Os Perigos do Consumo do "Churrasco Grego" sem Higiene Adequada - Artigo
Artigo
Lanche típico em São Paulo, graças aos imigrantes, o
churrasquinho grego, que na verdade é turco, faz muito sucesso nas ruas,
principalmente do centro da cidade. O churrasco grego é feito a partir de
vários bifes de carne bovina empilhados em um espeto. A carne gira dentro da
máquina para que grelhas instaladas em sua lateral esquentem e assem o rango de
modo uniforme. E o preço ajuda: por apenas três reais é possível comprar
o lanche com farto molho vinagrete e entra nessa conta até um suco disponível
nas versões roxo, laranja, amarelo e vermelho, aparentemente muito bom, não é?
O inconveniente é que nessa conta deva-se levar em consideração o risco de
“piriri”, vômitos e infecções.
Comprovação deste risco é um estudo recente conduzido pela
pesquisadora Aline Katsurayama que constatou que, entre a carne desfiada e as
cebolas fininhas havia uma alta presença de coliformes termotolerantes –
antigamente chamados de fecais – em pelo menos 70% dos lanches analisados.
A pesquisa foi realizada durante a graduação de Aline em
Ciências Biomédicas na Unesp de Botucatu. Ela analisou ao todo 100 lanches,
coletados em 10 lanchonetes espalhadas pelo centro de São Paulo. O método de
análise pode ser chamado de "pra viagem, por favor". “Eu geralmente
pedia o lanche, colocava numa bolsa térmica cheia de gelo e lavava até
Botucatu, onde fica o laboratório em que fazia os testes”, relatou a estudiosa.
Entre todos os churrasquinhos analisados, 70 apresentaram uma
quantidade maior de coliformes termotolerantes do que o permitido pela Anvisa.
Desses, 36 tinham a bactéria em quantidades tão altas que indicavam um início
de deterioração. Os coliformes termotolerantes não costumam causar doenças, mas
são indicadores da possível presença de outros microrganismos veiculados por
fezes. “Se os coliformes estão presentes, isso significa que temos resíduos
fecais. Se temos resíduos fecais, também podemos ter outras bactérias
patogênicas e vírus, causadores de diarreias e disenterias”, diz Vera Lúcia
Mores Rall, professora da Unesp e orientadora da pesquisa.
De acordo com Aline, o resultado não foi surpresa: “Sou de São
Paulo e sempre passei em frente dessas máquinas de churrasco grego. A carne
fica exposta à sujeira da rua, o vinagrete não é refrigerado e muitas vezes a
mesma mão que serve o lanche é que recebe o dinheiro”, diz. “Eu mesma nunca
tive coragem de experimentar.”
Além disso, muitas vezes a temperatura em que a carne é assada
não é suficiente para matar todas as bactérias presentes. “A carne deveria
ficar a 74 ºC durante 5 minutos, mas isso nem sempre acontece”, diz a
professora Vera Lúcia. “Depois de assada, ela deveria ser mantida a 60 ºC para
não permitir o crescimento bacteriano no alimento. Como essa temperatura nem
sempre é respeitada, os microrganismos vão continuar crescendo."
Mas se as condições de higiene são tão precárias, por que não
vemos surtos de contaminação alimentar em São Paulo? De acordo com o texto, os
coliformes que Aline encontrou no lanche indicam a presença de uma série de microrganismos
que podem causar diarreias, disenterias, vômitos, náuseas e dores intestinais,
sintomas que passam geralmente em um ou dois dias. Como pouca gente vai ao
médico por estar fazendo cocô mole, esses problemas ficam sem atenção.
Mas então como fazer a tradição sobreviver e ao mesmo manter a
saúde dos consumidores?
As pesquisadoras sugerem que as lanchonetes adotem o que chamam
de procedimento operacional padrão. Segundo Vera Lúcia, consiste em uma série
de regras que garantem a qualidade da comida, como lavar as mãos antes de
manipular os ingredientes, usar — e trocar de — luvas, colocar pessoas
diferentes para preparar o alimento e manipular o dinheiro, respeitar o tempo e
a temperatura adequados para cozinhar a carne e separar os alimentos cozidos
dos crus. Medidas simples que podem garantir a saúde da população sem ameaçar
sua paixão gastronômica. As informações são do site Motherboard.
De acordo com o site da Anvisa, “sempre que perceber problemas em um produto
alimentício, como alteração de aspecto, odor, sabor ou consistência, o fato
deve ser comunicado à vigilância sanitária. Essas alterações podem indicar
problemas em alguma parte da cadeia de produção, desde o campo, a fábrica, o
transporte, o armazenamento até o ponto-de-venda”.
Ainda segundo a Anvisa, “todos os envolvidos na cadeia de
produção de alimentos são responsáveis pela segurança dos alimentos”. Desde os
produtores do campo, que devem garantir a produção de alimentos isentos de
resíduos de agrotóxicos, fertilizantes e drogas veterinárias, passando pela
indústria e comércio (que tem obrigação de fornecer alimentos seguros) e
chegando ao consumidor final, que também tem a sua cota de responsabilidade
pela segurança dos alimentos que utiliza. Vários órgãos governamentais dividem
a responsabilidade de orientar e fiscalizar a atividade desses estabelecimentos.”
A vigilância tem condições de verificar e apontar a causa do
problema e orientar para que o erro não se repita. Da mesma forma, se constatar
falta de higiene em estabelecimento ou de manipuladores de alimentos, denuncie
o fato à vigilância sanitária, para que intensifique a fiscalização no local.
Assim, você contribui para melhorar a qualidade e a segurança dos alimentos
disponíveis no mercado. É direito de todo cidadão ter acesso a informações e
orientações sobre o controle de alimentos e é dever do Estado garantir esse
direito por meio das equipes de vigilância sanitária. As informações são da
Anvisa.
Nota do blog: Tem que escolher "sabiamente"...rs.
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