Volkswagen Quantum Sport, Brasil
Fotografia
Peruas são
automóveis familiares por excelência: oferecendo o conjunto ideal de espaço,
conforto e segurança, elas combinaram a versatilidade dos utilitários com a
racionalidade dos automóveis de passeio por décadas.
Por isso,
esportividade nunca foi prioridade para esse tipo de veículo. Mas tudo mudou em
meados de 1988, quando a Volkswagen anunciou um novo motor com 2 litros de
cilindrada para a linha Santana. O novo fôlego foi especialmente bem-vindo na
Quantum, até então a única perua nacional com a praticidade e conveniência das
quatro portas.
Avaliada por
QUATRO RODAS ainda na Alemanha, em 1985, a Quantum foi apresentada ao mercado
nacional no mesmo ano, com as virtudes e defeitos do Santana, sua versão sedã.
Tinha muita estabilidade, espaço e economia, mas seu motor de apenas 1,8 litro
era incapaz de fazer frente à sua principal rival, a Chevrolet Caravan, dotada de um possante (e beberrão)
motor de seis cilindros e 4,1 litros.
Retocada em
1987, a Quantum surpreendeu na nova versão GL: situada entre a CL (básica) e
GLS (top), trazia um acabamento nitidamente esportivo, com rodas de liga do
finado Gol GT e pneus de perfil 60, os mais baixos então.
O banco Recaro
entrava na lista de opcionais e a decoração externa substituía os cromados por
peças pretas anodizadas. Apesar do novo câmbio com relações mais curtas, foi o
motor 2.0, em 1988, que garantiu a briga direta com a Caravan 4.1, sem sacrificar
o consumo.
Rápida, veloz
e estável, a perua trazia ainda direção hidráulica progressiva e ficava devendo
só freios a disco ventilados: carregada ou vazia, a perda de eficiência em
frenagens sucessivas era sensível e perigosa.
A versão GL
2.0 era o primeiro passo para a Quantum Sport, que seria mostrada pela primeira
vez na 6ª Brasil Transpo, em outubro de 1989. Em meio aos modelos da linha 1990
reluzia uma Quantum branca, primeira aparição dessa série especial. A decoração
esportiva era evidenciada pelos para-choques com frisos vermelhos, faixas
laterais com o logotipo Sport, lanternas traseiras fumê, retrovisores da cor da
carroceria e ponteira de escape oval.
O conjunto
ótico dianteiro era o mesmo da versão GLS, com faróis de neblina incorporados
aos principais e indicadores de direção embutidos nos para-choques.
Oferecida nas
cores sólidas vermelho, branco e preto, a série Sport também estava disponível
para o Santana de duas portas. O visual esportivo manifestava-se ainda no
interior, pelos detalhes vermelhos no painel, nos instrumentos e na padronagem
dos bancos Recaro. O acabamento das rodas variava de acordo com a pintura do
veículo: face diamantada com fundo prata, totalmente prata ou face diamantada e
fundo branco, que é o caso deste exemplar, que pertence ao colecionador
paulistano Marco Buono.
“A Quantum
Sport branca era a única com grade dianteira pintada da cor da carroceria”,
relembra Thyago Szoke, presidente do Santana Fahrer Club. “Como na versão GL, a
direção hidráulica era de série, assim como o acionamento elétrico dos vidros,
das travas e dos espelhos retrovisores. O ar-condicionado era o único opcional
oferecido, pois o tradicional teto solar de chapa e o rádio/toca-fitas não
estavam disponíveis. E, devido à crise no setor em 1989, pouquíssimas saíram
com o motor a álcool.”
Até hoje a Quantum Sport figura como uma das poucas peruas esportivas
nacionais: ela foi precedida pela Chevrolet Caravan SS em 1978 e sucedida pela
VW Quantum Evidence na década de 1990. Seu espírito jovem e rebelde pode ser
visto implicitamente ainda hoje nas versões Variant de outros modelos
Volkswagen, como Passat, Jetta e Golf.



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