brechas de mata que permitissem uma vista mais ampla. Nesses momentos, os 40 km/h do trem pareciam mais rápidos do que um carro de Fórmula 1, tamanho o medo de deixar algo passar.
Quando o Rio Ipiranga surge ao lado do trem, as atrações aumentam ainda mais e a cada minuto a guia indica um lado diferente para onde olhar. O problema é que esse trecho também é utilizado para transporte de carga, o que obriga os trens a pararem quando há algum encontro. Na teoria, os trens turísticos têm prioridade de passagem porque só fazem as viagens aos sábados e domingos. Mas, na prática, tivemos que esperar dez minutos até os maquinistas decidirem quem iria primeiro. O trem de carga finalmente cedeu, mas ficou parado bem em frente ao Reservatório Marumbi, que não pudemos ver nem um centímetro. Pelo menos esse não era um dos momentos mais aguardados do roteiro.
O ponto alto (literalmente) do passeio:
Quando os trilhos atingem 952 metros de altura, a vista é mais ampla para os picos montanhosos e os vales formados pelo Rio Ipiranga. Para vê-los, é preciso estar do lado esquerdo do vagão. O primeiro a aparecer é o Cânion do Ipiranga, onde duas montanhas se abrem em “V”, dando um vislumbre dos morros verdes da Serra do Ibitiraquire. Depois de passar pelos túneis 11 e 10, é possível ver o cânion por outro ângulo e notar a existência de uma fenda escura na rocha, chamada de Garganta do Diabo. Até agora não encontrei nenhuma foto ou vídeo que capturasse a luz do sol atravessando as montanhas da mesma forma que a vimos – e que tirou tantos “ah!” impressionados dos passageiros.
Mais à frente, a Ponte São João é a mais memorável dentre as mais de 40 que fazem parte do trajeto. Inaugurada em 1884, a estrutura com 113 metros de comprimento foi construída em aço na Bélgica a partir de um projeto brasileiro. A travessia sobre a ponte é empolgante, mas mais ainda é ver seu arco metálico se destacando em meio ao verde da mata, que todo mundo faz questão de fotografar. A locomotiva logo chega no Viaduto Carvalho, outro cartão postal da ferrovia. Como os trilhos desse trecho estão apoiados em uma curva do Pico do Marumbi, os passageiros que olham para baixo no lado esquerdo do vagão têm a sensação de estar voando – o que pode ser um pouco assustador para quem tem medo de altura.
Anticlímax:
Conforme o trem se aproxima do litoral, a temperatura pode ser um grande choque para os passageiros. Nosso passeio aconteceu em abril, quando a capital já marcava temperaturas na faixa dos 10°C, mas Morretes estava acima dos 20°C. Na hora de preparar o look, é bom ter isso em mente para não acabar usando uma roupa quente demais no meio de um calorão.
No litoral paranaense:
A saída na estação de Morretes foi um pouco mais demorada do que o embarque porque a plataforma é menor que a de Curitiba, mas nada que leve mais do que vinte minutos. Ao sair, meu grupo logo se reencontrou com o guia Batata e o motorista Arcanjo. Já passava do meio dia e só pensávamos em experimentar o famoso barreado, prato típico da região. Entretanto, antes do almoço encaramos mais vinte minutos de estrada até Antonina, outra cidade histórica do litoral do Paraná. O caminho é todo narrado pelo guia, que conta mais sobre a história, geografia e curiosidades da estrada e da cidade.
Nosso grupo tinha mesas reservadas no restaurante Valle Porto, um salão de pedras com cara de medieval dentro do Camboa Hotel. Fomos servidos com salada de folha e legumes, peixe frito, bolinho de caranguejo, camarão frito e arroz, além do barreado. O prato consiste num cozido de um ou mais tipos de carne bovina (geralmente de segunda e magra) preparado em uma panela de barro bem selada e exposta à temperaturas próximas aos 100°C. O cozimento é lento e, para quem não se sente confiante com o nome “barreado”, o resultado é semelhante ao de uma carne louca, mas com mais caldo. Ao fazer o prato, primeiro coloca-se umas boas colheradas de farinha de mandioca. Em seguida é misturado o barreado e seu caldo é absorvido pela farinha. Bananas entram como acompanhamento.
Depois do almoço, circulamos mais alguns minutos de van por Antonina. Nosso guia, Batata, não apressava o grupo e nos deixou livres para fazer algumas escolhas no passeio. Por decisão mútua, fizemos uma parada na estação de trem da cidade que, inclusive, está mais bonita que a de Morretes por ter sido totalmente restaurada em 2019. Sobre os trilhos, estava parado o Trem Caiçara, a Maria Fumaça mais antiga em operação no Brasil. Desde o ano passado, são feitos passeios entre Morretes e Antonina na locomotiva histórica, mas o real atrativo é o trem, não o trajeto que é feito entre 16 quilômetros de mata fechada.
No caminho de volta para Morretes, há uma parada obrigatória numa loja de fábrica de Balas de Banana Antonina. Tínhamos criado a expectativa de que conheceríamos o processo de fabricação, mas isso não aconteceu e acabamos nos contentando com a possibilidade de comprar os sabores mais inusitados de bala, como banana com pimenta. De volta à cidade, o guia nos deixou livres para circular pelo centro durante um tempo. Para os paulistanos, Morretes pode lembrar Embu das Artes, com casas históricas e feira de artesanatos.
A última parada do itinerário é o Parque Hisgeopar, que conta a história e a geografia do Paraná. O lugar se resume a um balcão preenchido com uma grande maquete de bonecos esquisitos e até um pouco assustadores, que se movem para ilustrar cenas de diferentes épocas do estado. Apesar da estética, nos surpreendemos com a experiência. Há uma guia que compartilha informações e histórias relevantes sobre o Paraná, que conversam bem com as curiosidades que tínhamos ouvido durante o passeio de trem e os tours pelas cidades litorâneas.
Quando o clima está favorável, a volta para Curitiba é feita pela Estrada da Graciosa, uma rota construída em 1873 sobre uma antiga trilha dos tropeiros. Para não descaracterizar o patrimônio histórico, optou-se por pavimentar o caminho com paralelepípedos e não asfalto, o que pode ser perigoso em dias de chuva: o chão fica liso como sabão. Assim como os trilhos do trem, essa estrada também atravessa a Serra do Mar e possui mirantes para as montanhas e o mar, mas é preciso torcer para a neblina não prejudicar a visibilidade. Quando fizemos nosso passeio, a previsão era de chuva a noite em Morretes. Saímos ao anoitecer, antes que a água caísse, e o resultado foi um retorno seguro, mas cercado de névoa e sem nenhuma vista. O jeito é voltar em um dia ensolarado, apenas para apreciar a Estrada da Graciosa.
Imprevisibilidades:
Há alguns anos, minha família viveu uma experiência frustrante na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina: encaramos as 284 curvas da estrada no meio da neblina, sem ver absolutamente nada das paisagens. Lição aprendida, compramos o trajeto de trem entre Curitiba e Morretes de olho na previsão do tempo, já que a experiência do passeio varia muito dependendo das condições climáticas. Comprou a passagem e descobriu que vai chover no dia? Passados sete dias da compra, é preciso pagar uma multa de 20% do valor total pago.
Serviço:
A Serra Verde Express está localizada na Rodoferroviária de Curitiba, na Avenida Presidente Affonso Camargo, n° 330. É possível comprar as passagens pelo site e pelos telefones (41) 3888-3488 (da sede em Curitiba) e (41) 3462-1256 (da estação de Morretes). Também é feito o atendimento pelo WhatsApp (41) 98433-0546, mas as mensagens devem ser enviadas com antecedência, já que a Serra Verde pode levar até dois dias para respondê-las. 

Propaganda "A Primeira Cerveja Brasileira em Lata, Só Podia Ser Skol", Cervejaria Skol, Brasil


 

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Propaganda "Gol 83, a Razão da Emoção", 1983, Volkswagen Gol, Volkswagen, Brasil







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Filosofia de Internet - Humor


 

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Humor

Igreja Presbiteriana Independente, 1949, Curitiba, Paraná, Brasil

 


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Curitiba - PR
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Capivara Tomando Sol, Parque Barigui, Curitiba, Paraná, Brasil

 


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Propaganda "Quer Ver um Carro Novo Ficar 10 Anos Mais Velho? Coloque-o ao Lado do Passat e Compare", 1977, Volkswagen Passat 4M, Volkswagen, Brasil


 

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