Mitsubishi 3000GT 1991, Japão
Fotografia
Há muito o que dizer sobre o Mitsubishi 3000GT VR-4, mas uma
palavra resume tudo: irresistível. Este japonês parece ter sido concebido sob
influência mágica.
Nele, os requintes tecnológicos trabalham com tanta harmonia
que acabam com a tanta harmonia que acabam compondo um conjunto revolucionário
no conceito dos superesportivos.
Teorias à parte, é na pista que ele exibe toda a sua raça.
Acelera de 0 a 100 km/h em apenas 6s73 – um recorde na história de QUATRO RODAS
–, mas não penaliza o motorista com aquele barulho próprio dos esportivos.
Atinge 215,9 km/h – outro recorde! – sem exigir malabarismos ao
volante.
E, além disso, esbanja 300 cavalos de potência num motor V6
transversal, tão compacto que não macula suas formas aerodinâmicas. Difícil não
se apaixonar pelo Mitsubishi 3000GT.
Impossível descrevê-lo sem um certo deslumbramento. Afinal, se
não estamos falando do melhor carro do mundo, sem dúvida se trata do mais
inteligente, principalmente na versão VR-4, com turbo e tração integral.
Ironicamente, este supercarro traz a assinatura dos japoneses.
Logo eles, que ainda carregam a fama de copiar muito bem e criar… quase
nada. Tecnologia avançada, a rigor, todos os carros modernos têm.
Mas neste 3000GT ela foi empregada com o máximo do bom senso. Por
isso, sem a tradição (e os vícios) de uma Ferrari F40 ou um Porsche 911 Turbo,
o Mitsubishi 3000GT alcança desempenhos fantásticos sem sacrificar o motorista
com barulho, bancos duros ou espaço interno reduzido.
E tudo isso por um preço mais acessível que os dos seus
concorrentes.
Em julho, por 110 000 dólares (cerca de 44 milhões de
cruzeiros). Para comparar: uma F40 custaria 1,4 milhão de dólares, enquanto um
911 Turbo sairia por 330 000 dólares.
Curioso é que a atração fatal do 3000GT não está na enorme
quantidade de equipamentos de última geração a serviço de uma mecânica fantástica.
O charme desse carro seduz imediatamente as pessoas suscetíveis
a amores por automóveis. Mas, se motiva paixões à primeira vista, também é
gratificante descobri-lo aos poucos – e, cada acelerada, em cada mudança de
marcha, em cada frenagem, em cada tomada de curva.
Raro deve ser o motorista indiferente aos encantos desse
puro–sangue. Consagrado em 1990 com “o carro importado do ano” nos Estados
Unidos, o 3000GT é um projeto novo realizado em conjunto pela Mitsubishi e pela
Chrysler.
Nesta, foi batizado de Dodge Stealth. Digamos que os americanos
tenham pegado uma providencial carona na eficiência japonesa – e, pelo jeito,
com excelentes resultados.
Segundo um conceito aprovado nos Estados Unidos, o Mitsubishi
3000GT faz o ato de dirigir ser mais seguro e divertido porque aumenta os
limites de desempenho de um motorista médio.
Exagero? Ora, quer dizer do 3000GT VR-4 – e, por consequência,
do Stealth R/T – se até as rodas traseiras esterçam?
Eis um belo exemplo da inteligência do projeto: acima de 50
km/h, as rodas de trás se movem a 1,5 grau – pouco, mas suficiente para
aumentar consideravelmente a estabilidade do automóvel.
Esse sistema não tem nada a ver com o do VW Futura, que
estaciona sozinho. No 3000GR VR-4, um cilindro transversal recebe graus
variados de pressão hidráulica.
Posicionado junto aos braços da suspensão dianteira e ligado à
caixa de direção, o cilindro atua eletronicamente, baseado na rapidez e no
ângulo com que o volante é virado pelo motorista. Se o sistema quebrar, uma
válvula faz a dirigibilidade voltar apenas às rodas dianteiras.
A suspensão é outro ponto forte dessa fera japonesa. Regulável
por um botão no painel, ela fica Soft (macia) ou Sport (dura), de acordo com as
exigências do motorista.
A suspensão macia absorve as irregularidades do solo sem transmiti-las
para a carroceria, valorizando o conforto. Quando ela está dura, quem ganha é a
estabilidade. A suspensão muda imediatamente de dura para macia se o
automóvel passar por dois buracos consecutivos.
Porém, se os sensores indicarem curva, alta velocidade ou
frenagem (situações que exigem mais segurança), a suspensão se mantém dura e o
carro permanece estável. Em nome da geometria ideal, os engenheiros
posicionaram os amortecedores verticalmente, criando uma saliência no capô.
Entre a nota 10 em aerodinâmica e a nota 10 em segurança,
venceu a segunda opção. Na cor preta, o Mitsubishi 3000GT lembra o Batmóvel –
rápido, bonito e cheio de truques tecnológicos. E nem precisa ser super-herói
para pilota-lo com eficiência.
O spoiler dianteiro e o aerofólio traseiro são acionados
automaticamente de acordo com a velocidade. Acima dos 50km/h, o spoiler baixa 8
cm e o aerofólio se inclina até 15 graus.
Assim, a pressão aerodinâmica aumenta e o carro ganha
estabilidade. A regulagem aerodinâmica também pode ser feita no painel – aliás,
muito bonito e de fácil leitura.
Através da metade superior do volante da direção (equipado com
air bag), o motorista vê com destaque o conta-giros até 9 000 rpm (com faixa
vermelha a partir dos 7.000) e o velocímetro, que marca até 180 milhas, ou 290
km/h. No centro do painel está o medidor de combustível.
À direita ficam os indicadores da temperatura da água, da
pressão do óleo e do turbo. No console estão localizados o rádio/toca-fitas e o
compact disc player (todos controlados na parte de baixo do volante, para que o
motorista não tire a mão da direção), além dos comandos do ar-condicionado, que
merecem um capítulo à parte.
Numa tela colorida, igual à de um videogame, aparece o desenho
do habitáculo do carro, do motorista sentado ao volante e do fluxo de ar, a
temperatura e a velocidade do ventilador.
O conforto se completa com bancos de couro ajustáveis nas mais
variadas posições, materiais de acabamento de primeiríssima qualidade e nível
de ruído inferior a 65 decibéis, digno de uma nota 9.
Sentar no 3000GT para dirigi-lo é quase como vesti-lo. Tudo
está no seu lugar certo e as respostas (sempre rápidas) vêm suavemente.
A embreagem não dá tranco, o câmbio obedece aos comandos, a
visibilidade é excelente, a sensação de segurança é total. E não há como
reclamar da potência.
Se o motor é o coração de todo carro, este não precisa se
preocupar com sua expectativa de vida. Um observador distraído encontrará um
motor em linha, pois somente a fileira dianteira dos cilindros fica visível sob
o capô. No entanto, trata-se de um V6 de 3 litros com duplo comando no
cabeçote.
Cada metade desse V6, posicionado a 60 graus, tem seu próprio
turbo com intercooler. pela primeira vez esse sistema é instalado num carro de
produção normal. O turbo geralmente “amarra” o motor turbo em baixas rotações,
mas no 3000GT VR-4 o torque máximo (42,2 mkgf) é liberado a apenas 2 500 giros.
Tal resultado vem da perfeita combinação entre a pouca inércia
dos turbos pequenos e três elementos: pistões de alumínio com paredes finas,
cabeçotes de fluxo cruzado e câmaras de combustão com vela no centro. As duas
válvulas de entrada e as duas de exaustão são acionadas por balancins de
alumínio com rolamentos de agulha.
Nos carros menos pretensiosos, isso é feito por meio de mancais
de atrito metálico. A perda de eficiência surge com o tempo. No 3000GT VR-4,
cada turbo transmite sua carga de ar comprimido para os cilindros através de
intercoolers. Essa combinação costuma fazer muito barulho. Não neste
Mitsubishi.
O escapamento normal do 3000GT realmente emite um ronco forte,
típico dos esportivos. Mas o carro ainda traz uma válvula que diminui o ruído
em baixas rotações. Basta apertar um botão no painel.
Acima dos 3 000 giros, esse recurso desaparece – e então surge
a deliciosa sensação de dirigir uma verdadeira obra-prima.
Felizes aqueles que têm a chance de acelerar essa máquina, pois
os japoneses não esqueceram uma lição básica quando o assunto é automóvel: ele
existe para transportar pessoas, e as pessoas apreciam conforto no habitáculo e
segurança mecânica.
A menos que se trate de um piloto de competições, ninguém gosta
de sofrer com solavancos, câmbio duro e barulho comuns em automóveis
esportivos.
O Mitsubishi 3000GT, ao contrário, conquista seus motoristas porque é veloz e silencioso, potente e bonito, arrojado e confortável…Ou, simplificando: irresistível.
O Mitsubishi 3000GT, ao contrário, conquista seus motoristas porque é veloz e silencioso, potente e bonito, arrojado e confortável…Ou, simplificando: irresistível.




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