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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Bonde 22 na Orla Santista, Santos, São Paulo, Brasil (Bonde 22 na Orla Santista) - Benedito Calixto




Bonde 22 na Orla Santista, Santos, São Paulo, Brasil (Bonde 22 na Orla Santista) - Benedito Calixto
Santos - SP
Coleção privada
Óleo sobre tela colada em madeira - 25x39

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Morro do Chicová, São Vicente, São Paulo, Brasil (Morro do Chicová) - Benedito Calixto




Morro do Chicová, São Vicente, São Paulo, Brasil (Morro do Chicová) - Benedito Calixto
São Vicente - SP
Coleção privada 
OST - 33x59

Acredito que o local, hoje, seja o Morro Xixová, no município de Praia Grande/SP, que na época pertencia à São Vicente/SP (informação à confirmar).

Baía de Tumiaru, São Vicente, São Paulo, Brasil (Baía de Tumiaru, São Vicente) - Benedito Calixto

 


Baía de Tumiaru, São Vicente, São Paulo, Brasil (Baía de Tumiaru, São Vicente) - Benedito Calixto
São Vicente - SP
Coleção privada 
OST - 38x65 - 1922


quinta-feira, 30 de novembro de 2023

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

quinta-feira, 14 de julho de 2022

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Pedra do Mato, São Vicente São Paulo, Brasil (Pedra do Mato) - Benedito Calixto


 Pedra do Mato, São Vicente São Paulo, Brasil (Pedra do Mato) - Benedito Calixto
São Vicente - SP
Coleção privada
OST - 27x50


No início do século XX, Calixto retratou o canto da praia de São Vicente, defronte à Pedra do Mato, onde em 1932 foi erguido o Marco-Padrão em homenagem ao IV centenário de fundação de São Vicente.

Pedra do Mato, São Vicente São Paulo, Brasil (Pedra do Mato) - Benedito Calixto

 







Pedra do Mato, São Vicente São Paulo, Brasil (Pedra do Mato) - Benedito Calixto
São Vicente - SP
Coleção privada
OST - 31x69

domingo, 27 de setembro de 2020

Retrato do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (Retrato do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão) - Benedito Calixto


 

Retrato do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (Retrato do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão) - Benedito Calixto
Museu Paulista, São Paulo, Brasil
OST - 140x101 - 1902




Bartolomeu Lourenço de Gusmão, SJ (Santos, dezembro de 1685 — Toledo, 18 de novembro de 1724), cognominado o padre voador, foi um sacerdote secular, cientista e inventor luso-brasileiro nascido na Capitania de São Vicente, famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou de "passarola". Foi batizado simplesmente com o nome de Bartolomeu Lourenço, em 19 de dezembro de 1685, na Igreja Paroquial da vila de Santos pelo padre Antônio Correia Peres. Era o quarto filho de Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião, e Maria Álvares. Será mais tarde, em 1718, que adota a si o apelido "de Gusmão", em homenagem ao preceptor e protetor, o jesuíta Alexandre de Gusmão. O casal teria tido ao todo doze descendentes, seis homens e seis mulheres, um dos quais, Alexandre de Gusmão, viria a se tornar importante diplomata no reinado de D. João V. Já a maioria dos seus irmãos optou ou foi orientada pelos pais a devotar-se à vida eclesiástica, dentre esses, Bartolomeu. O menino cursou as primeiras letras provavelmente na própria Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Aí ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teria início a sua profícua carreira de inventor. A edificação, situada sobre um monte de cem metros de altura, possuía precário abastecimento de água, que tinha que ser captada e transportada em vasos a partir de um brejo subjacente. Percebendo o problema, Bartolomeu inteligentemente planejou e construiu um maquinismo para levar a água do brejo até o seminário por meio de um cano longo. O invento, testado com absoluto sucesso, foi considerado admirável e de grande utilidade, inclusive pelo próprio reitor e fundador do seminário, o renomado sacerdote Alexandre de Gusmão. Terminado o curso no Seminário de Belém em 1699, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, capital do Brasil à época, e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701. Viajou para Portugal, onde chegou já famoso pela memória extraordinária, ficando hospedado em Lisboa, na casa do 3º Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem. Contava ele então com apenas dezesseis anos. Em 1702, Bartolomeu retornou ao Brasil e deu início ao processo de sua ordenação sacerdotal. Três anos depois ele requereu à Câmara da Bahia a patente para o seu aparelho inventado anos antes - o invento para fazer subir água a toda a distância e altura que se quiser levar. A patente foi expedida em 23 de março de 1707 pelo rei Dom João V. Foi essa a primeira patente de invenção outorgada a um brasileiro. Em 1708, já ordenado padre, Bartolomeu embarcou mais uma vez para Portugal. Logo após sua chegada, em 1º de Dezembro matriculou-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Passados alguns meses, contudo, abandonou a faculdade para instalar-se em Lisboa, aonde foi recebido com sumo agrado pelo Rei Dom João V e pela Rainha Maria Ana de Áustria, apresentado que fora aos soberanos por um dos maiores fidalgos da Corte, D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Menezes. Esse homem era ninguém menos que o 3º Marquês de Fontes, o mesmo que o havia recolhido à sua casa aquando da sua primeira estada em Portugal. Na capital portuguesa o padre Bartolomeu Lourenço pediu patente ou "petição de privilégio" para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria ser, mais tarde, o que hoje se conhece por aeróstato ou balão –, a qual foi concedida no dia 19 de Abril de 1709[6]. O fato causou celeuma na cidade e a notícia rapidamente se espalhou para alguns reinos europeus. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas que, em geral, o retratavam como uma barca com formato de pássaro, ficou conhecido como “Passarola”. Não só no além-fronteiras que o seu prestígio pelo seu saber deve ter aumentado imenso pois, em 1722, é nomeado fidalgo-capelão da casa real portuguesa. As primeiras ilustrações da Passarola haviam sido na verdade elaboradas pelo filho primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Meneses, com a conivência de Bartolomeu. O 8º Conde de Penaguião e futuro 2º Marquês de Abrantes contava 14 anos em 1709 e era, então, aluno de matemática do padre, sendo a única pessoa à qual ele permitia livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado. Como o rapaz vivesse assediado por curiosos, que constantemente lhe faziam indagações acerca da invenção, resolveu ele, para deixar de ser importunado, elaborar o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o Princípio de Arquimedes –, atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, que era então a resposta para quase todos os mistérios científicos. Esperava dessa maneira melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e ludibriar os bisbilhoteiros. Comunicou o plano a Bartolomeu, que o aprovou, e fingiu deixar o desenho escapar por descuido. A Passarola, inspirada ao que parece na fauna fabulosa de algumas lendas do Brasil, acabou sendo rapidamente copiada, logo se espalhando pela Europa em várias versões, para grande riso dos dois embusteiros. Toda essa trama seria descoberta anos depois por um poeta italiano, Pier Jacopo Martello (1625 – 1727), e revelada por ele na edição de 1723 do livro Versi e prose, em que fazia um longo e meticuloso histórico das tentativas do homem para voar, das mais antigas às mais recentes daquele tempo. Em Agosto, finalmente, Bartolomeu Lourenço fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões construídos por ele: na primeira, realizada no dia 3 na Casa do Forte (Palácio Real), o protótipo utilizado pegou fogo antes de subir; na segunda, feita no dia 5 noutra dependência do palácio, a Casa Real, o aeróstato, provido no fundo duma tigela com álcool em combustão, se elevou a 4 metros, quando começou a arder ainda no ar, sendo imediatamente derrubado por dois serviçais armados de paus, receosos dum incêndio aos cortinados do recinto; na terceira, feita no dia 6 novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas se queimou no pouso; na quarta, feita no dia 7 no Terreiro do Paço (hoje Praça do Comércio), o balonete elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; na quinta, feita no dia 8 na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o globo subiu até o teto do aposento, aí se demorando, quando enfim desceu com suavidade. Em 3 de Outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de carregar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o aeróstato subiu alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem estrépito. Cinco testemunhas registraram essas experiências: o cardeal italiano Miquelângelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão Ferreira e José Soares da Silva, nomeados membros da Academia Real de História Portuguesa em 1720, o diplomata José da Cunha Brochado e o cronista Salvador Antônio Ferreira, portugueses. Em 1843 o escritor Francisco Freire de Carvalho disse haver tomado conhecimento, por intermédio de um ancião chamado Timóteo Lecussan Verdier, de uma outra experiência aerostática, assistida pelo diplomata português Bernardo Simões Pessoa, em que o balão partiu da Torre de São Roque e caiu junto à costa da Cotovia por detrás de S. Pedro d’Alcântara. Segundo Carvalho, Verdier, por sua vez, assegurava que o relato da ascensão lhe fora transmitido pelo próprio Pessoa em tempos muito anteriores ao ano de 1783, quando dos primeiros voos de balões na França. Lamentavelmente, todas essas experiências, embora assistidas por ilustres personalidades da sociedade portuguesa da época, não foram suficientes para a popularização do invento. Os pequenos balões exibidos, além de não haverem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controle - eram levados pelo vento -, foram considerados perigosos, pois podiam, como se vira, provocar incêndios. Esses fatores desestimularam a construção de um modelo grande, tripulável. Entre 1713 e 1716 viajou pela Europa. Em 1713 registrou na Holanda o invento de uma “máquina para a drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar” (patente que só veio a público em 2004 graças a pesquisas realizadas pelo arquivista e escritor brasileiro Rodrigo Moura Visoni). Viveu em Paris, trabalhando como ervanário para se sustentar, até que encontrou seu irmão Alexandre, secretário do embaixador de Portugal na França. O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, mas foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, foi obrigado a fugir para a Espanha, no final de Setembro de 1724, com um seu irmão mais novo, Frei João Álvares, pretendendo chegar à Inglaterra. Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu de Gusmão ter-se-ia convertido ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser considerado com cautela, mostra, segundo Joaquim Fernandes, aspectos místicos, messiânicos e megalômanos do "padre voador". Em Toledo (Espanha), Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia daquela cidade, onde veio a falecer em 18 de novembro de 1724, aos 38 anos. Antes de morrer, porém, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua tumba, o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e se encontra, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo. Texto da Wikipédia.

quinta-feira, 1 de março de 2018

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Inundação da Várzea do Carmo, São Paulo, Brasil (Inundação da Várzea do Carmo) - Benedito Calixto


Inundação da Várzea do Carmo, São Paulo, Brasil (Inundação da Várzea do Carmo) - Benedito Calixto
São Paulo - SP
Museu Paulista, São Paulo, Brasil
OST - 125x400 - 1892



O quadro Inundação da Várzea do Carmo, pintado por Benedito Calixto em 1892, é um óleo sobre tela de 125 centímetros de altura por 400 centímetros de comprimento. Ele retrata, em grandes dimensões e com riqueza de detalhes, o centro de São Paulo no fim do século XIX, pouco antes da modernização paulista por conta do comércio voltado ao café. Nele, um problema recorrente da época: a cheia do Rio Tamanduateí, e seu transbordamento, que atinge uma área de grande importância econômica. Por suas dimensões e detalhes, a obra é considerada um documento iconográfico da cidade.
O quadro faz parte do acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, ou Museu do Ipiranga.
A obra é uma visão panorâmica, vista de uma colina, provavelmente da região do Pátio do Colégio, no centro de São Paulo. Calixto detalha minuciosamente a época de cheia da Várzea do Carmo, mostrando a presença do Rio Tamanduateí no cotidiano da cidade, retratada em pleno funcionamento. É importante frisar que, mesmo a cidade sendo retratada ativamente, o pintor é conhecido por registros documentais, por meio de pinturas históricas, o que significa que seus quadros normalmente não possuem movimento, são "paralisados" em um determinado momento. É como se a pintura fosse, na realidade, uma fotografia. Há grande preocupação com o realismo, uma tentativa de reconstruir o lugar e o momento retratado.
No primeiro plano, casas, árvores, plantas e, à esquerda, um mercado, que hoje é o Mercado Municipal de São Paulo. Este é representado ativo, com barracas, pessoas, cavalos e carroças. Mais uma vez, apesar desse funcionamento, pode-se ver que as pessoas, carroças e cavalos estão parados no momento. Por conta disso, a artista plástica Ruth Sprung Tarasantchi critica que Calixto não soube retratar bem cavalos nem cachorros. Para ela, o animal melhor retratado pelo pintor eram as vacas.
Ainda à esquerda da obra, há a fábrica de tecidos do Major Diogo de Barros, ao fundo, com diversas chaminés soltando fumaça. No centro, as casas ocupam o espaço que hoje é conhecida pela Rua 25 de Março.
Em segundo plano, o Rio Tamanduateí inundando a Várzea do Carmo, mais especificamente a região que hoje é o Parque Dom Pedro, com duas estradas retilíneas, que o cortam. Nelas, pessoas cruzam com suas carruagens.
Por ser uma visão panorâmica, é possível ter uma ideia da amplitude da cidade, com detalhes do horizonte urbano e paisagístico. É o que acontece no segundo plano, por exemplo, onde é representado o bairro do Brás. À distância, é possível ver casas e fumaça saindo de algumas chaminés, além do horizonte. À esquerda, ainda no terceiro plano, está a Serra da Cantareira.
Benedito Calixto fez, nesta obra, com que o Rio Tamanduateí adquirisse o papel principal. Antes, os rios eram retratados em pequenos suportes. Esta era uma característica do artista - mesmo tendo estudado na França e conhecido inúmeros outros pintores, não se deixava influenciar pelos seus estilos. A autora Ana Cláudia Fonseca Breve, no entanto, tem outra visão da obra: o Rio Tamanduateí, nas palavras dela, é "um imenso território vazio que fica entre o centro de São Paulo e o Brás, não sendo um objeto principal, mas sim a falta dele.
No século XIX, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil e a transformação de colônia para capital, investimentos em diversos campos foram realizados, incluindo o das artes. Isso fez com que artistas franceses viessem ao Brasil na chamada Missão Artística Francesa. Neste contexto, as obras de Benedito Calixto fizeram sucesso, fazendo com que ele fosse convidado a ir estudar arte em Paris, em 1883.
Calixto não tinha frequentado nenhum ateliê ou a Academia Imperial de Belas Artes, do Rio de Janeiro, como grande parte dos artistas brasileiros. Na França, ficou apenas um ano, não conseguindo se adaptar à vida parisiense. No entanto, de lá trouxe a paixão pelo estudo da tradição e da história.
No final dos oitocentos, Benedito Calixto se preocupou em construir uma carreira voltada para organizações ligadas à esfera pública e seus interesses. Dessa forma, ele focou no mercado da arte preocupado em enaltecer, de um lado, o passado local e, de outro, o progresso - principalmente o urbanismo. Havia certa movimentação em torno das artes em São Paulo nessa época. Os artistas recebiam críticas, diversos jornais abriam espaço para divulgações, as questões artísticas circulavam na opinião pública, ou seja, o público comprador de arte e o número de exposições - além da cobertura da imprensa - era alto.
Como já dito, as pinturas de Calixto tinham forte influência do realismo e da fotografia. Da sua viagem a Paris, o artista trouxe uma câmera fotográfica, que o auxiliava em suas obras. Seguindo nesta linha, as pinturas de rua e paisagens de Calixto são baseadas em fotos tiradas pelo fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, que eram reproduzidas em revistas.
Nesse contexto, mais especificamente em 1895, Calixto se associou ao Instituto Histórico Geográfico de São Paulo (IHGSP), instituição de suma importância para a consolidação de seu pensamento histórico. Lá, se envolveu em algumas polêmicas pois a preocupação do artista não era somente estética ou retórica, ele queria compreender documentos históricos.
A região retratada por Benedito Calixto, em 1892, era conhecida como principal ponto de comércio de São Paulo. Era ali que moradores da capital se reuniam para comercializar seus produtos, que iam desde medicamentos, artesanatos, madeiras, até produtos agrícolas específicos. O mercado, pintado à esquerda da imagem, ficou conhecido como "Mercado dos Caipiras", pois, como já mencionado, era um ponto de referência, onde moradores de áreas mais distantes como Penha, Nossa Senhora do Ó, Santana, Santo Amaro e Guarulhos costumavam se encontrar. Os produtos chegavam por meio de barcos que atracavam nas margens do Rio Tamanduateí, numa região conhecida como "Porto Geral" - onde hoje se localiza a ladeira de mesmo nome. A comercialização dos produtos ocorria tanto no espaço do mercado quanto no meio da rua - o segundo barateava o preço de alguns produtos.
É importante ressaltar que esta região não era bem vista por autoridades ou membros de classes sociais elevadas. Por conta das cheias do rio, proliferavam-se mosquitos e, consequentemente, doenças. Além disso, como já mencionado, o ponto de comércio de São Paulo envolvia pessoas das mais diversas origens, o que, novamente por parte de autoridades ou membros de classes sociais elevadas, era motivo de estranhamento e receio.
Dentre essas pessoas, encontravam-se as lavadeiras, os caipiras ou caboclos e os chamados "pretos véios".
As lavadeiras do Carmo, ou lavadeiras da Várzea, eram facilmente encontradas às margens do rio Tamanduateí com suas trouxas de roupas. O advogado Jorge Americano descreveu minuciosamente como era a rotina dessas mulheres em seu livro "São Paulo Naquele Tempo": elas "desciam da rua Glicério e de toda a encosta da colina central da cidade, de tamancos, trazendo trouxas e tábuas de bater roupa. À beira da água, juntavam a parte traseira à dianteira da saia, por um nó no apanhado da saia, a qual tomava aspecto de bombacha. Sugavam-na pela parte superior, amarravam-na à cintura com barbante, de modo a encurtá-la até os joelhos ou pouco acima, tomando agora o aspecto de calção estofado. Deixavam os tamancos, entravam n'água e debruçavam-se sobre o rio, sem perigo de serem mal vistas pelas costas."
Esse grupo aparece constantemente em obras de arte e crônicas da época. Por conta disso, acredita-se que eram extremamente procuradas e importantes para a cidade.
Os caipiras, ou caboclos, receberam esses nomes ou pela distância de suas casas em relação à Várzea do Carmo, ou por serem de origem indígena. Jorge Americano também descreveu esse grupo. De acordo com ele, os caipiras costumavam andar descalços, com um chapéu grande e um lenço no pescoço. Eles contribuíam para a existência de outras atividades nas ruas e praças, como rachar lenha para comerciantes que acabaram de adquirir seus produtos, ou carregá-los.
Os pretos véios eram conhecidos também como curandeiros, vendedores de ervas, "folhas secas, raízes, cascas de pau, frutas, figas, chifres de veado e de bode, unhas de cabra, couros, pelos e uma infinidade de produtos, misturados com pássaros e outros animais", como relata Carlos José Ferreira Santos. Eles eram uma espécie de médicos populares, que ofereciam curas alternativas para doenças. Os três grupos, entre outros, eram comuns, entre o século XIX e XX na área retratada pela obra de Benedito Calixto.
Calixto tinha uma dureza de linhas e grande acabamentos de primeiros planos, características que o acompanharam durante todas suas obras, principalmente aquelas em que o artista se preocupava em retratar cenas fielmente reproduzidas. De acordo com Ruth Sprung Tarasantchi, artista plástica, Calixto não tinha o dom de simplificar o que via. Era um pintor realista. Ele misturava a sociologia francesa, fortalecida com atributos da fotografia, da arquitetura, do urbanismo, da etnologia, da ciência política e da história intelectual.
No que diz respeito às pinturas de paisagens, como Inundação da Várzea do Carmo, a artista analisa que em geral, há uma faixa de casas no horizonte, que corta o quadro ao meio. O Rio Tamanduateí é ilustrado calmo, sereno, diferente de outras pinturas similares do século XIX. O céu é azul claro com algumas nuvens brancas. Calixto costumava usar pinceladas livres no que diz respeito aos morros e a água, diferentemente das casas, que retratava com detalhes.
Exatamente por ser um historiador e documentarista, algumas obras de Benedito Calixto não eram bem aceitas por críticos. O jornalista Odórico Glória, do Diário Popular, criticou, meses antes de terminada a pintura Inundação da Várzea do Carmo, que pinturas do artista (principalmente as que continham personagens) pareciam "sem vida", "duras", imagens "congeladas". No entanto, a pintura panorâmica da cheia do rio Tamanduateí teve o efeito oposto - ela encantou a mídia.
O próprio Odórico Glória alegou que a obra de Calixto "lembrava as suas já famosas marinhas, luminosas e festivas", entendendo o estilo do artista. Outro jornalista do mesmo veículo, A. Feio, alegou ter ficado encantado com a exatidão com que Calixto reproduziu a paisagem.
O jornal O Estado de S. Paulo, no dia 20 de agosto de 1892 publicou uma notícia em que contava o dia no Senado. Nele, o jornal conta que, durante uma sessão "a 1ª parte da ordem do dia o sr. Paulo Isgydio justifica e envia à mesa um projeto, autorizando o governo a fazer aquisição do quadro de Benedito Calixto, representando a inundação da Várzea do Carmo. Esse projeto foi apoiado a imprimir para entrar na ordem dos trabalhos". Um mês depois, aproximadamente, o mesmo jornal repercutiu outra notícia referente ao quadro de Benedito Calixto. Desta vez, há o relato de uma sessão da Câmara dos Deputados, datada em 23 e 24 de setembro de 1892. Dentre os temas discutidos na câmara, esteve o projeto do Senado referente à aquisição da obra.
Foi apenas seis meses depois, em 18 de fevereiro de 1893, que o jornal O Estado de S. Paulo informou que de fato o quadro Inundação da Várzea do Carmo, de Benedito Calixto, seria colocado em uma das salas do palácio do Governo, tamanha a admiração pela obra. O jornal ainda informou que o quadro "foi adquirido por compra pelo Governo, pela quantia de 10.000,000, de acordo com uma lei".
Exatamente pela Várzea do Carmo ter sido, na transição do século XIX para o XX, foco de estranhamento e receio no que diz respeito à doenças que eram proliferadas nas épocas de cheias e pessoas que frequentavam o local, foi instaurado o projeto da construção de um parque seguindo os modelos franceses. No entanto, a modificação da Várzea do Carmo foi lenta. Em 1810 foi construída uma vala para evitar o transbordamento constante do rio Tamanduateí, que era considerado um grave problema na época, o que não adiantou. Em 1849 começaram as obras de retificação do rio. Essas foram finalizadas no fim do século XIX, mas, mais uma vez, as cheias não foram solucionadas. Em 1880 o poder público voltou a discutir soluções para tal problema além de um plano de embelezamento para a região.
Foi somente em 1910 que foi decidida a construção de um parque no local onde encontrava-se a Várzea do Carmo. Um arquiteto francês, de nome Joseph Antoine Bouvard foi responsável pelo projeto. A construção do Parque Dom Pedro II teve início em 1914 e foi finalizada em 1922.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Naufrágio do Sírio, Espanha (Naufrágio do Sírio) - Benedito Calixto


Naufrágio do Sírio, Espanha (Naufrágio do Sírio) - Benedito Calixto
Espanha
Museu de Arte Sacra de São Paulo, Brasil
OST - 160x220 - 1907



Em 4 de agosto de 1906, um navio de passageiros, o Sírio, naufragou nas costas da Espanha, próximo às Ilhas Formiga, junto ao Cabo Palos, em viagem regular na linha de Gênova (de onde saíra dois dias antes) para o Brasil e países da Bacia do Prata. Eram 16 horas, e o capitão José Piconne (de 68 anos e 46 de experiência na profissão) estava descansando, ficando o comando da embarcação sob a responsabilidade do terceiro oficial, quando se ouviu um ruído ensurdecedor e um grande impacto fez o navio inteiro sacudir. O comandante, além de não controlar o pânico resultante, foi um dos primeiros a abandonar o navio.
Construído em 1883 em Glasgow, na Escócia, o Sírio era um moderno transatlântico na época, com 129 metros de comprimento e 4.141 toneladas, com motor de 5.323 cavalos-vapor, tendo feito sua primeira viagem em 15/6/1883. A embarcação transportava cerca de 1.700 passageiros (embora só pudesse levar 1.300, e 127 tripulantes), entre eles cerca de 700 imigrantes italianos, dos quais 300 morreram no ato e 200 ficaram desaparecidos. Os que conseguiram se salvar, perdendo todos os seus pertences, foram abrigados pelas populações do Cabo Palos, de Cartagena e de Alicante.
A embarcação espanhola Jovem Miguel recolheu cerca de 300 náufragos, mas foi obrigada a se afastar, deixando ainda centenas de pessoas no mar, já que a explosão das caldeiras do Sírio e seu rápido afundamento colocaram essa embarcação em perigo. Já o navio francês Marie Louise, mais distante, ao chegar ao local da tragédia só encontrou destroços.
O comandante do Sírio foi preso em Cartagena, como culpado pelo sinistro, pois costumava aumentar seus rendimentos embarcando clandestinos no litoral espanhol e teria para isso se aproximado demais dos arrecifes. Além disso, como havia uma espécie de competição entre os navios quando à rapidez nas viagens, o Sírio viajava em velocidade elevada (17 nós, ou 31,5 km/h), incompatível com o local (o Bajo de Fuera, que se transformaria num cemitério de embarcações) e mais perto da costa do que deveria. O naufrágio foi presenciado por outros navios mercantes, por ser região de intenso tráfego marítimo.
Entre os passageiros, estavam também inúmeras autoridades religiosas que voltavam de Roma. Assim, morreu nessa tragédia o monsenhor José Camargo de Barros, bispo de São Paulo, com 48 anos de idade, além do prior da Ordem dos Beneditinos de Londres, oito missionários que vinham para o Brasil, salvando-se entretanto o arcebispo do Pará, Homem de Melo.
Testemunhas afirmam que dom José Camargo de Barros morreu devido à agressão de um tripulante que lhe tirou o salva-vidas, quando ele abençoava aqueles que iam se atirando nas águas. Também morreu o cônsul da Áustria no Rio de Janeiro, Leopoldo Poltzer.
Esse naufrágio ficou marcado profundamente na memória da colônia italiana no Brasil, que - três gerações depois - ainda canta, com muita tristeza: "Sírio, Sírio, la misera squadra; per molta gente la misera fin...". Nessas famílias, há um dito ritmado, transmitido de pai para filho: "quem não souber por quem rezar, reze por aqueles que estão no mar".