Revista MAD Encerrará as Atividades, Estados Unidos
Artigo
Texto 1:
A revista americana de humor satírico MAD anunciou, após 67 anos de existência, que não publicará novas edições mensais com conteúdo inédito.
Depois do volume que deve sair em agosto, os próximos trarão material publicado em anos anteriores com uma capa nova. Esse material impresso estará disponíveis apenas em lojas de quadrinhos e para assinantes.
A MAD era conhecida por capas impactantes, com paródias tanto sobre temas do cotidiano quanto sobre programas de televisão famosos. Também era popular o mascote Alfred E. Newman, uma criança com os dentes da frente separados que frequentemente estampava as capas.
Fundada em 1952, a publicação estreou como história em quadrinhos e três anos depois mudou para o formato de revista.
"Depois da edição #10, neste outono, não haverá conteúdo novo - exceto pelos especiais de fim de ano, que sempre serão inéditos. A partir da edição #11, a revista trará os clássicos, o melhor e o mais nostálgico dos últimos 67 anos", declarou à ABC a DC Comics, editora responsável pela publicação.
A revista foi publicada em diversos países, a exemplo do Brasil, onde chegou em 1974 e circulou até 2017, entre idas e vindas e diferentes editoras.
Entre os muitos leitores que expressaram publicamente a tristeza pela notícia está o cantor e comediante "Weird Al" Yankovic.
"Não consigo descrever o impacto que a revista teve em mim quando era garoto - é basicamente a razão que me fez virar um "esquisitão" ("weird"). Adeus a uma das melhores instituições americanas de todos os tempos."
O comediante Brock Baker compartilhou uma imagem de uma carta enviada por um dos editores depois de ele, aos 13 anos, ter mandado sugestões de piadas e de tirinhas para a revista.
Ota Assunção é um dos nomes mais importantes do humor brasileiro. Durante muitos anos, foi o editor responsável pela versão brasileira da "MAD", clássica publicação que satirizava todos os aspectos da cultura popular –e cuja matriz anunciou hoje o encerramento das atividades.
As duas melhores fases da revista no Brasil tiveram Ota como principal articulador, primeiro na editora Vecchi e depois na Record. Mas o cartunista recentemente fez queixas a respeito do atual momento financeiro em suas redes sociais. "Desde que esta maldita crise começou os frilas sumiram. A única solução pra não morrer de fome foi começar produzir meus gibis eu mesmo, dar uma de camelô e sair vendendo pela pela rua ou pelo correio diretamente para os fãs. Ou em eventos. Se você gosta de mim e quer me dar uma força me chame no Messenger ou no Zap e eu passo as coordenadas", escreveu.
"Hoje sobrevivo de vender meus gibis autorais e felizmente os fãs me apoiam. Este mês foi bom, mas o mês passado eu não tinha o que comer. Contei com a generosidade de uma amiga que bancou um supermercado", comentou. O momento deveria ser de celebração para os fãs da revista no Brasil, conforme anotou em outra publicação. "Este mês a 'MAD' comemora mais uma efeméride. Porque além de fazer 45 anos do primeiro lançamento da Vecchi, a série da Record foi lançada exatamente dez anos depois, portanto são 35 anos da segunda série. A segunda série foi a melhor de todas e se caracterizou pela total liberdade de criação e decisões que eu podia tomar. E com a vantagem que eu podia publicar meus desenhos, o que era proibido na Vecchi. Quando fechei o negócio com o Sérgio Machado, falei que queria publicar e ele até gostou. Assim, teve colaborações Ota em praticamente todas as edições."
"No início os leitores estranharam, porque meu estilo era tosco demais e diferente do resto da revista, mas quando começaram os Relatórios Ota os leitores adoraram e virei a principal estrela nacional da revista", continuou. "Essa fase durou de 1984 a 2000 e a revista recuperou o patamar de vendas dos tempos áureos da Vecchi, cujas vendas tinham baixado porque os que ficaram no meu lugar não entendiam muito de editar revistas de humor, achavam que era só chamar os colaboradores e pedir colaborações. Ficou algo como com a saída do cozinheiro o molho ficar insosso ou um bando de músicos bons sem um maestro pra reger a orquestra direito."
"Já estava sabendo desde ontem mas hoje virou a notícia mais bombástica da mídia. Após 67 anos, a Mad deixa de circular nos EUA. Serão publicados mais alguns números com reprises para atender exigências jurídicas (só para cumprir as assinaturas já pagas) . A revista, que começou em 1952 sob a batuta do genial Harvey Kurtzman, estava capengando desde 2008 ou 2009, quando começou a crise americana (aqui era só uma marolinha). De um ano pra cá houve uma tentativa de zerar a numeração mas esta nova fase não passou do número 8 ou 9. Agora bateram o martelo para o cancelamento definitivo."
"Será?", questiona Ota. "Tudo acaba voltando mais cedo ou mais tarde. Mas voltar ao patamar de 1962 quando a circulação beirava 3 milhões de exemplares, nunca mais. No Brasil a recordista foi a edição 20 da Vecchi (Tubarão na capa), cuja tiragem foi de 210 mil. Depois estabilizou-se em 150 mil. Quando esteve na mão da Record também voltou a este patamar na época do Plano Cruzado. Aos poucos foi caindo e parou em 2000 quando vendia 8 mil." "Na editora seguinte, a Mythos, estava nessa faixa mas eles não me informavam os números. Soube que na Panini chegou a vender apenas 3 mil. Em 2016 deixou de sair, voltando um ou dois anos depois numa edição especial pra aproveitar o filme da Liga da Justiça. Será mesmo o fim? Vamos ver. De repente algum milionário compra a revista e começa tudo de novo", escreveu.
Texto 2:
Criada por William Gaines e Harvey Kurtzman, em 1952, a Revista MAD chegou ao Brasil em 1974. Foi amor à primeira vista, para desespero de minha mãe, que via na publicação uma pouca-vergonha e o início do fim da família brasileira. De algum modo, as páginas da revista, muitas vezes carregadas de uma ironia completamente alienígena para ela, eram um caminho certo para uma vida regada a drogas e que acabaria por me conduzir ao mundo do crime.
Pode ser que ela estivesse apenas tentando me impedir de amadurecer mais cedo. Pode ser que ela julgasse que o conteúdo daquela revista fosse algo capaz de alterar o desenvolvimento mental de uma criança. Afinal, ela era de um tempo em que rapazes, moçoilas e "senhorinhas" deviam evitar espetáculos e filmes que os deixassem "impressionáveis", fosse lá o que isso quisesse dizer. De minha parte, nunca dei muita atenção a seus apelos, enquanto me ocupava da leitura da publicação, na época, editada pela extinta editora Vecchi.
Passei a esperar cada número como quem caça um tesouro. "O lado irônico de...", seção escrita por Dave Berg, ou "Mad vê..." , nos desenhos do cartunista Sergio Aragonés, junto com as sátiras dos filmes e séries da época, estavam entre meus preferidos. Até hoje me lembro de "Mad vê Guerra nas Estrelas", através das charges de Aragonés.
Al Jafee, o criador das Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis era, sozinho, considerado a pior ameaça à juventude, na visão de minha mãe. Também pudera. O cara ensinava ironia, sarcasmo. Ninguém suporta espertinhos. Ainda mais se eles têm dez anos de idade e vivem na sua casa, sob sua responsabilidade. Em minha defesa devo dizer que nunca usei os ensinamentos de mestre Jafee em casa. O lar sempre foi uma instituição sagrada para mim. O que eu adorava era a mecânica deliciosamente simples daquelas respostas que eram o equivalente verbal da esgrima. Jaffe também me conquistou por seus guias de invenções que beiravam o surreal: Fumódromo (todos fumando através de tubos individuais que aspiravam o fumo de um forno gigante, com resultados terríveis para a saúde!), esfera hermética de contenção para crianças birrentas (a pobre criança podia gritar à vontade, já que estava numa bolha a prova de som. Claro, podia acabar surda com os próprios gritos...) e outras maluquices que, eu já sabia, serviam só para rir, de tão absurdas.
Mas a revista também tinha seus easter eggs, décadas antes que essa expressão fosse usada no Brasil. Eram as sessões escondidas, cartuns para serem descobertos, como a sessão "imprensa marginal", de Sergio Aragonés, com micro desenhos impressos, como o nome já dizia, nas margens das páginas da revista. E, claro, após o festival de sandices (no bom sentido) oferecidas pelas páginas em preto e branco, ainda havia, na contracapa interna a dobradinha MAD. Uma ilustração colorida, aparentemente inocente, com um texto inócuo que, ao ser dobrada de acordo com instruções, mudava não apenas o texto, como também a imagem, algumas vezes com resultados tão chocantes quanto hilariantes, se você fosse um guri de dez anos.
O tempo passou e continuei a comprar a MAD. E fui além. Muito antes da Internet, muito antes do E-commerce, através do reembolso postal, passei a comprar os livros de bolso da MAD: As Aventuras do Capitão Klutz de Don Martin, e os livros de Al Jafee, que, infelizmente, não incluíam o primeiro volume do Livro de Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis, uma vez que minha mãe chegava a passar mal, só de pensar na existência de tamanho manual de subversão juvenil invadindo a santidade do lar. Isso, claro, não me impediu, algum tempo depois, de conseguir o segundo volume da saga.
Outro grande acerto da revista eram as paródias de filmes e séries de TV, frequentemente nos traços de Mort Drucker e Angelo Torres. Era como ter episódios de sua série ou filme favorito em casa, só que zoados de um modo inimaginável. Por exemplo, na sátira de O Homem de Seis Milhões de Dólares, Steve Austin, um ciborgue (na época Cyborg, pois essa palavra ainda não havia sido aportuguesada) resgata um amigo de uma fortaleza em território inimigo. Quando estão descendo a muralha, o amigo, Oscar Goldman, se não me engano, dizia: "Steve, não sabia que seu braço biônico era projetado para se esticar!" Resposta do pobre ciborgue: "Esse é o meu braço verdadeiro...".
Em 1975 a Globo exibiu quatro dos cinco filmes de Planeta dos Macacos original. As paródias de cada um dos filmes não tinham sido lançadas individualmente no Brasil. Solução da revista: Um compacto com todo o material produzido, com a história de todos os filmes numa só paródia. E ficou genial. A capa da edição era uma das mais icônicas de todos os tempos: um chimpanzé retira sua máscara de Alfred E. Newman e revela que, assim como o garoto-propaganda do periódico, ele mesmo também tem um dente da frente faltando.
No Brasil, equipes locais se encarregavam de produzir um excelente material com apelo direto à cultura nacional. Sátiras de telenovelas eram frequentes e, muitas vezes, mais interessantes do que o material em que se baseavam. No Brasil, a revista passou por altos e baixos, mudando de editoras, até finalmente ser cancelada pela Editora Panini, em 2017. Hoje, quinta-feira, 4/07/2019, descubro que a redação da MAD norte-americana fechará suas portas após 67 anos. A publicação que conseguiu sobreviver até à proibição nos anos 50 e investigação por parte do FBI, não resistiu à crise que se abateu sobre o mercado de quadrinhos e, junto com a linha Vertigo, da DC Comics, ambas propriedade da Warner, chegou ao fim.
Durante aqueles primeiros anos, cheguei a acreditar que Alfred E. Neuman era baseado em alguém real. Talvez um parente de alguém, ou, até, parte da equipe de editores. Na verdade tratava-se de um ícone, como o Tio Sam, só que feito para zoar com tudo e com todos, baseado possivelmente numa peça publicitária dos anos 20, que mostrava um menino com um dente da frente faltando. Hoje aquele menino maluquinho e irreverente, que já apareceu de tudo que é jeito na capa, se despede, após quase sete décadas sendo um símbolo do humor anárquico e um libelo pela liberdade de expressão.
Será que voltaremos a vê-lo no futuro? Quem sabe, se sobrevivermos à era do mimimi e do politicamente correto. Digo e repito, sem constrangimento nem hesitação que, ao invés de me corromper, a MAD ajudou a moldar o homem que me tornei. O riso é a quintessência da liberdade. Suprimi-lo é um atentado contra a menor de todas as minorias: o indivíduo. Foi isso, mais do que respostas cretinas para perguntas imbecis, o que aprendi com Alfred E. Neuman. Até mais, Alfie. Você lutou a boa luta e, ao fazê-lo, tornou esse mundo um lugar menos chato de se viver. Descanse em paz, guerreiro. E muito obrigado pelas risadas.
Nota do blog 1: Quando adolescente, eu comprava todo mês. Buscava números antigos nas bancas de revistas usadas, especialmente os da editora Vecchi. Da editora Record eu tive todas (não sei onde foram parar, provavelmente dei ou joguei fora em alguma limpeza de minha biblioteca). Da Mythos tive algumas no ínicio mas depois parei. Da Panini nem cheguei a ver. Uma vez tive uma carta publicada na seção de cartas da MAD no tempo da editora Record. Foi uma glória, contei para todo mundo...rs.
Criada por William Gaines e Harvey Kurtzman, em 1952, a Revista MAD chegou ao Brasil em 1974. Foi amor à primeira vista, para desespero de minha mãe, que via na publicação uma pouca-vergonha e o início do fim da família brasileira. De algum modo, as páginas da revista, muitas vezes carregadas de uma ironia completamente alienígena para ela, eram um caminho certo para uma vida regada a drogas e que acabaria por me conduzir ao mundo do crime.
Pode ser que ela estivesse apenas tentando me impedir de amadurecer mais cedo. Pode ser que ela julgasse que o conteúdo daquela revista fosse algo capaz de alterar o desenvolvimento mental de uma criança. Afinal, ela era de um tempo em que rapazes, moçoilas e "senhorinhas" deviam evitar espetáculos e filmes que os deixassem "impressionáveis", fosse lá o que isso quisesse dizer. De minha parte, nunca dei muita atenção a seus apelos, enquanto me ocupava da leitura da publicação, na época, editada pela extinta editora Vecchi.
Passei a esperar cada número como quem caça um tesouro. "O lado irônico de...", seção escrita por Dave Berg, ou "Mad vê..." , nos desenhos do cartunista Sergio Aragonés, junto com as sátiras dos filmes e séries da época, estavam entre meus preferidos. Até hoje me lembro de "Mad vê Guerra nas Estrelas", através das charges de Aragonés.
Al Jafee, o criador das Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis era, sozinho, considerado a pior ameaça à juventude, na visão de minha mãe. Também pudera. O cara ensinava ironia, sarcasmo. Ninguém suporta espertinhos. Ainda mais se eles têm dez anos de idade e vivem na sua casa, sob sua responsabilidade. Em minha defesa devo dizer que nunca usei os ensinamentos de mestre Jafee em casa. O lar sempre foi uma instituição sagrada para mim. O que eu adorava era a mecânica deliciosamente simples daquelas respostas que eram o equivalente verbal da esgrima. Jaffe também me conquistou por seus guias de invenções que beiravam o surreal: Fumódromo (todos fumando através de tubos individuais que aspiravam o fumo de um forno gigante, com resultados terríveis para a saúde!), esfera hermética de contenção para crianças birrentas (a pobre criança podia gritar à vontade, já que estava numa bolha a prova de som. Claro, podia acabar surda com os próprios gritos...) e outras maluquices que, eu já sabia, serviam só para rir, de tão absurdas.
Mas a revista também tinha seus easter eggs, décadas antes que essa expressão fosse usada no Brasil. Eram as sessões escondidas, cartuns para serem descobertos, como a sessão "imprensa marginal", de Sergio Aragonés, com micro desenhos impressos, como o nome já dizia, nas margens das páginas da revista. E, claro, após o festival de sandices (no bom sentido) oferecidas pelas páginas em preto e branco, ainda havia, na contracapa interna a dobradinha MAD. Uma ilustração colorida, aparentemente inocente, com um texto inócuo que, ao ser dobrada de acordo com instruções, mudava não apenas o texto, como também a imagem, algumas vezes com resultados tão chocantes quanto hilariantes, se você fosse um guri de dez anos.
O tempo passou e continuei a comprar a MAD. E fui além. Muito antes da Internet, muito antes do E-commerce, através do reembolso postal, passei a comprar os livros de bolso da MAD: As Aventuras do Capitão Klutz de Don Martin, e os livros de Al Jafee, que, infelizmente, não incluíam o primeiro volume do Livro de Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis, uma vez que minha mãe chegava a passar mal, só de pensar na existência de tamanho manual de subversão juvenil invadindo a santidade do lar. Isso, claro, não me impediu, algum tempo depois, de conseguir o segundo volume da saga.
Outro grande acerto da revista eram as paródias de filmes e séries de TV, frequentemente nos traços de Mort Drucker e Angelo Torres. Era como ter episódios de sua série ou filme favorito em casa, só que zoados de um modo inimaginável. Por exemplo, na sátira de O Homem de Seis Milhões de Dólares, Steve Austin, um ciborgue (na época Cyborg, pois essa palavra ainda não havia sido aportuguesada) resgata um amigo de uma fortaleza em território inimigo. Quando estão descendo a muralha, o amigo, Oscar Goldman, se não me engano, dizia: "Steve, não sabia que seu braço biônico era projetado para se esticar!" Resposta do pobre ciborgue: "Esse é o meu braço verdadeiro...".
Em 1975 a Globo exibiu quatro dos cinco filmes de Planeta dos Macacos original. As paródias de cada um dos filmes não tinham sido lançadas individualmente no Brasil. Solução da revista: Um compacto com todo o material produzido, com a história de todos os filmes numa só paródia. E ficou genial. A capa da edição era uma das mais icônicas de todos os tempos: um chimpanzé retira sua máscara de Alfred E. Newman e revela que, assim como o garoto-propaganda do periódico, ele mesmo também tem um dente da frente faltando.
No Brasil, equipes locais se encarregavam de produzir um excelente material com apelo direto à cultura nacional. Sátiras de telenovelas eram frequentes e, muitas vezes, mais interessantes do que o material em que se baseavam. No Brasil, a revista passou por altos e baixos, mudando de editoras, até finalmente ser cancelada pela Editora Panini, em 2017. Hoje, quinta-feira, 4/07/2019, descubro que a redação da MAD norte-americana fechará suas portas após 67 anos. A publicação que conseguiu sobreviver até à proibição nos anos 50 e investigação por parte do FBI, não resistiu à crise que se abateu sobre o mercado de quadrinhos e, junto com a linha Vertigo, da DC Comics, ambas propriedade da Warner, chegou ao fim.
Durante aqueles primeiros anos, cheguei a acreditar que Alfred E. Neuman era baseado em alguém real. Talvez um parente de alguém, ou, até, parte da equipe de editores. Na verdade tratava-se de um ícone, como o Tio Sam, só que feito para zoar com tudo e com todos, baseado possivelmente numa peça publicitária dos anos 20, que mostrava um menino com um dente da frente faltando. Hoje aquele menino maluquinho e irreverente, que já apareceu de tudo que é jeito na capa, se despede, após quase sete décadas sendo um símbolo do humor anárquico e um libelo pela liberdade de expressão.
Será que voltaremos a vê-lo no futuro? Quem sabe, se sobrevivermos à era do mimimi e do politicamente correto. Digo e repito, sem constrangimento nem hesitação que, ao invés de me corromper, a MAD ajudou a moldar o homem que me tornei. O riso é a quintessência da liberdade. Suprimi-lo é um atentado contra a menor de todas as minorias: o indivíduo. Foi isso, mais do que respostas cretinas para perguntas imbecis, o que aprendi com Alfred E. Neuman. Até mais, Alfie. Você lutou a boa luta e, ao fazê-lo, tornou esse mundo um lugar menos chato de se viver. Descanse em paz, guerreiro. E muito obrigado pelas risadas.
Nota do blog 1: Quando adolescente, eu comprava todo mês. Buscava números antigos nas bancas de revistas usadas, especialmente os da editora Vecchi. Da editora Record eu tive todas (não sei onde foram parar, provavelmente dei ou joguei fora em alguma limpeza de minha biblioteca). Da Mythos tive algumas no ínicio mas depois parei. Da Panini nem cheguei a ver. Uma vez tive uma carta publicada na seção de cartas da MAD no tempo da editora Record. Foi uma glória, contei para todo mundo...rs.
Nota do blog 2: Data e autoria da imagem não obtidas.

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