Ribeirão Preto - SP
Foto Esporte N. 63
Fotografia - Cartão Postal
Inaugurado em 26 de maio de 1917, o Palácio Rio Branco passou por uma reforma em 1992. Todo o madeiramento foi trocado, encanamentos e rede elétrica modernizados e o estilo preservado. O Palácio Rio Branco sedia o Gabinete do Prefeito, Secretaria de Governo, Secretaria da Casa Civil, Coordenadoria de Comunicação Social, Astel (Assessoria Técnica Legislativa), Seção de Leis e Decretos.
O Palácio Rio Branco, na época chamado Paço Municipal, foi encomendado pelo então prefeito Joaquim Macedo Bitencourt ao engenheiro Antônio Soares Romeu que elaborou seu projeto com base nas regras estilísticas da belle-époque.
A construção do edifício foi solicitada por deliberação tomada em 24 de Outubro de 1914 pela Câmara, composta pelos vereadores o Coronel Francisco Schimidt, Veiga Miranda, Joaquim Macedo Bittencourt, Major Augusto Junqueira, coronel Saturnino Corrêa de Carvalho, coronel José de Castro, coronel José Martiniano da Silva e João Alves Meira Júnior.
A primeira pedra lançada a 03 de agosto de 1915. O estilo de sua fachada é uma transição do barroco para o moderno, e foi inspirado nas fachadas de Mairie Neuilly-Sur-Seine e do Hotel de Ville de Suresnes.
O edifício consta de dois pavimentos e um porão. No andar térreo foram instaladas salas destinadas à Prefeitura, Procuradoria, Instrução Pública, Contadoria, Repartição de Obras, Secretaria, Biblioteca, Portaria, Pagadoria e Recebedoria, Tesouraria e o vestíbulo de entrada. No andar superior funcionavam as salas de Sessões, das Comissões, do Presidente e do Prefeito, e o Salão Nobre para recepções. O salão, em estilo Luiz XV, foi decorado sob a direção do pintor Torquato Bassi.
A superfície coberta pelo prédio é de 600 metros quadrados, perfazendo nos três pavimentos 1.800 metros quadrados de construção. As obras foram concluídas em abril de 1917 e sua inauguração foi no dia 26 de maio, sob a administração da Câmara eleita em 30 de outubro de 1916, composta pelos vereadores Francisco Schimidt, Presidente; João Alves Meira Júnior, vice-presidente; Joaquim Macedo Bittencourt, prefeito; coronel Gabriel Junqueira, vice-prefeito; Renato Jardim, coronel José de Castro, coronel Manuel Maximiano Junqueira, major Antônio Ignácio da Costa, coronel José Martiniano da Silva e Veiga Miranda.
O projeto do prédio foi confiado ao engenheiro municipal Antônio Soares Romeu, que o executou tendo como auxiliar na construção José Michelletti. A decoração do vestíbulo foi feita pelo pintor Carlos Baraldi; os serviços de carpintaria foram confiados a José Barbosa e Mario Nakamura e ao estabelecimento de Antônio Diederichsen. A fachada foi executada por José Pontan; o serviço de iluminação, pela Empresa Força e Luz de Ribeirão Preto; o mobiliário todo moderno, a tapeçaria e os resposteiros foram encomendados as oficinas do Lyceu de Artes e Offícios, da Casa Allemã da Casa Coimbra, de Romeu Napoleão & Irmão Puglugi Zocco, de São Paulo e de Domingos Innecchi & Filho, de Ribeirão Preto.
Naquele tempo, Ribeirão Preto não possuía indústrias, arquitetura própria, nem tradição cultural para basear suas construções. Mas, o dinheiro acumulado pela produção do café possibilitava à elite importar modismos europeus e até materiais de construção.
Como já havia acontecido com o Theatro Carlos Gomes e com muitos palacetes erguidos na cidade, o Palácio Rio Branco foi projetado com mistura de tendências da art-déco ao neoclássico, com acentuadas características de art-noveau, o que até hoje podem ser observadas em seus contornos arredondados, na predominância de motivos florais nos entalhes e nas pinturas externas. O mesmo estilo é encontrado nos móveis de inspiração francesa que ainda decoram vários cômodos do palácio.
O poder conferido aos "coronéis" da cidade pela produção cafeeira (na época, a maior do mundo) era exercido no interior daqueles salões. Na grande mesa que ainda hoje atravessa o Salão Nobre "Antônio Duarte Nogueira", fazendeiros milionários (nomeados vereadores, sem eleição) fechavam negócios e determinavam os destinos econômicos da cidade e, muitas vezes do país.
No Salão Rosa "Orestes Lopes de Camargo", onde intelectuais debatiam questões da época, literatos e juristas viravam a noite em debates intermináveis. Hoje, este mesmo salão onde aconteciam as antigas e tumultuadas sessões da Câmara Municipal, exibe em suas paredes quadros de artistas locais com pedaços da história da cidade. Fielmente reproduzidos, ali estão as imagens da primeira capela do povoado, dos antigos habitantes em frente ao coreto, das velhas ruas e praças hoje modificadas.
No Salão Nobre "Antônio Duarte Nogueira", que toma a fachada superior do prédio, aconteciam as festas do Império do Café. Ali foi organizado, por exemplo, o baile de gala em homenagem ao então presidente da República Epitácio Pessoa, em suas duas visitas à cidade. A sala, rodeada por janelas com sacadas sobre a praça, mantém intactos os lustres de cristal, as vidraças bisotadas, o impecável assoalho de madeira, as pinturas que adornam as paredes, os móveis da época.
Lá fica também o balcão que costumava acomodar a orquestra durante as festas. Dele era possível aos músicos localizar pelos espelhos, que até hoje ocupam a parede em frente, quem chegava ao baile - de acordo com a importância do convidado, mudava-se o número do musical.
Em 28 de março de 1988, foi sancionada a lei nº 5.243 que decretou o tombamento do Palácio Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto há mais de um século. Inaugurado em 26 de maio de 1917, o prédio passou por uma reforma em 1992. Todo o madeiramento foi trocado, encanamentos e rede elétrica modernizados e o estilo preservado. Sedia o gabinete do prefeito, as secretarias municipais de Governo e da Casa Civil, a Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), a Assessoria Técnica Legislativa (Astel) e a Seção de Leis e Decretos.
No dia da inauguração, as principais personalidades da sociedade da época estavam na praça Barão do Rio Branco, inaugurada poucos anos antes, em 1913. O prefeito Joaquim Macedo Bittencourt, idealizador da nova sede para a Câmara e a prefeitura, chamada pela imprensa de Paço Municipal, presidiu a cerimônia. Naquele tempo, o prefeito era um dos vereadores, o único com funções executivas – ele comandava a cidade, enquanto seus colegas parlamentares criavam as leis e regulamentos que deviam ser seguidos por todos. Eleito por seus pares vereadores em 1911, Bittencourt fora reconduzido ao posto em 1914 e seguiria na principal cadeira do Palácio Rio Branco até 1920.
O Palácio Rio Branco foi palco de momentos memoráveis da história de Ribeirão Preto. Em 1924, quem exercia o cargo era o prefeito João Rodrigues Guião, que em sua sala no segundo andar tomou uma medida radical – a revolta liderada pelo general Isidoro Lopes em São Paulo deixara Ribeirão Preto incomunicável, o telégrafo estava mudo e o tráfego dos trens fora interrompido. Sem saber o que se passava na capital, Guião, informado que os gêneros de primeira necessidade estavam sumindo das prateleiras dos armazéns, decretou um inédito tabelamento de preços e colocou sentinelas 24 horas nos acessos da cidade para impedir que alimentos fossem escondidos na zona rural.
O Palácio Rio Branco também foi palco da memorável “tomada do poder” pelos apoiadores de Getúlio Vargas, no dia seguinte ao golpe militar de 30 de outubro de 1930. Uma multidão entusiástica invadiu o prédio e durante algumas semanas a principal cadeira foi compartilhada por cinco cidadãos – Fernando Costella Simões, Albino Camargo Neto, Teófilo Siqueira, Antônio Engracia Garcia e João Emboaba da Costa, até a nomeação do primeiro prefeito interventor, Eduardo Leite Ribeiro.
Foi também no Palácio Rio Branco, mais especificamente em sua escadaria, que corajosos jovens da “mocidade ribeirãopretana” posaram para uma foto antes de embarcarem, em 1932, para a guerra contra as forças do ditador Getúlio Vargas – dos jovens que aparecem sorridentes e confiantes na foto dois não retornaram nunca mais e hoje são lembrados no Alto da Boa Vista (rua Ayrton Roxo e rua Nélio Guimarães).
No alto da mesma escadaria, algumas semanas depois, um trêmulo porteiro, a única viva alma que restara dentro do Palácio Rio Branco, entregou um molho de chaves para o capitão Rodrigo Duque Estrada, que assumiu o comando de uma Ribeirão Preto invadida e ocupada pelas tropas federais que derrotaram os paulistas na Revolução Constitucionalista.
As escadarias do Palácio Rio Branco não foram percorridas apenas pelos protagonistas de nossa história política. Muitas vezes foram pessoas do povo que fizeram a história, descendendo aqueles 17 degraus carregando nos ombros os caixões dos prefeitos Costábile Romano (1954) e Antônio Duarte Nogueira (1990).
Símbolo maior do poder político do município sede de uma Região Metropolitana com 34 cidades e 1,67 milhão de habitantes, o Palácio Rio Branco completa três décadas de tombamento à espera da aguardada restauração e da sua transformação em centro cultural, como prometeu ano passado o prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB). Com a anunciada transferência da prefeitura para o prédio da antiga regional da Caixa Econômica Federal, na rua Américo Brasiliense, o caminho para a restauração encontra-se aberto.

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