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domingo, 12 de julho de 2020
Ford Rural Luxo 4×2 1972, Brasil
Ford Rural Luxo 4×2 1972, Brasil
Fotografia
Político e diplomata, o gaúcho Oswaldo Aranha defendia a política da boa vizinhança com os Estados Unidos. Foi um dos fundadores da Gastal S.A., empresa carioca que, em 1947, iniciou a distribuição da Willys-Overland no Brasil.
Foi assim que os brasileiros conheceram o Jeep civil e uma de suas variações mais bem-sucedidas: a Rural Willys.
Idealizada por Brooks Stevens, ela surgiu em 1946 como Jeep SW. As primeiras unidades chegaram ao Brasil na década seguinte e em 1958 ela começou a ser produzida pela própria Willys, em São Bernardo do Campo (SP).
Foi nessa ocasião que surgiu o nome Rural Willys, muito apropriado a um veículo que já lapidava um país predominantemente agrário.
Com bloco fundido em Taubaté, o BF-161 de seis cilindros em linha foi o primeiro motor movido a gasolina produzido no Brasil, essencial para que a Rural alcançasse um índice de nacionalização próximo de 98%.
As válvulas de escapamento no bloco limitavam o rendimento de seus 2,6 litros: 18,6 kgfm a 2.000 rpm e 90 cv a 4.400 rpm.
O desempenho, porém, era apropriado a um utilitário capaz de transportar seis ocupantes mais bagagem. A aceleração de 0 a 100 km/h ficava em 21,5 segundos e a máxima era de 117 km/h.
A direção era lenta e pesada e os freios a tambor, sem assistência. Na suspensão, havia eixos rígidos.
A concepção mecânica parecia mais adequada ao motor diesel Perkins de quatro cilindros e 3,3 litros, mas o elevado nível de ruído e a potência de apenas 70 cv fizeram a Willys reduzir sua oferta.
O sucesso da Rural era devido ao melhor compromisso entre conforto e valentia: ela era mais silenciosa que a Toyota Bandeirante e mais versátil que a VW Kombi.
Em 1964, o sistema elétrico de 6 V foi substituído pelo de 12 V e a Rural recebeu novo padrão de estofamento e novas opções de cores.
No ano seguinte, a versão 4×2 Luxo adotou suspensão dianteira independente com molas helicoidais, com melhora sensível no conforto e na estabilidade.
O câmbio de três marchas trazia primeira marcha sincronizada e a versão 4×4 agora contava com alavanca do câmbio na coluna de direção e uma única alavanca abaixo do painel para a tração 4×4 e reduzida.
O arcaico dínamo foi substituído pelo alternador em 1966, mesmo ano em que a Rural começou a ser produzida ao lado do Jeep em Jaboatão dos Guararapes (PE).
O motor 2600 com dois carburadores é a novidade do modelo 1967, com 19,4 kgfm a 2.000 rpm e 110 cv a 4400 rpm. A 4×2 Luxo recebeu volante e câmbio de quatro marchas do sedã Aero Willys.
Em 1967, a Ford assumiu o controle da Willys e, no ano seguinte, ofereceu o motor de 3 litros do sedã Itamaraty.
Seus 22,3 kgfm a 2.000 rpm e 132 cv a 4.400 rpm deram novo fôlego à Rural, com o tempo de 15,8 segundos de 0 a 100 km/h e máxima de 142,8 km/h, superava a Chevrolet C-1416, sua concorrente mais moderna.
O diferencial autoblocante entra para a lista de opcionais em 1969. A publicidade do ano seguinte reforçava a vocação familiar da Rural com a oferta do terceiro banco para mais dois passageiros.
A produção foi transferida para a fábrica paulistana do Ipiranga em 1971 e a versão 4×2 Luxo deixou de ser produzida em 1972, junto com a suspensão dianteira independente.
Os antiquados motores Willys deixaram de ser oferecidos em 1975, dando lugar a um moderno Ford de quatro cilindros, com 2,3 litros e comando de válvulas no cabeçote.
Seus 17 kgfm a 3.000 rpm e 91 cv a 5.000 rpm levavam a Rural de 0 a 100 km/h em 22 segundos e à máxima de 132 km/h.
Em 1977, a produção foi encerrada, totalizando cerca de 182.000 unidades.
Seu carisma e suas virtudes resistem à ação do tempo: a popularidade atual dos SUVs indica que continuamos alinhados com a cultura automotiva dos Estados Unidos.
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