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domingo, 27 de agosto de 2023
Martim Pescador, Década de 1900, Ilha Pintada, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Martim Pescador, Década de 1900, Ilha Pintada, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS
Fotografia
A sobrevivência na Ilha da Pintada, principalmente durante o século XIX, girava majoritariamente em torno da pesca artesanal. A modalidade é caracterizada pela mão de obra familiar, com pequenas embarcações e os instrumentos de trabalho feitos pelos próprios pescadores. Era uma atividade de subsistência, realizada pelas pessoas para o seu usufruto e benefício. Posteriormente, a pesca das Ilhas passou a suprir o mercado local de Porto Alegre. No Arquipélago, as ferramentas mais comuns eram as embarcações pequenas, as redes, o espinhel (aparelho que funciona de forma passiva, com a utilização de iscas para a atração dos peixes), o covo (petrecho, transportável, que conta com uma ou mais abertura para a entrada do pescado) e a tarrafa (instrumento de forma circular com um raio de 3 a 4 metros, confeccionado com malhas de diferentes tamanhos, cujo bordo externo é provido de tralha guarnecida com peso de chumbo).
“A pesca, por ser uma atividade de relevância nas Ilhas [...] determinou a instalação na Ilha da Pintada, da Colônia de Pescadores Z-5”, em 1921. Ao longo do tempo, o modo artesanal deu lugar a tecnologias mais avançadas e de maior escala. Hoje, os pescadores trabalham para grandes empresas do setor pesqueiro, e a pesca artesanal é mais utilizada enquanto atividade recreativa.
Rua XV de Novembro, Curitiba, Paraná, Brasil
Rua XV de Novembro, Curitiba, Paraná, Brasil
Curitiba - PR
AH N. 856
Fotografia - Cartão Postal
Nota do blog: Data não obtida / Fotografia de Armin Henkel.
Gomeiro Para Goma Arábica
Gomeiro Para Goma Arábica
Fotografia
Nota do blog: O pessoal de hoje nem imagina para que serve esse recipiente, muito utilizado no passado, especialmente nas agências dos Correios; molhava-se o pincel na goma arábica (que estava dentro do gomeiro) e passava-se no verso do selo ou na aba do envelope para colar. A maioria das pessoas passava goma arábica em excesso, fazendo meleca nos envelopes e mesas dos Correios...rs. Também era usado nas residências, empresas, comércio, escolas, etc, como alternativa à cola normal.
sábado, 26 de agosto de 2023
Gurgel Itaipu E-400, Brasil
Gurgel Itaipu E-400, Brasil
Fotografia
Louvado por uns e contestado por outros, o engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel jamais causou indiferença com os automóveis que produziu em Rio Claro (SP). Apesar da notoriedade dos fora de estrada Xavante e X-12, ele também é lembrado por desbravar os caminhos da sustentabilidade.
Primeiro elétrico produzido em série na América Latina, o Itaipu E-400 foi desenvolvido pela Gurgel para atender um desafio proposto pela Eletrobras para renovação de sua frota: os interessados deveriam criar um veículo capaz de transportar 250 kg, ter autonomia mínima de 65 km e velocidade máxima entre 50 e 60 km/h.
Apresentado em 1981, o E-400 mantinha a proposta do protótipo Itaipu avaliado por QUATRO RODAS em julho de 1974: era silencioso, limpo e eficiente, com linhas futuristas e três tipos de carroceria: picape cabine simples, picape cabine dupla e furgão de carga.
Sua elevada eficiência energética resultava em um custo operacional muito inferior quando comparado a utilitários com motores a combustão: seu consumo oscilava entre 0,27 e 0,35 kWh/km. O nome E-400 fazia referência à capacidade de carga de 400 kg e sua autonomia era de 80 km.
O rendimento impressionou o presidente da República João Figueiredo e gestores governamentais, que encomendaram vários Itaipu E-400 para frotas estatais de companhias de energia elétrica e de telefonia. Entre os clientes privados estavam o Banco Itaú, a Companhia de Cigarros Souza Cruz e o empresário Nicolau Scarpa Jr.
Avaliado pelo jornalista Claudio Carsughi na edição 251 (junho de 1981), o E-400 era impulsionado por um motor Villares acoplado a um câmbio VW de quatro marchas. Ao contrário do Itaipu dos anos 1970, o E-400 apresenta comandos convencionais nos pedais do freio e na embreagem.
O pedal do acelerador comandava cinco cames para dosar a voltagem das oito baterias do tipo chumbo-ácido fornecidas pela C&D, variando de 30 volts no primeiro estágio até 96 volts no último, sempre alternando a amperagem ao colocar as baterias em paralelo ou em série. O motor de corrente contínua tinha potência nominal de 10 kW a 3.000 rpm.
Cada bateria pesava cerca de 80 kg, o que significava mais de 1/3 da massa total do E-400. Pesando sempre acima de 1,5 tonelada, o sistema de freios era sobrecarregado com freqüência, situação agravada pela falta de assistência. Os pneus radiais 175/70 SR 13 eram um paliativo frente à arcaica suspensão dianteira da Kombi.
Para acionar o sistema é preciso mover uma chave geral entre os bancos dianteiros. A única habilidade exigida do condutor era um intervalo de tempo maior entre as trocas de marcha, para evitar trancos na transmissão. O carregador das baterias era fornecido pela Thornton Eletrônica e levava cerca de oito horas para atingir sua carga total.
“O Itaipu E-400 só era entregue aos consumidores após um treinamento operacional, no qual demonstrávamos a autonomia mínima de 80 km e os cuidados com a manutenção”, conta Nilson Roberto Chaves, ex-funcionário da Gurgel. “Para receber o carro, era necessário atingir um nível de aproveitamento de no mínimo 50%.”
Apesar da eficiência e do baixo custo operacional, o E-400 não conseguiu superar o eterno ponto fraco dos automóveis elétricos: as baterias caras, limitadas e com vida útil muito curta. “Iniciamos os estudos com baterias do tipo tetrapolar, mais leves, duráveis e potentes, mas já não havia mais interesse do mercado”, conta Chaves.
Foram produzidas 76 unidades do Itaipu E-400 e 11 unidades do seu irmão maior E-500, sendo conhecido o paradeiro de 25 delas. “Muitos foram registrados nos órgãos de trânsito com o nome do fabricante ou de outros modelos Gurgel. A maioria teve o motor Villares trocado por um Volks-wagen, dificultando a localização de unidades remanescentes”, relata o antigomobilista Tiago Songa.
A produção do E-400 foi encerrada em 1982. O E-500 teve sua produção encerrada no ano seguinte, mas sua carroceria acabou dando origem ao utilitário G-800, com pequenas alterações no estilo e com a adoção de motores Volkswagen movidos a gasolina ou etanol.
Ficha Técnica do Gurgel Itaipu E-400 1982:
Motor: elétrico de 96 volts; alimentação, 8 baterias de 12 volts, tipo chumbo-ácido; potência, 10 kW a 3.000 rpm;
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira;
Dimensões: comprimento, 382 cm; largura, 163 cm; altura, 164 cm; entre-eixos, 196 cm; peso, 1.570 kg;
Pneus: radiais 175/70 SR 13.
Moskvitch 402: O Carro Soviético que Quase Virou Brasileiro - Artigo
Moskvitch 402: O Carro Soviético que Quase Virou Brasileiro - Artigo
Artigo
Antes, muito antes de os primeiros Lada desembarcarem aqui, um automóvel soviético tentou conquistar os brasileiros - em especial, os militares, em plena época da Guerra Fria! E mais: produzido no frio de Moscou, o pequeno Moskvitch 402 por pouco não ganhou uma versão fabricada no calor do Rio de Janeiro. A promessa é de que seria o mais barato dos carros nacionais.
Essa história começa em 1957, quando Eleutério Tito Lemos do Canto, coronel reformado do Exército, professor de Física do Colégio Militar, engenheiro e advogado, montou a empresa Torgbrás para importar produtos e tecnologias do Leste da Europa - principalmente da União Soviética. "Torg" vinha de "Torgovlya" (comércio em russo) e "bras" de Brasil.
A representação, que também tinha como sócios os russos Valerian Odinstoff e Klimenty Odinstoff (filho e pai), abrangia não só bens de consumo (rádios, máquinas fotográficas, aparelhos de TV etc), como também sondas e refinarias de petróleo, metalúrgicas completas, sputniks e outros bichos.
Rompidas desde 1947, no governo Dutra, as relações Brasil-URSS estavam em vias de ser reatadas. Longe de ser "coisa de comunista", essa aproximação era apoiada pelo Ministério da Fazenda de Juscelino Kubitschek e por grandes produtores de café e cacau.
O coronel Tito do Canto teve então a ideia de importar nada menos que 10 mil (!) Moskvitch modelo 402, e oferecê-los a preços bem baixos, em 30 módicas prestações e com muitas facilidades, aos sócios do Clube Militar e a outros clientes em potencial, como os jornalistas filiados à Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O carrinho soviético chegaria aqui por 80% do preço de um Volkswagen.
Seria um esquema de vendas diretas de automóveis a militares semelhante ao que já fora feito com os Morris Oxford e Mercedes-Benz 170D, no início da década de 50.
Produzido pela estatal MZMA, em Moscou, o Moskvitch 402 (1956-1958) era um pequeno sedã de quatro portas com motor cabeça chata de quatro cilindros, 1.220cm³ e 35cv, mais tarde trocado por um OHV. Com 4,05m de comprimento, o modelo estava na categoria dos Ford Taunus 12M e Fiat 1100 da época. Tinha câmbio de três marchas com alavanca na coluna e - que moderno! - rádio, acendedor de cigarros, desembaçador e parte elétrica de 12 volts... Na URSS havia até uma versão 4x4.
Em pleno degelo pós-stalinista, interessava ao líder soviético Nikita Khrushchev aumentar o comércio internacional de seu país. Como o Lada ainda não existia, coube ao Moskvitch ser o ponta de lança das exportações de automóveis da URSS: o carrinho fez sucesso em países escandinavos, foi montado na Bélgica e também vendido na França, na Inglaterra, no Canadá e até nos Estados Unidos! Versões tropicalizadas do Moskvitch já eram oferecidas nos mercados da Argentina do Uruguai quando se falou em trazê-lo ao Brasil.
"Automóvel a preço de lambreta", exagerou a imprensa da época. Logo começaram a ser publicadas acusações de que os soviéticos estariam fazendo dumping e prejudicariam a nascente indústria automobilística nacional.
As autoridades brasileiras, então, barraram o negócio, alegando que não havia cobertura cambial ou divisas para a importação dos carros. Vivíamos, afinal, os anos JK e marcas estrangeiras começavam a produzir veículos aqui.
O coronel Tito do Canto não se deu por vencido: como não poderia trazer os Moskvitch 402 prontos, propôs a importação de uma fábrica inteira. As instalações completas seriam compradas na URSS (na base de financiamento de longo prazo, com juros baratíssimos) e remontadas no Rio de Janeiro.
Segundo o coronel, os soviéticos pretendiam ajudar na industrialização do Brasil e não na "exploração colonial" do país. Alguns jornais, especialmente os de linha editorial mais anticomunista, iniciaram então uma agressiva campanha contra a Torgbrás.
O coronel Tito do Canto, por sua vez, afirmava que a Torgbrás era uma empresa de capital totalmente nacional e não se interessava por questões políticas, mas apenas pelos aspectos comerciais do negócio e no desenvolvimento do Brasil: "Carros russos não fazem ninguém comunista", dizia.
"Vamos fabricar automóveis para o Brasil, automóveis 100% brasileiros, com matéria-prima nacional e em condições de preço mais acessíveis que os carros americanos. Isso eu garanto, porque nenhuma dessas fábricas que estão se instalando por aí e se dizem brasileiras realmente o são. Os seus lucros vão para o exterior", afirmou o coronel numa entrevista ao Jornal do Brasil, em dezembro de 1957.
Fato é que, a essa altura, dezembro de 1957, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) deixou de aceitar propostas para a instalação de novas fábricas de veículos no Brasil. Com pouco capital para investir, o criador da Torgbrás não avançou nos planos de produzir o Moskvitch no Rio.
Em 1958, conforme havia previsto o coronel Tito do Canto, o Brasil reatou oficialmente os laços comerciais com a URSS. Três anos depois, com João Goulart recém-empossado na Presidência da República, foi a vez de restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países.
Em maio de 1962, uma exposição da indústria soviética no Pavilhão de São Cristóvão, Rio de Janeiro, apresentou o Moskvitch 407 - sucessor do 402 e já com motor OHV de 45 cv no lugar do velho "cabeça chata". Além do sedã normal, vieram suas versões sedã com tração 4x4 (410N) e station wagon (423).
Ônibus, caminhões de lixo, ambulâncias, motos e motonetas produzidos na URSS também foram mostrados, mas o que mais chamou a atenção do público carioca foram o sedã médio-grande GAZ M21 Volga, que daria um rival para o Aero-Willys, e a limusine GAZ-13 Chaika, com sete lugares e um pujante V8 de 5,5 litros e 193 cv.
Mesmo o regime militar pós-1964 manteve uma crescente interação com a grande potência comunista. A equipe econômica do marechal e presidente Castello Branco considerava importante ampliar as trocas com o bloco soviético e, em 1967, o Brasil já era o principal parceiro comercial da URSS na América Latina (afora Cuba). No mesmo ano, foi realizada em São Paulo uma exposição de produtos soviéticos, que incluiu automóveis e veículos 4x4.
Em 1968, o lendário jornalista Expedito Marazzi, chegou a testar para a revista Quatro Rodas um Moskvitch 408, usado por diplomatas soviéticos no Rio. O texto elogiava as características modernas do sedã compacto, que já estava uma geração à frente do modelo 402. Somente em 1990, porém, é que os carros russos chegaram ao nosso mercado, com a Lada.
Apólice da Brazil Railway Company, 1910, Brasil
Apólice da Brazil Railway Company, 1910, Brasil
Fotografia
A Brazil Railway Company foi uma empresa ferroviária brasileira criada no início do século XX, mais precisamente no dia 9 de novembro de 1906. Ela expandiu-se muito, ao ponto que, passados 10 anos, já controlava 11 mil kms dos 23,4 mil km existentes em todo o Brasil, ou seja, 47% das ferrovias brasileiras, controle que manteve até meados de 1917.
Pertencia ao Sindicato Farquhar (uma holding), liderado pelo polêmico, famoso e arrojado capitalista estadunidense Percival Farquhar, que, além de ferrovias, controlava empresas de navegação, colonização, madeireiras, seringais, indústrias de papel, frigoríficos, hotéis, empresas de eletricidade, telefonia, portos, serviço de bondes, siderurgia, fazendas de gado, extração mineral, etc.
A Brazil Railway Company era proprietária ou deteve o controle das seguintes estradas de ferro: Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Estrada de Ferro do Paraná, Estrada de Ferro Dona Thereza Christina, Estrada de Ferro Norte do Paraná, Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, Estrada de Ferro Vitória à Minas, Cia. Paulista de Estradas de Ferro, Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Companhie Auxiliaire des Chémins de Fer au Brésil. Além disso, também deteve os serviços de bondes de Salvador, São Paulo, Belém, Rio Grande. Também foi controlador da Southern Brazil Lumber & Colonization Company.
Com o inicio da Primeira Guerra Mundial, e em função da falta de recursos financeiros, inicia-se uma crise na holding. Em 1917, a Brazil Railway e suas subsidiárias entram em regime de concordata, suas atividades são encampadas e passam ao controle do estado, exceto a Southern Brazil Lumber & Colonization Company, que sobrevive até 1938, quando foi estatizada no governo Getúlio Vargas.
Partida de Futebol, Circa 1901, Campus do Mackenzie, São Paulo, Brasil
Partida de Futebol, Circa 1901, Campus do Mackenzie, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Nota do blog 1: Do lado esquerdo aparece o edifício Chamberlain. Logo atrás, um pouco a direita, um sobrado na rua Maria Antônia e outros imóveis da Vila Buarque, além do centro da cidade.
Nota do blog 2: Edifício Chamberlain ao lado do bosque, o prédio foi batizado com o nome do reverendo George Chamberlain, que em 1870, com o intuito de alfabetizar, educar e evangelizar, junto com sua esposa Mary Annesley, transformaram a sala de jantar na Escola Americana. O edifício, com características de um castelo, foi construído no ano de 1901 para funcionar como dormitório masculino. Até 1940 o local abrigou alunos dos cursos de nível superior.
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