Pátio do Colégio, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Hoje destacamos um caso peculiar de relação da sociedade com
sua memória. Trata-se da trajetória do Pátio do Colégio, no centro da cidade de
São Paulo, onde jesuítas construíram no século XVI um colégio e uma igreja,
considerados marcos da fundação da capital paulista. Esse espaço,
importantíssimo para a história da cidade, passou por um processo de disputas e
de múltiplos usos em um período de quatro séculos. Essa história se inicia na
década de 1550, quando os jesuítas chegaram à região com objetivo de catequizar
as populações indígenas que ali viviam. No planalto localizado entre os rios
Anhangabaú e Tamanduateí construíram o colégio e a igreja, onde desempenharam
suas atividades até serem expulsos da cidade em 1640. Em 1653, os jesuítas
obtiveram permissão para retornar e as edificações passaram por sucessivas
reformas e acréscimos. Na segunda metade do século XVIII, outro momento
decisivo: em 1759, a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal e de todas as
suas colônias por ordem do marquês de Pombal. Em 1765, o colégio foi
transformado em Palácio do Governo (também chamado Palácio dos Governadores),
residência oficial dos capitães-generais governadores de São Paulo, e o Pátio
do Colégio passou a ser chamado Largo do Palácio. A partir dessa data, o
conjunto arquitetônico passou por grandes modificações. O colégio foi
amplamente descaracterizado, dando lugar a uma construção no estilo
neoclássico, enquanto a igreja foi mantida até ser demolida em 1896. No local
do templo, foi construído um anexo (em destaque à direita na imagem), e o
Palácio do Governo assumiu a forma que vemos na fotografia aqui publicada. No
entanto, essa configuração foi radicalmente alterada cerca de meio século
depois. No início da década de 1950, em meio aos preparativos para as
festividades de 400 anos da cidade de São Paulo (comemorados em 1954), o espaço
foi devolvido aos jesuítas. Em 1953, o Palácio do Governo foi demolido e
réplicas da igreja e do colégio foram erguidas no local. Atualmente, o conjunto
abriga igreja, biblioteca e museu. Texto do Arquivo Nacional.
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