Alfa Romeo 2300 B, Brasil
Fotografia
O Alfa Romeo 2300 foi
o primeiro – e até hoje o único – modelo da marca italiana a ser fabricado no
Brasil. Ele consolidou a presença da casa milanesa no país quando foi
apresentado em 1974.
A mistura de luxo
e esportividade justificava o preço elevado pela exclusividade técnica do duplo
comando de válvulas,
freios a disco nas quatro rodas, câmbio de cinco
marchas e cintos de segurança de três
pontos.
Mas nem tudo ia bem para a Alfa: o 2300 sofria dos
problemas de qualidade
que comprometeram a imagem dos sedãs produzidos pela antecessora FNM em Duque de Caxias
(RJ). Corrosão, panes elétricas, vedação falha e problemas mecânicos eram
inaceitáveis para um modelo que concorria com os melhores automóveis do
mercado, nacionais ou estrangeiros.
A situação só viria a melhorar em 1976: a proibição das
importações de carros
favoreceu o 2300, então o único nacional de luxo
oriundo da escola europeia.
Da noite para o dia, ele passou a atrair não só os
entusiastas alfistas, mas também o público habituado às versões mais caras do Opala, Dodge Dart e Galaxie, além de importados
como BMW e Mercedes.
Ciente da oportunidade, a Alfa deu início ao
aperfeiçoamento do 2300, para suavizar as características do projeto original e
sanar alguns de seus
defeitos, sem perder o espírito esportivo peculiar do fabricante. O resultado
foi o modelo 2300 B, que se tornou uma das maiores estrelas do Salão do
Automóvel de 1976.
As maiores modificações estavam no interior, com painel
acolchoado, volante em plástico injetado (com regulagem de altura),
revestimento dos bancos e laterais de portas
em tecido imitando veludo e rádio AM/FM com antena elétrica. Os bancos
dianteiros eram reclináveis e tinham ajuste milimétrico, e o banco traseiro
oferecia maior conforto ao quinto passageiro.
Externamente,
os detalhes que mais chamavam atenção na reformulação do sedã ítalo-fluminense
eram as lanternas traseiras maiores e as maçanetas embutidas nas portas.
A grade dianteira perdeu os frisos cromados, enquanto o
tradicional escudo triangular ficou maior. A nova denominação era exibida por
meio de um
emblema no lado direito da tampa do porta-malas.
Outro ponto de evolução
foi na ergonomia: pedaleiras suspensas, alavanca do freio de mão
entre os bancos dianteiros (e não mais embaixo do painel) e comandos dos faróis
e limpador de para-brisa
na coluna de direção.
O volante estava mais leve graças a uma nova geometria de direção
e por trás dele estava um painel de fundo
azul e iluminação verde, inspirado nos BMW.
A modificação técnica mais significante ocorreu no trem de força.
Consumidor voraz da gasolina azul de alta
octanagem, o motor foi recalibrado para consumir gasolina amarela, mais comum e
barata. Para tanto foi preciso alterar o perfil dos comandos de válvulas,
o coletor de escapamento
e a curva de avanço
do distribuidor.
Como resultado, o torque subiu de 21
para 21,5 mkgf e a potência, de 140
para 141 cv. Era preciso explorar o câmbio de cinco
marchas para impulsionar seus 1.336 kg. Uma de suas
virtudes era a autonomia, graças ao tanque de 100
litros e ao quatro cilindros que fazia média de 8,4
km/l.
Em 1978, a Fiat assumiu o controle da produção,
transferida para sua sede em Betim. O fabricante mineiro melhorou a proteção
contra corrosão e diminuiu o nível de ruído.
O exemplar das fotos é um modelo 1980, do colecionador Marcelo Paolillo:
“Foi o último ano de produção do
2300 B, substituído pelo 2300 SL”. Apesar da valentia contra os novos Del Rey,
Monza e Santana, o 2300 custava quase o dobro dos concorrentes – foram cerca de 30.000 unidades produzidas até 1986, número que
evidencia sua exclusividade.





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